quinta-feira, 14 de julho de 2011

TOMADA DE POSIÇÃO (tardia?)

Já há muito tempo que não escrevo nada na primeira página deste blogue. Devo-vos, por isso, uma explicação.
Como todos puderam verificar, a partir de determinada altura, esteblogue foi-se transformando num lugar predominantemente político e até com um cariz de acentuada militância e luta partidária, sobretudo, de luta anti – Sócrates . Em virtude disso, resolvi emudecer, até porque não tenho (nem nunca tive)tendência para a militância qualquer que ela seja(política, religiosa , ateia, futebolística): -acho que as pessoas devem pensar pela sua própria cabeça e eu tenho todo o prazer em dialogar seja com quem for para me elucidar e para que os outros se elucidem. Na minha vida, não consigo encontrar nenhum momento em que me veja a forçar alguém a adoptar a minha posição.
Acontece que eu fui um tanto a favor de Sócrates e da sua política: tomada de reformas na administração, na justiça ,na saúde, na educação, de molde a tornar o Estado mais eficiente e menos burocrático, desenvolvimento das redes de comunicação(eu sou a favor do TGV ,da abertura de estradas que acabem com a distinção entre litoral e interior e que nos unam mais e mais ao interior de Espanha).
Gostava ainda do estilo combativo do ex-primeiro ministro, embora se tenham avolumado pouco a pouco as dúvidas sobre a sua integridade moral.
Compreendo (ao contrário de outras pessoas) que os políticos nem sempre podem ter a verdade na ponta da língua, mas considero que as manobras políticas não devem ultrapassar certos limites. Reconheço que a acção de Sócrates estava profundamente ferida de falta de credibilidade e que foi bom, com as eleições, termos posto fim a uma situação insustentável.
O administrador do blogue tem todo o direito de imprimir a orientação que entender aos conteúdos deste meio de comunicação, porque o blogue lhe pertence. Eu, por meu lado, tenho o direito de ficar calado, quando me apetece. Entendia também que o problema não se resumia a afastar Sócrates do seu lugar.
Mas tudo está ultrapassado, a situação agora está definida, a grande maioria do país confia nas soluções que estão a ser seguidas e oxalá tudo corra bem a este governo e a todos nós.
Considero, portanto, que estão novamente reunidas as condições para continuar a escrever aqui, assim o entenda também o proprietário. Devia-vos esta explicação.
João Lopes de Matos

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A herança maldita

Henrique Monteiro

1º Por Terras de Ansiães

Seja bem vindo àquele que promete ser um passeio pelo “reino maravilhoso” de Miguel Torga, um passeio que dará a conhecer as mais belas paisagens do Douro Vinhateiro, património da Humanidade, e que o levará pelas aldeias do concelho de Carrazeda, dando-lhe a provar o que de melhor se produz nesta região.
Contamos consigo,
A Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Manuel António Pina,
um tutankamoniano para o prémio Camões (# 3)

Como toda a gente, Manuel António Pina tem as suas folhas... mortas. Como Eduardo Lourenço, em Poesia e Metafísica, viu nos Lusíadas a Camões, para quem «o ismaelita é bárbaro, torpe, e os negros de África não usufruem do uso pleno da razão.»

Umas dessas folhas são mesmo em "Dito em voz alta", entrevistas registadas pelo professor de Filosofia Sousa Dias, da Esc. Soares dos Reis, um amigo do meu muito Ângelo César. E eu já o assinalara aqui, neste blogue, a sua desconsideração de uma rede social, entre os poetas e os textos poéticos da alta, quanto mais entre esta e a baixa cultura:

«(...) Também gosto de ler muito a Manuel António Pina, salvo quando também ele, por vezes, goste de exibir um lápis azul, ao dizer que no século XX, por ex., só há 4 poetas em Portugal: Sophia e Eugénio, e mais dois... Que, pensando em Pessoa, Sá-Carneiro, Cesariny, Herberto Hélder, Ruy Belo, Luiza Neto Jorge, Fiama, Ramos Rosa, Luis Miguel Nava, só assim de repente, significa que na sua própria História Literária do século XX o próprio Manuel António Pina não cabe, para muita pena minha, pois gosto de o ler poetica_

mente, mas também significa de certa forma querer silenciar e apagar a tantos outros, atitude semelhante à dos políticos tripeiros em questão, que chumbaram o nome de José Saramago para uma rua da Cidade. (Pior, pois que diabo, estes são políticos!).»
[Cfr. minha resposta a Hélder Rodrigues, em comentário de 18 de Julho de 2010 17:22].

Também das suas crónicas tão sarcastica_
mente lúcidas, por vezes, se solta um radicalismo - posso dizer? - sectário, a preto e branco, e, como na crítica ao bastonário da Ordem dos Advogados, e no após da contracrítica, se reservam ambos um papel triste, de mulheres, digo, de homens de soalheiro. Senão, vejamos:

Em 18 de Abril de 2011, no Jornal de Notícias, Manuel António Pina escrevia:


Dois casos de estudo


Tempos de calamidade como os presentes suscitam sempre o aparecimento de demagogos e oportunistas e de projectos salvíficos de todo o género.
Ainda o país digeria, estupefacto (ou, se calhar, não), o modo como, apenas com a expectativa de um penacho prometedor, foi fácil encher o vazio das ideias de "cidadania" e "participação" em torno de que Fernando Nobre fez a campanha à Presidência da República, já estava a pular para o palco o omnipresente bastonário dos advogados atirando-se, também ele, a políticos e partidos e propondo uma "greve" abstencionista às próximas eleições para os "envergonhar publicamente perante a Europa e o Mundo".
Marinho e Pinto merece a nossa compreensão, mesmo que esgote a nossa paciência. É um "junky" de protagonismo, quando está muito tempo longe dos holofotes entra em carência, afligem-no dores musculares insuportáveis no sistema vocal e as palavras acumulam-se-lhe, ansiosas, na garganta, sufocando-o e forçando-o a correr em desespero para as redacções em busca de um "dealer" de manchetes ou, ao menos, de títulos a duas colunas ou rodapés de noticiários televisivos para "meter para a veia".
É um caso diferente do de Fernando Nobre. O de Marinho e Pinto resolve-se, tudo o indica, com adequada terapia de substituição. O de Fernando Nobre é obviamente incurável, é um cancro terminal dos valores morais; mesmo o cargo de presidente da AR será só um paliativo.


A 24 de Abril, A. Marinho e Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados respondia:

