domingo, 14 de novembro de 2010

Governo fez 270 nomeações num mês e meio

Desde que anunciou o pacote de medidas de austeridade do PEC III, o Executivo liderado por José Sócrates tem contratado uma média de 45 novos funcionários por semana, para assumirem cargos no Governo e na administração directa e indirecta do Estado.

Desde que foram anunciadas as medidas de austeridade, o Governo já fez 270 nomeações para cargos no Governo e na administração directa e indirecta do Estado. O anúncio do PEC III - que apela à contenção da despesa pública - foi há cerca de mês e meio, o que dá uma média de 180 nomeações/mês, um valor muito superior aos primeiros anos de José Sócrates à frente do País, período em que foram nomeados mensalmente cerca de 100 funcionários.

Apesar de, entre 2005 e 2007, a situação económica não ter sido tão complicada como neste último mês e meio, o Executivo tem feito, em termos proporcionais, mais nomeações desde 29 de Setembro do que no início do seu primeiro mandato. Na altura, 2373 pessoas foram contratadas em 24 meses. Além de ultrapassar a média do seu primeiro Governo, Sócrates fica também à frente dos seus antecessores.

A causa deste elevado "bolo" de nomeações, publicadas em Diário da República desde que foram anunciadas as medidas de austeridade, são contratações para os mais variados organismos públicos tutelados pelos 15 ministérios. Desde inspecções e direcções-gerais, passando por institutos públicos, não há um único ministério que nestes últimos tempos não tenha feito pelo menos uma nomeação.

O Ministério do Trabalho e da Segurança Social lidera as nomeações, havendo 59 pessoas que ocuparam cargos em organismos tutelados por Helena André. Segue-se a Presidência do Conselho de Ministros, que, impulsionada pela realização dos Censos de 2011, atinge a segunda posição no ranking das nomeações (48). O último lugar do pódio pertence ao Ministério da Administração Interna, (21 nomeações), seguido de perto pelo da Justiça, com 23.

Por sua vez, para os organismos que dependem do Ministério da Economia foi nomeada apenas uma pessoa e duas para a Ciência. Nesta contabilização, o DN teve em conta todas as nomeações publicadas em Diário da República, com excepção das nomeações internas das escolas, uma vez que estas são uma formalidade administrativa pouco relevante para a análise global das contratações ministeriais.

Das 270 nomeações, 19 delas foram mesmo para gabinetes do Governo. No entanto, contactados pelo DN, os ministérios em causa justificaram a maioria destas contratações (que incluem assessores, adjuntos e até um motorista) com a saída dos quadros que antes ocupavam os cargos.

Há, porém, casos que significam mesmo um aumento do encargo com pessoal dos gabinetes. Exemplo disso é uma das explicações dadas por fonte oficial do Ministério das Obras Públicas, que justificou a contratação de mais um trabalhador para o gabinete do secretário de Estado dos Transportes com a "necessidade de reforçar a equipa de assessores face ao volume e complexidade do trabalho específico a desenvolver". Os resultados desta contagem feita pelo DN parecem contrariar o emagrecimento do Estado: nos últimos 30 dias úteis, foram nomeadas nove pessoas por dia. Ou seja: 45 por semana
. DN

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Processo de classificação da Linha do Tua como Património de Interesse foi arquivado

O processo de classificação da linha ferroviária do Tua como “património de interesse nacional” foi arquivado pelos serviços do Ministério da Cultura, segundo um despacho publicado, ontem, em Diário da República.

A petição para a classificação da linha tinha sido entregue em Março passado ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, o IGESPAR, e foi formalmente aberto no princípio de Setembro, instituindo, desde então, um perímetro de protecção de 50 metros em torno do eixo da linha férrea, em toda a sua extensão.

Passados dois meses, o processo foi agora arquivado, com base num parecer da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, segundo o anúncio do IGESPAR, ontem publicado.

A classificação da linha ferroviária do Tua como “património de interesse nacional” era mais uma tentativa para travar a construção de uma barragem na foz do rio, que a EDP quer adjudicar ainda este ano.

Mas Manuela Cunha, primeira subscritora da petição que deu origem ao processo de classificação da Linha como Património Nacional, garante que vai haver um “recurso desta decisão”.
CIR/Brigantia

Obras na linha do Douro vão ser atrasadas

O ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, garantiu ontem, em Vila Real, que a reabilitação do troço da linha ferroviária do Douro, entre Pocinho e Barca de Alva, e da linha do Corgo, entre Peso da Régua e Vila Real, vai ser recalendarizada.

