quinta-feira, 31 de março de 2011

O que se disse... ABC Diário Digital - Espanha

«El primer ministro portugués se parece a un conductor que avanza a toda velocidad por la autopista en dirección contraria, convencido que son todos los demás automovilistas los que se equivocan ABC Economia

Daqui e dali... Henrique Raposo

Socrates School of Economics

Vieira da Silva, José Sócrates, o PS inteiro e o meio "jornalismo" (gosto muito de ouvir analistas que não passam de protectores oficiosos do PS e de Sócrates) criaram uma nova escola de pensamento económico, a saber: a Socrates School of Economics (a malta, lá fora, tira o acento ao nosso primeiro). Esta escola decreta que um país pode entrar em bancarrota total em apenas uma semana e somente por causa de uma acção parlamentar. Esqueçam os anos de má governação, esqueçam os anos de más escolhas de política económica, esqueçam os anos de incompetência dos ministérios das finanças. Nada disso é verdade. Nada disso conta. Segundo esta brilhante escola, a bancarrota surge quando uma borboleta, a oposição, bate as asas. É essa inocente borboleta que, num simples acto, causa a destruição.

Portanto, para a SSE (Socrates School of Economics), a bancarrota surge por artes mágicas, porque existem umas pessoas más (a oposição) que não seguem as pessoas boas (o governo). Ou seja, a bancarrota é uma espécie de acto de vontade, e não a consequência de políticas concretas conduzidas ao longo de anos. Para a Socrates School of Economics, Portugal está na bancarrota porque a oposição revelou má vontade, porque a oposição quis essa bancarrota. E quis porquê? Ora, porque está coligada com o Sauron do guito, o FMI. 16 anos de governação PS não contam para nada nesta perspectiva epistemológica revolucionária no campo do pensamento económico. Genial, pá.

Não sei se a Socrates School of Economics conseguirá vencer o Nobel da Economia, mas como literatura não está mal, não senhor: é a aplicação do realismo mágico aos assuntos económicos. Expresso

quarta-feira, 30 de março de 2011

O que se disse... Henrique Neto

«...aquilo que o Governo devia ter feito é não nos ter colocado nesta situação.»

Henrique Neto, antigo dirigente socialista (Negócios)

Sede da agência de desenvolvimento do Tua em Mirandela não é consensual

Não foi consensual a escolha de Mirandela para sede provisória da agência de desenvolvimento regional do Vale do Tua. No acto da escritura, já ficou bem patente a falta de consenso entre os autarcas. Uma decisão muito contestada pelo presidente do Município de Carrazeda de Ansiães que pretendia ver a sede em Foz-Tua. Na mesma altura em que foi assinada a escritura de constituição da agência de desenvolvimento regional do Vale do Tua, surgia a primeira divergência entre os cinco autarcas. O edifício da Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana servirá de sede provisória da nova agência, o que claramente não agrada ao autarca de Carrazeda de Ansiães. José Luís Correia diz ser uma injustiça a sede ser em Mirandela alegando que foi um município que sempre esteve contra a barragem e espera que ela venha a ser centralizada em Foz-Tua. “A minha posição é só uma: a sede natural é Foz-Tua, por toda a envolvência do vale, porque é o concelho mais prejudicado com a construção da barragem que fica sem mobilidade” refere o autarca, acrescentando que “é uma injustiça a sede ser em Mirandela que foi sempre contra a construção da barragem e agora é que começa a ganhar com a construção da barragem. Os meus colegas optaram por maioria que fosse provisoriamente em Mirandela, mas acredito que um dia venha a ter uma sede num lugar diferente”. O presidente do Município de Murça prefere sublinhar que, em qualquer momento, desde que a Assembleia-Geral assim o entenda, a sede pode ser deslocalizada e também considera Foz-Tua uma boa solução para o futuro. “Nós tínhamos que indicar uma sede física e eu concordei com Mirandela mas a Assembleia-Geral pode em qualquer momento instalar a sede noutro município. Neste momento acho que encaixa bem em Mirandela” afirma João Luís Teixeira. O autarca de Alijó faz questão de desdramatizar esta polémica. Artur Cascarejo considera que se trata de uma questão de pormenor e explica que a escolha de Mirandela tem a ver com razões economicistas. “No respeito perante as dificuldades do país e numa estratégia de contenção de custos nós considerámos que estávamos a dar um exemplo ao país sediando numa associação de municípios que já existe, com espaço físico e recursos humanos” explica o autarca. Parece estar criada o primeiro sinal de divisão entre os autarcas que fazem parte da agência de desenvolvimento regional do vale do Tua. A sede provisória em Mirandela não foi uma escolha consensual. Escrito por CIR/Brigantia

