quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Revivalismo(s):
Barclay James Harvest, em Gaia

Fui assistir ao concerto único, “Reviver os 70”, no espaço ao ar livre junto ao Mosteiro da Serra do Pilar, onde no ano passado tocaram sob o mesmo tema revivalista os The Animals...

É importante primeiro esclarecer que os Barclay James Harvest começaram há 44 anos, em 1966. E que, após o desmembramento da formação inicial, em 1998, os elementos principais da banda voltaram a juntar-se, mas divididos em duas bandas: John Lees' Barclay James Harvest e feat BJH. Les Holroyd, que a marca, digo, a matriz até dá para duas filiais. Assim, para um lado partiram John Lees (voz e guitarra) e Woolly Wolstenholme (voz, teclados, mellotron e guitarra), e, para o outro, o baixista Les Holroyd e o baterista Mel Pritchard, até à morte deste, em 2004. O baixista continua, agora, usando a solo a marca BJH... Com

ambos os grupos recuperando a “velhos” sucessos, apresentando também novos temas. Bom,

resta dizer que assisti à metade John Lees' Barclay James Harvest, mas, se a outra metade fosse, também seria a mesma fusão de rock com música clássica, embora aquela (esta) metade (a que assisti) bem haja Woolly Wolstenholme, exímio executante de mellotron, o órgão electro-mecânico celebrizado pelos BJH e que se tornaria símbolo do rock progressivo nos anos 60 e 70, ao simular o som de uma orquestra.

Resta responder à questão central - mas será que tal música se mantém actual ou apenas em culto de fiéis revivalistas?

A resposta não é fácil. Ainda por cima, eu, que nunca fui tocado pela sua música, como ao género pela dos Genesis, Van der Graaf Generator, Yes, Pink Floyd... Tentando manter a cabeça fria, direi que o melhor dos Barclay são as melodias vocais e algumas harmonias instrumentais. Que o som da guitarra me lembra a de Andy Latimer dos Camel, por quem me senti mais afim, embora a influência possa ser a inversa... Relembro também que o teclista Peter Bardens, deste grupo, faleceu em 2002. Agora,

o mais datado é mesmo a parte rítmica. Que a bateria tem sofrido ao longo das últimas décadas uma grande evolução.

VAV

14 comentários:

Carlos disse...

Música - Revivalismo ou Intemporalidade?

Haverá alguém capaz de definir a música?

Uns dizem que a música é a arte de impressionar a alma, por meio de sons, produzidos e combinados de maneira agradável aos ouvidos.

Outros afirmam que a música é a arte de expressar ou provar comoção pela combinação de sons melodiosos e harmónicos.

Eu vou mais com aqueles que, sem definir a música, a consideram linguagem universal por excelência.
Porque a música é entendida de todos…
A música é arte, e pode ser ciência e pode ser técnica.
Tem, por conseguinte, os seus termos técnicos, os seus termos peculiares.

Mas, não nos preocupemos em definir a música.
Saibamos que essa palavra deve a existência às musas…

A música, na antiguidade helénica, era a educação da alma por arte das musas.
Ritmo, harmonia e métrica – eis os três grandes pilares da “mousiké tekhné”!
Benditas musas que nos deram a poesia de tão formosa palavra que é a música!

Ento(n)ação, entoamento e tom… o grau de elevação ou de abaixamento de sons, a gravidade ou a acuidade de som…
Cadência… a terminação, definitiva ou momentânea, de uma frase musical, a queda de uma nota sobre outra nota para determinar a frase musical…
Harmonia… a ciência dos acordes…
Ritmo… a duração proporcional de tempo entre a articulação de cada som, a diferença de velocidade ou de lentidão dos sons, em ordem e sucessão regular…
Melodia… a doçura, o encanto musical, a suavidade dos sons…

É ou não verdade que o “sonho comanda a vida”?!


Carlos Fiúza

Anónimo disse...

VAV vem aqui dizer que os sixties e os seventies já foram, não foram? Na actualidade, tudo passa depressa ao esquecimento. Porém, encontro esta como a velha teoria de JLM, aonde os neurobióticos já começam a influenciar tudo e todos.
X

Anónimo disse...

Diga lá, prof. Ventura, a sua opinião sobre o FARPA e a actuação dos Mistery Artist (é rock, man!) e também sobre o cartaz da Feira da Maçã.
Jarbas

Anónimo disse...

