terça-feira, 17 de novembro de 2009

Túnel do Marão: Curiosos foram confirmar paragem das obras

Investigação para inglês não ver

Portugal em plano inclinado no ranking mundial sobre percepção da corrupção

A Transparency International (TI) divulga hoje o seu ranking anual sobre a percepção da corrupção. Os últimos anos têm sido negativos para Portugal: desde 1995 que o país tem vindo a baixar na lista.

Obra do túnel do Marão suspensa por tempo indeterminado

A obra do túnel do Marão, iniciada em Março último, que integrará a futura auto-estrada entre Amarante e Vila Real, foi interrompida a semana passada por ordem do Tribunal Administrativo de Penafiel, após uma providência cautelar interposta pela empresa Água do Marão. in Público

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Cronologia da Linha do Tua em três séculos"Atirem com a barragem ao rio"

"Pare, Escute e Olhe" Documentário pretende defender a Linha do Tua. Sábado, a projecção foi só para as populações, actores improvisados que, entre as imagens, iam lamentando o fim anunciado da linha
Berta Cruz: "O comboio é para os pobres, deixem-no ficar!" João Nascimento: "A barragem que atirem co'ela ao rio, que se f...". Há quem divirja, mas a maioria de entre os povos servidos pela Linha do Tua maldizem o seu fim entre Mirandela e Foz-Tua, em Carrazeda de Ansiães.
Por seis dias que Berta e João não festejam os anos ao mesmo tempo. E já contam 77. Lado a lado no auditório de Mirandela, assistiram, anteontem, à apresentação do filme "Pare, Escute, Olhe", em que são protagonistas. "Um documentário tendencioso que pretende defender a Linha do Tua", avisou o realizador Jorge Pelicano antes de se apagarem as luzes, pouco depois das cinco da tarde.
Sábado. Céu nublado. Falta um quarto de hora para as duas. José Amaral, morador da Ribeirinha (Vila Flor), prepara o "táxi" fluvial. Solta o cadeado da dúzia de tábuas de um caixote de madeira a que chamam barca. Na margem de lá do rio Tua, em Barcel (Mirandela), uma mão-cheia de pessoas quer passar para a de cá, para ir ao documentário. "Maria do Carmo, tu não te mexas que eu não sei nadar!", alerta Adelaide Botelho para a companheira da curta viagem. "Ali p'ro meio é fundo…" torna, receosa.
"Jesus, há que vidas que aqui não vinha!", solta Carmo. "Olha vir agora com as compras à cabeça e ainda ir passar para lá de barco… tinha mais que fazer!", protesta Adelaide. Desprezam o caminho-de-ferro. "Não nos falta nenhuma, venha a barragem!". Chegam mais dois passageiros à margem da Ribeirinha. O resto da viagem faz-se a pé, até ao autocarro que espera junto ao "Lucky Luke", o café da aldeia que serve de ponto de encontro aos protagonistas do filme antes de rumarem ao auditório de Mirandela.
"Coitado do Ti Abílio", lamentam os que vão com pena dos que ficam. Um problema de saúde deixa-o ficar pelo banco de pedra, companheiro de dias a eito na velha estação de que fez casa. Ti Abílio Ovelheiro, 72 anos, é personagem central do filme e não vai ver o figurão que fez. "Ele havia de ter gostado de se ver", viria a confessar a mulher, Maria Adelaide Novo, no final da apresentação.
Talvez até tivesse estranhado a quantidade de "fuck" que aparecem nas legendas em inglês. Porventura, os ingleses não terão ainda encontrado tradução para a miríade de c...lhos e f…-se que abundam no seu léxico e que lhe saem tão naturais como o resto do que diz. Até o "pintas", cão de companhia, amigo do comboio nos tempos em que passava, haveria de ter ladrado abundantemente, tantas vezes ele aparece. Mas no auditório não entram animais.
João não se cala durante a hora e meia que dura o filme. "Olha, olha, lá está o móvel", gargalha. O móvel é a mulher. "Eu já nem lhe ligo", sussurra Berta. "Isto dá uma saudade do carambas!" interrompe o vizinho Henrique, quando as imagens mostraram o comboio antigo. E o moderno também, quando ainda fazia a ligação a Foz-Tua. E já lá não passa desde 22 de Agosto do ano passado, dia em que ocorreu o último de quatro acidentes na linha do Tua, com outros tantos mortos.
No ecrã surgem imagens de uma carruagem tombada, fora da linha, e ouvem-se os gritos dos passageiros em pânico. "É isto que nos vai tirar o comboio", suspira João. "Se não tivessem acontecido estes acidentes havia de andar cá muito tempo", acrescenta Henrique. E se nenhum remédio houver há-de perdurar para todos os tempos, quiçá numa placa colocada junto à campa da linha, a curta mas sentida frase de Jorge Laiginhas, o escritor de Alijó que acompanhou as filmagens: "Este comboio morreu enforcado por uma gravata… uma gravata de lei!"
Eduardo Pinto, Leonel de Castro, JN

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Daqui e dali... JJ

O morcego 1976 outro dia pediu que os eleitos locais fizessem o favor de não nos desgovernarem.

