segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Ao abrir o novo blog de Alexandre J. Quinteiro, cujo título vai em epígrafe, descobri um mundo novo, bem interessante. Das referências à Linda Martini, aos Ornatos Violeta, ao regresso de Manel Cruz ele-mesmo... Até à re_
construção de uma letra (aí concordando plenamente com o Rui Samões, uma vez ter Alexandre J. de explicar o último verso; mas, claro, compreendo também que para as suas amigas isso tenha todo-significado, num microcosmos bem particular...).

Agradeço-lhe a referência espontânea à minha pessoa e o facto de serem essas pequenas coisas - em que o terei tocado que me fazem sentir como fazendo parte de um cordão de humanidade. E não ser doutor duas vezes, ou. Quando vou ao Pombal (mesmo a Paradela), alguns jovens que treinei há uma década tratam-me por Tino e eu não me sinto menos respeitado (bem pelo contrário) do que alguns que me tratam por senhor, quando fazem questão de ser nomeados de arquitectos, engenheiros e doutores da Lei.

A minha única obra (se terei alguma) terá sido a de ajudar a reconstruir as pontes que os rios levaram um dia, dialéctica que só haverá fim com o diálogo absoluto entre todos. Novos usados e velhos modernos, em suma: populares eruditos.

Mas sobre o Silêncio ser o barulho baixinho, para mim, é sobretudo o Lugar do Outro, de escutar esse Outro. Jamais o do Livro de George Steiner "O silêncio dos livros" (tradução portuguesa para o francês: ódio aos livros), em que os anarquistas e os nihilistas russos, em torno da revolução bolchevique, queriam destruir bibliotecas... Todo o passado para construir do Zero o futuro.

O meu silêncio é mais esse musical - de John Cage.
No final da década de 40, ganha importância, nos meios artísticos, a quebra da ténue linha entre a audiência e o espectáculo. O público é convocado a participar na performance a que assiste.Em 1952, David Tudor desempenhava, em Woodstock, New York, a peça 4' 33'', de John Cage, sentando-se ao piano e não tocando nenhuma nota durante os quatro minutos e trinta e três segundos que durava o espectáculo. Os três movimentos da peça I: Tacet; II: Tacet; III: Tacet indicavam isso mesmo... Usando modelos I Ching, Cage escolheu claramente o comprimento de 273 segundos que daria, em «absoluto zero», -273. 15 de temperatura.Os espectadores afirmavam não ter ouvido nada, mas o espectáculo estava recheado de sons:"People began whispering to one another, and some people began to walk out. They didn't laugh — they were just irritated when they realized nothing was going to happen, and they haven't fogotten it 30 years later: they're still angry." John Cage ele-mesmo sobre.
vitorino almeida ventura

1 comentário:

:: ¢åρįťāǾ Řøмằŋ¢ë :: disse...

Não posso deixar de começar por um sincero OBRIGADO ao Prof. Vitorino pelo destaque dado a este meu "mundo".

Queria agradecer-lhe também por me ter reaberto as portas da música. Comecei desde cedo, com a Rádio Ansiães, e sempre me mantive atento ao que se ia passando no panorama musical, mas, de certa forma, o "bichinho" foi desaparecendo, com o passar dos anos. Mas eis que renasce, em grande, no final de Agosto de 2006. O Professor foi o responsável por isso, por este renascer para a música, por eu voltar a pegar nos instrumentos que há anos não passavam de estátuas, de objectos decorativos no meu quarto, por eu voltar a pegar na caneta e escrever o que me vinha à cabeça, por rasgar muitas folhas, por guardar outras...

Quanto ao último verso da letra que publiquei no "Silêncio é o barulho baixinho!...", não é mais do que uma forma de tentar reacender a chama que os anos se encarregarão de apagar. É uma referência a uma brincadeira muitas vezes repetida com as amigas a que dedico a letra, tal como o Prof. Vitorino referiu, e bem.

Cumprimentos,
Alexandre Quinteiro