Não entendo porque o senhor administrador não incluiu o meu comentário. Vê lá algum desrespeito?
Jarbas

João disse...

Aqui,C.F.faz diversas considerações sobre música,muito interessantes,tornando um artigo sem particular interesse em temas muito,muito interessantes.
Mas,por último,diz que o sonho comanda a vida e não explica porquê ou para quê.
Sim.Acha mesmo que os sonhos são necessários à vida? Por que é que não se pode viver alegremente sem sonhos,simplesmente vivendo? Ainda por cima,os sonhos podem ser profundamente irrealistas e ocasionarem-nos grandes tropeções.
E sonhar com quê?Com enriquecimento,com seres que nos proporcionem prazer? Nada diz sobre isto tudo. Não pormenoriza,o que não condiz com a sua escrita.
Realmente,parece-me,tudo passa tão depressa que,por isso,é melhor saborear em vez de sonhar.
JLM

Anónimo disse...

BJH, quem não conhece Child of the universe? Intemporal!

Carlos disse...

O Sonho e os períodos da Vida

Não há ninguém que alguma vez não se preocupe com a idade, isto é, com o tempo que a sua vida vai durando.
Pelo menos uma vez em cada ano, somos convidados à meditação do que é a vida em seu caminhar incessante para o fim.
É certo que o aniversário natalício dá lugar a festas, à recepção de amigas palavras ou, até, de apetecidas prendas; mas no íntimo da pessoa que faz anos lá está a consciência de que, afinal, “fazer mais um ano” é ter menos um de vida.

Infância… Puerícia… Adolescência… Juventude... Virilidade… Velhice… todos estes períodos da Vida têm os seus encantos; em todos eles o Homem SONHA!

“Não se passa de Dezembro a Junho, senão por meio do inverno e verão, e a primeira parte do verão è semelhante ao inverno, a derradeira ao estio, e o meio é misto, e temperado de ambas. Assi se não passa de um salto da frescura da mocidade, para a seca, e deforme velhice, mas de tal modo envelhecemos, que nos achamos velhos sem sentirmos quando o começamos a ser. A Puerícia nos dispõe para a Adolescência; a adolescência para a Idade Viril, e esta para a Velhice; e são estas idades tam vezinhas, e semelhantes, que quaisquer duas parecem ser uma; e é tam fácil e calado o trânsito de uma para a outra, que sempre as primeiras nos ajudam a não sentir a alteração e graveza das conseguintes.” (Diálogo IV-Frei Amador Arrais).

Sendo a palavra a expressão da Vida, o deslizar desta tem forçosamente de reflectir-se naquela.
E, como a vida pode ser encarada com a frialdade do raciocínio ou com a quentura do sentimento, segue-se que o "filosofar" sobre a Vida e seus períodos e momentos ora aparece na linguagem chã de todos os dias, ora na expressão figurada dos poetas, dos pensadores… dos “sonhadores”.

Veja-se a inegável analogia entre a “velhice” e a “infância”… não é isto “sonho”, e lindo?
Não é a “velhice” como a "infância" períodos intensos de sonho e esperança? Até pelas realidades em presença, como a fraqueza?
Não serão os meninos mimos de mil cuidados? E os velhos não precisarão deles, também, e deles não serão bem dignos?

E se até a própria natureza se compara aos períodos da vida humana, dando-nos, anualmente, as suas estações…
Primavera da vida é a juventude. E se o Verão não costuma entrar na simbologia da vida, já o Outono refere a idade decadente que precede a velhice. Esta é o inverno com suas neves, e muito frio!

Como é possível ao Homem dizer tudo isto, sentir tudo isto… e não sonhar?!
“Como o tempo passa! Parece que foi ontem! E já lá vão trinta anos!”
– Não há “sonho” nestes dizeres?
- Não comandará o sonho” a Vida?
- Será possível ao Homem "viver" sem sonhos?

Carlos Fiúza

vitorino ventura disse...

Em primeiro lugar,

peço desculpa, mas não tenho muito tempo de net. Sendo assim, responderei o possível... pela ordem de chegada. E mais tarde, darei feedback aos outros do que penso, embora não tenha a certeza de quão isso seja importante.

