sexta-feira, 8 de abril de 2011

Público

A POSE DO PRIMEIRO-MINISTRO

Henrique Monteiro

O que se disse... ABC Diário Digital - Espanha

«O que aconteceu em Portugal deve servir de exemplo de que quando um Governo é incapaz, o pior é obstinar-se no poder, o que aconteceu com Sócrates até que chocou com a realidade».


«lo ocurrido allí (Portugal) debería servir de ejemplo de que cuando un Gobierno es incapaz lo peor es empecinarse en el poder, que es lo que le ocurrió a Sócrates hasta que se dio de bruces con la dura realidad.»
ABC, Espanha

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Agenda cultural - Abril

O que se disse... João Lemos Esteves

«E você, até quando acreditará em José Sócrates?

Se não fosse tão triste, seria uma cena digna de um filme cómico. José Sócrates - que na segunda-feira verberava contra a ajuda externa, que persistiu no mote defender Portugal, título da moção que leva ao congresso socialista - em dois dias mudou radicalmente de posição.
É este o problema de José Sócrates: a sua obstinação não lhe permite ser um chefe de Governo responsável e com visão.
Foi mesquinho e incompetente. Quem perde? Os mesmos de sempre: Portugal e os portugueses.(...)»
João Lemos Esteves, Expresso

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego (continuação)

A indústria, como actividade económica diferente da agricultura, teve o seu início no século XVIII, com a descoberta da máquina a vapor. A actividade que anteriormente lhe correspondia era o artesanato, onde a mão do homem tinha um papel preponderante, enquanto na actividade propriamente industrial passou a ter papel de grande relevo a máquina.
A máquina veio potenciar a força do trabalho humano e dar-lhe, consequentemente, uma produtividade maior. O local onde a indústria se desenvolve toma o nome de fábrica, que, de início, não tinha grandes condições de trabalho e, porque os maquinismos eram ainda incipientes, a qualidade dos produtos deixava muito a desejar. Por isso, muita gente afirmava que não havia nada como aquilo que era feito pela mão do homem. A produção industrial era em série e, por isso, grotesca, cheia de imperfeições.
Este modo de produção levou à concentração de grande número de operários nos locais de trabalho, surgindo, assim, uma nova categoria de trabalhadores, que tomou a designação de operariado. Os operários foram, paulatinamente, substituindo os antigos artesãos. Como, de início, a mecanização e a automação eram ainda fracas, as fábricas alastraram imenso, de forma extensiva e através do recurso a muita mão de obra.
Porém, pouco a pouco, o aperfeiçoamento dos métodos de trabalho, através de linhas de montagem e de máquinas mais e mais evoluídas e mais e mais automáticas, fizeram com que fosse dispensada muita mão de obra e o sector, de grande empregador de gentes, tivesse passado a prescindir delas num crescendo que parece não ter fim.
Estamos agora nessa fase, em que o investimento na indústria já não é, como foi durante mais de um século, criador de emprego mas dispensador de trabalho humano. E isto nada traria de negativo se a distribuição de rendimentos se passasse a fazer de outro modo que não como retribuidor da actividade desenvolvida.
Quer dizer que, nalguma medida, o aperfeiçoamento tecnológico não beneficia o homem porque lhe retira o único modo de ele receber rendimentos, que é a retribuição do trabalho desenvolvido. Se o homem não trabalha não recebe.
O sector industrial é pequeno no interior, mas se ele se desenvolverem consequência das novas vias de comunicação, nem por isso será criador de grande número de empregos, que dê vida nova às diversas localidades, até porque as indústrias tendem a concentrar-se em“clusters” para se tornarem mais eficientes.
Em todo o Trás os Montes virá a haver uma dezena (se houver) de verdadeiros centros industriais, permanecendo a grande maioria das actuais freguesias sem indústria alguma.
João Lopes de Matos
Público

O resgate

Henrique Monteiro

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O que se disse... Pedro Santos Guerreiro

«Adiar o pedido de empréstimo é mergulhar o País na falta de dinheiro, salários em atraso, no medo das poupanças, na bancarrota, no incumprimento. Isso só acontecerá se formos governados por eunucos da política, habitantes da negação patológica. Até há dez dias, Sócrates era um resistente; agora é um desistente. Se não vê a realidade, será preciso interná-lo e fazer o que fizeram a Salazar, fingir que governa.»

