quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Maior parte dos idosos alimenta-se mal

Mais de metade dos idosos não institucionalizados alimentam-se mal e dois terços nem sequer toma o pequeno-almoço. São dados de um estudo da DECO Proteste a mais de 3400 portugueses, entre os 65 e os 79 anos. Na região transmontana, a situação é agravada pela maior incidência de população envelhecida e isolada.
Uma alimentação saudável à base de vegetais, fruta e peixe é feita com pouca frequência e o pequeno-almoço é muitas vezes descurado. Cerca de 40 mil idosos em todo o país têm mesmo dificuldades financeiras para satisfazer as suas necessidades alimentares.
Eunice Rodrigues, nutricionista do ACES Nordeste, subscreve este estudo e fala um pouco da realidade transmontana.
Isso é o que infelizmente tenho constatado nas consultas. Os idosos estão isolados, moram sozinhos e acabam por se desleixar um bocadinho. Acabam por ficar desanimados com a vida, não lhes apetece levantarem-se para cozinhar, fazer a sopa porque têm que partir os legumes e dá trabalho.”
Grande parte dos idosos faz as chamadas “refeições de seco”, à base de pão. Uma alimentação provocada sobretudo pelo isolamento familiar a que estão sujeitos.
Outro dos problemas dos idosos da região é, claro está, o consumo excessivo de fumeiro.
Na maior parte das vezes, se não estão doentes, ficam, e se já estão, ficam pior. Acaba por ser um ciclo vicioso. Sabem que se comerem muito fumeiro não controlam a tensão arterial, o peso aumenta. Mas daí até porem em prática, é complicado. Se eles estiverem acompanhados, é complicado”, diz.
Segundo este mesmo estudo da DECO a maior parte dos idosos apenas faz quatro refeições por dia, um número considerado reduzido e que tendencialmente diminui com o avançar da idade.
Medicação e contas como água e luz são encaradas como bens de primeira necessidade pelos mais velhos, o que não se passa com a alimentação.
De salientar ainda que as bebidas alcoólicas fazem parte da dieta.
47% dos homens bebem mais de dois copos de vinho por dia, o que é considerado excessivo.
CIR/Brigantia

Defensor da Linhado Tua faz queixa na CE

O Movimento Cívico da Linha do Tua considera que é tempo de parar com os sucessivos "atropelos ao direito comunitário" que a EDP e o Governo têm protagonizado, no processo de construção da barragem de Foz-Tua. Por isso, promete avançar, ainda este mês, com uma queixa na Comissão Europeia para denunciar essa actuação.
O movimento denuncia a "violação" da EDP em não considerar uma alternativa ferroviária, em caso de submersão de parte do troço da linha do Tua, "indo totalmente contra o estipulado na já manipulada Declaração de Impacto Ambiental", e quando aquele documento dizia que a zona "não facilita o estabelecimento de percursos tradicionais de transporte colectivo rodoviário".
Lucros para o ICNB
Daniel Conde acrescenta que "o tão badalado desenvolvimento prometido pela EDP vai revelando a sua verdadeira face", alegando que a renda de 3% sobre a produção anual da barragem do Tua (avaliada em 1,5 milhões de euros) não reverterá para as autarquias locais, mas para o ICNB (Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade), "como prémio por deixar destruir a natureza e biodiversidade do vale do Tua", afirma. Além disso, o seu contributo para a população "pauta-se por uns insultuosos 38 euros de poupança anual naquela que é uma das facturas de electricidade mais caras do país, além da simpática oferta de quatro lâmpadas economizadoras". Já relativamente à insistência na construção da barragem do Tua, o Governo PS "desrespeita" um compromisso internacional assumido com a UNESCO, ao "descaracterizar parte do Douro Vinhateiro Património da Humanidade, arriscando seriamente a sua despromoção", afirma Daniel Conde.
Aquele defensor da linha do Tua não entende como é possível que o Governo continue a "encapotar o verdadeiro peso de um estudo independente", encomendado pela própria Comissão Europeia, onde se conclui que o programa nacional de barragens "foi mal avaliado" quanto aos seus impactos, sendo a sua prossecução totalmente desaconselhada, "sobretudo, por impedir que Portugal cumpra outro compromisso internacional: as metas de qualidade da água até 2015", avança.
A finalizar, o MCLT relembra que a zona envolvente à barragem do Tua está identificada no mapa de riscos nacional como zona de "perigo de ruptura de barragem". O tipo mais comum de sismicidade induzida é aquela por reservatório (entenda-se albufeiras), sendo a área envolvente à barragem do Tua identificada com um nível de risco sísmico considerável, já apontado no EIA.
JN