À margem de uma conferência internacional em que se discute o turismo no Douro, o ministro adiantou que os projectos não foram metidos na gaveta, mas vão ter novos prazos por causa da crise:

Neste momento tempos de recalendarizar alguns dos projectos de infraestruturas. O calendário tem de ser visto em, função das disponibilidades orçamentais e das condições de financiamento.”

Para avançar com a reabilitação da linha do Douro ente Pocinho e Barca de Alva, foi celebrado, em Setembro do ano passado, um acordo entre várias entidades públicas e privadas.

O chefe da Estrutura de Missão do Douro, Ricardo Magalhães, tem bem presente esse momento e não acredita que o acordo tenha sido rasgado:

Lembro-me do dia 9 de Setembro, no Pocinho, um conjunto de entidades, que assinaram um contrato em que cada um dos organismos dizia o que fazia. Estava a REFER, por exemplo, com a elaboração de projectos. Passado um ano, não estão ainda feitos. Admito que o projecto da linha possa ser revista. Mas rever ou reequacionar não é arquivar ou enterrar.”

Apesar destes contratempos ferroviários, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira considerou que o Douro é, actualmente, uma lição para o país.

Baseia-se no crescimento da ocupação da hotelaria na região, em contra-ciclo com o que aconteceu noutras zonas turísticas nacionais:

Os dados mostram que o Douro está a representar uma lição para o país. Em 2009, a taxa de ocupação das camas caiu em todo o país mas no Douro subiram. Está a resistir à crise e a construir projectos vencedores.”

A confiança do ministro da Presidência em tempos de crise.

CIR/Brigantia

A forca

Henrique Monteiro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

“Faladrar”

Uma mulher do povo disse a seguinte frase:
Que estás tu a faladrar, meu pengo?”

O que deu origem àquele dito foi qualquer resposta malcriada dada por um rapazinho, quando ela o censurava por estar a castigar um irmãozinho mais novo.

Faladrar” - queria dizer “falar”, como se se referisse a “ladrar” com intenção de ofender o rapaz?
E “pengo”, será o mesmo que “atrevido”, “maroto”, “mariola”, etc. ?

Faladrar” pode arrolar-se nas figuras de dição.
Figuras são modos de dizer que intentam valorizar a expressividade.
Figuras de dição, aquelas que por meio de alterações fonológicas ou morfológicas concedem aos vocábulos novos aspetos de significação, relacionados com os próprios, mas acrescidos de algum valor acidental.

Ora, entre as figuras de dição podemos incluir os “trocadilhos”.
Os “trocadilhos”, como o nome indica, são “trocas” fonéticas em vocábulos de som parecido ou semelhante, os quais vocábulos se aproximam para o estabelecimento de contrastes, equívocos, graças, etc.

O trocadilho “faladrar” consiste no aproveitamento de duas semelhanças: a 1.ª entre a sílaba comum a “falar” e a “ladrar” (o la); a 2.ª entre o desabafo vocal do homem e o dos cães.

Este “trocadilho” de “faladrar” vale também pelo recurso à aliteração.
Mas o seu mérito expressional está sobretudo nisto: a pessoa que ofende outra, dizendo que ela está a “ladrar”, não deixa de travar a ofensa, amortecendo o insulto com a concessão da sílaba inicial de “falar”.

Quero dizer: a pessoa que por qualquer modo mais parece “ladrar” do que “falar” é insultada, dizendo-se que não “fala” nem “ladra”: mas que “faladra”.

Faladrar” torna-se, pois, uma espécie de insulto semieufemístico.
Meu pengo” é meu “pateta”, meu “parvo”.
Suponho o vocábulo “pengo” relacionável com um outro, de largo uso no Brasil - capenga, também sinónimo de pateta

Por muito respeito que tenha pelo autor do presente artigo (denegrindo mais o “cargo” do que a “pessoa” que se pretende atingir), pergunto:

- Será este um exemplo típico de um texto “faladrado”?

- Será que, tal como a cor das uvas, o “falar” e o “ladrar” andam de mãos dadas?

