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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

A Professora (Clotilde) Inês

Faleceu há poucos dias a Professora Inês, viúva do Prof. Armando Moreira.
Em pouco tempo desapareceram os dois elementos deste conhecido casal, que tanto marcou não só a vida do Seixo, onde vivia, como a vida de todo o concelho.
Agora coube a vez à Prof.ª Inês.
Quem com ela lidou conhece perfeitamente o dinamismo e a energia que ela possuía.
Na sua adolescência, foi a pioneira, a guia, a verdadeira caput scholae de toda uma juventude do Seixo, que, nessa altura, começou com ela a formar uma elite de pessoas, que prestigiaram e prestigiam o nome de Seixo de Ansiães.
Enquanto professora, guiou a bom rumo várias gerações de crianças, nestas deixando uma marca indelével do seu carácter.
Enquanto cidadã, deu a sua contribuição para o progresso do concelho pois fez parte de alguns elencos da Câmara Municipal.
A menina dos seus olhos foi, porém, a Santa Casa da Misericórdia, onde gastou muito da sua energia, do seu dinamismo, da sua dedicação aos outros. A ela se deve muito do que agora constitui o lar de idosos, o infantário, o serviço de assistência ao domicílio.
Da Santa Casa fez mesmo a residência dos últimos dias de vida e por lá passou no caminho para a sua última morada.
Eu, que acompanhei todos os passos da sua vida desde os tempos do Colégio de Lamego, quando na sua presença, ficava sempre impressionado com o seu irrequietismo, a sua liderança, o seu proselitismo, o seu dinamismo, a sua energia, o seu carácter, o seu espírito de dádiva.
Ao vê-la, por último, imóvel, senti profundamente quão cruel a morte é, que reduziu, assim, ao silêncio sepulcral toda a energia que possuía.
João Lopes de Matos

domingo, 24 de julho de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

O PROF. ARMANDO MOREIRA
Faleceu há pouco uma pessoa marcante na história de Carrazeda e na vida de muitos cidadãos em particular, incluindo eu próprio:- o prof. Armando Moreira.

Vai já longe o ano em que, vindo do Castedo, ele se radicou no nosso concelho:1950.
Deu aulas no Seixo e encontrou-me na 3ª classe. Foi sempre um mestre muito exigente, muito dedicado e muito prestável, entregando – se de alma e coração não apenas aos seus alunos mas também a todas as pessoas que carecessem dos seus préstimos.

Vivíamos num tempo em que o professor era o elemento mais importante na vida social, pela cultura que tinha e difundia e pelo exemplo que dava. Era um tempo também em que o professor vivia na aldeia onde ensinava e, por isso, era um farol a indicar o caminho a todas as pessoas.
Estava a par dos acontecimentos nacionais e era possuidor da tecnologia que ia aparecendo ,sendo o introdutor dela no meio rural.
– Lembro-me, perfeitamente, como se fosse hoje, de quase toda a gente do Seixo ter seguido, através do seu rádio, no largo fronteiro à varanda da sua casa, o relato das exéquias do funeral do Presidente da República, General Carmona.
Muita gente na aldeia recorria ao seu avisado conselho e aos seus préstimos para tratar de variados assuntos na sede do concelho.
Casou no Seixo com a prof. Clotilde Inês Nunes e nasceram os filhos que todos lhes conhecemos. Também a nível familiar foi exemplo para todos nós.
Na sede concelhia, participou na vida administrativa e nela sempre foi trabalhador esforçado, de trato afável e simples, de uma honestidade irrepreensível e com um apurado sentido de justiça, além de uma humanidade sem limites.
Mas a luta que verdadeiramente o marcou estaria ainda para vir: foi o trabalho incansável, juntamente com sua esposa, da criação dum lar e dum jardim de infância, contribuindo assim para que as crianças e os idosos pudessem ter uma vida mais feliz e digna.
A sua vida foi, pois, excelentemente preenchida e, se é certo que ninguém é insubstituível e os que nos seguem continuarão, com certeza, a obra feita, também é verdade que há pessoas que fazem a diferença e nos ficam a fazer muita falta.
Há pessoas, como o Prof. Moreira, que nos deixam, ao morrerem, uma enorme, desconfortável, triste sensação de vazio.
Termino dirigindo-lhe um grande obrigado por ter estado entre nós.
João Lopes de Matos

quinta-feira, 14 de julho de 2011

TOMADA DE POSIÇÃO (tardia?)

Já há muito tempo que não escrevo nada na primeira página deste blogue. Devo-vos, por isso, uma explicação.
Como todos puderam verificar, a partir de determinada altura, esteblogue foi-se transformando num lugar predominantemente político e até com um cariz de acentuada militância e luta partidária, sobretudo, de luta anti – Sócrates . Em virtude disso, resolvi emudecer, até porque não tenho (nem nunca tive)tendência para a militância qualquer que ela seja(política, religiosa , ateia, futebolística): -acho que as pessoas devem pensar pela sua própria cabeça e eu tenho todo o prazer em dialogar seja com quem for para me elucidar e para que os outros se elucidem. Na minha vida, não consigo encontrar nenhum momento em que me veja a forçar alguém a adoptar a minha posição.
Acontece que eu fui um tanto a favor de Sócrates e da sua política: tomada de reformas na administração, na justiça ,na saúde, na educação, de molde a tornar o Estado mais eficiente e menos burocrático, desenvolvimento das redes de comunicação(eu sou a favor do TGV ,da abertura de estradas que acabem com a distinção entre litoral e interior e que nos unam mais e mais ao interior de Espanha).
Gostava ainda do estilo combativo do ex-primeiro ministro, embora se tenham avolumado pouco a pouco as dúvidas sobre a sua integridade moral.
Compreendo (ao contrário de outras pessoas) que os políticos nem sempre podem ter a verdade na ponta da língua, mas considero que as manobras políticas não devem ultrapassar certos limites. Reconheço que a acção de Sócrates estava profundamente ferida de falta de credibilidade e que foi bom, com as eleições, termos posto fim a uma situação insustentável.
O administrador do blogue tem todo o direito de imprimir a orientação que entender aos conteúdos deste meio de comunicação, porque o blogue lhe pertence. Eu, por meu lado, tenho o direito de ficar calado, quando me apetece. Entendia também que o problema não se resumia a afastar Sócrates do seu lugar.
Mas tudo está ultrapassado, a situação agora está definida, a grande maioria do país confia nas soluções que estão a ser seguidas e oxalá tudo corra bem a este governo e a todos nós.
Considero, portanto, que estão novamente reunidas as condições para continuar a escrever aqui, assim o entenda também o proprietário. Devia-vos esta explicação.
João Lopes de Matos

terça-feira, 10 de maio de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Portugal e a troika