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O que se disse... Paulo Ferreira

«O Governo tem a obrigação de nos contar toda a verdade. É preciso dizer que, sem os sacrifícios de hoje, o nosso modo de vida só piorará. Voltam os sacrifícios? Infelizmente voltam».
Paulo Ferreira, "Jornal de Notícias"

As teias do Magalhães

Região transfronteiriça realiza Jornadas Gastronómicas e Enológicas

A região transfronteiriça do Douro Internacional acolhe as Jornadas Gastronómicas e Enológicas “Caminho do Queijo e do Vinho”.
Todos os fins de semana até dia 14 de Março, o objectivo é dar a conhecer dois dos melhores produtos desta região ibérica. Trás-os-Montes, Douro e Arribas do Douro.
Os apreciadores dos bons queijos e bons vinhos têm a oportunidade de degustar a genuína gastronomia da região do Douro Internacional. Assim ao longo dos próximos oito fins-de-semana até ao dia 14 de Março. A iniciativa está inserida nas jornadas gastronómicas e enológicas “Caminos del Queso y del Vino”.
Para além da componente gastronómica este roteiro oferece aos visitantes a oportunidade única de apreciar as paisagens e maravilhas naturais de uma região detentora de uma fauna e flora únicas em toda a península ibérica.
A actividade é dirigida aos amantes da boa mesa e dos bons néctares produzidos naquela região transfronteiriça e destinados aos palatos mais apurados. O percurso engloba adegas e queijarias tradicionais e unidades hoteleiras em que menus únicos visam valorizar os recursos gastronómicos dos concelhos de Miranda do Douro, Freixo de Espada à Cinta e Figueira de Castelo Rodrigo, isto do lado português.
Do lado Espanhol o visitante poderá viajar pela cultura e história das regiões fronteiriças desde Zamora até Salamanca, e visitar locais emblemáticos do ponto vista histórico e cultural.O primeiro dos 10 menus do certame gastronómico poderá ser apreciado, hoje, no complexo turístico AldeiaDuero, junto à barragem de Saucelle, a excessos 10 quilómetros de Freixo de Espada à Cinta, há muito considerada como a vila mais Manuelina de Portugal.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Montalegre - Feira do Fumeiro 2010 - 21 a 24 Janeiro

Agricultores transmontanos também podem receber apoios devido ao mau tempo

O Governo vai aumentar os apoios aos agricultores que sofreram prejuízos com o mau tempo.
O anúncio foi feito ontem pelo ministro da Agricultura.
Estava previsto um fundo comunitário a 50 por cento disponível a fundo perdido para os agricultores. Mas as negociações com a União Europeia permitiram alargar a comparticipação até aos 75 por cento do programa de desenvolvimento rural, o PRODER, num total de 18 milhões. Recorde-se que o mau tempo das últimas semanas provocou danos um pouco por toda a região transmontana, com danos em estufas, caminhos, árvores de fruto e outras culturas
. Brigantia

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Ansiães na Idade Média" substitui Festival de Música Medieval

Depois do fim do Festival de Música Medieval de Carrazeda de Ansiães, a Câmara Municipal pretende avançar no Verão deste ano com a realização de uma iniciativa denominada “Ansiães na Idade Média”.
O Festival de Música Medieval, que chegou a ter grande promoção a nível nacional, perdeu importância ao longo dos últimos anos e em 2009 já não se realizou.
Em vez de o reactivar, o actual executivo pensou em substituí-lo por uma iniciativa mais abrangente. O presidente da Câmara, José Luís Correia, explica que a intenção é “dar vida” ao Castelo de Ansiães. Para tal vão ser levados a cabo “alguns eventos que dêem uma ideia bastante fiável do que era a vida no Castelo na Idade Média”.
Vão ser contratadas empresas que façam a encenação dos momentos históricos do concelho de Carrazeda. O presidente da Câmara recorda alguns: “A crise de 1393/85, que também teve repercussões no nosso concelho, a partida de alguns guerreiros de Ansiães para a batalha de Alcácer-Quibir e algum evento relacionado com D. Lopo Vaz de Sampaio”.
A Câmara deverá trabalhar em parceria com a Escola Profissional de Ansiães, que também tem organizado alguns eventos relacionados com a época medieval.
Entre a Oposição na Câmara, o vereador do PS, Augusto Faustino, entende que o modelo do Festival de Música Medieval estava gasto, mas havia a possibilidade de o continuar. Para isso devia primeiro definir-se o que se queria dele. Ou seja, se o festival fosse só para o concelho, “ter pessoas entendidas que explicassem este género de música ao público”, mas se o objectivo fosse ter um evento de âmbito nacional e internacional, então “divulgá-lo o mais possível para tentar trazer cá muitas pessoas conhecedoras desta música”.
Já a vereadora independente, Olímpia Candeias, concorda com o aparecimento de uma nova iniciativa para substituir o Festival de Música Medieval. É que se nos últimos anos se constatou que o festival não correspondia aos anseios da população, “pois havia que o questionar”. E “se a alternativa é melhor, mais abrangente e vem de encontro ao que as pessoas pretendem, então faça-se”.
Eduardo Pinto/Rádio Ansiães

