quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Sobre a Justiça: Alberto Costa

Sobre o novo mapa judicial em estudo, o ministro da Justiça deixa garantia que nenhum tribunal será encerrado, adiantando que serão apenas feitos ajustamentos.

Referindo-se especificamente aos tribunais de Carrazeda de Ansiães, Alfândega da Fé e Vila Nova de Cerveira, Alberto Costa afirmou: «É uma garantia que posso dar [que não vão encerrar]. Esses tribunais serão integrados em comarcas alargadas». Diário Digital

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Linha do Tua em exposição

Movimento cívico pretende sensibilizar para a importância da via ferroviária

O Movimento Cívico pela Linha do Tua, em parceria com o Fórum Theatrum de Bragança, tem em exposição, até ao final do mês, um conjunto de telas fotográficas que traduzem o actual estado da via ferroviária. “Na comemoração dos 120 anos da linha, e com a construção da barragem, considerámos que devíamos promover e mostrar esta linha, emblemática e símbolo de desenvolvimento e prestígio para Trás-os-Montes”, explicou André Pires, membro do movimento. São cerca de 60 as fotografias apresentadas, que contemplam as diversas fases da linha, desde os anos 70 até à actualidade. Mensageiro de Bragança

Quem?... Ex-comunistas!

«Um famoso dissidente comunista dividiu os dissidentes entre os ex-comunistas e os antigos comunistas. Explicou a diferença, que aliás é fácil de perceber.

Ex-comunistas eram todos os que, tendo saído ou sido obrigados a sair, se mantinham com uma identidade totalitária, com a cabeça formatada na mentalidade de quem continua a considerar-se um iluminado, com um papel de vanguarda introvertido, incapaz de ouvir e de olhar os outros, de tal forma continua agarrado às suas ideias.
Esses, os ex-comunistas, saíram dos partidos comunistas e continuaram a viver num mundo à parte, um mundo de infalibilidades, de arrogância intelectual, de superioridade moral, um mundo fechado em que não há passado, nem há história.
Os antigos comunistas, pelo contrário, são os que modestamente reconhecem que as pessoas são imperfeitas, que se erra, que a democracia é isso mesmo e que olham para os outros com o mesmo olhar com que olham para si próprios. Os que procuram aprender com os erros e perderam a visão totalitária ao regressarem à normalidade de uma vida banal.»

Excerto do livro Foi Assim, de Zita Seabra.

Espaço Solidariedade - Petição

Petição contra a Mutilação Genital Feminina
Como cidadãos ou organizações, queremos expressar a nossa oposição à prática da Mutilação Genital Feminina. Anualmente, mais de 3 milhões de meninas sofrem anualmente esta ignomínia, e mundialmente mais de 150 milhões de mulheres vivem com os efeitos para o resto das suas vidas. As consequências físicas e psicológicas desta violência constituem uma séria invasão da integridade e dignidade destes seres humanos. Nós pedimos que tornem esta causa um tópico prioritário.

Consulta marcada a doente falecido

O Hospital de Mirandela enviou uma carta a um idoso de Vila Verdinho, no concelho de Mirandela, para dar conhecimento da data de uma consulta. Até aqui nada de anormal, o problema é que o idoso em causa já tinha falecido há cinco meses. JN
DN

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Ex-vereadora Olímpia Candeias na Assembleia da República

Olímpia Candeias vai substituir Duarte Lima na Assembleia da República. A ex-vereadora da cultura na câmara de Carrazeda de Ansiães era a número quatro da lista do PSD de Bragança nas últimas eleições legislativas.

Duarte Lima, que foi cabeça de lista pelo partido, pediu suspensão do mandato, no mínimo, por 50 dias.

As razões do pedido não foram esclarecidas, mas a ex-vereadora de Carrazeda, quarta da lista candidata nas eleições legislativas de 2005, vai assumir o cargo depois do terceiro, João Henriques, não ter aceite substituir Duarte Lima por actualmente ocupar o cargo de vereador na Câmara de Mogadouro.

Assim sendo, Olímpia Candeias vai ser a nova deputada do PSD na Assembleia da República pelo distrito de Bragança. A número quatro da lista toma posse amanhã entendendo que "alguém tinha de assegurar" o lugar.

