terça-feira, 30 de novembro de 2010

Movimento entrega petição na AR para pedir reabertura da Linha do Tua

O Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua vai entregar, hoje, na Assembleia da República, uma petição com 4500 assinaturas a pedir a reabertura da linha ferrovia do Tua e a reactivação do troço até Bragança.
Este movimento foi criado em Agosto deste ano, na aldeia de Codeçais, Carrazeda de Ansiães, um dos concelhos servidos pela linha que se encontra encerrada há mais de dois anos.
A petição foi uma das primeiras iniciativas deste movimento que não conseguiu as dez mil assinaturas a que se propôs inicialmente, mas o número suficiente para a sua pretensão ser apreciada em plenário no Parlamento. CIR/Brigantia

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Mau Tempo: Bragança continua à espera da neve que já começou a cair a sul do distrito

A Protecção Civil de Bragança que esperou hoje ao longo do dia pela neve no norte do distrito foi surpreendida, a meio da tarde, pela queda dos primeiros flocos não na zona mais fria, como é habitual mas em vários concelhos do sul da região.
Em declarações à Lusa o comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) , Cralos Alves, depois das 15:00, começou a nevar em Torre de Moncorvo, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Alfândega da Fé, nomeadamente na serra de Bornes
. Visão

Providência cautelar para contestar arquivamento da classificação da Linha do Tua

Os proponentes da classificação da Linha do Tua como monumento nacional, interpuseram uma providência cautelar no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto para suspender a decisão do IGESPAR que arquivou o processo de classificação patrimonial da ferrovia.
Sentem-se indignados com a posição assumida pelo instituto e decidiram impugnar o despacho que decide o arquivamento porque, segundo eles padece de várias ilegalidades.

Detectamos um conjunto de ilegalidades no procedimento, pois há questões que a lei obriga a cumprir e decidimos avançar com a impugnação do acto administrativo” avança a primeira subscritora da proposta de classificação da Linha do Tua como património nacional.
Avançamos com uma providência cautelar no sentido de agir com maior rapidez e eficácia para que nada possa ameaçar a linha do Tua de uma intervenção” acrescenta.
Manuela Cunha, estranha a pressa com que se desenrolou o processo. “O que nós vemos é que há aqui dois pesos e duas medidas” pois “a abertura do processo foi decidida numa avaliação técnica por especialistas do Ministério da Cultura, mas depois houve uma demora inexplicável para que o despacho entrasse em vigor através da publicação em Diário da República” explica. Depois “muito rapidamente e contrariando todos os outros processos de classificação em Portugal que demoram anos, o Conselho Consultivo reúne e delibera sem ouvir os cidadãos que solicitaram a abertura do processo”.
Apesar da luta pela Linha do Tua entrar agora numa fase judicial os proponentes da classificação garantem que não baixam os braços em defesa daquele património.
Não nos damos nem por vencidos nem por convencidos” afirma. “Nós sabemos que esta luta é muito dura porque os interesses da EDP e a vontade do Governo em construir a barragem é muito grande” acrescenta, salientando que “a nossa razão é grande na defesa desta linha, tal como a adesão a esta causa por parte da população”.
Os proponentes da classificação da Linha do Tua como monumento nacional, aguardam agora a decisão do tribunal. Brigantia

sábado, 27 de novembro de 2010

Lixeiras varridas da paisagem

É mais uma tentativa para acabar com as lixeiras clandestinas na região duriense. O projecto "Valor Douro" foi apresentado, ontem, em Carrazeda de Ansiães. Abrange sete concelhos e representa um investimento de cerca de um milhão de euros.

A sua execução está a cargo da empresa intermunicipal Resíduos do Nordeste, nos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa. Durante dois anos vão ser "corrigidas intrusões e disfunções paisagísticas, autênticas manchas na paisagem excepcional do vale do Douro", explicou o director da empresa, Paulo Praça.

