sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Pat Silva e os concertos comentados

Em Carrazeda, houve ontem um bom concerto de música jazz clássico, com dois excelentes intérpretes: Paula Sousa (piano digitalizado com o som de um fender rhodes) e Hugo Antunes (contrabaixo). Pat Silva, uma germano-lusa, na voz, estendeu-a em movimentos corpóreos swingantes, ondulatórios,
que a faziam vibrar desde a alma.
Uma vez mais, faltou um público formado para. Os chamados intelectuais (palavra que aqui na Terra tem um cunho pejorativo, ao lado dos comunistas, invertidos e in...drogados, cujo prefixo lhe vai de intensidade) PRECISAM-SE! Ou nem isso: jovens que participassem de tarde num workshop, por exemplo, com os músicos, que me pareceram de fácil comunicação para depois entrarem na onda. Aliás,
este foi o momento em que recordei uma velha conhecida: Paula Sousa, que participou com Rui Junior, no Ó Ai que som tem, e que ouvi há vinte anos (não foram séculos?) no Luis Armastrondo, do qual ela também se lembrava de U Nu, e depois participou no 1º album (Partes Sensíveis) das Três Tristes Tigres. Como sabem,
o meu livro "As Letras como Poesia", entre outras, aborda a lírica deste grupo, da autoria da poetisa e professora universitária Regina Guimarães, havendo estado comigo e com valter hugo mãe, na mesa, aquando do lançamento do meu livro no Maus Hábitos do Porto, a cantora Ana Deus. Foi também um dos grupos escutados nas "Oficinas de Letras"... Como curiosidade.
A Paula confidenciou-me ao final, no apesar de sua clássica formação, estar agora re_
ligada a vários projectos de jazz: um seu, muito particular, e outro dedicado a thelonious monk... E outro a bill evans... E.

O que achei pior foi o concerto comentado, não dos que normalmente se fazem na música erudita. Mas do público, com os apartes mais impertinentes... Desde o do roncadouro (o que revela uma certa capacidade metafórica rural: do ressonar que se faz ou de se guardarem de certos animais, como cães atiçados...), ao da cabritinha (o que releva de uma crítica, a partir de cabeças pobremente escarninhas, quimbarreirianas: mas isso vai incrustrado em tantas, que não saem daí, seja em gosto seja em des), do chonlga chongla (ruído da ronca e da sarronca...) até ao próprio Chico Aragão sobrepor uma segunda melodia de um Fado, cantando a uma só voz... Mas

tal comentário generalizado está instalado mediaticamente em todo o lugar... Assim,
poucos sabem receber, guardando respeito ao Outro... Isso me remetendo para um célebre programa do Herman José, já em queda livre, quando este questionou o Toy sobre a qualidade dos textos de Sérgio Godinho (no palco com O Clã, a propósito do lançamento de Afinidades), ao que este respondeu:
- O Sérgio Godinho é bom porque sabe usar o presente do conjuntivo!

vitorino almeida ventura

post scriptum: apenas no concerto não apreciei muito os lapsos de pat silva, tendo de recorrer a cábulas ou aos outros músicos para saber o título de algumas músicas e nome de compositores...

14 comentários:

Nuno Teixeira disse...

Humm, nao presenciei tal evento! Mas so pelo facto de um dos intervenientes artisticos estar ligado (musicalmente) á sonoridade de Bill Evans, chamou-me bastante a atençao! Espero poder ouvir brevemente algo desse projecto.

(peço desculpa pelo engano quanto á publicaçao deste mesmo comentario num outro "arquivo")

vitorino ventura disse...

nuno,

este projecto é de jazz mainstream. Um outro, da teclista Paula Sousa, que tu deves conhecer do 1º álbum dos Três Tristes Tigres, é que aborda Bill Evans. Não sei se conheces Thelonious Monk. Mas também valerá a pena, pela singularidade.

Ab.

vitorino almeida ventura

Nuno Teixeira disse...

Sim, o pianista Jazz. é mto conhecido. chamou.me a atençao a referencia Bill Evans, ate porque tenho algum som dele e é dos meus favoritos no genero :)

vitorino ventura disse...

olá, nuno, uma vez mais,

tive pena de que não assistisses...
Mas os comentários às composições jazzísticas lembraram-me uma peça do teatro Al-Masrah, em que Fernando Pessoa e Camões eram os criados de todo o tipo de cançonetistas que celebram o vinho: desde os maiores, Amália Rodrigues, até Carlos Paião, Cândida Branca-Flor, Herman José, Paulo Alexandre, etc.

Que o povo pensa o vinho ou o vinho é que pensa o povo?

ab.,

vitorino almeida ventura

José António disse...