Até que enfim o nosso futuro está definido. E definido pormenorizadamente.
Para isso, foi necessária a intervenção externa. Nós não fomos capazes de caminhar pelos nossos próprios pés. Isso, no entanto, não é forçosamente mau. Sempre tivemos uma visão muito limitada, paroquial até, dos nossos problemas e tornava-se necessário que alguém, com uma visão mais alargada, nos fizesse ver de mais alto e atendendo a algo que não tinha apenas a ver com a nossa capelinha mas também com o todo europeu.
Daí que só os de fora fossem capazes de nos chamar a atenção para as mudanças estruturais necessárias no domínio da Justiça (tornando-a mais prática e célere), no domínio da reorganização administrativa a nível central (acabando com muitas sobreposições) e a nível local (acabando com arremedos de freguesias e de concelhos e obrigando-nos a uma visão mais ampla em termos autárquicos), no domínio da saúde (permitindo uma economia de meios que viabilize a assistência sobretudo aos mais carecidos) e noutros domínios mais polémicos como o sector do trabalho(em que , para conservar os direitos adquiridos, nada poderia ser alterado). No sector público em geral, há que criar uma nova mentalidade de serviço em prol dos utentes e não em prol dos instalados.
Julgo que agora estão reunidas as condições para um grande avanço qualitativo na vida de todos e para nos lançarmos na senda da modernização.
As nossas condições financeiras vão obrigar-nos a contermo-nos em certas despesas e a adiarmos certos empreendimentos, necessários e convenientes ao nosso desenvolvimento interno e a uma cada vez mais fácil ligação ao exterior, ao qual devemos estar cada vez mais unidos.
Algumas vias rápidas que percorram o nosso interior e façam com que desapareça a distinção litoral – interior (dada a rapidez de acesso fazer desaparecer a ideia de isolamento), outras que unam mais Portugal e Espanha, sobretudo na zona fronteiriça, e a mais emblemática de todas – o TGV – que irá de Lisboa a Madrid e , depois,
a toda a Europa, terão de sofrer um certo compasso de espera.
Mas de todas estas obras não iremos prescindir porque elas fazem parte da caracterização do Portugal do futuro.
O programa está delineado: que venha agora um governo capaz de, conjuntamente com todos nós, implantá-lo.
João Lopes de Matos

sábado, 30 de abril de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego (conclusão)

Falemos, por último, do sector terciário, o sector dos serviços.
Este sector ganhou independência, em relação à agricultura e à indústria, já um tanto tarde, no século XX. Ele abarca ramos da economia tão diversificados como o comércio(por grosso e a retalho), a banca, o turismo, a informática, as artes, a restauração…
Talvez possamos defini-lo por exclusão: tudo o que não pode encaixar-se na agricultura e na indústria pertence aos serviços.
Este sector tem tido um percurso inverso aos outros dois: enquanto estes têm dispensado mão de obra em consequência do avanço tecnológico, os serviços têm criado mais e mais emprego, tanto que o aumento tem mais que compensado as perdas verificadas naqueles.
Hoje, é mesmo o sector mais empregador de mão de obra. Pelo menos, tem-no sido até há pouco. E isto porque de há uns tempos a esta parte, têm ocorrido tais alterações no seu seio que não sei se não irá ter o mesmo caminho dos outros. E então pôr-se-á um problema novo na sociedade: muita gente ficará sem emprego e sem a correspondente remuneração necessária à sua subsistência.
É que , por exemplo, o comércio a retalho está a concentrar-se mais e mais, a banca reduz os efectivos de contacto directo com o público, os restaurantes recorrem cada vez mais ao self-service e mesmo é um facto que as pessoas compram já as suas refeições nos supermercados.
Também no interior esta evolução se tem vindo a verificar, o que leva a pensar que o chamado comércio tradicional vá perdendo importância, substituído pelas grandes redes de distribuição.
Julgo que a tendência será no sentido de uma concentração em razoáveis agregados populacionais, quase que desaparecendo, em compensação , os núcleos pequenos com a vida que até agora têm tido.
João Lopes de Matos

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego (continuação)

A indústria, como actividade económica diferente da agricultura, teve o seu início no século XVIII, com a descoberta da máquina a vapor. A actividade que anteriormente lhe correspondia era o artesanato, onde a mão do homem tinha um papel preponderante, enquanto na actividade propriamente industrial passou a ter papel de grande relevo a máquina.
A máquina veio potenciar a força do trabalho humano e dar-lhe, consequentemente, uma produtividade maior. O local onde a indústria se desenvolve toma o nome de fábrica, que, de início, não tinha grandes condições de trabalho e, porque os maquinismos eram ainda incipientes, a qualidade dos produtos deixava muito a desejar. Por isso, muita gente afirmava que não havia nada como aquilo que era feito pela mão do homem. A produção industrial era em série e, por isso, grotesca, cheia de imperfeições.
Este modo de produção levou à concentração de grande número de operários nos locais de trabalho, surgindo, assim, uma nova categoria de trabalhadores, que tomou a designação de operariado. Os operários foram, paulatinamente, substituindo os antigos artesãos. Como, de início, a mecanização e a automação eram ainda fracas, as fábricas alastraram imenso, de forma extensiva e através do recurso a muita mão de obra.
Porém, pouco a pouco, o aperfeiçoamento dos métodos de trabalho, através de linhas de montagem e de máquinas mais e mais evoluídas e mais e mais automáticas, fizeram com que fosse dispensada muita mão de obra e o sector, de grande empregador de gentes, tivesse passado a prescindir delas num crescendo que parece não ter fim.
Estamos agora nessa fase, em que o investimento na indústria já não é, como foi durante mais de um século, criador de emprego mas dispensador de trabalho humano. E isto nada traria de negativo se a distribuição de rendimentos se passasse a fazer de outro modo que não como retribuidor da actividade desenvolvida.
Quer dizer que, nalguma medida, o aperfeiçoamento tecnológico não beneficia o homem porque lhe retira o único modo de ele receber rendimentos, que é a retribuição do trabalho desenvolvido. Se o homem não trabalha não recebe.
O sector industrial é pequeno no interior, mas se ele se desenvolverem consequência das novas vias de comunicação, nem por isso será criador de grande número de empregos, que dê vida nova às diversas localidades, até porque as indústrias tendem a concentrar-se em“clusters” para se tornarem mais eficientes.
Em todo o Trás os Montes virá a haver uma dezena (se houver) de verdadeiros centros industriais, permanecendo a grande maioria das actuais freguesias sem indústria alguma.
João Lopes de Matos