Para além dos depósitos de todo o tipo de resíduos sólidos, o "Valor Douro" também vai remover e desmantelar embarcações e veículos abandonados, bem como requalificar zonas ribeirinhas. Os resíduos da construção e demolição são, no entanto, os mais preocupantes, porque "geralmente são depositados todos misturados, como tijolos, betão, plásticos, vidros, entre outros", notou Paulo Praça.

No futuro deverão ser criados sítios para que os empreiteiros possam livrar-se deles, porém, o director da Resíduos do Nordeste avisa que "se estiverem dispostos a separá-los, podem coloca-los em ecocentros e aterros sanitários".

O chefe da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães acredita neste projecto, desenvolvido por quem sabe, mas espera que também seja possível "mudar comportamentos cívicos", defendendo o desenvolvimento de acções de sensibilização ambiental.

Segundo o vogal executivo da Comissão Directiva do ON.2, Mário Rui Silva, "há um projecto de valor semelhante, também já aprovado, para fazer o mesmo noutros concelhos do Douro. Entende-os como "pontapés de saída para que a sociedade perceba que todos têm a ganhar com um ambiente sem lixeiras clandestinas". "O Douro só será uma região encantada e maravilhosa se a mantivermos limpa", sublinhou o autarca anfitrião, José Luís Correia.
Eduardo Pinto, JN

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Daqui e dali... Adolfo Mesquita Nunes

Como continuar a confiar nos socialistas?

Os socialistas portugueses tiveram sempre, ou quase sempre, uma difícil relação com o pensamento económico: ou estiveram do lado errado ou chegaram ao lado certo com um atraso indesculpável.

Nos anos 70, quando as experiências soviéticas eram já conhecidas de todos, os socialistas portugueses permitiram a nacionalização da economia e defenderam-na com determinação.

Nos anos 80, quando a Europa se comprometia na liberalização da economia e via o progresso, os socialistas portugueses defenderam a irreversibilidade das nacionalizações, resistiram às alterações na organização económica nascida com a Constituição de 1976, insistiram no essencial da Reforma Agrária, contestaram as privatizações e bateram-se contra os primeiros sinais de modernização da legislação laboral.

Nos anos 90, quando eram notórios os resultados de experiências políticas esquecidas das contas públicas, os socialistas portugueses permitiram o crescimento da despesa e da dívida, alargaram o Estado para além dos limites da sua tradicional definição, recusaram-se a fazer uma reforma profunda na segurança social e promoveram a subsidiodependência da população portuguesa.

Na primeira década do novo Século, quando eram evidentes os sinais de crise estrutural do país e começaram a surgir os primeiros sinais da crise que nos assola, os socialistas insistiram na secundarização do défice e apontaram para vida além do dito, impediram a completa reforma da legislação laboral, aumentaram impostos como nenhum outro partido, descontrolaram a despesa, desdenharam da crise e falharam qualquer execução orçamental prudente.

Os socialistas portugueses tiveram sempre, do ponto de vista económico, com excepção da sua determinante contribuição para o afastamento do comunismo e para a integração europeia, uma relação difícil com a História. Ou estiveram sempre do lado errado, ou chegaram muito tarde ao lado certo.