Um cretino é um cretino

Comecemos por onde estas coisas devem começar: o escriba que diariamente bolça sentenças nesta página e que dá pelo nome de Manuel António Pina é um refinado cretino. Posto isto, assim, que é a forma honesta de pôr este tipo de coisas, nada mais haveria a dizer. Citando um treinador de futebol dado a elucubrações epistemológicas, «um vintém é um vintém e um cretino é um cretino». E... Pronto! Estaria tudo dito. Além disso, só se MAP não fosse tão cretino é que valeria a pena mostrar-lhe por que é que ele é tão cretino.
Não costumo responder a cretinos. Mas, correndo o risco de este, como todos os outros, se tornar ainda mais agressivo, vou abrir uma excepção e descer ao seu terreno para lhe responder com as mesmas armas que ele tem usado contra mim, até porque este é um cretino especial, do tipo intelectual de esquerda.
MAP anda, desde 2005, a desferir-me ataques pessoais. O homem tem uma fixação doentia em mim. Incomodam-no muito as minhas posições públicas e sobretudo as denúncias que tenho feito sobre o nosso sistema judicial. Ele nunca se referiu com seriedade ao que eu digo. Prefere atacar-me como pessoa, imputando-me sempre os motivos mais mesquinhos ou os propósitos mais infames.
MAP tem a postura de um medíocre bem pensante, para quem é sempre mais cómodo atacar pessoas em vez de criticar ideias. As pessoas arrumam-se de uma penada, atingindo-as, à falsa fé, com dois ou três adjectivos. Isso dá a essa espécie de cretinos uma ilusória sensação de importância. Os medíocres só se sentem fortes quando humilham os que julgam mais fracos. Discutir ideias ou comentá-las com seriedade é sempre mais difícil porque exige qualidades que não abundam em MAP. Este é um megalómano em permanente ajuste de contas com a sua própria mediocridade intelectual.
Mas, ele é também intelectualmente desonesto, pois interpreta os factos sobre que escreve de modo que as pessoas concluam algo diferente do que eles realmente significam. A título de exemplo: ele já tentou convencer os leitores do JN de que a culpa pelas horas que as pessoas perdem inutilmente nos tribunais portugueses é dos advogados e não dos juízes.
Aliás, MAP nunca teve uma palavra sobre a actuação dos magistrados, a não ser para os elogiar ou então para execrar quem os critica. Ele deve ter algum sentimento compulsivo de gratidão para com eles ou alguma amizade reverencial (este tipo de pessoas age muito por amiguismos), pois adopta sempre uma postura canina em relação à justiça. A agressividade de mastim com que ataca os que criticam o funcionamento dos tribunais é apenas o corolário da sua obsequiosidade de caniche em relação às magistraturas.
MAP julga-se um ser superior. Com a displicência dos tudólogos diplomados ele fala de tudo e de todos, do que sabe e do que não sabe. As suas crónicas no JN, sempre naquele estilo alambicado típico dos ociosos, são a expressão aparolada de um imenso complexo de superioridade. Ele tem de julgar e condenar sumariamente alguém, pois senão sente-se diminuído perante si próprio e, sobretudo, perante o círculo de aduladores que lhe entumecem o ego.
Mas, se repararmos bem, lá nos secretos mais profundos do seu ser esconde-se um homem cruelmente dilacerado por indizíveis frustrações. É possível que na adolescência o tenham convencido de que seria um grande escritor, destino para o qual logo desenvolveu os tiques e poses apropriados. Mas, afinal, nunca passou de uma figura menor típica do universo queirosiano - um personagem que mistura o diletantismo de um João da Ega com os dotes literários de um Alencar d'Alenquer e o rancor mesquinho de um Dâmaso Salcede. Tudo isso, transposto para o jornalismo, resultou numa espécie de Palma Cavalão dos tempos actuais. Enfim, um homem que chegou a velho sem ter sido adulto e a quem os mais próximos, por rotina, caridade ou estupidez, provavelmente ainda tratam como uma grande esperança.
Esse género de frustrações conduz, no limite, ao desespero existencial. Em alguns casos, estes frustrados cometem actos tenebrosos. Porém, em MAP, as suas frustrações e complexos transformaram-no, num sniper que, emboscado nos telhados da sua senilidade rancorosa, dispara cobardemente contra tudo o que mexe, de preferência contra o carácter das vítimas que escolhe ao acaso.
Senhor Manuel António Pina, não se atormente mais. O seu mal cura-se com uma dose apropriada de iodo. Trate-se! Vá para uma boa praia e... Ioda-se!


NOTA: Na próxima crónica apresentarei as razões por que não irei votar em 5 de Junho. Isto se mais nenhum cretino se atravessar no meu caminho.

Após o que, Manuel António Pina, lhe treplica, assim:

Um camião sem travões


O bastonário Pinto saltou ontem as barreiras (todas, incluindo as do JN, onde, que me lembre, foi a primeira vez que, nos 40 anos que levo de casa, se deu guarida à castiça arte do insulto) e, de cabeça baixa, desembestou desenfreadamente contra o que aqui foi dito sobre a sua patética ânsia de protagonismo com argumentos como "cretino", "refinado cretino", "medíocre", "cretino" outra vez, outra , mais outra, ainda outra, "megalómano", de novo "cretino" (o vocabulário desta espécie de Capitão Haddock, ou Ad Hoc, é escasso), "desonesto", "ocioso", "parolo", "mesquinho", e depois, na secção zoológica, "canino", "mastim" e "caniche" e, na secção psicanalítica, "desesperado existencial" (o que quer que isso signifique), "frustrado" e "cruelmente dilacerado". A fina e bastonária argumentação termina a mandar que o cronista se "ioda". Escapou a honra da mãe do cronista, o que, vindo a coisa de quem vem, já foi assinalável proeza...
Tenho um princípio de sobrevivência na estrada que consiste em dar sempre prioridade a um camião destravado (ainda por cima, este vê-se bem que faltou a alguma inspecção). Meto, pois, travões e ele que passe.
É certo que, na sua fúria em contramão, o camionista atropelou repetidamente, provocando-lhe traumatismos vários, a pobre gramática da língua portuguesa. Mas gramática e ele que se entendam. Eu não me queixo. Podia ser pior, sei lá se o homem tem tomado a medicação.

Daqui e dali... Henrique Raposo

Os tiques do PS


Desde a sua fundação, o PS tem dois grandes tiques, dois ademanes de superioridade em relação aos restantes partidos, meros mortais, meros inquilinos do regime cujo senhorio mora no Largo do Rato. A saber: o PS julga que é a única força realmente legítima (entre a revolução e a reação) e julga que é o único partido genuinamente europeísta (entre Moscovo e Santa Comba). Mas, azar dos Távoras, o momento histórico que estamos a viver está a destruir esses ademanes socialistas. Para começar, o europeísmo do PS está pelas ruas da amargura. É evidente o mal-estar dos socialistas em relação à outrora sacrossanta UE . Neste momento, PSD e CDS são os partidos mais europeístas do pedaço. Em simultâneo com esta queda do europeísmo do PS, está a ocorrer uma mudança de fundo na esquerda portuguesa, que coloca em causa o papel charneira que o PS tem representado no nosso sistema partidário. Vejamos.

O PS julga que é especial, porque pensa que está cercado por forças ilegítimas da direita e da esquerda. No Congresso de Matosinhos, isso foi evidente. Os socialistas têm uma narrativa muito simples, mas muito eficaz na hora de arregimentar as forças internas: o PS, diz esta narrativa, está cercado pela extrema-esquerda revolucionária e pela direita fascizóide e/ou neoliberal . Este ambiente de cerco gera uma presunção de superioridade moral em relação aos outros partidos (e gera também o autismo do bunker de comando, mas isso já é outra conversa). Ora, como se sabe, esta situação resulta da fase inicial da nossa democracia. Entre 1974 e 1979, o PS foi mesmo o partido-charneira entre dois países que se odiavam (PCP versus direita). A partir dessa posição, o PS liderou o pacto que consumou a nossa democracia: do lado de fora ficou o autoritarismo anti-democrático do PCP e do lado de dentro ficou o chamado "arco governativo" liderado pelo PS (CDS, PSD e PS). Esta exclusão da esquerda do "arco governativo" - que dura até hoje - deu ao PS o lugar-charneira do regime e prendeu a direita ao PS. Porquê? Como o PS não podia governar através de uma coligação à esquerda, a direita lá tinha de fazer o frete de apoiar o PS sempre que era necessário (ex.: 2009-2011). Como é óbvio, isto contribuiu para a descaracterização da nossa direita e para a constante supremacia ideológica do PS. O medo da "rua" do PCP serviu sempre para o PS dizer que a direita não podia ser mesmo de direita; a direita só podia ser uma cópia a preto e branco do cintilante PS.

Ora, não é muito rebuscado pensar que as eleições de 5 de Junho e as consequentes movimentações no Bloco de Esquerda indicam o fim deste bloqueio à esquerda . E, sendo assim, uma coligação PS/BE num futuro próximo retirará a posição charneira ao PS, e normalizará a nossa democracia através da consumação de dois blocos claros e antagónicos (PS/BE, PSD/CDS). O tique vital do PS está a caminho do seu fim. Expresso

sexta-feira, 8 de julho de 2011

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Novas termas em Carrazeda de Ansiães




Há um novo balneário termal no país. Abriu esta semana, em Carrazeda de Ansiães, e tem capacidade para 80 utentes.

