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sábado, 14 de março de 2009

Daqui e dali... Alzira Lima de Jesus

Meu Amigo
Vitorino Almeida Ventura

A capacidade de Vitorino (que me gera algumas incapacidades, impelindo-me, carinhosamente, à procura de mais saber) para o conhecimento cuidadosamente adquirido, sentido, vivido, e cunhado em pergaminhos – do passado/presente/futuro, fez com que «AS LETRAS COMO POESIA» ganhasse a sua 2ª Edição.
Nada do que eu diga vai apensar consideração ao estudo do «ser», «ter», «saber» das LETRAS em português…de Portugal!
Escrever/Falar/Cantar/Escrever…
Falar do que se sente nas letras que são cantadas… é canta-las eternamente!

O «Tijolo» …
Harmoniosa metáfora!
Capa…ou aparência, cariz do interior «alucinado», que julga qualquer pedaço de pedra que esconda o ouvido ou cimente os olhos!!!
Retira-se o «Tijolo», e ouve-se as «Letras» …
Parabéns ao Escritor, Observador de Talentos, Vitorino Almeida Ventura!
Parabéns ao Ilustrador que Fala nas Imagens, José Feitor!
Parabéns ao Clube Literário do Porto, que Renasce, e Renasce!

Alzira Lima de Jesus (Castro Pinto)
Carrazeda de Ansiães, 14 de Março 2009

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Daqui e dali... Alzira Lima de Jesus

O desenvolvimento de competências pressupõe a possibilidade que nos dão.

A Inteligência Emocional é algo que não penetra a consciência de quem quer ver números, melhor, de quem não quer ver quem está ao seu lado! (reparem: «ao» seu lado, e não «do»)... A Ética, a Moral, a Emoção…são aspectos banais! «Osmose»? Nem sequer entendem o seu significado!

Expressar naturalmente as emoções, os sentimentos??? Rir, chorar, indignar??? Por vezes tem os seus custos… E, como sou «falível», também tenho os meus «erros de percurso comportamental» … mas possuo um mínimo de inteligência emocional para o admitir! E se quero rir, rio! E se quero chorar, choro! E, por vezes, entro no caminho de quem me siga (por «osmose») …

E é por osmose que rabisco!

Banalização da palavra depressão… Palavra, talvez… Contudo, tenho observado, que, cada vez mais, os erros no percurso comportamental vêm a agravar-se. O desenvolvimento tem os seus custos, pois nem todos o conseguem acompanhar na mesma medida. E seguir em frente nas curvas de um caminho, faz com que nos batalhemos de frente com obstáculos cuja preparação para os ultrapassar…já nos ultrapassou!

Ensinei os meus filhos a chorar! Ensinei que, se rirmos quanto temos vontade, devemos ter a vontade de chorar quando precisamos! Mas e os pares? A osmose deveria ser «naturalmente ensinada» … se me permitem este paradoxo. E a formação dos professores deveria ter obrigatoriamente uma componente emocional! Afirmo que o futuro de qualquer organização (empresa, comunidade, grupo de dança…), inicia o seu ponto de equilíbrio na pré – educação, naquilo que dever-se-ia conjugar entre família/comunidade/escola!

(Mas…quem sou eu?, que tantas vezes me deixo dançar na música que me tocam!)

Porém, somos nós, os adultos, quem grava polémicas matérias…em revistas populares, ou em programas de televisão! E entranhamo-las na mente das nossas crianças! Esse comportamento osmótico é copiosamente mais simples do que a osmose …porquanto muito mais vendável! (e voltamos aos números…). É aqui que aquilo a que eu denomino de "inteligência adulta de mercado"…vai combater qualquer potencial de inteligência emocional! Sentimentos? Afectos? Carácter? Para quê? Não vende! «Saúde Pública»?, é mais fácil banalizar o que já é banal por natureza…humana! Humano/público…

Senão, vejamos:

Osmose «Difusão de fluidos através de paredes porosas … (Física)

Extrapolando para a espera do humano: difusão directa ou sublimada, incisiva de influência (fluidos) daqueles que já «sabem tudo» (os adultos!) através da personalidade (paredes) ainda em formação e que amuralham dentro da sua esponja o que apreende (porosas)

Osmótico «pressão que é necessário aplicar para impedir a osmose…» (Física)

Aquilo que eu traduzo para "comportamento de massa (supostamente crítica…) dos tais adultos", que vão anelar os valores que deveriam ser transmitidos por osmose, impedindo qualquer acordo tácito entre o bem e o bem!