Pedro Santos Guerreiro, Negócios online

As aparências iludem

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Henrique Raposo

Sócrates, o homem que não acreditava em nada

Vários amigos, de várias latitudes, têm comentado com espanto: "mas o tipo continua a andar e não cai". O "tipo" é, obviamente, José Sócrates. Estes meus ingénuos amigos não encontram a força motriz de um homem que enterrou o país, de um homem que mentiu várias vezes ao dito país. Afinal de contas, Sócrates devia estar em casa, humilhado e com vergonha, tal como Guterres. "Mas o homem não se enxerga?", perguntam. Não, o homem não se enxerga. E o motivo para essa falta de dignidade é muito simples: nós não conseguimos humilhar uma pessoa que não acredita em nada. Se x não acredita em nada, x não tem pontos fracos do ponto de vista tático. Sócrates vai continuar a andar para a frente, porque aquilo que dizia na terça já não conta na quarta. É como jogar futebol sem ter uma baliza para defender, é só atacar a baliza dos outros.


Adentrando, podemos dizer que qualquer primeiro-ministro com um mínimo de crenças sólidas tinha apresentado a demissão após o discurso de Teixeira dos Santos. Porquê? Porque esse discurso consistiu numa sova ideológica e técnica na governação do socratismo. Se a incompetência, as mentiras e as omissões não fossem suficientes, este discurso exigia a demissão do primeiro-ministro . Mas Sócrates nem ligou, nem vai ligar, porque este indivíduo não acredita em nada. Nada. Está agarrado ao poder, porque é a única coisa que conhece. Pior: tem medo de sair do poder. Ele tem medo de ser um mero civil.


E, agora (se ainda existissem dúvidas), está provado que Sócrates nem sequer acredita em Portugal. Este homem não tem um pingo de patriotismo. Neste momento, o primeiro-ministro é o único português a recusar a ideia de pedido de ajuda. Em consequência, o governo está a endividar ainda mais o país. Sócrates criou mais uma mentira ("não, não precisamos de ajuda; vamos parar o FMI em Badajoz"), que está a acumular dívidas a cada dia que passa. Mas, desta vez, há uma novidade: ele está sozinho nessa mentira. E, meus amigos, começa a ser penoso ver o país nas mãos de uma pessoa que se comporta como um inimputável, que julga que todos os outros 9.999.999 portugueses são idiotas. Expresso

terça-feira, 5 de abril de 2011

O que se disse... Paulo Portas

«Com o país sem dinheiro, com a banca sem financiamento, com a economia sem crédito, com uma dívida que destrói e com uma mão estendida para ver se nos emprestam dinheiro, o primeiro-ministro ainda acha que o que é bom é fazer o TGV endividando-nos ainda mais.»

Paulo Portas, DN

Igual a si próprio

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Carlos Fiúza

X.P.T.O

Ao folhear uma revista sobre automóveis, onde se gabava a excelência das linhas de determinada marca, deparei com a seguinte frase: “DESIGN X.P.T.O.”
X.P.T.O. - há quanto tempo não lia (nem ouvia) tal expressão!
Seria que estas novas gerações conheciam o termo?
Para me tirar de dúvidas, na primeira oportunidade abordei um grupo de jovens com idades entre os 13 e os 15 anos.
Dos cinco, dois já tinham ouvido falar em X.P.T.O…. Um deles sabia, até, que X.P.T.O. era “uma coisa assim como que bué de boa”. Bué de boa…
E não é que o rapaz (nada “rasca”, mas que pode vir a estar “à rasca”) estava certo?!
Se abrirmos o Tesouro de Frei Domingos Vieira, encontramos isto na letra X: “- Termo de gíria - XPTO; diz-se para designar excelência de cousa - Cousas de XPTO - Isto é XPTO. Diz-se também XPTO London. Qual a origem desta frase assaz espalhada e hoje pela primeira vez recolhida? XPTO era uma abreviatura de Cristo nos antigos manuscritos, mas a forma XPTO London parece indicar antes que a frase se originou numa marca comercial ou expedição.”
Se consultarmos o Dicionário Contemporâneo de Aulete e Valente, leremos:
XPTO - palavra burlesca empregada para significar excelência ou primor de alguma coisa. Um vestido x.p.t.o. Erro de leitura da abreviatura grega da palavra Cristo.”