Obras da barragem obrigam a desviar leito do Tua

Até ao final do ano, o rio Tua deve ver o seu curso desviado. A EDP já arrancou com a obra da barragem de Foz Tua e espera ter essa parte concretizada nos próximos meses. Segundo o presidente da EDP Produção as obras arrancaram no início de Abril. “Assinámos o contrato em Fevereiro e em Abril a obra foi iniciada, está a decorrer e contamos fazer o desvio do rio até ao final deste ano” refere António Ferreira da Costa.

No terreno já estão cerca de 200 trabalhadores mas a EDP prevê ultrapassar os valores de mão-de-obra inicialmente previstos para as obras em curso na região “A nossa previsão é atingir os 1200” tendo em conta que “no Sabor já temos 1200 e a nossa previsão era atingir os 1700. Eu acho que vamos ultrapassar na medida em que este Verão vão iniciar-se as obras no domínio dos equipamentos electromecânicos”. Também nas barragens do Picote e Bemposta, que estão a sofrer um reforço de potência, foi ultrapassado o número de trabalhadores inicialmente previsto, que rondava os 450 operários cada.
No Baixo Sabor, António Ferreira da Costa espera atingir o pico da obra em 2014, podendo chegar aos dois mil trabalhadores
. Brigantia

terça-feira, 5 de julho de 2011

Caldas de São Lourenço começam a funcionar

Começou ontem a funcionar o novo balneário das Caldas de São Lourenço, no concelho de Carrazeda de Ansiães.
Um equipamento instalado pela câmara municipal que permite uma série de tratamentos com base nas águas sulfurosas e medicinais que ali brotam. Estas caldas, que há muito são vistas como um dos pólos de desenvolvimento turístico do concelho de Carrazeda, mas cujas potencialidades nunca foram totalmente aproveitadas, abrem durante esta época balnear para a realização do estudo médico-hidrológico que levará ao reconhecimento das qualidades terapêuticas das águas no tratamento das doenças reumáticas, músculo-esqueléticas e do aparelho respiratório, entre outras. Chegado a este ponto, o presidente da câmara reconhece que pôr a funcionar as Caldas de São Lourenço não é um processo fácil. A burocracia é muita e talvez por isso o primeiro estudo médico-hidrológico não ter tido o sucesso que deveria ter” refere José Luís Correia. “São precisas muitas diligências com a Direcção-geral de Saúde e a Direcção-geral de Geologia” acrescenta, salientando que “nós pedimos que fossem vistoriadas as instalações existentes e que serviram para o primeiro estudo e essa vistoria disse que as instalações não estavam em conformidade”. Por isso foi, foi preciso encontrar uma alternativa. Tivemos de proceder à construção de um novo balneário que custa cerca de 286 mil euros” afirma. “A câmara já tinha investido mais de 300 mil euros, por isso, as caldas já estão um pouco pesadas para os cofres deste município mas é nossa convicção que vai ser um sucesso” acrescenta. Nesta fase de realização do estudo médico-hidrológico, usufruir das Caldas de São Lourenço obriga a uma inscrição no gabinete de apoio ao munícipe da câmara de Carrazeda. “As pessoas interessadas em frequentar estas caldas devem ter uma prescrição médica para depois poderem proceder à inscrição” alerta o autarca.

Também nesta fase, a câmara vai disponibilizar transporte para as Caldas de São Lourenço, a partir dos Paços do Concelho.

CIR/Brigantia
Público

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Carrazeda perde população nos Censos

Carrazeda da Ansiães está entre os cinco municípios que mais população perderam nos últimos dez anos. Segundo dados preliminares dos Censos 2011 conhecidos esta quinta-feira, nos municípios com maiores decréscimos populacionais destacam-se, com perdas superiores a 20%, os municípios de Alcoutim e Armamar. Integram também este grupo os municípios de Idanha-a-Nova, Mourão e Carrazeda de Ansiães (com menos 17,3%). Segundo este relatório, somos já 10 milhões 555 mil 853 de residentes em Portugal. O número de famílias registou um crescimento de 11,6%, entre 2001 e 2011. No entanto, o número médio de pessoas por família desceu de 2,8 para 2,6 e decresceu em todas as regiões. Os resultados preliminares dos Censos 2011 mostram que Portugal continua a ser um país com mais mulheres que homens.
Isto significa que existem actualmente 92 homens por cada 100 mulheres.
Brigantia

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Manuel António Pina,
um tutankamoniano para o prémio Camões (# 2)


A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —


in Ainda não é o fim nem o princípio, calma é apenas um pouco tarde.

Perpassa, neste poema, uma maldição tutankamoniana (claro que irónica) sobre o fim e mesmo sobre a inutilidade da poesia, e uma pre_
ocupação com o Outro.. que me levou ao que não lê, no poema de
Joaquim Manuel Magalhães:

Melhor seria que não me lessem nunca
os que por costume lêem poesia.
Muito além deles conseguir falar
ao que chega a casa e prefere o álcool,
a música de acaso, a sombra de alguém
com o silêncio das situações ajustadas.

Não ser lido por quem lê. Somente
pelos que procuram qualquer coisa
rugosa e rápida a caminho de uma revista
onde fotografaram todo o ludíbrio da felicidade.
Que um poema meu lhes pudesse entregar,
ademais da morte,
um alívio igual ao de atirar os sapatos
que tanto apertam os pés desencaminhados.

Mais do que tudo é isso que lhes quero
na confusão destas palavras atingidas
pelo contrário do que lhes entrego.
Pode até haver crianças, brinquedos espalhados,
o cheiro da comida, todas essas coisas de que fujo,
mas que me lessem sem pensar
na armadilha de palavras assim.

Alguém que me visitasse só
com o que ficou para trás nesse dia,
antes de pôr o vídeo com que vai tentar
esquecer o peso do princípio da noite,
as horas depois do emprego e do jantar,
antes do sono que tantas vezes é
um fechamento do desconsolo.

Estrelas cadentes, outras e outras
no dia? na noite tão curta? decepadas
e enaltecidas por entre o ladrar
de um cão que na distância
responde a outro cão.


Consciência aguda de que a poesia é lida num círculo fechado de poetas, entre si, como a que teve
Alexandre O’Neil: «Quem vos lê a vós? Somos nós/ E quem nos lê a nós? Sois vós./ Tudo fica, pois,/ entre nós, entre nós».

Curiosamente, tal preocupação de «ajudar» o Outro, através da Poesia, de prestar um serviço a, parece estar arredada das suas crónicas anacrónicas, onde se declara preferir «perder um amigo a uma boa piada».

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pequenas e médias empresas perguntam pelos 60 mil milhões destinados ao Interior

A Associação Nacional das Pequenas e Médias defendeu, sexta-feira, que é preciso saber para onde foram 60 mil milhões de euros de fundos europeus que entre 2000 e 2006 deviam ter sido investidas no Interior.

Em comunicado, a associação refere-se ao discurso do Presidente da República nas comemorações do Dia de Portugal, em que Cavaco Silva disse ser "urgente dar incentivos ao crescimento das regiões do Interior ou assimétricas".

"Onde foram aplicados 60 mil milhões de euros, referentes às dotações do QCIII (Quadro Comunitário) 2000/2006 e QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), uma vez que estas transferências líquidas da UE (União Europeia) para o nosso País, deviam ter sido investidas, precisamente no desenvolvimento das Regiões de Convergência, ou Regiões do Interior", questiona a associação.

Os pequenos e médios empresários lamentam que "a única sanção que os políticos responsáveis pela gestão danosa têm é perder as eleições".

