quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Urgências: Protocolos assinados com autarquias

Estrutura de Missão dá parecer negativo a traçado do IP2
Daqui e dali... João Lopes de Matos
Os políticos do interior são, na realidade, uns ingratos.
E será que nós nos habituámos a ver, no interior, apenas o coitado do povo, e esses senhores, os políticos?
O povo não contou, não conta, não contará. E talvez resida aí o mal. O povo tem sido o conjunto dos coitados.
Costuma até dizer-se: -Como é que aquele, coitadinho, já reparaste, é atendido pelo médico? Como ele vai a Mirandela, coitado, se acaba a linha? Quem lhe dá um caldinho?
Os outros, para além dos coitadinhos, fogem, desertam, não defendem nada, porque não sentem que haja nada para defender. E, só com coitadinhos, o interior não vai a parte nenhuma.
É preciso, portanto, que passemos a contar com gente de corpo inteiro, com gente que não passe a vida aninhada nas lareiras das suas aldeias e sempre e apenas disposta a pedinchar favores aos senhores da terra e do céu.

O progresso tem que fazer-se com todos e todos são mesmo todos: - o povo no sentido nobre do termo, que é aquele que engloba toda a gente porque não há já clero, nobreza e povo, mas apenas povo, que somos todos nós.
A resposta aos problemas há-de resultar do esforço e participação de todos.
Até o aproveitamento dos fundos comunitários só poderá fazer-se se eles deixarem de ser entendidos como subsídios, esmolas ou pensões, para passarem a ser vistos como uma ajuda à construção de uma sociedade que, depois, possa viver por si.
A solução dos problemas que se põem no interior há-de resultar, portanto, da participação activa daqueles (todos) que nele habitam mais que da boa vontade sempre bem - vinda dos políticos.
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"SAP não fecham em Abril", garante Berta Nunes

Depois de o PCP ter lançado o alerta de que os SAP do distrito poderiam encerrar no dia 25 de Abril, as autoridades regionais de saúde vêm a público desdramatizar a situação.
Segundo o Partido Comunista, o acordo assinando no ano passado entre as autarquias e o Ministério da Saúde, para a manutenção dos SAP durante a noite com médico à chamada, é válido durante um ano.
Por isso, o encerramento estaria marcado para daqui a três meses sem, no entanto, estarem garantidos os recursos médicos prometidos.
A coordenadora da Sub-região de Saúde de Bragança considera desnecessário o alarme criado pelo PCP aconselhando o partido a ler o protocolo até ao fim, até porque os SAP não deverão encerrar até 25 de Abril porque ainda falta instalar o helicóptero e as ambulâncias SIV.
CIR/Eduardo Pinto
Autarcas da região esperam alterações de medidas de Correia de Campos

"Se há remodelação é porque eventualmente as coisas não correram bem, pelo menos em determinadas situações como foi o caso de Alijó", afirmou o autarca. (...)
O presidente da Câmara da Régua, o social-democrata Nuno Gonçalves, considerou que a exoneração do ministro Correia de Campos "peca por tardia", já que ocorre um mês depois do encerramento da urgência do Hospital D. Luíz I.
"Esta remodelação vem dar razão à autarquia do Peso da Régua que, desde o início, não esteve de acordo com o ministro, que acabou por implementar unilateralmente uma política no hospital que deu tão maus resultados", afirmou Nuno Gonçalves. (...)
O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar (PSD), Domingos Dias, considerou que a substituição de Correia de Campos poderá "sarar as feridas" do diálogo entre o Governo e os municípios afectados pelo encerramento de serviços.
O ministro da Saúde, Correia de Campos, encerrou a 27 de Dezembro o atendimento nocturno do SAP de Vila Pouca de Aguiar, uma decisão que desencadeou vários protestos e manifestação da população local. (...) Rádio Ansiães
Viagem no Tua contra barragem

terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Carrazeda de Ansiães tem má qualidade de vida!