Passemos, agora, ao Dicionário de Cândido de Figueiredo:
X.P.T.O. - expressão burlesca para designar qualidade excelente, magnífica. Diz-se de uma abreviatura medieval de Cristo.”
Como ainda é de interesse, transcrevo o que diz Antenor Nascentes no Dicionário Etimológico:
XPTO - abreviatura medieval de Cristo em que o ró se confunde com o P maiúsculo latino. Segundo outros, era o letreiro dos caixotes de uma marca inglesa de cobertores, do preço de X libras: XP (ondera) T(ectoria) O(ptima) - ótimos cobertores a dez libras.”
A esta última informação de Nascentes convém acrescentar que o brasileiro Castro Lopes, no trabalho intitulado Origens de Anexins, foi espalhador muito convicto dessa origem imaginosa da fábrica inglesa de cobertores metidos em caixotes com a abreviatura X pondera tectoria otima (ótimos cobertores a dez libras).
Porque é que XPTO era abreviatura do nome grego de Christos?
Acrescento a seguinte explicação, destinada aos que não saibam latim nem grego.
A forma do alfabeto grego com o desenho de um X (xis maiúsculo) era o chamado qui. Portanto, a primeira letra do nome de Cristo, em grego. Ao qui seguia-se a forma ou letra chamada , correspondente ao r latino. Essa letra, quando maiúscula, é semelhante a um P. Finalmente o T era em grego o tau, e o O era o ómicron.
Ora, como o P maiúsculo latino era semelhante ao grego, é realmente de aceitar que X.P.T.O. mais não seja que a má interpretação da abreviatura do nome de Cristo em grego.

Mas deixemos os “dicionaristas” e passemos à prática:
Sugiro a quem de Direito a utilização do termo X.P.T.O. nas placas de sinalização, isto é, seja o mesmo afixado em tabuletas a colocar à entrada das inúmeras pontes não “operacionais: FORA DE SERVIÇO – X.P.T.O”.
Em tradução livre:

- NÃO PODES PASSAR – DEZ.PE.TE. NADA

Não seria “bué de fixe”?

Carlos Fiúza

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

O país de Salazar é o país que franze o nariz a eleições ("ai, sei lá, aparecem em péssima altura, aparecem, aliás, de forma irresponsável"). O país de Salazar é o país que fica incomodado quando a democracia fura o debate feito na linguagem dos, vá, técnicos de contas e dos ministros das finanças. Para quê democracia, quando bastava um grupo de especialistas? Para quê eleições, quando bastava um grupo de professores de finanças? Para quê democracia, quando se podia formar já o bloco central versão Biggest Loser (CDS, PS, PSD)?

O país é de Salazar é o país que não reage ao desprezo que o primeiro-ministro revela pelo parlamento. Apenas uns gatos pingados na imprensa mostram algum desconforto pela atitude de tiranete de José Sócrates. Os comentadeiros do costume não só não falam do assunto, como dizem que "ele vai ser duro de roer". Porreiro, pá. Ou seja, o país de Salazar gosta da brutalidade mal-educada de Sócrates. E, já agora, pergunta-se: mas por que razão ele vai ser duro de roer? Ah, porque sim, porque é duro. Mas ele tem argumentos de governação? Não, pá, mas é um osso duro de roer. Portanto, eis o que meio mundo do comentário tem para dizer sobre um homem que desrespeitou a democracia: ah, ele é duro de roer, pá. O meu país no ano da graça de 2011 (o senhor de Santa Comba deve estar contentinho). Expresso

sábado, 2 de abril de 2011

Tiro ao Alvo - Pombal de Ansiães - ARCPA

Domingo - 3 de Abril - Tiro ao Alvo - Pombal de Ansiães ARCPA

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Público

Un antipático contra todos - José Sócrates, primer ministro de Portugal

El primer ministro portugués se parece a un conductor que avanza a toda velocidad por la autopista en dirección contraria, convencido que son todos los demás automovilistas los que se equivocan. Los gobiernos europeos y las instituciones comunitarias dan por hecho que Portugal no puede salir de la crisis sin asistencia financiera, pero José Sócrates les contradice a todos diciendo que que el país puede superar sus problemas con sus propias fuerzas. Después de ser derrotado en el Parlamento ha presentado su dimisión y ha lanzado a su partido, el socialista, de frente y a toda velocidad contra la oposición liberal-conservadora, esperando que en el último momento un volantazo de buena suerte le permita dar la vuelta a las encuestas y regresar victorioso.