terça-feira, 29 de março de 2011

Daqui e dali... Carlos Fiúza

In illo tempore - os ”migrantes

A “santa terrinha”, onde cada qual nasce, nem sempre dá o pão de que o corpo necessita. Quando esta insuficiência se verifica, muita vez o natural de uma terra vai ganhar a vida a outra terra, próxima ou distante, consoante os casos. Evidentemente, a migração pode ser individual ou coletiva. Assim, um portuense pode vir para Lisboa trabalhar e um lisboeta pode ir para o Porto granjear o sustento e, claro está, em infindáveis levadas e vindas, se trocam pessoas e populações entre umas terras com outras. Acontece, por vezes, que certas terras ou certas regiões recebem (ou recebiam) amiúde largos contingentes de trabalhadores, quer por já de antemão os buscadores do trabalho saberem que não é em vão sua procura de tarefa e de sustento, quer porque as tradicionais qualidades de umas gentes trabalhadoras são conhecidas, apreciadas ou necessitadas nas terras ou na região recetivas.

Era o caso, por exemplo, dos ranchos migratórios que vinham de Aveiro e de Coimbra trabalhar para a região do Sado, onde eram precisos para a faina da cultura do arroz.

Eram conhecidos por “caramelos” esses obreiros rurais que vinham dar a sua contribuição operosa aos arrozais do Vale do Sado. Se quisermos outro exemplo, aí o temos naqueles trabalhadores beirões que, principalmente de Arganil e redondezas, procuravam as lezírias e os campos do Sul do Tejo para qualquer ocupação que lhes desse o ganha-pão.

Eram os “barrões”, nome por que nos ambientes ribatejanos eram conhecidos os beirões migradores.

- “Barco parado não faz viagem” - costuma dizer-se, e bem facilmente se compreende que, nesta viagem que é a vida, o barco do trabalho tenha de andar de um lado para o outro, à procura do pão onde ele estiver.

Não há na terra? Busca-se noutro lado. É o que faz quem precisa de ir “esgravatar” a vida fora da terra-mãe.
E assim surgiram os “caramelos”, os “barrões”, os “ratinhos”…
E até o nosso grande Gil Vicente aproveitou os “ratinhos” da Beira como um tipo característico de simplório com laivos de esperteza.

Muitos ratinhos vão lá
De cá da serra a ganhar,
E lá os vemos a cantar
E bailar bem como cá…”
Por aqui se vê que, já no tempo de Gil Vicente, era popularíssimo o chamadoiro de “ratinhos” para os beirões que iam procurar trabalho aos campos do Alentejo e de parte da Estremadura, sobretudo em tempos de colheitas de trigos, e vindos de lá da serra. O intercâmbio das gentes rurais com as gentes citadinas necessariamente causa ensejos de manifestações de superioridade ou de pseudo-superioridade entre os da cidade e os de fora. E então, amiúde, os vaidosos urbanos pegam de acoimar os campónios de inferioridades várias, supeditando-lhes nomes depreciativos.

E assim nasceram os “pategos”, os “labregos”, os “labroscas” e até os “saloios”, etc.

- Ah! Grande “matarroano”!

Também acontece que, em lugar de um nome, se recorra a uma locução, e então criam-se ditos, como - ele veio lá “das berças”, veio da “Parvónia”...
Deixei para o fim um termo muito empregado na capital - “saloio”. “Saloio” tirou o nome do árabe açhroii, isto é, do campo, de fora da povoação, camponês.
Há, pois, a oposição entre o da cidade e o de fora dela; e daí passou ao significado de desdém dos urbanos para os do campo. No fim deste divagar, inspirado nas “trocas” e nas “andanças” populacionais, e no artigo de JLM (Desenvolvimento e Emprego), não quero deixar de dizer que, apesar das ironias, dos despiques, dos motejos e das depreciações das gentes das cidades ou das terras e regiões para onde vão (ou foram) trabalhar os “ranchos” ou os indivíduos migradores, uma coisa é certa: todos são irmãos no mesmo esforço do ganha-pão!

E muita vez os de fora vêm não só dar trabalho colaborante, mas trazer a própria Vida.

