quarta-feira, 29 de junho de 2011
Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura
um tutankamoniano para o prémio Camões (# 2)
A Poesia Vai Acabar
A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —
in Ainda não é o fim nem o princípio, calma é apenas um pouco tarde.
Perpassa, neste poema, uma maldição tutankamoniana (claro que irónica) sobre o fim e mesmo sobre a inutilidade da poesia, e uma pre_
ocupação com o Outro.. que me levou ao que não lê, no poema de
Joaquim Manuel Magalhães:
Melhor seria que não me lessem nunca
os que por costume lêem poesia.
Muito além deles conseguir falar
ao que chega a casa e prefere o álcool,
a música de acaso, a sombra de alguém
com o silêncio das situações ajustadas.
Não ser lido por quem lê. Somente
pelos que procuram qualquer coisa
rugosa e rápida a caminho de uma revista
onde fotografaram todo o ludíbrio da felicidade.
Que um poema meu lhes pudesse entregar,
ademais da morte,
um alívio igual ao de atirar os sapatos
que tanto apertam os pés desencaminhados.
Mais do que tudo é isso que lhes quero
na confusão destas palavras atingidas
pelo contrário do que lhes entrego.
Pode até haver crianças, brinquedos espalhados,
o cheiro da comida, todas essas coisas de que fujo,
mas que me lessem sem pensar
na armadilha de palavras assim.
Alguém que me visitasse só
com o que ficou para trás nesse dia,
antes de pôr o vídeo com que vai tentar
esquecer o peso do princípio da noite,
as horas depois do emprego e do jantar,
antes do sono que tantas vezes é
um fechamento do desconsolo.
Estrelas cadentes, outras e outras
no dia? na noite tão curta? decepadas
e enaltecidas por entre o ladrar
de um cão que na distância
responde a outro cão.
Consciência aguda de que a poesia é lida num círculo fechado de poetas, entre si, como a que teve
Alexandre O’Neil: «Quem vos lê a vós? Somos nós/ E quem nos lê a nós? Sois vós./ Tudo fica, pois,/ entre nós, entre nós».
Curiosamente, tal preocupação de «ajudar» o Outro, através da Poesia, de prestar um serviço a, parece estar arredada das suas crónicas anacrónicas, onde se declara preferir «perder um amigo a uma boa piada».
terça-feira, 28 de junho de 2011
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Pequenas e médias empresas perguntam pelos 60 mil milhões destinados ao Interior

Em comunicado, a associação refere-se ao discurso do Presidente da República nas comemorações do Dia de Portugal, em que Cavaco Silva disse ser "urgente dar incentivos ao crescimento das regiões do Interior ou assimétricas".
"Onde foram aplicados 60 mil milhões de euros, referentes às dotações do QCIII (Quadro Comunitário) 2000/2006 e QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), uma vez que estas transferências líquidas da UE (União Europeia) para o nosso País, deviam ter sido investidas, precisamente no desenvolvimento das Regiões de Convergência, ou Regiões do Interior", questiona a associação.
Os pequenos e médios empresários lamentam que "a única sanção que os políticos responsáveis pela gestão danosa têm é perder as eleições".
A associação questiona ainda de onde virá o dinheiro público para investimento no Interior porque o empréstimo externo vai "servir para pagar dívidas de curto prazo" e porque "os empresários e a banca estão descapitalizados".
Para a ANPMES, a União Europeia vai ter que "controlar as soberanias orçamentais" dos estados "despesistas" como Portugal ou "reduzir as dívidas, perdoando impostos às PME e às famílias". JN
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Carrazeda de Ansiães regressa este fim-de-semana à Idade Média

