Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Gripe H1N1: Vinho do Porto usado pelos bombeiros da Régua para prevenir gripe

Quando a gripe pneumónica atingiu a região do Douro, há um séculos atrás, os bombeiros da Régua recorreram a um "saboroso" desinfectante: o vinho do Porto, e o método parece ter resultado porque nenhum deles foi contagiado com aquela doença.
A história foi contada por um antigo bombeiro da Régua, António Guedes, que na década de sessenta publicou no jornal "Arrais" as suas recordações, e relembrada hoje à Agência Lusa pelo presidente da Federação Distrital dos Bombeiros de Vila Real, Alfredo Almeida.
António Guedes tinha 24 anos quando a pandemia da gripe espanhola atingiu o Douro, na Primavera de 1918.
Na altura, segundo Alfredo Almeida, os bombeiros da Régua desempenharam um papel "importante no apoio sanitário aos infectados e viveram, sem alarmismos, os momentos mais críticos deste nefasto acontecimento".
Através daquele jornal, António Guedes contou que a sua corporação montou "um improvisado hospital na casa onde hoje está o Asilo Vasques Osório, o qual ficou sob a direcção do médico da nossa corporação, o senhor doutor Luís António de Sousa".
"Ainda não existiam ambulâncias na corporação, e éramos nós bombeiros, que com macas portáteis, íamos buscar os doentes a suas casas e os transportávamos para o hospital, sublinhou.
No seu relato, Guedes frisa o facto de nenhum dos bombeiros se ter contagiado com aquela terrível doença, certamente devido à desinfecção a que eram sujeitos sempre que chegam com qualquer doente.
"E recordo-me muito bem que, dessa desinfecção, constava um 'medicamento', um 'antibiótico' muito agradável, que era o vinho do Porto.
O primeiro gole seria para bochechar e deitar fora e o restante conteúdo do cálice (bem grande, por sinal) era para ingerir", salientou.
Alfredo Almeida disse desconhecer quantas pessoas a pneumónica vitimou no concelho do Peso da Régua, mas, referiu que de Norte a Sul do país, "terá implicado perto de 150 mil casos mortais".
"A ser verdade, e não temos razões para duvidar, os efeitos do vinho do Porto, como poderoso desinfectante, talvez pelo seu teor alcoólico, terá resultado em 1918 como uma boa medida de prevenção ao vírus da gripe", sublinhou.
O padre Artur Gomes tinha apenas dois anos quando a sua aldeia, Vale Salgueiro (Mirandela), foi atingida pela gripe pneumónica e na sua memória guarda as histórias de "pavor" contadas pelas pessoas mais antigas.
"A minha mãe falava muitas vezes dos muitos familiares que morreram por causa daquela gripe. Os meus pais sobreviveram, mas os seus pais morreram", salientou.
Artur Gomes lembrou que a sua aldeia não tinha médicos ou bombeiros, por isso mesmo diz que as pessoas recorriam aos remédios caseiros, como o chá da flor do sabugueiro.
Alfredo Almeida referiu que, há um século atrás, "se viveram tempos de alguma improvisação".
Hoje os bombeiros da Régua já têm um plano de contingência mas, segundo o responsável, continuam a ter uma garrafeira onde existem, claro está, muitas garrafas de vinho do Porto.
"Não há razões para haver pânico. Estamos preparados com máscaras ou desinfectantes, com os meios necessários para e se a crise sanitária nos atingir", sublinhou.
PLI.Lusa

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vila Flor - A aldeia fantasma de Gavião