O Índice Concelhio de Qualidade de Vida, elaborado pelo Observatório para o Desenvolvimento Económico e Social daquela universidade, coloca nas últimas posições os concelhos de Vinhais e Sabugal, no Norte e Centro do país.
O índice baseia-se no anuário estatístico de 2004 do Instituto Nacional de Estatística sobre o qual foi aplicada «uma metodologia original e inovadora», segundo Pires Manso, professor catedrático da UBI e responsável pelo ODES, autor do trabalho juntamente com Nuno Simões, técnico do Observatório.
«O índice tem em conta centenas de variáveis quantitativas, como o Produto Interno Bruto (PIB) ou o consumo, e variáveis qualitativas como a disponibilidade de bens culturais e outros de difícil medição», explica.
Através de «técnicas estatísticas mais simples e outras mais elaboradas, como as multivariadas, caso da análise factorial», o índice avalia cada concelho em três factores: educação e mercado de emprego; infra-estruturas; ambiente económico e habitacional.
Lisboa lidera a tabela com um Indicador de Qualidade de Vida (IQV) de 205,07 pontos enquanto Sabugal (Guarda) ocupa a última posição (278ª) com um IQV de 5,29.
(...)
Os últimos 20 classificados por IQV: Murça 32,55; Figueira de Castelo Rodrigo 31,71; Penedono 30,35; Idanha-a-Nova 30,16; Mondim de Basto 28,97; Cinfães 28,42; Vila Flor 27,98; Carrazeda de Ansiães 27,46; Valpaços 26,56; Vila Nova de Foz Côa 25,09; Alcoutim 23,56; Penamacor 21,89; Boticas 19,34; Terras de Bouro 18,33; Aguiar da Beira 14,97; Penalva do Castelo 14,43; Pampilhosa da Serra 13,69; Resende 12,72; Vinhais 5,32; Sabugal 5,29.
Diário Digital / Lusa
Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura
MÁRIO DE JESUS (ALMEIDA)
Há tanto tempo que não me ocupo do Jardim.
Adolfo Luxúria Canibal, in Primavera de Destroços.
Antes ainda das Bibliotecas itinerantes da Gulbenkian, havia um Homem, no Pombal (aldeia cujo nome provém do culto do Espírito Santo, marginalizado pela própria Igreja), que possuía ao meu tempo de criança e adolescente uma outra Biblioteca… De livros alternativos. O principal acervo era constituído pelos livros da colecção cowboy, proveniente do seu amor pelos westerns do Bem e do Mal a preto e branco,
além dos filmes de espadachins e boxeurs. Sobretudo nas férias, seus livros viajavam entre os jovens e alguns ficavam até perdidos para sempre nessa circulação —como direi? — sanguínea. Mas a esse Homem o que mais lhe interessava era a alimentação espiritual. A dádiva de sangue… (E a tantos convidava a partilhar ‹‹o sangue de Cristo›› que guardava religiosamente engarrafonado!). Tão grande cuidado com aquilo que mais literalmente o padre Bernardo, nas suas exéquias, referiu sobre o des_
cuido com as Almas, nos arranjos dos cemitérios, por contraposição ao Alentejo, desde há muito, um verdadeiro Jardim… Por acaso,
esse Homem era o meu tio materno Mário. Quando baixou ao subsolo,
após a celebração da missa, o padre Bernardo confidenciou-me que vinha ao Pombal em criança assistir a dramas e comédias. Ora,
o principal comediante desses tempos era, sem dúvida pelos relatos orais que colhi de tantos, o meu próprio tio. Aliás, a sua Vida foi mesmo rare_
feita de comédia, com episódios tão interessantes em sua antiga casa-torre de Castelo, como lançar um rádio pela fresta onde se escapava um gato preto só porque o FCP perdera, como ficar a ver o fim-do-mundo num garnisé que bicava as gentes que o visitavam, como andar, bicos de pés, entre os figos secos do alpendre, para não cair ao quinteiro, falhando o passo sobre as tábuas soltas do sobrado… Com ele,
passei das melhores férias da minha vida. Com ele, ainda criança, chorei — nas suas palavras —, ‹‹as lágrimas corriam-me como bagas, cara abaixo››… Quando me contava das brigas intestinas de uma enxada contra um ancinho (sobre quais estremas), que de crimes passionais terminados com viola e guitarra enterradas ambas, como coroas, nas cabeças dos músicos. Ao fim,
sempre reencontrava o riso perto do coração. Dois exemplos. Certo dia, fiquei a saber que a população do Pombal era toda constituída por ‹‹poetas românticos››. Todos se reviam nas quadrinhas de poetisas pé-quebrado que punham cada qual aos ‹‹cornos da Lua››. Outro dia, fomos cantar as Janeiras e ele teve uma discussão enorme com o senhor João Ribeiro (o qual fazia papéis de galã com o meu primo Luís Carlos, nos teatros da época), que insistia em dedicar o último dístico ‹‹na pontinha do fieito, a um rapaz de respeito››, mas o meu tio contrapunha e ao fim do debate fazia mesmo vingar a sua tese,
à porta de quem disse que ‹‹Viva um cristal do céu››. Anos mais tarde,
saiu num jornal que o tal ‹‹rapaz de respeito››, digo, ‹‹cristal celeste››, agora transformado numa espécie de Presidente da Junta do ' Herman Enciclopédia', havia sido a ‹‹estrela da noite›› — pelos seus discursos politicamente correctos e não o teatro que se representava em sua Junta metafórica. Na sua costela brasileira, o meu tio ribombava, como um actor mass-mediático avant la lettre, com a sua premonição tão acertada: ‹‹Sensacional››, enquanto eu pensava nas ironias do Destino…
Hoje, em nome dos utentes da sua Biblioteca, sobretudo dos tantos que lhe não devolveram alguns livros, direi que a sua Última Ceia nos será sempre em andando, referência, um excerto da canção do último álbum de Sérgio Godinho Ligação Directa, 'O velho samurai': ‹‹Há-de ser de nós todos/o seu hara-kiri/seu riso na memória/ainda nos ri››.
Vitorino Almeida Ventura
Linha do Tua reaberta para captar mais turistas

