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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Daqui e dali... Orlando Carvalho

"A minha quase morte"

-Hélder! Se me acontecer algo puxas-me ok? -disse eu preparado.
-O quê? Achas que podemos contiguara-se o Vítor.
Nunca tinha pensado que estas seriam as últimas palavras que ouviria. Então saltei para a agua, senti-me bem e comecei a nadar, e de repente: nada...
Tudo começou num dia normal, igual a todos os outros dias normais. Nesse dia decidi ir para a piscina com os meus amigos.
Tudo estava bem, o pessoal a rir com as figuras que fazíamos e o calor de um sol quente a sorrir para nós.
Decidimos então ir comer qualquer coisa mas pensei: "é melhor não comer já que me apetece um gelado no fim". Então o Hélder e o Vítor pediram algo e eu fui falar com o doutor Albino que estava ali a beber algo:
-Sr. Doutor preciso de ir marcar uns exames, quando e que está por lá?
Ele disse-me então o dia a que estaria acessível e fomos até a toalha, o Hélder quis se ir embora, e eu disse "fica mais um pouco, não vás já".
-Este ano ganhei mais resistência, penso que estou na minha melhor forma, Hélder! Se me acontecer algo puxas-me ok?
Foi como se tudo fosse um sonho, apenas me lembro de estar a nadar e simplesmente apagar, sonhar com as pessoas desse dia e uma grande sensação de frio, e como se estivesse a ir dormir, a desvanecer...
Mal eu sabia que o Hélder me tinha tirado da piscina com força, ainda hoje ele fala na adrenalina; o Daniel ao ver-me naquele estado ficou em choque, deixou-me cair e bati com a cabeça; e o medico e os enfermeiros que estavam no local a fazer-me reanimação para eu simplesmente viver.
-Onde estou? Ha? Tio és tu? Dói-me a cabeça, onde e que eu estou?
-Estás na ambulância, acalma-te que vais para Mirandela, tiveste muita sorte que estava lá o médico na piscina e que foram rápidos...
Então troquei para a SIV e lá fizeram-me mais alguns testes, já no hospital entrei em hipotermia e mais tarde em hipotermia devido a como estava, sentia cada músculo dorido como se tivesse entrado em convulsões...
Passado esse dia lá acordei eu, mas o medico disse"o pior ainda não passou, tens de fazer exames por causa de poderes ter criado uma pneumonia química dado a água que engoliste e ao cloro dentro dela". Eu nem sabia que o tratamento de choque ao cloro da piscina me poderia afectar ainda mais visto que este é extremamente nocivo.
Então nos dias seguintes fiquei em casa dos meus padrinhos tendo em conta que se sentisse algo iria logo para o hospital.
Nesse tempo isolado de tudo pensei em 1001 coisas, tal como o quão frágil é a nossa vida, nas coisas que gostaria de fazer e tinha guardado para depois, nas pessoas com quem tinha vergonha de falar, e também e se eu não tivesse falado com o médico?
E se este não estivesse na piscina? E se deixasse ir o Hélder mais cedo? E se lhe dissesse para não me vigiar? E se eu não estivesse habituado a pressão? (poderia estar surdo. no mínimo)

E o que fizeram os vigilantes da piscina? Nem ao fundo da piscina me foram buscar?

E nadador salvador? E se fosse uma criança como é normal num dia de Agosto no meio de 500 pessoas que tivesse caído na parte funda, por mais que gritasse dentro de agua ninguém ouviria, apenas iriam reparar nela passado umas horas quando viesse ao cimo? Ou então ficaria ali até ao próximo dia? E se fosse um filho seu? E se fosse você?

Mas o que me deixou muito pior foi o que uma pessoa me disse, mais uns minutos ou segundos lá no fundo e ficaria com paralisias, num estado vegetal ou então mesmo morto.
Desta vez tive uma tremenda sorte, mas não é por mim mas porque o que aconteceu nesse dia não foi algo sem significado que se possa esquecer mas por todos nós, tenham atenção a isto ou será que vão fazer algo apenas quando estiver alguém entre 6 tábuas.

Agradeço MESMO a toda a gente que me ajudou, aos meus amigos (pessoal da pesada he he he), médicos e enfermeiros (pessoas 7 estrelas tanto as do local como do transporte e do hospital), bombeiros (toda a gente fala mal deles mas fogo entendam de uma vez que é das únicas coisas de jeito que funcionam como deve ser por aqui), minha família (que preocupei mesmo muito) porque se não fossem eles não estaria aqui e todas as pessoas em geral da vila (pela preocupação que têm tido comigo). Agradeço também ao Doutor Rui Martins por me ter deixado publicar a minha quase história d’"A minha quase morte”.
Orlando Carvalho