quinta-feira, 31 de março de 2011

O que se disse... ABC Diário Digital - Espanha

«El primer ministro portugués se parece a un conductor que avanza a toda velocidad por la autopista en dirección contraria, convencido que son todos los demás automovilistas los que se equivocan ABC Economia

Daqui e dali... Henrique Raposo

Socrates School of Economics

Vieira da Silva, José Sócrates, o PS inteiro e o meio "jornalismo" (gosto muito de ouvir analistas que não passam de protectores oficiosos do PS e de Sócrates) criaram uma nova escola de pensamento económico, a saber: a Socrates School of Economics (a malta, lá fora, tira o acento ao nosso primeiro). Esta escola decreta que um país pode entrar em bancarrota total em apenas uma semana e somente por causa de uma acção parlamentar. Esqueçam os anos de má governação, esqueçam os anos de más escolhas de política económica, esqueçam os anos de incompetência dos ministérios das finanças. Nada disso é verdade. Nada disso conta. Segundo esta brilhante escola, a bancarrota surge quando uma borboleta, a oposição, bate as asas. É essa inocente borboleta que, num simples acto, causa a destruição.

Portanto, para a SSE (Socrates School of Economics), a bancarrota surge por artes mágicas, porque existem umas pessoas más (a oposição) que não seguem as pessoas boas (o governo). Ou seja, a bancarrota é uma espécie de acto de vontade, e não a consequência de políticas concretas conduzidas ao longo de anos. Para a Socrates School of Economics, Portugal está na bancarrota porque a oposição revelou má vontade, porque a oposição quis essa bancarrota. E quis porquê? Ora, porque está coligada com o Sauron do guito, o FMI. 16 anos de governação PS não contam para nada nesta perspectiva epistemológica revolucionária no campo do pensamento económico. Genial, pá.

Não sei se a Socrates School of Economics conseguirá vencer o Nobel da Economia, mas como literatura não está mal, não senhor: é a aplicação do realismo mágico aos assuntos económicos. Expresso

quarta-feira, 30 de março de 2011

O que se disse... Henrique Neto

«...aquilo que o Governo devia ter feito é não nos ter colocado nesta situação.»

Henrique Neto, antigo dirigente socialista (Negócios)

Sede da agência de desenvolvimento do Tua em Mirandela não é consensual

Não foi consensual a escolha de Mirandela para sede provisória da agência de desenvolvimento regional do Vale do Tua. No acto da escritura, já ficou bem patente a falta de consenso entre os autarcas. Uma decisão muito contestada pelo presidente do Município de Carrazeda de Ansiães que pretendia ver a sede em Foz-Tua. Na mesma altura em que foi assinada a escritura de constituição da agência de desenvolvimento regional do Vale do Tua, surgia a primeira divergência entre os cinco autarcas. O edifício da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana servirá de sede provisória da nova agência, o que claramente não agrada ao autarca de Carrazeda de Ansiães. José Luís Correia diz ser uma injustiça a sede ser em Mirandela alegando que foi um município que sempre esteve contra a barragem e espera que ela venha a ser centralizada em Foz-Tua. “A minha posição é só uma: a sede natural é Foz-Tua, por toda a envolvência do vale, porque é o concelho mais prejudicado com a construção da barragem que fica sem mobilidade” refere o autarca, acrescentando que “é uma injustiça a sede ser em Mirandela que foi sempre contra a construção da barragem e agora é que começa a ganhar com a construção da barragem. Os meus colegas optaram por maioria que fosse provisoriamente em Mirandela, mas acredito que um dia venha a ter uma sede num lugar diferente”. O presidente do Município de Murça prefere sublinhar que, em qualquer momento, desde que a Assembleia-Geral assim o entenda, a sede pode ser deslocalizada e também considera Foz-Tua uma boa solução para o futuro. “Nós tínhamos que indicar uma sede física e eu concordei com Mirandela mas a Assembleia-Geral pode em qualquer momento instalar a sede noutro município. Neste momento acho que encaixa bem em Mirandela” afirma João Luís Teixeira. O autarca de Alijó faz questão de desdramatizar esta polémica. Artur Cascarejo considera que se trata de uma questão de pormenor e explica que a escolha de Mirandela tem a ver com razões economicistas. “No respeito perante as dificuldades do país e numa estratégia de contenção de custos nós considerámos que estávamos a dar um exemplo ao país sediando numa associação de municípios que já existe, com espaço físico e recursos humanos” explica o autarca. Parece estar criada o primeiro sinal de divisão entre os autarcas que fazem parte da agência de desenvolvimento regional do vale do Tua. A sede provisória em Mirandela não foi uma escolha consensual. Escrito por CIR/Brigantia

terça-feira, 29 de março de 2011

Daqui e dali... Carlos Fiúza

In illo tempore - os ”migrantes

A “santa terrinha”, onde cada qual nasce, nem sempre dá o pão de que o corpo necessita. Quando esta insuficiência se verifica, muita vez o natural de uma terra vai ganhar a vida a outra terra, próxima ou distante, consoante os casos. Evidentemente, a migração pode ser individual ou coletiva. Assim, um portuense pode vir para Lisboa trabalhar e um lisboeta pode ir para o Porto granjear o sustento e, claro está, em infindáveis levadas e vindas, se trocam pessoas e populações entre umas terras com outras. Acontece, por vezes, que certas terras ou certas regiões recebem (ou recebiam) amiúde largos contingentes de trabalhadores, quer por já de antemão os buscadores do trabalho saberem que não é em vão sua procura de tarefa e de sustento, quer porque as tradicionais qualidades de umas gentes trabalhadoras são conhecidas, apreciadas ou necessitadas nas terras ou na região recetivas.

Era o caso, por exemplo, dos ranchos migratórios que vinham de Aveiro e de Coimbra trabalhar para a região do Sado, onde eram precisos para a faina da cultura do arroz.

Eram conhecidos por “caramelos” esses obreiros rurais que vinham dar a sua contribuição operosa aos arrozais do Vale do Sado. Se quisermos outro exemplo, aí o temos naqueles trabalhadores beirões que, principalmente de Arganil e redondezas, procuravam as lezírias e os campos do Sul do Tejo para qualquer ocupação que lhes desse o ganha-pão.

Eram os “barrões”, nome por que nos ambientes ribatejanos eram conhecidos os beirões migradores.

- “Barco parado não faz viagem” - costuma dizer-se, e bem facilmente se compreende que, nesta viagem que é a vida, o barco do trabalho tenha de andar de um lado para o outro, à procura do pão onde ele estiver.

Não há na terra? Busca-se noutro lado. É o que faz quem precisa de ir “esgravatar” a vida fora da terra-mãe.
E assim surgiram os “caramelos”, os “barrões”, os “ratinhos”…
E até o nosso grande Gil Vicente aproveitou os “ratinhos” da Beira como um tipo característico de simplório com laivos de esperteza.

Muitos ratinhos vão lá
De cá da serra a ganhar,
E lá os vemos a cantar
E bailar bem como cá…”
Por aqui se vê que, já no tempo de Gil Vicente, era popularíssimo o chamadoiro de “ratinhos” para os beirões que iam procurar trabalho aos campos do Alentejo e de parte da Estremadura, sobretudo em tempos de colheitas de trigos, e vindos de lá da serra. O intercâmbio das gentes rurais com as gentes citadinas necessariamente causa ensejos de manifestações de superioridade ou de pseudo-superioridade entre os da cidade e os de fora. E então, amiúde, os vaidosos urbanos pegam de acoimar os campónios de inferioridades várias, supeditando-lhes nomes depreciativos.

E assim nasceram os “pategos”, os “labregos”, os “labroscas” e até os “saloios”, etc.

- Ah! Grande “matarroano”!

Também acontece que, em lugar de um nome, se recorra a uma locução, e então criam-se ditos, como - ele veio lá “das berças”, veio da “Parvónia”...
Deixei para o fim um termo muito empregado na capital - “saloio”. “Saloio” tirou o nome do árabe açhroii, isto é, do campo, de fora da povoação, camponês.
Há, pois, a oposição entre o da cidade e o de fora dela; e daí passou ao significado de desdém dos urbanos para os do campo. No fim deste divagar, inspirado nas “trocas” e nas “andanças” populacionais, e no artigo de JLM (Desenvolvimento e Emprego), não quero deixar de dizer que, apesar das ironias, dos despiques, dos motejos e das depreciações das gentes das cidades ou das terras e regiões para onde vão (ou foram) trabalhar os “ranchos” ou os indivíduos migradores, uma coisa é certa: todos são irmãos no mesmo esforço do ganha-pão!