Olímpia Candeias acrescenta que para já vai inteirar-se do funcionamento daquele órgão para depois começar a intervir pelo distrito.

Professora de Português e Francês na escola EB 2/3+S em Carrazeda de Ansiães, Olímpia Candeias vai ter de abandonar o ensino temporariamente, mas garante que já planificou algumas aulas que vão ser dadas por colegas.

A ex-vereadora junta-se amanhã a Adão Silva, o outro representante do distrito de Bragança na Assembleia da República.

Indicadores mostram país longe do ideal sustentável

Os indicadores podem não estar a piorar, e alguns até terão melhorado. Mas Portugal está longe do ideal do desenvolvimento sustentável. É assim que o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, interpreta os dados actualmente disponíveis sobre a situação ambiental no país. Público

Centro Cívico em tribunal

A Câmara de Carrazeda de Ansiães moveu um processo judicial contra o empreiteiro responsável pela construção do Centro Cívico. O imóvel, que faz parte de um arranjo urbanístico no centro da vila, ainda não está concluído e já lá vão mais de seis anos desde o início da construção.

A maior e mais cara obra de todos os tempos no concelho de Carrazeda - cerca de cinco milhões de euros - deveria ter sido inaugurada em finais de 2002 ou, já com um desconto para os atrasos no desaterro do local, no início de 2003. No entanto, o corte da fita continua adiado e ninguém sabe quando vai ocorrer a abertura de um espaço considerado essencial no concelho, já que não dispõe de uma única sala de espectáculos preparada para o efeito.

"O processo está em fase de contencioso", adianta o presidente da Câmara, Eugénio de Castro, que garante ter havido negociações durante meses para tentar chegar a um acordo amigável. "Não quer dizer que não venha a conseguir- -se ainda, mas de qualquer forma o caso está em Tribunal", alega.
O diferendo assenta nos "atrasos verificados na conclusão da obra e na qualidade de alguns trabalhos que entretanto se degradaram", explica o autarca. Pela parte do empreiteiro, o argumento com mais força era o de que a Câmara não pagava a horas, situação que Eugénio de Castro tem rebatido, afirmando que os pagamentos estão em dia.
As actividades de maior envergadura continuam a decorrer no salão de festas dos bombeiros, enquanto que palestras e seminários se realizam no Centro de Apoio Rural, para 70 pessoas. Para além do Centro Cívico, cujo auditório deverá ter capacidade para mais de 200 pessoas, continuam fechados o parque de estacionamento subterrâneo para 100 viaturas e uma galeria de exposições. O mesmo se passa no hall de entrada do imóvel principal. Apenas está concluída a praça central.

Este não é caso único em Carrazeda de Ansiães o novo centro de saúde demorou mais de dez anos a ser concluído e inaugurado; uma variante à vila, iniciada há mais de uma década, apenas tem metade do traçado pavimentado; e a recuperação das Termas de S. Lourenço voltou a marcar passo, depois de anunciada a barragem de Foz-Tua e o processo está dependente, agora, da cota da albufeira. Eduardo Pinto, JN

Daqui e dali... Zaratustra

Eu sou a favor da Barragem do Tua!!!

"Numa praia há dois pescadores de caranguejos. Um Português e outro Inglês. Ambos têm um balde onde colocam os caranguejos que apanham. Mas o Inglês está numa azáfama para manter os caranguejos dentro do balde e descobriu que tinha de tapar o balde porque senão os caranguejos subiam pelo balde acima e escapavam-se. Entretanto o balde do Português continuava sem tampa, não obstante o Português continuar a pescar tanto como o Inglês.

