quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os primeiros mandamentos


Henrique Monteiro

Alargamento do cemitério abre nova polémica em Carrazeda de Ansiães

O alargamento do cemitério velho de Carrazeda de Ansiães continua a dar polémica. Na última Assembleia Municipal gerou-se alguma confusão quando o deputado municipal do PSD, Rui Martins, acusou a vereadora independente, Olímpia Candeias, de ser incongruente nas suas votações sobre aquele projecto em sede de reunião de Câmara.
Para cúmulo da incongruência, a vereadora abstém-se de votar no alargamento do cemitério velho. Faz lembrar uma tripla do totobola. Já apostou no um, ao votar a favor do alargamento, no dois, ao votar contra, e agora no X, ao abster-se. Isto revela incongruência e incapacidade política”, acusou, na sua intervenção.
Perante esta declaração, a vereadora Olímpia Candeias requereu à Mesa da Assembleia Municipal a defesa da honra.
O presidente da Câmara, a quem cabe autorizar a intervenção, negou essa possibilidade por entender que a honra da vereadora não foi colocada em causa. Porém, a mesa acabou por autorizar, baseando-se no regimento daquele órgão.
Olímpia Candeias tomou então a palavra e explicou porque razão se absteve na reunião de Câmara em que discutido o abaixo-assinado de mais de 500 carrazedenses que preferem o alargamento do velho cemitério à abertura do novo. “Quando o senhor presidente leva à reunião de câmara uma recomendação de um grupo, quando no mesmo momento tinha havido duas propostas que, foram aceites, para trazer aqui e esclarecer esses elementos, votando eu contra essa proposta, o assunto morria ali mesmo e o assunto não descia aqui a esta casa, o fórum ideal para discussão. Foi esse o meu objectivo”, sublinhou. O alargamento do cemitério velho de Carrazeda de Ansiães foi incluído na primeira revisão ao plano plurianual de investimentos da Câmara de Carrazeda para 2011, sendo inscrita uma verba de 75 mil euros para o efeito.
A proposta foi aprovada por maioria, com 19 votos a favor, 6 contra e 12 abstenções.
CIR /Brigantia

terça-feira, 3 de maio de 2011

Via Sacra - Centurião Sócrates



Daqui e dali... Manuel António Pina


Prestar contas


O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defende que "é crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes".
Carlos Costa rompe assim a tradição desresponsabilizante de Constâncio (entretanto premiado com uma sinecura no BCE), que os portugueses se habituaram a ouvir repetidamente reclamar que os sucessivos défices, alimentados pela imprudência, quando não pela gestão danosa, dos governos dos últimos 12 anos, fossem resolvidos à custa da redução de salários e pensões.
É, de facto, escandalosamente imoral que os erros dos decisores políticos sejam pagos pelos 257.745 desempregados que, segundo números da Segurança Social, perderam o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego, o que significa igual número de famílias na miséria, ou pelas outras centenas de milhar que ficaram sem RSI ou abono de família (retirado a 645.600 famílias desde Novembro).
Isto enquanto os encargos com vencimentos, "despesas de representação", horas extraordinárias, ajudas de custo, suplementos, prémios, subsídios de residência e alojamento e outros mais dos "boys" e "girls" dos gabinetes ministeriais ascenderam a 19,7 milhões de euros em 2010. E ainda ficam de fora os gabinetes dos 38 secretários de Estado, às vezes mais "populosos" do que os dos próprios ministros... JN

sábado, 30 de abril de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego (conclusão)

