segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

VISÕES
Vindo das profundezas da eternidade do passado, DEUS, num determinado momento, sentou-se e viu-se só. Acho que nem anjos (melhor, nem anjos,arcanjos, querubins ou serafins) o acompanhavam ainda.
Sentou-se, pensou e decidiu.

Para não estar só, decidiu formar o mundo, com terra, céu e, pelomenos na terra, com pedras, plantas, animais e, por fim, o homem. A este deu-lhe uma coisa, que não deu a mais ser algum: uma alma, julgo que para, com o conjunto delas, conviver no céu. Mas pôs condições para admitir as almas à sua presença: era preciso que o homem tivesse determinadas qualidades, sobretudo a de ser desprendido dos bens terrenos, já que a verdadeira e eterna felicidade estaria no céu, reservada às almas que a merecessem.
Formou logo a terra e os seres que a habitam, com as características que hoje qualquer ser humano normal neles observa. Já bastante tarde, verificou-se que, afinal, Deus fez muito mais e mais complexo. E descobriu-se que Deus submeteu tudo a determinadas leis: as leis da natureza.
Durante muito tempo, pensou-se (pensamento quase unânime) que Deus punha e dispunha, falava com frequência com o homem (tu cá, tu lá) e cumpria ou não as leis da natureza, como bem entendesse.
Apareceram há pouco pessoas, que chegaram à conclusão de que Deus fez o mundo sujeito a leis inexoráveis e, depois, deixou que essas leis governassem os fenómenos naturais ou humanos. Deus fez e, depois, deixou que as leis ditassem as suas regras, cegas, rectilíneas, quantas vezes injustas ou até cruéis, sem noção do bem e do mal.
Há menos tempo ainda , apareceram pessoas, que disseram que, afinal, tudo surgiu por acaso e pelo efeito do entrechoque de umas realidades com outras realidades.

As três visões apresentam aspectos difíceis de entender: na primeira, Deus aparece-nos quase como humano, senta-se, decide, fala e governa directamente; na segunda, Deus fez tudo e deixa que as leis governem; na terceira, já nem Deus existe, só a natureza e as suas leis.

Tudo isto é tão difícil de entender (a nossa mente não consegue chegara um entendimento) que o melhor é deixar passar o tempo, para vermos, na hora própria, como as coisas serão.
Entretanto, que venha o diabo e escolha.
Não cheguei a falar nesta última personagem, mas fica para outra vez.

João Lopes de Matos

4 comentários:

Carlos disse...

A frase-pensamento…

Há uma linguagem mental, digamos interior, que inspira a linguagem das palavras.

Se uma pessoa aprendeu normas, regras e coisas parecidas, vai guiando as palavras, travando-as ou desviando-se, quando é preciso.
Mas quem não se “preocupa” por demais com tais normas e regras, deixa fluir o pensamento, e a expressão corre livremente, sem peias, ou sem travões.

Bernardim Ribeiro escreveu:
- “por onde corre um pequeno ribeiro de água de todo o ano, que, nas noites caladas, o rugido dele faz no mais alto deste monte um saudoso tom …” (Menina e Moça)

Qualquer falador ou qualquer escritor, antes de falar ou escrever a sua ideia, tem de a falar em linguagem mental, interior.

E ainda que nenhuma palavra pronuncie, quem vai para traduzir o seu pensamento verbalmente ou por escrito, antes de arquitetar a sua frase-expressão, já disse mentalmente a sua frase-pensamento.
Para haver fidelidade à ideia, convêm, pois, que a fala e a escrita sejam como que fotografias daquela linguagem mental que se não ouviu, mas que previamente se gravou, em silêncio na nossa mente.

João Lopes de Matos teve o mérito de deixar fluir o pensamento; teve a humildade de "ouvir” a sua frase-pensamento!

… E a frase-expressão “nasceu”…
… e com ela uma subliminar “mensagem”!...


Gostei, gostei muito.
Este sim, é o João que eu conheço, com o “coração ao pé da boca”!

Parabéns.


Carlos Fiúza

Anónimo disse...

...à medida que nós vamos passando pelo tempo, damo-nos a este trabalho de pensar sobre o natural, o sobrenatural e afins!
Concordo plenamente com o que diz João L. Matos!
Permito-me dizer também que à medida que vou passando, já com 6o feitos, teimo por vezes em tentar agarrar algo que me permita chegar pelo menos um pouquinho só, ao entendimento total que precisava de ter!
Nunca consigo! Não adianta!
Fico com dor de cabeça e não avanço, NADA!
Que raio de "coisa" esta, ou aquela, que nos limita de facto...
Só me chateia que irei (iremos) para esse absoluto desconhecido...
E para lá chegar vivemos uma vida de desconforto...
Que raio!
Porquê, não sabermos se adequando nosso comportamento em vida, para atingirmos um bom lugar no além, não teríamos todos uma vida perfeita na terra!?
Vá lá entender-se...
Porra p\ra isto!

João disse...

Concordo plenamente com este anónimo:Porra pra isto.
JLM

Anónimo disse...

Bom desabafo este!
Muitos quererão dizer a mesma coisa, mas faltam-lhe palavras, como a mim!