Sam, capelão de um fidalgo
Que não tem venda nem nada;
Quer ter muitos aparatos
E a casa anda esfaimada;
Toma ratinhos por pajens,
Anda já a coisa danada.”
(Gil Vicente, in “Farsa dos Almocreves”)

Carlos Fiúza
P.S. Eu próprio fui um trabalhador “migrante” (num Mundo sem fronteiras, como a minha casa). É verdade que um “migrante” de luxo (se o quiserem) … mas migrante!

Agência de desenvolvimento do Vale do Tua já está constituída

Está oficialmente constituída a agência de desenvolvimento regional do vale do Tua, uma das contrapartidas da construção da barragem de Foz-Tua e da consequente submersão de dezasseis quilómetros da centenária linha ferroviária. A cerimónia da assinatura da escritura aconteceu, esta segunda-feira, em Mirandela. Este novo organismo vai gerir inicialmente um fundo de desenvolvimento regional de 20 milhões de euros para investir nos cinco concelhos do Vale do Tua, para além dos 35 milhões de euros que se prevê venha a custar o plano de mobilidade.

A agência conta com um capital social de 50 mil euros repartido pelas cinco autarquias da área de abrangência da linha do Tua, que detêm 51%, e a EDP que fica com 49%. Inicialmente, a agência vai dispor de um fundo de desenvolvimento de vinte milhões de euros. Dos quais, nove milhões correspondem à antecipação por parte da EDP de dez anos de rendas aos municípios, para projectos indutores de desenvolvimento. Somam-se mais nove milhões de euros de adiantamento para explorar e tratar o parque natural que vai ser feito à volta da barragem, sendo que a EDP fica com uma verba de 1,7 milhões para criação de auto-emprego e 500 mil euros para o funcionamento e montagem desta associação. Em troca da barragem, vão também ser investidos 35 milhões de euros para criar um novo plano de mobilidade que implica um pequeno troço de via-férrea da estação do Tua ao paredão, um funicular, dois barcos para levarem os passageiros até à Brunheda e comboio até Mirandela. Parte do investimento será assegurado por fundos comunitários, sendo a comparticipação nacional de dez milhões de euros, assegurada pela EDP.


Estávamos abertos a fazê-lo e junto com os autarcas conseguimos estabelecer um programa que vai de encontro ao desejo de todas as autarquias e no qual a EDP disponibilizou um valor na ordem dos 10 milhões de euros” confirma Ferreira da Costa, administrador da empresa, acrescentando que “foi o que achamos que deveríamos fazer pelo facto de querermos desenvolver uma região”. O autarca de Alijó faz questão de sublinhar as mais-valias desta agência dizendo que é uma solução exemplar, em Portugal em matéria de construções de aproveitamentos hidroeléctricos. “Pela primeira vez não há apenas um indemnização pelos terrenos que são ocupados, há uma estratégia de desenvolvimento para todo o vale do Tua articulado entre poder locais, regionais e centrais e entre a empresa que vai fazer este empreendimento” refere Artur Cascarejo, acrescentando “foi feito o levantamento de um conjunto de projectos que com este investimento podem ser alavancados em termos de fundos comunitários”.


Já o autarca de Mirandela assume a luta perdida pela linha do Tua. José Silvano diz que agora é tempo de lutar pelas compensações adequadas para esta região. “Perdi a luta da linha a favor da barragem, agora tenho de lutar pelas contrapartidas dessa barragem” afirma o presidente da câmara, salientando que “há que defender as populações daquilo que perderam”. Os autarcas dizem que é preciso lutarem pela coesão e desenvolvimento do vale do Tua, mas o autarca de Murça já avisou que vai estar atento. “Eu lutarei para que os projectos de uma forma igualitária para todos os municípios” afirma João Luís Teixeira. Tudo aponta para que no início do Verão estejam prontos os primeiros projectos para a região do Vale do Tua. O vice-presidente da CCDRN considera que esta agencia e o resultado de um trabalho meritório dos autarcas da região e que agora é preciso saber aproveitar os investimentos.“Estamos a falar de valores extremamente avultados e alguns deles podem ser alavancados com envelopes dos fundos comunitários” afirma Paulo Gomes, salientando que “são transferências durante o tempo de vida da barragem que é mais de seis décadas”. O responsável acrescenta que “nós temos oportunidades únicas que permitem construir estes territórios em função dos seus valores e subunidades de paisagem que interessa privilegiar”. CIR/Brigantia

segunda-feira, 28 de março de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Defender Portugal de José Sócrates