Falemos, por último, do sector terciário, o sector dos serviços.
Este sector ganhou independência, em relação à agricultura e à indústria, já um tanto tarde, no século XX. Ele abarca ramos da economia tão diversificados como o comércio(por grosso e a retalho), a banca, o turismo, a informática, as artes, a restauração…
Talvez possamos defini-lo por exclusão: tudo o que não pode encaixar-se na agricultura e na indústria pertence aos serviços.
Este sector tem tido um percurso inverso aos outros dois: enquanto estes têm dispensado mão de obra em consequência do avanço tecnológico, os serviços têm criado mais e mais emprego, tanto que o aumento tem mais que compensado as perdas verificadas naqueles.
Hoje, é mesmo o sector mais empregador de mão de obra. Pelo menos, tem-no sido até há pouco. E isto porque de há uns tempos a esta parte, têm ocorrido tais alterações no seu seio que não sei se não irá ter o mesmo caminho dos outros. E então pôr-se-á um problema novo na sociedade: muita gente ficará sem emprego e sem a correspondente remuneração necessária à sua subsistência.
É que , por exemplo, o comércio a retalho está a concentrar-se mais e mais, a banca reduz os efectivos de contacto directo com o público, os restaurantes recorrem cada vez mais ao self-service e mesmo é um facto que as pessoas compram já as suas refeições nos supermercados.
Também no interior esta evolução se tem vindo a verificar, o que leva a pensar que o chamado comércio tradicional vá perdendo importância, substituído pelas grandes redes de distribuição.
Julgo que a tendência será no sentido de uma concentração em razoáveis agregados populacionais, quase que desaparecendo, em compensação , os núcleos pequenos com a vida que até agora têm tido.
João Lopes de Matos

2.º Evento de Animação Turística - BTT

quinta-feira, 28 de abril de 2011

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Igreja Universal do Reino de Sócrates

Caros amigos socialistas, estou eternamente grato à vossa igreja. Sinto-me um homem novo desde que fui ungido pela água benta que jorrava do vosso congresso. Aliás, posso dizer que sou um born again socialist. Sinto-me capaz de dobrar colheres com o meu novo olhar progressista. Sinto-me capaz de enfeitiçar serpentes com a minha flauta, qual marajá socialista. Por favor, enviem-me uma ficha de inscrição, porque eu quero ser um dos acólitos do nosso querido líder. Eu quero ser um mártir da guerra santa que temos pela frente contra a blasfémia inútil (BE e PCP) e contra a maldade em estado puro (a direita).

Meus caros irmãos na fé, como eu gostei de estar junto de vós! Gostei tanto de ver a forma como V. Exas. se curvam perante o nosso glorioso líder. Que humildade teológica! Que flexibilidade moral! Gostei tanto de ver como os meus amigos repetem ipsis verbis as declarações do grandioso líder. Que demonstração de fé! Gostei tanto de ver a forma como choram ao som das músicas mais pindéricas do mundo. Caramba, eu também quero chorar assim! Gostei tanto de ver o nosso glorioso líder a dar encontrões em jornalistas que só fazem perguntas para incomodar. Esta gente tem de aprender o significado da expressão "
liberdade respeitosa", a grande contribuição do nosso secretário-geral para a história da democracia. Gostei tanto de ver a formação do cordão higiénico anti-fotógrafos. Afinal de contas, esses tipos não passam de paparazzi. Como se atrevem a tentar apanhar os ângulos maus do nosso glorioso líder? Como se atrevem a desrespeitar o Luís? Gostei tanto de ver os seguranças do nosso glorioso líder a empurrar violentamente os repórteres de imagem. Que demonstração de lealdade! Foi como ver a falange de Leónidas ante uns persas de câmara ao ombro. E, caramba, como foi bom ver que os jornalistas já encaram tudo isto com normalidade. Já nem ligam. Estão cansados. É assim mesmo camaradas: vamos vencê-los pelo cansaço.

Caros patrícios socialistas, como foi bom estar ali na corte do nosso czar cor-de-rosa! Como eu gostei de sentir aquelas longas salvas de palmas. Como foi bom ver que ninguém queria ser o primeiro a deixar de bater palmas. Como foi bom ver que essas palmas afugentavam as calúnias nojentas que circulavam (e que circulam) fora do partido. Sim, sim: lá fora, pessoas más atrevem-se a dizer que o nosso líder levou o país à bancarrota. Meus deus, como podem existir pessoas tão mesquinhas? Será que não entendem que, sem o nosso querido líder, o país cairá num abismo? Será que esta gentinha não entende que nós somos os únicos capazes de defender Portugal? E sabem o que é pior, meus irmãos? Esta gentinha atreve-se a dizer que o PS governou Portugal nos últimos 16 anos, tentando assim responsabilizar-nos pelo estado do país. Que ultraje. Que infâmia. Ora, e mesmo que o PS tivesse governado o país nos últimos 16 anos, o que seria isso ao pé da Fonte Luminosa? O que seria isso ao pé do Mário Soares de 1976? O que seria 1995-2011 perante este passado glorioso? O que seria 2005-2011 ao pé da derrota da PIDE em 1974 e da derrota do comunismo em 1976? Meus amigos, há que manter esta elevação de espírito, e proclamar o seguinte: é irrelevante estudar os efeitos concretos do socialismo aqui no presente, porque o PS só precisa de invocar a bondade intrínseca do socialismo do passado.