Não era já tempo de deixarmos de confiar nos socialistas portugueses?
Expresso

Estamos no mau caminho

LVeloso

Governo aprova suspensão de PDM para viabilizar barragem de Foz Tua

Conselho de ministros aprovou medidas preventivas durante dois anos para evitar alterações de uso nos terrenos que serão necessários para o aproveitamento hidroeléctrico da EDP, ao qual está associado um investimento de 300 milhões de euros.
O Governo aprovou no Conselho de Ministros de hoje a suspensão parcial dos planos directores municipais (PDM) existentes na região onde será construída a barragem de Foz Tua, para impedir alterações de uso do território que possam pôr em causa o empreendimento da EDP. Uma resolução do Conselho de Ministros hoje publicada aprovou a suspensão parcial dos PDM de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Murça, Mirandela e Vila Flor, assim como a suspensão parcial do plano de ordenamento das albufeiras da Régua e do Carrapatelo e o estabelecimento de medidas preventivas durante dois anos na área de Foz Tua. “Estando em causa uma infra-estrutura de reconhecido interesse nacional, esta Resolução tem como objectivo evitar a ocorrência de alterações do uso do território, bem como da emissão de licenças ou autorizações que possam comprometer a concretização do aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua, ou torná-la mais difícil e onerosa”, refere o comunicado do Conselho de Ministros.
Esta é uma das cinco novas barragens que a EDP irá desenvolver em Portugal. Situada no rio Tua, afluente do Douro, a barragem de Foz Tua terá uma potência total de 255 megawatts (MW), estando o investimento estimado em cerca de 300 milhões de euros. A entrada em operação está prevista para 2014. Jornal de Negócios

Resíduos do Nordeste avança com limpeza de depósitos de resíduos

A empresa intermunicipal Resíduos do Nordeste vai arrancar com um projecto de perto de um milhão de euros para a remoção de depósitos ilegais de resíduos e a requalificação de zonas ribeirinhas. O contrato de financiamento do projecto Valor Douro é assinado amanhã.
O Valor Douro está direccionado para intervenções que visem a recuperação de depósitos clandestinos de resíduos sólidos, nomeadamente urbanos, indiferenciados, de construção, de demolição e utensílios domésticos fora de uso; a remoção e desmantelamento de embarcações e veículos abandonados e a recuperação das margens do rio Douro.
A ideia é «corrigir intrusões ou disfunções paisagísticas que constituem manchas na
paisagem excepcional do Vale do Douro decorrentes, nomeadamente, da deposição clandestina de resíduos sólidos ao longo das vias de comunicação, nas linhas de água e zonas de talude e da existência de sucatas abandonadas
», esclarece a empresa em comunicado.
A Resíduos do Nordeste apresentou, em Abril de 2009, a candidatura no âmbito do Programa Operacional Regional do Norte 2007-2013, Turismo Douro – Infraestrutural, para a preservação do património ambiental e desenvolvimento rural e local, tendo sido aprovado em Setembro deste ano.
Os concelhos abrangidos são Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Vila Flor e Vila Nova de Foz Côa
. Ambiente Online

Violência sobre idosos é a mais preocupante no Nordeste Transmontano

A violência sobre idosos é o que mais preocupa as autoridades no Nordeste Transmontano, num dia em que se assinala o dia internacional de combate à violência doméstica.
Teresa Fernandes, psicóloga do Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica do distrito de Bragança refere que o aumento mais significativo de denúncias não é de mulheres agredidas pelos maridos.
O grosso dos casos referem-se a mulheres casadas, dos 25 aos 44 anos, que se queixam dos maridos. Mas a alteração à lei veio provocar que a faixa etária do namoro e dos maiores de 65 anos têm registado um aumento significativo. Mais do que na faixa dos 25 aos 44 anos”, sublinha. No Nordeste transmontano são vários os factores que contribuem para a violência doméstica nos idosos.“O isolamento, a distância do acesso a serviços, a falta de informação, o medo da crítica social”, exemplifica.
Este tipo de violência envolve, na maioria das vezes, interesses financeiros.
Nos mais de 65 anos, o grosso da violência doméstica é mais violência psicológica e com base no fundo económico.”
A psicóloga Teresa Fernandes conta um caso que acompanhou de perto e que pode servir como exemplo daquilo que muitas vezes acontece.
Durante três anos e meio uma idosa foi vítima de violência por parte do filho. Depois de sete denúncias na GNR foi retirada de casa porque não se podia protegê-la de outra maneira. Foi retirada de casa e existe um processo judicial em curso. Era de uma aldeia, em isolamento social, vivia sozinha com este filho que a maltratava pela reforma e por alcoolismo.”
No Dia Nacional do Laço Branco em que se promove a luta contra a violência doméstica, o Núcleo distrital de apoio a estas vítimas apela à denúncia destes casos através do telefone directo 92 77 03 02 5 ou do número gratuito nacional 144.
CIR/Brigantia

