sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

O apelo dos Green Day,
no filme dos Simpsons


Após tocarem a banda sonora dos Simpsons, os Green Day resolvem alertar a população do Lago Springfield a favor do ambiente. Em resposta, a população irada atira-lhes tomates e latas e copos de plástico e tudo o que à mão haviam (assim num célebre concerto dos Faith No More) para o lago, poluindo-o de tal modo que sobre a água o palco começava a dissolver-se, numa trip de ácido… E o grupo afundava, tal qual os violinistas do Titanic… Passando sobre o humor ácido de Matt Groening,

em conversa com Joana B., inventariámos n motivos para o desastre ecológico:

1. A população haver encarnado o sonho de todo _ American idiot, um dos singles da banda;
2. Ao lugar da escuta, quanto de intervenção ética não produz o seu reverso, uma vez o povo estar farto de ouvir falar, esgotado das mensagens, sejam elas moralistas ou anti-consumistas, sem acção visível;
3. Numa contra-informação típica, ao lugar da recepção, já que a mensagem não é entre o emissor e o receptor, mas em cada um, tão subjectiva. E o que diz um, ouve o outro — ao contrário (argumento mais discutível);
4. Valerem tanto os tomates, como as palmas, na sociedade do espectáculo de Guy Debord, onde o ‹‹verdadeiro faz apenas um momento do falso››;
5. Para Homer Simpson, tão básico, seria uma espécie
de recusa da parte ideológica, apenas estando ali pelos donuts musicais que a banda vai vendendo;
6. Isso levaria àquela ideia burguesa em todo o homem comum de que se paguei tenho direito a ouvir o que quero e só;
7. Para Bart Simpson, o apelo dos Green Day não corresponderia à notação musical da banda, como se a música tivesse uma letra própria — neste caso, de um epígono punk: espelho do próprio lixo, mais plastificado do que no início, onde os Sex Pistols, como exemplo, tinham atitude, mesmo sem lerem os grandes anarquistas do séc. XIX; já os Clash, excepcionalmente, tinham pensamento político, para além de miscigenizaram a música negra com a branca.

Se acharem outros motivos, atirem-nos em comentário. Como tomates e latas e copos de plástico e tudo o que à mão tiverem para…

vitorino almeida ventura

Post Scriptum 1: A voz de Dan Castellaneta é a alma de Homer… Como a da senhora Nancy Cartwright de Bart… [Eduardo Lourenço adaptado].

Post Scriptum 2: O Porco-Aranha de Homer lembrou-me uma coisa — o facto de um velho conhecido, Berto, da Xinfrim, que organiza as noites Ritual Rock no Porto, quando ainda havia o Luis Armastrondo, na Ribeira, me haver confidenciado adorar ter um porco a viver no seu quarto… Na hora da sátira, a ficção chega sempre depois da realidade.

1 comentário:

vitorino ventura disse...

para além de miscigenizarem... digo.