Camaradas (já me permitem esta intimidade?), como foi bom aprender a suspender o raciocínio. Como foi bom aprender que "
a crise de 1929 não foi tão grave como esta que estamos a viver" (Almeida Santos). Ó camaradas, obrigado por me ensinarem a dizer estas coisas sem corar. Obrigado por me ensinarem a sentir-me virtuoso mesmo quando me limito a cuspir intolerância. Sim, porque a Direita não é outra forma possível de ver as coisas. Nada dessas frescuras! A Direita é perversa e "quer fazer maldades". Sinto-me envergonhado por não ter percebido isso mais cedo. Muito, muito obrigado por esta pedagogia política. E, agora, se não se importam, enviem-me para o jornal uma ficha de inscrição desta nossa Igreja Universal do Reino de Sócrates. Este born again socialist agradece, desde já, esse gesto simpático. Expresso

terça-feira, 26 de abril de 2011

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Da Via Sacra...

Por via da comunhão do meu filho, participei espiritualmente (em XIII das XIV estações) da via sacra. No maior silêncio. E

fui desfolhando, mental curiosamente, o livro "Esquecer Fausto" de Pedro Eiras; lá

fui, estabelecendo laços entre o Fausto goethiano de superação da humanidade (e do próprio Mefistófeles, em seu próprio jogo)

e Cristo... Vi Fausto, como um herói cristão.

... a Herodes

Se a confissão é uma reconciliação com Deus, eu me confesso: que de Herodes desconhecia totalmente o bom. Sabia o mau apenas: até o mau suposto; que

era duvidoso, pela narrativa histórica de Flávio Josefo, que tivesse ocorrido o bíblico massacre dos inocentes; e o mau histórico: que mandara matar a mulher; e os

próprios filhos. Que fora posto no poder pelos romanos... Só não sabia (e o National Geographic iluminou) que era um grande arquitecto, senão o maior do seu tempo.

Vi algumas obras: Herodium, Masada... E percebi, finalmente, o projecto de John Zorn, com este nome. A construção de uma música nova,

para as escalas judaicas (embora aqui com a ajuda de Ornette Coleman). É que

eu sou mais deste lado: da fragmentação do sujeito.

sábado, 16 de abril de 2011

Exposição - Guerra do Ultramar 50 anos depois...

“PARE, ESCUTE, OLHE” ESTREIA NA SIC TELEVISÃO A 16 DE ABRIL

O documentário “Pare, Escute, Olhe”, já tem estreia marcada na SIC Televisão (co-produtora do filme). Adaptado a uma versão de 55 minutos, o documentário será exibido no dia 16 de Abril, às 23h30 - depois da novela Laços de Sangue.

:: SINOPSE :: Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando-o no país mais centralista da Europa Ocidental.

Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras. Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das três mais belas linhas ferroviárias da Europa.

PARE, ESCUTE, OLHE é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes. O povo ficou, isolado, no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Academia Municipal de Música

Daqui e dali... Carlos Fiúza

AS “tremuras” da Senhora Dona Terra

A Terra, ou seja, prosaicamente, este poleiro onde Deus nos colocou nos espaços siderais, foi, na imaginação mitológica, figurada por uma mulher, em cujas disposições físicas predominavam os seios, o que, diga-se de passagem, não estava mal pensado, porque as elevações semelham essas saliências femininas.

Ora, não consta da biografia terrena que ela fosse uma senhora nervosa, dada a tremuras, como resultado do desequilíbrio do seu metabolismo.

E não disseram os antigos que Dona Terra era nervosa, porque tal informação se tornaria ociosa, visto que toda a gente sabe que a Terra de tempos a tempos sofre tremuras. De vez em quando anda em crise, tremendo nervinamente, espasmando-se, convulsionando-se.

Tanto a Terra anda nervosa, cheia de tremuras, logo os jornais, as rádios e as televisões não deixam de nos fazer “tremer” os ouvidos com o disparate do “abalo sísmico”.

Não se desesperem os leitores nem os ouvintes. Aqui lhes aconselho o lado “humorístico” do caso. Sorriam, ponham-se mesmo a rir, porque o riso “lava a alma”.