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Património imaterial da região em debate no Museu do Douro

No próximo dia 26 de Novembro realiza-se no Museu do Douro o segundo Fórum do Património Imaterial do Douro, que nesta edição se subordina ao tema «Como Documentar o Intangível? A Resposta dos Museus».
Esta iniciativa pretende traduzir a necessidade de preservar, valorizar e divulgar os testemunhos da cultura material e imaterial das populações que construíram a paisagem duriense, classificada pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade na categoria de Paisagem Cultural Evolutiva e Viva.

Segundo referem os promotores, “a UNESCO tem vindo a desafiar os Estados e as instituições a agirem com celeridade e com critério para gerar uma nova energia em prol da cultura imaterial dos povos, através da salvaguarda do seu património”.

Foi com este objectivo que tomou forma o Plano de Inventariação do Património Imaterial do Douro (PCI), do qual a obra "Património Imaterial do Douro - Narrações Orais (Contos. Lendas. Mitos), da autoria do escritor e investigador Alexandre Parafita, é a sua face visível. A obra é apresentada pela pintora Graça Morais na abertura do fórum.

Neste segundo volume apresenta-se uma vasta recolha e compilação das narrações orais dos concelhos de Carrazeda de Ansiães e Vila Flor, acompanhada de um estudo teórico-metodológico e interpretativo desse património.Além da apresentação do livro consta do programa dos trabalhos um conjunto de intervenções de especialistas convidados, como a Mestre Maria da Graça Filipe (Subdirectora do Instituto dos Museus e da Conservação), Mestre Clara Bertrand Cabral (Responsável pela área da Cultura e Património Mundial, Comissão Nacional da UNESCO) e Prof. Doutor Armando Coelho Ferreira da Silva (Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto).

O programa inclui também o momento dos "Narradores da Memória", com entrega de diplomas a dezassete narradores dos concelhos de Carrazeda de Ansiães e Vila Flor e a intervenção "ao vivo" da narradora D. Maria de Lurdes Dionísio Ala.

No mesmo dia, já ao final da tarde, o Museu inaugura a exposição de esculturas “Altares do Douro”, da autoria de José Rodrigues. São mais de 20 peças esculturais que vão estar patentes ao público no espaço desta instituição cultural. José Rodrigues estará presente na inauguração da exposição que decorrerá pelas 17h00. Notícias do Nordeste

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Daqui e dali... Henrique Raposo

Um capricho de uma procuradora custou ao Estado cerca de 4 mil euros (€4.000). Tudo por causa de um casaco mal-cheiroso. Eis a metáfora do estado patético a que chegou a nossa justiça.

I. No último Expresso (p. 26), Isabel Paulo conta a história, que vale por si. Um casaco "em estado de infeta degradação", roubado por um toxicodependente ao irmão, em 2006, só foi destruído no tribunal de Amarante na semana passada. Quatro anos de espera. E porquê quatro anos de espera? Porque existiu um recurso do Ministério Público. "O recurso da então procuradora do MP de Amarante, entretanto transferida para Vale de Cambra, terá custado ao bolso dos contribuintes mais de 4 mil euros em encargos administrativos, salários de quatro magistrados e de uma advogada oficiosa".

II. Fast forward: "em 2007, arquivado o caso após a morte do irmão queixoso, também toxicodependente, o casaco, à guarda do MP, acabou por transitar para outro processo" referente ao roubo de um veículo por parte do irmão mais novo. Fast forward: "em 2008, após sucessivas faltas de comparência do arguido no tribunal", o proprietário do veículo desistiu, "cansado da marcha lenta do processo. Inconformado, o MP acusa o então arguido por crime agravado de condução ilegal. Este acaba por ser absolvido". Fast forward: em janeiro, a juíza manda destruir o dito casaco. E é aqui que entra a fúria processual do MP: "foi então que a delegada do MP recorreu para a Relação do Porto, por não se conformar - reparem - "com o facto de a juíza não ter pedido a certidão de óbito do falecido nem notificado os familiares mais próximos para levarem o casaco". O casaco tinha diamantes?