sábado, 26 de março de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego

Todos os partidos políticos afirmam que a saída da crise (para além de outras medidas como a redução dos serviços e funcionários públicos) reside no desenvolvimento económico dos diversos sectores. Os conservadores dão a entender que a solução está em repor as actividades que existiam, entretanto destruídas,' segundo eles, sobretudo por causa da U.E. e de políticas erradas.
Vejamos, com algum cuidado, a evolução dos principais ramos: agricultura, indústria e serviços.
Quanto à agricultura, ela tem evoluído, no interior, ao longo dos anos, de uma actividade de subsistência para uma quase agricultura moderna, com um cariz muito semelhante ao sector industrial: mecanização, redimensionamento das empresas, cálculo contabilístico.
O que fez mudar a agricultura? Abandono propositado dos poderes públicos?
Parece-me ter sido, sobretudo, o abandono para o estrangeiro e para o litoral de grande parte da população rural, que não conseguia melhorar o seu nível de vida na maneira bucólica de viver, de que tanto gostava e de que todos os anos ainda agora mata saudades nas férias, a causa principal da mudança.
Estamos, no momento presente, a dar, sem querer, a estocada final no moribundo mundo rural e a paulatinamente provocar o advento do novo mundo: têm aparecido culturas já modernas mas ainda há muita coisa votada ao abandono sem se saber por enquanto qual o destino a dar-lhe.
Mas teremos, de futuro, um redimensionamento da propriedade e a introdução de novas iniciativas, que trarão, com certeza, uma nova agricultura.
O emprego, no entanto, limitar-se-á a ser sazonal ou contínuo mas diminuto.
Não dará, de certeza, para aumentar a população e para revitalizar as freguesias.
Manter-se-ão certos agregados urbanos de uma dimensão razoável, onde as pessoas viverão e de onde se deslocarão para tratar das explorações agrícolas.
Não haverá, de modo algum, um retroceder aos tempos antigos como solução dos problemas do interior.
Fiquemos hoje pela agricultura.

João Lopes de Matos

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Dormência e Felicidade

Tenho-me interrogado muito ao longo da vida sobre o que será a felicidade.
Como resposta a esta interrogação, sempre me acodem à lembrança factos simples a rondarem até a pura parvoíce.
Quando me recordo de momentos de sonolência como os que passava no barbeiro, a cortar o cabelo, ou como aqueles que passava com a cabeça deitada no regaço da minha mãe, a catar os piolhos, sempre entendo que eles eram momentos de felicidade, posso dizer, plena.
E então aqueles em que me sinto quase a adormecer, sinto-me tão bem que a isso chamo também felicidade.
A dormir, não tanto. Quando não sonho, durante o sono não existo.
Portanto, a sensação é nula, de nada. Quando acordo e o sono é reparador, então ao acordar, sinto-me novamente bem, feliz. Enquanto durmo, se o sonho é bom, agradável, sinto-me bem a sonhar: feliz.
Conclusão: A felicidade está ligada à sonolência ou aos sonhos bons, quando eles ocorrem. Também está ligada aos momentos que antecedem ou se seguem ao sono reparador sem sonhos.
Aplicando estes dados ao facto terminal da nossa vida, a morte, poderemos dizer que ,como ela leva ao sono eterno, os momentos que imediatamente a antecedem devem ser felizes, que momentos posteriores não existirão porque o sono é eterno e, durante ele, o sono, teremos momentos felizes se tivermos bons sonhos.
Bons sonhos, pois, para todos, na vida e na morte - é o que, do fundo do coração, vos desejo.
João Lopes de Matos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

COGITAÇÕES

As minhas últimas cogitações sobre política têm-me conduzido a uma asserção: actualmente, na base de qualquer moderna proposta política está (ou deve estar) sempre a ideia do liberalismo.
Liberalismo quererá dizer que qualquer solução deve vir da iniciativa das pessoas, que constituem a sociedade, e por elas deve ser posta em prática. Qualquer sociedade que se preze deve ser formada por cidadãos conscientes e participativos, que, momento a momento, criam, gerem, fiscalizam os modos de funcionamento das várias instituições em que a sociedade está organizada.
Liberalismo será sinónimo de liberdade, com a correspondente responsabilidade.
Já não se compreende que tudo seja dirigido do topo: a criação de empresas, a gestão destas, a organização da solidariedade ou a governação administrativa.
Nas pessoas existem vários pensares. Os pensares semelhantes criam entidades do jaez correspondente ao pensamento que os une. As várias entidades criadas entrechocam-se umas com as outras porque provenientes de pensares diferentes.
Subjacentes ao livre entrechoque apontado hão-de estar princípios como os da não violência, livre iniciativa, respeito mútuo, e, nas relações económicas, a lei da oferta e da procura, entendida não em termos excessivamente competitivos.
Uma sociedade virá a ser formada com cariz mais colectivista ou mais individualista, conforme a natureza das organizações livremente criadas pelas pessoas.
Claro que numa sociedade destas há-de existir grande autonomia, muita auto-governação, imensa descentralização. É preciso que as pessoas tomem as rédeas da governação.
Mesmo a solidariedade deve ser resolvida nas unidades de base: igrejas (conjunto dos crentes) ou entidades não confessionais, o que resultar do que as pessoas decidirem.
Será que, por esta forma, se chegará a algum lado?
João Lopes de Matos