E muita vez os de fora vêm não só dar trabalho colaborante, mas trazer a própria Vida.

Sam, capelão de um fidalgo
Que não tem venda nem nada;
Quer ter muitos aparatos
E a casa anda esfaimada;
Toma ratinhos por pajens,
Anda já a coisa danada.”
(Gil Vicente, in “Farsa dos Almocreves”)

Carlos Fiúza
P.S. Eu próprio fui um trabalhador “migrante” (num Mundo sem fronteiras, como a minha casa). É verdade que um “migrante” de luxo (se o quiserem) … mas migrante!

Agência de desenvolvimento do Vale do Tua já está constituída

Está oficialmente constituída a agência de desenvolvimento regional do vale do Tua, uma das contrapartidas da construção da barragem de Foz-Tua e da consequente submersão de dezasseis quilómetros da centenária linha ferroviária. A cerimónia da assinatura da escritura aconteceu, esta segunda-feira, em Mirandela. Este novo organismo vai gerir inicialmente um fundo de desenvolvimento regional de 20 milhões de euros para investir nos cinco concelhos do Vale do Tua, para além dos 35 milhões de euros que se prevê venha a custar o plano de mobilidade.

A agência conta com um capital social de 50 mil euros repartido pelas cinco autarquias da área de abrangência da linha do Tua, que detêm 51%, e a EDP que fica com 49%. Inicialmente, a agência vai dispor de um fundo de desenvolvimento de vinte milhões de euros. Dos quais, nove milhões correspondem à antecipação por parte da EDP de dez anos de rendas aos municípios, para projectos indutores de desenvolvimento. Somam-se mais nove milhões de euros de adiantamento para explorar e tratar o parque natural que vai ser feito à volta da barragem, sendo que a EDP fica com uma verba de 1,7 milhões para criação de auto-emprego e 500 mil euros para o funcionamento e montagem desta associação. Em troca da barragem, vão também ser investidos 35 milhões de euros para criar um novo plano de mobilidade que implica um pequeno troço de via-férrea da estação do Tua ao paredão, um funicular, dois barcos para levarem os passageiros até à Brunheda e comboio até Mirandela. Parte do investimento será assegurado por fundos comunitários, sendo a comparticipação nacional de dez milhões de euros, assegurada pela EDP.


Estávamos abertos a fazê-lo e junto com os autarcas conseguimos estabelecer um programa que vai de encontro ao desejo de todas as autarquias e no qual a EDP disponibilizou um valor na ordem dos 10 milhões de euros” confirma Ferreira da Costa, administrador da empresa, acrescentando que “foi o que achamos que deveríamos fazer pelo facto de querermos desenvolver uma região”. O autarca de Alijó faz questão de sublinhar as mais-valias desta agência dizendo que é uma solução exemplar, em Portugal em matéria de construções de aproveitamentos hidroeléctricos. “Pela primeira vez não há apenas um indemnização pelos terrenos que são ocupados, há uma estratégia de desenvolvimento para todo o vale do Tua articulado entre poder locais, regionais e centrais e entre a empresa que vai fazer este empreendimento” refere Artur Cascarejo, acrescentando “foi feito o levantamento de um conjunto de projectos que com este investimento podem ser alavancados em termos de fundos comunitários”.


Já o autarca de Mirandela assume a luta perdida pela linha do Tua. José Silvano diz que agora é tempo de lutar pelas compensações adequadas para esta região. “Perdi a luta da linha a favor da barragem, agora tenho de lutar pelas contrapartidas dessa barragem” afirma o presidente da câmara, salientando que “há que defender as populações daquilo que perderam”. Os autarcas dizem que é preciso lutarem pela coesão e desenvolvimento do vale do Tua, mas o autarca de Murça já avisou que vai estar atento. “Eu lutarei para que os projectos de uma forma igualitária para todos os municípios” afirma João Luís Teixeira. Tudo aponta para que no início do Verão estejam prontos os primeiros projectos para a região do Vale do Tua. O vice-presidente da CCDRN considera que esta agencia e o resultado de um trabalho meritório dos autarcas da região e que agora é preciso saber aproveitar os investimentos.“Estamos a falar de valores extremamente avultados e alguns deles podem ser alavancados com envelopes dos fundos comunitários” afirma Paulo Gomes, salientando que “são transferências durante o tempo de vida da barragem que é mais de seis décadas”. O responsável acrescenta que “nós temos oportunidades únicas que permitem construir estes territórios em função dos seus valores e subunidades de paisagem que interessa privilegiar”. CIR/Brigantia

segunda-feira, 28 de março de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Defender Portugal de José Sócrates

O nosso glorioso Kim Song-il do Largo do Rato diz que quer "defender Portugal". Ora, se não se importam, eu gosto mais do slogan do António Barreto : é preciso defender Portugal de José Sócrates. Parecendo que não, é um bocadinho diferente. Este homem já mostrou - há muito - que não serve para primeiro-ministro. Aliás, como diria Coluna, "no meu tempo, este tipo nem calçava as chuteiras". E vou dar de barato a licenciatura, as casas e a TVI/PT (a TVI/PT é só por hoje). Estou a falar de governação pura e dura.

Meus amigos, a democracia não funciona sem a responsabilização de quem governa. José Sócrates é primeiro-ministro há seis anos. E, juntamente com os seus amiguinhos de governo, está no poder há 15 anos. Isto não conta? A culpa da crise é de toda a gente, excepto de Sócrates e do PS? É essa a campanha do PS para estas eleições? Como diz Manuel Maria Carrilho, nós estamos na bancarrota por causa do caminho escolhido por José Sócrates. Isto tem de ter consequências . E, não posso deixar de reforçar, o discurso de Teixeira dos Santos já é uma dessas consequências. Porquê? Porque constitui a morte ideológica do socratismo e da governação socialista tal como a conhecemos . Agora, só falta a morte eleitoral.

Ora, como se seis anos de fantasia mecanizada pelo power point não fossem suficientes, os últimos meses estão a revelar a total falta de classe e dignidade política deste indivíduo. Esta pessoa-que-por-acaso-é-primeiro-ministro preparou em segredo o documento mais importante dos últimos anos, revelando uma total desconsideração pelas instituições democráticas. Para que não existissem dúvidas a este respeito, Sócrates abandonou o parlamento durante o debate mais importante em décadas. Portanto, já não é uma questão de opinião, é um facto: José Sócrates não é um democrata, é um homem com tiques de tiranete. Depois, a par deste nepotismo socialista, todos os dias aparecem notícias que indicam uma enorme incompetência ou um enorme nepotismo na gestão das contas públicas. Um exemplo: nesta altura, logo nesta altura, José Sócrates autorizou autarcas e ministérios a gastar mais por ajuste directo . Que beleza. Que classe. Expresso

sábado, 26 de março de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego

Todos os partidos políticos afirmam que a saída da crise (para além de outras medidas como a redução dos serviços e funcionários públicos) reside no desenvolvimento económico dos diversos sectores. Os conservadores dão a entender que a solução está em repor as actividades que existiam, entretanto destruídas,' segundo eles, sobretudo por causa da U.E. e de políticas erradas.
Vejamos, com algum cuidado, a evolução dos principais ramos: agricultura, indústria e serviços.
Quanto à agricultura, ela tem evoluído, no interior, ao longo dos anos, de uma actividade de subsistência para uma quase agricultura moderna, com um cariz muito semelhante ao sector industrial: mecanização, redimensionamento das empresas, cálculo contabilístico.
O que fez mudar a agricultura? Abandono propositado dos poderes públicos?
Parece-me ter sido, sobretudo, o abandono para o estrangeiro e para o litoral de grande parte da população rural, que não conseguia melhorar o seu nível de vida na maneira bucólica de viver, de que tanto gostava e de que todos os anos ainda agora mata saudades nas férias, a causa principal da mudança.
Estamos, no momento presente, a dar, sem querer, a estocada final no moribundo mundo rural e a paulatinamente provocar o advento do novo mundo: têm aparecido culturas já modernas mas ainda há muita coisa votada ao abandono sem se saber por enquanto qual o destino a dar-lhe.
Mas teremos, de futuro, um redimensionamento da propriedade e a introdução de novas iniciativas, que trarão, com certeza, uma nova agricultura.
O emprego, no entanto, limitar-se-á a ser sazonal ou contínuo mas diminuto.
Não dará, de certeza, para aumentar a população e para revitalizar as freguesias.
Manter-se-ão certos agregados urbanos de uma dimensão razoável, onde as pessoas viverão e de onde se deslocarão para tratar das explorações agrícolas.
Não haverá, de modo algum, um retroceder aos tempos antigos como solução dos problemas do interior.
Fiquemos hoje pela agricultura.

