sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Processo de classificação da Linha do Tua como Património de Interesse foi arquivado

O processo de classificação da linha ferroviária do Tua como “património de interesse nacional” foi arquivado pelos serviços do Ministério da Cultura, segundo um despacho publicado, ontem, em Diário da República.

A petição para a classificação da linha tinha sido entregue em Março passado ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, o IGESPAR, e foi formalmente aberto no princípio de Setembro, instituindo, desde então, um perímetro de protecção de 50 metros em torno do eixo da linha férrea, em toda a sua extensão.

Passados dois meses, o processo foi agora arquivado, com base num parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, segundo o anúncio do IGESPAR, ontem publicado.

A classificação da linha ferroviária do Tua como “património de interesse nacional” era mais uma tentativa para travar a construção de uma barragem na foz do rio, que a EDP quer adjudicar ainda este ano.

Mas Manuela Cunha, primeira subscritora da petição que deu origem ao processo de classificação da Linha como Património Nacional, garante que vai haver um “recurso desta decisão”.
CIR/Brigantia

Obras na linha do Douro vão ser atrasadas

O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, garantiu ontem, em Vila Real, que a reabilitação do troço da linha ferroviária do Douro, entre Pocinho e Barca de Alva, e da linha do Corgo, entre Peso da Régua e Vila Real, vai ser recalendarizada.

À margem de uma conferência internacional em que se discute o turismo no Douro, o ministro adiantou que os projectos não foram metidos na gaveta, mas vão ter novos prazos por causa da crise:

Neste momento tempos de recalendarizar alguns dos projectos de infraestruturas. O calendário tem de ser visto em, função das disponibilidades orçamentais e das condições de financiamento.”

Para avançar com a reabilitação da linha do Douro ente Pocinho e Barca de Alva, foi celebrado, em Setembro do ano passado, um acordo entre várias entidades públicas e privadas.

O chefe da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, tem bem presente esse momento e não acredita que o acordo tenha sido rasgado:

Lembro-me do dia 9 de Setembro, no Pocinho, um conjunto de entidades, que assinaram um contrato em que cada um dos organismos dizia o que fazia. Estava a REFER, por exemplo, com a elaboração de projectos. Passado um ano, não estão ainda feitos. Admito que o projecto da linha possa ser revista. Mas rever ou reequacionar não é arquivar ou enterrar.”

Apesar destes contratempos ferroviários, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira considerou que o Douro é, actualmente, uma lição para o país.

Baseia-se no crescimento da ocupação da hotelaria na região, em contra-ciclo com o que aconteceu noutras zonas turísticas nacionais:

Os dados mostram que o Douro está a representar uma lição para o país. Em 2009, a taxa de ocupação das camas caiu em todo o país mas no Douro subiram. Está a resistir à crise e a construir projectos vencedores.”

A confiança do ministro da Presidência em tempos de crise.

CIR/Brigantia

A forca

Henrique Monteiro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

“Faladrar”

Uma mulher do povo disse a seguinte frase:
Que estás tu a faladrar, meu pengo?”

O que deu origem àquele dito foi qualquer resposta malcriada dada por um rapazinho, quando ela o censurava por estar a castigar um irmãozinho mais novo.

Faladrar” - queria dizer “falar”, como se se referisse a “ladrar” com intenção de ofender o rapaz?
E “pengo”, será o mesmo que “atrevido”, “maroto”, “mariola”, etc. ?

Faladrar” pode arrolar-se nas figuras de dição.
Figuras são modos de dizer que intentam valorizar a expressividade.
Figuras de dição, aquelas que por meio de alterações fonológicas ou morfológicas concedem aos vocábulos novos aspetos de significação, relacionados com os próprios, mas acrescidos de algum valor acidental.

Ora, entre as figuras de dição podemos incluir os “trocadilhos”.
Os “trocadilhos”, como o nome indica, são “trocas” fonéticas em vocábulos de som parecido ou semelhante, os quais vocábulos se aproximam para o estabelecimento de contrastes, equívocos, graças, etc.

O trocadilho “faladrar” consiste no aproveitamento de duas semelhanças: a 1.ª entre a sílaba comum a “falar” e a “ladrar” (o la); a 2.ª entre o desabafo vocal do homem e o dos cães.