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Anonimato

Tenho de confessar aqui que tenho um defeito de alguma magnitude, que me tem sido apontado por diversas pessoas: é a indefinição. Ligada a ela estão também a conciliação e a mudança frequente de posição. Não tanto a indecisão, pois que as decisões são tomadas, só que há uma grande variabilidade nelas: ora são tomadas num sentido ora noutro, por vezes o oposto.
Sinto existir em mim uma propensão para ver as coisas de diversos ângulos e daqui não viria mal nenhum ao mundo se, após a tomada de posição, esta se mantivesse estável por um lapso razoável de tempo.
Mas não. Tomada uma decisão, a dúvida permanece a inquietar o meu espírito e, quando é necessário decidir novamente, todo o processo se repete na íntegra: de novo têm que ser sopesados os prós e os contras e nada me garante que não venha a decidir em sentido diametralmente oposto.
Sinto que estas normas de pensamento já nasceram comigo, fazem parte da minha herança genética e a minha vontade pouco pode fazer contra elas.
Vem isto a propósito dum tema recorrente nos blogues: o anonimato de quem comenta ou escreve. E não é que agora me deixei seduzir pelas virtudes do que se diz sem indicação da proveniência!
Realmente, quando uma pessoa escreve incognitamente, como que diz às pessoas: pensem nesta ideia e só nela, não se preocupem com quem a lançou e vejam se ela tem ponta por que se lhe pegue. É como uma prova de vinho às escuras. É aceitável ou não? Que acham?
A apreciação nada terá a ver com quem lança a ideia mas apenas com ela própria.
Mas a minha tendência para a conciliação chega rápido a uma plataforma de entendimento: o anonimato será de pôr em prática nos comentários (não ofensivos, claro) e apenas nestes e não nos artigos de primeira página, digamos assim. Por isso é que este vai subscrito e os comentários não.
Mais razões para isto: é bom tentar novas atitudes, procurar outros caminhos, sabendo-se que, por vezes, quem se mete por atalhos nem sempre arranja trabalhos.
Por outro lado, existe em mim uma vontade forte de fazer com que as apreciações nada tenham a ver com beleza ou fealdade (ainda que no sentido puramente espiritual) da pessoa que escreve.
Comigo já ficam a saber com o que contam. Comecemos por ora apenas com o anonimato dos comentários para ver o que dá.
João Lopes de Matos

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

CARITAS
Têm chegado ao meu conhecimento notícias verdadeiramente surpreendentes.
Esta organização da Igreja Católica tem desenvolvido uma actividade meritória no que concerne à ajuda aos necessitados, em especial nos momentos de maior crise.
Pois em Carrazeda, ultimamente, a Caritas tem tido uma actividade especialmente empenhada, aceitando até no seu interior elementos não propriamente católicos praticantes mas homens de boa vontade, que lutam, quantas vezes mais e melhor que os católicos praticantes, pelo bem do seu semelhante.
Eu, embora agora seja agnóstico, declaro solenemente que esta é a Igreja com que sempre sonhei e, se me é permitido pelo meu passado, afirmo que esta é a minha Igreja.
João Lopes de Matos

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

VISÕES
Vindo das profundezas da eternidade do passado, DEUS, num determinado momento, sentou-se e viu-se só. Acho que nem anjos (melhor, nem anjos,arcanjos, querubins ou serafins) o acompanhavam ainda.
Sentou-se, pensou e decidiu.

Para não estar só, decidiu formar o mundo, com terra, céu e, pelomenos na terra, com pedras, plantas, animais e, por fim, o homem. A este deu-lhe uma coisa, que não deu a mais ser algum: uma alma, julgo que para, com o conjunto delas, conviver no céu. Mas pôs condições para admitir as almas à sua presença: era preciso que o homem tivesse determinadas qualidades, sobretudo a de ser desprendido dos bens terrenos, já que a verdadeira e eterna felicidade estaria no céu, reservada às almas que a merecessem.
Formou logo a terra e os seres que a habitam, com as características que hoje qualquer ser humano normal neles observa. Já bastante tarde, verificou-se que, afinal, Deus fez muito mais e mais complexo. E descobriu-se que Deus submeteu tudo a determinadas leis: as leis da natureza.
Durante muito tempo, pensou-se (pensamento quase unânime) que Deus punha e dispunha, falava com frequência com o homem (tu cá, tu lá) e cumpria ou não as leis da natureza, como bem entendesse.
Apareceram há pouco pessoas, que chegaram à conclusão de que Deus fez o mundo sujeito a leis inexoráveis e, depois, deixou que essas leis governassem os fenómenos naturais ou humanos. Deus fez e, depois, deixou que as leis ditassem as suas regras, cegas, rectilíneas, quantas vezes injustas ou até cruéis, sem noção do bem e do mal.
Há menos tempo ainda , apareceram pessoas, que disseram que, afinal, tudo surgiu por acaso e pelo efeito do entrechoque de umas realidades com outras realidades.

As três visões apresentam aspectos difíceis de entender: na primeira, Deus aparece-nos quase como humano, senta-se, decide, fala e governa directamente; na segunda, Deus fez tudo e deixa que as leis governem; na terceira, já nem Deus existe, só a natureza e as suas leis.

Tudo isto é tão difícil de entender (a nossa mente não consegue chegara um entendimento) que o melhor é deixar passar o tempo, para vermos, na hora própria, como as coisas serão.
Entretanto, que venha o diabo e escolha.
Não cheguei a falar nesta última personagem, mas fica para outra vez.

João Lopes de Matos

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

José Saramago – o homem
Era uma vez um homem (já não é, já morreu) que nasceu em 1922, num lugarejo chamado Azinhaga, a quem puseram o nome próprio de José (como o pai) e o último apelido de Saramago, alcunha ou apelido de família, porque era comum nesse tempo as pessoas não terem um nome completo tão bem definido como agora. Sorte a dele, porque, de contrário, teria ficado conhecido apenas por José de Sousa.

