segunda-feira, 19 de julho de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Política e ... matemática!

Sem sombra de dúvida, em língua portuguesa duas negativas anulam-se uma à outra, ficando uma positiva – menos por menos dá mais.
Leia-se: a ausência da ausência, dá efectiva presença (Vitorino dixit).“In illo tempore” (mais no meu do que no dele) assim nos foi ensinado.
E hoje?!
Que responderá qualquer pai a seu filho se questionado pela afirmativa?!
- Pai, diz aqui que os impostos serão mantidos e que as regras do PEC serão para cumprir nos moldes actuais … o que é que isto quer dizer?
- Filho, quer dizer que nem sempre o que parece é (única resposta correcta).
Com este raciocínio, serão as luzes de manter abertas ou fechadas, chiando, ou não, as molas dos colchões (tomando como exemplo o que bem escreveu Manuel António Pina neste oportuno e excelente artigo)?
Não mais Pitágoras, Euclides ou Thalles … está tudo errado, como afirma António Damásio referindo-se ao “Erro de Descartes”.
Mais por mais … já não dá mais, isto é, duas afirmativas (os impostos serão mantidos + o Pec está bem como está) não dão, forçosamente, uma afirmativa. Pelo contrário: neste caso mais por mais dá menos (negativa)!
Mas está certo que assim seja: "certinhos" para quê, "bons alunos" com que fito, quando os demais não nos “seguem”?
Vejamos:
Quando a gente se põe a falar sobre a vida das palavras, muita vez encontra nelas um reflexo das inconstâncias, das versatilidades deste Mundo.
Lábios e beiços (por exemplo) – aquelas membranas carnosas e sem osso que formam a parte exterior da boca, e cobrem os dentes quando se fecham, tanto no homem como nos brutos.
A parte mais macia e delicada dos beiços, que são as bordas em que muitas vezes brilha a cor de rubim, e quando abrem o sorriso deixam ver os dentes, são os lábios – A primeira é palavra vulgar, a segunda é científica e poética – Ajudam os beiços a fala e a mastigação; só aos lábios é dado imprimir meigos ósculos.
Se assim é,- A união dos lábios (afirmativa, referente ao homem) com os beiços (afirmativa, referente ao bruto) dá beijo, ósculo ou … o que?
Cuidado, pois, amigo Vitorino … o correcto em matemática, já era!...200 Euros por bebé, nos tempos que correm, já não é nada (100 € por apagar a luz + 100 € pelas molas), quero dizer: 100 + 100 já não dá “baby-boom”, o que até é bom … a próxima geração será mais céptica, mais "avisada".
Será que eu poderia viver“desaprendendo” a matemática? – “Poderia, mas não seria a mesma coisa”!

Carlos Fiúza

6 comentários:

João disse...

Realmente,não há,como nunca houve , certezas matemáticas e o mundo está mais céptico que em qualquer outra época,o que só se torna benéfico para toda a gente.
Se os homens tivessem sido sempre mais cépticos(por exemplo,já não sei como se escreve a palavra -com p ou sem p)com certeza não teriam cometido as atrocidades que cometeram, partindo da ideia de que a dúvida leva à hesitação(o que também não é seguro).
Falou no Damásio e bem porque ainda a actividade humana que mais se aproxima da certeza é a investigaçao científica.
Mas estou com o VAV:Louça transformou o funeral de Saramago na ausência de Cavaco,o que não é justo para Saramago.
JLM

Anónimo disse...

Parece neste momento nos meios intelectuais de Carrazeda que quase tudo gira em torno da opinião de Vitorino Almeida Ventura. Não sei se ele gosta muito disso... É que até no blogue do primitivo pensar-ansiaes, José Alegre Mesquita ressurge num estilo de agradecimentos e afabilidade, que se não o copia, para ele remete. Para mim, não há dúvidas que o anda a ler às escondidas. Mas gostava de ouvir quem disse há pouco não gostar de subir à montanha e ficar a ouvir o seu eco.
X

vitorino ventura disse...

Caro X,

não me queira transformar num buraco negro, que não sou capaz de engolir Estrelas.

Caro Carlos,

subescrevo completamente João, nos comentários ao artigo seguinte. O meu filho (nas leituras que faço com ele)levou-me à conclusão de que os políticos todos leram "O pequeno livro da desmatemática" (de Manuel António Pina), em que as personagens são: o zero, tão longe de ser uma nulidade, os números imaginários...

V. A. V.

Carlos disse...

Caro Vitorino,

Não partilho a ideia de "X" em o querer transformar em qualquer "Nova" ...
Glosei com o "trocadilho" da ausência da ausência (acrescentaria, "pela ausência"). No demais, estou de acordo que a chamada de atenção para a "ausência" de Cavaco no funeral de Saramago, "transformou" a sua ausência numa "não presença, quase presença".

C.F.

Anónimo disse...

Carlos Fiúza, de que aldeia é do concelho? Por onde andou? Não o conhecço de Carrazeda! O nível consigo aumentou muito por aqui.
Parabéns. Uma sua admiradora,
B.

Carlos disse...

Anónima B

Tenho pena, mas não sou de Carrezeda... nem tão pouco do Norte.
São "belíssimas" as gentes dessa região - sãs, chãs, honestas e "amigas do seu amigo".
Sou um cidadão comum, vulgar deste "nosso" Portugal que, por motivos profissionais, viveu muitos anos no exterior e que quando chegou, mais "apaixonado ficou pelas suas gentes", especialmente pela sua Língua (seriam saudades?), a tal "Ditosa Língua nossa Amada".
Obrigado pelas sua amabilidade.

C.F.