Este “trocadilho” de “faladrar” vale também pelo recurso à aliteração.
Mas o seu mérito expressional está sobretudo nisto: a pessoa que ofende outra, dizendo que ela está a “ladrar”, não deixa de travar a ofensa, amortecendo o insulto com a concessão da sílaba inicial de “falar”.

Quero dizer: a pessoa que por qualquer modo mais parece “ladrar” do que “falar” é insultada, dizendo-se que não “fala” nem “ladra”: mas que “faladra”.

Faladrar” torna-se, pois, uma espécie de insulto semieufemístico.
Meu pengo” é meu “pateta”, meu “parvo”.
Suponho o vocábulo “pengo” relacionável com um outro, de largo uso no Brasil - capenga, também sinónimo de pateta

Por muito respeito que tenha pelo autor do presente artigo (denegrindo mais o “cargo” do que a “pessoa” que se pretende atingir), pergunto:

- Será este um exemplo típico de um texto “faladrado”?

- Será que, tal como a cor das uvas, o “falar” e o “ladrar” andam de mãos dadas?

Carlos Fiúza

Magusto - Ribalonga - 14 de Novembro


ARCPA - Magusto 2010

Azeite transmontano é sucesso internacional

Prémios a nível nacional e internacional atestam qualidade superior do Azeite de Trás-os-Montes DOP
O Azeite de Trás-os-Montes (Denominação de Origem Protegida) DOP continua a arrecadar prémios a nível nacional e internacional. Desta vez foi o Azeite Porca de Murça que conseguiu a distinção de um dos melhores azeites do mundo. O Lote 50, da Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça arrecadou uma medalha de prata do prestigiado concurso internacional de azeites – “Los Angeles International Olive Oil Competition 2010”, onde estiveram presentes 477 azeites de 318 produtores de todo o mundo.
Mensageiro

domingo, 7 de novembro de 2010

Daqui e dali... Henrique Raposo

Sócrates: a cronologia da mentira

Por que razão os juros da nossa dívida estão a subir? Para responder a isto, temos de fazer uma pequena cronologia dos erros e mentiras de Sócrates dos últimos dois anos. Tape o nariz.

I. No Expresso de 9 de Outubro, Filipe Santos Costa fez a cronologia do "socratismo". Convém olhar para esta história dos últimos anos, porque ela é reveladora (vou só usar os dados económicos; os "casos" são outra história).

II. Em 2008, no meio do caos e da incerteza da tal crise internacional, José Sócrates criou a mentira número um: Portugal era um oásis, que resistia à crise internacional. Resultado: o governo baixou o IVA para 20% (um partido tem de fazer pela vidinha). Porém, meses depois, o governo nacionalizou o BPN, e começou a dizer que a crise, afinal, tinha chegado a Portugal. Neste cenário, Sócrates inventou a mentira número dois, que, aliás, permanece no menu do PS: Portugal está mal apenas e só por causa da crise internacional. O facto de Portugal não crescer a sério desde 1999 é um pormenor.

III. Em 2009, a negação da realidade atinge níveis patológicos. Com fins meramente eleitoralistas, Sócrates e Teixeira dos Santos "escondem o valor do défice" e Sócrates promete "o que outros dizem (e o tempo prova) que não pode cumprir: grandes investimentos e generosas medidas de apoio". Pior: sabendo que isso seria suicidário para as contas públicas, Sócrates e Teixeira dos Santos aumentaram a função pública em 2.9% (uma medida eleitoralista que dá voltas ao estômago). Neste ambiente populista e eleitoral, nasceu a mentira número três: aqueles que apontavam o dedo para a realidade não eram realistas, mas sim "bota-abaixistas". No mundo de Sócrates e do PS, ser-se patriota é o mesmo que obedecer ao optimismo torpe dos socialistas.

IV. Fevereiro de 2009: a apresentação do OE2010 "obriga Sócrates a assumir o défice de 2009: nem os 2,2% previstos no início, nem os 5,9% indicados em Maio, nem os 8,5% admitidos em Dezembro". O défice era de 9,3%. Mas, com uma cara de pau ímpar na nossa democracia, Sócrates afirmou que "nunca houve tanta transparência nas contas públicas portuguesas". E, depois, o que fez Sócrates? Entrou em campanha, gastando mais dinheiro em eventos (inúteis, e que apenas serviam a sua propaganda) e abrindo mais escolas e hospitais (que não pode pagar). Entretanto, Sócrates inventa a mentira número quatro: aqueles que querem reformar o insustentável estado social são os neoliberais-malvados-que-querem-fazer-mal-aos-portugueses-pobres. O Estado está a cair de podre, mas não se pode tocar no dito estado.

