terça-feira, 24 de maio de 2011

Daqui e dali... Tiago Mesquita

José Sócrates e os sete anões contra Passos Coelho


José Sócrates convenceu-se, e não foi o único, que o debate de sexta-feira passada seria mais um passeio de início de noite no ringue. Que iria comer Coelho à caçador mas saiu-lhe uma lebre doida e o tiro pela culatra. A verdade é que ao fim do 1º round mal se segurava nas canelas. O mito foi desfeito. O imbatível José parecia um coelhinho assustado. Limitou-se a recorrer ao vasto rol de expressões que usa habitualmente quando está apertado. José é uma espécie de colectânea dos sete anões em termos faciais. Do feliz ao mestre, do soneca ao zangado...rezingão, espantado...enfim há de tudo um pouco.
José Sócrates é uma nulidade (até aqui nada de novo). Governou durante 6 anos o país e age agora como se fosse um perfeito desconhecido. Esgotado, um deserto de ideias, de propostas, agarrou-se às palavras, ideias, às medidas, chegando ao ridículo de reler algumas passagens do livro recentemente escrito pelo opositor. É uma figura a roçar o patético, doentiamente incapaz de responder directamente a uma pergunta, intolerante à crítica e visivelmente decadente na sua maneira de estar, de agir, de se expressar. É uma figura surrealista, cinzenta e demagógica.
Não tem argumentação para além de um positivismo delirante, quase esquizofrénico, como se habitasse um planeta de uma galáxia distante, onde tudo o que acontece de mal é provocado por seres vindos do exterior e por isso de responsabilidade não imputável a quem comanda os destinos do planeta. Sejam estas figuras alienígenas, os mercados, a crise internacional, o FMI, a oposição ou o Presidente da República. Eles sim são os culpados do estado de coisas. "
O governo? O governo PS é um exemplo!"
Esta aparente incapacidade de assumir o estado catastrófico em que deixou o país é a maior prova da sua cobardia política, da sua incapacidade de gestão e assunção das responsabilidades inerentes ao cargo e daí não achar difícil que alguém com dois dedos de testa, sem palas e mesmo que socialista considere este político, José Sócrates, uma total nulidade e desilusão.
PS: Foi com estranheza que vi (alguns, poucos) comentadores políticos e candidatos a comentadores darem a vitória clara a José Sócrates no debate. Ou não viram o mesmo debate que eu e a maioria das pessoas que ouvi pronunciarem-se sobre o mesmo, ou para estas pessoas um debate político é ganho por alguém que chega ao final do mesmo sem responder a uma única pergunta, sem que expresse uma única ideia coerente e sem que se conheça uma única proposta. Se assim for, José Sócrates é de facto imbatível.
Expresso

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