Hoje, todos somos médicos: até quase podemos prescrever! Talvez por isso as patologias sérias e reais se escondem por baixo da capa do stress… E quantas vezes não acontecerá como sua consequência? A demora na compreensão/aceitação daquilo que é, não é, ou pode vir a ser! Propositadamente (ou por vezes inusitadamente – como se fossemos supostamente não usados para não sermos ousados), somos levados na urbe do encantamento, e passamos a dizer sim, num gesto que fomos suicidamente aprendendo a ser.

E entre as assimetrias do ser e do fazer, permanece a proporção daquilo que deve! E deixamos o nosso comportamento que se esvai numa dinâmica tão parada quanto um rio: águas que passam e são levadas, nunca mais voltam ao ente! Não existe um anel tácito entre eu e eu…e vamos indo, sem saber muito bem para onde ser e com quem!

Alzira Lima de Jesus Castro Pinto

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Daqui e dali... Alzira Lima de Jesus

GESTÃO DE CONFLITOS…

“O conflito é o processo que começa quando uma parte percepciona que frustrou a outra ou está prestes a frustrar algo que lhe diz respeito.” Kenneth Thomas

O conceito de CONFLITO relativamente às CAUSAS modificou: da impossibilidade de consenso, passou, actualmente, para a dificuldade em se lidar com a diferença.

Podemos citar algumas significações para o Conflito:
Ø Actividades, condutas, posições, propósitos percebidos como divergentes ou incompatíveis
Ø Incompatibilidade com os desejos do outro
Ø Quando a busca das coisas se traduz numa luta pelo poder
Ø Duas individualidades confusas pelas próprias limitações intra psíquicas (…), (…)

Tendencialmente, observamos o «conflito» como algo negativo,
Ø Desvia o interesse dos objectivos
Ø Gera ressentimentos entre as partes
Ø Provoca insatisfação,

Esquecendo as vantagens a ele intrínsecas:
Ø Ressalta os problemas existentes;
Ø Proporciona novas ideias, potenciando o desenvolvimento pessoal e social
Ø Provoca a redistribuição do poder e da influência propiciando a melhoria e evolução da relação...

Uma comunidade humana só se perpetua com base na comunicação, numa rede comunicacional (verbal, não verbal, adaptada a cada grupo, a cada quadro de referência…).
Se essa comunicação falha, os alicerces da organização estremecem, muitas vezes até ruir.
Para a resolução de um conflito temos como pano de fundo a comunicação: refaz os laços emocionais, racionais e relacionais que estremeceram em fissuras até aí (aí = eclosão do conflito), quer o efeito tenha sido de implosão quer de explosão (certamente que de modo diferenciado em cada um).
O compromisso tem que ser assumido, irrompendo da razão e das emoções de ambas as partes, ou seja, dos seus interesses que devem ser conciliados e negociados com base em concessões mútuas, após o desnudar das suas posições. E tudo com o fim último do restabelecimento dos laços comunicacionais.
A grande qualidade da Comunicação para a resolução dos conflitos deve ser: redundância q.b., baseada na:
Ø Identificação dos interesses comuns
Ø Centralização nos temas, evitando os ataques pessoais
Ø Procurar entender o ponto de vista da outra parte; tentar sentir como seria estar do outro lado
Ø Trabalhar a partir das ideias do outro reconhecendo o seu valor
Ø Ressaltar os aspectos positivos da outra parte
É essencial que haja:
Ø Mútuo reconhecimento no sentido de preservar a partilha de valores
Ø Compreensão de que o nosso julgamento tal como o da outra parte é falível
Ø Abolição da Violência
Sempre tendo em conta os Valores da:
Ø Reciprocidade (tratar a outra parte com honestidade)
Ø Igualdade Humana (todos devem ter um tratamento justo e respeitoso com consideração pelas suas necessidades e liberdade de consciência, pensamento e expressão)
A procura das Soluções que satisfaçam ambas as partes, impõe a observância de que foram resolvidos os sequentes requisitos:
Ø As distorções de percepção ou os estereótipos, pois impedem trocas produtivas
Ø Ainda existe condutas negativas repetitivas que criam barreiras?
Ø Ainda existe interesses incompatíveis (imaginários ou reais) que as partes têm dificuldade em conciliar?
Ø Há diferenças de valores (imaginários ou reais) que dividem as partes?