A associação questiona ainda de onde virá o dinheiro público para investimento no Interior porque o empréstimo externo vai "servir para pagar dívidas de curto prazo" e porque "os empresários e a banca estão descapitalizados".

Para a ANPMES, a União Europeia vai ter que "controlar as soberanias orçamentais" dos estados "despesistas" como Portugal ou "reduzir as dívidas, perdoando impostos às PME e às famílias". JN

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Carrazeda de Ansiães regressa este fim-de-semana à Idade Média

A Câmara de Carrazeda organiza este fim-de-semana mais um “Ansiães na Idade Média”. Uma oportunidade para recriar eventos medievais que marcaram o concelho e que o autarca, José Luís Correia, pretende transformar num cartaz turístico.
É um bom cartaz e uma actividade que tem muito interesse para aproveitarmos o castelo de Ansiães, para o divulgar e tirar dividendos com turistas que possam vir”, explicou.

A zona histórica da vila e o Castelo de Ansiães são os palcos deste evento.
Não podemos esquecer-nos da importância que o castelo de Ansiães teve na Idade Média. Não podemos deixá-lo ao abandono. Temos de lhe dar alguma vida e notoriedade.”
José Luís Correia assume que este fim-de-semana nem é o melhor para o “Ansiães na Idade Média”, dado que coincide com algumas festividades de São João em aldeia do concelho.
No entanto terá sido a melhor altura para a Escola Profissional de Ansiães que também participa na produção do evento, a par da companhia Vivarte.
Espero que seja também um pretexto de formação para o jovens do concelho e uma forma de dar a conhecer o modus vivendi da Idade Média.”
Ansiães na Idade Média”, a iniciativa da Câmara de Carrazeda para animar este sábado e domingo na zona histórica da vila e no Castelo de Ansiães.
Haverá lutas, mostras de armas, danças e cantares, e um espectáculo musical das culturas cristã, moçárabe, judia e moura sarracena.
CIR /Brigantia

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ansiães na Idade Média - 25/26 de Junho


Daqui e dali... Carlos Fiúza

Sacripanta & Companhia


Em pleno “centro histórico” da cidade onde resido, situa-se um dos cafés mais “castiços” que conheci até hoje.
De seu nome “Portugal” (curioso nome, não?) tudo lá acontece…
Autêntico caldeirão de sociabilidade e cultura, tudo ali é permitido. Não se pode fumar? Pois fume-se! Não de deve dizer mal da Câmara (mesmo em frente)? Pois diga-se, especialmente quando a sua presidente ali vai para tomar uma “bica” retemperadora! Não se deve chamar de “corruptos” aos representantes dos diversos partidos políticos? Pois chame-se: se não for a mesa 1 será a 4, a 7 ou a 10!
É “PROIBIDO PROIBIR”! E assim a sua “fauna” é diversa…
À negrura das capas dos universitários junta-se a brancura da indumentária dos pintores da construção civil. À palavra mais comedida opõe-se o mais puro vernáculo… Dir-se-ia que Deus e o Diabo entram lá de mãos dadas, misturando sons e cores, odores e temperamentos!
São as conversas em voz alta de mesa para mesa; são os diversos sons do futebol com as “provocações” do costume à mistura; são, enfim, tudo a que se possa chamar de “surreal”…
Mas tudo parece “normal” para os seus frequentadores! Qual “tertúlia”, quer chova ou faça sol, religiosamente, lá vou todos os dias!
Pois há dias assisti a uma zaragata por causa de um “penalty” que o não seria (ou seria?).
Palavra puxa palavra, insulto traz insulto, comportamento arrasta comportamento.
Daí à intervenção dos polícias de giro (antes que a batalha verbal descambasse em campal) foi um “ar que lhe deu”.
No meu “canto” (sim, porque cada “grupo” tem o “seu canto”, a sua área geográfica bem definida por “cores” clubísticas, políticas, intelectuais ou outras) assisti a todo o desenrolar da “cena”. Só não sei o início (se é que isso interessa).
Cheio de “gozo” interior e enquanto um dos polícias tomava os apontamentos da ocorrência (tentando apaziguar os ânimos), eu fui apontando (mentalmente) as minhas notas de filologia filosófica dos insultos ou das ofensas que acabara de ouvir.
Um sujeito, exaltadíssimo, disse ao outro: “Você é um canalha, um pirata, um malandro, um filho da p….
Peço desculpa, mas não posso reproduzir o adjetivo final com que o sujeito classificou, numa síntese violenta, o seu antagonista (melhor dizendo, a mãe deste), o qual, depois de ouvir os doestos do “inimigo”, se saiu com esta:
Olhe, mais vale ser canalha, biltre, pirata, malandro ou mesmo filho da p… do que ser um fingido, um cínico e um sacripanta como você é.”
Posso afiançar que as pessoas circundantes dos rivais, ao ouvirem a palavra sacripanta, desataram todas a rir, inclusivamente o polícia que não resistiu ao poder do vocábulo sacripanta. Como utilidade linguística, aquela zaragata (autêntica escola de escárnio e maldizer) ministrou-me assunto para o estudo que passo a apresentar da linguagem dos insultos mais frequentes.
Isto de se chamar sacripanta a um sujeito como se explica? Estou em crer que 99% das pessoas que se dão à prática de ofenderem o próximo com tal epíteto nem sonham com a origem, que foi esta muito simples:
O poeta da renascença italiana Ariosto, na epopeia romanesca, espirituosa e pinturesca chamada “Orlando Furioso” deu-nos o celebérrimo personagem do Sacripanta, tipo de perverso, velhaco, um verdadeiro patife, um homem canalha.
Este tipo do Sacripanta famoso, entrou, portanto, na adjetivação comum de patife.
Mas continuemos… O primeiro dos zaragateiros chamou canalha ao outro.
Que é canalha? Coisa boa não é.
A canalha começou por ser um coletivo: era o ajuntamento de cães.
Cão em latim era canis ou canes. Ora, já em latim o cão se podia utilizar com injúria.
De can se formou o coletivo francês canaille, o coletivo italiano canaglia, o coletivo português canalha, etc.
Em francês, como cão é chien, houve chiennaille; mas o italiano canaglia sobrepôs-se e formou-se canaille.
Canalha é, pois, na essência, o conjunto de cães, a cachorrada.
As mulheres do Norte, rodeadas de sua filharada, quando esta faz desmandos, gritam: “Estai quedos! Que tal está a canalha!”.
Canalha são os filhos, como cachorrada que faz diabruras.
Como os cães juntos, se já são maus, se tornam piores, é óbvio que a palavra canalha passou a aplicar-se, figuradamente, à gente ruim.
Perdida a noção de que a canalha era coletivo, formou-se em aceção singular para referir o indivíduo patife.
O chamar-se, por exemplo, cínico a alguém implica em que também entra o cão, ao recordar que cínico veio do grego Kynikós, de Kyon, cão, do nome de uma seita de desdenhadores, que mordiam moralmente.
Quanto ao pirata, foi-se buscar à vida dos mares esse epíteto.
Pirata era toda a gente que andava nas aventuras dos mares, tentando a boa sorte, porque em grego peiratês é o que tenta, de peirán, tentar.
O termo injurioso malandro é mais complicado e a sua origem muito confusa.
É possível que malandro seja um derivado regressivo do italiano malandrino, que nos deu malandrim, tudo relacionado com a sarna das pernas das bestas e dos vagabundos.
De vagabundo passou ao sentido pejorativo. Em francês há malandrin, também do italiano malandrino.
Deve, pois, o malandro relacionar-se com pústulas e sarna.
Depois de estudados os termos ofensivos da zaragata a que assisti, passo a trazer à análise outras palavras de injúria.
Seu patife! - Aqui está uma exclamação frequentíssima, infelizmente prova de que há muita patifaria no mundo.
Parece que patife se relaciona com espatifar, do latim patefacere, abrir (as entranhas, por exemplo).
Relacionar patife com espatifar é, pois, de coerência semântica e formal.
E o maroto? Esta palavra entra muito em injúrias, com tanta intensidade como o mariola.
Seu maroto, seu mariola!” Isto é audível amiúde. Mas também se ouve muito: “Ele é um marau”. Ora, como em francês há maraud, trapaceiro, gatuno, larápio, os marotos, os maraus devem relacionar-se no sentido de patife, larápio e até… gato vadio.
O maroto é assim, como marau, de baixa estirpe, e até aos figos maus e bravos se chama “figos marotos”, como se chamam “olhos marotos” a olhos com maldade ou leve malícia.
Está-se a ver claramente que nos insultos se vai buscar à condição dos “Vadios, Moinantes & Companhia” a forma de injuriar.
Não é useiro este termo “vadio” como ofensa? Vadio é o vagativo, o que vagueia.
Ele é um biltre!” Aqui temos nós outro termo assaz injurioso, recebido de França, onde bêlitre, mendigo, vadio, miserável, maltrapilho, foi a princípio frade mendicante.
Belistre, bêlitre, que nos deu biltre, começou, portanto, na indigência dos peregrinos frades da França, passou a mendigo e de mendigo saltou ao sentido injurioso de patife, malandro.
Quando se diz “seu biltre”, fundamentalmente está chamar-se mendigo, pedinte, indigente à pessoa que recebe o ofensa.
E o rol seria infindável…
Mas é de mencionar um facto importante: a degradação semasiológica de certos termos utilizados como injúrias, os quais, tendo ganho um mau sentido por exagero, para sempre ficaram tomados à má parte.
Por exemplo: vilão, traficante, tratante.
És um vilão, és um tratante”. Isto hoje ofende. Mas dantes não ofendia, porque vilão era o da vila, e tratante era o que tratava, como traficante era o que traficava.
Chamar vilão a um homem era tão natural e tão inocente como chamar-lhe camponês. Mas vilão passou a campónio. Por influência de vil, julgou-se que vilão era o muito vil, e como já o sentido de campónio (que o vilão incluía) ajudava a ser vilão sinónimo de grosseiro, rude, baixo, o vilão passou a termo de injúria.
Tratante significa propriamente o que trata, o que se encarrega de tudo, no sentido de comércio, negócio, tráfico de mercadorias. Hoje, porém, torna-se à má parte, e é quase sinónimo de traficante.
Como se vê, a luta de interesses e de negócios dá o seu contributo à linguagem injuriosa.
Não admira. Tem sido sempre assim, desde que o mundo é mundo…
Os rivais são hoje os que, por oposição de interesses, disputam algo, como riquezas, valores morais e materiais, etc. Pois, os rivais primitivos eram os que estavam em margens opostas dos rios: latim rivalis, de rivus, rego de água, ribeiro. Os ribeirinhos, os que conduzem a água pelo mesmo ribeiro, eram rivales. Ora, das rixas, das zaragatas, por causa da concorrência das águas, nasceu a rivalidade, a inimizade.
A rivalidade, a inimizade pode trazer o insulto e o escândalo.
O escândalo põe a linguagem do avesso, trocando até inocências por maledicências.
Por exemplo, este termo que acabo de empregar, escândalo, não tinha nada de mal, e agora tem. Escândalo pode ser hoje ofensa ou injúria.
Como nasceu escândalo? Nasceu numa pedra, a pedra que faz tropeçar, em grego skándalon, a pedra do escândalo.
Quem tropeça irrita-se. Quem se irrita em geral injuria.
A inspiradora das injúrias é na verdade a ira. E a ira é tão perigosa que até os próprios cultores da virtude caem nela.
Se tropeçamos, chamamos nomes às pedras. Se nos queimamos, chamamos nomes ao lume.
E até se conta que certo rapazinho estava um dia atento a ver um padre mui virtuoso a pregar um prego na parede.
Perguntou-lhe o clérigo: “porque é que estás tão atento a ver-me pregar um prego?”
Desculpe reverendo, respondeu o moço, mas estava a ver se vossa reverência falhava o prego, para eu saber o que o senhor padre diria, ao dar com o martelo nos dedos”.
Esta não é do Padre Manuel Bernardes, mas serve para lhe dar razão quando ele disse que a “ira é como o cão, e esta às vezes primeiro morde ao hóspede, do que este lhe possa dar nome”.
Façamos, então, como as crianças, quando nos ofenderem.
Macaco sem rabo!” chamou um miúdo ao outro. Resposta deste: “Sou macaco, tenho fama. Mais macaco é quem me chama”.