João Lopes de Matos

Daqui e dali... Henrique Raposo

A culpa é de Sócrates, e de mais ninguém

De uma forma um tanto despudorada, está em curso uma narrativa mui científica, a saber: todos os partidos são responsáveis pela actual crise económica e financeira. É como se a nossa crise económica tivesse sido provocada na última semana e não nos últimos 15 anos. E como é bonito ver comentadores a usar aquele cliché taberneiro do "são todos iguais". Que beleza. Que bela forma de diluir as culpas de Sócrates e do PS. Sócrates está no poder há seis anos, o PS governou os últimos 15 anos (perdão: governou, vá, uns 85% dos últimos 15 anos), mas a culpa é de todos, a culpa também é do PSD e do CDS, e, já agora, do BE, e do PCP. O POUS também tem culpa?

Em 2009, numa total negação da realidade, Sócrates venceu eleições prometendo mais Estado, isto é, mais endividamento do Estado, isto é, mais dívida do Estado. Era o TGV, era o Aeroporto, era o cheque-bebé, era jogar dinheiro público (ou melhor, dinheiro dos credores) para cima de tudo o que mexia. Antes das eleições, no momento mais populista de todos, o PS baixou o IVA e aumentou em 3% os funcionários públicos. Durante todo este período, Sócrates insultava todos aqueles que criticavam estas medidas. Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas eram retrógrados, bota-abaixistas, inimigos da modernidade (o meu favorito).

Na quarta-feira, sem admitir os erros, Teixeira dos Santos adoptou o discurso económico de Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas . Mas não sei, vejam lá, se calhar a culpa é do PCTP-MRPP.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O rasto de Sócrates

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Manuel Maria Carrilho

Humildade e verdade

Humildade e verdade são, a meu ver, os parâmetros essenciais para se ultrapassar o difícil momento que o País que está viver. Humildade, porque é preciso reconhecer que a situação actual é o resultado de alguns graves erros cometidos nos últimos anos, sobretudo desde a Primavera de 2008, quando a crise se anunciou em toda a sua gravidade, e desde o Outono de 2009, quando se arriscou a constituição de um governo minoritário. E verdade, porque só com uma exigente autenticidade sobre a nossa situação e as suas principais causas se conseguem repor as condições de credibilidade, de coesão social e de eficácia, que são nucleares para se dar a volta à situação.

É um momento de não retorno, seja qual for o destino parlamentar do chamado PEC IV, cuja rejeição é dada como certa no momento em que escrevo (quarta-feira de manhã). E também de balanço: do balanço de um reformismo que teve na mão, em 2005, a rara oportunidade de conduzir uma mudança histórica no nosso país, em condições de absoluta excepção. E que não o conseguiu porque cedo trocou o diálogo pela arrogância, a comunicação pela manipulação e o reformismo pelo "agitismo", numa infeliz espiral de generalizada incompetência, onde se desperdiçaram as melhores energias.

De resto, seria bom perceber que a generalizada erosão que atinge hoje a legitimidade da política e a credibilidade dos partidos se deve sobretudo a isto: à crescente percepção popular da sua extraordinária incompetência, bem como da incompetência - e quantas vezes do negocismo -, das elites que lhe estão mais associadas. E há momentos em que a incompetência se pode tornar num risco para a própria democracia.

A crise internacional - do subprime, do euro - teve, claro, o seu papel, e ele foi de relevo. Mas, sobretudo, ela expôs e intensificou o que até aí tinha sido desvalorizado ou ocultado pelo optimismo oficial. Agora, enfrentamos a mais difícil crise das últimas décadas, começa a ser preciso recuar mesmo muito tempo para se encontrarem dados tão preocupantes como os que temos hoje em domínios como os da falta de crescimento (90 anos), da dívida pública (160 anos) ou do desemprego (80 anos).

É por isso que digo que, para se poder avançar para um futuro diferente, precisamos de uma ética da responsabilidade assente na humildade e na verdade. É com humildade que é preciso reconhecer que o programa que venceu as legislativas de 2009 foi, na realidade, abandonado há muito. Basta lembrar que nele não havia nem aumento de impostos, nem atrofia das prestações sociais, nem corte de salários. E que, bem pelo contrário, o que se prometeu foi um crescimento alavancado num investimento público que, simplesmente, se esfumou...

Manuel Maria Carrilho, DN

quarta-feira, 23 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Abraço ao Tua – Dia 27 de Março pelas 15h – na Foz do Tua

Na Foz do Tua, os cidadãos pela defesa da Linha e Vale do Tua querem mostrar que HÁ VIDA NO TUA e apelámos a todos a participar no ABRAÇO DE SOLIDARIEDADE com as pessoas que vivem na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro e que dependem deste Bem Comum.

O que se disse... Daniel Oliveira

«O debate político português resume-se, hoje, à credibilidade ou falta dela de José Sócrates. É assunto. Não tem nenhuma.»
Daniel Oliveira, Expresso

sexta-feira, 18 de março de 2011

O que se disse... António Costa

«A comunicação do ministro das Finanças da passada sexta-feira ficará certamente para a história como a mais desastrada e desastrosa que alguma vez foi feita em Portugal, se não mesmo no hemisfério Norte, de todos os pontos de vista»
António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, SIC Notícias

Daqui e dali... João Cândido da Silva

Sócrates quer companhia na queda

Na história que conta a batalha pela sua sobrevivência política, José Sócrates está disposto a fazer tudo. Mas o que não fez nos últimos dias é tudo menos irrelevante.

Surpresa não é uma palavra que se possa adequar às quebras de lealdade política e institucional que o primeiro-ministro protagonizou. Está na sua natureza decidir sem dar explicações, contra tudo e contra todos, enquanto finge abertura ao diálogo, sentido de Estado e consciência das responsabilidades que carrega sobre os ombros. É sabido que Sócrates se auto-intitulou como "animal feroz" mas o que alguém já lhe devia ter explicado é que há cargos que não se compadecem com a lei da selva.

Depois de ter esbanjado tempo e recursos na negação da crise para que Portugal caminhava a passos largos, José Sócrates empenha-se agora num único objectivo: evitar que a ameaça de insolvência que pende sobre o País seja resolvida com um pedido de ajuda ao FMI. Um assunto que devia ser tratado como matéria de Estado, e com a necessária frieza, está transformado, há longos meses, numa questão pessoal. E o plano em que o primeiro-ministro se colocou leva-o a esquecer-se de compromissos com quem lhe deu a mão, assim como o cumprimento de deveres inescapáveis no quadro daquilo que é o normal funcionamento das instituições democráticas.

Ir a Bruxelas prometer medidas adicionais de austeridade em troca da definição de um esquema de apoio europeu que contorne a necessidade de chamar o FMI é legítimo. Fazê-lo sem falar com o parceiro político que respondeu aos apelos de estabilidade em fase de crise aguda já é arrogância e desprezo. Fazê-lo, também, sem prestar quaisquer contas ao Presidente da República é uma declaração de guerra, leviana, inútil e, ainda para mais, contrária aos objectivos que Sócrates diz perseguir.

Concentrado apenas em conseguir sair da embrulhada em que se enfiou e para onde conduziu o País, o primeiro-ministro aposta tudo em deitar para cima das costas alheias o fardo da responsabilidade por uma crise política que não consegue disfarçar que até deseja. E parece ter o discernimento de tal forma obnubilado pelo futuro da sua carreira política que foi capaz de se esquecer de um simples facto. Ir comprometer-se com os parceiros europeus sem poder dar garantias de dispor de condições políticas para aplicar o novo pacote de decisões que vão espremer o pouco que ainda sobra foi o melhor caminho para arrasar com a microscópica credibilidade de que Portugal desfruta actualmente.