Relativamente a Carlos Fiúza, achei muito interessante a incursão sobre a Língua, embora aqui mais me interessasse, como viu o anónimo X, a questão da passagem do tempo. Para nós,

tudo nos são de significado os nossos anos dourados: de idealização, em que tínhamos ídolos e mitos...

O que me parece é que pouco (muito pouco) do que se ouvia há 30/40 anos sobre_

vive. E isso (não sei se é a tese dos neutobióticos... Confesso que não percebi aqui o seu alcance) é de um relativismo enorme, de que a cultura de que somos portadores vai caindo, como as folhas de Outubro, e nós da vida. Tudo (quase tudo) efémero...

Até breve,

VAV

Anónimo disse...

O dr. Matos afirma que não tem interesse falar dos Barclay James Harvest. Porquê? Só devia falar-se de Beatles, Elvis e Rolling Stones?
X

vitorino ventura disse...

Caro Jarbas,

não sei se sabe, mas o Pombal é a terra natal da minha mãe e de (quase) toda _ minha família materna...l.

Sou sócio da ARCPA há muito. Apesar disso, não frequento o FARPA há cerca de 10 anos (e pela minha mão, por lá circularam o dr. Morais e o prof. Hélder Rodrigues), pelo que não posso falar de coisas que não vi, como o concerto dos Mistery Artist. Mas sempre direi o que disse ao Marinho, anterior Director do Jornal: mesmo antes da quase trintanista ARCPA, o Teatro sempre impulsionou a aldeia. E quando Leandro Vale do Teatro em Movimento de Bragança concretizou o Festival, ao lado da Direcção, tal montra serviu também um espelho onde o próprio grupo de teatro da ARCPA se podia e pode re_

ver. De muitas artes, agora, muita coisa poderá não ter uma qualidade média, mas o mais importante é a sua voz de profetas no Desertificando, de que todas as Direcções, no fundo, toda a aldeia faz eco de. E nisso está de parabéns.

De todo o modo, se o grupo Mistery Artist quiser saber da minha opinião, não lhe será difícil encontrar modo de me enviar material.

Quanto ao cartaz da Feira, só vou falar do concerto dos Blind Zero. Ainda há pouco os vi, na Casa da Música, ao dia de São João, onde estavam o Nani e o Rui Pinto, após uma actuação alucinante de Marta Ren com os Trabalhadores do Comércio («de manhã eu bou ao pom, a saquinha bai na mom»). Nunca foi um grupo que me dissesse muito, e penso que o Miguel Guedes é um intelectual que fica um pouco aquém das suas possibilidades, em termos de lírica... inglesa. Agora,

com a entrada do Miguel Ferreira do Clã no "Luna Park", o grupo ganha uma energia mais explosiva, sem dúvida.

O meu filho gosta muito do clássico "Shine On". Quantas vezes o tive de ouvir já?

Espero ter cor_
respondido...

Ab.,

VAV

Carlos disse...

(Comentário de 16/08 - 2.ª via)

O Sonho e os períodos da Vida...

Não há ninguém que alguma vez não se preocupe com a idade, isto é, com o tempo que a sua vida vai durando.
Pelo menos uma vez em cada ano, somos convidados à meditação do que é a vida em seu caminhar incessante para o fim.
É certo que o aniversário natalício dá lugar a festas, à recepção de amigas palavras ou, até, de apetecidas prendas; mas no íntimo da pessoa que faz anos lá está a consciência de que, afinal, “fazer mais um ano” é ter menos um de vida.

Infância… Puerícia… Adolescência… Juventude... Virilidade… Velhice… todos estes períodos da Vida têm os seus encantos; em todos eles o Homem SONHA!...

“Não se passa de Dezembro a Junho, senão por meio do inverno e verão, e a primeira parte do verão è semelhante ao inverno, a derradeira ao estio, e o meio é misto, e temperado de ambas. Assi se não passa de um salto da frescura da mocidade, para a seca, e deforme velhice, mas de tal modo envelhecemos, que nos achamos velhos sem sentirmos quando o começamos a ser. A Puerícia nos dispõe para a Adolescência; a adolescência para a Idade Viril, e esta para a Velhice; e são estas idades tam vezinhas, e semelhantes, que quaisquer duas parecem ser uma; e é tam fácil e calado o trânsito de uma para a outra, que sempre as primeiras nos ajudam a não sentir a alteração e graveza das conseguintes.”
(Diálogo IV-Frei Amador Arrais).

