sábado, 14 de maio de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo


Sócrates está a mentir ou é irresponsável. Escolham


I. Das duas, uma: ou José Sócrates andou a mentir ao país, ou José Sócrates não leu o documento da troika. É esta a conclusão a retirar da polémica sobre a Taxa Social Única (TSU). Temos um primeiro-ministro que mente sistematicamente ou temos um primeiro-ministro irresponsável. Qual é o cenário que prefere, caro leitor?


II. Cenário da mentira. O documento da troika, assinado e elogiado por José Sócrates, é bem claro num aspecto: Portugal tem de baixar seriamente os impostos sobre o trabalho (ponto 39, p. 12) . Por outras palavras, Portugal tem de baixar a TSU. PS, PSD e CDS assinaram este documento, ou seja, comprometeram-se a baixar significativamente a TSU. Ora, o PSD, de forma lógica, fez as suas contas e apresentou a sua redução da TSU. Na resposta, Sócrates e o PS orquestraram uma mentira (o eufemismo é "desinformação") que rezava assim: a redução da TSU é uma maldade exclusiva do programa do PSD. Eis a tal mentira que Louçã expôs ao ridículo no debate de quarta-feira. Sócrates criticou a redução da TSU poucos dias depois de se comprometer a fazer exactamente a mesma coisa. Não é linda a coerência do nosso glorioso líder?


Desta forma, Sócrates não mentiu apenas aos portugueses. Ao rasgar a sua própria palavra, o primeiro-ministro pôs em causa a palavra de honra do país. Portugal, através de José Sócrates, disse à troika que ia baixar significativamente a TSU, mas agora a propaganda interna do dito Sócrates está a negar esse compromisso de honra. Isto, meu caro leitor, é bater no fundo. É que as mentiras de Sócrates deixaram de ser um assunto da politiquice interna. Agora, após a assinatura daquele documento, as mentiras de Sócrates põem em causa o nome de Portugal perante as instituições que nos vão emprestar os 78 mil milhões.


Quando foi confrontado com a mentira (por Louçã), Sócrates fez uma típica fuga para a frente: "ah, mas eu não concordo com uma forte descida da TSU". Ora, se não concordava com isto, Sócrates só tinha uma coisa a fazer: não assinar o documento da troika. Entretanto, Teixeira dos Santos e o sr. Thomsen já desautorizaram o governo. Ambos reafirmaram que o governo se comprometeu a baixar seriamente a TSU. Aliás, o senhor FMI até diz que o governo está a pensar numa redução da TSU na casa dos 3-4% do PIB. Na resposta, o governo, pela voz de Silva Pereira, diz que isso não é verdade. Mas quem é que ainda pode acreditar em Sócrates e Silva Pereira?


III. Cenário da irresponsabilidade. José Sócrates não leu o documento que assinou. OK, não mentiu. É apenas irresponsável. Um cenário aceitável, apesar de tudo. O nosso querido líder passa muito tempo à frente no espelho e, por isso, é natural que não tenha tempo para estudar o documento mais importante das últimas décadas. Ou então o "Luís" não teve tempo para fazer os cartões com os tópicos, preocupado que estava com o teleponto.


IV. Meu caro leitor, isto não é física quântica: ou temos um primeiro-ministro que mentiu ao país (mais uma vez), ou temos um primeiro-ministro totalmente incompetente. Escolha a sua hipótese preferida. Expresso

2 comentários:

Carlos disse...

A “CEIA”

Metáfora - o tropo assim denominado (da palavra grega “metaphora”, que designa “translação”) funda-se, como é sabido, na relação de semelhança entre aquilo que naturalmente exprime determinado termo e o que passa a designar por comparação.

Assim, por exemplo, a alvura da neve pode servir de símbolo ou de imagem à brancura dos cabelos de um velho.

Ora, acontece que o uso da metáfora, parecendo que não, apresenta muitas dificuldades.

Já Quintiliano afirmava que as locuções metafóricas deviam obedecer a uma certa unidade, de modo que entre os vários componentes expressivos se mantivesse sempre a necessária harmonia.

Hoje, infelizmente, constitui um dos mais frequentes senões estilísticos a sensaboria e até a contradição que, se bem analisarmos, encerram certas metáforas.

Mas não o texto de Vitorino A. Ventura!

A maestria das suas imagens,

“… a importância da Mesa…”;
“… o comer de tudo com todos…”;
“… este país precisar de mesas em torno da Mesa…”,

é esclarecedoramente convincente!

O seu…
“alimentar uns dos outros… para sair da Noite…”
é, como dia Horácio,
“Mens divinior”…

- verdadeiramente “inspiração poética”!


Carlos Fiúza

P.S. Faço votos para que esta “Ceia” não seja a "ultima"!

Anónimo disse...

A ninguém faltava o pão,

Se este dever se cumprisse,

Ganharmos em relação,

Com aquilo que se produzisse...