“É um bom cartaz e uma actividade que tem muito interesse para aproveitarmos o castelo de Ansiães, para o divulgar e tirar dividendos com turistas que possam vir”, explicou.
A zona histórica da vila e o Castelo de Ansiães são os palcos deste evento.
“Não podemos esquecer-nos da importância que o castelo de Ansiães teve na Idade Média. Não podemos deixá-lo ao abandono. Temos de lhe dar alguma vida e notoriedade.”
José Luís Correia assume que este fim-de-semana nem é o melhor para o “Ansiães na Idade Média”, dado que coincide com algumas festividades de São João em aldeia do concelho.
No entanto terá sido a melhor altura para a Escola Profissional de Ansiães que também participa na produção do evento, a par da companhia Vivarte.
“Espero que seja também um pretexto de formação para o jovens do concelho e uma forma de dar a conhecer o modus vivendi da Idade Média.”
“Ansiães na Idade Média”, a iniciativa da Câmara de Carrazeda para animar este sábado e domingo na zona histórica da vila e no Castelo de Ansiães.
Haverá lutas, mostras de armas, danças e cantares, e um espectáculo musical das culturas cristã, moçárabe, judia e moura sarracena.
CIR /Brigantia
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Daqui e dali... Carlos Fiúza
De seu nome “Portugal” (curioso nome, não?) tudo lá acontece…
Autêntico caldeirão de sociabilidade e cultura, tudo ali é permitido. Não se pode fumar? Pois fume-se! Não de deve dizer mal da Câmara (mesmo em frente)? Pois diga-se, especialmente quando a sua presidente ali vai para tomar uma “bica” retemperadora! Não se deve chamar de “corruptos” aos representantes dos diversos partidos políticos? Pois chame-se: se não for a mesa 1 será a 4, a 7 ou a 10!
É “PROIBIDO PROIBIR”! E assim a sua “fauna” é diversa…
À negrura das capas dos universitários junta-se a brancura da indumentária dos pintores da

São as conversas em voz alta de mesa para mesa; são os diversos sons do futebol com as “provocações” do costume à mistura; são, enfim, tudo a que se possa chamar de “surreal”…
Mas tudo parece “normal” para os seus frequentadores! Qual “tertúlia”, quer chova ou faça sol, religiosamente, lá vou todos os dias!
Pois há dias assisti a uma zaragata por causa de um “penalty” que o não seria (ou seria?).
Palavra puxa palavra, insulto traz insulto, comportamento arrasta comportamento.
Daí à intervenção dos polícias de giro (antes que a batalha verbal descambasse em campal) foi um “ar que lhe deu”.
No meu “canto” (sim, porque cada “grupo” tem o “seu canto”, a sua área geográfica bem definida por “cores” clubísticas, políticas, intelectuais ou outras) assisti a todo o desenrolar da “cena”. Só não sei o início (se é que isso interessa).
Cheio de “gozo” interior e enquanto um dos polícias tomava os apontamentos da ocorrência (tentando apaziguar os ânimos), eu fui apontando (mentalmente) as minhas notas de filologia filosófica dos insultos ou das ofensas que acabara de ouvir.
Um sujeito, exaltadíssimo, disse ao outro: “Você é um canalha, um pirata, um malandro, um filho da p….”
Peço desculpa, mas não posso reproduzir o adjetivo final com que o sujeito classificou, numa síntese violenta, o seu antagonista (melhor dizendo, a mãe deste), o qual, depois de ouvir os doestos do “inimigo”, se saiu com esta:
“Olhe, mais vale ser canalha, biltre, pirata, malandro ou mesmo filho da p… do que ser um fingido, um cínico e um sacripanta como você é.”
Posso afiançar que as pessoas circundantes dos rivais, ao ouvirem a palavra sacripanta, desataram todas a rir, inclusivamente o polícia que não resistiu ao poder do vocábulo sacripanta. Como utilidade linguística, aquela zaragata (autêntica escola de escárnio e maldizer) ministrou-me assunto para o estudo que passo a apresentar da linguagem dos insultos mais frequentes.
Isto de se chamar sacripanta a um sujeito como se explica? Estou em crer que 99% das pessoas que se dão à prática de ofenderem o próximo com tal epíteto nem sonham com a origem, que foi esta muito simples:
O poeta da renascença italiana Ariosto, na epopeia romanesca, espirituosa e pinturesca chamada “Orlando Furioso” deu-nos o celebérrimo personagem do Sacripanta, tipo de perverso, velhaco, um verdadeiro patife, um homem canalha.