Muito nevoeiro no vale, poucos passageiros na carruagem verde. Contavam-se pelos dedos de uma mão e todos para saírem até à Brunheda. Com destino ao Tua apenas um, Armindo Augusto, que já entrou a meio do percurso, no apeadeiro de S. Lourenço.
Ora, Armindo era passageiro habitual antes do acidente e volta a sê-lo desde ontem. Para ir tomar banhos às termas. A companhia, por agora, tende a ser reduzida, mas “lá para o verão é mato” diz António Manuel, que ontem viajou entre Mirandela e Brunheda. “Em Junho já se nota a diferença. É ingleses, alemães e por aí fora. Nem se cabe no comboio”, afiança.
“Que é que se passa aqui hoje?” questionava António, ao ver tanta gente. Eram jornalistas. Muitos. A encher a carruagem e a ouvir o presidente do Metro de Mirandela, José Silvano, dizer que a reabertura da linha “pode ser o princípio para não se fazer a barragem”. Um aproveitamento hidroeléctrico que o governo quer construir junto à foz do rio Tua e que deverá submergir parte da via-férrea.
A luta de Silvano, ajudado por movimentos ambientalistas, será a de “demonstrar ao governo e às entidades da região que a linha é viável do ponto de vista turístico e não para transporte de passageiros”. O também autarca de Mirandela acredita que este seria o “único projecto turístico estruturante” para o distrito de Bragança. Para tal, teriam de ser garantidas as ligações entre a estação de Foz-Tua e Bragança e, depois, até Puebla de Sanabria, em Espanha. “Dentro de 10 a 15 anos poderia ser a grande alavanca para o desenvolvimento da região”, acredita.
Segundo José Silvano, o próximo objectivo é “aumentar para 30 mil o número de turistas que viajam pela linha do Tua até Mirandela” (em 2005 foram 12 mil). Vão ser feitas “campanhas de promoção” com a ajuda da Coordenadora dos Afectados por Grandes Barragens e Transvases (COAGRET), que vai ter uma sede em Mirandela. O protocolo agora assinado entre o Metro e a CP permite que para além das quatro viagens diárias, duas em cada sentido, “possam ser reservadas viagens para grupos turísticos”, disse Bruno Martins, representante da CP na viagem.
No entanto, este acréscimo de oferta só deverá ocorrer “quando os comboios possam circular à velocidade anteriormente praticada”, alegou Bruno Martins, sem precisar uma data. Até lá, sobretudo no troço mais perigoso, as carruagens terão de circular em “marcha à vista” (até 30 Km/hora), o que permite parar a qualquer momento perante um obstáculo, mas aumenta a duração da viagem de uma hora e meia para duas horas.
A COAGRET fez-se representar na viagem pelo responsável em Portugal, Pedro Couteiro, para quem “o futuro de Trás-os-Montes recomeçou”, realçando o “grande valor patrimonial da linha e do vale do Tua” e a sua potencialidade para “atrair turistas a partir do Porto e mais tarde de Salamanca”.
Eduardo Pinto/JN
Douro é uma das regiões menos desenvolvidas de Portugal

Só nasceram 400 bebés em 2007

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
O que se disse...
Mendes Bota, "Correio da Manhã"
Daqui e dali... Sabre07

sugeriu que se fizesse chegar este excelente texto, às mãos de Correia de Campos.
Com os agradecimentos ao Besugo pela autoria e ao MSP pela descoberta, não resisto a replicá-lo aqui, para, desta modesta forma, contribuir para um melhor esclarecimento dos nossos zelosos governantes.
«Vive gente em Ourense. Ourense tem um Hospital com uma Unidade de Cuidados Intensivos e mais merdas.Chaves não tem, Bragança e Mirandela não têm, Macedo de Cavaleiros e Moncorvo não têm, Régua e Lamego não possuem. Tem isso, apenas, essas merdas, Vila Real.
E vamos agora acelerar, que a minha vida não é esta e tenho de me levantar cedo. São precisos dados? Muito bem. A Província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem 2 distritos, Vila Real e Bragança. Trás-os-Montes e Alto Douro tem, portanto, cerca de 400.000 habitantes, mais ou menos. A Província de Ourense tem à volta de 345.000 habitantes. Pode comparar-se assim? Penso que assim se pode. A província de Trás-os-Montes e Alto Douro tem uma área de 11.000 Km2, enquanto a de Ourense tem, por alto, 7.300 Km2. Pode comparar-se: as pobrezas comparam-se em todas as dimensões. Em Trás-os-Montes e Alto Douro é como se sabe. Posso fazer um desenho um dia destes, mas por hoje passo. Vamos à Província de Ourense, à Galiza interior. Vamos?
Bom. A Província de Ourense tem 92 concelhos. Vão de Avion a A Peroxa, Monterrá a Maside, Verin a O Barco de Valdeoros, de Ourense a Castrelo de Miño. São 92 concelhos. O curioso é que tirando Ourense (110.000 habitantes), o resto são pequenos povos. Tirando Verín (13.500), Barco de Valdeorras (13.300), O Carballiño (12.800) e, vá lá, Xinzo de Limia (10.000), o resto tem entre 600 e 4000 almas viventes. A Teixeira tem, mesmo, só 569 pessoas, sendo de referir que os concelhos de O Bolo e de A Bola, juntos, perfazem 2900 seres humanos. É assim, não vale a pena inventar.
Ora bem. Então e nestes 92 concelhos quantos Centros de Saúde há? Há 110. Porquê? Porque sim. Porque há 14 concelhos que têm mais que um. Ourense tem 5. E Castrelo de Miño, por exemplo, tem 3. Palavra de honra: tem 3, e tem 2095 habitantes. Deve ser, talvez, terra de pouca gente e muito ancha, não?
Desses Centros de Saúde, 15 têm Serviços de Urgências permanentes. Falo de Ourense, de Verín, mas também de Viana de Bolo, Xinzo de Limia, O Carballiño, O Barco de Valdeorras, Bande, Ribadavia, são 15. Ribadavia tem 5500 habitantes, por exemplo.
Ora bom, encurtando distâncias que ainda tenho de ir mandar um e-mail ao Paulo Bento: além destes Centros de Saúde, a Província de Ourense tem que mais?
Bom. Tem o Centro Hospitalar de Ourense, com tudo, mas tudo mesmo (mesmo as merdas que não há em Vila Real, sim, a Cirurgia Vascular, a Neurocirurgia, a Radioterapia, os Cuidados Intensivos Pediátricos, a Unidade de Transplantes, a Endocrinologia, a Reumatologia, a Geriatria, a Oncologia Médica e Cirúrgica, a Angiografia, a RMN, a TC helicoidal, o c....... Tem mesmo tudo, galegos dum raio). E tem 505 médicos e 811 camas.
E que mais? Bom, há o Hospital Comarcal de Valdeorras, com Medicina Interna, Cirurgia, Nefrologia com hemodiálise, Fisioterapia, Anestesiologia e Reanimação - pudera, têm todos, eu sei - Unidade de Dor e a p... que os pariu; pois é. E são 100 camas de internamento, e são 52 médicos.
E agora uma pausa educativa. Escutei assim uma pergunta, há bocadinho: "isso de Verín, com 13.000 habitantes, é preciso ver até que ponto vai o quase...".Vai até aqui: 80 camas, 42 médicos, Medicina Interna, Cirurgia, Anestesiologia, Reanimação, Dermatologia, Unidade de Dor, Fisioterapia, Otorrino, Oftalmologia, Urologia, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria, Psiquiatria... por aí fora. A Régua, a cidade, tem 11.000 habitantes. E não tem quase nada.
Os cuidados de saúde são como o resto. Devem relacionar-se entre si da mesma maneira que se relacionam as pessoas: ou há relações - e têm de ser próximas, daí a importância dos lugares, porque os lugares são as pessoas em espaços pequenos, médios, do tamanho que tiverem - ou não as há e, nesse caso, que se f... a Bwin Liga.
Se é assim na Galiza Pobre, pensem como será na Galiza Rica. Na Catalunha, na Comunitat Valenciana, no País Basco, na Andaluzia, no c......!
Eu é que misturei tudo? Muito bem, então desmisturem, a ver o cheiro das tintas!
Tua: Linha reabre após acidente e autoridades apostam na viabilidade turística