Como socialista, vejo com dificuldade a aproximação dos auto-apelidados independentes ao PS.

Gostava de ver uma linha de rumo independente, votando a favor o que tivéssemos de votar a favor e contra o que tivéssemos de votar contra, para que no futuro pudéssemos ser alternativa.

Por este andar, falta pouco para que Eugénio de Castro ou Olímpia Candeias se filiem no PS e sejam os cabeças-de-lista pelo meu partido nas próximas eleições, o que me revolve as entranhas cá por dentro.

Não podemos sufragar soluções populistas de ajuste de contas e de poder pelo poder, temos é de endireitar este concelho, que está no estado em que está porque esses dois nos deixaram assim e não ir atrás deles, como se fôssemos atrás de sangue.

Temos uma hipótese de participar na governação e não no desgoverno.
Pelo meio empregue, o povo saberá quem foram os bombistas-suicidas e os salvadores deste concelho!
JJ

JJ em comentário ao post "Daqui e dali... Mário Crespo ": em 12 de Novembro de 2009

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Daqui e dali... Anónimo(a)

Porque é que, amordaçados pelo fanatismo, pela parcialidade, pela tendenciosidade, e pela politiquice barata e imoral, não somos capazes de analisar friamente esta situação e outras, que nos parecem imorais e chocantes, para quem trabalha honestamente e tenta viver dignamente, admitindo que o que se está a passar na política é torpe e execrável, sejam os seus seus eventuais autores do PS, PSD, CDS ou outros?
Porque havemos de querer tapar o sol com a peneira, só porque somos deste ou daquele partido? Não é curial que em nome de um povo, muito dele privado, presentemente, do que é essencial à sua sobrevivência (tendo em conta que há muitos portugueses a viver no limiar da pobreza), se defendam e mantenham pessoas desta ignóbil jaez, a dirigir os nossos destinos.
Sim, porque todos são cúmplices nesta despudorada, e monstruosa façanha a que impavidamente vimos assistindo dia após dia. O que se está a passar é uma vergonha, e não nos diferencia muito dos povos em vias de desenvolvimento.
Comportamentos destes não dignificam ninguém.
Espero que a justiça não se deixe subverter, como temos assistido em muitos casos, infelizmente, (pela morosidade que a mesma vem usando na resolução de certos processos que já deviam estar ultimados há muito), pelo poder e coacção dos pseudo poderosos deste país, poder esse que lhes advém, em muitos casos, da sua força económica e financeira conseguida à custa da trapaça, da desonestidade,da imoralidade, da corrupção etc, etc.
Parece-me que vão sendo horas de se pôr cobro a este estado de coisas que a todos nós cobre de vergonha. Não podemos esquecer que o uso indevido da democracia pode gerar a ditadura, que a todo o transe devemos evitar. Ponhamos os pés em terra firme para podermos analisar, sem paixões e quimeras, a realidade social que hodiernamente se vive neste nosso Portugal.
Anónimo(a)
Anónimo(a) em comentário ao post "Daqui e dali... Mário Crespo ": em 12 de Novembrode 2009

Daqui e dali... Manuel António Pina

Tempo de suspeita

Não sei de que terão falado Vara e Sócrates na célebre conversa escutada no âmbito do processo "Face Oculta". Acerca dessa conversa sei o que qualquer cidadão leitor de jornais sabe: que o MP entendeu que nela haveria indícios da prática de crimes alheios ao caso "Face Oculta" e que, por isso, dela extraiu certidão.
Ignora-se a que sujeitos tais indícios se reportarão, se a Vara, se a Sócrates, se a terceiros. E custa a crer, por juridicamente inverosímil, que, como foi noticiado, tal escuta tenha sido dada como nula por não ter sido autorizada pelo STJ. Porque o alvo da escuta foi Vara e não o primeiro-ministro e porque, de outro modo, não faria sentido o normativo que prevê a abertura de inquérito por indícios de crimes recolhidos em escutas e praticados por terceiros não alvo delas. Mais grave é o clima de suspeição que tal situação (como os 4 meses de estágio das certidões na PGR) alimenta. A suspeita é hoje um cancro que corrói a democracia, e a Justiça, um dos seus pilares fundamentais, deveria estar acima de qualquer suspeita. Por isso não se entende tanta demora no esclarecimento do caso.
JN