Este tipo do Sacripanta famoso, entrou, portanto, na adjetivação comum de patife.
Mas continuemos… O primeiro dos zaragateiros chamou canalha ao outro.
Que é canalha? Coisa boa não é.
A canalha começou por ser um coletivo: era o ajuntamento de cães.
Cão em latim era canis ou canes. Ora, já em latim o cão se podia utilizar com injúria.
De can se formou o coletivo francês canaille, o coletivo italiano canaglia, o coletivo português canalha, etc.
Em francês, como cão é chien, houve chiennaille; mas o italiano canaglia sobrepôs-se e formou-se canaille.
Canalha é, pois, na essência, o conjunto de cães, a cachorrada.
As mulheres do Norte, rodeadas de sua filharada, quando esta faz desmandos, gritam: “Estai quedos! Que tal está a canalha!”.
Canalha são os filhos, como cachorrada que faz diabruras.
Como os cães juntos, se já são maus, se tornam piores, é óbvio que a palavra canalha passou a aplicar-se, figuradamente, à gente ruim.
Perdida a noção de que a canalha era coletivo, formou-se em aceção singular para referir o indivíduo patife.
O chamar-se, por exemplo, cínico a alguém implica em que também entra o cão, ao recordar que cínico veio do grego Kynikós, de Kyon, cão, do nome de uma seita de desdenhadores, que mordiam moralmente.
Quanto ao pirata, foi-se buscar à vida dos mares esse epíteto.
Pirata era toda a gente que andava nas aventuras dos mares, tentando a boa sorte, porque em grego peiratês é o que tenta, de peirán, tentar.
O termo injurioso malandro é mais complicado e a sua origem muito confusa.
É possível que malandro seja um derivado regressivo do italiano malandrino, que nos deu malandrim, tudo relacionado com a sarna das pernas das bestas e dos vagabundos.
De vagabundo passou ao sentido pejorativo. Em francês há malandrin, também do italiano malandrino.
Deve, pois, o malandro relacionar-se com pústulas e sarna.
Depois de estudados os termos ofensivos da zaragata a que assisti, passo a trazer à análise outras palavras de injúria.
“Seu patife! - Aqui está uma exclamação frequentíssima, infelizmente prova de que há muita patifaria no mundo.
Parece que patife se relaciona com espatifar, do latim patefacere, abrir (as entranhas, por exemplo).
Relacionar patife com espatifar é, pois, de coerência semântica e formal.
E o maroto? Esta palavra entra muito em injúrias, com tanta intensidade como o mariola.
“Seu maroto, seu mariola!” Isto é audível amiúde. Mas também se ouve muito: “Ele é um marau”. Ora, como em francês há maraud, trapaceiro, gatuno, larápio, os marotos, os maraus devem relacionar-se no sentido de patife, larápio e até… gato vadio.
O maroto é assim, como marau, de baixa estirpe, e até aos figos maus e bravos se chama “figos marotos”, como se chamam “olhos marotos” a olhos com maldade ou leve malícia.
Está-se a ver claramente que nos insultos se vai buscar à condição dos “Vadios, Moinantes & Companhia” a forma de injuriar.
Não é useiro este termo “vadio” como ofensa? Vadio é o vagativo, o que vagueia.
“Ele é um biltre!” Aqui temos nós outro termo assaz injurioso, recebido de França, onde bêlitre, mendigo, vadio, miserável, maltrapilho, foi a princípio frade mendicante.
Belistre, bêlitre, que nos deu biltre, começou, portanto, na indigência dos peregrinos frades da França, passou a mendigo e de mendigo saltou ao sentido injurioso de patife, malandro.