V. Em Maio de 2010, aparece o PEC II. Sócrates dizia que era suficiente (afinal, chegámos ao final de 2010 com um buraco de 1.8 mil milhões no Orçamento). Para terminar a história, aparece o "29 de Setembro", e os episódios dos últimos dois meses. Caro leitor, vamos ser honestos: V. emprestava dinheiro a este indivíduo? Tendo em conta este historial, V. emprestava dinheiro a este governo?
Henrique Raposo, Expresso

sábado, 6 de novembro de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Newton e a credibilidade das cores

Para começo do que vou dizer, torna-se necessário relembrar que, depois das experiências de Newton, ficámos a saber que os corpos têm a cor dos raios que difundem ou refletem.
Assim, um corpo é amarelo se absorve todos os raios menos os amarelos; é vermelho se não absorve os raios vermelhos; azul, se a absorção dos raios azuis deixa de se realizar.
Compreende-se porquê: os nossos olhos, se não forem daltónicos, captam os raios que os corpos não absorvem e, portanto, refletem.
Convém ainda acrescentar uma coisa que já se deixa ver, e é que, se um corpo refletir duas ou mais cores, absorvendo as outras, a cor será composta pela mistura das cores difundidas.
Falta dizer que o branco é composto pelas sete cores – o vermelho, o alaranjado, o amarelo, o verde, o azul, o anilado e o roxo.
Por outro lado, a gente aprende na Física que um corpo que absorve todas as cores e não difunde nenhuma tem a cor preta. E, se fôramos rigorosos, devíamos considerar que o preto não é “cor”, porque preto é rigorosamente… a ausência da cor.

Vem muito a propósito adicionar aqui este problema colorido:
Tenho sobre a mesa uvas brancas e pretas. Sendo que, verdadeiramente, as uvas brancas são… amarelas e as pretas… azuis”, quais são as “brancas”… e quais são as “pretas?”.

Será este o “problema” do nosso “celebrado OE2011”?
Será que, tal como as uvas, o OE tem duas (ou mais) cores?
Será que onde alguns veem branco, outros veem preto e vice-versa?
Será puro “daltonismo”… ou “política” na sua expressão mais baixa?

Será que os “mercados” veem tudo preto (sem qualquer laivo de branco) … ou veem tudo branco em “preto carregado”?

Obrigado, Newton! Quão esclarecedora (e oportuna) foi a tua descoberta!

Carlos Fiúza

não… de tanga, não.

Antero

Daqui e dali... Paulo Baldaia

Só com um tabefe

Lá vamos nós, cantando e rindo, a caminho do abismo. Temos dirigentes que gostam de lidar connosco como se fôssemos garotos a quem pouco importa saber por que é que é assim... Acham que não têm explicações a dar, fazem como alguns pais que educam os filhos com a estratégia pré-histórica do "fazes porque eu mando".

A cultura democrática, que era suposto termos construído depois do 25 de Abril, verdadeiramente nunca chegou a existir. Muitos dos senhores que exercem cargos públicos, lá colocados com o nosso voto para exercerem o poder em nome do bem geral, estão demasiadas vezes preocupados com a sua vida e a vida dos amigos.

No meio da mais profunda crise de que há memória, tivemos esta semana conhecimento de que os dirigentes de um instituto público decidiram promover, com efeitos retroactivos a Janeiro de 2009, umas dezenas de rapazes e raparigas que com eles trabalham. Acharam que podiam fazer isto, ao mesmo tempo que os funcionários públicos ficam sem parte do seu salário, ao mesmo tempo que parte significativa da população vai pagar mais impostos. O sacrifício da maioria serviria para o regabofe de uns quantos. Sem mais explicações.

Nestas alturas a revolta cresce. Se eu fosse funcionário público gostaria de ver essas chefias na praça pública a pedirem desculpa pela brincadeira de mau gosto. A alternativa é fazermos nós de papás e aplicar-lhes um tabefe. O tabefe é sempre a pior forma de educar, mas às vezes é difícil resistir.
Paulo Baldaia, JN

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Percurso alternativo

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Henrique Raposo

Ninguém confia em Sócrates

A principal causa para a subida dos juros da nossa dívida não é a agitação PS/PSD. A causa principal é uma coisa mais evidente: os credores não acreditam neste governo. Olhemos para os factos que comprovam a incompetência de Sócrates.