Aldeia abandonada, há mais de 50 anos, é um atractivo turístico da freguesia de Seixo de Manhoses
A viagem faz-se a um ritmo lento, por um caminho de terra batida. Durante o percurso até à aldeia abandonada do Gavião avista-se uma paisagem deslumbrante sobre o Vale da Vilariça.
O cenário ganha, ainda, mais vida com as vinhas, olivais e amendoais cultivados, que demonstram a riqueza agrícola da freguesia de Seixo de Manhoses, situada a seis quilómetros de Vila Flor.
Abandonada pelos últimos habitantes há mais de 50 anos, a aldeia de Gavião é, agora, um local em ruínas visitado por aqueles que deixaram lá as suas raízes ou por curiosos que querem conhecer a vida que existiu, outrora, neste local privilegiado pela natureza.
Numa visita àquelas que já foram ruas movimentadas encontramos um amontoado de pedras que vai resistindo ao passar dos anos, mas também casas com cobertura e fachadas, bem como vestígios de um lagar e da antiga capela de Santo António. A eira é, igualmente, um espaço que ainda prevalece, apesar das silvas terem tomado conta da área que, antigamente, era destinada ao cereal.
Os encantos do Gavião já entraram em casa da maioria dos portugueses através das imagens divulgadas na novela “A Outra”. Desde então, este local tem tido um maior número de visitas. “Há muitas pessoas que vêm à procura do Gavião e todas elas ficam fascinadas”, realça o presidente da Junta de Freguesia de Seixo de Manhoses, Constantino Olmo.
Para que este local não passe despercebido, até foi colocada uma placa à entrada da freguesia a indicar o caminho. No entanto, tardam os investimentos para transformar o Gavião numa aldeia turística. “Só seria possível através de investimento privado. Já houve pessoas interessadas, mas depois aparece sempre algum entrave”, lamenta o autarca. Jornal Nordeste

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Meio século dedicado às latas

Regadores, candeias, baldes, cântaros, pulverizadores ou enxofradeiras são alguns dos objectos que fazem parte da colecção de Sabino Cordeiro, o último latoeiro de Seixo de Ansiães, no concelho de Carrazeda de Ansiães.
Tinha 17 anos quando começou a aprender a arte que lhe viria a garantir o sustento da família com o irmão e, desde então, nunca mais parou. Moldar a lata é a paixão de Sabino Cordeiro, que nunca se imaginou a fazer outros trabalhos. Os tempos mudaram, os objectos procurados pelos clientes são outros e o latoeiro viu-se obrigado a criar de acordo com as solicitações. Se antes eram os regadores, os cântaros e os baldes os artefactos que tinham mais saída, hoje a maioria das pessoas procura miniaturas que servem para decorar habitações modernas com traços antigos.
Antigamente, os baldes e os baldões, que serviam para retirar a água dos poços, tinham muita saída. Agora pedem-me muitas candeias em miniatura, a azeite e a petróleo”, conta o artista.
Os objectos funcionais são menos procurados, mas ainda há quem procure artefactos essenciais para realizar algumas tarefas, como é o caso das “funilas” de grandes dimensões, que servem para encher alheiras ou chouriças em quantidade. “Também conserto pulverizadores e ainda há quem me peça para fazer enxofradeiras, para deitar o enxofre nas vinhas”, acrescenta Sabino Cordeiro.
Há objectos para todos os gostos. Na colecção deste latoeiro encontram-se inúmeros artefactos que remontam a tempos longínquos ou da era moderna. Sabino mostra, com orgulho, as peças que foi executando ao longo dos anos e que faz questão de guardar numa estante que construiu numa divisão da sua casa. Apanha frutas, queijeiras, lata dos pastores ou apanha frangos são alguns dos nomes que vai pronunciando, ao mesmo tempo que realça a perfeição das peças que moldou com as suas próprias mãos.
Latoeiro do Seixo divide o tempo entre os trabalhos na oficina, as feiras de artesanato e as demonstrações da arte para os estudantesNa oficina, o latoeiro explica os passos que são dados para transformar uma chapa de zinco num objecto funcional. “As candeias são as peças que custam mais a fazer, porque são muito trabalhadas”, desabafa.
Depois de cortar a chapa com umas tesouras, Sabino, com as mãos calejadas, recorre à máquina de funileiro para “costurar” o metal, fazendo os últimos retoques na safra ou bigorna.É um trabalho minucioso, que vai concretizando sem pressas e sem dar pelo tempo passar. “Agora estou reformado, vou fazendo alguma coisa porque gosto da minha arte. Mas antes dedicava-me a isto a tempo inteiro”, conta.
O tempo de Sabino é dividido entre a oficina, as feiras de artesanato e as acções de formação para estudantes nas escolas de Carrazeda de Ansiães. “Costumo ir para Gondomar, Lamego, Petisqueira, Vila Real e outros certames no distrito de Bragança”, enaltece.
Nas escolas, o latoeiro faz demonstrações para os mais novos, que até acham graça, mas não se mostram interessados em aprender a arte. “Também sou professor, mas nunca tive nenhum aprendiz na minha oficina. Os jovens não querem trabalhar”, lamenta.
Aos 70 anos, Sabino Cordeiro garante que vai dar continuidade ao seu ofício enquanto tiver forças, mas é com angústia que afirma que é o último latoeiro do Seixo. “Havia cá uns quatro ou cinco e só fiquei eu”, concluiu o latoeiro. Jornal Nordeste
Fotos Rui Lopes/Bruno Faustino (Ansiães Aventura)