O Inglês que estava intrigado, perguntou ao Português - Como fazes para que os caranguejos não fujam do Balde?
-Caro Inglês, (respondeu o Português), Eu só apanho caranguejos PORTUGUESES. Quando vêm algum a trepar, tratam logo de o deitar abaixo! " - Anedota

Inveja é feia.
E digo isto porque não vejo outra razão para que estes senhores contra-barragens se manifestarem senão a inveja de verem os outros conseguírem o que eles não conseguiram em mais de 30 anos.
Os contrabarragistas perderam o comboio. Apesar de ser grande e pesado, perderam o Comboio a Vapor, perderam o Comboio Vermelho e agora vão perder aquela coisa verde a que pomposamente e cosmopolitamente chamam METRO.
Ao que eu agora assisto neste e noutros Blogues, é uma autêntica anedota. Pergunto onde estavam estes senhores quando substituíram o Comboio a Vapor pelo Comboio Vermelho e seguidamente pelo Metro Verde?? Nessa altura o Vale do Tua não prestava para Turismo?
Onde estavam estes senhores? Que nessa altura não viram que lhes estava a fugir um potencial enorme e NADA fizeram para promover o Turismo. Nem sequer apresentastes um projecto credível e com prazos de execução para tal.

Como quereis que confie em vós se:
Deixastes fugir uma das maiores riquezas da nossa região. Não soubestes aproveitar toda a beleza daquele Vale, todo o potencial desportivo daquele rio, toda a fauna e flora. Nunca fizestes uma divulgação turística consistente e eficaz para a divulgação do potencial turístico do Vale do Tua. Deixastes tombar os apeadeiros e as estações. Deixastes chegar a ruínas o São Lourenço...
Onde estavam estes senhores que agora falam...falam, mas em 30 anos não fizeram nada?

Para os ambientalistas que agora vêm defender a Beleza extraordinária da Linha do Tua, eu tenho uma palavra a dizer: Defini-vos. Sêde Coerentes!
Então agora argumentais a beleza da Linha!
Que eu saiba a Linha provocou certamente uma mudança significativa no habitat dos animais que aí vivem. Caros Senhores ambientalistas. Como sabeis, os seres vivos adaptam-se! Toda a diversidade que agora defendeis só aconteceu porque os seres vivos tiveram de se adaptar. Tal como V. Ex.as tiveram de se adaptar ao ar condicionado de que agora não abdicam.
Estou certo que daqui a 100 anos, ireis defender a beleza da reserva de água do Vale do Tua.

Para o Sr. José Romão (Doutor, Fotógrafo da Natureza e contrabarragista), que neste Blogue explana muitas das razões para a não construção da Barragem: Apelo à sua lucidez. Quando fala em atentados terroristas e na eminência de cheias para as populações à beira rio. V. Ex.ª esquece-se que na cidade onde se licenciou, foi a construção da Barragem da Aguieira que o livrou das galochas.
V. Ex.ª, devia ter mais cuidado com as palavras que escreve, pois como letrado que é, tem a responsabilidade ou devia ter, de ponderar todos os aspectos, e não apenas os negativos, nos artigos que redige.
Mas V. Ex.ª está perdoado. Porque não é de cá (tal como a grande parte dos contrabarragistas) e nunca teve de calçar galochas para andar na aldeia do Tua.

Eu sou a favor da barragem.
Porque acredito que uma reserva de água e uma forma de obter energia limpa, aliada a uma exploração Turística têm vantagens sobre uma linha de Comboio.

Eu sou a favor da Barragem porque o Passado me mostrou que se não se fizer a barragem, tudo isto serão balelas que não passam de intenções. E depois do mediatismo, enferruja a linha, e tombam os projectos turísticos. Temos o exemplo de Foz-Côa.

Senhores contrabarragistas, já que perdestes o comboio, espero que consigais apanhar o barco do Turismo que o espelho de água proporcionará. Mas sinceramente, Não acredito que consigais. Senão foi a correr, não será certamente a nadar. - A não ser que por lá proliferem caranguejos Espanhóis ou Ingleses.

Zaratustra

CP quer ouvir câmara de Mirandela sobre Linha do Tua

No dia 22 de Janeiro a CP quer reunir com o presidente da câmara de Mirandela para saber se vale a pena reabrir a Linha do Tua. Neste encontro, a administração dos Caminhos de Ferro vai confrontar o autarca com o facto de, por motivos de segurança, num troço de 30 quilómetros as composições só vão poder circular com “marcha à vista”, ou seja, velocidade reduzida, de forma poder parar a qualquer momento. Perante este cenário, a viagem entre Mirandela e o Tua, que em circunstâncias normais demora uma hora e trinta e cinco minutos, passaria a demorar mais de duas horas. José Silvano, o autarca de Mirandela, refere desde já que se a “marcha à vista” se aplicar a toda a extensão da linha, não pretende retomar a circulação. RBA

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Público de 13/01/08

Vêm hoje (13/01/08) três artigos no Público que me merecem considerações diferentes: - um do director, que considero excelente, e dois de António Barreto e Vasco Pulido Valente, que não me convencem.

