No Centro de Apoio Rural de Carrazeda realizou-se quinta-feira (12/02/2009) uma reunião/debate entre o Presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, Eugénio Castro, representantes da EDP e os populares (19) que, por mero acaso tiveram conhecimento deste debate e resolveram aparecer.
Estranhou-se o facto de haver imensas pessoas deste concelho que estariam seguramente presentes, caso esta acção tivesse sido divulgada.
A EDP vinha apresentar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) à população de Carrazeda de Ansiães.
O assunto em discussão é da máxima importância para o nosso concelho e suas populações.
Pena que tenha havido o cuidado de não divulgar a reunião, não fossem surgir questões menos cómodas aos actores em cena.

Cedo se percebeu que afinal as questões eram para ser respondidas pelo senhor Presidente da Câmara e que havia perguntas e dúvidas que não se podiam colocar para não prejudicar as negociações "secretas" havidas pelos "iluminados" autarcas, pois tudo o resto são considerados ignorantes. Tanto assim que quando alguma questão menos cómoda foi colocada, logo o interveniente era mandado calar, como foi o caso de um Presidente de Junta, ou então havia que mostrar um ar agastado e, indelicada e arrogantemente, dizer que se estavam a prejudicar as tais negociações "secretas".
Que contrapartidas estão os autarcas a negociar com o Governo e a EDP que sejam do interesse e que afectem positivamente as populações dos concelhos afectados pela construção da barragem de Foz Tua?
Tendo a EDP já pago ao Governo a quantia de 60.000.000,00 € por ter ganho o concurso para a construção, que contrapartidas estão as autarquias a negociar com o Governo destas quantias já pagas pela construção que tanto vai afectar as populações locais?
Qual a posição da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães perante as declarações da Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, que disse que "se for considerado imprescindível o encerramento do troço em causa [por causa da construção da nova barragem da EDP], deverão ser garantidas, pela concessionária, condições para a criação de uma variante ferroviária". ?
As decisões tomadas secretamente por "iluminados" que arrogantemente tomam decisões unilaterais que têm impacto em toda a população, levaram o nosso concelho ao estado de ruptura em que se encontra.
Esta será talvez a última oportunidade que o concelho de Carrazeda de Ansiães tem de exigir e reivindicar um desenvolvimento integrado e sustentável em troca da destruição dos nossos vale e linha únicos na Europa.
Queremos contrapartidas concretas que se reflictam directamente em cada um dos carrazedenses e que não passem apenas por um despejar de dinheiro nas autarquias que não chegam sequer para pagar as dívidas existentes.
Queremos museus que não caiam, obras que cheguem ao fim a custos controlados, infra-estruturas que funcionem, estudos prévios, planificação consciente do que se deve fazer, discussão pública e transparente de todo o processo.
Estudo! Planificação! Transparência!
Estudo! Planificação! Transparência!
Queremos que nos respeitem!
RuiCMartins