I. Nos últimos dias, uma coisa passou a ser a verdade suprema do pós-abstenção do PSD: a agitação PSD/PS é a única causa da subida dos juros da nossa dívida. Ora, esta agitação e a demora na obtenção de um acordo foram, com certeza, factores que provocaram desconfiança nos credores. Claro. Mas, atenção, este é um factor conjuntural e superficial. O problema de fundo, a questão estrutural é outra, a saber: a falta de credibilidade deste governo . Os credores não ligam muito à troca de palavras entre um deputado do PSD e o primeiro-ministro, mas ligam muito aos números. E os números, meus amigos, mostram uma gigantesca incompetência de Sócrates e Teixeira dos Santos:

- O OE2010 tem uma derrapagem de 1.8 mil milhões de euros. Teixeira dos Santos admitiu isto na semana passada. Por que razão os media portugueses não falam disto? Uma coisa é certa: durante os chá das cinco, os nossos credores falam muito sobre este assunto.

- A maquilhagem dos 2 mil milhões do fundo de pensões da PT. Isto pode servir para enganar Bruxelas, mas não serve para enganar os credores.

- O "lapso" dos 570 milhões e a errata dos 800 milhões. Estes dois episódios colocam tudo isto no campo do humor involuntário. E, piadas à parte, os credores começam a perceber uma coisa: os portugueses ainda não são gregos, mas têm contas públicas muito pouco transparentes.

- A relutância do governo em largar os TGVs, e um modelo económico caduco.
- A ausência de medidas para renovar nossa economia (exs.: flexibilizar a lei laboral, tal como fez a Espanha e tal como pediu o "euro grupo"; descida da taxa social única).

II. Ora, tendo em conta tudo isto, os nossos credores não acreditam neste governo, não acreditam que Teixeira dos Santos consiga cortar 5% no défice em apenas um ano. E têm razões de sobra para manter essa desconfiança. Os juros não descem por acção dos nossos desejos. Descem por acção dos nossos actos. Expresso

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Cortesia, civilidade e etiqueta

Apesar de abundarem os livros de “Civilidade e Etiqueta”, não se pode dizer, em boa verdade, que a cortesia, a correção, a polidez, a delicadeza ou, melhor, a educação coletiva esteja em grau elevado nos nossos tempos.

Crise de moral, destrambelhamento dos nervos pelas dificuldades da vida presente? Não sei; talvez uma e outra coisa.
O que sei é que as expressões de cortesia estão a rarear, não por culpa do idioma, que nelas é fértil, mas por culpa dos falantes.

“A inducação é muito linda”, dirá alguém menos alfabetizado…

Educação”, “educado” são palavras que, embora assim adulteradas, mostram, no entanto, que até o homem de rudes maneiras avalia ou aceita como alta virtude a alimentação do espírito nos princípios sãos da moral.
Sim, porque educatio vem de “educo”, cujo sentido é - alimentar, cuidar de.
Os Latinos à educação, à polidez, à cortesia chamavam-lhe “humanitas” (humanidade), querendo dizer que o correto procede como um homem deve proceder, e não como um bruto.
Também nós cá, em Portugal, noutros tempos chamávamos vilão ao da vila, rústico, e daí - grosseiro, etc.
E cortês, cortesia vem da velha ideia de serem os da corte, ou dela frequentadora, pessoas de boas maneiras.

Eu não discuto agora a alta questão do desnível entre a “delicadeza” da cidade e a “rudeza” do campo.
Mas sempre direi que na gente aldeã tenho encontrado muita criatura útil à civilização citadina.

Tudo o que neste mundo se usa está sujeito ao gasto. Ora, as expressões de cortesia, como tantas outras, caem muita vez no mecanismo de frases-feitas, de verdadeiros estribilhos sem realidade de significação.
Mas isto é universal!

Vem todo este arrazoado a propósito do recente (e triste) espetáculo que nos foi oferecido (em direto) na Assembleia da República aquando da discussão do Orçamento para 2011.