terça-feira, 16 de junho de 2009

O último ferrador do Seixo

Começou cedo a percorrer as aldeias com o pai para ferrar animais e foi ganhando o gosto pela arte da família, que aperfeiçoou num curso ligado à veterinária que tirou na tropa. Hoje, Luís Mesquita, natural de Seixo de Ansiães, no concelho de Carrazeda de Ansiães, é o último ferrador da terra.
Antigamente havia muitos animais. Eu e o meu pai encarregávamo-nos de ferrar na zona da Poça, que abrangia Lavandeira, Selores, Seixo e Beira Grande. Depois tinha um primo em Fontelonga. Havia ferradores divididos por todo o lado”, conta.
Na altura de entrar para a tropa, Luís Mesquita não teve dúvidas da área que queria seguir. “Fui para o Hospital Veterinário, em Lisboa, onde tirei o curso de Enfermagem Hípica. Era um curso de ferrador à moderna”, salienta o artista do Seixo.
Aos 77 anos, o ferrador guarda no currículo uma vida dedicada à arte de ferrar, que exerceu num périplo entre cidades e continentes. “Depois da tropa vim para cá, casei-me e continuei com o serviço, porque o meu pai já estava velhote. Mais tarde fui para África, onde voltei a agarrar-me aos martelos e às ferraduras. De regresso ainda estive 4 anos em Braga, onde exerci a profissão de auxiliar técnico de pecuária”, recorda Luís Mesquita.
É com orgulho que o artista guarda a sabedoria de uma profissão que marcou a família Mesquita. “O meu avô já era ferrador, depois passou a arte ao meu pai e eu aprendi com ele”, conta.
Os tempos mudaram e a azáfama dos artistas foi amainado com a substituição dos animais nas tarefas agrícolas. “Agora, os agricultores utilizam os tractores para cultivar a terra e já não gastam as ferraduras aos burros, cavalos ou bois”, justifica a perda de trabalho.
Ferrar animais é mais complicado do que moldar as ferraduras que protegem os cascos”, garante Luís Mesquita

Com o declínio da profissão, Luís Mesquita ainda abriu um café na aldeia, que acabou por fechar, mas faz questão de guardar recordações desses tempos. “Ainda tenho ali a máquina de café”, mostra.
O ferrador afirma que durante o tempo em que teve a casa aberta, ainda havia alguns clientes que lhe pediam para ferrar os “burritos” ou os cavalos. “Ia fazendo, não era que tivesse necessidade de trabalhar, mas nasci nisto e gosto daquilo que faço”, enaltece.
Luís Mesquita afirma que ferrar não é uma arte difícil, mas realça que é preciso força de vontade. O trabalho começa com o molde do ferro quente para as ferraduras na safra, depois são feitos os orifícios onde entram os cravos com ponteiros e, por fim, os ajustes finais já em frio à medida do casco do animal.
Ferrar é mais difícil do que fazer as ferraduras, porque estamos a trabalhar em sangue e se enterramos demais um cravo é como uma pedra no sapato”, realça.
Agora o volume de trabalho diminuiu, mas Luís Mesquita continua a ser requisitado para ferrar ou acudir aos animais em caso de emergência. “Algumas pessoas quando têm animais com problemas pedem-me para os ver enquanto o veterinário não chega ou então ao fim-de-semana. Como tenho alguns conhecimentos, às vezes vou buscar medicamentos e aplico-os”, salienta o artista.
No livro de registos onde guarda memórias e recordações, Luís Mesquita já anotou os poucos animais que ferrou este ano, que diz terem sido, apenas, dois ou três. “Antes havia aqui 5 ou 6 juntas de bois. Agora não há nada. Mas a arte, essa nunca se esquece”, conclui o último ferrador do Seixo. Jornal Nordeste

terça-feira, 19 de maio de 2009

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

120 anos da Linha do Tua - Exposição -Janeiro2008- Bragança

Visite a exposição patente no Fórum Theatrum de Bragança, de 5 a 31 de Janeiro de 2008
Organização: MCLT (Movimento Cívico pela Linha do Tua)

http://www.linhadotua.net/

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Património Arqueológico do Concelho de Carrazeda de Ansiães