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Público

Câmara quer acabar obras do centro cívico após falência do empreiteiro

A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães vai tentar concluir o Centro Cívico durante este ano.
Uma obra que começou em 2001 e que, por falência do empreiteiro, está parada há anos, degradando-se a cada dia que passa.
A estrutura engloba um auditório, salas de exposições, bar, galeria comercial e parque de estacionamento subterrâneo.
O investimento já feito ronda três milhões e meio de euros e a população ainda não aproveitou o espaço. O autarca, José Luís Correia, anunciou a intenção da Câmara Municipal em iniciar a conclusão de uma estrutura que está numa “situação deplorável”. Porém, o projecto inicial vai ser alterado. “Vamos ampliar o palco do auditório e dar outra funcionalidade a alguns espaços”. “Temos de o pôr a funcionar de forma que todos os munícipes o possam utilizar”, defende Augusto Faustino, enquanto Olímpia Candeia salienta que “deve ser feito o levantamento das obras necessárias e pô-lo a funcionar rapidamente". JN

Daqui e dali... Carlos Fernandes

Cai neve em Carrazeda…
O Domingo de 10 de Janeiro acordou com pequenos "farrapinhos" de neve que caiem docemente do Céu nublado. Mas, durante a tarde, a situação complica-se e, pelos vistos, a neve veio mesmo para ficar por Carrazeda.

É uma alegria para miúdos e graúdos. Os pequenos fazem bolas de neve, já os mais velhos aproveitam para tirar fotografias, para mais tarde recordar.
Carlos Fernandes
http://wwwabcdesporto.blogspot.com

O que se disse... Anónimo(a)

«Este blogue chegou ao cemitério e morreu. Não escreveu mais nada. Aproveite-se para o enterrar no cemitério novo.»

Anónimo(a) em comentário rejeitado ao post Cemitério antigo de Carrazeda vai ser ampliado e novo fica por usar : em 10 de Janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Cemitério antigo de Carrazeda vai ser ampliado e novo fica por usar

O executivo da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães vai alargar o cemitério velho da vila e deixar o novo sem qualquer uso, pelo menos para já. A oposição não concorda.

A justificação do presidente da Câmara, José Luís Correia, é a de que a nova estrutura foi construída numa zona onde corre muita água e que por isso é frequentemente inundada, pelo que ninguém estará na disposição de enterrar ali os seus mortos.

Ora, este foi o argumento que um grupo de cidadãos utilizou, há nove anos, para que o novo cemitério não fosse construído nas proximidades da aldeia de Luzelos.
Mas o executivo de então não deu ouvidos e gastou cerca de um milhão e trezentos mil euros numa obra que nunca foi inaugurada.

O autarca de Carrazeda avança com outras justificações para optar pela ampliação do velho cemitério, em detrimento da utilização do novo:
“Tem uma linha de água que o circunda. O empreiteiro declarou falência e a câmara tem de proceder à posse administrativa, um processo que pode ser moroso. Enquanto isso, o antigo está à beira da rotura”, explicou.
A vereadora independente, Olímpia Candeias, diz que o presidente da Câmara está a precipitar-se e recomenda a realização de mais estudos sobre a viabilidade do novo cemitério:
Está a haver uma decisão algo precipitada. Porque não chamar cá os técnicos que deram parecer favorável?”
Por seu lado, o vereador socialista Augusto Faustino, não vê razões para não se aproveitar já o novo cemitério:
Completamente contra esta decisão precipitada. Nunca faria o cemitério novo naquele ponto. Mas ele está lá e suportado tecnicamente. Por isso, temos de ver se o retomamos”.