"Hoje pode ir de graça", transmitiu-lhe o revisor, mas este idoso viajaria de qualquer forma.
"Eu, medo?", devolve a pergunta sobre os receios da primeira viagem depois do acidente que matou três ferroviários e que fechou a linha entre a Brunheda e o Tua durante quase um ano.
Na noite anterior ao acidente, Armindo tinha feito o mesmo percurso para S. Lourenço, apenas para "beber um copo".
Não fosse o facto de a carruagem ir cheia de jornalistas, o acidente era algo de que ninguém queria falar.
A linha foi toda reabilitada nesta extensão e a própria intervenção identifica o local do acidente com barreiras de sustentação.
Taludes e redes seguram a ravina de onde desabaram as pedras que fizeram descarrilar ao inicio da noite de 12 de Fevereiro uma carruagem do metro de Mirandela com cinco pessoas a bordo.
A poucos metros do local, as esculturas naturais em rocha, que conferem a particularidade da paisagem da linha considerada das vias estreitas mais belas do mundo, poderiam ter evitado a queda por uma ravina de 60 metros em direcção ao rio.
O administrador delegado do metro que faz o serviço para a CP, Milheiro de Oliveira, explicou hoje o acidente.
Segundo disse, a carruagem ficou 13 metros à frente do buraco feito pela primeira pedra que desabou sobre a linha.
Uma segunda pedra terá sido a causadora da tragédia ao empurrar o veículo.
Os inquéritos ao acidente estão concluídos e a linha reaberta, mas falta o Ministério Público de Mirandela pronunciar-se sobre eventuais responsabilidades criminais no âmbito de um inquérito ainda em curso.
Mesmo para quem viaja frequentemente neste local, cada passagem é sempre diferente e hoje a expectativa maior.
"É aqui", ouvia-se de várias vozes quando a automotora do metro de Mirandela chegou ao local do acidente depois de Castanheiro do Norte.
Aqui a paisagem parece justificar a expressão que a identifica como "o belo horrível".
O rio revoltado ao fundo de uma ravina de fragas e a escarpa de onde desabaram as pedras ganha uma maior imponência.
Fernando Pires, que não é maquinista mas agente de condução, não tem receio, diz que "há mais acidentes nas estradas do que nas vias férreas".
A ele e a outros colegas cabe agora a responsabilidade de terem que circular em marcha à vista, uma velocidade que lhes permite parar antes de qualquer obstáculo.
A diferença não é grande, agora a velocidade máxima é de 30 quilómetros, antes do acidente era de 45.
A carruagem saiu da estação de Mirandela as 10:00 e chegou ao Tua minutos antes das 12:00.
O condutor Pires não acha "que a via seja mais perigosa que outras" e 12 anos depois de viajar por estes carris continuam a operar com a tranquilidade de quem acha que "tudo é o que tem que ser".
Na noite de 12 de Fevereiro, um colega fazia o percurso contrário do Tua para Mirandela e circulou menos de um quarto de hora até ao local da tragédia.
Pensou-se que seria o fim da linha do Tua até porque entretanto surgiu a autorização para a construção de uma barragem que vai submergir parte da linha, independentemente da cota.
O representante da CP nesta viagem inaugural Bruno Martins disse nada saber sobre o assunto, nem tão pouco das obras feitas na Linha, competência da Refer, que não teve nenhum representante nesta viagem.
Garantiu ainda que as restrições da marcha à vista manter-se-ão "apenas até haver condições para retomar a circulação normal".
André Pires, do Movimento Cívico de Defesa da Linha do Tua propõe a recuperação de algum material para viagens turísticas nomeadamente das antigas automotoras conhecidas como Napolitanas.
A viagem entre Mirandela e o Tua demora agora duas horas, mais meia hora do que anteriormente, mas os utentes habituais não se importam.
Dos cinco passageiros que fizeram hoje a viagem das 10:00 quase todos saíram nas estações anteriores ao troço reaberto.
Maria Adelaide ia para Frechas depois de uma consulta médica em Mirandela.
Se não fosse o comboio tinha que passar toda a manhã na cidade a espera do autocarro.
Por estrada, o percurso e feito em cerca de uma hora mas para Luis Aniceto, a viagem de comboio e mais barata 4,90 euros entre Mirandela e o Tua.
Mesmo nestas condições, Pedro Couceiro, do Movimento de Afectados pelas Grandes Barragens e Transvases considera que a barragem projectada para a foz do Tua é "completamente incompatível com a linha".
Defende a manutenção da via férrea, como o casal Maria Adelaide e Justiliano Alberto, utentes que aguardavam na estação de Mirandela, embora para fazerem um percurso diferente.
"Agora deviam chegar era a Bragança", defendem, 20 anos depois de a linha ter sido desactivada entre Bragança e Mirandela.
O mesmo projecto tem o autarca de Mirandela e presidente do metro José Silvano para quem esta linha pode ser o único corredor ferroviário no país capaz de promover desenvolvimento turístico.
Silvano defende mesmo a ligação a Espanha e exorta os restantes autarcas a unirem-se neste projecto.
Os cerca de 20.000 turistas que anualmente viajam na linha do Tua para apreciar a paisagem são a grande aposta para o futuro e a CP reforçou os charters turísticos.
Para este fim, o comboio pode circular mesmo aos fins-de-semana e feriados, dias em que não há ligações comerciais.
"A linha já estava morta antes do acidente", afirmou o proprietário do café "Calça Curta", na estação do Tua, "se não melhorarem o serviço em termos de horários e coordenação com a Linha do Douro a sua reabertura não adianta muito". RTP
Vale do Douro lança campanha para 'Maravilha da Natureza'
Em dezembro, a Associação de Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes (Aetur) oficializou a candidatura do vale à "Maravilha da Natureza" - iniciativa que conta com o apoio institucional dos governos dos distritos que fazem parte da região classificada como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, em 2001. Rádio Ansiães
Carrazeda - População exige mais paragens de autocarro