En la última cumbre europea de Bruselas, el pasado viernes 25, sorprendió a muchos cuando se dedicó a saludar estrechando la mano a todos los periodistas antes de sentarse a explicar su versión de lo que había sucedido en el Consejo. Dada su proverbial fama de antipático, el gesto podía interpretarse como una especie de despedida, teniendo en cuenta que para la próxima cumbre es posible que las elecciones le hayan devuelto a la oposición. «Puede tener usted la seguridad de que no me estoy despidiendo» aclararía después, «aunque estoy seguro de que en su periódico es lo que están deseando». Sócrates no solo conoce perfectamente todo lo que se dice sobre él en los diarios de Lisboa (y por lo que se ve también de algunos de Madrid) sino que está convencido de que gran parte de sus problemas vienen del hecho de que no siempre cuentan las cosas del modo que más le gustaría. En la misma comparecencia atacó sin mucho disimulo las preguntas incómodas, a pesar de que coincidían con la opinión que estaban expresando los demás jefes de Gobierno en salas contiguas: «lo que causa la especulación son preguntas como las que me están haciendo. Portugal no necesita ninguna ayuda y si lo que se quiere es parar los movimientos especulativos, es infantil creer que eso sucederá si pedimos ayuda».

Portugal deberá hacer frente al vencimiento de una serie de paquetes de deuda por valor de 9.000 millones de euros en los próximos tres meses, en plena campaña electoral, forzada precisamente porque Sócrates no logró que el Parlamento aprobase el plan de recortes de gastos que había pactado con las instituciones comunitarias. Desde que el líder socialista es primer ministro, la deuda del país ha ido aumentando de forma vertiginosa. Solo en 2010 tuvo que pedir 51.000 millones de euros, un treinta por ciento más que el año anterior, y un 50 por ciento más que el precedente. Los intereses que tiene que pagar por los nuevos préstamos son cada vez más altos y las últimas subastas han estado rozando —por arriba—l 8 por ciento de interés. Sin embargo, Sócrates asegura que tiene dinero para pagar estas obligaciones, cuya amortización rebajaría sustancialmente la presión financiera sobre el país.

Para creer a Sócrates hay que hacer abstracción de las partes más importantes de su biografía. No solo que empezase su carrera política como fundador de las juventudes del Partido Social Demócrata (conservador), sino porque, ya militante socialista, su escasa carrera privada en el sector de la construcción en los años 80 fue una de las más desastrosas de la época. Tuvo que retirarse porque el ayuntamiento de la ciudad de Guarda, para el que trabajaba, lo destituyó por unanimidad antes de que le lloviesen las demandas por la escasa calidad de sus proyectos. Su escandalosa manera de hacerse con una licenciatura como ingeniero teniendo en cuenta que cuatro de las cinco asignaturas las impartía un profesor al que luego otorgó un cargo importante en el Gobierno y la quinta el propio rector de una universidad privada de Lisboa que acabó siendo cerrada precisamente por el cúmulo de irregularidades que aparecieron al investigar el escándalo, o que algunos de los pocos exámenes que constan en su expediente los enviaase por fax desde el despacho de primer ministro o que el título lleve fecha de expedición en un domingo, no le impidió aparecer en televisión defendiendo su honorabilidad y acusando a sus adversarios de inventarse un plan para perjudicarlo.

Sin embargo, de lo que ahora se trata es de dinero. De mucho dinero y de la posible quiebra de todo un país. El presidente del Eurogrupo, el luxemburgués, Jean Claude Juncker, ya le tiene hechas las cuentas a Sócrates y asegura que necesita un plan de rescate de más de 70.000 millones de euros para garantizar el pago de una deuda que, por cierto, está sobre todo en manos de bancos españoles. Es imposible que no hayan hablado de esto en la reunión que Sócrates mantuvo el jueves con la canciller Ángela Merkel, que es finalmente la que tiene las llaves de la caja del mecanismo de ayuda financiera, pero Sócrates no quiso desvelar el contenido de la conversación: «me va a permitir que dejemos el contenido de esa entrevista en el ámbito privado entre la canciller Merkel y yo mismo». Al menos esta vez a Merkel no le ha pasado como al líder de la oposición de Portugal, el conservador Pedro Passos Coelho, que después de unas experiencias espinosas con el aún primer ministro ha acabado por advertir que no se volverá a reunir con Sócrates «si no es en presencia de testigos». ABC

Notícia em português: Diário Económico

Chegou e disse...

Henrique Monteiro