Carlos Fiúza

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Manuel António Pina,
um tutankamoniano para o prémio Camões (# 1)

o que me vale

o que me vale aos fins de semana
é o teu amor provinciano e bom
para ele compro bombons
para ele compro bananas
para o teu amor teu amon
tu tankamon meu amor
para o teu amor tu te flamas
tu te frutti tu te inflamas
oh o teu amor não tem com
plicações viva aragon
morram as repartições

in Ainda não é o fim nem o princípio, calma é apenas um pouco tarde.

Desde o primeiro livro de poemas, que Manuel António Pina revela um enorme pendor filosofante e sarcástico, e um meio termo entre a poesia do quotidiano e a da linguagem da linguagem, com os jogos que são evidentes, neste poema, sob a referência maior ao/do dadá surrealista Louis Aragon. Claro que

os «tesouros» de Manuel António (bem maiores do que os do sarcófago de Tutankamon) não se ficam pela poesia, mas pela ficção, pelo teatro e pela literatura infanto-juvenil. No teatro, acompanhei no Pé de Vento as actuações do meu bom amigo Rui Spranger, nas suas peças «Os piratas» e «História do sábio fechado na sua biblioteca», assim como li (com o meu filho) o «Pequeno livro da desmatemática» da colecção Assirinha, trocando por vezes o «têpluquê».

O que se disse... Mário Soares

«A saída voluntária de Sócrates foi um ato de bom senso e abriu a porta a dois candidatos a líder que têm a vantagem de ser pessoas inteligentes, experientes e honestas.»

Mário Soares, Visão

Especialistas defendem mais colaboração entre instituições sociais

O trabalho em rede entre instituições particulares de solidariedade social é fundamental para promover o bem-estar da população idosa da região. A opinião foi expressa pela directora técnica do Centro Social e Paroquial de Izeda durante o primeiro Fórum da Ciência que decorreu esta terça-feira, em Bragança, e que abordava “A Realidade da Pessoa Idosa”.
Marisa Lopes considera que já existem na região instituições suficientes para responder às necessidades desta faixa etária, mas entende que deveria haver um trabalho conjunto de planificação e distribuição dos serviços.
Já há uma boa cobertura. Devemos é unir-nos e planificar correctamente os serviços e distribuí-los uniformemente. Em cera medida já vamos fazendo algum trabalho mas acho que ainda temos de unir esforços para pensarmos correctamente a quem falta dar assistência e planificar rotas.”
Este Fórum foi organizado pelos alunos finalistas da licenciatura em Gerontologia, do Instituto Politécnico de Bragança.
Nuno Afonso, o representante, diz que esta é uma forma diferente de conjugar a teoria e a prática.
Uma coisa é chegar lá e dizer que as coisas se fazem desta forma e que têm esta e aquela doença. Acaba-se mais por descrever a doença do que encontrar métodos para chegar aos idosos. Fala-se imenso de teoria mas a prática de chegar ao idoso não é uma coisa que se possa ensinar numa sala de aulas”, garante.
A Fundação Betânia, de Bragança, foi a outra instituição parceira desta iniciativa.
A directora técnica, Paula Pimentel, salienta a importância destas acções para melhorar a qualidade dos serviços prestados.
Não quisemos apenas trazer conteúdos teóricos mas dar exemplos práticos de situações que nos preocupam, como a qualidade, a realidade da terceira idade, o que devemos fazer para tornar o dia-a-dia das pessoas institucionalizadas ou não melhor.”
Um fórum que contou com diversas instituições, técnicos, docentes e idosos.
Brigantia

terça-feira, 14 de junho de 2011

Daqui e dali... Carlos Fiúza

O “psicanalista” e eu - Parte II


“… as tendências e a razão são realidades com peso semelhante” (JLM).

