domingo, 7 de novembro de 2010

Daqui e dali... Henrique Raposo

Sócrates: a cronologia da mentira

Por que razão os juros da nossa dívida estão a subir? Para responder a isto, temos de fazer uma pequena cronologia dos erros e mentiras de Sócrates dos últimos dois anos. Tape o nariz.

I. No Expresso de 9 de Outubro, Filipe Santos Costa fez a cronologia do "socratismo". Convém olhar para esta história dos últimos anos, porque ela é reveladora (vou só usar os dados económicos; os "casos" são outra história).

II. Em 2008, no meio do caos e da incerteza da tal crise internacional, José Sócrates criou a mentira número um: Portugal era um oásis, que resistia à crise internacional. Resultado: o governo baixou o IVA para 20% (um partido tem de fazer pela vidinha). Porém, meses depois, o governo nacionalizou o BPN, e começou a dizer que a crise, afinal, tinha chegado a Portugal. Neste cenário, Sócrates inventou a mentira número dois, que, aliás, permanece no menu do PS: Portugal está mal apenas e só por causa da crise internacional. O facto de Portugal não crescer a sério desde 1999 é um pormenor.

III. Em 2009, a negação da realidade atinge níveis patológicos. Com fins meramente eleitoralistas, Sócrates e Teixeira dos Santos "escondem o valor do défice" e Sócrates promete "o que outros dizem (e o tempo prova) que não pode cumprir: grandes investimentos e generosas medidas de apoio". Pior: sabendo que isso seria suicidário para as contas públicas, Sócrates e Teixeira dos Santos aumentaram a função pública em 2.9% (uma medida eleitoralista que dá voltas ao estômago). Neste ambiente populista e eleitoral, nasceu a mentira número três: aqueles que apontavam o dedo para a realidade não eram realistas, mas sim "bota-abaixistas". No mundo de Sócrates e do PS, ser-se patriota é o mesmo que obedecer ao optimismo torpe dos socialistas.

IV. Fevereiro de 2009: a apresentação do OE2010 "obriga Sócrates a assumir o défice de 2009: nem os 2,2% previstos no início, nem os 5,9% indicados em Maio, nem os 8,5% admitidos em Dezembro". O défice era de 9,3%. Mas, com uma cara de pau ímpar na nossa democracia, Sócrates afirmou que "nunca houve tanta transparência nas contas públicas portuguesas". E, depois, o que fez Sócrates? Entrou em campanha, gastando mais dinheiro em eventos (inúteis, e que apenas serviam a sua propaganda) e abrindo mais escolas e hospitais (que não pode pagar). Entretanto, Sócrates inventa a mentira número quatro: aqueles que querem reformar o insustentável estado social são os neoliberais-malvados-que-querem-fazer-mal-aos-portugueses-pobres. O Estado está a cair de podre, mas não se pode tocar no dito estado.

V. Em Maio de 2010, aparece o PEC II. Sócrates dizia que era suficiente (afinal, chegámos ao final de 2010 com um buraco de 1.8 mil milhões no Orçamento). Para terminar a história, aparece o "29 de Setembro", e os episódios dos últimos dois meses. Caro leitor, vamos ser honestos: V. emprestava dinheiro a este indivíduo? Tendo em conta este historial, V. emprestava dinheiro a este governo?
Henrique Raposo, Expresso

2 comentários:

Carlos disse...

“Faladrar”

Uma mulher do povo disse a seguinte frase:
“Que estás tu a faladrar, meu pengo?”

O que deu origem àquele dito foi qualquer resposta malcriada dada por um rapazinho, quando ela o censurava por estar a castigar um irmãozinho mais novo.

“Faladrar” - queria dizer “falar”, como se se referisse a “ladrar” com intenção de ofender o rapaz?
E “pengo”, será o mesmo que “atrevido”, “maroto”, “mariola”, etc. ?

“Faladrar” pode arrolar-se nas figuras de dição.
Figuras são modos de dizer que intentam valorizar a expressividade.
Figuras de dição, aquelas que por meio de alterações fonológicas ou morfológicas concedem aos vocábulos novos aspetos de significação, relacionados com os próprios, mas acrescidos de algum valor acidental.

Ora, entre as figuras de dição podemos incluir os “trocadilhos”.
Os “trocadilhos”, como o nome indica, são “trocas” fonéticas em vocábulos de som parecido ou semelhante, os quais vocábulos se aproximam para o estabelecimento de contrastes, equívocos, graças, etc.

O trocadilho “faladrar” consiste no aproveitamento de duas semelhanças: a 1.ª entre a sílaba comum a “falar” e a “ladrar” (o la); a 2.ª entre o desabafo vocal do homem e o dos cães.

Este “trocadilho” de “faladrar” vale também pelo recurso à aliteração.
Mas o seu mérito expressional está sobretudo nisto: a pessoa que ofende outra, dizendo que ela está a “ladrar”, não deixa de travar a ofensa, amortecendo o insulto com a concessão da sílaba inicial de “falar”.

Quero dizer: a pessoa que por qualquer modo mais parece “ladrar” do que “falar” é insultada, dizendo-se que não “fala” nem “ladra”: mas que “faladra”.

“Faladrar” torna-se, pois, uma espécie de insulto semieufemístico.
“Meu pengo” é meu “pateta”, meu “parvo”.
Suponho o vocábulo “pengo” relacionável com um outro, de largo uso no Brasil - capenga, também sinónimo de pateta

Por muito respeito que tenha pelo autor do presente artigo (denegrindo mais o “cargo” do que a “pessoa” que se pretende atingir), pergunto:

- Será este um exemplo típico de um texto “faladrado”?

- Será que, tal como a cor das uvas, o “falar” e o “ladrar” andam de mãos dadas?


Carlos Fiúza

Anónimo disse...

De facto, segundo disse Cavaco Silva e Manuela F. Leite, a posição do PSD de Pedro P. Coelho na telenovela do acordo/desacordo da abstenção do orçamento e pelo facto de não ter apresentado qualquer alternativa convincente, deixou os mercados muito baralhados, tendo com esta atitude provocado enormes prejuizos ao país. Mas é natural e evidente que quem paga a fava é o Governo e por consequência o Zé Povo. As crianças, essas, nunca são culpadas.