Carlos Fiúza

Magusto - Ribalonga - 14 de Novembro


ARCPA - Magusto 2010

Azeite transmontano é sucesso internacional

Prémios a nível nacional e internacional atestam qualidade superior do Azeite de Trás-os-Montes DOP
O Azeite de Trás-os-Montes (Denominação de Origem Protegida) DOP continua a arrecadar prémios a nível nacional e internacional. Desta vez foi o Azeite Porca de Murça que conseguiu a distinção de um dos melhores azeites do mundo. O Lote 50, da Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça arrecadou uma medalha de prata do prestigiado concurso internacional de azeites – “Los Angeles International Olive Oil Competition 2010”, onde estiveram presentes 477 azeites de 318 produtores de todo o mundo.
Mensageiro

domingo, 7 de novembro de 2010

Daqui e dali... Henrique Raposo

Sócrates: a cronologia da mentira

Por que razão os juros da nossa dívida estão a subir? Para responder a isto, temos de fazer uma pequena cronologia dos erros e mentiras de Sócrates dos últimos dois anos. Tape o nariz.

I. No Expresso de 9 de Outubro, Filipe Santos Costa fez a cronologia do "socratismo". Convém olhar para esta história dos últimos anos, porque ela é reveladora (vou só usar os dados económicos; os "casos" são outra história).

II. Em 2008, no meio do caos e da incerteza da tal crise internacional, José Sócrates criou a mentira número um: Portugal era um oásis, que resistia à crise internacional. Resultado: o governo baixou o IVA para 20% (um partido tem de fazer pela vidinha). Porém, meses depois, o governo nacionalizou o BPN, e começou a dizer que a crise, afinal, tinha chegado a Portugal. Neste cenário, Sócrates inventou a mentira número dois, que, aliás, permanece no menu do PS: Portugal está mal apenas e só por causa da crise internacional. O facto de Portugal não crescer a sério desde 1999 é um pormenor.

III. Em 2009, a negação da realidade atinge níveis patológicos. Com fins meramente eleitoralistas, Sócrates e Teixeira dos Santos "escondem o valor do défice" e Sócrates promete "o que outros dizem (e o tempo prova) que não pode cumprir: grandes investimentos e generosas medidas de apoio". Pior: sabendo que isso seria suicidário para as contas públicas, Sócrates e Teixeira dos Santos aumentaram a função pública em 2.9% (uma medida eleitoralista que dá voltas ao estômago). Neste ambiente populista e eleitoral, nasceu a mentira número três: aqueles que apontavam o dedo para a realidade não eram realistas, mas sim "bota-abaixistas". No mundo de Sócrates e do PS, ser-se patriota é o mesmo que obedecer ao optimismo torpe dos socialistas.

IV. Fevereiro de 2009: a apresentação do OE2010 "obriga Sócrates a assumir o défice de 2009: nem os 2,2% previstos no início, nem os 5,9% indicados em Maio, nem os 8,5% admitidos em Dezembro". O défice era de 9,3%. Mas, com uma cara de pau ímpar na nossa democracia, Sócrates afirmou que "nunca houve tanta transparência nas contas públicas portuguesas". E, depois, o que fez Sócrates? Entrou em campanha, gastando mais dinheiro em eventos (inúteis, e que apenas serviam a sua propaganda) e abrindo mais escolas e hospitais (que não pode pagar). Entretanto, Sócrates inventa a mentira número quatro: aqueles que querem reformar o insustentável estado social são os neoliberais-malvados-que-querem-fazer-mal-aos-portugueses-pobres. O Estado está a cair de podre, mas não se pode tocar no dito estado.

V. Em Maio de 2010, aparece o PEC II. Sócrates dizia que era suficiente (afinal, chegámos ao final de 2010 com um buraco de 1.8 mil milhões no Orçamento). Para terminar a história, aparece o "29 de Setembro", e os episódios dos últimos dois meses. Caro leitor, vamos ser honestos: V. emprestava dinheiro a este indivíduo? Tendo em conta este historial, V. emprestava dinheiro a este governo?
Henrique Raposo, Expresso

sábado, 6 de novembro de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Newton e a credibilidade das cores