III. Há um mês, a Relação do Porto foi obrigada a dizer o óbvio, em duas versões. Primeira versão (aquilo que toda a gente compreende): face ao estado de degradação do casaco, a juíza antecipou o óbvio. Segunda versão (aquilo que os magistrados deviam saber melhor do que ninguém): se seguíssemos apenas as "estritas regras jurídicas, acabaríamos num mundo de absurdos inúteis". Mas a questão não se resolve apenas com estes puxões de orelhas. Pelo que se sabe, a responsável por toda esta confusão continua a ser procuradora. Ora, quando se gastam 4 mil euros do erário público por causa de um velho casaco mal-cheiroso, a pergunta é legítima: esta pessoa merece continuar a ser procuradora? Esta pessoa não devia ser demitida? (Por amor de deus, houve um recurso para a Relação por causa de um blusão esburacado). E o Procurador-Geral não tem nada a dizer sobre isto?

IV. Ao ler esta história, um português começa a rir (fiz essa experiência este fim de semana). Ao ler esta história, um americano começa a pedir a cabeça dos responsáveis (também fiz essa experiência esta semana). O problema talvez comece aqui.
Henrique Raposo, Expresso

Irlanda pede ajuda

Henrique Monteiro

Dez milhões disponíveis para ajudar comércio local

Arranca hoje a sexta fase de candidaturas ao MODCOM, o ao Sistema de Incentivos à Modernização do Comércio. Esta fase, que tem disponíveis dez milhões de euros, destina-se às micro, pequenas e médias empresas.
Contempla apoios a três tipos de acções. A A, destinada lojas comerciais e conjuntos de modernização comercial.
A B, para lojas em rede, ou seja, empresas que pretendam, por exemplo, adoptar uma insígnia comum ainda que a propriedade seja individual, que utilizem a mesma plataforma informática ou que se abasteçam na mesma central de compras. A Acção C, para estruturas associativas do sector do comércio, com vista à promoção dos centros urbanos.
Os projectos de investimento contarão com uma taxa de incentivo a fundo perdido de 45% das despesas no caso das lojas individuais, de 50% nos projectos empresariais integrados e de 60% para as associações comerciais.
Nas cinco fases anteriores do MODCOM o Governo disponibilizou um total de 134 milhões de euros a fundo perdido para a revitalização do comércio tradicional, tendo sido seleccionados cerca de 4.600 projectos empresariais e associativos, que geraram mais de sete mil postos de trabalho.
Brigantia

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Processo de classificação arquivado

O procedimento de classificação da Linha Ferroviária do Tua foi arquivado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).
O procedimento de classificação da Linha Ferroviária do Tua foi arquivado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR). O despacho que dita que este troço ferroviário deixa de estar em vias de classificação foi publicado, na passada quinta-feira, em Diário da República.
O documento esclarece que fica sem efeito a zona geral de protecção que iria abranger os concelhos de Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Mirandela, Alijó e Murça.
Esta decisão já desencadeou uma reacção da parte dos subscritores do requerimento que deu origem ao processo, que garantem que vão recorrer judicialmente.As pessoas que lutam pela defesa da Linha querem que seja classificada como Património de Interesse Nacional, para salvaguardar a sua preservação, visto que a construção da Barragem de Foz Tua vai submergir uma parte deste troço ferroviário.
Os subscritores, um grupo de cidadãos incluindo figuras públicas do meio cultural, artístico, académico, científico, ambientalista e político, consideram que foi “violado um conjunto de procedimentos e normas legais, nomeadamente o pressuposto que obriga à audição prévia dos interessados”.