Quando se diz “seu biltre”, fundamentalmente está chamar-se mendigo, pedinte, indigente à pessoa que recebe o ofensa.
E o rol seria infindável…
Mas é de mencionar um facto importante: a degradação semasiológica de certos termos utilizados como injúrias, os quais, tendo ganho um mau sentido por exagero, para sempre ficaram tomados à má parte.
Por exemplo: vilão, traficante, tratante.
“És um vilão, és um tratante”. Isto hoje ofende. Mas dantes não ofendia, porque vilão era o da vila, e tratante era o que tratava, como traficante era o que traficava.
Chamar vilão a um homem era tão natural e tão inocente como chamar-lhe camponês. Mas vilão passou a campónio. Por influência de vil, julgou-se que vilão era o muito vil, e como já o sentido de campónio (que o vilão incluía) ajudava a ser vilão sinónimo de grosseiro, rude, baixo, o vilão passou a termo de injúria.
Tratante significa propriamente o que trata, o que se encarrega de tudo, no sentido de comércio, negócio, tráfico de mercadorias. Hoje, porém, torna-se à má parte, e é quase sinónimo de traficante.
Como se vê, a luta de interesses e de negócios dá o seu contributo à linguagem injuriosa.
Não admira. Tem sido sempre assim, desde que o mundo é mundo…
Os rivais são hoje os que, por oposição de interesses, disputam algo, como riquezas, valores morais e materiais, etc. Pois, os rivais primitivos eram os que estavam em margens opostas dos rios: latim rivalis, de rivus, rego de água, ribeiro. Os ribeirinhos, os que conduzem a água pelo mesmo ribeiro, eram rivales. Ora, das rixas, das zaragatas, por causa da concorrência das águas, nasceu a rivalidade, a inimizade.
A rivalidade, a inimizade pode trazer o insulto e o escândalo.
O escândalo põe a linguagem do avesso, trocando até inocências por maledicências.
Por exemplo, este termo que acabo de empregar, escândalo, não tinha nada de mal, e agora tem. Escândalo pode ser hoje ofensa ou injúria.
Como nasceu escândalo? Nasceu numa pedra, a pedra que faz tropeçar, em grego skándalon, a pedra do escândalo.
Quem tropeça irrita-se. Quem se irrita em geral injuria.
A inspiradora das injúrias é na verdade a ira. E a ira é tão perigosa que até os próprios cultores da virtude caem nela.
Se tropeçamos, chamamos nomes às pedras. Se nos queimamos, chamamos nomes ao lume.
E até se conta que certo rapazinho estava um dia atento a ver um padre mui virtuoso a pregar um prego na parede.
Perguntou-lhe o clérigo: “porque é que estás tão atento a ver-me pregar um prego?”
“Desculpe reverendo, respondeu o moço, mas estava a ver se vossa reverência falhava o prego, para eu saber o que o senhor padre diria, ao dar com o martelo nos dedos”.
Esta não é do Padre Manuel Bernardes, mas serve para lhe dar razão quando ele disse que a “ira é como o cão, e esta às vezes primeiro morde ao hóspede, do que este lhe possa dar nome”.
Façamos, então, como as crianças, quando nos ofenderem.
“Macaco sem rabo!” chamou um miúdo ao outro. Resposta deste: “Sou macaco, tenho fama. Mais macaco é quem me chama”.
Carlos Fiúza
segunda-feira, 20 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura
um tutankamoniano para o prémio Camões (# 1)
o que me vale
o que me vale aos fins de semana
é o teu amor provinciano e bom