Um livro que inventariaria e também sintetiza um processo de quatro anos de investigação no monumental castelo e vila amuralhada de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães. Na sua nota de abertura é assim apresentado pelos autores: "Esta publicação apenas coalha e sintetiza os resultados de um projecto de investigação que no pretérito ano de 1998 foi lançado sob a égide do GEHVID (Grupo de Estudos de História da Viticultura Duriense e do Vinho do Porto), com sede na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e que contou com o apoio da autarquia de Carrazeda de Ansiães.
Desde essa altura e até 2002 a pacatez do Castelo via-se invadida durante o mês de Julho por um variado grupo de jovens locais e tantos outros oriundos de diferentes universidades portuguesas e espanholas que com o seu trabalho voluntarioso e empenhado permitiram que esta obra fosse possível. A todos eles a nossa sincera gratidão."
Sob o queimor de um cálido sol, como aquele que tisnava em agressivo rubro os rostos dos nossos jovens colaboradores, o subsolo do Castelo de Ansiães foi sendo escarafunchado numa morosa cadência, tão lenta e compassada que só a paciência do arqueólogo é capaz de suportar.
Desse metódico remexer da terra e da convivência com as gentes, com o território e com a paisagem, fomos extraindo algumas pistas, rajos de vidas e preciosas esquírolas documentais que aqui se apresentam como peças dispersas do complexo puzzle onde se exara a história desta, para nós dilecta, “Terra de Ansiães”.
Este livro é também um livro de sentires. Um livro de afeições que contém amplos resquícios de saudade de todos aqueles que sabem e que desde sempre souberam receber quem por bem chegar.
Por tudo isso, não quisemos esta publicação hermética, e muito menos a concebemos exclusivamente direccionada a qualquer agremiação de investigadores em Arqueologia; projectámo-la aberta, partilhável, simples e o mais elucidativa possível.
Património Arqueológico do Concelho de Carrazeda de Ansiães é um livro de divulgação que tem como único objectivo testemunhar a riqueza arqueológica de um concelho com excelentes potencialidades de desenvolvimento económico e social pela via turística, e onde o Património Arqueológico poderá encabeçar a lista das sinergias locais que no futuro integrarão o progresso que toda a região transmontana merece e que Carrazeda de Ansiães impreterivelmente haverá de abraçar."
Autores: António Luis Pereira e Isabel Alexandra Justo Lopes
Edição: Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Foi há 10 anos!

Ministro Vitorino em Carrazeda de Ansiães

«Não foi ainda a apresentação pública do candidato socialista à Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, Ricardo Paninho.
Foi apenas um almoço de confraternização entre socialistas carrazedenses com o sr. Secretário de Estado da Administração Interna Armando Vara e o sr. Ministro da Presidência António Vitorino.
Cerca de 100 pessoas. O salão é grande, o complexo não precisa de apresentação. (...)» Do Jornal Terra Quente

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Vilarinho da Castanheira já foi vila e concelho