Como fiz a tecnica do concerto, e com a autorização do trio, gravei o concerto com uma qualidade razoavel. Quem estiver interssado em ouvir que diga que eu alojo na net e mando-vos o link. Não conhecia o projecto da Pat, é muito bom.

José António

José António disse...

Já agora, porque sei que "eles" vão estes comentários e porque passei dois dias com eles, digo-vos que são malta 5*****. Abraços e beijos para o Hugo, Pat e Paula. (Ganda noite ein!)

José António

Anónimo disse...
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Mr. Bean disse...

Ei malta... vamos lá acalmar!
Não sei nem quero saber as razões do comentário da Mary, mas mesmo assim, acho que não é o lugar indicado para responder seja ao que fôr, ok!?

Vá lá Mary, vamos acalmar. Há um dito que me acompanha desde muito novo, "palavras loucas ouvidos moucos".

Mr. Bean

João Lopes de Matos disse...

Parece-me que não há que excluir ninguém.Pelo contrário, dado o envelhecimento da população, que venha mais gente a pensar de todo o modo e feitio. Procuremos respeitar-nos todos.

Anónimo disse...

ganda zé antónio, em breve te mandarei o meu mail, para me enviares o link. so ouvi a ultima musica mas gostei. so nao percebo como algumas pessoas defendem quem nao respeitou o trio. parece que nesta terra e fino boicotar os concertos com qualidade e quem os defende, como o sr. vitorino, e que deve ir embora; nao e quem faz barulho, esses devem ficar a fazerem mais barulho para ninguem ouvir. ja agora, porque nao se cria em carrazeda a escola da cabritinha e do roncadouro? tinha muita e boa laia de gente interessada, pelos vistos.

bad boy

Anónimo disse...

Penso que não faltei ao respeito a ninguém... mas enfim... Ja agora se houve alguém que faltou ao respeito foi o Sr. Vitorino, pois denota um prefundo desagrado e desprezo pelas gentes desta terra e pela sua cultura, talvez porque nem todos sejam tão eruditos como ele... Ou tenham a cultura que tanto o sr. apregoa. Mas enfim... parece que infelizmente quando se toca na ferida... exclui-se.
As pessoas merecem todo o respeito e ele parece-me que não o demonstra.
Um abraço

Mary

Anónimo disse...

tá-se bem, mary; não curto igual o jaz como tu, mas passaste-te um pouco dos carretos; quem defende uns selvagens que vão assobiar, grunhir, e ainda por cima lolololo, estou mesmo a ver, «tocaide a da cabritinha», para ti, é esta a cultura do povo de Carrazeda!? Como o mr. Bean diz"palavras loucas ouvidos moucos". Mas neste caso quem as disse, fosteis vos.Não gostas do professor ventura, ok, se calhar por um post anterior, ate entendo algum ressaibiamento da tua +parte, mas não fica bem o josé antónio captar o som e ficar la gravado uns ruisdos de uns selvagens, que eu recuso serem o povo da Carrazeda; se não gostavam, tinham a fazer, era ir para casa. Ou então a câmara não pode ca trazer ninguém senão pimba!? E quem excluiu o teu comentário foi um administrador, que não e o professor, como sabes, ou já estas tão ressacada de ódio que não consegues ver outra pessoa à frente senão o professor!? cortaram aquilo? foi o professor … mas também gostavas que aos filhos da terra, angofer, misteries artistes, bandits, quando tocassem, lhes grunhissem ou tocaide a da cabritinha?
ruka

Anónimo disse...

bô, isto mais parece fazer parte de uma campanha organizada contra os Clã e o doutor Ventura. As Oficinas de Letras foram uma pedrada no charco e parecem que incomodaram muita gente da cultura pimba. insane guy

Anónimo disse...

Para o Ruka.
Eu nunca disse que foi o Sr. Vitorino a retirar o post... e sinceramente não sei a que tipo de "ressabiamentos" te referes, mas isso tu la sabes, nem sei do que falas... Ressacada de ódio??? Por quem e porquê?! Nem sequer conheço o Sr. Vitorino, achei simplesmente o seu post um pouco exagerado e insultuoso, talvez até me tenhas excedido um pouco. Fica o pedido de desculpas.
As pessoas são como são, agora talvez não se expressem da melhor forma e tenham reações inadequadas. Entendo que quando te referes à gravação em causa, é claro que sons de fundo não ficam bem... Mas isso ja são extras.
Cada um é livre de gostar do que quiser e bem entender, so não me parece bem que se coloquem rotulos. Todas as pessoas são livres de gostar e apreciar o que bem entenderem.
Mas acredito que independentemente de tudo, todas as pessoas merecem respeito, mesmo que os seus gostos e preferências sejam diferentes.
Por mim este assunto está arrumado.

Um abraço, Mary