"Pare, escute, olhe" José Sócrates e António Mexia da EDP visitam Barragem do Rio Sabor em construção

Colaboração: Patrícia Calvário e Mário Carvalho

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Daqui e dali... Mário Crespo

Os intocáveis

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação.
Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (...)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso.
Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública.
Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

Mário Crespo, JN
Expresso

População portuguesa é a que está a envelhecer mais depresa na UE

Portugal é o país da União Europeia em que a população está a envelhecer mais depressa, segundo um relatório hoje apresentado no Parlamento Europeu, em Bruxelas, pelo Instituto da Política da Família.
Segundo o Instituto da Política da Família (IPF), em Portugal, as pessoas com mais de 65 anos passaram de 11,2 por cento em 1980 para 17,4 por cento em 2008.
Imediatamente atrás de Portugal segue a Espanha, segundo o mesmo documento, que adianta que uma em cada cinco pessoas tem mais de 65 anos em Portugal, Itália, Alemanha, Grécia e Suécia.
A Irlanda é o país com a população mais jovem, com uma média de 35,1 anos. Em Portugal, a média é de 40,5.
JN

Viticultores portugueses à procura de contactos em Espanha

Conseguir entrar no mercado espanhol é um dos principais objectivos que leva os viticultores portugueses a participar no Salão internacional do vinho, que todos os anos se realiza em Salamanca, no país vizinho.Quem participa acredita que se trata de uma boa iniciativa para futuros contactos. (...) RBA

terça-feira, 10 de novembro de 2009

PARE, ESCUTE, OLHE

CINE H2O - MIRANDELA
14 NOV - 17H e 21H30 - CENTRO CULTURAL DE MIRANDELA

[No final da sessão debate com o realizador Jorge Pelicano]
Depois da participação no DOCLISBOA e no CINE ECO, em Seia, PARE, ESCUTE, OLHE, vai ser apresentado aos protagonistas do filme que, pela primeira vez, vão ver as suas estórias reflectidas numa tela.

Fernanda vive numa estação abandonada.
Berta, utilizadora frequente do comboio, necessita do transporte para ir ao médico ou simplesmente comprar um litro de leite. Pedro Couteiro, activista, um acérrimo defensor dos rios.
Jorge Laiginhas, escritor transmontano, conduz-nos às entranhas e beleza do vale.
Abílio Ovilheiro, ex-ferroviário, vive numa estação activa, autêntico sabedor de notícias da região.

Através do seu quotidiano, do acompanhamento das suas estórias de vida ao longo de dois anos e meio - PARE, ESCUTE, OLHE - é um documentário interventivo, que assume o ângulo do povo para traçar um retrato profundo de Trás-os-Montes.

Jorge Nunes pede esforço para recuperar atrasos na A4

Um esforço para recuperar os seis meses de atraso que já levam as obras da A4 na região de Bragança.
É esse o repto deixado por Jorge Nunes, o presidente da câmara de Bragança, que já se mostra mais confiante com o desenrolar das obras, apesar do Tribunal de Contas ter apontado algumas ilegalidades ao processo de adjudicação.
Gostava que continuasse a ser feito um esforço de calendário”, revelou. “Mas a verdade é que já estamos com quase meio ano de atraso na circular de Bragança, que era um dos primeiros troços a fazer”, sublinhou.
Jorge Nunes acredita que as falhas apontadas pelo Tribunal de Contas serão resolvidas e tanto a A4 como o IP2 e o IC5 vão ser concluídos.
Os aspectos relacionados com a legalidade da contratação pública obrigam todas as entidades públicas no país. E esses problemas resolvem-se pelas vias normais. A obra vai ser feita e as situações serão superadas. Só se faltasse dinheiro do sistema financeiro, mas isso também não falta.”
Jorge Nunes mais optimista, apesar do atraso de cerca de meio ano na Auto-estrada número 4, entre Vila Real e Bragança.
Brigantia

Troféu Ibérico Trial 4X4 - Paulo Candeias "quase" Campeão Ibérico

Derradeira etapa do campeonato realiza-se a 15 de Novembro em Porriño, Espanha, com Paulo Candeias (Stand Candeias) a liderar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O que se disse... Eugénio de Castro

«Parto de consciência tranquila. Sem angústias.»

Eugénio de Castro, ex-presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães em carta aos munícipes.

Muro de Berlim caiu há 20 anos

A Alemanha comemora hoje com o derrube simbólico de um dominó gigante o 20.º aniversário da queda do Muro de Berlim, acontecimento que pôs fim à chamada Guerra Fria e alterou o xadrez político mundial.