Recorde-se que o requerimento de pedido de abertura do procedimento de classificação da Linha do Tua foi entregue no IGESPAR em Março deste ano e foi subscrito por um conjunto de cidadãos que têm vindo a lutar pela defesa deste património.
Apesar dos subscritores deste documento considerarem que a classificação poderia travar a barragem, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, já tinha afastado a hipótese deste processo pôr em causa o projecto da EDP. Aliás, a aprovação definitiva para a construção do empreendimento hidroeléctrico já tinha sido anunciada no mês passado, com a conclusão do processo de avaliação ambiental, que impõe algumas condições à EDP na concretização do projecto. A Declaração de Impacte Ambiental aprovou a construção da barragem a uma quota de 170 metros, o que implica a inundação de 16 quilómetros da Linha do Tua. Jornal Nordeste

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A BETA MOVEMENT - Rock Rendez Worten AWARDS

A BETA MOVEMENT, projecto vencedor da categoria ALTERNATIVO Rock Rendez Worten, seleccionados entre mais de 800 bandas, por um juri constituido por sete figuras ligadas à musica nacional, onde se inclui Henrique Amaro(Antena3), Miguel Cadete (Blitz) e Sónia Tavares (The Gift).

A banda foi escolhida pelo juri, posteriormente votada pelo público e teve o voto do padrinho da categoria ALTERNATIVA, Miguel Guedes (Blind Zero), o que possibilitou ao colectivo estar presente na cerimónia final, transmitida pela SIC Radical, na apresentação de duas músicas, uma das quais "Romance is for Both"com a participação deste na voz e guitarra.

A BETA MOVEMENT "Romance is for Both" feat. Miguel Guedes (Blind Zero)


Os A BETA MOVEMENT têm vindo a desenvolver um trabalho cuidado e estruturado, assente na construção de canções de base indie com reflexos das programações e construções electrónicas, reconhecimento esse traduzido nas palavras de elementos do juri e no prazer da experiência, que se mantém, com o Miguel Guedes.

www.myspace.com/abetamovement
www.rrw.pt/a_beta_movement
http://www.facebook.com/#!/pages/A-Beta-Movement/231849509647

No tempo em que não havia televisão ou rádio

O Museu do Douro vai lançar, no próximo dia 26, um livro em que serão perpetuados no tempo 250 lendas e 166 contos populares que estavam em risco de extinção. Património recolhido ao longo de três anos em Tabuaço, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor.
Flora Teixeira, de 80 anos, e Florinda Lopes, de 79, vivem em Pombal de Ansiães, concelho de Carrazeda, e são duas das protagonistas da obra "Património imaterial do Douro - Narrações orais", cuja coordenação científica foi do investigador Alexandre Parafita.
Sentadas a desfrutar o que resta de uma plácida tarde de Outono, ambas recordam que "a falta de televisão e de rádio" era uma das causas para que nos serões de antigamente medrasse a quantidade de lendas, contos e lengalengas. Património imaterial que passava de geração em geração. "Avô, conte-nos lá uma história!", lembra-se Flora, que na sua meninice encontrava nele fonte de distracção. Já avó, foi ela que as contou às netas.
Reza uma das histórias guardadas na memória por Flora que "vivia no Pombal um homem que tinha o fado de sair de casa à meia-noite e que se transformava em cavalo. Tinha de percorrer sete freguesias onde existisse pia baptismal. Um dia, a mulher dele pediu a um vizinho que, quando o visse passar, o picasse com um aguilhão. E assim aconteceu junto à casa, que ainda existe. Ele transformou--se em homem e disse: "boa-noite, senhor José Pereira". Este ficou tão assustado que até adoeceu".
"Essa história é do tempo do meu bisavô e as minhas tias sempre disseram que foi verdade", acrescenta Florinda, lembrando uma outra: "A minha bisavó era a mulher do bisavô da Flora. Numa noite, ele foi para a quinta tratar do vinho nos tonéis e, quando regressava a casa, viu um cabrito aos saltos. Lá o agarrou, pô-lo ao pescoço e subiu até à aldeia. Uma vez chegado, o cabrito deu um pulo, riu-se e disse-lhe: "agora, vai gabar-te que vieste todo o caminho com o diabo às costas"", sorri, sublinhando que "há muitas mais lendas como esta".
Ambas valorizam a recolha feita por Alexandre Parafita, porque não vêem nos jovens garante de preservação daquelas lendas e afins. "Andam entretidos com coisas novas, como a Internet e discotecas", atira Flora. O autor prefere justificar o total desapego com a "quebra do convívio intergeracional", ainda que "muitas das crenças tendam a esbater-se por força da evolução do conhecimento e da ciência".
E mesmo sendo "saudável", nota que "menosprezar a memória dessas crenças ou desrespeitar as tradições dos povos é um indicador de penosa ignorância ou malformação das novas gerações".
Eduardo Pinto, DN