Há no Homem grande multiplicidade de tendências, mas todas elas derivam de um impulso vital ou vontade de viver, que na criança se manifesta apenas pelas tendências instintivas e aumenta consideravelmente no adulto à medida que se desenvolve o conhecimento do mundo, de si mesmo e dos bens ideais.

Assim, o adulto espiritualisa e intelectualiza as tendências instintivas, tornando-as voluntárias, adquirindo outras novas - as habituais.
Todas as tendências têm influência na formação do “eu”, como realidade consciente, alimentando-o e desenvolvendo-o.
No entanto, todas as tendências devem ser regradas e bem dirigidas; caso contrário, em vez de qualidades dignas da “pessoa”, tornam-se vícios nefastos (como aponta, e com razão, o meu amigo João Lopes de Matos).
Há quem afirme que a “pessoa” não é mais do um fruto da sociedade.
Não é essa a minha “visão”.
Para mim, cada PESSOA tem na sua própria natureza o que a caracteriza - a RAZÃO!
A sociedade pode, quando muito, contribuir para a sua formação e defesa.
Lembremo-nos que as tendências não são conscientes em si próprias, mas nas suas manifestações.
Por vezes, condições morais e conveniências sociais (como a educação) exigem que as regremos e dominemos para evitar os seus desmandos.
Para isto forma-se em nós uma espécie de “crítica” (como que uma censura) que “fiscaliza” a passagem das tendências do inconsciente para o consciente, para avaliar a sua “conveniência” ou “não conveniência”.
A este trabalho chamou Freud de “recalcamento” ou “ repressão”, ensinando-nos que a tendência contrariada produz um estado desagradável, que nos pode levar à cólera, à tristeza doentia e ao desespero.
Mas, as tendências assim reprimidas não desaparecem imediatamente… permanecem em nós à espera do momento oportuno para se satisfazerem.
É para evitar estes factos que recorremos à “sublimação”, desviando a tendência de um objeto para outro, transformando-a numa de ordem superior.

Todo o Homem é provido de psiquismo inferior (temperamento) e de psiquismo superior (caráter).
Toda a nossa vida psíquica obedece, assim, a estas duas forças que lhe dão uma uniformidade e uma constância tais que nos permitem determinar (com uma certa exatidão) o comportamento do Homem em face daquilo que o estimula.

Quando este binómio “falha”, podemos cair nas tendências exaltadas, ou seja, nas “paixões”, as quais se desenvolvem mais nuns indivíduos do que noutros, consoante certos fatores de ordem fisiológica, social e psicológica.

E é aqui que ocorre a “VONTADE” (ou a falta dela) … a paixão só se poderá desenvolver ou fortificar se o Homem não estiver na plenitude de si mesmo, isto é, se não tiver uma vontade forte.
E quando essa vontade falta… surgem os “desvios”, apontados por JLM.
Só que… quer a cleptomania quer a psicopatia (como eu “entendo” o Homem) são atos involuntários da sua própria vontade (ou da falta dela) - são, tão só, disfunções neurovegetativas.
Aqui (como salienta JLM) o campo é fértil … a neurociência o dirá!

“… a comida roubada à monja franciscana e ao goliardo, poderá constituir-se alimento daqueles que não conseguem produzir algo de próprio” (VAV).

Carlos Fiúza

P.S. Obrigado a ambos.

Daqui e dali... Carlos Fiúza

O “psicanalista” e eu…


Qualquer tratado de psicologia (mesmo “manhoso”) ensina que tendência é uma disposição ou propensão do ser vivo para produzir outros atos e procurar determinados fins.
As tendências aumentam em número e complexidade desde o animal ao homem e da criança ao adulto.
Os “apetites” devem ser regulados pela razão, sob pena de degenerarem em paixões grosseiras.
As tendências são, assim, “guardas” da nossa personalidade, e, por isso, são legítimas e necessárias quando contidas em justos limites; de contrário, dão origem a vícios, como o ódio, a inveja, o orgulho.
O homem é naturalmente levado a “imitar” o que vê nos outros, e daqui se conclui a força do exemplo na educação da juventude, que o povo sintetiza no aforismo “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.
A própria “simpatia” é já um contágio de emoções e não um simples contágio de atos, como a imitação.
Amar é querer bem ao objeto amado; é uma inclinação do amante para com o amado, que o leva a encarnar-se neste.
O objeto amado vive no amante, como o objeto conhecido no conhecedor.
A amizade é uma modalidade do amor de benevolência; é um amor de preferência entre duas ou mais pessoas.
A amizade procura, mediante ações, a felicidade de outra pessoa; tudo é comum entre amigos, porque o amigo é como que um outro “eu”.
O amor e a amizade adoçam as agruras da vida; são estímulos capazes de levar o homem aos maiores sacrifícios.
Uma vida passada sem amor e amizade é uma vida estéril, infeliz, que incapacita o indivíduo de empreender grandes obras.
Todas as grandes ações são fruto de amor e amizade.
É certo que em oposição ao amor, temos o ódio, que dá origem a atos de aversão.
Daí o dizer-se que todos os atos têm por base o amor ou o ódio.
No entanto, como o ódio a um objeto ou pessoa deriva do amor que temos a outro objeto ou pessoa, por aquele impedir a prossecução deste, não repugna basear todas as tendências no amor.
Toda a vida psíquica do homem, caracterizada por uma infinidade de atos, é condicionada pelas suas tendências que não são mais do que energias para atuar.
No homem cada órgão tem a sua função e cada atividade a sua finalidade, mas todas estas funções ou finalidades devem ser dirigidas num único sentido:
o HOMEM deve agir como convém a um ser que pensa.
Daqui a minha “confusão”:
- Germano ou género humano?
Carlos Fiúza

domingo, 12 de junho de 2011

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Morte do Bloco de Esquerda: missa do 7º dia realiza-se no Domingo - Tiago Mesquita

Não tenho nada contra este partido em particular, apesar de nunca ter percebido para que serve, quais os ideais que defende, se é que defende algum para além de contestar os demais. Se é de esquerda ou direita, a oscilar entre o radical e o liberal consoante o tema. É uma espécie de salada de frutas partidária. E é notório um contra-senso entre o que vai apregoando, causas que abraça e o estilo de vida da maioria dos seus apoiantes. Mas como gostos e opções, políticas ou outras, não se discutem sempre procurei respeitar quem me dizia "sou do Bloco". Diziam ultimamente que "era um voto útil". Pergunto: útil para quem?

Mas sempre vi na expressão "sou do Bloco" uma estranha necessidade de afirmação, como se só por ser pronunciada a pessoa ganhasse uma espécie de auréola de superioridade intelectual em relação aos que votam nos demais partidos (os que contam de facto para alguma coisa em termos eleitorais). O Bloco para mim sempre foi aquele partido que aparece em bicos dos pés em tudo o que é manifestação, normalmente com cães presos por um baraço. Uma espécie de circo ambulante. Uma miscelânea de Gandhi com Guevara passando pela Madre Teresa de Calcutá. Da legalização das drogas leves ao fim da guerra no planeta Marte. Da defesa dos polícias em patrulhamento sem pistola à condenação do extermínio dos pombos da baixa pombalina. Tudo com erva, t-shirts coloridas biodegradáveis e rastas à mistura.

Nasceu da contestação e agora gera desconfiança. Não é só e apenas a contestar que algum dia se chega a governar, nem tão governar-se a si próprio. Traduzido: o BE é um partido estéril e feito do descontentamento da massa crítica votante nos restantes partidos, quando esta tem na realidade de optar por uma mudança o BE desaparece. Morre.