Para começo do que vou dizer, torna-se necessário relembrar que, depois das experiências de Newton, ficámos a saber que os corpos têm a cor dos raios que difundem ou refletem.
Assim, um corpo é amarelo se absorve todos os raios menos os amarelos; é vermelho se não absorve os raios vermelhos; azul, se a absorção dos raios azuis deixa de se realizar.
Compreende-se porquê: os nossos olhos, se não forem daltónicos, captam os raios que os corpos não absorvem e, portanto, refletem.
Convém ainda acrescentar uma coisa que já se deixa ver, e é que, se um corpo refletir duas ou mais cores, absorvendo as outras, a cor será composta pela mistura das cores difundidas.
Falta dizer que o branco é composto pelas sete cores – o vermelho, o alaranjado, o amarelo, o verde, o azul, o anilado e o roxo.
Por outro lado, a gente aprende na Física que um corpo que absorve todas as cores e não difunde nenhuma tem a cor preta. E, se fôramos rigorosos, devíamos considerar que o preto não é “cor”, porque preto é rigorosamente… a ausência da cor.

Vem muito a propósito adicionar aqui este problema colorido:
Tenho sobre a mesa uvas brancas e pretas. Sendo que, verdadeiramente, as uvas brancas são… amarelas e as pretas… azuis”, quais são as “brancas”… e quais são as “pretas?”.

Será este o “problema” do nosso “celebrado OE2011”?
Será que, tal como as uvas, o OE tem duas (ou mais) cores?
Será que onde alguns veem branco, outros veem preto e vice-versa?
Será puro “daltonismo”… ou “política” na sua expressão mais baixa?

Será que os “mercados” veem tudo preto (sem qualquer laivo de branco) … ou veem tudo branco em “preto carregado”?

Obrigado, Newton! Quão esclarecedora (e oportuna) foi a tua descoberta!

Carlos Fiúza

não… de tanga, não.

Antero

Daqui e dali... Paulo Baldaia

Só com um tabefe

Lá vamos nós, cantando e rindo, a caminho do abismo. Temos dirigentes que gostam de lidar connosco como se fôssemos garotos a quem pouco importa saber por que é que é assim... Acham que não têm explicações a dar, fazem como alguns pais que educam os filhos com a estratégia pré-histórica do "fazes porque eu mando".

A cultura democrática, que era suposto termos construído depois do 25 de Abril, verdadeiramente nunca chegou a existir. Muitos dos senhores que exercem cargos públicos, lá colocados com o nosso voto para exercerem o poder em nome do bem geral, estão demasiadas vezes preocupados com a sua vida e a vida dos amigos.

No meio da mais profunda crise de que há memória, tivemos esta semana conhecimento de que os dirigentes de um instituto público decidiram promover, com efeitos retroactivos a Janeiro de 2009, umas dezenas de rapazes e raparigas que com eles trabalham. Acharam que podiam fazer isto, ao mesmo tempo que os funcionários públicos ficam sem parte do seu salário, ao mesmo tempo que parte significativa da população vai pagar mais impostos. O sacrifício da maioria serviria para o regabofe de uns quantos. Sem mais explicações.

Nestas alturas a revolta cresce. Se eu fosse funcionário público gostaria de ver essas chefias na praça pública a pedirem desculpa pela brincadeira de mau gosto. A alternativa é fazermos nós de papás e aplicar-lhes um tabefe. O tabefe é sempre a pior forma de educar, mas às vezes é difícil resistir.
Paulo Baldaia, JN

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Percurso alternativo

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Henrique Raposo

Ninguém confia em Sócrates

A principal causa para a subida dos juros da nossa dívida não é a agitação PS/PSD. A causa principal é uma coisa mais evidente: os credores não acreditam neste governo. Olhemos para os factos que comprovam a incompetência de Sócrates.

I. Nos últimos dias, uma coisa passou a ser a verdade suprema do pós-abstenção do PSD: a agitação PSD/PS é a única causa da subida dos juros da nossa dívida. Ora, esta agitação e a demora na obtenção de um acordo foram, com certeza, factores que provocaram desconfiança nos credores. Claro. Mas, atenção, este é um factor conjuntural e superficial. O problema de fundo, a questão estrutural é outra, a saber: a falta de credibilidade deste governo . Os credores não ligam muito à troca de palavras entre um deputado do PSD e o primeiro-ministro, mas ligam muito aos números. E os números, meus amigos, mostram uma gigantesca incompetência de Sócrates e Teixeira dos Santos:

- O OE2010 tem uma derrapagem de 1.8 mil milhões de euros. Teixeira dos Santos admitiu isto na semana passada. Por que razão os media portugueses não falam disto? Uma coisa é certa: durante os chá das cinco, os nossos credores falam muito sobre este assunto.