Na sua original conjugação entre o Calimero vítima das mais tenebrosas conspirações e o Dom Quixote que se debate contra moinhos de vento, José Sócrates gosta, de vez em quando, de expressar a sua angústia por se achar sozinho a tentar puxar por Portugal. De quem é capaz de produzir estes comoventes lamentos, esperar-se-ia que procurasse apoios, em vez de hostilizar. De quem faz estas declarações destinadas a inspirar piedade nos corações mais sensíveis, esperar-se-ia cabeça fria e cuidados redobrados. O espectáculo dos últimos dias não teve nada a ver com isto. Pelo contrário.

José Sócrates isolou-se porque acha que tem proveitos a retirar se for derrubado. Pouco lhe importa se a forma como quer quebrar arrastar o País para o precipício. Sócrates quer sobreviver sozinho mas, se não o conseguir, quer cair acompanhado. E este é o mais grave problema que Portugal enfrenta. Jornal Económico

rasca à rasca

Antero

quinta-feira, 17 de março de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Sócrates acha que somos todos estúpidos?

I. No último ano, o governo fez sempre a mesma chantagem com a oposição: "se não aprovarem isto (os PECs, o orçamento), os juros aumentam muito e Portugal deixa de ter acesso ao financiamento". Estamos a ouvir esta ladainha há quase um ano. E, além de chata, esta estória não está certa: os juros continuaram a aumentar mesmo com todos os sim do PSD. Ontem, os socialistas voltaram à carga para afirmar que os juros tinham subido por causa do não do PSD. Isto não é verdade. De novembro até agora, os juros da nossa dívida subiram por causa do quê? Por causa do aquecimento global? Porque a oposição portuguesa ainda se atreve a respirar o mesmo ar do nosso glorioso primeiro-ministro?

II. Meus amigos, os factos são estes: os juros têm vindo a subir, porque ninguém confia na competência deste governo, ninguém confia neste ministro das finanças. Em Novembro, Teixeira dos Santos dizia que a taxa de 7% não podia ser atingida (era o tecto máximo). Ora, os ditos juros já andaram a beijar os 8%. É o novo teto, sr. ministro? E repare-se nisto: antes da votação do PEC IV (p'ra semana), nós já estamos a pagar juros mais altos do que a Grécia. Repito: antes do não do PSD, nós já estamos - neste momento - a pagar juros mais altos do que a Grécia. Isto é culpa de quem? Quando é que o governo vai assumir as suas responsabilidades? Quando é que alguém deste governo vai ter a coragem de dizer "olha, errámos"?

III. A UE baixou os juros do empréstimo à Grécia para os 4.2%. E "recorde-se que nos últimos leilões de Obrigações do Tesouro de dois e dez anos, Portugal pagou um juro de 5,9% e 6,6%, respectivamente. No mercado secundário os juros continuam a bater máximos, acima dos 7,5% nos títulos de cinco e dez anos" . Perante isto, estamos à espera do quê? Por que razão este governo não faz aquilo que é melhor para o país (pedir esta ajuda)? Porquê? Porque temos um primeiro-ministro muito bravo, muito corajoso, um primeiro-ministro que está a defender Portugal da invasão do Fundo Europeu, essa Gestapo financeira (até parece que não fazemos parte da UE). Porque temos um primeiro-ministro que está apenas interessado na sua sobrevivência política. Neste momento, aquilo que é melhor para o país é também aquilo que é pior para José Sócrates. E o nosso José está a ser o José de sempre: está a escolher o seu lado. Expresso

Crise política

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Daniel Oliveira

O labirinto de Sócrates, o mitómano

Que José Sócrates tem uma relação difícil com a verdade é coisa que todos sabemos. Mas a entrevista de terça-feira ultrapassou tudo o que poderíamos esperar.

Na versão de Sócrates, o que foi apresentado e elogiado pela Europa não são mais do que propostas. É falso. São propostas fechadas. Que não foi negociado com a Europa. É falso. É a moeda de troca para garantir que o FMI não virá e que será encontrada outra forma de auxílio externo. Que está apenas a tentar precaver uma situação difícil. É falso. A situação difícil já aí está. Que está aberto a propostas da oposição. É falso. Qualquer proposta de oposição que seja mais do que um mero adereço impedira esse acordo com a Europa e, muito em especial, com a senhora Merkel.

Na terça-feira, José Sócrates fez o que faz sempre, mas de forma ainda mais despudorada: simulou uma realidade que todos sabemos só existir nas suas palavras e construiu toda a sua argumentação com base nas suas próprias mentiras. É o que fazem os mitómanos. Só não sabemos se, como eles, Sócrates acredita nas suas próprias mentiras.

As mentiras de Sócrates não fazem aumentar o défice ou as taxas de juro. Não é por temos como primeiro-ministro um homem em que a coincidência dos factos com as suas palavras só acontece por mero acaso que estamos na situação económica em que estamos. Infelizmente, a realidade é bem mais complexa do que isso. E o PEC que Sócrates apresenta, ditado pela cegueira europeia, não resolverá coisa nenhuma.

Os danos causados pelas mentiras de Sócrates são outros, e também eles graves. Primeiro: todo o processo político é, com ele, um interminável quebra-cabeças. No labirinto de mentiras que ele próprio constrói tudo vai a dar a becos sem saída. E nesses becos, esbarramos sempre com a mesma chantagem: a da crise política. O segundo: de cada vez que o primeiro-ministro fala degrada a imagem das instituições democráticas. O contrato entre um eleito e os seus eleitores depende da credibilidade do eleito. Se nunca sabemos se o homem que nos governa nos está a dizer a verdade - se temos mesmo de partir sempre do princípio que nos está a mentir -, ele perde toda a autoridade moral para nos governar. E, sendo eleito, retira com as suas mentiras autoridade à democracia. E isso é relevante. Expresso

quarta-feira, 16 de março de 2011

Público

Daqui e dali... João Lemos Esteves

Entrevista a Sócrates: nós é que não somos parvos!

1. José Sócrates está em plena pré-campanha eleitoral. Sente que o cenário de eleições legislativas antecipadas é, cada vez mais, uma inevitabilidade. Logo, colocou a sua máquina - eficaz, refira-se - de propaganda a funcionar: depois de responder a Marcelo Rebelo de Sousa na segunda-feira (em declaração ao país marcada para as 20h - hora de abertura dos telejornais), o nosso primeiro-ministro deu ontem uma entrevista à SIC. Em rigor, não foi o primeiro-ministro quem esteve ontem nos estúdios de Carnaxide: foi apenas o secretário-geral do PS, José Sócrates. O seu objetivo passa apenas por aguentar-se no poder o mais possível - e falar pouco da situação (real!) de Portugal. Dito isto, pergunta-se: como correu a entrevista? Há dois planos de análise: na forma e no conteúdo.

1.2. Na forma, eu qualifico a entrevista como positiva para José Sócrates. Apesar das contingências do Governo e do país, José Sócrates apareceu com ar dinâmico, não aparentou cansaço (e nisto a TV costuma ser letal), resposta breve, pronta e rápida. Se tivéssemos acabado de chegar a Portugal, até diríamos que o primeiro-ministro transmite confiança aos portugueses. A jornalista, Ana Lourenço, é encantadora, uma excelente profissional e uma reputada entrevistadora - embora pouco assertiva nas perguntas (por vezes), deixando espaço ao entrevistado para explanar longamente seus raciocínios (e discursos ensaiados). Neste sentido, José Sócrates sentiu-se como peixe na água: ele é um produto mediático, construído com muito marketing e uma máquina de propaganda eficaz. Reconheço que, na forma, foi de longe a melhor entrevista do primeiro-ministro desde há muito tempo.

1.3. Já no conteúdo é que surgem os problemas insanáveis para José Sócrates. É que o Governo chegou a um ponto em que o desnorte é total: não sabe que rumo seguir e nem sequer consegue justificar o seu trabalho, o que faz ou o que diz! O Governo - todos os dias - desacredita-se a ele próprio! O que ficou então da entrevista em termos substanciais? Duas confirmações, uma pseudo-novidade e uma piada de mau gosto.