"É importante para a meta da individuação, isto é, da realização de si-mesmo, que o indivíduo aprenda a distinguir entre o que parece ser para si mesmo e o que é para os outros. É igualmente necessário que consciencialize seu invisível sistema de relações com o inconsciente... a fim de poder diferenciar-se..."
Carl Gustav Jung (1875-1961)

Como lidar com conflitos?
Um índio ancião norte-americano descreveu os seus conflitos internos conforme: "Dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando.
Quando lhe perguntaram que cachorro ganhava a briga, o ancião parou, reflectiu e respondeu: "Aquele que eu alimento mais frequentemente
". (Autor desconhecido)

Alzira Lima de Jesus Castro Pinto

sábado, 22 de setembro de 2007

Redemoinho de sentimentos... Alzira Lima de Jesus

DOR

Migalhas.
Membros espalhados por um chão de pedra escura
Sangue branco de um sentimento que se acentua... e se acentua...
Se a cor das veias não fosse tão inexistente

O olhar dos olhos não fosse tão vazio
O movimento do corpo não fosse tão premeditado
As migalhas não passassem de um todo...
A vontade honesta
Desta vida seria a morte
Para revivescer!

Se...não posso ser,
Matem-me!

Alzira Lima de Jesus

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Daqui e dali... Alzira Lima de Jesus

PENSAR…DIFERENTE: PROCESSO CRIATIVO

Por que coabitamos com o obstáculo quotidiano de
«pensar diferente»?
Julgo que esse processo tem início,

em 2º lugar, no próprio sistema educacional: fomos sendo "exercitados"
(entre aspas, porque, no fundo, não era um exercício: este, estimularia à acção…),
a procurar simplesmente uma resposta para cada realidade:
o certo ou o errado.
O imperativo era memorizar, nunca questionar! Jamais pensar em alternativas! O saber era «doado», logo, seria nosso dever aceitá-lo (e agradecer!).
Ora, sem o poder da questionabilidade, nada progride: perdemos a oportunidade de obrar a nossa criatividade no sentido da produção de alternativas, de opções, de novas ideias.

Em 1º lugar, num sistema educacional mais restrito: o núcleo familiar. Ao ouvirmos dos mais velhos «porque sim» ou «porque não», o nosso crescimento num ambiente resistente, inflexível e fechado, vê-se comprometido sem a oportunidade de desdobrarmos a nossa criatividade.

E tal acontece em qualquer tipo de organização social: família, escola, empresa, grupo de pares, sempre que haja (e sempre há) uma relação de hierarquia . (Note-se: eu disse hierarquia que é necessária, e não anarquia…). O papel do líder é importante, desde que bem desempenhado: é um orientador. Só não pode ser opressor. Senão, irrompe o medo de errar… e a impossibilidade de criar, improvisar, desenvolver. Marca-se a passividade, a omissão…

É certo que só quem faz erra… logo, os omissos nunca erram. O erro que acarreta a punição deve ser diferenciado: os erros de experiência, tentativas não devem ser punidos, muito menos ridicularizados: comparece aqui o líder: orienta! Não é o mesmo que errar por negligência.
Estimulemos a criatividade, a autoconfiança, a capacidade de experimentar! A crítica…edificante! O debate à sua volta!
Concedamos o direito do estímulo! Sejamos capazes de motivar!