- A maquilhagem dos 2 mil milhões do fundo de pensões da PT. Isto pode servir para enganar Bruxelas, mas não serve para enganar os credores.

- O "lapso" dos 570 milhões e a errata dos 800 milhões. Estes dois episódios colocam tudo isto no campo do humor involuntário. E, piadas à parte, os credores começam a perceber uma coisa: os portugueses ainda não são gregos, mas têm contas públicas muito pouco transparentes.

- A relutância do governo em largar os TGVs, e um modelo económico caduco.
- A ausência de medidas para renovar nossa economia (exs.: flexibilizar a lei laboral, tal como fez a Espanha e tal como pediu o "euro grupo"; descida da taxa social única).

II. Ora, tendo em conta tudo isto, os nossos credores não acreditam neste governo, não acreditam que Teixeira dos Santos consiga cortar 5% no défice em apenas um ano. E têm razões de sobra para manter essa desconfiança. Os juros não descem por acção dos nossos desejos. Descem por acção dos nossos actos. Expresso

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Cortesia, civilidade e etiqueta

Apesar de abundarem os livros de “Civilidade e Etiqueta”, não se pode dizer, em boa verdade, que a cortesia, a correção, a polidez, a delicadeza ou, melhor, a educação coletiva esteja em grau elevado nos nossos tempos.

Crise de moral, destrambelhamento dos nervos pelas dificuldades da vida presente? Não sei; talvez uma e outra coisa.
O que sei é que as expressões de cortesia estão a rarear, não por culpa do idioma, que nelas é fértil, mas por culpa dos falantes.

“A inducação é muito linda”, dirá alguém menos alfabetizado…

Educação”, “educado” são palavras que, embora assim adulteradas, mostram, no entanto, que até o homem de rudes maneiras avalia ou aceita como alta virtude a alimentação do espírito nos princípios sãos da moral.
Sim, porque educatio vem de “educo”, cujo sentido é - alimentar, cuidar de.
Os Latinos à educação, à polidez, à cortesia chamavam-lhe “humanitas” (humanidade), querendo dizer que o correto procede como um homem deve proceder, e não como um bruto.
Também nós cá, em Portugal, noutros tempos chamávamos vilão ao da vila, rústico, e daí - grosseiro, etc.
E cortês, cortesia vem da velha ideia de serem os da corte, ou dela frequentadora, pessoas de boas maneiras.

Eu não discuto agora a alta questão do desnível entre a “delicadeza” da cidade e a “rudeza” do campo.
Mas sempre direi que na gente aldeã tenho encontrado muita criatura útil à civilização citadina.

Tudo o que neste mundo se usa está sujeito ao gasto. Ora, as expressões de cortesia, como tantas outras, caem muita vez no mecanismo de frases-feitas, de verdadeiros estribilhos sem realidade de significação.
Mas isto é universal!

Vem todo este arrazoado a propósito do recente (e triste) espetáculo que nos foi oferecido (em direto) na Assembleia da República aquando da discussão do Orçamento para 2011.

Quando algum analfabeto deixa fugir, na fluência oral, deturpações como “fazerei”, “menza”, etc., são desvios fonéticos e morfológicos explicáveis; quando alguém diz “a gente vamos” em defensível sintaxe, criticada, todavia, pelos gramáticos feros; quando alguém profere deturpadamente “tisoira” por tesoura; quando se nota um desmando qualquer à linguagem tida por modelar, as chamadas pessoas cultas (como os deputados o deverão ser), deveriam reagir, criticando e, às vezes, até parodiando os pecadores venais. Mas é assim? Claro que não!
Quando no “salão” mais nobre do nosso país, os “dignos” representantes de um povo se permitem usar da linguagem mais baixa, mais torpe, mais inquinada - “calças na mão” é só um exemplo (não contando “palhaço” e “burro”) - então como querer que o País os aceite?