BARRAGENS - Ambientalistas contra barragem no Tua

Os ambientalistas estão contra a construção da barragem do Foz Tua, que deverá ser construída até ao final do 2008 e que é a maior das dez barragens que o Governo incluiu num programa aprovado em Dezembro.
domingo, 27 de janeiro de 2008
"A CCDR não foi ouvida acerca da barragem do rio Tua"
III Festival de Sabores do Azeite Novo - Mirandela

Organização: Câmara Municipal de Mirandela
sábado, 26 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Viagem por...
Do mercado à Fonte das Sereias.
Clique no video à direita.
Video: Carlos Abel C. Pereira
Linha do Tua reabre segunda-feira. Primeiro comboio às 10 horas da manhã

O comboio partirá da estação de Mirandela e chegará duas horas depois ao Tua, segundo disse à Lusa José Silvano, autarca local e responsável pelo metropolitano de superfície de Mirandela, que continuará a assegurar a ligação ao serviço da CP.
Este será o primeiro comboio a fazer todo o percurso, com cerca de 60 quilómetros, desde o acidente de 12 Fevereiro, há quase um ano, em que morreram três ferroviários.
A primeira viagem destina-se apenas à comunicação social, estando posteriormente disponíveis duas ligações diárias de manhã e no final do dia para a população em geral. (...)
Cerca de 20 mil pessoas viajam por ano no que resta da linha do Tua apenas para desfrutar da paisagem do vale do rio, que colocou esta ferrovia entre as linhas estreitas mais belas do mundo.
O comboio já demorava uma hora e meia a percorrer os cerca de 60 quilómetros entre o Tua e Mirandela, e a viagem será agora mais demorada com as novas limitações de velocidade.
Esta realidade não preocupa o autarca local para quem os turistas "não se importam com a velocidade a que o comboio anda, querem é desfrutar da paisagem".
Segundo disse à Lusa, diariamente menos de uma dezena de pessoas viaja neste comboio para a Linha do Douro e o Litoral.
Entre 30 a 40 habitantes da zona enchem também por dia uma carruagem nas deslocações a Mirandela para tratar de assuntos pessoais.
A CP garante que a oferta disponível a partir da próxima semana "responde às necessidades de mobilidade local e favorece-se a promoção turística da região".
A reabertura do serviço surge depois de se terem gerado receios de que este troço não reabriria mais e o restante estava também condenado ao encerramento.
A barragem projectada para a foz do rio Tua veio alimentar o fantasma do encerramento, já que, segundo os estudos prévios, independentemente da cota que vier a ser adoptada, os últimos quilómetros da linha ficarão submersos, cortando a ligação ao Douro e ao Litoral.
Para já, os responsáveis entendem que "a barragem é uma questão para tratar a montante".
Lusa/Rádio Ansiães
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
TVI roda novela em Trás-os-Montes

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Alerta amarelo por causa do nevoeiro
Populações têm palavra a dizer sobre a cota da barragem do Tua