Este “Saramago” é o dedo do destino a salvá-lo de ter um nome corriqueiro, como a “Sócrates”, este vocábulo o salvou de ter um nome mais banal.
Pois este Saramago, ao que tudo indica, veio ao mundo, dotado pelos pais ou por Deus (nós não somos todos dotados da mesma maneira) de uma inteligência, uma força de vontade, um génio, uma perseverança, uma capacidade de trabalho, um feitio, uma teimosia, fora do comum. Apetrechado destes atributos, meteu-se à vida.
Nasceu num lugar recôndito, mas o pai conseguiu fazer-se polícia (ou fizeram-no, talvez por não ser burro, ser bem comportado e ser talvez salazarista – conditio sine qua non). E, em virtude disso, o pai rumou a Lisboa, para onde mais tarde levou a família. O rapaz, a princípio, não se portou mal: estudou o que pôde ou o que o mandaram estudar e terá sido talvez (nos meus juízos guio-me pela probabilidade mais forte ou pela maior verosimilhança) salazarista como o pai e como eu próprio fui até aos 16 anos.
Mas ao rapaz, chegado a uma certa idade, deu-lhe (quem houvera de dizer) para começar a ler, a ler, a ler, e nunca mais parou. E, ainda mais raro, começou a interrogar-se (e a interrogar os outros) sobre tudo o que lia. Foi irreverente, teve vários ofícios, e um dia (com toda a probabilidade) começou a ler o Soeiro Pereira Gomes, o Alves Redol (como ele, do Ribatejo) e começou a acreditar num paraíso (para todos) na terra, já que não consta que tenha até aí pensado muito num paraíso (para todos) num outro mundo (celestial).
A certa altura fez-se membro do partido comunista, por acreditar que com ele atingiria a felicidade para todos (na terra). Foi já como militante do PC que entrou na revolução de 25/4.
E, logo de seguida, mal nos habituáramos à liberdade, os comunistas pensaram chegada a manhã libertadora e igualitária para todos. E quiseram chegar lá através da via (ditadura do proletariado) consagrada por Marx e, sobre tudo, por Lenine, para não falar de Estaline, que era querido às escondidas e não querido em público.
Esta maré passou-a ele (Saramago) como director do D.N.. E deixou-se levar pelo forte querer de construir rápido um mundo melhor (nisto não era original, pois desde Cristo que os cristãos o tentam conseguir, aliando-se ao poder (Roma), constituindo eles o poder (Idade Média) e recorrendo a meios que nem ao Diabo lembram (a Inquisição deliciou-se com o fogo do inferno a queimar os hereges).
Pois Saramago, em 1975, bem aconselhado pelos camaradas legítimos (os trabalhadores manuais e não só), tornou-se sectário, expulsou os indignos do mundo novo, fez trinta por uma linha, até que ele próprio foi expulso. Ainda lutou no Alentejo pelos desígnios anteriores: trabalhou numa UCP, conversou, conviveu, delirou. E isto numa altura em que os ventos já apontavam fortemente noutra direcção.
Caíu em si, isolou-se, leu, estudou, percorreu o país, e decidiu fazer-se escritor (aquilo que havia escrito até aí já lhe dava alguma esperança de sucesso). E começou por contar a história dos alentejanos, com quem convivera tanto tempo, num estilo na esteira de Soeiro Pereira Gomes, de Alves Redol e tantos, tantos outros, que tiveram as suas primícias literárias no chamado neo-realismo.
E não é que fez uma obra tão bela (literaria e tematicamente) que até a Câmara de Lisboa (de Cruz Abecassis ) lhe reconheceu o mérito e lhe deu um prémio? Escreveu logo de seguida “O Memorial do Convento” e a aceitação geral foi excelente.
Curioso: - num país ortodoxo, conseguiu impôr-se com uma escrita heterodoxa. E continuou a afirmar-se comunista, numa teimosia (ou coerência) próprias de um Salazar, um Hitler, um Cunhal, um Estaline.
Mas a sua esperança num mundo igualitário esfumava-se a cada dia que passava: - a derrocada das “democracias” de Leste, a agonia de Cuba, a viragem para o capitalismo da China, o extremismo da Coreia do Norte.
E então começou a procurar outra via: o Cristianismo e a sua majestática organização, a Igreja Católica. E que viu ele? - O Papa e os cardeais vestidos de ouro, apoiados embáculos de ouro, com cruzes de ouro ao pescoço, vestidos de modo inteiramente desadequado dos tempos actuais. Além disso, passam o tempo com rezas, ladainhas, persignações, julgando que Deus gosta dessas lenga-lengas, desses rituais, esquecendo-se que Este talvez preferisse que a Ele se chegasse pelo amor entre todos.
Pensava que a máxima comunista – de cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades - pudesse ter uma versão cristã, através do espírito de dádiva e de abnegação, que são indubitavelmente apanágio do Cristianismo.
Desiludido, deixou-se de intermediários e questionou directamente Deus e a sua doutrina.
Mas encontrou uma parte dos livros santos que lhe provocou muitos engulhos: o Velho Testamento, onde ele via um Deus que infundia medo, mais que amor, que agia a seu bel-prazer, do qual os humanos tudo aceitavam por Deus poder fazer o que lhe desse na real gana.
E então Saramago concluiu: - Deus, se Tu és isto, então desculpa, não existes. Nós somos apenas, como Tu dizes: - pó, terra, cinza e nada.
E, nesta indagação e luta, morreu. Afirmou-se sempre comunista por aquela dita razão cega da coerência, porque quis continuar a acreditar no paraíso para todos, para não dar parte de fraco e porque não queria ser considerado um arrependido.
E optou por aquilo que é terreno e passageiro, não eterno. Optou, porque, como dizem os cristãos e dizem os existencialistas, o Homem é livre e, sobretudo, livre de decidir.
Decidiu mal, Saramago? Se Deus existe, Deus já lho disse. Porque só o juízo de Deus interessa, não o de homens banais como somos todos nós (ainda que alguns sejam Papas, Cardeais, Ministros ou Secretários).
João Lopes de Matos

