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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Daqui e dali... Tiago Verde

CENAS VIVAS NÃO FICTIONADAS

Cena 1
Dia 25 de Agosto de 2008, Carrazeda de Ansiães, Rua Jerónimo Barbosa, 10,30 da manhã, zona de estacionamento deserta.
Cena 2
Quatro automóveis estacionam, forma-se um grupo de cerca de 12-15 pessoas no passeio.
Alguém diz lá da frente “Éh pá! olhem que o estacionamento é a pagar”.
Cena 3
Um do grupo, espantado, exclama “estacionamentos pagos em Carrazeda parece anedota” e concluiu “estes gajos realmente não merecem o esforço de cá virmos… vamos mas é para Vila Flor”.
Cena 4
O grupo entra nos seus automóveis e arranca.
Cai o pano!...

Fica-se triste e com raiva incontida.
Começa-se a entender porque a nossa vizinha Vila Flor tem toda aquela animação de rua no Verão e um parque de campismo a abarrotar de gente tal como no litoral.

Tiago Verde

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Daqui e dali... Tiago Verde

ESTRADAS NACIONAIS: UMA VERGONHA!

Conta-se que, noutros tempos, a título de graçola, certos médicos diziam aos seus pacientes que só os poderiam curar das suas maleitas com grande quantidade de “suor de cantoneiro”, querendo com isto significar que, como não haveria suor de cantoneiro em abundância, era assunto encerrado, ou seja que a doença era incurável.

Esta irónica alegoria, para além de muito injusta, tentava desacreditar o trabalho árduo dos cantoneiros cuja obra meritória testemunhávamos no nosso dia-a-dia. Bermas sempre limpas e tratadas, valetas desobstruídas, sinais de trânsito e marcos pintados, buracos tapados, animais atropelados e lixo retirados, etc.
Enfim, víamos e admirávamos o trabalho de conservação das nossas estradas que eram o espelho do respeito, dedicação e interesse dos intervenientes pelas obras públicas, realizadas com os impostos dos cidadãos contribuintes.

E que vemos hoje?
Bermas com erva e silvas a invadirem a faixa de rodagem, sinalização vertical completamente tapada pela vegetação ou destruída, valetas sujas e abandonadas, railes de protecção encobertos, enfim um completo abandono, que a Direcção Distrital de Estradas, nos presenteia. Uma vergonha para quem cá vive e para quem nos visita.
Para ter uma noção exacta deste reparo, convido os estimados leitores a fazerem o percurso na EN 214, entre Carrazeda a Parambos, para atestar a veracidade do mesmo.

Cabe aqui referir e fazer justiça que a rede de estradas do Concelho, da responsabilidade da Autarquia de Carrazeda de Ansiães, se encontra maioritariamente limpa e cuidada.
Não poderia a nossa Autarquia “fazer pressão”, junto da Entidade Responsável pela gestão das Estradas Nacionais, para a inversão da situação?
Sabemos de antemão qual será a justificação: cortes orçamentais….mas há de insistir, insistir sempre, pois quem cala consente.

Tiago Verde

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Daqui e dali... Tiago Verde

CRUZEIRO NO RIO DOURO

Numa manhã ensolarada de Verão, tive a oportunidade de fazer o estupendo cruzeiro no rio Douro, entre a Régua e Barca de Alva.
Entre vários nacionais, incluindo alentejanos e algarvios, destaca-se um grupo de turistas estrangeiros (franceses, belgas, ingleses e alguns espanhóis), que olhavam estupefactos para as maravilhosas e imponentes paisagens que são as arribas do Douro - Património Mundial.
Pelos altifalantes a funcionária de Relações Públicas da empresa, ia dando nota dos locais por onde passávamos, destacando os pontos de maior interesse.
Recordo-me, perfeitamente, de pôr em evidência a zona do Pinhão, as diversas Quintas das duas margens e entre estas destacar a Quinta dos Malvêdos, como sendo o local onde o então 1º. Ministro Britânico John Major, vinha passar férias, cujo cuidado em termos paisagísticos é irrepreensível.
Ao chegarmos à foz do rio Tua fez alusão que ali se juntavam três distritos de Portugal – Viseu, Vila Real e Bragança - e que a povoação que já se via era Foz Tua, sendo a primeira do Concelho de Carrazeda de Ansiães e do Distrito de Bragança.
Notei claramente o desapontamento em alguns deles, pois como sala de entrada no Concelho e no Distrito, apresenta, em termos paisagísticos, uma degradação confrangedora onde imperam construções de muita má qualidade, sobressaindo várias barracas, ruínas, revestimentos em chapas metálicas, plástico, madeira velha e tudo o mais que dão uma má imagem a quem, do meio do rio, tem uma panorâmica mais realista do que aquela que é vista “in situ” , o que aconteceu comigo.
O que é facto é que, foi essa imagem que os turistas levaram na nossa terra – terra que muito nos orgulhamos de pertencer ao Património Mundial - Douro Vinhateiro.
Já chegava, para ter uma ideia o que é degradação, ter que percorrer de carro aqueles famigerados três quilómetros da EN 108 (da ponte do Rio Tua ao entroncamento para Ribalonga), autêntica “montanha-russa”, depois de utilizar uma bem cuidada estrada pavimentada do Concelho de Alijó.
Recomenda-se, vivamente, a quem tem uma palavra a dizer sobre estes assuntos, faça esse mesmo cruzeiro no Rio Douro e for caso disso olhe atentamente para as expressões negativas que os turistas deixam transparecer ao verem aquele “Nosso Património Mundial”, tendo o cuidado acrescido de não esquecer que todos os anos milhares e milhares de turistas que por ali transitam, gravam nas suas memórias e nas suas câmaras de vídeo ou fotográficas imagens elucidativas do “deixa andar” português, o “ad infinitum” tão característico.