O primeiro consegue ser objectivo, frio, com um espírito científico à prova de qualquer ideia feita, sem medo de chavões, sejam eles quais forem. - Precisamos de saber como as coisas são, como se definem, que características têm, para sabermos como actuar.

Claro que há, por exemplo, deficientes mentais, mas esse facto só nos leva à conclusão de os tratar o melhor possível, atendendo às suas especificidades próprias. Por quê impedir o estudo dos atributos específicos das fêmeas, dos machos, dos pretos, dos brancos, dos amarelos, dos ciganos, dos indianos, dos judeus? Por quê impedir o estudo da força da genética (geral ou particular)?

Para sabermos trabalhar com algo, é preciso, primeiro que tudo, conhecê-lo, saber as suas linhas definidoras.

Quanto aos artigos de A. B. e V. P. V. são característicos de seres bem - pensantes, que não compreendem a contraditoriedade da vida e o valor da acção.

Sócrates, gostemos ou não, contrariamente ao que é dito, mexe com as pessoas, com as instituições, e, na embrulhada toda que é a vida, procura agir. Sinto o país, mais do que nunca, dinâmico, não parado, com uma liberdade activa, não uma liberdade diletante.

Aliás, algumas destas afirmações não são inaplicáveis a V. P. V., que toma posições e luta, numa ânsia de acção, para a qual afinal não veio talhado.

João Lopes de Matos

domingo, 13 de janeiro de 2008

Qual é a banda sonora mais adequada à Linha do Tua?

Há um fantasma a pairar sobre o vale incrustado no Alto Douro Vinhateiro. A albufeira pode afogar os comboios e também uma paisagem única no país. E eles não sabem nadar, yo! Chamamos os Black Company?
Há qualquer coisa nesta banda sonora que não bate certo: "Estoy aquí, queriéndote..." O que faz Shakira neste comboio que parte da Brunheda às 10h38 e há-de chegar a Mirandela daqui a uma hora? "Que raio de música!", protesta a rapariga com cara de poucos amigos que, juntamente com mais três passageiros, se acomoda nos bancos azuis da automotora verde. Leva um trólei preto na mão, verniz gasto nas unhas e um ar de enfado que até arrepia. Não quer dizer o nome - "o que é que isso interessa?" -, mas tem uma proposta alternativa para a banda sonora desta viagem rio acima. "O comboio não sabe nadar, yo!" Ri-se sozinha, um riso sarcástico. O que faz Shakira neste comboio se podemos ter Black Company (voltem, estão perdoados!)? Onde é que já vimos este filme - ou melhor, onde é que já ouvimos esta música? Pelo menos em Foz Côa, 1995, auge da polémica para a construção de uma barragem que iria afogar as gravuras rupestres. Hoje a música é a mesma, o cenário é que é diferente: com a anunciada construção da barragem de Foz-Tua, a centenária linha ferroviária corre o risco de ir por água abaixo. Literalmente. Desde que o Governo apresentou o seu plano para a construção de dez novas barragens que não se fala de outra coisa. Haverá crime maior do que riscar do mapa uma paisagem como a do vale do Tua e ao mesmo tempo uma das linhas ferroviárias mais belas do mundo?, pergunta quem está contra a barragem. Ou o verdadeiro atentado será não aproveitar uma oportunidade que pode ser única para desenvolver a região, criar emprego, estimular o turismo nos cinco concelhos que vão partilhar a infra-estrutura (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Murça, Vila Flor e Mirandela)?, contrapõe quem a defende. E será que há margem para uma espécie de terceira via, que permita a construção do equipamento e a manutenção da linha?