O novo cemitério de Carrazeda de Ansiães, onde foram gastos um milhão e trezentos mil euros, vai ficar sem qualquer serventia nos próximos anos. A Câmara prefere alargar o velho, no meio na vila, porque o novo mete água a mais.
CIR/Rádio Brigantia

Daqui e dali... Carlos Fernandes

O Renascer do Cantar dos Reis em Carrazeda

A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães levou a efeito no passado dia 3 de Janeiro um evento cultural com o tema: Vamos Cantar os Reis pelas Ruas da Vila.
Participaram neste evento:
A Escola de Música de Zedes, a Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães, Associação Recreativa e Cultural de Luzelos, o Agrupamento de Escuteiros nº 658 de Carrazeda de Ansiães, o Grupo de Zíngaros de Carrazeda, bem como o Grupo de Cantares de Carrazeda de Ansiães.
Os grupos concentraram-se na Praça do Município onde, sob a orientação da organização, foram distribuídos pelos respectivos Bairros da Vila, com o objectivo de levarem a todos os munícipes votos de um Bom Ano 2010.
O encerramento foi feito nas escadarias da Câmara Municipal, onde todos os grupos procederam a uma breve actuação.
Apesar do frio que se fazia sentir, os intervenientes conseguiram transmitir, com a sua música, muito calor e alegria a um bom aglomerado de assistência que com muita atenção seguiu todo o reportório.
De parabéns está a organização pelo lançamento desta iniciativa. Esperamos que esta seja a rampa de lançamento para fazer Renascer o Cantar dos Reis em Carrazeda.
Finalmente uma palavra de apreço a todos os músicos deste evento que, com boa vontade transfiguraram uma pacata tarde de Domingo, numa belíssima tarde cultural.

Cantar dos Reis animou vila em tarde fria

Sete grupos cantaram os Reis, ontem à tarde, pelas ruas da vila de Carrazeda de Ansiães. Uma iniciativa da Câmara Municipal que pretendeu envolver as associações do concelho na recuperação das tradições locais.
Longe vão os tempos em que a adesão era bem maior, mas também havia o aliciante dos 250 euros com que a autarquia subsidiava cada participação. Mesmo assim, a actuação das Associações de Pombal de Ansiães e Luzelos, dos Grupos de Zíngaros, de Cantares de Carrazeda e da Escola Profissional de Ansiães, bem como do Agrupamento de Escuteiros locais e da Escola de Música de Zedes, deu para lembrar que a quadra natalícia ainda vai até ao dia de Reis.
Jorge Carvalho preside à Associação Recreativa e Cultural de Luzelos, fundada há dez anos, e reconhece que, actualmente, só "mesmo quem goste muito é que participa nestas iniciativas". Depois há o problema das aldeias cada vez mais despovoadas. "Não há gente disponível para ajudar a associação e a juventude é muito pouca".
Deste problema não se queixa a Escola Profissional de Ansiães, pelo que todo o grupo de cantadores é composto por jovens. O professor Ricardo Almeida diz não ter dificuldades em motivá-los para participar em tradições como o cantar dos Reis "porque eles estão muito ligados à terra".
É "o gosto pelas tradições e pela sua preservação" que o presidente da Câmara, José Luís Correia, quer ver incentivados com esta iniciativa. Espera que nos próximos anos a "adesão seja maior", de modo a também poder realizar o encontro nas freguesias.
Eduardo Pinto, JN
Foto: Carlos Fernandes - http://wwwabcdesporto.blogspot.com/

domingo, 3 de janeiro de 2010

Uma visão limitada!...

Canal construído em 2007 para desviar a água do ribeiro de Belver para a barragem de Fontelonga.

