segunda-feira, 9 de julho de 2007

Ordenamento no Douro tempos de mudança

O título desta crónica foi tema de um seminário organizado recentemente em Sabrosa pela Estrutura de Missão do Douro e na qual participaram autarcas, vitivinicultores, dirigentes e técnicos da administração central e local, jornalistas, universitários e especialistas ou simples cidadãos interessados nesta problemática. (…)
Todos, sem excepção, convergiram num ponto essencial o Douro, uma paisagem cultural evolutiva e viva, classificada como património mundial pela UNESCO, requer cuidados especiais de planeamento e gestão do território que protejam e valorizem a sua identidade e o seu carácter singular e grandioso. Os motivos que suscitaram a organização deste seminário e as preocupações manifestadas são também consensuais os riscos de destruição e de degradação da paisagem são inúmeros e cada vez mais diversificados. (…)
O que fazer? (…). Dois aspectos evocados merecem, desde já, um realce especial.
Em primeiro lugar, o ordenamento do Douro exige a participação e o envolvimento activo de todos os actores autarquias locais, vitivinicultores e população em geral. (…) o modelo de ordenamento que se pretende para a região não pode ser imposto pela mera via administrativa: ele tem de ser incorporado e assumido pelos durienses.
Em segundo lugar, é necessário uma melhoria qualitativa do processo de planeamento. Melhores planos, claro está, mas sobretudo uma maior atenção e um maior rigor nas operações de licenciamento. É que, em muitos casos, não basta que os projectos cumpram as formalidades exigidas pelos planos, insuficientes para assegurar a sua qualidade arquitectónica ou o seu enquadramento paisagístico. O que implica uma maior responsabilidade (e até coragem) por parte dos técnicos da administração local e central e dos decisores políticos.(…)»
Luís Ramos, Professor da UTAD
Eduardo Pinto, in JN

1 comentário:

João Lopes de Matos disse...

Fico sempre com a sensação, ao ler
escritos como este, que é inteiramente impossível fazer seja o que for no Douro, quando é preciso fazer tanto para que não fique de todo desertificado.Não seria melhor falar pela positiva e
dizer o que será possível fazer?
Até parece que a preservação implica sempre um não fazer ou um
fazer quando de todo em todo não
pode ser impedido.