E o que me parece que os bloquistas ainda não absorveram foi que o partido faleceu no Domingo passado. A intransigência em relação à Troika com a velha máxima "não pagamos" e a abertura escancarada a uma liderança de direita estraçalhou o partido, e com ele o já bastante ofuscado líder Francisco Louça. E aqui começa o problema. É comum dizer-se que não há insubstituíveis, mas o BE é a excepção que confirma a regra. Louçã é o Bloco e o Bloco é Louçã. E o bloco com outro líder qualquer vale tanto politicamente como o PND. Portanto os senhores que se estão a colocar, e sabemos quem são, em bicos dos pés e a "atacar" há já algum tempo (com pinças) o partido para tirar Louçã do poder vão tirando o cavalinho da chuva não vá o bicho constipar-se. Esse dia não vai acontecer tão cedo. Expresso

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Agenda Cultural - Junho

Exposição - Fotografia no Douro - Biblioteca Municipal

Feira da Sustentabilidade Urbana promove inovações ecológicas

Começou ontem em Bragança a primeira edição da Feira Ibérica da Sustentabilidade Urbana. É organizada pela câmara de Bragança, Diputacion de Zamora, Instituto Politécnico de Bragança e NERBA. Durante a abertura, o presidente da câmara destacou a importância deste evento. “Fazemo-lo ao nível de um projecto que proximamente se iniciará que é o Parque de Ciência e Tecnologia que sustenta a sua estratégia nas quatro áreas presentes nesta feira” refere Jorge Nunes, acrescentando que “é um projecto de parceria regional que envolverá instituições pública e empresas”. (...) A Feira Ibérica da Sustentabilidade decorre até quinta-feira. Brigantia
Público

Daqui e dali... Tiago Mesquita

Ex-Primeiro-Ministro Islandês julgado por negligência e José Sócrates vai de férias?
Depois da despedida "emocionada", a farsola repugnante com que José Sócrates brindou os portugueses no domingo passado via teleponto, hoje foi a vez da mensagem interna ao partido: "O secretário-geral cessante do PS, José Sócrates, despediu-se hoje da Comissão Nacional do PS com uma mensagem curta mas emotiva, dizendo para os dirigentes socialistas "eu adoro-vos". Jornal Sol
Não é de chorar a rir? "Adoro-vos" meus queridos. Agora adeus! Aguentem-se à bronca! Bye.
Só mesmo neste país da treta é que um Primeiro-Ministro que causou o caos político, social e económico se demite e despede com esta ligeireza das suas funções, desresponsabilizando-se moral, política e quem sabe, a exemplo de outros países, criminalmente do passado recente e das suas acções que muito contribuíram e foram o ponto de partida para o estado de degradação a que chegámos.
É certo que não é costume julgarmos os políticos pelas suas acções mas ia sendo altura de o fazermos, dar o exemplo para não arriscar um novo Sócrates nos próximos 100 anos, o mesmo tempo que precisamos de recuar para vislumbrar uma crise desta dimensão.
"O antigo Primeiro-Ministro islandês Geir Haarde está hoje em tribunal, acusado formalmente de ter contribuído para a crise, ao não conseguir evitá-la, e de ter falhado nos seus deveres para lidar com as consequências ( ...) O ex-líder do Executivo islandês rejeita todas as acusações. No entanto, se for considerado culpado, pode ser condenado a uma pena de prisão, salienta a Associated Press. (...) O Parlamento da Islândia, em Setembro passado, acusar formalmente Geri Haarde por ter alegadamente fracassado no dever de ter evitado a crise de 2008. Esta crise gerou uma forte contestação social no país e fez cair o governo (...) Negócios Online
Este senhor islandês também nacionalizou bancos, foram 3 no total, falava de recursos verdes, do mar e do capital humano (onde é que eu já ouvi isto) para superar um colapso financeiro que levou o país à bancarrota. "Ficaremos bem, comeremos aquilo que pescaremos" - dizia esta figurinha na altura até o povo islandês o atirar ao charco.
Lei n.º 34/87, de 16 de Julho CRIMES DE RESPONSABILIDADE DE TITULARES DE CARGOS POLÍTICOS, CAPÍTULO II - Dos crimes de responsabilidade de titular de cargo político em especial, Artigo 7.º - Traição à Pátria: "O titular de cargo político que, com flagrante desvio ou abuso das suas funções ou COM GRAVE VIOLAÇÂO DE INERENTES DEVERES, ainda que por meio não violento nem de ameaça de violência, tentar separar da Mãe-Pátria, ou entregar a país estrangeiro, ou submeter a soberania estrangeira, o todo ou uma parte do território português, ofender OU PUSER EM PERIGO A INDEPENDÊNCIA DO PAÍS será punido com prisão de dez a quinze anos."

Por mim, a provar-se o desvio de funções e a grave violação de inerentes deveres, dado que a independência do país já é um passado, agora que somos reféns de entidades externas, iam todos de cana. Um a um. A começar pelo "chefe". Férias sim, mas na prisão se preciso for para que isto não se volte a repetir. Chega de gozarem com o povo português. Deviam ser todos julgados e punidos severamente. Expresso

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sócrates vai para o "Guiness" pela sua incompetência, diz Belmiro

O patrão da Sonae considera que não há ninguém que tenha feito "tanta coisa tão mal em tão pouco tempo".

Belmiro de Azevedo fez duras críticas a José Sócrates, sublinhando que o primeiro-ministro deve ir para o livro do Guiness pela sua incompetência.

"Não há exemplo de alguém ter feito tanta coisa tão mal feita em tão pouco tempo. José Sócrates vai para o Guinness", afirmou o empresário, citado pelo "Jornal de Negócios".

O responsável acusou Sócrates de ser "chefe de um grupo de empregados". "Só havia um ministro: José Sócrates. Até o Teixeira dos Santos ultrapassou e ignorou", acrescentou Belmiro. Na semana passada, durante o comício do PSD no Porto, o presidente da Sonae disse acreditar que o partido de Passos Coelho iria "ganhar largamente "as eleições legislativas, contra o partido socialista.

"O PS já não é um partido sequer, é uma máquina, mas já esgotou a máquina, não tem gasolina, veio tudo para baixo", concluiu Belmiro de Azevedo. Expresso

segunda-feira, 6 de junho de 2011

PSD arrecada maior votação em Bragança

Bragança foi o distrito do país com maior percentagem de votação no PSD.

Confirma-se assim o desejo formulado pelo cabeça-de-lista do PSD aquando da passagem de Pedro Passos Coelho na região, em campanha, referindo que se houvesse Passistão seria aqui em Bragança. O PSD volta a eleger dois deputados no distrito de Bragança, à semelhança de 2009, mas desta vez com uma larga diferença relativamente ao segundo ao PS.

Os sociais-democratas obtiveram 51,81% reforçando a votação em quase 10 pontos percentuais relativamente a 2009, recuperando mais de cinco mil votos. Ganharam em todos os concelhos do distrito, sendo que Vimioso foi onde se registou a maior votação com 61,28%.

O PS ficou-se nos 26,28% descendo mais de seis pontos percentuais comparativamente com as últimas eleições, perdendo cerca de oito mil votos.Em Alfândega da Fé registou o melhor resultou com 34,75%. O CDS/PP foi a terceira força mais votada com 11,08%, descendo mais de um ponto percentual e registando o seu melhor resultado em Mirandela, com 15,61%.

Em quarto lugar ficou a CDU com 2,59% dos votos, crescendo ligeiramente em termos percentuais relativamente a 2009, mas perdendo 61 votos.