para ele compro bombons
para ele compro bananas
para o teu amor teu amon
tu tankamon meu amor
para o teu amor tu te flamas
tu te frutti tu te inflamas
oh o teu amor não tem com
plicações viva aragon
morram as repartições
in Ainda não é o fim nem o princípio, calma é apenas um pouco tarde.
Desde o primeiro livro de poemas, que Manuel António Pina revela um enorme pendor filosofante e sarcástico, e um meio termo entre a poesia do quotidiano e a da linguagem da linguagem, com os jogos que são evidentes, neste poema, sob a referência maior ao/do dadá surrealista Louis Aragon. Claro que
os «tesouros» de Manuel António (bem maiores do que os do sarcófago de Tutankamon) não se ficam pela poesia, mas pela ficção, pelo teatro e pela literatura infanto-juvenil. No teatro, acompanhei no Pé de Vento as actuações do meu bom amigo Rui Spranger, nas suas peças «Os piratas» e «História do sábio fechado na sua biblioteca», assim como li (com o meu filho) o «Pequeno livro da desmatemática» da colecção Assirinha, trocando por vezes o «têpluquê».
O que se disse... Mário Soares

Especialistas defendem mais colaboração entre instituições sociais

Marisa Lopes considera que já existem na região instituições suficientes para responder às necessidades desta faixa etária, mas entende que deveria haver um trabalho conjunto de planificação e distribuição dos serviços.
“Já há uma boa cobertura. Devemos é unir-nos e planificar correctamente os serviços e distribuí-los uniformemente. Em cera medida já vamos fazendo algum trabalho mas acho que ainda temos de unir esforços para pensarmos correctamente a quem falta dar assistência e planificar rotas.”
Este Fórum foi organizado pelos alunos finalistas da licenciatura em Gerontologia, do Instituto Politécnico de Bragança.
Nuno Afonso, o representante, diz que esta é uma forma diferente de conjugar a teoria e a prática.
“Uma coisa é chegar lá e dizer que as coisas se fazem desta forma e que têm esta e aquela doença. Acaba-se mais por descrever a doença do que encontrar métodos para chegar aos idosos. Fala-se imenso de teoria mas a prática de chegar ao idoso não é uma coisa que se possa ensinar numa sala de aulas”, garante.
A Fundação Betânia, de Bragança, foi a outra instituição parceira desta iniciativa.
A directora técnica, Paula Pimentel, salienta a importância destas acções para melhorar a qualidade dos serviços prestados.
“Não quisemos apenas trazer conteúdos teóricos mas dar exemplos práticos de situações que nos preocupam, como a qualidade, a realidade da terceira idade, o que devemos fazer para tornar o dia-a-dia das pessoas institucionalizadas ou não melhor.”
Um fórum que contou com diversas instituições, técnicos, docentes e idosos.
Brigantia
terça-feira, 14 de junho de 2011
Daqui e dali... Carlos Fiúza