Situada na margem do Douro, a aldeia de Vilarinho da Castanheira, no concelho de Carrazeda de Ansiães, guarda as memórias do tempo em que foi vila e concelho medieval.
Os anos passaram e esta localidade foi perdendo a importância que lhe foi concedida com a atribuição de quatro forais pelas mãos de reis portugueses, mas continua a ser uma das freguesias do distrito de Bragança com maior número de habitantes.
O fenómeno da emigração abalou esta aldeia quando o sector agrícola começou a entrar em crise.
Com cerca de 800 habitantes, a localidade destaca-se pela sua grandiosidade e pelo património histórico que se ergue em diversos pontos da freguesia. A beleza das suas paisagens contribui, igualmente, para que as pessoas tenham “amor” à terra onde nasceram. “Aqui é que eu me sinto bem. O meu lugar é aqui”, afirma Emídio Carvalho, de 82 anos.
Os jovens também se mostram satisfeitos com a sua aldeia e dizem, até, que é uma das mais desenvolvidas do distrito. Contudo, a vontade de tirar um curso superior afasta- os de Vilarinho, devido à falta de oportunidades. A principal fonte de rendimento de quem resiste nesta localidade é a agricultura, nomeadamente o vinho e o azeite.
Infra-estruturas e equipamentos levam os jovens a gostarem de estar na aldeia, mas falta de oportunidades de emprego leva-os a seguir outros rumos.
Vilarinho da Castanheira não acompanha o fenómeno da desertificação que está a afectar a maioria das aldeias do Nordeste Transmontano. Aqui, a escola primária ainda funciona com 23 alunos, as crianças frequentam o jardim-de-infância e os jovens têm um espaço Internet, a funcionar na Casa do Povo, onde podem entrar em contacto com outras realidades e superar as barreiras que se erguem nas aldeias do interior do País.
No Centro Social e Paroquial de Vilarinho da Castanheira encontramos os idosos, que passam os dias em convívio. Com capacidade para 15 utentes, o mini-lar da aldeia já tem uma longa lista de espera, o que mostra que a população está a envelhecer.
Para o autarca local, o ideal era que Vilarinho ganhasse, novamente, a importância que adquiriu nos séculos XVIII e XIX. Questionada sobre o que faz falta na aldeia, a população diz que precisa daquilo que se perdeu ao longo dos anos. Esta posição é partilhada pelo presidente da Junta que lembra que Vilarinho já teve médico, uma repartição da Segurança Social e, até, GNR. Jornal Nordeste

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Zíngaros de Carrazeda de Ansiães na estrada há mais de meio século

Fundado, em 1950, por iniciativa de Joaquim da Isaura e Américo Ribeiro, o grupo dos Zíngaros é presença habitual em romarias, arruadas e alvoradas de todo o País e estrangeiro. Composto por 13 elementos, a colectividade de Carrazeda de Ansiães começou por se chamar Zés Pereiras, nome pelo qual ainda é apelidado no Norte do País. Só passado algum tempo é que o grupo adoptou a actual denominação de Zíngaros, termo de origem cigana e que se referia aos músicos que, através de bombos e gaitas, animavam diversas festas e rusgas do concelho.
Actualmente, o grupo é constituído por 22 elementos que desempenham diversas funções dentro da colectividade, como tocadores de bombos, caixas, gaitas de foles, clarinetes e requinta, porta-bandeira, gigantones e cabeçudos.
Os Zíngaros actuam em Portugal e no estrangeiro, desde que sejam convidados para animar todo o tipo de eventos, como festas e romarias, eventos culturais, inaugurações, cortejos carnavalescos, queimas de fitas e feiras populares, entre outros.
Em digressão pelo Mundo
Corria o ano de 1951 quando os músicos, gigantones e cabeçudos desfilam, pela primeira vez, em público durante a homenagem ao jogador Victor Guilhar, num jogo de futebol em Carrazeda de Ansiães. Já em 1952, o grupo chegou a estar fora do concelho cerca de 230 dias, numa digressão que atravessou todas as regiões do País. A primeira de muitas condecorações e distinções dos Zíngaros deu-se em Lamego, com uma medalha de ouro. Posteriormente, foram galardoados ou homenageados em diversas localidades, como Peniche e Matosinhos. Já em Vila Real, Castro D’Aire e Orense (Espanha) receberam medalhas de prata. Em Dorthund (Alemanha) a colectividade transmontana foi distinguida com quatro fitas/galhardetes. Em 2003, o grupo parte à conquista do Algarve, numa digressão que durou uma semana. Tratou-se de uma viagem que o presidente dos Zíngaros, Hernâni de Sousa classificou de “fantástica”.
Após a legalização do grupo, com estatuto e sede próprios, nasce, em 1986, a Associação Zíngaros de Carrazeda de Ansiães. Além das alterações na bandeira e constituição do grupo, a farda da colectividade também foi modificada. Deste modo, os elementos dos Zíngaros passaram a usar camisa verde, calças pretas listadas a verde, faixa amarela e lista verde no chapéu. Anteriormente, o fardamento do grupo era composto por calças pretas, camisa branca, jalecas cinzentas com mangas e lista vermelha e um chapéu de palha preta com fita vermelha. Os Zíngaros ficam conhecidos nas localidades por onde passam, pela folia, animação e as figuras caricatas dos gigantones e cabeçudos, assim como pelos sons tradicionais da gaita-de-foles, acordeão, clarinete e requinta. Jornal Nordeste