Dois socialistas e um independente na Mesa da Assembleia Municipal

A nova Mesa da Assembleia Municipal de Carrazeda de Ansiães é composta por dois eleitos do PS (João Lima, presidente, e Hélder Rodrigues, segundo secretário) e um da candidatura independente (Carlos Pires, primeiro secretário).
As duas forças apresentaram-se a votação juntas numa mesma lista, contra a da coligação PSD-CDS/PP que venceu as eleições no concelho para a Câmara e para a Assembleia Municipal.
Mas apesar da vitória, a coligação não tem maioria nos dois órgãos, o que acabará por criar dificuldades ao executivo camarário para fazer passar as suas propostas.
De qualquer forma, o próximo Plano e Orçamento deverá ser aprovado na Assembleia Municipal, pois o novo presidente da Mesa, João Lima, apelou aos deputados da oposição para “deixar trabalhar a Câmara, pelo menos no início”. Considerou que “seria muito complicado” estar a travar, numa fase inicial, o trabalho do executivo.
Para além disso, João Lima pretende que a nova Assembleia Municipal, com muitas caras novas, possa ser mais participativa do que o que tem sido até agora. O anterior presidente da Mesa, Rui Moreira, do PSD, tentou-o, mas não conseguiu. “Fui uma das tristezas que o dr Rui Moreira levou consigo, não ter conseguido que a Assembleia fosse aquilo que ele pretendia: Mais participação e mais diálogo”, notou, desejando que os actuais deputados possa participar mais.
O presidente da Mesa pediu ainda à Câmara que sejam garantidas melhores condições à Assembleia Municipal, nomeadamente um gabinete próprio nos Paços do Concelho, para que “os papéis não andem em cima das secretárias” e para que “haja sempre alguém com quem falar para resolver qualquer problema”.
João Lima ficou com a garantia do presidente da Câmara, José Luís Correia, de que vai ter em atenção as suas reivindicações, mas quanto ao espaço onde se realizam as reuniões daquele órgão – actualmente o auditório do Centro de Apoio Rural – não poderá ser alterado, por não existir outro melhor. Pelo menos até ser aberto o Centro Cívico. Eduardo Pinto, JN

Saltitar constante entre repartições

Agricultores do Interior Norte são penalizados pela centralização dos organismos do sector e pela manifesta falta de apoio logístico.

Se ser agricultor em Portugal não é pêra doce, sê-lo em Trás-os-Montes e Alto Douro é mesmo uma pêra amarga. Não são as peras que sustentam António Manuel Barbosa, agricultor de Areias, Carrazeda de Ansiães. O pão vem do vinho, que poderia ser mais abonado caso as questões burocráticas não fossem uma companhia constante, roubando tempo e emprestando incómodos a uma actividade cada vez menos rentável.
"É pena que na região não tenhamos mais serviços, que permitam resolver os nossos problemas sem ter de estar sempre dependentes das sedes dos organismos, em Lisboa", atira Barbosa. É um lamento que estende aos pequenos e médios empresários agrícolas do interior, que têm "cada vez mais dificuldades em termos de apoio logístico".
Soma-se a "falta de amparo" na promoção e comercialização dos produtos e uma "elevada burocracia". Quantas vezes a precisar de tratar de papelada na Régua, onde fica o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP); em Vila Real, onde resolve questões relacionadas com o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP); ou em Torre de Moncorvo, onde se dirige quando quer encaminhar assuntos que dizem respeito à Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte.

O empresário agrícola também é presidente da Associação dos Fruticultores, Olivicultores e Viticultores do Planalto de Ansiães. Uma colectividade que, para além das suas funções principais de apoio técnico aos 900 associados, também lhes trata das questões burocráticas. "Quantas vezes juntamos os processos de vários sócios e, depois, vai um funcionário passar um dia ao IVDP para os resolver", explica, admitindo que, apesar do serviço ser pago, "acaba por dar prejuízo". "Não vamos estar a onerar ainda mais o agricultor, já por si descapitalizado".
Por outro lado, "cada agricultor, individualmente, teria mais dificuldades para tratar das suas papeladas", aduz, enquanto realça que, no caso do IFAP, o facto de ser dirigente associativo e representar centenas de agricultores lhe facilita a vida quando precisa de ser recebido por responsáveis daquele organismo. "Se calhar, precisávamos de uma espécie de loja do cidadão agricultor, na qual pudéssemos resolver todos os problemas, mas acho que é difícil implementá-la aqui", conclui António Barbosa
. Eduardo Pinto, JN

domingo, 8 de novembro de 2009