segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Daqui e dali... Carlos Fiúza

O ressurgimento dos apólogos

O grego “apólogos” e o latim “apologus” significam narração, e por vezes o apólogo coincidia com a fábula.
De modo geral, o apólogo é uma narração alegórica, necessariamente fictícia, e geralmente com processo dialogal.

Os apólogos dialogais não “estafados” (como os de D. Francisco Manuel de Melo) são verdadeiramente teses, expostas com leveza, com graça, com interessantíssimos jogos de palavras, trocadilhos e outras figuras de estilo.
Em os “Apólogos Dialogais”, este Autor, com uma técnica dialogal de estupenda flexibilidade pensante, põe em conversa os próprios seres inanimados, como, por exemplo, dois relógios falantes.

Vou ao Dicionário de Sinónimos de Fonseca e Roquette e encontro:
“Alegoria é palavra grega “allegoria” (de “állos”, outro, e “àgoréyo”, eu digo) e designa uma figura de retórica pela qual se apresenta ao espírito um objeto e designa outro”.

Como exemplo disto mesmo, tome-se o sermão de Santo António que o Pe. António Vieira pregou…
… é uma longa e engenhosa alegoria, na qual ele diz aos peixes o que para os homens deveria ser dito!

A alegoria não necessita explicar a verdade que encerra, pois a exatidão de suas relações com ela se manifesta a cada passo, distinguindo-se nisto do apólogo, cujo mérito é ocultar o sentido moral até ao instante mesmo da conclusão que se chama moralidade.

Acrescentarei que o apólogo recorre à prosopopeia, isto é, à transformação figurada de seres inanimados, de abstrações, de conceitos de espírito em pessoas, em seres inteligentes e ativos.

Azeite em Trás-os-Montes, sempre… apólogos, nunca!

Carlos Fiúza

P. S. “Honni soit qui mal y pense”.

3 comentários:

Anónimo disse...

Explique-se,homem.O azeite transmontano é uma ficção?
Em princípio,sim.Porque,em termos de produto a vender ou exportar,ele quase não existe.

Manuel Barreiras Pinto disse...

O azeite transmontano existe. É uj azeite com características únicas, a que se deve o solo onde abundam os olivais, há produtores engarrafadores que o comercializam e Cooperativas que fabricam e garantem a sua qualidade. Também peuenos lavradores que se orgulham da qualidade e excelência do produto. Existe sim, mas é notória a falta de incentivos ao comércio para este produto que muitos designam de ouro da terra.

Anónimo disse...

o manuel pinto, felizmente, é que nunca está com, nem produz azeites.
mas é «ao azeite (...) que se deve o solo?». Essa é profunda, mas não entendi. explica lá, manel.