1.3.1.Duas confirmações: as próximas semanas ficarão marcadas pela vitimização do PS. José Sócrates quer transmitir a ideia de que só a união nacional em torno das medidas de austeridade por si apresentadas, por encomenda de Angela Merkel, defendem o interesse nacional. Mais: ao afirmar que nem sequer pondera que o PSD não viabilize o novo PEC, José Sócrates atira a batata quente para Passos Coelho, apelidando-o de irresponsável e mesquinho por se enredar nos interesses meramente partidários. O primeiro-ministro fez ainda saber que não apresentará nenhum pacote de medidas em Bruxelas se não for o seu. Isto tem um nome: chantagem. José Sócrates está a fazer chantagem com o PSD e - muito mais grave! - com o país. Ou é o pacote de medidas que ele unilateralmente definiu; ou não é nada. Na escola primária, as nossas professoras diziam que chantagear era feio. Para o nosso primeiro-ministro, chantagear é a sua única forma de estar e fazer política, nem que tenha de prejudicar o interesse nacional.

Por outro lado, José Sócrates teve o descaramento de admitir que não ouviu os partidos da oposição, nem tinha de o fazer, pois a sua função não era ficar parado. Confirma-se que José Sócrates tem uma visão peculiar da democracia: quem não é por ele, é contra ele e contra o país. Ouvir os partidos - que amanhã poderão constituir governo e aplicar as medidas de austeridade com que se compromete internacionalmente Portugal - é uma maçada monumental... Com a agravante de José Sócrates liderar um Governo minoritário que sabia que teria de negociar - pelo menos - com o PSD. Isto não é ser lunático e irresponsável?

1.3.2.Uma pseudo-novidade: José Sócrates vai recandidatar-se. Percebe-se: ser primeiro-ministro foi um sonho concretizado para si. Agarrou-se de tal forma ao poder que só sairá forçado - ainda que arrisque uma derrota impiedosa. Não é novidade: José Sócrates acha-se o "primeiro-ministro Sol", que incorpora o interesse nacional e tem um direito divino a governar. Até ao dia em que os portugueses o vão desmentir...

1.3.3. Piada de mau gosto: então não é que José Sócrates - com ar blazé - diz compreender a Geração à Rasca? Lágrimas de crocodilo: o seu Governo agravou drasticamente as oportunidades da juventude portuguesa. No presente e no futuro. E foi o partido de José Sócrates que, na última década, mais ajudou a afundar Portugal. Continuamos no pântano...mas ninguém é responsável. Claro...
João Lemos Esteves, expresso

Câmara de Carrazeda entrega escolas desactivadas

A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães assinou ontem com mais de duas dezenas de instituições do concelho os protocolos de cedência das escolas primárias desactivadas.
São maioritariamente juntas de freguesia, mas também há associações, clubes e centros sociais e paroquiais.
O presidente da Câmara entende que esta foi a solução para não deixar degradar aquele património “e pô-lo ao serviço da populações”. A utilidade que terá “depende muito do projecto de aproveitamento que cada instituição apresentou” refere José Luís Correia.
Em alguns casos, as instalações das escolas desocupadas já estavam a ser utilizadas ao abrigo de anteriores protocolos.
É o caso da de Foz-Tua.
Já há algum tempo que nós tínhamos requisitado a escola à câmara. Já está a funcionar como associação e todos os sábados temos um grupo de ATL com as crianças do Tua” explica Artur Sequeria, do clube local.
Também na Brunheda o clube da terra já estava a utilizar a velha escola para centro de convívio.
É para o pessoal da aldeia porque não temos nada em termos de cafés” adianta Carlos Pinheiro. Uma iniciativa para ajudar “as pessoas a passar o tempo”. “Já lá gastámos quase quatro mil euros em renovação de portas e janelas” salienta.
O presidente da Câmara de Carrazeda revela que há três escolas que não entraram no pacote de imóveis cedidos.
A escola de Seixo de Ansiães, uma de Castanheiro de Norte e a de Linhares” revela o autarca, acrescentando que “vamos prepará-las para se tornarem centros de convívio e de lazer para as populações porque são aldeias bastantes grandes e não tem qualquer IPSS que já deveriam ter há alguns anos”.
Ao todo foram cedidas 26 escolas desactivadas a juntas de freguesia, associações, clubes e centros sociais e paroquiais.
O protocolo vigora por um período de 10 anos e a título gratuito.
CIR/Brigantia
Público

terça-feira, 15 de março de 2011

Governo prepara redução do IVA para o golfe

Sócrates foi sensível a argumentos do sector. Praticantes poderão pagar apenas 6% de imposto, em vez dos 23% actuais. Solução passará por nova interpretação da lei
Os campos de golfe deverão voltar a ser tributados à taxa reduzida de IVA, de 6%, em vez dos 23% que são obrigados a praticar desde o início do ano, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado (OE) para 2011. A mudança surge num momento em que o Governo prepara medidas de austeridade que também atingirão o IVA, mas será feita à margem delas, e dispensará inclusivamente qualquer alteração legislativa: passará por uma informação vinculativa do Fisco a estabelecer uma nova interpretação jurídica para a lei agora em vigor. (...)Jornal de Negócios

Expectativa gorada

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Henrique Raposo

Drama Queen (aka José Sócrates)

I. Eis o resumo do discurso do nosso glorioso primeiro-ministro: "há maus lá fora, e há traidores cá dentro. O mundo está cheio de conspiradores que põem em causa Portugal e a minha governação". Ou seja, assistimos a uma espécie de aplicação da tese da cabala à política internacional. Perante este show de populismo básico e venezuelano (no sentido telenoveleiro), a pergunta é só uma: José Sócrates acha mesmo que todos os portugueses são idiotas? É que, ainda por cima, o homem faz este drama como se tivesse chegado ontem ao poder. Este indivíduo fala como se não fosse primeiro-ministro desde 2005. A culpa, ora ora, é sempre dos outros: ou do FMI, ou dos mercados, ou da extrema-esquerda, ou da direita. A culpa nunca é do PS que está no poder há 15 anos. Pois claro: o PS é sempre bom e senhor da verdade, mesmo quando enterra o país.

II. Neste momento, José Sócrates só tem uma arma: o nacionalismo serôdio. A esquerda moderada está assim reduzida a uma lógica "temos de parar os maus que vêm de fora". Agora, nem vale a pena explicar que não é o FMI que vai entrar, mas sim o FEEF, ou seja, a UE. Agora, só vale a pena dizer que o nacionalismo mais básico é o que resta ao PS. Um nacionalismo que assenta numa tática bushista: "ou estás comigo, ou estás contra mim; se não estás comigo és um traidor à pátria". Que beleza. Sócrates não comunica ao país o PEC IV, mas os outros é que são traidores. Que beleza. Os juros da nossa dívida estão na casa dos 7% e 8%, mas ele diz que está a salvar a pátria. Que beleza. Recusa-se a pedir ajuda ao FEEF a juros a 5%, porque é bom andar a colocar dívida a 8%. Uhm, sabe tão bem. Obrigado, José. Obrigado por colocares a tua sobrevivência política à frente do dinheiro de todos os portugueses.

III. Este indivíduo-que-por-acaso-é-primeiro-ministro vai cortar ou congelar a reforma do meu padrinho (uns míseros euros), mas não é capaz de acabar com o TGV. E depois ainda diz que aqueles que o criticam são traidores da pátria. Caro José Sócrates, eu, como mísero traidor da pátria, já nem sei o que te diga. Expresso

segunda-feira, 14 de março de 2011

PEC de feijão com espinafres

Henrique Monteiro

Linha do Douro: Associação transfronteiriça iniciou a limpeza da linha que ligava o Porto a Salamanca