Quando algum analfabeto deixa fugir, na fluência oral, deturpações como “fazerei”, “menza”, etc., são desvios fonéticos e morfológicos explicáveis; quando alguém diz “a gente vamos” em defensível sintaxe, criticada, todavia, pelos gramáticos feros; quando alguém profere deturpadamente “tisoira” por tesoura; quando se nota um desmando qualquer à linguagem tida por modelar, as chamadas pessoas cultas (como os deputados o deverão ser), deveriam reagir, criticando e, às vezes, até parodiando os pecadores venais. Mas é assim? Claro que não!
Quando no “salão” mais nobre do nosso país, os “dignos” representantes de um povo se permitem usar da linguagem mais baixa, mais torpe, mais inquinada - “calças na mão” é só um exemplo (não contando “palhaço” e “burro”) - então como querer que o País os aceite?

Se os que erram por compreensível ignorância recebem crítica, também os que erram por desleixo, por teimosia ou por falsa cultura merecem o azorrague da crítica; merecem vir ao pelourinho espiar as culpas do desrespeito ao civismo, à educação.
A expressão política continua uma lástima. O erro campeia, ou antes, corre infrene pelos campos da expressão.
Os vícios da expressão, pela sua ubiquidade, são tão inabarcáveis que um homem só não dispõe de tempo nem de nervos para os considerar.
É possível que as minhas palavras desagradem aos apologistas do erro e aos preguiçosos da cultura portuguesa que supõem não ser preciso pôr cobro energicamente à viciação da linguagem pública.
No entanto, e apesar de provado até à náusea a falta de “cultura”, a pretensa “civilidade”, a pouca “cortesia” da nossa classe política… temos de viver com o que temos!
Mas choca-me que um “líder” parlamentar, desrespeitosamente se dirija a um seu par com: “os senhores foram apanhados com as calças na mão!”.
É quase inacreditável! É, no mínimo, deselegante… a nossa democracia não o merece, como o não merece o Povo que neles votou!

No fim destas considerações não fique a julgar-se que elas sejam qualquer apologia de palavrinhas doces, muito impostoramente gentis. O intento deste escrito é o convite sincero para se reparar na alma das palavras que, de tanto se empregarem, já pouco significam ou já raramente se usam, o que é pena, pois com elas, se formos sinceros, poderemos tornar os encontros da fera humana muito menos incómoda.

Carlos Fiúza

Adubo verbal

Henrique Monteiro

Funicular pode ser alternativa à ferrovia no Tua

Barco também pode substituir linha submersa pela barragem

Um funicular entre a foz do rio Tua e a barragem, uma travessia fluvial e o aproveitamento da linha ferroviária não submersa constituem um dos planos alternativos de mobilidade à Linha do Tua proposto pelo Governo. A viabilidade está em estudo.
Esta foi uma das ideias que estiveram em cima da mesa, ontem, no Museu do Côa, na primeira reunião a juntar todas as partes interessadas no processo de construção da barragem do Tua, entre Carrazeda de Ansiães e Alijó, mas que abrange também os concelhos de Murça, Vila Flor e Mirandela.
A criação do aproveitamento hidroeléctrico vai submergir os últimos 16 quilómetros da via-férrea, cortando definitivamente a ligação por comboio entre a Linha do Douro e Mirandela. Ontem, os cinco autarcas voltaram a reivindicar a uma só voz a criação de uma agência de desenvolvimento regional e uma alternativa de mobilidade à linha do Tua.
"As propostas que estão em cima da mesa agradam aos autarcas, resta saber a sua viabilidade financeira, quer na vertente de investimento quer na de funcionamento", sintetizou no final do encontro, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, realçando a hipótese do funicular, que a ser realidade iria ter cerca de dois quilómetros de extensão, e da travessia do vale em barco até à estação da Brunheda.
Para os autarcas, todas as possibilidades estão em aberto. "Pode ser o modelo A, B ou C. O que nós queremos é que satisfaça a mobilidade diária das populações e que seja atractivo do ponto de vista turístico", sublinhou o edil de Alijó, Artur Cascarejo, falando em nome dos cinco.
Humberto Rosa também deixou claro que a agência de desenvolvimento regional reivindicada pelos presidentes de Câmara "vai mesmo existir". E está mesmo "esperançado" que tal venha a ser uma realidade ainda este ano.
Esta agência é vista pelos cinco presidentes de câmara como fundamental para "mudar o paradigma da construção de barragens". "Que não seja apenas um investimento virado para o aproveitamento hidroeléctrico, mas que também promova a coesão territorial e o desenvolvimento económico das populações afectadas", vincou Cascarejo. Eduardo Pinto, JN

"Conversas (bio)diversas/Tertúlias em torno da biodiversidade"

Daqui e dali... Carlos Fiúza

"Medidas"

As palavras são um espelho admirável do caminhar da civilização, dos processos humanos, das conquistas da ciência, enfim desta ânsia de perfeição que o “bicho” homem abriga em seu peito.
E, se não, vejamos o que tem acontecido com as “medidas”.