O nosso glorioso Kim Song-il do Largo do Rato diz que quer "defender Portugal". Ora, se não se importam, eu gosto mais do slogan do António Barreto : é preciso defender Portugal de José Sócrates. Parecendo que não, é um bocadinho diferente. Este homem já mostrou - há muito - que não serve para primeiro-ministro. Aliás, como diria Coluna, "no meu tempo, este tipo nem calçava as chuteiras". E vou dar de barato a licenciatura, as casas e a TVI/PT (a TVI/PT é só por hoje). Estou a falar de governação pura e dura.

Meus amigos, a democracia não funciona sem a responsabilização de quem governa. José Sócrates é primeiro-ministro há seis anos. E, juntamente com os seus amiguinhos de governo, está no poder há 15 anos. Isto não conta? A culpa da crise é de toda a gente, excepto de Sócrates e do PS? É essa a campanha do PS para estas eleições? Como diz Manuel Maria Carrilho, nós estamos na bancarrota por causa do caminho escolhido por José Sócrates. Isto tem de ter consequências . E, não posso deixar de reforçar, o discurso de Teixeira dos Santos já é uma dessas consequências. Porquê? Porque constitui a morte ideológica do socratismo e da governação socialista tal como a conhecemos . Agora, só falta a morte eleitoral.

Ora, como se seis anos de fantasia mecanizada pelo power point não fossem suficientes, os últimos meses estão a revelar a total falta de classe e dignidade política deste indivíduo. Esta pessoa-que-por-acaso-é-primeiro-ministro preparou em segredo o documento mais importante dos últimos anos, revelando uma total desconsideração pelas instituições democráticas. Para que não existissem dúvidas a este respeito, Sócrates abandonou o parlamento durante o debate mais importante em décadas. Portanto, já não é uma questão de opinião, é um facto: José Sócrates não é um democrata, é um homem com tiques de tiranete. Depois, a par deste nepotismo socialista, todos os dias aparecem notícias que indicam uma enorme incompetência ou um enorme nepotismo na gestão das contas públicas. Um exemplo: nesta altura, logo nesta altura, José Sócrates autorizou autarcas e ministérios a gastar mais por ajuste directo . Que beleza. Que classe. Expresso

sábado, 26 de março de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego

Todos os partidos políticos afirmam que a saída da crise (para além de outras medidas como a redução dos serviços e funcionários públicos) reside no desenvolvimento económico dos diversos sectores. Os conservadores dão a entender que a solução está em repor as actividades que existiam, entretanto destruídas,' segundo eles, sobretudo por causa da U.E. e de políticas erradas.
Vejamos, com algum cuidado, a evolução dos principais ramos: agricultura, indústria e serviços.
Quanto à agricultura, ela tem evoluído, no interior, ao longo dos anos, de uma actividade de subsistência para uma quase agricultura moderna, com um cariz muito semelhante ao sector industrial: mecanização, redimensionamento das empresas, cálculo contabilístico.
O que fez mudar a agricultura? Abandono propositado dos poderes públicos?
Parece-me ter sido, sobretudo, o abandono para o estrangeiro e para o litoral de grande parte da população rural, que não conseguia melhorar o seu nível de vida na maneira bucólica de viver, de que tanto gostava e de que todos os anos ainda agora mata saudades nas férias, a causa principal da mudança.
Estamos, no momento presente, a dar, sem querer, a estocada final no moribundo mundo rural e a paulatinamente provocar o advento do novo mundo: têm aparecido culturas já modernas mas ainda há muita coisa votada ao abandono sem se saber por enquanto qual o destino a dar-lhe.
Mas teremos, de futuro, um redimensionamento da propriedade e a introdução de novas iniciativas, que trarão, com certeza, uma nova agricultura.
O emprego, no entanto, limitar-se-á a ser sazonal ou contínuo mas diminuto.
Não dará, de certeza, para aumentar a população e para revitalizar as freguesias.
Manter-se-ão certos agregados urbanos de uma dimensão razoável, onde as pessoas viverão e de onde se deslocarão para tratar das explorações agrícolas.
Não haverá, de modo algum, um retroceder aos tempos antigos como solução dos problemas do interior.
Fiquemos hoje pela agricultura.