Cerca de três dezenas de voluntários portugueses e espanhóis iniciaram no passado fim-de-semana a limpeza de um troço da linha de caminho de ferro que liga as estações de Fuentes de San Esteban (Espanha) e o Pocinho (Vila Nova de Foz Côa).
Esta primeira intervenção levada a efeito pela Associação transfronteiriça Todavía teve início na localidade de Lumbrales (Espanha) estando programada a conclusão dos trabalhos de limpeza e desobstrução da via para o próximo mês de Abril.
O representante espanhol da associação Todavía, José Herrero, disse que as instituições e governos ibéricos não encontraram uma saída para o futuro da linha e por esse motivo teve se mobilizar a sociedade civil de ambos os lados da fronteira para se encontrar uma solução para dar vida à via.
Nem a chuva que se faz sentir demoveu os voluntários de levarem a efeito um trabalho que consideram “cívico” de “enriquecimento cultural e turístico” de uma região afastada dos centros de decisão como Madrid ou Lisboa.
No projecto de revitalização da ferrovia colaboraram pessoas sem interesses económicos ou pessoal, apenas se movem utilizando as suas máquinas e ferramentas para transformar uma legado histórico num ponto de interesse cultural e turístico,” salientou o responsável.
Os defensores da ferrovia do Douro que fazia a ligação entre o Porto e Salamanca garantem que não querem com as suas acções “denunciar” nada, mas apenas “actuar em defesa do património ferroviário".
A ideia passa por abranger todo o traçado de linha férrea entre Fuentes de San Estaban-Lumbrales-Barca d’Alva- Pocinho- Estação do Côa.
Há uma série de pequenos veículos movidos a energia solar, a pedais ou até mesmo a outros tipos de combustíveis” que poderão ali circular sem obrigar a grandes intervenções nos túneis ou outras obras de arte” garantiram os responsáveis da associação Todavía.
A região transfronteiriça do Douro internacional esta dotada de verdadeiras “obras de arte do testemunho deixado pelos impulso dos caminhos-de-ferro”, mas também “por obra da natureza”.
São estas vertentes que terão de ser aproveitadas no futuro para fazer convergir à região transfronteiriça do Douro, um desenvolvimento sustentável tão necessário,” defendem os partidários da via transfronteiriça.A linha do douro ente Fontes de San Esteban e o Pocinho tem cerca de 20 quilómetros e extensão estando desactivada há mais de duas dezenas de anos. RBA

domingo, 13 de março de 2011

Sócrates "à rasca"

Henrique Monteiro

Adaptação moderna de "Os Lusíadas"

I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana,
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II
E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas.
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III
Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano.
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV
E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

Autor desconhecido

sexta-feira, 11 de março de 2011

Exposição " Rótulos e Cartazes do Vinho do Porto" - Pombal - 13 de Março


A Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães tem o prazer de convidar V. Exa para a inauguração da Exposição " Rótulos e Cartazes do Vinho do Porto" no dia 13 de Março pelas 16 horas, em Pombal de Ansiães. Pelas 15 horas será servido na nossa sede, um Porto de Honra.

Daqui e dali... Tiago Mesquita

Também está "à rasca" senhor primeiro-ministro?

Estou preocupado. Pareceu-me ver o primeiro-ministro, sempre tão bem disposto, algo abatido durante o discurso de tomada de posse do Presidente da República. Estarei enganado? Vi-o atrapalhado como não se via há muito. Talvez desde o incidente "corninhos de Pinho" em plena AR. Estava visivelmente Incomodado. Desconfortável. Vi um homem enfiado na cadeira, que se um buraco tivesse teria desaparecido. Um homem farto dele próprio. Desacreditado e pouco credível. Já nem o próprio acreditará na sua versão de otimismo surrealista. O país de José não é Portugal. O país do primeiro-ministro é o país que ele próprio criou. O desgoverno onde governa sem tolerar contestação. Onde o protesto é visto como radicalismo. A crítica à sua mais do que óbvia incompetência é vista como discurso sectário, populista e demagógico. A sociedade civil não é tida nem achada, é usada. Os cidadãos são números e os números são um jogo com que se vai brincando, jogando descaradamente com a vida e futuro das pessoas.

Vi-o sorrir. O Presidente falava dos jovens e para os jovens, olhou para o lado, para o siamês que o acompanha para todo o lado, disse algo e sorriu. Este sorriso disse tudo. O olhar comprometido, perdido no vazio. Fez lembrar a versão "Zangado" dos sete anões. Os aplausos que iam acompanhando as muitas verdades debitadas pela nova versão de um mesmo Presidente, que largou o "jarrão da Vista Alegre" style e passou num ápice a líder revoltoso de uma população açaimada, acossada e enraivecida, foram autênticas pedradas a baterem no seu ego gigantesco. Derrubando-o, aos poucos. A raiva era muita e visível. Espumava.

O nervosinho no estômago que sentira dias antes ao ver meia dúzia de jovens interromperem um discurso em Viseu estava ali novamente, presente e a atormentá-lo. Tentou gracejar, mas sem graça. Tentou dar a volta, mas há alturas em que não há grande volta a dar. Eram poucas vozes. Calaram-se. Mas elas vão-se juntando. Aumentando o coro. Fazendo eco um pouco por todo o lado, até serem milhares. Muitos milhares. Milhares que vão visitá-lo. Milhares na rua. Vai sorrir agora? Vai gracejar para o lado? Vai fingir que não existem no seu mundinho? Não vai ouvir estas vozes? E hoje, em Bruxelas, vai agir como se nada se passasse no país que ainda governa?

Amanhã é dia 12, e agora pergunto-lhe senhor primeiro-ministro, também está "à rasca"?
Expresso

O bom conselheiro

Henrique Monteiro

quinta-feira, 10 de março de 2011

IVA pode travar doação de alimentos

A lei obriga os restaurantes que queiram doar refeições a quem precise a pagar IVA. O constrangimento pode hipotecar a campanha "Direito à alimentação", lançada faz hoje três meses com apadrinhamento de Cavaco Silva, mas ainda por cumprir no terreno, noticia o “Jornal de Notícias”.´
A ideia surgiu no seio da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), depois de uma petição contra o desperdício alimentar em restaurantes e cantinas questionar a ida para o lixo de toneladas de alimentos (35 a 50 mil refeições diárias), quando há gente com fome.
A AHRESP quis ir mais longe: reunir os interessados e oferecer pratos do dia, numa acção que envolve instituições de solidariedade, organizações não governamentais e autarquias. Mas a exigência de pagamento de IVA arrisca a fazer com que o projecto morra na praia. Económico

O discurso do Presidente

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Carlos Fiúza

O “discurso” da dor

Além da vantagem de nos fazerem pensar que a vida são dois dias e que este edifício corporal que nos envolve tem de ir abaixo algum dia pelos serviços de urbanização da Câmara Universal, as doenças podem dar-nos, por vezes, outras vantagens inesperadas.
Por exemplo, a mim as doenças deram-me isto: assunto de interesse filológico-filosófico.
Venho, assim, falar da saúde e mais ainda da falta de saúde ou doença.
Escusado será definir saúde. Todos sabem o que ela é, e melhor a conhecem os que por ela aspiram e suspiram.
Saúde quer dizer, na essência, a salvação. A salvação de que? A salvação da vida, plena e feliz.
A saúde é a conservação da vida. O estado daquele que se encontrava salvus, isto é, salvo, inteiro, incólume do mal, são, era em latim salus.
Porque é que em português se interroga: “Como vai essa saúde?”. E porque é que se diz: “Boa saúde?”. Porque já no latim salus podia admitir o sentido de bom ou mau estado.
Quando falta a saúde, vem a chamada doença substitui-la.
Se há palavra triste, antipática, temida, essa palavra é doença. Feia pelo que traduz de multidão de males, cortejo de sofrimentos, rio de dores. A doença é como que a personificação do castigo de viver sofrendo.
Doença prende-se com dolens, dolentis, o que sofre, o que sente dor física ou moral.
Vemos assim que no português a palavra antónima de saúde, a doença, contem a ideia predominante de dor.
O nosso Luís de Camões que adjetivou a doença de “pálida”, falou da frialdade do seu toque e esta qualificação é expressiva:
A pálida doença lhe tocava
Com fria mão o corpo enfraquecia
.”
Estes versos camonianos (Os Lusíadas, III, 83) exprimem bem com duas simples palavras (pálida doença … com fria mão) toda a impressionante imagem do sofrimento que nega ou arrefece a vida.

E até se diz: “Boas melhoras”.
Indagarei: haverá melhoras más? Se são melhoras, a que vem o “boas”, com dizer-se “boas melhoras”?
De facto, o dito - Boas melhoras, se arrelia a arrelienta gramática, não arrelia a lógica e a triste verdade da vida, na qual há, de facto, - “boas melhoras” e há as melhoras falsas, ilusórias e, portanto, más.

Mas a doença toca a todos.
E, quando o esqueleto não é bem servido pelas carnes que o envolvem, em geral pede cama, para descansar, porque as forças escasseiam e a posição horizontal, terra a terra, é a mais cómoda.

Estamos doentes, dizem-nos… o País está doente.

Assim o soube pelo “discurso da dor” do Presidente do meu País…
…assim me foi dito que a “doença” minava esta minha Pátria.