Sendo a palavra a expressão da Vida, o deslizar desta tem forçosamente de reflectir-se naquela.
E, como a vida pode ser encarada com a frialdade do raciocínio ou com a quentura do sentimento, segue-se que o “filosofar” sobre a Vida e seus períodos e momentos ora aparece na linguagem chã de todos os dias, ora na expressão figurada dos poetas, dos pensadores… dos “sonhadores”.

Veja-se a inegável analogia entre a “velhice” e a “infância”… não é isto um “sonho” lindo?
Não é a “velhice”, como a infância períodos intensos de sonho e esperança?
Até pelas realidades em presença, como a fraqueza?
Não serão os meninos mimos de mil cuidados? E os velhos não precisarão deles, também, e deles não serão bem dignos?

E se até a própria natureza se compara aos períodos da vida humana, dando-nos, anualmente, as suas estações…
Primavera da vida é a juventude. E se o Verão não costuma entrar na simbologia da vida, já o Outono refere a idade decadente que precede a velhice. Esta é o inverno com suas neves, e muito frio!

Como é possível ao Homem dizer tudo isto, sentir tudo isto… e não sonhar?!
“Como o tempo passa! Parece que foi ontem! E já lá vão trinta anos!”
- Não há “sonho” nestes dizeres?
- Não comandará o sonho” a Vida?
- Será possível ao Homem “viver” sem sonhos?

Carlos Fiúza

vitorino ventura disse...

A João Lopes de Matos:

Este tema foi um pretexto já o disse. Mas se pouco-nada interessa, lembro-me o que disse António Emílio, verdadeiro nome de Mia Couto, um prosador que faz experiências linguistas de um poeta, um criador da nossa Língua, ao ver dois moços sentados no seu muro, que podíamos ser nós, moços que somos...:

"O que estás tu a fazer?", perguntou a um deles.

"Absolutamente nada."

Virando-se para o outro: "E tu?"

"Eu estou aqui para ajudar o meu amigo".

Sobre o que disse sobre o sonho a Carlos Fiúza, vou intrometer-me com uma personagem de Mia do livro "Venenos de Deus, Remédios do Diabo", tantissimamente a definitivar-se. Bartolomeu Sozinho:

"Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos."

Não sei de que idade JLM me fala...

Saramago, na apresentação do livro em Lisboa, passou-se e referiu que numa 2ª edição bastaria trocar os dois termos da frase e dizer que «aos 80 se sonha quando se pensa».

Ab.,

VAV

Anónimo disse...

O doutor Jão de Matos faz no blog ao lado estragos legais. O escultor e o professor ficam vermelhos com as suas ideias. Lá, ele se sente muito bem, está no seu chão. Aqui, é um pouco diferente: com Carlos Fiúza e Vitorino Almeida Ventura é obrigado a polemizar na lua: e ele foge dos Stones!

João disse...

Hei-de responder-lhe com mais vagar,caro anónimo de dia 20,13:34.Estou fora do meu ambiente habitual e não estou em condições psicológicas ,que me permitam uma resposta mais completa.Mas digo-lhe que é um bom observador.Concordo consigo.Gosto de escrever no outro blogue mas já reparou que eles se zangam comigo,o que me impede de continuar a argumentar lá.A táctica tem sido deixar passar algum tempo para depois poder voltar à carga,quando penso que a zanga já terá passado.
Quanto ao Carlos Fiúza e ao Vitorino acontece que o primeiro escreve,geralmente, sobre temas que ,neste momento da vida, já pouco me dizem e sobre os quais pouco sei,quanto ao segundo,além disso,ele escreve duma forma com a qual a minha forma de escrever não joga muito bem.
Eles vão matar-me por isto, mas a "verdade" deve ser dita, ainda que nos custe.
Respondendo directamente a VAV,dir-lhe-ei que pensar é uma coisa,sonhar outra.
Não acho que para pensar seja preciso sonhar.Pensar é pôr hipóteses mas termos os pés bem assentes na terra.Sonhar é andar na lua,é ser irrealista.E eu não quero ser isso.Não é apenas uma questão de idade mas também uma questão de postura perante a vida.JLM