João Lopes de Matos

Daqui e dali... Henrique Raposo

A culpa é de Sócrates, e de mais ninguém

De uma forma um tanto despudorada, está em curso uma narrativa mui científica, a saber: todos os partidos são responsáveis pela actual crise económica e financeira. É como se a nossa crise económica tivesse sido provocada na última semana e não nos últimos 15 anos. E como é bonito ver comentadores a usar aquele cliché taberneiro do "são todos iguais". Que beleza. Que bela forma de diluir as culpas de Sócrates e do PS. Sócrates está no poder há seis anos, o PS governou os últimos 15 anos (perdão: governou, vá, uns 85% dos últimos 15 anos), mas a culpa é de todos, a culpa também é do PSD e do CDS, e, já agora, do BE, e do PCP. O POUS também tem culpa?

Em 2009, numa total negação da realidade, Sócrates venceu eleições prometendo mais Estado, isto é, mais endividamento do Estado, isto é, mais dívida do Estado. Era o TGV, era o Aeroporto, era o cheque-bebé, era jogar dinheiro público (ou melhor, dinheiro dos credores) para cima de tudo o que mexia. Antes das eleições, no momento mais populista de todos, o PS baixou o IVA e aumentou em 3% os funcionários públicos. Durante todo este período, Sócrates insultava todos aqueles que criticavam estas medidas. Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas eram retrógrados, bota-abaixistas, inimigos da modernidade (o meu favorito).

Na quarta-feira, sem admitir os erros, Teixeira dos Santos adoptou o discurso económico de Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas . Mas não sei, vejam lá, se calhar a culpa é do PCTP-MRPP.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O rasto de Sócrates

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Manuel Maria Carrilho

Humildade e verdade

Humildade e verdade são, a meu ver, os parâmetros essenciais para se ultrapassar o difícil momento que o País que está viver. Humildade, porque é preciso reconhecer que a situação actual é o resultado de alguns graves erros cometidos nos últimos anos, sobretudo desde a Primavera de 2008, quando a crise se anunciou em toda a sua gravidade, e desde o Outono de 2009, quando se arriscou a constituição de um governo minoritário. E verdade, porque só com uma exigente autenticidade sobre a nossa situação e as suas principais causas se conseguem repor as condições de credibilidade, de coesão social e de eficácia, que são nucleares para se dar a volta à situação.

É um momento de não retorno, seja qual for o destino parlamentar do chamado PEC IV, cuja rejeição é dada como certa no momento em que escrevo (quarta-feira de manhã). E também de balanço: do balanço de um reformismo que teve na mão, em 2005, a rara oportunidade de conduzir uma mudança histórica no nosso país, em condições de absoluta excepção. E que não o conseguiu porque cedo trocou o diálogo pela arrogância, a comunicação pela manipulação e o reformismo pelo "agitismo", numa infeliz espiral de generalizada incompetência, onde se desperdiçaram as melhores energias.

De resto, seria bom perceber que a generalizada erosão que atinge hoje a legitimidade da política e a credibilidade dos partidos se deve sobretudo a isto: à crescente percepção popular da sua extraordinária incompetência, bem como da incompetência - e quantas vezes do negocismo -, das elites que lhe estão mais associadas. E há momentos em que a incompetência se pode tornar num risco para a própria democracia.

A crise internacional - do subprime, do euro - teve, claro, o seu papel, e ele foi de relevo. Mas, sobretudo, ela expôs e intensificou o que até aí tinha sido desvalorizado ou ocultado pelo optimismo oficial. Agora, enfrentamos a mais difícil crise das últimas décadas, começa a ser preciso recuar mesmo muito tempo para se encontrarem dados tão preocupantes como os que temos hoje em domínios como os da falta de crescimento (90 anos), da dívida pública (160 anos) ou do desemprego (80 anos).

É por isso que digo que, para se poder avançar para um futuro diferente, precisamos de uma ética da responsabilidade assente na humildade e na verdade. É com humildade que é preciso reconhecer que o programa que venceu as legislativas de 2009 foi, na realidade, abandonado há muito. Basta lembrar que nele não havia nem aumento de impostos, nem atrofia das prestações sociais, nem corte de salários. E que, bem pelo contrário, o que se prometeu foi um crescimento alavancado num investimento público que, simplesmente, se esfumou...