Nesta manhã de terça-feira, o Tua corre lá em baixo, alheio à polémica. E o comboio corre lá em cima, empoleirado nos carris estreitos, serpenteando pelos montes, cruzando enormes penedos, roçando às vezes olivais que parecem não ter fim. Desde 12 de Fevereiro do ano passado, data em que uma composição descarrilou e se precipitou para o rio, causando a morte de três pessoas, que a linha está interrompida entre a estação do Tua e a Brunheda - diz quem sabe que este é um dos troços mais belos de todo o percurso, onde é possível ver o que o presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, arrisca chamar "o Grand Canyon português".

O transporte dos pobres
Hoje, a viagem até Mirandela é feita apenas a partir da Brunheda - até lá, há um táxi que assegura, três vezes por dia em cada sentido, o transbordo de passageiros. Terça-feira, Maria Ascensão Lopes transportou três pessoas desde o Tua - os repórteres do PÚBLICO incluídos. A viagem, mais ou menos de meia hora, é feita monte acima, monte abaixo, por entre pomares de laranjeiras e a furar os pedaços de nevoeiro que parecem pousados na encosta. Em Pinhal do Norte, um casal de idosos apanha boleia do táxi. Até à estação da Brunheda são só mais cinco minutos.
Já dentro da automotora da Metro de Mirandela (que assegura a totalidade do percurso, graças a um protocolo estabelecido com a CP), Francisco Patrício, 79 anos, e Teresa Brás, 76, acomodam-se em dois bancos voltados para a frente. Apesar de a conhecer de cor e salteada, Francisco ainda consegue surpreender-se com a beleza da paisagem do Alto Douro Vinhateiro (património mundial) que vem lá de fora. "Se viajarmos de carreira só vemos silvas, isto aqui é uma coisa muito linda que só é possível ver do comboio", comenta. E não é só por isso que Francisco não quer sequer ouvir falar na barragem. "Se for feita, a nossa linha finda. E o comboio é o transporte dos pobres. Nós vamos a Mirandela ao médico uma vez por mês. Se o comboio acabar, temos de ir de táxi, mas é uma despesa maluca.""Há dinheiro que pague?"
Frederico Santos Silva, dono do restaurante Calça Curta, colado à estação do Tua (entroncamento com a Linha do Douro), não está a ouvir a conversa mas tem uma novidade para dar a Francisco Patrício. Esta: a Linha do Tua já morreu mas ainda não foi avisada. "O comboio já acabou porque a CP já acabou com ele. O que é que interessa estar ali a linha se não há ligações decentes para o Porto? Para estar assim, mais vale a barragem. Vai criar postos de trabalho, vai trazer tudo de bom para a região, nem há palavras", insiste.
Vá dizer isso a Maria de Jesus e João Elias, proprietários das termas de Carlão, no concelho de Alijó. Independentemente da cota a que seja construída a barragem (as balizas situam-se entre os 160 e os 200 metros), o projecto de toda uma vida irá por água abaixo. O aproveitamento das nascentes de águas sulfurosas ("consideradas as melhores do país para tratar problemas de pele", assegura João) está nas mãos do casal desde 1980 e de então para cá os dois já perderam a conta ao que investiram naquele lugar idílico junto ao Tua. "Toda a nossa vida de trabalho está aqui, é como se fosse um filho para nós. Há dinheiro que pague isto?", lamenta-se Maria de Jesus.
João Baptista Pinto, 86 anos cumpridos quase na íntegra em São Mamede de Riba Tua ("uma aldeia feliz", como garantem as placas na estrada), acha que sim, que o dinheiro pode muito bem pagar quase tudo. Ele próprio ficará sem umas "cento e tal laranjeiras" mas está pouco preocupado. "Como paguem aos lavradores o justo valor das suas posses, eles estão-se marimbando! Venha a barragem, é das coisas mais importantes para a região. A linha tem alguma importância? Antigamente tinha e era bonita, mas agora não tem movimento nenhum.."

