quinta-feira, 5 de agosto de 2010

daqui e dali... Carlos Fiúza

O Homem… esse não convivente!

Um S. Francisco de Assis poderia chamar, com propriedade, convivente aos bichos da terra, mansos ou ferozes, nocivos ou não, porque a nocividade de tais bichos era vencida pela santidade desse homem.
Porém, os outros homens serão, na realidade, conviventes em relação aos bichos que povoam a terra?Pois se os homens entre si não convivem, na maioria, senão como lobos uns dos outros, consoante testemunhou Plauto, no dito que se tornou célebre - homo homini lúpus, muito menos convivem com os outros bichos terráqueos.
Schopenhauer afirmou, que quanto mais lidava com os homens, mais apreciava os cães. Aqui temos um caso, em que é lícito dizer que o homem encontra melhor convivência com os cães do que com o semelhante.
Tudo isto, se considerarmos a palavra convivente no sentido habitual registado pelos bons léxicos (por exemplo, Aulete, que dá a convivente o sentido de “que vive com outrem em relações de amizade”), nos impede o emprego generoso de convivente em relação aos seres viventes connosco na Terra.
É que já no latim convivere tomou sentido tal de familiaridade que até se aplicava na significação de comer juntamente.Se, portanto, em conviver, e em convivente está impregnada a intimidade, a familiaridade, segue-se que apenas Jesus Cristo, S. Francisco de Assis e poucos mais têm direito a ser considerados conviventes, porque só eles conviveram, de facto, pelo amor, com toda a bicheza, incluindo o bicho homem.
Os seres que vivem ao mesmo tempo e no mesmo torrão do espaço, nesta nossa Terra, neste nosso Globo, não convivem porque vivem luta aberta ou disfarçada uns contra os outros.
E já nos lembrava o Padre António Vieira que os homens e os peixes se comem uns aos outros… logo, não convivem!
Então, se Deus existe… Ele não me tirará o “sonho” de querer ser livre… deixar-me-á “sonhar” que podemos viver… convivendo!
Se assim não for…Então Deus só pode ter sido uma criação humana! …Os homens terão sempre necessidade de inventar Alguém a quem culpar pelas suas culpas…
Apupem-me, chamem-me"idealista", "visionário", até... mas não me tirem a "minha loucura"...
Carlos Fiúza

5 comentários:

Anónimo disse...

O Criador é isento de culpas.

João disse...

O Criador é isento de culpas?
Só se considerarmos tudo perfeito.
As nossas imperfeições são culpa dELE pois foi ELE que nos fez e podia ter-nos feito de modo diferente(ou duvida que ELE podia ter-nos feito de maneira diferente, se quisesse?).
Por isso é que pode pensar-se que a nossa culpa é mínima,quer acreditemos que foi Deus que nos fez,quer julguemos que somos produtos da natureza e das suas leis.
JLM

Anónimo disse...

" O objectivo inicial de uma sociedade é indicar aos seus membros, da melhor maneira possível, o caminho do aperfeiçoamento espiritual, que deve ser realizado pelo esforço individual.
a doutrina ensinada deve versar sobre a fraternidade, fonte de todos os desenvolvimentos posteriores do ser humano." mj

João disse...

Aperfeiçoamento espiritual - igual a - Fraternidade. Estou inteiramente de acordo.
Aperfeiçoamento espiritual - igual a -cumprimento rigoroso das práticas litúrgicas. Estou em total desacordo.
JLM

Anónimo disse...

Pois é, caro Carlos Fiúza: "ASSIM (quase) FALAVA ZARATUSTRA"...
h.r.