Manuel Maria Carrilho, DN

quarta-feira, 23 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

Abraço ao Tua – Dia 27 de Março pelas 15h – na Foz do Tua

Na Foz do Tua, os cidadãos pela defesa da Linha e Vale do Tua querem mostrar que HÁ VIDA NO TUA e apelámos a todos a participar no ABRAÇO DE SOLIDARIEDADE com as pessoas que vivem na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro e que dependem deste Bem Comum.

O que se disse... Daniel Oliveira

«O debate político português resume-se, hoje, à credibilidade ou falta dela de José Sócrates. É assunto. Não tem nenhuma.»
Daniel Oliveira, Expresso

sexta-feira, 18 de março de 2011

O que se disse... António Costa

«A comunicação do ministro das Finanças da passada sexta-feira ficará certamente para a história como a mais desastrada e desastrosa que alguma vez foi feita em Portugal, se não mesmo no hemisfério Norte, de todos os pontos de vista»
António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, SIC Notícias

Daqui e dali... João Cândido da Silva

Sócrates quer companhia na queda

Na história que conta a batalha pela sua sobrevivência política, José Sócrates está disposto a fazer tudo. Mas o que não fez nos últimos dias é tudo menos irrelevante.

Surpresa não é uma palavra que se possa adequar às quebras de lealdade política e institucional que o primeiro-ministro protagonizou. Está na sua natureza decidir sem dar explicações, contra tudo e contra todos, enquanto finge abertura ao diálogo, sentido de Estado e consciência das responsabilidades que carrega sobre os ombros. É sabido que Sócrates se auto-intitulou como "animal feroz" mas o que alguém já lhe devia ter explicado é que há cargos que não se compadecem com a lei da selva.

Depois de ter esbanjado tempo e recursos na negação da crise para que Portugal caminhava a passos largos, José Sócrates empenha-se agora num único objectivo: evitar que a ameaça de insolvência que pende sobre o País seja resolvida com um pedido de ajuda ao FMI. Um assunto que devia ser tratado como matéria de Estado, e com a necessária frieza, está transformado, há longos meses, numa questão pessoal. E o plano em que o primeiro-ministro se colocou leva-o a esquecer-se de compromissos com quem lhe deu a mão, assim como o cumprimento de deveres inescapáveis no quadro daquilo que é o normal funcionamento das instituições democráticas.

Ir a Bruxelas prometer medidas adicionais de austeridade em troca da definição de um esquema de apoio europeu que contorne a necessidade de chamar o FMI é legítimo. Fazê-lo sem falar com o parceiro político que respondeu aos apelos de estabilidade em fase de crise aguda já é arrogância e desprezo. Fazê-lo, também, sem prestar quaisquer contas ao Presidente da República é uma declaração de guerra, leviana, inútil e, ainda para mais, contrária aos objectivos que Sócrates diz perseguir.

Concentrado apenas em conseguir sair da embrulhada em que se enfiou e para onde conduziu o País, o primeiro-ministro aposta tudo em deitar para cima das costas alheias o fardo da responsabilidade por uma crise política que não consegue disfarçar que até deseja. E parece ter o discernimento de tal forma obnubilado pelo futuro da sua carreira política que foi capaz de se esquecer de um simples facto. Ir comprometer-se com os parceiros europeus sem poder dar garantias de dispor de condições políticas para aplicar o novo pacote de decisões que vão espremer o pouco que ainda sobra foi o melhor caminho para arrasar com a microscópica credibilidade de que Portugal desfruta actualmente.

Na sua original conjugação entre o Calimero vítima das mais tenebrosas conspirações e o Dom Quixote que se debate contra moinhos de vento, José Sócrates gosta, de vez em quando, de expressar a sua angústia por se achar sozinho a tentar puxar por Portugal. De quem é capaz de produzir estes comoventes lamentos, esperar-se-ia que procurasse apoios, em vez de hostilizar. De quem faz estas declarações destinadas a inspirar piedade nos corações mais sensíveis, esperar-se-ia cabeça fria e cuidados redobrados. O espectáculo dos últimos dias não teve nada a ver com isto. Pelo contrário.

José Sócrates isolou-se porque acha que tem proveitos a retirar se for derrubado. Pouco lhe importa se a forma como quer quebrar arrastar o País para o precipício. Sócrates quer sobreviver sozinho mas, se não o conseguir, quer cair acompanhado. E este é o mais grave problema que Portugal enfrenta. Jornal Económico

rasca à rasca

Antero