Precipícios e vertigens
Não tem? Milheiro Oliveira, administrador delegado da Metro de Mirandela, garante que, nos "últimos tempos", o comboio tem transportado cerca de "50 mil passageiros anuais". "Claro que a maior parte deste tráfego acontece nos meses de Primavera e Verão, em que o comboio é utilizado sobretudo por turistas", realça. Daniel Conde fotografa e escreve sobre a Linha do Tua desde 1995 e sabe como ninguém que para muita gente, "idosos principalmente", ela ainda é o elo de "ligação do distrito de Bragança com o litoral do país". E sabe como ninguém que se a barragem afogar o comboio "muitas aldeias vão ficar sem um transporte condigno", o que só irá "agravar a interioridade". Daniel é natural de Vinhais, Bragança, e tornou-se utente da linha em 1994. Hoje, "porque a falta de condições" o obrigou a tal, trabalha em Lisboa, mas continua "saturado" de ver o interior "a saque de interesses que em nada beneficiam a população que ainda resiste" por lá. Também por isto, fundou, em Outubro de 2006, o Movimento Cívico pela Linha do Tua, que diz um rotundo não à construção da barragem.
O mesmo não rotundo que dizem os ambientalistas da Quercus, que temem pelo desaparecimento da flora e da fauna característica do Tua. Ao que parece, a águia-real ainda passa por lá. Há um pormenor importante: mesmo que oficialmente a linha esteja interrompida até à estação do Tua, os comboios continuam a ir, todos os dias, até Santa Luzia (deve ter sido mesmo aqui que Judas perdeu as botas...). São mais 15 minutos de viagem que permitem voltar a deitar o olho ao que é este vale. E é isto: escarpas e penhascos que desafiam as águas, vegetação agora avermelhada junto à encosta pejada de árvores, às vezes precipícios que fazem vertigens. E a automotora abana, abana, abana...
Mas continua a haver aqui qualquer coisa que não bate certo: hoje, Shakira canta em inglês. "I have a feeling inside me..." Os primeiros projectos para a construção de uma linha de caminho-de-ferro pelo vale do Tua surgiram em 1878. As dificuldades para a pôr de pé foram imensas - desde logo porque o acesso dos trabalhadores ao local das obras teve de ser feito por carreiros íngremes e escarpas praticamente inacessíveis. A construção da linha foi, por isso, considerada uma obra de engenharia notável. Os comboios começaram a circular entre o Tua e Mirandela em Outubro de 1887. Em 1906, a linha estendeu-se até Bragança. O troço Mirandela/Bragança acabou por ser encerrado em 1992. Em Fevereiro de 2007, uma automotora descarrilou, provocando três mortos. 13.01.2008, Sandra Silva Costa, Público

Colaboração: Mário Carvalho

Viagem por...

Nova viagem por Carrazeda de Ansiães.
Pelo fundo da vila.
Clique no video à direita.
Video: Carlos Abel C. Pereira

sábado, 12 de janeiro de 2008

Daqui e dali... Luís Ramos

Surpreendente paradoxo: a região vitícola demarcada mais antiga e que produz um dos vinhos mais famosos do mundo é uma das menos desenvolvidas do país. Dois indicadores apenas para ilustrar esta afirmação: o PIB per capita (2003) e o Índice de Poder de Compra Concelhio (2004) são os 5º piores do continente (em 30), representando, respectivamente, 67% e 64% da média nacional.
Claro está, o Douro mudou muito nos últimos vinte anos. A melhoria das condições de vida da sua população é indiscutível. Existem hoje mais e melhores infra-estruturas básicas e equipamentos colectivos. O dinamismo empresarial em sectores como a vitivinicultura e o turismo é inquestionável. Mas nada disto pode fazer esquecer o problema essencial: o esvaziamento demográfico. Entre 1981 e 2001 a região perdeu 5 habitantes por dia, tendência que se manterá nas próximas décadas, embora a um ritmo mais lento (2 a 3 habitantes). A confirmarem-se as projecções do INE, em 2050 o Douro terá pouco mais de 150 mil habitantes, menos de metade da população registada em 1960.
Esta situação surpreende não só porque o Douro possui um conjunto de recursos e de potencialidades ímpares mas também, ou sobretudo, porque a região tem vindo a ser contemplada, desde o início dos anos oitenta, com vários programas de desenvolvimento territorial, os quais canalizaram para o seu seio um volume de investimentos públicos e privados superior a 2,5 mil milhões de euros. Daí a inevitável interrogação: o que impede o desenvolvimento da região? E como justificar a relativa falta de eficácia destes programas?