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

ACASO, DETERMINISMO, JUSTIÇA E INJUSTIÇA

Esta história é verdadeira e, por isso, merece ser contada.
Era uma vez um senhor robusto, vivaço, engatatão, mulherengo, sem quaisquer problemas com mulheres. Nunca se havia preocupado com o amor, quanto mais com paixões.
Vivia saudavelmente o dia a dia: alegremente, satisfazendo todas as suas necessidades fisiológicas.
Até que um dia … há sempre um dia, o amor bateu-lhe à porta e sob a forma de uma paixão intensa. Sempre tinha tido agradáveis relações sexuais. Mas, como com a mulher que encontrara por acaso e por quem sentira de imediato uma atracção violenta, nunca antes havia experimentado coisa igual. Eram, na realidade, duas almas gémeas, melhor, dois corpos que não se podiam ver um sem o outro. Comunhão mais intensa era impossível. Aquilo é que era um verdadeiro amor, uma verdadeira paixão. Como não podiam passar um sem o outro, não tiveram dúvidas: casaram. Foram muito tempo felizes. Desta felicidade nasceram duas filhas. O amor era tão intenso que ele desleixou-se com o serviço e foi admoestado por isso. Estando em jogo a subsistência de toda a família (ele era o único que trabalhava), resolveu dedicar-se mais ao trabalho e menos à intensa paixão vivida com a mulher. Por vezes, fazia serões e deixava a pobre mulher triste. Ela, que até aí não saía de casa, começou a passar algum tempo nos cafés. O marido estava satisfeito por ver a mulher distrair-se. Só que…por ser tão visível…e le soube que a sua paixão tinha umas conversas e encontros com outros homens, em especial, rapazes novos. Rapidamente descobriu que essas conversas e encontros eram mesmo muito especiais. Como era possível se eles se amavam tanto! Tentou ele, pela grandiosidade do amor que os unia, resolver o problema, perdoando-lhe alguns passos em falso. Mas era demais. Após o uso de métodos pouco ortodoxos, acabaram por se divorciar. O feitio dele não era nada meigo, era mesmo intimidativo e, por isso mesmo, não entendia como ela tivera ousado sequer tal procedimento. Um dia soube que aquilo era de família: a mãe dela tinha tido uma história igual. Estava-lhe na massa do sangue.
Apesar de tudo isto e porque uma mulher lhe dava jeito nos encontros sociais, resolveu casar-se de novo. Mas desta vez tomou as devidas cautelas, já não se deixou levar por amores: casou com uma mulher calada, medrosa e a quem ele intimidava constantemente: ela olhava sempre e só para o chão. Desta união nasceram dois gémeos verdadeiros, iguaizinhos um ao outro, e, por sua vez, iguaizinhos ao pai. Pai e mãe tinham maneiras de ser diametralmente opostas.Ele, tão doce que fora com a outra, era com esta um autêntico carrasco, batendo -lhe com muita frequência. Ela era submissa mas ele havia decidido que esta haveria de pagar tudo (o que a outra fizera). A situação tornou-se insustentável e a família dela não descansou enquanto não os viu divorciados. Os filhos cresceram iguaizinhos ao pai, o que era um tormento para a mãe. Viveram algum tempo com o pai mas não se entenderam com ele: Não houve outro remédio senão irem viver com a pobre mãe. Vivem agora ao lado dela, parecendo-se cada vez mais com o progenitor. Por vezes, a mãe, um tanto tresloucada, confunde-os com o ex-marido, fugindo deles apavorada. Em conversas amenas com os filhos chega a desabafar: - Queridos filhos, porquê isto me aconteceu a mim? Os filhos, apiedados da mãe, concordam: - Tiveste azar, mãe, perdoa- nos.
João Lopes de Matos

terça-feira, 20 de abril de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Serviços Sociais: - dois pensares

Há serviços que devem ser garantidos a todos, sobretudo aos mais desfavorecidos: - a saúde, a educação, a assistência infantil, a assistência na velhice, além de outros.
Como garantirem-se melhor estes serviços: através de organismos estatais ou através de outras instituições, designadamente, movimentos de boa vontade, leigos e religiosos?
Para uns, indubitavelmente, pertence ao Estado zelar pela existência da totalidade de todos esses serviços, já que recebe os impostos para o seu financiamento.
Para outros, os cidadãos passariam a pagar menos impostos e, em contrapartida, ficariam eles cidadãos responsabilizados por muito do que é prestado pelo Estado.
Isto teria a vantagem de responsabilizar os cidadãos pelo bom funcionamento de muitas instituições sociais, impedindo-os de atirar todas as obrigações para essa entidade distante, chamada Estado, governada por funcionários, por vezes indiferentes ao bom ou mau funcionamento dos serviços, mais interessados na satisfação dos seus interesses corporativos. Com a governação através de diversificadas instituições, os problemas seriam acompanhados mais de perto e deformas mais autónomas e com menor burocracia.
Existem, na realidade, movimentos, associações e instituições, que têm uma vocação social meritória, aos quais, por vezes, é retirada a possibilidade de porem em prática toda a sua boa vontade, uma vez que as suas hipotéticas actividades são absorvidas pelo todo poderoso Estado.
Há mesmo muitas entidades (as várias igrejas, em especial a Igreja Católica) que se dedicam sobretudo a actos de culto (de adoração a Deus) e a rituais como baptizados, casamentos e funerais, que são presididos pelos seus elementos mais importantes, que poderiam passar a dedicar-se mais a outras actividades de amor ao próximo (obras sociais) desde que aqueles actos de culto e rituais pudessem ser delegados noutros elementos, passando os elementos mais importantes a dedicarem-se mais à coordenação dos actos de culto e rituais e dos actos sociais.

Estamos, pois, aqui, perante duas visões diferentes, que não têm necessariamente de se oporem, podendo até complementarem-se, em maior ou menor grau.
A escolha política que qualquer dia teremos de tomar, entre outras coisas, residirá nesta: a solução mais estatal do Partido Socialista ou a solução mais diversificada e privada do Partido Social Democrata.

João Lopes de Matos

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Governo maioritário e governo minoritário

Tem-se discutido muito ultimamente sobre qual possa ser melhor para o país, o governo apoiado no parlamento por uma maioria ou aquele que é suportado apenas por uma minoria de deputados.
Aduzem-se razões nos dois sentidos: o governo maioritário é mais sólido, tem força para por em prática as suas soluções; o governo minoritário é mais dialogante, procura mais os consensos, não pode ser tão arrogante.
No primeiro, caímos quase sempre numa ditadura, porque não temnecessidade de acordos, o segundo, muitas vezes, fica paralisadoporque ninguém quer comprometer-se com as suas tomadas de posições.
Tivemos, na nossa história recente, exemplos de ambos . Tivemos governos maioritários da AD, de Cavaco Silva e de Sócrates e minoritários de Cavaco Silva e de Guterres.
O governo minoritário de Cavaco caiu ao fim de pouco tempo; os de Guterres arrastaram-se penosamente e Guterres ficou com fama de homem fraco.
Os maioritários tiveram estabilidade , embora tenham sido apelidadosde ditatoriais.Os pequenos partidos defendem governos minoritários para poderem teruma importância superior às suas forças. Os partidos grandes aspiram a governos de maioria, embora, por vezes, não o confessem.
Ultimamente, o PS defendia o governo de maioria e todos os outros defendiam governos minoritários porque achavam que não podiam evitar a maioria relativa do PS.