O ministro do Ambiente afirmou ainda que a opção final ainda não está tomada e que há "várias alternativas" para a cota de água da nova barragem.
Segundo Nunes Correia terá de haver “participação pública, que se adivinha ampla e bem vinda" e assegura que se vão "ponderar vários valores e tomar a opção final".
A opção pode passar também por escolher entre a barragem e alguns trechos da linha ferroviária do Tua. O ministro disse que o governo "mantém em aberto" a possibilidade de partes da linha terem que ficar debaixo de água.
Lusa/Rádio Ansiães
Pioneiros abandonam jogo
Pouco depois, o Carrazeda faz o 2-1. Minutos mais tarde, num lance infeliz, o árbitro assinala um golo que apenas embateu no poste esquerdo da baliza dos Pioneiros.
A partir deste momento, os dirigentes dos Pioneiros, que perdiam por 3-1, exaltaram-se e a equipa de arbitragem teve que expulsar alguns elementos do banco.
Sem grandes argumentos para responder à equipa do Carrazeda, os Pioneiros protagonizam lances de alguma violência, o que levou à expulsão de um jogador violeta por carregar um atleta do Carrazeda que corria, isolado, para a baliza.
É, então, que os locais, após o livre da falta, fazem o 4-1. Os visitantes ainda conseguem reduzir para 4-2, mas o Carrazeda responde com 5-2 e finaliza a 1º parte.
Começa o 2º tempo e o Carrazeda volta à carga, aumentando para 6-2. Inesperadamente, alguns jogadores violetas abandonam o campo, ficando apenas 4 e o guarda-redes.
A equipa de arbitragem acabou por ter de finalizar o jogo, faltavam ainda 13 minutos para o final da 2ª parte com o Carrazeda a ganhar por 9-2.
Resultado: o futsal está um pouco mais pobre com o que aconteceu na vila duriense.
O treinador da equipa violeta, Zé Gomes, queixa-se de “muita arrogância” para com a sua equipa e do golo do Carrazeda que não entrou na baliza. O presidente dos Pioneiros afirma, até, que, nos últimos jogos, “os árbitros têm perseguido” a sua equipa.
Movimento Cívico pela Linha do Tua - Comunicado

Decorridos 11 meses após o acidente e 3 meses após a conclusão das obras de reparação da via, o MCLT felicita todos os envolvidos na defesa da preservação da Linha do Tua, em particular o Presidente da Câmara Municipal de Mirandela e Os Verdes, pela capacidade de luta e coerência politica exemplares, valores muito ignorados por outros responsáveis governamentais.
O MCLT vê com preocupação a falta de estratégia e cooperação politica entre os autarcas da região e a falta de visão no que toca à defesa e preservação do património natural e ferroviário existente na região, com características únicas no país e no Mundo, para além do que é ou não desenvolvimento sustentável a nível social e ambiental. Lembramos que a Linha do Tua é considerada uma das mais belas linhas-férreas da Europa, com especial reconhecimento em vários países comunitários. Esperamos pois que este seja um momento de reflexão para todos os que tendo a capacidade de decidir, se devem preocupar com o futuro da região e de quem lá vive.
Com a reabertura da Linha do Tua e com a possibilidade da abertura ao turismo, o MCLT gostaria de ver utilizado em futuras viagens material histórico da CP, nomeadamente as carruagens Napolitanas e o Histórico de Via Estreita, evitando assim a degradação e esquecimento a que está votado em algumas estações ferroviárias.
Linha do Tua reabre na próxima semana
A linha do Tua reabre na próxima semana ao tráfego ferroviário, entre Brunheda e Foz-Tua, quase um ano depois do acidente que matou três pessoas no dia 12 de Fevereiro de 2007.
A decisão foi tomada durante uma reunião em Lisboa, que reuniu o presidente do Metro de Mirandela, José Silvano, e a administração da CP.
O próprio José Silvano anunciou a decisão, sublinhando que “vão ser respeitadas as condições impostas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)” e que obrigam a que, em certos troços, os mais perigosos, a circulação seja efectuada em “marcha à vista, ou seja com uma velocidade muito reduzida, de modo a permitir parar a carruagem a qualquer momento em caso de perigo.
“A nós também nos interessa que as viagens sejam feitas em segurança”, notou o presidente mirandelense, que sublinha a importância turística da via.
O autarca de Mirandela mostrou-se satisfeito com o recomeço das ligações ferroviárias entre Mirandela e Foz Tua, mas promete “contestar no lugar próprio” a decisão do LNEC sobre a circulação em marcha à vista, pois aumenta em mais de meia hora a duração da viagem. “A própria CP vai rever o processo”, disse.
No retomar das ligações haverá duas viagens da parte da manhã, no sentido Mirandela-Tua, para que os passageiros possam apanhar o comboio na linha do Douro e outras duas ao fim do dia, no sentido inverso.
Em termos turísticos, “todos os operadores que queiram utilizar a linha do Tua vão ter preferência e fazer a viagem a qualquer hora desde que requisitada com tempo”, disse José Silvano.
O autarca desafia ainda os seus homólogos de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Murça e Alijó a, independentemente da posição em relação à construção da barragem do Tua, “a unir-se todos à Câmara de Mirandela para se fazer um grande projecto de promoção do turismo no vale do Tua bem como da própria linha”.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Daqui e dali... João Lopes de Matos
E olhava, cauteloso, para um lado e outro, não fosse ser surpreendido por algum assaltante, sobretudo um daqueles que julgam que os transmontanos são uns pacóvios. De tal maneira os seus modos eram explícitos que uma jovem atraente se aproximou e estabeleceu o seguinte diálogo:
- Senhor, que tem cara de boa pessoa, o que traz aí?
- Uma arma, menina, para me defender dos lisboetas malvados.
- Ah! Uma arma! Bem me parecia que não poderia ser outra coisa. O senhor já é entradote, na realidade. Mas olhe que talvez esteja enganado. Aqui não é preciso andar armado.
- Não é preciso o quê! Mesmo a menina sei lá com que intenções vem! Quem vê caras, não vê corações. Realmente, a menina é tão linda! Não será o diabo a tentar-me? Até já me sinto atraído por si! Abrenúncio, Satanás.
- Pode seguir em paz. Só lhe vou dar um beijinho e siga o seu caminho. Vai ver que nada de mal lhe acontece.
E despediram-se. E o transmontano seguiu o seu caminho, mas sempre desconfiado.
E que viu ele? - Coisas belas como o oceanário, a FNAC do Chiado, com políticos, os transportes públicos, com gente fina e educada, a pastelaria de Belém, onde havia muita gente, que não se acotovelava e com aspecto sossegado, monumentos como a Torre de Belém, os Jerónimos, a Estação do Rossio, limpos, belos, luminosos. E a pairar sobre a cidade uma luz limpa, clara, e a seus pés o Tejo calmo e majestoso.
A arma começou a pesar-lhe e achou-a um estorvo. Deitou-a fora e respirou, fundo, confiante, o prazer da liberdade.
João Lopes de Matos
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Festival Sabores Mirandeses