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Refer paga 132 mil euros... em táxis

Petição pela classificação da linha arquivada desespera utentes que não têm alternativa ao comboio.
"Porque é que nos tiraram o comboio?" A pergunta é de José Celestino, 80 anos, residente em Vilarinho, concelho de Vila Flor. Mas reflecte o estado de desânimo de todos os que olham a Linha do Tua, em Trás-os-Montes, já amputada num troço e prestes a ser submersa noutro por uma barragem.
"Sem o comboio estamos desgraçados, a nossa aldeia tem 60 habitantes todos já velhos a necessitar de assistência médica. A Refer dá-nos a possibilidade de ir de táxi, mas temos de partir às sete da manhã e regressar depois das sete da noite. O que fico a fazer em Mirandela? Assim ou não vamos ao médico ou desembolsamos quinze euros para um táxi nos vir trazer a casa", diz José Celestino.
Ao que o DN apurou, a Refer paga aos quatro taxistas que efectuam o transporte de utentes entre as nove estações desactivadas e Mirandela cerca de onze mil euros por mês, 132 mil euros por ano. Daniel Conde, líder do Movimento Cívico pela Linha do Tua alega: "preferem o investimento rodoviário ao ferroviário..." (ver entrevista da última página).
Daniel, José e muitos transmontanos viram esta semana esgotar-se uma das derradeiras esperanças de preservação da centenária linha ferroviária, a petição pela classificação da Linha do Tua como património nacional. Subscrita por milhares de pessoas e entregue em Março ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), deu lugar a um processo que foi arquivado.
José Silvano, presidente da Câmara de Mirandela, disse ao DN que o arquivamento desta petição põe fim às suas esperanças de evitar a construção da barragem. "Irei lutar com todas as minhas forças para que o restante troço entre Brunheda e Mirandela se mantenha com a reabertura das estações entretanto encerradas."
As duas velhas automotoras que restam - das quatro que antes rolavam sobre carris, uma caiu ao rio no acidente de Fevereiro de 2007 e a outra está inactiva há mais de um ano nas oficinas de Carvalhais - fazem o percurso entre Cachão e Mirandela. Têm a alegria perversa das cores dos graffiti mas deslizam tristes. Joaquim Cardoso, há mais de 50 anos atrás do café junto à estação do Cachão, diz que "os horários praticados pelos comboios não estão ajustados aos dos estudantes e pessoas que trabalham em Mirandela. Muitas vezes andam vazios porque as pessoas optam pelo autocarro".
Entre o Cachão e Brunheda a linha foi desactivada, não por culpa da barragem, que ali não chega, mas por opção da Refer. Naquele troço reina o silêncio. As estações estão em ruínas, as ervas tapam as travessas da via, os fios de cobre e postes das telecomunicações foram retirados.
O edifício da estação de Ribeirinha é ocupado por Abílio Augusto, com a mulher e seus dois filhos. Reformado da CP, em que trabalhou durante 42 anos na estação de Mirandela, mora ali há cerca de 37 anos, paga cinco cêntimos de renda, mas a manutenção da habitação tem de ser feita por si. "Sou pobre e tenho de aqui morar mas a casa não tem condições. E agora, com a suspensão dos comboios, estamos cada vez mais sós..." DN