Vários argumentos têm sido invocados para responder a estas questões.
O primeiro é o do “abandono político” e remete para a insuficiência dos investimentos públicos necessários para resolver os difíceis e históricos problemas da região. Como parece ficar demonstrado pela eloquência dos números, este argumento não vinga. Mas é verdade que as estratégias e as opções nem sempre têm sido as melhores, tendo-se privilegiado quase sempre o “betão” em detrimento da dimensão imaterial do desenvolvimento: formação, iniciativa, organização e inovação. Muito por culpa do Estado central que insiste numa visão paternalista e burocrática do desenvolvimento e que continua a pretender abrir por fora a porta do desenvolvimento, como se fosse possível desenvolver o que quer seja sem a vontade, a participação e o empenho dos potenciais interessados.

O segundo é o da “lógica extractiva” das actividades económicas predominantes e remete para a transferência para fora da região das mais valias económicas e financeiras aí geradas. Este argumento tem um fundo de verdade. Mas o que seria o Douro sem os de “fora”? Parte do sucesso conseguido na vitivinicultura deve-se a eles. E se o seu contributo para o desenvolvimento da região não é maior, importa conhecer as razões e os eventuais obstáculos e remove-los. Nunca como agora houve tantos “forasteiros” interessados em investir no Douro. O que é preciso é que os durienses aproveitem também as oportunidades de negócio e de investimento, contribuindo para a criação de riqueza e de emprego imprescindíveis para o desenvolvimento da região.

Finalmente, o terceiro é o da “sonolência” e remete não só para a insuficiente capacidade de empreendimento e de iniciativa mas também de organização, de concertação e de cooperação dos agentes locais e regionais. Para além de verdadeiro, este é talvez o argumento mais importante. A passividade, o individualismo, as rivalidades ou a aversão à negociação e ao compromisso, tão recorrentes no Douro, impedem que a região se una em torno de uma ambição colectiva e de um projecto de desenvolvimento mobilizador.

O que falta ao Douro, aos seus agentes, aos seus líderes e às suas organizações, é uma nova atitude face ao desenvolvimento. Uma atitude que deve assentar num princípio simples: o desenvolvimento do Douro depende essencialmente dos durienses. Sem esta atitude, o risco de se perder a oportunidade criada não só pelos meios financeiros que continuarão a ser canalizados para a região mas também pelos inúmeros projectos e iniciativas já anunciados ou em gestação é enorme. Serão capazes os durienses de abrir definitivamente a porta do desenvolvimento? Quem foi capaz de construir uma das paisagens mais singulares e grandiosas da humanidade tem o dever e a obrigação de o fazer.

Atrasos no Centro Cívico em Tribunal

A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães accionou um processo em Tribunal contra o empreiteiro responsável pela construção do Centro Cívico. O atraso na conclusão dos trabalhos e a degradação dos que já estão executados estão na base desta atitude do Município.
O Centro Cívico anda em obras há cerca de seis anos e é uma das peças de uma empreitada mais abrangente, designada por arranjo urbanístico entre as ruas Luís de Camões e Marechal Gomes da Costa - a mais cara obra de todos os tempos no concelho de Carrazeda, representando um investimento de cerca de cinco milhões de euros.
Os trabalhos já arrancaram em 2001 e logo no desaterro do local registou-se uma derrapagem nos prazos. Devido às características geológicas foi necessário recorrer ao uso de explosivos o que demorou a empreitada.
Mesmo assim, e tendo em conta que a obra deveria estar concluída no prazo de um ano, a inauguração no início de 2003 afigurava-se como uma data razoável. Enquanto os restante trabalhos foram sendo concluídos, o Centro Cívico começou a marcar passo. Até hoje.
Pela parte do empreiteiro, o argumento com mais força é o de que a Câmara não pagava a horas, situação rebatida pelo presidente da Câmara Municipal de Carrazeda, Eugénio de Castro, que afirma que "os pagamentos estão em dia".
Os atrasos nos trabalhos foram, no entanto, o motivo para a autarquia avançar para Tribunal. "Tentámos chegar a um acordo mas não conseguimos, pelo que o processo avançou para contencioso", disse o autarca.
Mas este contratempo adia para altura indefinida a abertura de um espaço considerado essencial no concelho, já que não dispõe de uma única sala de espectáculos preparada para o efeito.