Há no Homem grande multiplicidade de tendências, mas todas elas derivam de um impulso vital ou vontade de viver, que na criança se manifesta apenas pelas tendências instintivas e aumenta consideravelmente no adulto à medida que se desenvolve o conhecimento do mundo, de si mesmo e dos bens ideais.
Assim, o adulto espiritualisa e intelectualiza as tendências instintivas, tornando-as voluntárias, adquirindo outras novas - as habituais.
Todas as tendências têm influência na formação do “eu”, como realidade consciente, alimentando-o e desenvolvendo-o.
No entanto, todas as tendências devem ser regradas e bem dirigidas; caso contrário, em vez de qualidades dignas da “pessoa”, tornam-se vícios nefastos (como aponta, e com razão, o meu amigo João Lopes de Matos).
Há quem afirme que a “pessoa” não é mais do um fruto da sociedade.
Não é essa a minha “visão”.
Para mim, cada PESSOA tem na sua própria natureza o que a caracteriza - a RAZÃO!
A sociedade pode, quando muito, contribuir para a sua formação e defesa.
Lembremo-nos que as tendências não são conscientes em si próprias, mas nas suas manifestações.
Por vezes, condições morais e conveniências sociais (como a educação) exigem que as regremos e dominemos para evitar os seus desmandos.
Para isto forma-se em nós uma espécie de “crítica” (como que uma censura) que “fiscaliza” a passagem das tendências do inconsciente para o consciente, para avaliar a sua “conveniência” ou “não conveniência”.
A este trabalho chamou Freud de “recalcamento” ou “ repressão”, ensinando-nos que a tendência contrariada produz um estado desagradável, que nos pode levar à cólera, à tristeza doentia e ao desespero.
Mas, as tendências assim reprimidas não desaparecem imediatamente… permanecem em nós à espera do momento oportuno para se satisfazerem.
É para evitar estes factos que recorremos à “sublimação”, desviando a tendência de um objeto para outro, transformando-a numa de ordem superior.
Todo o Homem é provido de psiquismo inferior (temperamento) e de psiquismo superior (caráter).
Toda a nossa vida psíquica obedece, assim, a estas duas forças que lhe dão uma uniformidade e uma constância tais que nos permitem determinar (com uma certa exatidão) o comportamento do Homem em face daquilo que o estimula.
Quando este binómio “falha”, podemos cair nas tendências exaltadas, ou seja, nas “paixões”, as quais se desenvolvem mais nuns indivíduos do que noutros, consoante certos fatores de ordem fisiológica, social e psicológica.
E é aqui que ocorre a “VONTADE” (ou a falta dela) … a paixão só se poderá desenvolver ou fortificar se o Homem não estiver na plenitude de si mesmo, isto é, se não tiver uma vontade forte.
E quando essa vontade falta… surgem os “desvios”, apontados por JLM.
Só que… quer a cleptomania quer a psicopatia (como eu “entendo” o Homem) são atos involuntários da sua própria vontade (ou da falta dela) - são, tão só, disfunções neurovegetativas.
Aqui (como salienta JLM) o campo é fértil … a neurociência o dirá!
“… a comida roubada à monja franciscana e ao goliardo, poderá constituir-se alimento daqueles que não conseguem produzir algo de próprio” (VAV).
Carlos Fiúza
P.S. Obrigado a ambos.
Daqui e dali... Carlos Fiúza
As tendências aumentam em número e complexidade desde o animal ao homem e da criança ao adulto.
Os “apetites” devem ser regulados pela razão, sob pena de degenerarem em paixões grosseiras.
As tendências são, assim, “guardas” da nossa personalidade, e, por isso, são legítimas e necessárias quando contidas em justos limites; de contrário, dão origem a vícios, como o ódio, a inveja, o orgulho.
O homem é naturalmente levado a “imitar” o que vê nos outros, e daqui se conclui a força do exemplo na educação da juventude, que o povo sintetiza no aforismo “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.
A própria “simpatia” é já um contágio de emoções e não um simples contágio de atos, como a imitação.
Amar é querer bem ao objeto amado; é uma inclinação do amante para com o amado, que o leva a encarnar-se neste.
O objeto amado vive no amante, como o objeto conhecido no conhecedor.
A amizade é uma modalidade do amor de benevolência; é um amor de preferência entre duas ou mais pessoas.
A amizade procura, mediante ações, a felicidade de outra pessoa; tudo é comum entre amigos, porque o amigo é como que um outro “eu”.
O amor e a amizade adoçam as agruras da vida; são estímulos capazes de levar o homem aos maiores sacrifícios.
Uma vida passada sem amor e amizade é uma vida estéril, infeliz, que incapacita o indivíduo de empreender grandes obras.
Todas as grandes ações são fruto de amor e amizade.
É certo que em oposição ao amor, temos o ódio, que dá origem a atos de aversão.
Daí o dizer-se que todos os atos têm por base o amor ou o ódio.
No entanto, como o ódio a um objeto ou pessoa deriva do amor que temos a outro objeto ou pessoa, por aquele impedir a prossecução deste, não repugna basear todas as tendências no amor.
Toda a vida psíquica do homem, caracterizada por uma infinidade de atos, é condicionada pelas suas tendências que não são mais do que energias para atuar.
No homem cada órgão tem a sua função e cada atividade a sua finalidade, mas todas estas funções ou finalidades devem ser dirigidas num único sentido:
o HOMEM deve agir como convém a um ser que pensa.
Daqui a minha “confusão”:
- Germano ou género humano?
Carlos Fiúza
domingo, 12 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Morte do Bloco de Esquerda: missa do 7º dia realiza-se no Domingo - Tiago Mesquita

quarta-feira, 8 de junho de 2011
Feira da Sustentabilidade Urbana promove inovações ecológicas