Alzira Lima de Jesus Castro Pinto

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Redemoinho de sentimentos... Alzira Lima de Jesus

O Sol, a Lua … e a Criança
A Lua, que há milhões e milhões de anos padecia ante a chama do Sol que persistia em ofuscava-la, durante metade de cada um desses triliões de dias, resolveu insurgir-se intentando controlar o seu movimento perpétuo, contra aquilo que lhe parecia ser obstinação.
Parou o seu tempo, encarou o seu oponente, e atacou. Em vão, pois o Sol, que não concebia a vontade da Lua em regelar o seu ardor há milhões e milhões de anos, durante metade de cada um desses triliões de dias, conseguiu elevar-se e com a sua luz encobri-la. Quotidianamente, cada um sofria a sua dor de não se impor, lutando contra o outro. O brilho do Sol foi-se preterindo, e a cor cinza brilhante da Lua persistia cada vez mais negra.
Esquecendo o que cada um tinha para dar, colidiram: a noite passou a ser dia, e o dia a ser noite. Nessa angústia, o Sol cada vez mais gelado, e a Lua cada vez mais quente, esgotaram as suas forças, e quase largaram de sentir o que outrora foram. Porquê me persegues, oh Sol, se eu quero dar o descanso de todas as horas aos Homens? Não vês, rodeado de toda essa tua luz, o meu caminho? A minha vontade de ser para todos? A minha vontade de ser? Não concebes que eu quero adormecer sempre perto daquela criança? Que eu quero descansar nesse espaço que ocupas? Porquê não posso eu, no meu esplendor, ser a lanterna de todos os dias a todas as noites? Não percebes que eu sou a luz dos olhos dos Homens? Sem mim, eles não vêem. Contigo, eu me emudeço e não cumpro o que sinto! Quero viver acordada e ver todos os dias aquela criança a brincar! E a criança, que já não sabia se dormir era agora ou brincar fora ontem, parou. A Lua e o Sol, esgotados num objectivo que cada um não abraçava, porque cada um tinha o seu tempo repleto no espaço da luta que calava, sem ouvir o que o outro sentia, e sem falar do que cada um gostaria que o outro lhe consentisse, olharam a mãe da menina, combinaram encontrar-se todos os dias e sentaram-se com ela, àquela mesma hora. Acordaram não se julgar, mas expressar o que cada um penava sempre à espera que o outro lesse a sua dor… E cada um falou de si, do que queria, do que não fazia, do que perdia, do que pensava que sentia que o outro sentia…
E a mãe da criança, que percebeu o que cada um carecia, ensinou-lhes a palavra de se dizerem como eram. E comunicaram, e entenderam o que cada um esperava que o outro cresse… e combinaram traçar dois trilhos contíguos. Encontraram uma senda onde ambos se cruzariam, todos os dias, para contar o que ficara para trás de cada criança, para que cada um pudesse continuar o dia dessa criança, cada um cumprindo o seu objectivo de ser feliz, rodeado de todas os ingénuos seres do Mundo nessa volta de 24 horas, sempre seguidas de mais 24 horas. E quando O Sol precisava brilhar durante mais tempo, no Verão, A Lua entendeu que necessita dormir mais, e iluminar a noite do outro lado do Mundo com o brilho cinzento da sua felicidade. Por vezes aconteceu a Lua sobrepor-se ao Sol, e escurecer o dia. Mas ao cruzarem-se, comunicavam a sua necessidade de voltar, e cada um, sorrindo o respeito do outro, voltava ao seu lugar.
Se defrontarmos o nosso objectivo no objectivo do outro, percorreremos o mesmo caminho, mesmo que em trilhos diferentes.
Alzira Lima de Jesus Castro Pinto