No fim-de-semana que antecede o Carnaval de 2008 realiza-se, mais uma vez, em Miranda do Douro, o Festival de Sabores Mirandeses.
Os objectivos principais deste evento centram-se na divulgação e promoção dos diversos produtos do município transmontano. Além de Mostras das Raças Mirandesas Bovina e Ovina Churra Galega, podem encontrar-se ainda todos os produtos mirandeses derivados do porco, doçaria tradicional e artesanato
A iniciativa é uma organização da Câmara Municipal de Miranda do Douro e conta com a colaboração das Associações de Criadores da Raça Bovina Mirandesa e da Raça Ovina Churra Galega Mirandesa.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Tua - No Amieiro, já não há comboios e a barragem ainda nem sequer existe

Mas há mais: já não deve faltar muito para que haja finalmente fumo branco e se saiba se a Linha do Tua tem mesmo os dias contados. Independentemente da cota a que venha a ser construída, a projectada barragem de Foz Tua vai afogar alguns quilómetros da linha, os comboios e paisagens de cortar a respiração inseridas no Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial. S.S.C. Público
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura
Enquanto o Livro de S. João é delirante, este de João Lopes de Matos exprime uma profecia de caos e destruição, baseado em dados concretos. Dizia-me _ meu primo Luis Carlos Almeida que Vimioso, combinando as actuais taxas de mortalidade e natalidade, em 2025 ou 2050, não tenho bem presente o ano de referência, ficaria com dois habitantes. Ora, com as necessárias adaptações, para Carrazeda, temos… para quando a morte anunciada do concelho? interpelou o profeta João Lopes de Matos. E, sem dúvida, que as suas interpelações marcam a agenda no Desert(ficand)o.
Outra das suas dúvidas existenciais prende-se com a linha do Tua — e em extensão, as termas de São Lourenço —, submersas pela cota mais alta da barragem em Foz-Tua… Já em nome do turismo, só lhe faltou vender a ideia de depois se ir em escafandro, como em Vilarinho das Furnas, a banhos, nas termas. Se pensava assim descansar _ _ entidades (suas amigas) que para ali fizeram promessas e promessas de projectos, é porque se não deslocou à aldeia de Pombal. Aí se coloca já sobre a mesa (n)uma-qual imaginação fabulosa de captar as águas, em canalização directa à aldeia… Eu,
no entanto, sem fé, mantenho esperança de que o São Lourenço faça um milagre e salve as Caldas. É no seu actual estado de caos e destruição que me sinto, numa identidade matricial de lá ir com os meus avós e agora com o meu filho. Não interessa que o profeta João Lopes de Matos me chame ‹‹ambientalista››. — Que hei-de fazer se aí se encontram, _ _ minhas folhas com as raízes?
Vitorino Almeida Ventura
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Tua: Governo deita fora um milhão de euros
A barragem da Foz do Tua, cuja construção está decidida, vai afogar pelo menos 15 dos 60 quilómetros da via férrea que liga a linha do Douro a Mirandela, precisamente o troço onde ocorreu o desastre que vitimou três funcionários do Metro de Mirandela.
Secretária de Estado admite fim da Linha do Tua
Levaram mil litros de gasóleo de uma pedreira