Plano e Orçamento da Câmara para 2010 aprovados com abstenção da oposição

O Plano e Orçamento da Câmara de Carrazeda de Ansiães para 2010 foi aprovado em Assembleia Municipal com 16 votos a favor da bancada da coligação PSD/CDS-PP e 20 abstenções das bancadas socialista e independente.
O Orçamento de 18 milhões de euros prevê a conclusão de algumas obras que já estão iniciadas, como o Centro Cívico e o Centro Escolar, a recuperação do fundo da vila, a construção de equipamentos desportivos na sede de concelho, a beneficiação das estradas municipais, a ampliação do cemitério da vila, entre outras.
João Gonçalves, líder do grupo municipal da coligação de direita, explica que é “
o Orçamento possível dadas as várias circunstâncias que o limitam no actual momento”.
Albino Gomes, líder dos membros independentes na Assembleia Municipal de Carrazeda, apresentou uma declaração de voto onde é justificada a abstenção: “
Este Plano e Orçamento é a continuação de outros. E isto não nos traz desenvolvimento”.
Albino Gomes entende, porém, que nesta fase houve necessidade de viabilizar o Plano e Orçamento da Câmara. “Temos de dar uma oportunidade a este executivo de demonstrar as suas capacidade e relançar o concelho face aos novos desafios”.
Pelo mesmo diapasão afinou a bancada do PS. O líder, João Rodrigues, justifica, no entanto, que o Plano e Orçamento “deveria dar mais atenção à criação de riqueza e postos de trabalho”. Assume que “há verbas que poderiam ser retiradas de umas rubricas para outras”, mas preferiu não especificar “para não melindrar algumas pessoas”.
Este primeiro Plano e Orçamento do novo executivo da Câmara de Carrazeda de Ansiães passou na Assembleia Municipal com a abstenção de toda a oposição, que está em maioria.
Uma sessão que durou quase sete horas, o que quase constituiu um facto histórico, dado que ao longo dos últimos anos as sessões de Assembleia Municipal, que começam às 10 horas da manhã, terminaram sempre antes do almoço, algumas tendo durações de hora e meia.
Eduardo Pinto/Rádio Ansiães

Barragem do Tua não garante renda energética aos municípios

Os autarcas dos concelhos onde vai ser construída a barragem do Tua, Carrazeda de Ansiães e Alijó, reivindicam uma renda de 3% sobre a produção de energia. Uma compensação pelo aproveitamento dos recursos locais.
A Câmara de Carrazeda de Ansiães já recebe anualmente cerca de 300 mil euros referentes a 3% líquidos sobre a produção energética da barragem da Valeira, instalada no rio Douro. E por isso também quer beneficiar de igual percentagem em relação ao que se vier a produzir na futura barragem do Tua. Só que o autarca, José Luís Correia, adianta, com base em informações recolhidas junto de responsáveis da EDP, que aquela verba, na ordem de um milhão e meio de euros, vai reverter a favor do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB).

Seria uma renda muito importante para o nosso concelho”, afirma o edil, que promete, juntamente com os homólogos de Alijó, Murça, Vila Flor e Mirandela, vir a bater-se pela obtenção do máximo de contrapartidas pela construção daquele aproveitamento hidroeléctrico. O presidente da Câmara Municipal de Alijó, Artur Cascarejo, não vê qualquer lógica na atribuição dos tais 3% sobre a produção eléctrica ao ICNB. “Esta é a parte que tem de ser alterada. Já que vamos deixar de ter um património importante como é o vale do Tua, então devemos garantir as melhores contrapartidas”. Acrescenta que os autarcas “vão bater-se por isso” durante as negociações que irão decorrer com a EDP.

Outra questão que está a preocupar os dois autarcas é a falta de acessos prevista para a zona onde vai ser implantada a barragem. De acordo com José Luís Correia, “o coroamento do paredão não contempla a travessia de uma margem para a outra”. Uma situação que “não está a ser fácil explicar às populações nem tão-pouco aceitá-la”. O edil admite que os autarcas dos outros concelhos serão solidários com esta revindicação. Artur Cascarejo garante que essa será uma das reivindicações a apresentar à EDP, pois uma travessia sobre o paredão da barragem entre Carrazeda de Ansiães e Alijó, vai garantir “o acesso do espelho de água ao IC5”. E com ele, acrescenta, “também ficaria salvaguardado que as populações ribeirinhas locais não ficariam abandonadas”.

Tanto o autarca social-democrata de Carrazeda como o socialista de Alijó convergem na necessidade de garantir, de forma concertada, o máximo para os concelhos abrangidos. José Luís Correia até admite vir a manifestar-se contra a barragem caso ela não represente benefícios significativos para Carrazeda. Cascarejo sempre foi a favor do empreendimento, mas também não abdica de uma boa mão-cheia de compensações.

Ambos desejam que a Agência de Desenvolvimento Regional, a ser constituída durante 2010, que deverá resultar de uma parceria entre os cinco municípios e a EDP, possa garantir financiamento comunitário para a criação de estruturas, nomeadamente de âmbito turístico, capazes de gerar emprego e riqueza.
Eduardo Pinto/Rádio Ansiães

Faminto Ano Novo