Mas o que não me foi dito (mas que fingi ouvir) é que a doença que a todos nos corrói é só de corpo, não de espírito.

A maior riqueza desta vida é a saúde e a maior pobreza a doença.
Pois conservemos a riqueza da saúde espiritual, já que a material está cara muita vez.
Carlos Fiúza

quarta-feira, 9 de março de 2011

Geração à rasca

Henrique Monteiro

Pai da Fartura foi condenado e executado em Carrazeda de Ansiães

Mais uma vez cumpriu-se a tradição de Entrudo em Carrazeda de Ansiães: O pai da fartura foi julgado, condenado e rebentado em público. Antes, ouviu o juiz Hernâni Sousa descarregar sobre ele as culpas de todos os males que assolam o país e, sobretudo, os do concelho de Carrazeda.
Eis alguns exemplos:
Ó Entrudo, alarga, alarga/ o cemitério do Toural/ o povo fica contente/ e ninguém leva a mal. (…) Ó povo de Carrazeda/ que morte tão bela tens/ em vez de serdes enterrados na terra/ ides ser afogados como cães. O Centro Cívico de Carrazeda/ parece a obra de Santa Ingrácia/ queira Deus que um dia destes/ não haja uma desgraça. Tantos críticos de bancada/ tantos mirones ao sol/ ninguém tem os coisos no sítio/ para restaurar o futebol.”
O presidente da Câmara de Carrazeda, José Luís Correia, assistiu ao cerimonial, mas não tomou as dores do pai da fartura:
Acho que não há grande razão para isso, nós estamos a fazer tudo o que podemos. Quem faz o que pode não tem razões para ser condenado”, defende o autarca. Depois de pouco mais de 10 minutos de sentença, o pai da fartura lá foi condenado a rebentar:
Ele está aqui para ser julgado/ perante todos nós/ porque já é uma tradição/ desde o tempo dos nossos avós. Não tenham pena dele/ deste grande gabiru/ com um morteiro dos grandes/ bem enfiado no c*. Com o seu fato domingueiro/ todo cheio de botões/ vai dar tamanho estouro/ vão-lhe rebentar os… calções.”
O rebentamento do pai da fartura concluiu as actividades do dia de Entrudo em Carrazeda de Ansiães, que à tarde teve um cortejo bem participado.
CIR/Brigantia

sexta-feira, 4 de março de 2011

Os punidores

Henrique Monteiro

Condutores melhor comportados terão prémios no Carnaval

Os condutores mais bem comportados vão ter este ano algumas surpresas.
A GNR e a Associação Nacional de Empresas de Bebidas Espirituosas, a ANEBE, fizeram uma parceria para premiar os mais bem comportados.
A acção decorre em todas as capitais de distrito.
O capitão João Oliveira, do destacamento de trânsito da GNR de Bragança, adianta que os condutores entre os 18 e 30 anos com 0% de álcool que forem detectados nas acções de fiscalização serão premiados com vales de prémios.
Solicitaram-nos que caso os condutores apresentem taxas negativas sejam distribuídos panfletos informativos e uns vales que, depois de registados no site deles, dará direito a um prémio” explica.
Aos condutores serão entregues vales que poderão ser activados no site
www.100porcentocool.pt.
Os prémios podem ir desde senhas de desconto de 20 euros em combustíveis BP, descontos numa cadeia de ginásios, no ACP e em lojas de material de escritório.
Esta acção decorre na madrugada de domingo em vários pontos do distrito de Bragança.
Mesmo assim, e tendo em conta as previsões de temperaturas negativas e possível queda de neve durante o fim-de-semana, a GNR pede especial atenção aos condutores.
Será sempre uma atenção à velocidade, não conduzir se ingerir bebidas alcoólicas, respeitar os outros e ter uma condução defensiva” sublinha.
A operação Carnaval da GNR termina na próxima terça-feira.
Brigantia

quinta-feira, 3 de março de 2011

Daqui e dali... Tiago Mesquita

Temos uma "Geração Rasca" de políticos?

O termo "Geração Rasca" nasceu de um editorial de mesmo nome de Vicente Jorge Silva, publicado em 1994 no Jornal Público, isto por altura das manifestações estudantis contra as políticas educativas e contra o aumento das propinas pelas universidades. E esta geração, apesar do epiteto que perdurou até hoje, conseguiu mudar muita coisa.

Vejo os políticos portugueses, tanto o governo como os partidos da oposição, falarem em nome dos portugueses como se deles fossem proprietários, ou como se a razão e voz destes lhes pertencesse por inerência ao cargo para que foram eleitos. Os políticos são os representantes do povo, não os donos do seu julgamento. Quando tudo corre mal a oposição aponta o dedo ao governo, mas quando o governo transitar para a oposição o mesmo irá suceder. Apontam-se dedos no sentido contrário. E os dedos são sempre os mesmos. Há tantos anos. Alternam entre empresas públicas e cargos ministeriais, depois partem para a administração das grandes privadas acontecendo por vezes voltarem ao governo. Não será esta forma de estar da maioria dos políticos um bocadinho "rasca"?

E isto leva a uma pergunta que eu não vejo ninguém ou quase ninguém fazer: será que temos uma geração "rasca" de políticos? A fraca qualidade da classe política não será uma das justificações para o estado a que chegámos? Não ajudaria a explicar tanto do que se tem passado neste país. Não generalizando, há honrosas excepções, mas não estarão grande parte dos nossos políticos mais preocupados em servirem-se do cargo do que propriamente servirem e zelarem pelos interesses dos cidadãos que representam?

Alguns exemplos: a saúde está falida mas temos alguns dos melhores médicos e serviços do mundo. A educação nunca foi tão discutida e contestada, cortes nas bolsas, fecho de escolas por atacado, avaliações de professores inacreditáveis e carreiras docentes em risco ou inexistentes mas no entanto temos excelentes professores. Formamos cidadãos, preparamo-los para enfrentar o mundo mas neste pequeno canto do mundo não têm qualquer futuro. Temos polícias sem dinheiro para atestar a viatura.

Gastamos milhões em submarinos e somos gozados pelos americanos: "Só o orgulho visceral por um passado marítimo explica a compra dos submarinos". Eu também sinto uma forte ligação ao mar e não vou a correr comprar uma ilha, não tenho dinheiro para isso e mesmo que tivesse seria um idiota. A Justiça anda pelas ruas da amargura, mas não temos bons magistrados? Não há nada de errado com o povo português em geral, muito pelo contrário. E os políticos que nos governaram em particular nestes últimos 15 anos? Estão de parabéns? A verdade é que há políticos muito "rascas". E temos tido alguns exemplos disso.

Na minha opinião o problema passa pela necessária renovação da classe política. Acabar de vez com os políticos de carreira e trazer da sociedade civil gente capaz e descomprometida, com ideias novas e principalmente sem precisarem da política para trepar ou para se sustentarem enquanto o elevador não chega. Gente que sirva a política e não se sirva da política. Expresso

Desfile de Carnaval das Escolas - 2011

O Município de Carrazeda de Ansiães e o Agrupamento de Escolas promovem no dia 04 de Março – sexta-feira, a partir das 14:30h, pelas principais artérias da vila, mais uma edição do Desfile de Carnaval das escolas do concelho. Neste desfile participarão as crianças do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães, Escola Profissional de Ansiães, jardim-de-infância do Centro Social e Paroquial de Fontelonga, e jardim-de-infância da Santa Casa da Misericórdia de Carrazeda de Ansiães. Esta iniciativa pretende dinamizar o tradicional desfile de Carnaval das escolas, incitando à imaginação, criatividade e espírito carnavalesco.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Óscar de melhor execução orçamental