Desde que o mundo é mundo, para se avaliarem as grandezas físicas, faz-se mister “medir”, isto é, comparar aquilo que se quer avaliar com outra grandeza ou quantidade arbitrária, que serve de termo de comparação.

Na primitividade, o homem queria “medir”? Pegava numa vara, e “media”. Reminiscência disso: a vara, medida antiga medida de comprimento, itinerária e também de superfície.

Outro processo que o primitivo homem usava era recorrer ao próprio corpo e dele tirava a forma de “medir”.
Media com os pés? Disso é prova o “” das medidas de comprimento e itinerárias.
Media com as mãos? Disso é prova a “polegada”, mais ou menos o comprimento da segunda falange do polegar.
Media com os cotovelos? Demonstra-o a palavra “côvado”, do latim “cubitus”, cotovelo.
Media com os braços? Aí tínhamos as “braças”.
Media com as palmas? Lá estavam os “palmos”.
Media a passo? Por isso se dizia “passo” a medida de 5 “pés”.
A própria milha nos pode fazer regressar o espírito à primitividade de processos de medir, pois “milha” (em latim millia) era correspondente a mil passos.

Tão arbitrárias têm sido as grandezas comparativas, ou as unidades, que os homens não descansam em modificações, ajustes e reajustes.

Pois bem… alguns “aprendizes de cientistas” (leia-se Associação Sindical de Juízes) já pensam, AGORA, em fabricar novos padrões comparativos!

Se assim for, o “metro”passará a ser uma velharia, tão velha como as antigas medidas são hoje, para muitos de nós, curiosas recordações.

Esta notícia de que a “Física” de amanhã pode vir a precisar de pôr de parte as medidas de hoje não está assim tão longe da realidade…

BOYS” e “JOBS” poderão vir a ser o futuro como “MEDIDAS” da nossa sociedade?

Seria talvez um regresso à “bitola” do homem das selvas.

Carlos Fiúza

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nas Pegadas do Lobo - Ecoturismo em Território de Lobo

www.ecotura.com

Iº Passeio TT Favaíto Off Road (Carrazeda Ansiães)


Realiza-se este fim-de-semana, nos dias 6 e 7 de Novembro, o 1º Passeio TT “Favaíto OFF Road“. Este passeio tem como percursos principais o Planalto de Favaios e as encostas dos concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães. Este passeio deverá juntar cerca de 90 veículos e aproximadamente 200 pessoas.
Será um “Passeio Verde”, uma vez que pelo cálculo de poluentes produzidos serão plantadas árvores em número correspondente. Tem também como objectivo para além do percurso pelas magníficas paisagens a mostra de produtos regionais e visita à Adega de Favaios. É um passeio Creditado pela Federação Portuguesa de Todo o Terreno e tem um traçado de características exclusivamente “vitivinícolas”.

Dia 6

Check in a partir 8:00h -Mercado Municipal de Carrazeda de Ansiães

Saída 9:30h - Mercado Municipal de Carrazeda de Ansiães

Trilhos de terra batida até ao Rio Douro / Tua

Almoço - Ribalonga do Tua

Trilho ribeirinho e subida das encostas do Douro

Porto de Honra em Castedo do Douro - Santuário de Santa MarinhaTrilho no planalto de FavaiosChegada à Adega de Favaios

Lanche reforçado nas instalações da Adega

Prova de Moscatel e VisitaPercurso ao Anoitecer do Planalto de Favaios ás encostas do Rio Pinhão

Chegada á Enoteca Quinta da Avessada- Favaios

Jantar Volante/Ceia e Animação

Dia 7

10:00h - Ponto de Encontro - Adega de FavaiosPequeno Almoço

11:00h - Partida da Adega de FavaiosTroço na Rota dos Mouros - Troço pela Serra, Castros Romano e Árabe

13:00h - Chegada ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade - Sanfins do DouroAlmoço de Convívio e troca de lembranças.

FINAL

Tarde Livre

Pista de Trial à disposição para os participantes