Hoje, que as perspectivas são diferentes, já se pensa em formar um governo maioritário PSD/CDS.
E, afinal, eu acho que o governo maioritário é a solução que nos convém: de um só partido ou de dois. Claro que este governo deve ouvir as minorias mas deve ter força para decidir.
E, falando de ditaduras, as empresas privadas são governadas por todosos colaboradores ou , acima deles, pela vontade exclusiva do patrão?
Do meu ponto de vista, portanto, é preferível que o país seja governado por uma maioria PSD ou PSD/CDS a ser governado por um governo minoritário do PS, embora eu propenda, ideologicamente, mais para o PS que para o PSD.
João Lopes de Matos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Daqui e dali... João Lopes de Matos

REGIONALIZAÇÃO

Volta a falar-se se deve ou não haver divisão do país em regiões.
Tenho algumas dúvidas.
O país é tão pequeno que não sei se vale a pena serem criadas mais regiões autónomas, como as dos Açores e da Madeira.
Estas justificam-se pela lonjura e separação física do continente.Aqui justificar-se-á dividir o país em mais pedaços, com todos os órgãos existentes nas actuais regiões autónomas?
Duma coisa, porém, estou convencido: - da necessidade de descentralização. Porquê e para quê?
Porque é preciso que muitos problemas tenham uma resposta mais rápida e para que os órgãos administrativos locais possam assumir as suas responsabilidades mediante a liberdade de serem adoptadas soluções diferentes para cada zona.
O Estado deve deixar de ser a entidade longínqua, à qual possam ser atribuídas todas as culpas, tornando-nos a nós irresponsáveis.
Temos que sentir a necessidade de pensar e decidir problemas. Temos que intervir mais na vida que nos diz respeito.
Assim como está, o governo central é a única entidade que tem obrigações. Nós não as temos. E é preciso tê-las.
Como se consegue isso?
É um facto que existem freguesias e concelhos demasiado pequenos. É preciso agregar umas e outros e reduzir o número de freguesias a um décimo das existentes e o número de concelhos a um terço.
Depois, as freguesias e os concelhos já podem ficar encarregados de mais competências e autonomia mais alargada.
Quase tudo pode ser comandado a nível concelhio: a saúde, a segurança, o ensino, o lazer, etc..
Como reconheço que há assuntos que dirão respeito a mais que um concelho, devem existir órgãos que agreguem representantes concelhios e que, reunindo periodicamente, resolvam os problemas referentes a vários concelhos.
Os assuntos ditos nacionais (defesa, justiça, parlamento, relações exteriores, obras de grande vulto, etc..) serão resolvidos a nível governamental.
É preciso dar uma dimensão mínima às freguesias e aos concelhos e resolvermos localmente muitos problemas, para nos responsabilizarmos e não deitarmos as culpas todas para os órgãos centrais.
Se a regionalização ficar por esta visão minimalista, acho que será uma medida acertada.
É preciso, rumo ao desenvolvimento, correr o risco da reorganização administrativa e da descentralização.

João Lopes de Matos

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Daqui e dali... João Lopes de Matos

A Consciência (A Alma?)

Deixem-me filosofar um pouco.
Deixem-me tentar saber quem somos, como somos.
Nós nascemos quando saímos do ventre materno. Mas, nesse momento, não temos consciência de existirmos. A nossa mãe tem: - isso vê-se pelos beijos que nos dá, pelos cuidados com que nos trata, pelo chegar dos seios com que nos dá de mamar.
Nós somos bonecos animados de vida, que só agimos para comer, digerir, urinar…
Pouco a pouco, porém, vamos tomando conhecimento da voz da mãe, do aconchego das mamas, do mudar da fralda.
Conhecemos outras coisas e os outros antes de nos conhecermos a nós próprios. A consciência de sermos uma individualidade diferente das demais só chega mais tarde (para os que chega).
No entanto, estamos imbuídos de vida desde a junção do espermatozóide com o óvulo.
E se temos alma desde então, ela não se manifesta, fica à espera do desenvolvimento do cérebro até ao preciso momento em que adquirimos consciência de nós mesmos.
Será que são a mesma coisa: consciência e alma?
Desde esse momento (ter sentimento de si) até ao momento em que se perde definitivamente esse sentimento (morte da parte do cérebro destinada a conhecer-se a si próprio), a consciência (de si e do que está fora) não existe de modo contínuo mas de forma intermitente.
Não existe enquanto dormimos ou estamos sonolentos e cada momento de consciência é permanentemente interrompido por momentos da sua ausência.
E há mesmo graduações (mais acutilantes ou menos) do conhecimento de si e do resto.
Para funcionarmos com um certo equilíbrio, é mesmo desejável que não se exerça grande pressão sobre o pensamento, não aconteça ficarmos com um cansaço cerebral e com as células cerebrais esgotadas.
Assim como o nascimento (a gestação, se quisermos) dá início ao processo de aquisição da consciência, assim a morte lhe põe termo definitivamente.
Se a alma é a mesma coisa que a consciência, ela não sobreviverá ao corpo.
Se é algo de diferente, teremos de concluir que, antes de se fazer notar, ela estará numa espécie de limbo, lugar para onde voltará quando morrermos.
Mas se alma, no entanto, continuar para além da morte, como será então o seu viver? Terá presenças e ausências como quando vivos? Dormirá? Estará sempre, sempre, sempre, lúcida?Veremos, quando lá chegarmos.
João Lopes de Matos

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Daqui e dali... João Lopes de Matos