Daqui e dali... Fernando Sobral

O grande reciclador

José Sócrates não cria, recria. Conseguiu transformar o Governo numa central de reciclagem.
O primeiro-ministro pilha o passado para recriar o presente e transformar o futuro numa ficção. Nas vésperas de ir prestar contas a
Angela Merkel, como um aluno tresmalhado, Sócrates continua a ter a invulgar capacidade de anunciar novidades que já o foram há meses. Ou seja, o marketing é hoje a única política real do Executivo.
Este Governo é a nova versão do restaurador Olex. O seu único objectivo é iludir a realidade. O drama de Portugal começa a ser óbvio: o gestor do Estado é alguém que paira sobre a realidade e a confunde com um concurso de pirotecnia criativa. Os sucessivos estágios para jovens, aos 50 mil de cada vez, que anuncia ciclicamente, e que são sempre os mesmos, mostra que anunciar projectos é a única actividade governamental.
Sócrates tornou-se o multiplicador de ilusões. Com o cerco financeiro ao País cada vez mais visível, o Governo vive a sua fase psicadélica. É uma atitude simpática, com a diferença que não estamos na década de 60 nem o Governo é um digno sucessor dos Merry Pranksters de Ken Kesey. Portugal precisa neste momento de ter um Governo que resolva os problemas que herdou e expandiu e não um grupo de criativos.
A difícil situação económica e financeira (e qualquer dia social) não se resolve com marketing e publicidade. Ao perderem o sentido da realidade, José Sócrates e o Governo estão a tornar o Estado português numa câmara de eco. Só que frases muitas vezes repetidas não se transformam em verdade por obra da reciclagem. Fernando sobral, Jornal Económico

Vêm aí novos cortes

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Símbolos, imagens e figuras

Todos quantos se interessam pela arte expressional escusam de se esfalfar a discutir transcendentes problemas de estilo, em ordem a descobrir qual a forma preferida para se traduzir o que se passa.
O remédio é simples - basta aprender no mecanismo das frases populares os verdadeiros segredos da expressão.
Ditos de todos os dias, de todas as horas, de todos os lugares onde se faz ouvir a fraseologia criada pelo génio verbal do povo, são excelente escola de arte da palavra.

Ao preparar-me para coligir estes apontamentos, uma “figura” me assaltou a mente:
- “Anda daí depressa, rapariga. Vê se te mexes. És mesmo uma morte em pé!”
Este “dito” recordou-me outra dição portuguesa, notável pelo arrojo da imagem, e de grande poder expressivo:
- “És boa para ir buscar a morte!”

Na língua portuguesa a fraseologia é dotada de uma grande variedade de processos de imaginação. São muitos os valores figurativos, e a todos os aspetos da vida foi buscar inspiração o génio expressivo do nosso povo.
Temos expressões e provérbios inspirados na observação da natureza, em usos e costumes, em filosofias práticas da vida, em todos os factos e ambientes que prendem a imaginação, a atenção, e traduzem a experiência que vem do Viver.
Para provar que assim é, não vou fazer, nem preciso de fazer, estendal de frases, ditérios, prolóquios, sentenças ou metáforas. Bastar-me-á comentar alguns casos, vindos ao meu espírito em acidental associação de ideias.
O olhar aspetos da natureza, o reparar em correntios factos, em frequentes situações - eis muita vez a fonte pura e simples da inspiração imaginosa.

Admire-se como deste facto bem simples - beber água, ou não a beber, por se desconfiar que é má - deste facto, repito, que pode ocorrer à beira duma fonte suspeita, ou ao pé duma toalha de água em sítio árido, forjou o povo uma dição admirável pelo símbolo transformador de situação física de encontro ou de presença de água, que se diz não beber-se, em situação moral de se ser obrigado a tomar resolução diferente. E com símbolo - “nunca digas: desta água não beberei” - se traduz imaginosamente um conselho de sábia prudência.
As relações de semelhança que o povo descobre entre o físico e o moral, o concreto e o abstrato quase sempre as sabe traduzir por meio de imagens, símbolos e comparações que pelo seu processo sugestivo, natural, claro e perfeitamente analógico bem podem servir de ensino à expressão artística dos mais elevados conceitos.
Admire-se, por exemplo, a propriedade com que se formula esta imagem de um dos mais conhecidos ditados do nosso idioma – “Quem semeia ventos colhe tempestades!”
Em primeiro lugar, note-se que “semear ventos” é já de si imagem feliz; mas a imagem ganha ainda mais valor porque se continua alegoricamente noutra, no mesmo plano, da simbologia agrícola, pois o semear intenta ao colher.
Mas, semeados os ventos, o que se irá colher serão tempestades.
A alegoria é modelar e perfeitamente ajustável à observação de que do semear do mal resultará o colher de mal ainda maior; do largar desenfreado do que tende para o rodopio de paixões resultará o entrechoque tempestuoso de situações violentas.
Note-se esta metáfora que a seguir pesco do linguajar de todos os dias; note-se como se caracteriza por uma natural, coerente e sugestiva analogia:
- “Não continues a pensar nisso, homem. É remar contra a maré”.
Não admira que um povo oceânico, como o português, haja em seu rol fraseológico muita dição inspirada na vida sobre as águas do mar, dição que nem sempre encontra paralelo nas outras línguas cultas.
Suponhamos um sujeito a buscar para si algo que a outros também interessa, mas que ele procura encaminhar principalmente em direção ao seu interesse pessoal.
A peripécia moral pode ser traduzida por esta dição magistralmente imaginosa - “Levar a água ao seu moinho”, paralela ao francês “faire venir l’eau au moulin”.
Ou, ainda - “Puxar a brasa à sua sardinha”.
Como se sabe, a imagem assenta na identificação dos elementos comparados.
Se alguém fala ou barafusta, prega verdades ou conveniências, e ninguém no ouve, a fraseologia popular fornece imagem precisa, expressiva, verdadeiramente plena de valor significativo - “Estar a bradar ou a pregar no deserto!”
Leve-se a ideia desta expressão à sua essência de significado, e aprecie-se-lhe a exatidão comparativa aplicada, a quem fala em vão, como aquele que em meio de infinita região despovoada se entregasse a vociferar de qualquer modo.

É, ou não, a fraseologia um belo e grandioso edifício desenhado pela imaginação genial do povo anónimo e a que os escritores vão dando grandeza com a sua arte, se ela não desdenhar desses esquemas da arquitetura expressional?

Carlos Fiúza

terça-feira, 1 de março de 2011

Fins-de-Semana Gastronómicos 2011

Relator de petição sobre linha do Tua ouve população

Ainda não está perdida a causa da defesa da linha e do vale do Tua.
Isso mesmo fizeram questão de deixar bem vincado os representantes dos movimentos de defesa da linha e vários particulares na audição que o deputado do PCP na Assembleia da Republica, Bruno Dias, promoveu, ontem, na aldeia do Cachão, em Mirandela.
Uma iniciativa que pretendeu recolher no terreno as informações de algumas das cerca de 4800 pessoas que assinaram uma petição criada por um grupo de cidadãos com origem em Codeçais, Carrazeda de Ansiães, e entregue na Assembleia da República.
Bruno Dias, que foi nomeado, relator desta petição, entende que para ter os argumentos é preciso sair dos gabinetes de Lisboa.
Eu não vim aqui fazer uma palestra, um discurso ou intervenção sobre a linha. Eu vim aqui ouvir as pessoas como deputado da Assembleia da República que tem de fazer um relatório e isto faz falta e deve ser feito mais vezes” refere. “Esta não é uma história acabada, não é um caso encerrado” salienta, acrescentando que “esse foi o sentido de várias intervenções que dizem que é preciso sacudir o conformismo e a resignação e manifestar a exigência para que a região seja defendida”.
Depois de ouvir vários testemunhos, Bruno Dias não tem duvidas que leva informações concretas para defender um recurso que está por explorar e que tem de ser preservado.
Eu vou levar para a assembleia essa defesa que as pessoas aqui fizeram da linha do Tua pois nós somos por uma melhor qualidade de vida e pelo crescimento da actividade económica no interior do país” afirma. “Nós acreditamos que a linha do Tua não é só turismo. Ela é património histórico, cultural e paisagístico, mas também pode ser um factor de desenvolvimento” acrescenta.
Bruno Dias, enquanto relator neste processo, promoveu uma audição com o intuito de relatar de forma mais justa e rigorosa o que está em causa.
Esta petição foi entregue, em Novembro, na Assembleia da República e deve ser discutida em breve.
Os promotores da iniciativa querem salvar a linha do Tua da barragem de Foz Tua, já aprovada, e que vai submergir os 16 quilómetros mais atractivos turisticamente da ferrovia transmontana.
Esta será a segunda petição que a Assembleia da República vai discutir sobre a linha do Tua, depois de em Julho de 2009 ter apreciado uma iniciativa do Movimento Cívico pela Linha do Tua que juntou cinco mil assinaturas na internet para obrigar o parlamento a pronunciar-se sobre o assunto, mas sem qualquer consequência prática.
Escrito por CIR/Brigantia