Na comunicação entre pessoas há que ter em atenção dois lados: nós e os outros. Fixemos por agora a nossa atenção sobretudo nos outros, dito de modo singular, no outro.
Há quem pense que, quer nós quer os outros, devemos manter-nos sempre com o mesmo procedimento. Para ambas as partes serem autênticas, é preciso, pensa-se, que se tenha sempre a mesma postura, qualquer que seja a situação.
Mas não parece que deva ser assim.
Cada pessoa com quem lidamos tem características muito particulares: - tem impulsos, sentimentos, raciocínios, reacções muito especiais.
Quando falamos com alguém é conveniente estudar esse alguém para vermos qual a melhor forma de aproximação, de explanação de ideias, de expressão de sentimentos.
Ser sentimental com quem é frio leva-nos a cair no ridículo. Ser frio com quem é sentimental torna-nos num ser sem alma.
O nosso poder de observação deve estar sempre atento ao mais pequeno sinal do outro. E a nossa maleabilidade deve ser tal que permita uma rápida adaptação àquilo que pode ser de todo em todo inesperado no outro.
E isto tendo em vista sempre a melhor transmissão de ideias, a melhor sintonia, a harmonia dentro da diversidade de opiniões e comportamentos.
Tudo isto poderá parecer-vos um somatório de malabarismos e de inautenticidades, de todo em todo condenável.
Mas não. A vida não é linear. A mutação de situações é permanente e há exigência de adaptação pronta.
Como hei-de eu entender-me com uma pessoa cem por cento racional, se usar só argumentos sentimentais? Como hei-de entender-me com uma pessoa de raciocínio concreto, se eu usar, no diálogo, apenas o raciocínio abstracto? E o contrário?
O entendimento entre as pessoas não é algo que se consiga só com boa vontade. É preciso ir ao encontro do outro mas com olhos de ver, com muitos conhecimentos sobre o que seja falar com o outro.
A personalidade do outro, gostemos ou não, tende a modificar, no diálogo, pelo menos enquanto ele durar, a nossa personalidade, se é que queremos entender-nos, ou melhor, se não quisermos apenas falar para a parede.
João Lopes de Matos

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ResponderEliminarTalvez não esteja. Paciência.
ResponderEliminarJoão Lopes de Matos devia, nesse mistério que mantemos por relação ao Outro, ler da conferência de Eduardo Sá na Universidade do Algarve sobre o caminho da neurociência que seria a Psicanálise - e não o inverso!
ResponderEliminarMas gosto sempre quando, ao lê-lo, me vêm confluências da Poesia Maior. Da geração de 70 (esclareço: 1970), de Joaquim Manuel Magalhães, Nuno Júdice, José Miguel Fernandes Jorge, António Franco Alexandre (e Manuel António Pina, em certa medida) que também valorizam a comunicabilidade: o narrativismo, o realismo, o autobiografismo e o emocionalismo, de acordo com Rosa Maria Martelo e o livro de ensaios Vidro do Mesmo Vidro.
Vitorino Almeida Ventura
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ResponderEliminarNão estou de acordo com a eliminação dos comentários. Não eram ofensivos embora fossem destrutivos.É que por eles se fica a conhecer melhor as pessoas e é sempre preferível escreverem alguma coisa que não escrever nada.
ResponderEliminarSobre este tema, não têm sentido alguma dificuldade no relacionamento com outras pessoas?
Se sim,digam que espécie de dificuldades sentem.
Quanto à eliminação,no entanto,ainda tenho a dizer que o blogue pertence ao seu proprietário,pelo qual é responsável. Se ele entende que não quer certos comentários,está no pleno direito de eliminá-los.
JLM
Pois claro!
ResponderEliminarDisse!
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ResponderEliminarNinguém quis pegar no tema.Apenas o meu amigo V.A.V..Vou ver se consigo fazer com que mais gente intervenha.O tema pode ter tido repercussão mas eu não sei.Talvez,como disse no artigo,tenha estado a falar para as paredes.Acontece. Não fico desiludido por isso.
ResponderEliminarJLM
não culpe os outros nem as paredes
ResponderEliminarculpe-se a si por não ter capacidade de comunicar com os outros faça uma introspecção e veja onde falha
Obrigado, JOSÉ!
ResponderEliminarClaro que penso que o primeiro culpado sou eu.Mas não vou martirizar-me por causa disso.
ResponderEliminarTambém não vou desmoralizar.
Se tanta gente(incluindo estes anónimos) podem dizer asneiras,não sei porque eu não hei-de ter o mesmo direito.
JLM
Já agora volto à liça para dizer que no comentário anterior não é "podem" mas "pode".
ResponderEliminarAproveito para lembrar que seria bem mais construtivo da sua parte se, em vez de falar de forma altiva,expusesse ponto por ponto onde é que eu errei na minha exposição.Uma atitude assim seria realmente construtiva e não teria o azedume que se nota no seu tão lacónico e destrutivo comentário.
Se me convencer,garanto-lhe que me renderei à sua argumentação.No entanto, sempre lhe digo que não acredito que seja capaz de fazê-lo com elevação.
JLM
que falta de geito so
ResponderEliminarParecia querer dar-me lições mas afinal que pouco jeito tem para ser pedagogo.
ResponderEliminarJLM