Rádio Ansiães/Eduardo Pinto

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Daqui e dali... Elisabete Rodrigues

Gato escondido

Causou polémica nos últimos dias a tal estrada que a EDP, aparentemente sem dar cavaco a ninguém, abriu nas margens protegidas do Rio Tua.
A estrada, soube-se depois, destinar-se-ia a trabalhos para a obra da futura barragem da Foz do Tua, cuja construção ainda não está oficial e formalmente decidida, até porque ainda não houve discussão pública do seu impacte ambiental… Mas, como a EDP sabe bem em que país vive, e portanto sabe que pode dar como certa a obra, mesmo que a maioria das formalidades exigidas na lei ainda não estejam cumpridas, avançou de qualquer modo. Se não fossem uns chatos de uns jornalistas e de uns ecologistas, até ninguém saberia desta estrada aberta ilegalmente…

Esta história faz lembrar outra que aconteceu há anos, quando ainda se discutia se a Barragem de Odelouca poderia ou não ser construída. Enquanto o impacte ambiental da obra estava a ser debatido e avaliado – e por isso, quando, teoricamente, ainda não se podia saber se a barragem avançaria mesmo ou não – a então ministra do Ambiente, a socialista Elisa Ferreira, deu luz verde à construção do túnel que haveria de ligar a Barragem de Odelouca à do Funcho. Ora, se a primeira obra ainda não podia ser dada como certa, como se avançava com a segunda? Para que serviria o túnel se a Barragem de Odelouca não chegasse a ser construída?

A verdade é que, com discussão pública para acalmar os espíritos mais inquietos ou sem ela, Odelouca era mesmo para ser construída. Era uma espécie de gato escondido com o rabo de fora, a provar que as práticas normais em Democracia, de só decidir após um amplo e limpo debate público, em Portugal são apenas um pro forma, para tapar o sol com a peneira. «Vamos lá entreter o Zé Povinho com uma espécie de democracia», pensam os políticos.

Elisabete Rodrigues Barlavento

O que se disse...

"Na política viram-se muitas casacas, com pouca decência e nenhuma vergonha. Não é que pensem que ninguém dá por isso. Simplesmente há quem tenha cara para viver assim."
José Leite Pereira, "Jornal de Notícias"

Daqui e dali... Adérito Gonçalves

Recordar… Os Moinhos

Há muito que “se leva a água ao moinho…

Todos se lembram dos moinhos, hoje verdadeiros “monumentos” do património histórico, pois foram progressiva e lamentavelmente abandonados, consequência da força do progresso da indústria.

Os poucos que ainda existem estão, grande parte deles, danificados pelo tempo e pela inércia dos seus donos.

Os moinhos primitivos – as atafonas – movidos pela força animal, eram puxados a bestas e cavalos. A sua existência remonta à época romana. Posteriormente, criaram-se os moinhos de vento - eólico – e os moinhos de água – as azenhas – movidos pela força da água, construídos à beira de ribeiros e de rios. É nesses últimos que deposito a minha atenção.

A montante dos moinhos eram construídos os açudes, onde se represavam as águas necessárias para entrarem no “cubo” feito de cantaria (dado que o cimento ainda não existia) e a última pedra do cubo possuía um buraco mais reduzido para que a água fizesse mais pressão na roda da coroa, esta feita de madeira e afixada numa vela de ferro, atingindo grandes velocidades, fazendo girar a mó móvel sobre a fixa, moendo os cereais que passavam na tremonha. Ao esgotar-se o cereal, o moleiro era avisado por um chocalho. Cabia-lhe ensacar e entregar a respectiva farinha às pessoas que lhe tinham confiado o cereal. No Verão, os moinhos construídos à beira dos ribeiros, tinham que forçosamente deixar de laborar, porque a força das águas diminuía.

Oxalá que os poucos que ainda restam tenham longos anos de vida em homenagem às bocas que alimentaram.

Adérito Gonçalves

Foto Ansiães Aventura (moinhos abandonados - ribeiro da Veiga - Marzagão)

Saúde pelo cano abaixo

Expresso