O Bloco de Esquerda obteve 2,30% da votação, contra os 6,2 % de 2009. Foram menos 3500 votos. Dos 153945 eleitores inscritos, 49,13% (menos de metade) exerceram o direito de voto.A abstenção registou por isso, uma subida em relação às últimas eleições, situando-se nos 50,87 por cento.
Nota final para os 1428 votos brancos, que representam 1,89 por cento do total de votos no distrito de Bragança. Brigantia

sábado, 4 de junho de 2011

Manuel Esteves - O voto em branco não é como o algodão - engana

O voto em branco ameaça virar moda. Como qualquer moda, é frágil, superficial e passageiro.

Mas como não gosto de modas, atiro-me ao desfile dos argumentos que pululam por aí:

1. "Não me identifico com nenhum partido". O voto em branco tem laivos de sectarismo. O eleitor não está disposto a aceitar um partido com o qual não se identifique em todas as vertentes e não perdoa os deslizes do passado. Por outro lado, por detrás do voto em branco está, muitas vezes, uma pretensa superioridade: "o meu voto é demasiado bom para ir para aquela gente".

2. "É uma forma de protesto contra a classe política medíocre". A classe política é uma construção nossa. Existe porque a maioria de nós abdicou da sua condição política, abandonando qualquer tipo de intervenção política e social, entregando aos políticos profissionais a tarefa de resolver os nossos problemas. Metemo-nos numa enorme alhada. E agora não só dizemos que a culpa é deles, como esperamos ingenuamente que, após uma chicotada de brancura, sejam eles a resolver o nosso problema.

3. "Serve para retirar legitimidade ao sistema". O voto em branco não tira nem dá nada precisamente porque vai vazio. O eleitor torna, de facto, o parlamento menos representativo, ao reduzir o número dos que escolhem os deputados da República. Mas ao mesmo tempo que tira representatividade aos escolhidos, reforça a sua impunidade na medida em que estes passam a depender de menos gente. Quanto menos legitimidade, melhor. Quanto pior, melhor. É um voto fraco, que não derruba nem elege ninguém.

4. "Quero ser independente dos partidos". O eleitor do voto em branco quer sentir-se puro e imaculado, para mais tarde poder dizer: "não tenho nada a ver com isto". Coloca-se à margem do problema como se o problema não fosse seu. Nosso. É bastante cómodo. Primeiro, não temos trabalho a escolher; e depois, não nos responsabilizamos pelas escolhas. É uma desistência. Decidam vocês que eu não sou capaz.

5. "O voto em branco é claro e transparente". Pelo contrário. É opaco. Não tem representantes, nem se sabe o que representa. Não vincula ninguém a nada. Quando o Parlamento tiver de votar a reforma da Segurança Social, a nacionalização de um banco ou a interrupção voluntária da gravidez, de que lado fica o voto em branco? Enfim, sendo legítimo, o voto em branco imagina-se puritano. Recatado, gosta de se ver ao espelho. Vive bem com Deus e com o Diabo e, quando se chateia, o mais que diz é: "agarrem-me, se não eu desgraço-me". Acontece que de tão branco que é, torna-se maçador. Falta-lhe cor. Movimento. Dor. Editor de Economia do Negócios

DIA DE REFLEXÃO

Henrique Monteiro

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Sócrates derrotou-nos

Além dos factos objectivos , importa destacar um facto, digamos, moral: Sócrates representou um declínio moral da nossa política e do nosso debate público. Dentro da nossa normalidade democrática, nunca houve esta agressividade para com a imprensa , e esta má-educação no parlamento ("manso é a tua tia" é apenas o exemplo máximo) . E o pior é que Sócrates conseguiu que o país começasse a pensar como ele. Assim, ao longo destes anos, a agressividade intolerável perante os jornalistas passou a ser vista como uma "estratégia de marketing político", como uma "estratégia de comunicação que evita as gaffes e erros". Ao longo destes anos, a evidente má educação do primeiro-ministro (perante adversários políticos e perante jornalistas) passou a ser vista como um símbolo do "animal político", o "animal feroz". "Ele é assim", ouvi várias vezes. "Não há nada a fazer", outras tantas vezes. Ou seja, nós aceitámos o inaceitável, porque sim, porque o poder-é-assim-e-não-há-nada-a-fazer. Este relativismo mudou o nome às coisas, e representa a vitória de Sócrates sobre nós, sobre o espaço público.

Recebo mails de leitores todos os dias. Na semana passada, recebi o mail que mais me marcou. Dizia uma senhora que "v. não devia falar das mentiras de Sócrates, porque já ninguém liga", e dizia isto com um ar de desilusão em relação a mim. Ou seja, eu - que estava a apontar as mentiras do nosso PM - é que estava a desiludir a senhora, que, com certeza, queria outro tipo de texto, sei lá, sobre os golfinhos do Sado ou sobre as giestas transmontanas. E este convívio fácil e normal com a mentira não é monopólio desta senhora. Toda a gente se deixou afectar por isso. Aliás, devo fazer aqui um mea culpa: ontem, vi de raspão esta notícia sobre a Lusa , e não liguei. Num ambiente de normalidade liberal e civilizada, este assunto rebentaria em manchetes e em aberturas de telejornal, e eu escreveria inevitavelmente sobre o dito assunto. Ora, isso não aconteceu, nem vai acontecer, porque Sócrates derrotou-nos. Venceu-nos moralmente. Estamos todos cansados moralmente, sem vontade. Estamos espojados numa inércia amoral. É por isso que celebro, com champanhe e tudo, estas declarações da direcção da Rádio Renascença: "(...) admitimos assim que José Sócrates não aceitou o nosso convite, mais uma vez, não por ignorar a importância da audiência da Renascença, mas antes por conhecer bem de mais a qualidade do nosso jornalismo. A Direcção de Informação lamenta este empobrecimento do debate democrático e continuará a bater-se pelo reforço da Liberdade de Informação, sem abdicar de colocar as perguntas certas, por mais incómodas que sejam" . Ámen.

No dia 5 de Junho, temos de defender Portugal disto. Temos de defender Portugal de José Sócrates e deste socratismo amoral. Não está só em causa o facto de estarmos mais pobres do que em 2004. Nós também estamos mais amorais ou mesmo imorais, e já é tempo de dizer basta. Expresso

A descolagem

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Camilo Lourenço

Podemos confiar num político assim?

Um dia ouvi um juiz questionar um condutor que não parara num cruzamento.

O homem, que não tinha prioridade, jurava que o acidente só acontecera porque o outro vinha demasiado depressa. Ao que o juiz retorquiu: "Stop" quer dizer "Parar", não "Parar se o outro vier depressa". Perante a insistência o juiz, irritado, disparou: "Você é um indivíduo perigoso: o que está a dizer é que, apesar da regra ser obrigatória, quando sair daqui volta a prevaricar. Se calhar é melhor tirar-lhe a carta".

Lembrei-me desta história depois de ver a versão final (FMI) do memorando acordado com a Troika. O documento, assinado pelo ministro das Finanças e pelo governador do Banco de Portugal diz, ipsis verbis, que o próximo Governo tem de fazer uma "major reduction" da Taxa Social Única (até final de Julho). Ora nos debates televisivos, o 1º ministro jurou que se chefiasse o próximo Governo apenas faria uma pequena redução da TSU. E mesmo assim, só depois de estudar o assunto. Como se não conhecesse o documento que o seu ministro das Finanças assinara. Documento que passou a valer como lei!

José Sócrates parece-se cada vez mais como o condutor que não queria cumprir a regra da prioridade. E o seu comportamento dá razão aos que perguntam se o país pode confiar num político que protagonizou tantos "casos": promessa de não governar com o FMI (de que se retratou nos debates), "aldrabices" na execução orçamental do 1º trimestre, redução de prazos (imposto pelo Ecofin) na execução de algumas medidas do memorando, facto ocultado ao país (para ficarmos só pela últimas semanas). A resposta, se as sondagens valem alguma coisa, promete ser clara. Jornal de Negócios