Daqui e dali... Tiago Mesquita

Depois da despedida "emocionada", a farsola repugnante com que José Sócrates brindou os portugueses no domingo passado via teleponto, hoje foi a vez da mensagem interna ao partido: "O secretário-geral cessante do PS, José Sócrates, despediu-se hoje da Comissão Nacional do PS com uma mensagem curta mas emotiva, dizendo para os dirigentes socialistas "eu adoro-vos". Jornal Sol
Não é de chorar a rir? "Adoro-vos" meus queridos. Agora adeus! Aguentem-se à bronca! Bye. Só mesmo neste país da treta é que um Primeiro-Ministro que causou o caos político, social e económico se demite e despede com esta ligeireza das suas funções, desresponsabilizando-se moral, política e quem sabe, a exemplo de outros países, criminalmente do passado recente e das suas acções que muito contribuíram e foram o ponto de partida para o estado de degradação a que chegámos.
É certo que não é costume julgarmos os políticos pelas suas acções mas ia sendo altura de o fazermos, dar o exemplo para não arriscar um novo Sócrates nos próximos 100 anos, o mesmo tempo que precisamos de recuar para vislumbrar uma crise desta dimensão.
"O antigo Primeiro-Ministro islandês Geir Haarde está hoje em tribunal, acusado formalmente de ter contribuído para a crise, ao não conseguir evitá-la, e de ter falhado nos seus deveres para lidar com as consequências ( ...) O ex-líder do Executivo islandês rejeita todas as acusações. No entanto, se for considerado culpado, pode ser condenado a uma pena de prisão, salienta a Associated Press. (...) O Parlamento da Islândia, em Setembro passado, acusar formalmente Geri Haarde por ter alegadamente fracassado no dever de ter evitado a crise de 2008. Esta crise gerou uma forte contestação social no país e fez cair o governo (...) Negócios Online
Este senhor islandês também nacionalizou bancos, foram 3 no total, falava de recursos verdes, do mar e do capital humano (onde é que eu já ouvi isto) para superar um colapso financeiro que levou o país à bancarrota. "Ficaremos bem, comeremos aquilo que pescaremos" - dizia esta figurinha na altura até o povo islandês o atirar ao charco.
Lei n.º 34/87, de 16 de Julho CRIMES DE RESPONSABILIDADE DE TITULARES DE CARGOS POLÍTICOS, CAPÍTULO II - Dos crimes de responsabilidade de titular de cargo político em especial, Artigo 7.º - Traição à Pátria: "O titular de cargo político que, com flagrante desvio ou abuso das suas funções ou COM GRAVE VIOLAÇÂO DE INERENTES DEVERES, ainda que por meio não violento nem de ameaça de violência, tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro, ou submeter a soberania estrangeira, o todo ou uma parte do território português, ofender OU PUSER EM PERIGO A INDEPENDÊNCIA DO PAÍS será punido com prisão de dez a quinze anos."
terça-feira, 7 de junho de 2011
Sócrates vai para o "Guiness" pela sua incompetência, diz Belmiro

segunda-feira, 6 de junho de 2011
PSD arrecada maior votação em Bragança

Nota final para os 1428 votos brancos, que representam 1,89 por cento do total de votos no distrito de Bragança. Brigantia
domingo, 5 de junho de 2011
sábado, 4 de junho de 2011
Manuel Esteves - O voto em branco não é como o algodão - engana
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Daqui e dali... Henrique Raposo
Daqui e dali... Camilo Lourenço
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Daqui e dali... Tiago Mesquita
Mas quem é este Paulo Campos? Segundo o jornal I: "Paulo Campos teve entre 1994 e 2002 uma empresa de produção de espectáculos (chamada Puro Prazer). O negócio