TIAGO VERDE

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Daqui e dali... Tiago Verde

Bom Senso
Já lá vão quase 40 anos quando, num jantar de aniversário de uma grande Companhia onde tive o privilégio de prestar a minha colaboração, ouvi o Presidente do Conselho de Administração da referida Companhia afirmar que, para ele, o maior património das Empresas do Grupo não eram as inúmeras fábricas que detinham, nem os equipamentos mais modernos e sofisticados ou quaisquer outros bens, mas sim, o conjunto dos inúmeros colaboradores (entenda-se empregados), porque, na sua óptica, uma empresa para “trabalhar no duro”, teria as mais variadas máquinas e outros equipamentos, mas para pensar, discernir e usar o bom senso só o ser humano tinha essas capacidades.

Daí considerar que, qualquer empresa, só teria sucesso com gente que pensasse, discernisse e usasse o bom senso, quando tivesse que tomar decisões ou actuar nas suas funções.

Segundo o mesmo Presidente de Administração, poderia haver uma quantidade infindável de leis, regulamentos, organogramas, hierarquias e tudo o mais que é indispensável a uma organização, mas tudo aquilo não teria qualquer efeito prático se quem decidisse ou actuasse não ponderasse qual seria a melhor solução para este ou aquele caso – isto é, em síntese, usasse e abusasse do BOM SENSO.
Daí ser aquele jantar o reconhecimento da Administração para quem punha ao serviço das suas funções aquelas qualidades, criando, com isso, um bom ambiente de trabalho, alta produtividade e principalmente a manutenção do bom-nome da Companhia com os clientes – razão única da sua existência.

Tratava-se de facto de uma empresa privada, mas se, com os devidos cuidados, extrapolarmos para as hoje “empresas públicas” que são todas as Repartições Públicas incluindo aquelas com que mais lidamos no nosso dia-a-dia ou sejam as Autarquias Locais, teremos necessariamente que reflectir e interrogarmo-nos se, efectivamente, aquilo que é apanágio numa empresa privada tem qualquer analogia com uma pública.

Será que a maioria dos funcionários que desempenham as suas funções “perde tempo” a pensar, discernir e a usar o bom senso para a resolução fácil, atempada e simples das inúmeras questões postas ou aos pedidos da prestação de um serviço, pelos cidadãos contribuintes – afinal a principal razão da sua existência como tais?

Pelo contrário, salvo honrosas excepções que importa referir e há algumas, refugiam-se no estatuto duma carreira ou de funções que pomposamente exercem, agigantam-se, geram conflitos internos e externos, encenam cenas de evidente prepotência, arrogância e de humilhação com os seus interlocutores, tentando com isso, muitas vezes, encobrir a sua mal formação, a falta de carácter e dos conhecimentos mínimos necessários às funções que exercem, pondo a descoberto a falta das mais elementares regras de boa educação e de vivência humana.

Se numa empresa privada tal acontecesse, facilmente se adivinharia qual seria o fim de um colaborador que pusesse em causa o bom-nome da mesma mas, infelizmente, nas nossas “empresas públicas”, alguns “colaboradores” fazem-no todo o dia, com a passividade, impunidade e o beneplácito de quem tem a obrigação de zelar por um melhor, célere e competente serviço público, esquecendo, afinal, que a única razão da sua existência naquelas funções é servir todos os cidadãos com igualdade, lisura e comportamentos adequados, procurando a mínima satisfação de todos nós mortais pagantes, mas que tivemos a ousadia de os “incomodar” .

Porque será que também nestas situações, por quem tem a responsabilidade pela orgânica institucional, não impera a obrigação de pensar, discernir e utilizar o BOM SENSO, para pôr cobro a isso, em nome do “bom-nome”?
Vai-se lá saber porquê, ou melhor, para quem pensa e discirna, há muito que entende.

Tiago Verde