O Presidente da Câmara, eu e Carrazeda

Poderia intitular este artigo doutra maneira: "O actual Presidente da Câmara, eu e Carrazeda". Mas a redacção do título é propositada sem a palavra "actual". Quero ver mais a função que a pessoa. Quero ter o direito de fazer apreciações ao desempenho do cargo e tomar posição mais sobre os problemas e soluções do que sobre a pessoa, que eu quero respeitar. Como, aliás, devo respeitar a instituição "Câmara".
A minha postura, aliás, sobre Carrazeda é simples: - sou um reformado, já com alguma idade(cerca de 70 anos), tenho a sorte de ter uma boa reforma, que me permite não ter que me candidatar a nada e me permite ajudar os meus filhos, no que não faço mais que a minha obrigação, até porque a vida não está nada fácil para os mais novos.
Durante a minha vida, li muito, pensei muito, errei muito, acertei pouco e ganhei gosto pela discussão aberta dos problemas. Tentei cuidar da minha escrita e da minha fala de modo a não ofender ninguém, sem deixar de dizer aquilo que acho que deve ser dito.
Procurei também adquirir algum sentido de humor, para não levar a vida exageradamente a sério.
Ultimamente, ganhei alguma coragem para me expor e expor as minhas ideias (sempre prontas a serem alteradas se a isso os outros me convencerem).
Acredito, actualmente, numa sociedade aberta, em que as pessoas defendam os seus pensamentos de forma não violenta. Acredito que as soluções hão-de resultar do entrechoque das opiniões e que a luta verbal ou escrita é absolutamente indispensável a termos uma sociedade participada, dinâmica, activa, crítica. Respeitando-nos uns aos outros, claro.
Quanto ao sr. Presidente da Câmara, acho que ele teve uma formação muito ligada (desde cerca de 1960) às câmaras. E isso tem o seu lado positivo (experiência) e o seu lado negativo (ver os problemas sobretudo pelo lado de dentro e o perigo de parar no tempo, na adopção das soluções).
Fez (ou tentou fazer) algumas coisas para o concelho. E julgo que seria ele o primeiro a sentir orgulho em ter conseguido que Carrazeda não se atrasasse, como a generalidade dos concelhos do interior. Só que isso é uma tarefa árdua, ciclópica, não fácil de atingir.
Durante muito tempo, houve que dotar o concelho de infra-estruturas mínimas e, para nós, que nascemos na década de 40, só o abrir uma fraca estrada, inaugurar uma fonte ou uma ponte, era um feito notável.
Mas as coisas alteraram-se imenso. Afinal, sonhos como a biblioteca, o centro cívico, o centro de apoio rural, as piscinas, etc., etc., que pareciam grandes obras, reduzem-se a quase nada, porque se transformam em obras de fachada, não usadas. Parece que pouca gente se deu conta que tudo o que se possa fazer não é nada se não tivermos gente (e gente participativa, não gente que, como a de outros tempos, olha para as obras como algo que é só para ver e não põe sequer a hipótese de um uso (o maior e melhor possível) em prol de todos.
Nalguma medida, o sr. Presidente da Câmara foi, como quase todos nós, vencido pelas mudanças não previstas.
Não é fácil o que se apresenta pela frente: temos (ou teremos em breve) boas estradas, acesso a serviços de saúde, locais para prática de desporto e diversos entretenimentos e não temos gente.
E sabemos que o desenvolvimento que se conseguir para o interior já não irá respeitar a divisão administrativa que existe. As pessoas já não irão residir nos lugares em que têm residido até agora.
Estamos nós preparados para isso?
Eu, pela minha parte, apenas quero dar uma modesta contribuição para o encontrar das soluções que olhem para a frente.
Não quero mais que dar opiniões e sugestões ou apresentar soluções. Mas não pretendo ser eu a implementar as obras: - isso pertence, de direito, a gente mais nova.
João Lopes de Matos

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Daqui e dali... João Lopes de Matos

AVALIAÇÕES (uma perspectiva)

Vivemos actualmente um clima algo agitado nas escolas por causa das avaliações.
Ultimamente, tem-se tido o sentimento de que as escolas existem para que os professores tenham direito a uma boa, muito boa ou excelente classificação. E, como se tem pensado tanto na hipótese de todos poderem ter a classificação máxima, parece que tudo se resume à postergação ou não do direito sagrado de todos à classificação máxima de excelente.
Ora como a mim me parece que a escola está, inequivocamente, ao serviço dos alunos e da sociedade, tudo o resto terá que ser visto como aperfeiçoamento das técnicas que visam aquele desiderato.

Limitemo-nos a olhar as avaliações.
Será bom que haja distinções tão pormenorizadas (insuficiente, suficiente, bom, muito bom, excelente - não sei se é isto, mas é mais ou menos isto) entre professores?
Penso que não, que isto é mais factor de perturbação da vida escolar do que factor de melhor funcionamento - gera rivalidades entre professores de todo em todo desnecessárias e perturbadoras dum são relacionamento. Além disso, existe, subjacente a esta classificação, a ideia de que a grande maioria das pessoas pode facilmente atingir, se quiser, o bom, o muito bom e o excelente. Não vejo as coisas assim: acho que à grande maioria dos humanos é possível atingir o suficiente (o normal) e que só uma pequena percentagem pode chegar a níveis superiores, sendo ainda certo que aqueles que para uns se situam num patamar, para outros situam-se em patamar diferente.
O que é preciso é que todos cumpram de modo a que se consiga entre professores um bom espírito de entre - ajuda e uma realização que consiste no sentirem-se bem numa escola que todos conseguem que cumpra, dadas as circunstâncias de cada uma, o papel que lhe cabe na sociedade.
Os professores não precisam de ser classificados. Todos subirão na vida normalmente, sem necessidade de formalidades burocráticas.

Mas perguntar-me-ão: então não há controle nenhum? Há. Ele é feito dia a dia pela direcção e, periodicamente, pelos inspectores, pertencentes aos escalões superiores da administração escolar.
O tempo é todo aproveitado para o aperfeiçoamento do trabalho , resolução das dificuldades e vigilância da acção concreta dos docentes. Todos eles serão ajudados e todos vigiados. Ficarão mais que conhecidos (nos defeitos e nas virtudes) pela direcção e pelos inspectores - sem necessidade de grande burocracia.
E não haverá distinções? Claro que sim. Aqueles que não atinjam o patamar da satisfação serão especialmente inspeccionados e, se não subirem ao nível desejado, serão (em último recurso) punidos (ou encontrada outra solução). Os que se salientarem serão, no momento próprio , chamados a desempenhar missões específicas, remuneradas de modo especial.
Qual será melhor: todos serem classificados de excelente (ou parecido), com a burocracia que isso acarreta, ou reduzir a burocracia ao mínimo e optar por um critério prático que tenha como preocupação, de longe primordial, o bom funcionamento das escolas?
Sei que o problema é difícil. Apenas quis fazer um exercício mental para dar uma achega à discussão construtiva do problema.

João Lopes de Matos