Em Junho de 2005, Marcos Afonso Batista foi nomeado administrador dos Correios de Portugal e de mais cinco empresas do grupo. Já em Abril de 2009, Luís Pinheiro Piteira - que tem apenas a frequência do terceiro ano da licenciatura em Contabilidade - assumiu funções como administrador da Empresa de Arquivo de Documentação (empresa participada dos CTT) e este ano passou a acumular funções na Payshop, onde também é administrador"
Mas pior! Leia-se a justificação para as nomeações dada pelo próprio Paulo Campos em entrevista, é simplesmente hilariante!
- Como já expliquei em comunicado esses dois meus ex-sócios foram escolhidos exclusivamente em função da sua competência e vasta experiencia na área da gestão.
O que aconteceu à empresa que fundaram nos anos 90?
- Cessou a sua actividade. Acabou. Terminou. Basicamente morreu.
Então esses bons gestores levaram à falência uma empresa privada?
- Não levaram nada à falência, o que se passa é que essa empresa, a Puro Prazer, tinha uma função muito específica: organizar a Semana Académica de Lisboa de 1995.
Fundaram uma empresa só para organizar uma festa?
- Sim.
E organizar uma festa torna os seus sócios competentes para trabalhar nos CTT?
Eu diria mais: num governo de José Sócrates é mais fácil ser secretário de Estado adjunto do que distribuir rodadas de Imperial. Uma valente vassourada nesta gente toda. Já no dia 5! Expresso
Daqui e dali... Gonçalo Bordalo Pinheiro
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Daqui e dali... Henrique Raposo
- Estamos a viver a maior vaga de emigração desde os anos 60. Pelas contas de Álvaro Santos Pereira, estão a sair de Portugal cerca de 100 mil portugueses por ano (2007: 108.388; 2008: 101.595 - como é que o nosso primeiro justifica estes números que são relativos a anos anteriores à salvífica crise internacional?). Toda a gente em Portugal já foi tocada pelo drama da emigração. Toda a gente tem um primo ou amigo que foi forçado a emigrar. Quando é que começamos a falar a sério disto?
- A dívida pública portuguesa estava nos 60% em 1995. Em 2005, continuava na casa dos 60%. Com Sócrates, a dívida disparou de forma incrível (quase 100% em 2010), sobretudo a partir de 2008 e 2009. Então o nosso primeiro-ministro começou a pedir dinheiro emprestado no preciso momento em que estalou a tal crise internacional do crédito? Pois, era preciso vencer umas eleições através da falácia-mor de 2009: "ah, falar de endividamento é bota-abaixismo".
- Em 2005, a carga fiscal estava nos 34% do PIB. Com Sócrates, a pressão dos impostos aumentou para 37%. Obrigado, senhor engenheiro. Aumentar impostos é a forma mais fácil e perversa de gerir um país.
- Entre 2014 e 2026, nós, portugueses, iremos pagar todos os anos mais de 1.500 milhões de euros em PPP. 1500 milhões é o mínimo, porque a conta pode chegar aos 2500 milhões (entre 2014 e 2018). Até 2038, iremos pagar - no mínimo - 1000 milhões por ano. A conta das PPP só baixará dos 500 milhões por ano em 2040. Ou seja, os meus netos ainda vão ter de pagar a conta deixada por Sócrates. Como já afirmei, a questão não é a reestruturação da dívida (até porque isso nem depende só de nós; estamos numa moeda partilhada). A grande questão passa por reestruturar esta conta com os construtores e concessionárias.
Acho que por hoje já chega. Amanhã há mais. Mais factos. Expresso
Candidaturas ao PRODER para jovens agricultores reabrem hoje

Agora, promoveu diversas alterações.
O princípio de aprovação de candidaturas foi invertido. Se até aqui era dada primazia aos projectos simples, que recebiam à cabeça 32 mil euros, com os restantes oito mil pagos mediante a concretização da candidatura, agora, passa a ser obrigatória a apresentação de um plano de investimento associado. As comparticipações rondam, em média, os 50 por cento do valor dos projectos.
Ainda no último fim-de-semana, no dia do agricultor, em Macedo de Cavaleiros, José Matos, da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, apontava as principais alterações sofridas pelo programa.
“O prémio é agora em função do subsídio atribuído, deixa de haver prémio só por si, tem de haver investimento associado. Houve alguma simplificação de alguns processos. E houve um aumento da taxa do subsídio.”
Em Fevereiro, o ministério da Agricultura adiantava que o orçamento para este ano para este projecto chegava aos 156 milhões de euros, estando já aprovadas 2528 novas instalações de jovens, no montante de 101 milhões de euros. Entre Dezembro e Fevereiro deram entrada 950 candidaturas, com o Ministério da Agricultura a indicar a média de 80 por cento de aprovações.
No entanto, das candidaturas apresentadas, apenas metade tinham associados projectos de investimento.
Brigantia/CIR