O combustível utilizado em compressores terá sido retirado no passado fim-de-semana. “Fiquei um pouco chocado quando segunda-feira cheguei ao local de trabalho e dei por falta de tanto gasóleo”, contou o encarregado, Fernando dos Santos, residente em Valtorno (Vila Flor).
Antes de dar parte do sucedido às autoridades, Fernando tratou de esquadrinhar montes e vales, na perseguição do rasto deixado por uma viatura, que supostamente teria sido utilizada para transportar o combustível.
Anteontem à tarde, acabou por encontrar os cinco bidões furtados, num monte próximo da aldeia de Paradela e chamou lá a GNR para lhe dar conta do sucedido. A seguir dirigiu-se ao posto para formalizar a queixa.
Fernando Santos diz que “só não levaram mais porque as máquinas não tinha gasóleo”. É que, temendo esta situação, procura deixá-las sempre com os depósitos escoados. Só que no Sábado foram descarregados na pedreira cinco bidões de 200 litros cada, os tais que acabaram por ser levados.
“O furto não terá sido fácil, pois a pedreira está cheia de lama por causa do movimento das máquinas”, explica o responsável. No entanto, “mesmo rebolando-os uns 200 metros pela lama conseguiram carregá-los numa carrinha”, completa.
O encarregado garante que os gatunos foram pelo menos dois, pois “uma pessoa sozinha não consegue carregar um bidão cheio para cima de um carro”. Por outro lado, notou “dois rastos” no local.
Há cerca de dois anos, no mesmo local, Fernando Santos conseguiu frustrar o furto de gasóleo da pedreira, depois de armadilhar o caminho por onde os larápios acederam ao local. Ao passar por uma barra de pregos, a viatura em que seguiam ficou com os quatro pneus furados e, por isso, tiveram que fugir a pé, deixando para trás o produto do furto.
Conta que notou que alguém andava a roubar combustível das máquinas que operam na pedreira. De cada vez levavam cerca de 250 litros. Ao todo, teria já furtado mais de 1500 litros, pois foram contabilizadas, pelo menos, uma sete vezes.
Foi então que pensou em armadilhar o lugar. Deu resultado. Um dia reparou que tinham passado por cima de uma barra de pregos. Seguiu um rasto e foi dar com uma viatura no meio do monte com os quatro pneus furados e no seu interior 14 bilhas de 20 litros cada.
Rádio Ansiães/Eduardo Pinto
O que se disse...
Daqui e dali... João Lopes de Matos
Parece que definir os ambientalistas é simples: - serão aquelas pessoas que defendem a natureza e lutam pela sua preservação.
Só que não há uma única maneira de defender a natureza. E não é assim tão simples fazê-lo.
E isto porque há duas visões de ambientalismos: - uma conservadora, estática, consabida e até legalista e burocrática, e outra dinâmica, evolutiva, imaginativa, a tentar procurar novos equilíbrios que dêem respostas às mudanças dos tempos.
A primeira pensa que o equilíbrio é sempre o mesmo ao longo dos tempos; a segunda sabe que o equilíbrio está sempre a fazer-se, desfazer-se e refazer-se.
A primeira quer que, de uma vez por todas, fiquem consagrados na lei os modos de defesa de, por exemplo, os sobreiros e os parques naturais, e não admite que pela mão do homem a natureza se possa tornar mais bela e compatibilizar-se com os interesses do desenvolvimento humano.
Por exemplo, os ambientalistas que defendem a primeira visão entendem que os sobreiros são de defender em todas as circunstâncias, mesmo que as condições adversas(abandono, doenças, falta de interesse económico) não sejam favoráveis à sua continuação. Pensam que a sua defesa não é compatível com o desenvolvimento.
Os ambientalistas com a visão dinâmica procuram sempre ver até que ponto as coisas se podem compatibilizar e se não acontecerá que, permitindo a interferência humana, não poderão ser criadas condições para uma melhor defesa não de todos mas de uma grande parte dos sobreiros.
No que respeita aos parques naturais, parece claro que eles tiveram um determinado equilíbrio antes do povoamento e que esse equilíbrio foi desfeito por este. O povoamento humano originou um outro tipo de equilíbrio que agora está a desfazer-se com a saída das pessoas. Impõe-se agora a necessidade de gerar um novo equilíbrio que não poderá ser conseguido do mesmo modo que o anterior. E isso exige medidas novas, muita imaginação e um novo entendimento de equilíbrio.
Acontece que, por vezes, o homem, com a sua intervenção, cria verdadeiros paraísos: - jardins botânicos, por exemplo.
Estou até a lembrar-me o quanto beneficiam a paisagem, por exemplo, os campos de golfe e, em particular, estou a pensar no campo de golfe que fica por cima da Lagoa das Furnas, em S. Miguel, Açores, que é formado por um verde esplendoroso e tufos de árvores (criptomérias, ao que julgo) que formam um todo paisagístico admirável.
Sou, como é fácil concluir, partidário da segunda visão, a dinâmica.
À semelhança do que acontece com outras realidades, as forças em presença jogam aqui um jogo dialéctico, de tese, antítese e síntese, que não se coaduna com visões fundamentalistas e irredutíveis.
João Lopes de Matos
CP debate futuro da Linha do Tua
Recorde-se que o troço, que liga Mirandela ao Tua e à Linha do Douro, está encerrado desde Fevereiro do ano passado, altura em que se deu o acidente com uma automotora, que resultou na morte de três pessoas.
Foram feitas intervenções ao nível da segurança da via, que custaram cerca de 100 mil euros, mas, apesar dos trabalhos de consolidação do troço já estarem prontos há mais de três meses, ainda não foi reaberto, porque o LNEC impôs algumas restrições. Tudo indica que a CP vai confrontar o autarca com o facto de, por motivos de segurança, num troço de 60 quilómetros as composições só vão poder circular a velocidade reduzida, de forma a poder parar a qualquer altura.
Perante este cenário, a viagem entre Mirandela e o Tua, que, em circunstâncias normais demora cerca de hora e meia, passaria a ser feita em mais de duas horas. José Silvano diz que prefere aceitar que a circulação "seja retomada de imediato", aproveitando os anos que demora a construção da barragem, "para que o percurso seja utilizado pelos cerca de 20 mil turistas que anualmente viajam na linha e que não se importam da velocidade do comboio".