Filosofemos sobre o assunto, a ver se se arregimentam adeptos sensatos que repilam a “abaladura sísmica”.

Como se sabe, uma das consequências da ação das forças interiores da terra é aquilo a que o nosso povo chama com admirável propriedade - tremor (e às vezes trumor) de terra.


Mas a linguagem apresenta gradações. E assim o que o povo diz na sua espontaneidade não serve muita vez ao uso experimental de certos setores da falação.

O nosso povo é um ás ou, se quiserem, um alho para aperfeiçoar o latim à sua loquela.

Se adrega de ouvir terremoto, emenda logo para terramoto, pois se é a terra que se mexe, terramoto eis o que lhe parece que deve ser.

Tem a linguagem portuguesa, sempre rica de valores, cinco maneiras de nomear os tiques nervosos da Senhora Dona Terra - tremor de terra, abalo de terra, abalo telúrico, terremoto e sismo.

Mas cinco formas não bastaram e em alguns “iluminados” surgiu uma estupenda calinada, obstinadamente repetida em letras e sons, em penas e bocas, em prelos e microfones - desânimo “abalador”!

E a calinada aí continua… (como certas pilhas: e dura… e dura… e dura).

Sendo a nossa língua realidade terrena, logo que a terra anda em crise de nervos, imediatamente a expressão noticiadora e registadora sofre em reflexo a “tremura abaladora” do desânimo.

Estimo as melhoras à Terra.

Aos jornais digo para tomarem “neurobióticos”… aos políticos (todos) que não dupliquem a sua dose diária de “Burrocitina”.

…Mas deixem o povo em paz! Deixem-no governar a sua vidinha… (se é que alguma coisa sobrou do “governanço”).

Carlos Fiúza

II Feira do Folar - Carrazeda de Ansiães

Economista diz que contas da execução orçamental são "uma mentira"

O economista João Duque considerou, sexta-feira, que as contas da execução orçamental do primeiro trimestre, que apontam para um excedente de 432 milhões de euros, são "uma mentira" e servem apenas para fazer campanha eleitoral.

"Essas despesas estão todas camufladas, são uma mentira", afirmou João Duque em declarações à agência Lusa reagindo aos dados da execução orçamental até Março, altura que o Governo garante ter-se registado uma melhoria de cerca de 1.750 milhões de euros nas contas da administração central e segurança social. (...) JN

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A reunião

Henrique Monteiro

O que se disse... Pedro Santos Guerreiro

«Em vez de uma marcha fúnebre, temos um cortejo de carnaval. José Sócrates conseguiu, dois dias depois de o País se ajoelhar, produzir o seu mais irreal discurso de sempre.


O Congresso do PS encenou um triunfalismo que é ofensivo para um País intervencionado. Foi um delírio colectivo triste, um comício com o fanatismo de Vasco Gonçalves, uma propaganda alucinógena. Leni Riefenstahl, a cineasta de Hitler, ter-se-ia comovido. »

Pedro Santos Guerreiro, Negócios online

terça-feira, 12 de abril de 2011

O negociador

Henrique Monteiro

Movimento Cívico centra luta no que resta da linha do Tua

O Movimento Cívico pela Linha do Tua perdeu uma batalha mas diz que ainda não perdeu a guerra. Não conseguiu parar a barragem do Tua e a consequente destruição dos últimos 16 quilómetros da via-férrea, mas o porta-voz do Movimento realça que há mais linha no Nordeste Transmontano, o que justifica que a organização mantenha a sua actividade. “Não vai ser extinto porque a linha do Tua não são só os 54 quilómetros entre o Tua e Mirandela. Dão 134 até Bragança” salienta Daniel Conde. Além disso “há também a oportunidade de prolongar a linha até Puebla de Sanabria que vai ter uma estação de alta velocidade em breve”. Uma situação que, assegura, contrasta com o que se passa noutros países. “Portugal foi o único país da Europa Ocidental que nos últimos 20 anos perdeu passageiros no caminho-de-ferro” refere, acrescentando que “no mesmo período de tempo, Espanha ganhou 150% de passageiros. A política do caminho-de-ferro em Portugal é que é desastrosa”. Contra este desastre português, o Movimento Cívico pela Linha do Tua promete continuar a bater-se pela melhoria dos transportes ferroviários na região. CIR/Brigantia