Se os que erram por compreensível ignorância recebem crítica, também os que erram por desleixo, por teimosia ou por falsa cultura merecem o azorrague da crítica; merecem vir ao pelourinho espiar as culpas do desrespeito ao civismo, à educação.
A expressão política continua uma lástima. O erro campeia, ou antes, corre infrene pelos campos da expressão.
Os vícios da expressão, pela sua ubiquidade, são tão inabarcáveis que um homem só não dispõe de tempo nem de nervos para os considerar.
É possível que as minhas palavras desagradem aos apologistas do erro e aos preguiçosos da cultura portuguesa que supõem não ser preciso pôr cobro energicamente à viciação da linguagem pública.
No entanto, e apesar de provado até à náusea a falta de “cultura”, a pretensa “civilidade”, a pouca “cortesia” da nossa classe política… temos de viver com o que temos!
Mas choca-me que um “líder” parlamentar, desrespeitosamente se dirija a um seu par com: “os senhores foram apanhados com as calças na mão!”.
É quase inacreditável! É, no mínimo, deselegante… a nossa democracia não o merece, como o não merece o Povo que neles votou!

No fim destas considerações não fique a julgar-se que elas sejam qualquer apologia de palavrinhas doces, muito impostoramente gentis. O intento deste escrito é o convite sincero para se reparar na alma das palavras que, de tanto se empregarem, já pouco significam ou já raramente se usam, o que é pena, pois com elas, se formos sinceros, poderemos tornar os encontros da fera humana muito menos incómoda.

Carlos Fiúza

Adubo verbal

Henrique Monteiro

Funicular pode ser alternativa à ferrovia no Tua

Barco também pode substituir linha submersa pela barragem

Um funicular entre a foz do rio Tua e a barragem, uma travessia fluvial e o aproveitamento da linha ferroviária não submersa constituem um dos planos alternativos de mobilidade à Linha do Tua proposto pelo Governo. A viabilidade está em estudo.
Esta foi uma das ideias que estiveram em cima da mesa, ontem, no Museu do Côa, na primeira reunião a juntar todas as partes interessadas no processo de construção da barragem do Tua, entre Carrazeda de Ansiães e Alijó, mas que abrange também os concelhos de Murça, Vila Flor e Mirandela.
A criação do aproveitamento hidroeléctrico vai submergir os últimos 16 quilómetros da via-férrea, cortando definitivamente a ligação por comboio entre a Linha do Douro e Mirandela. Ontem, os cinco autarcas voltaram a reivindicar a uma só voz a criação de uma agência de desenvolvimento regional e uma alternativa de mobilidade à linha do Tua.
"As propostas que estão em cima da mesa agradam aos autarcas, resta saber a sua viabilidade financeira, quer na vertente de investimento quer na de funcionamento", sintetizou no final do encontro, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, realçando a hipótese do funicular, que a ser realidade iria ter cerca de dois quilómetros de extensão, e da travessia do vale em barco até à estação da Brunheda.
Para os autarcas, todas as possibilidades estão em aberto. "Pode ser o modelo A, B ou C. O que nós queremos é que satisfaça a mobilidade diária das populações e que seja atractivo do ponto de vista turístico", sublinhou o edil de Alijó, Artur Cascarejo, falando em nome dos cinco.
Humberto Rosa também deixou claro que a agência de desenvolvimento regional reivindicada pelos presidentes de Câmara "vai mesmo existir". E está mesmo "esperançado" que tal venha a ser uma realidade ainda este ano.
Esta agência é vista pelos cinco presidentes de câmara como fundamental para "mudar o paradigma da construção de barragens". "Que não seja apenas um investimento virado para o aproveitamento hidroeléctrico, mas que também promova a coesão territorial e o desenvolvimento económico das populações afectadas", vincou Cascarejo. Eduardo Pinto, JN

"Conversas (bio)diversas/Tertúlias em torno da biodiversidade"

Daqui e dali... Carlos Fiúza

"Medidas"

As palavras são um espelho admirável do caminhar da civilização, dos processos humanos, das conquistas da ciência, enfim desta ânsia de perfeição que o “bicho” homem abriga em seu peito.
E, se não, vejamos o que tem acontecido com as “medidas”.

Desde que o mundo é mundo, para se avaliarem as grandezas físicas, faz-se mister “medir”, isto é, comparar aquilo que se quer avaliar com outra grandeza ou quantidade arbitrária, que serve de termo de comparação.

Na primitividade, o homem queria “medir”? Pegava numa vara, e “media”. Reminiscência disso: a vara, medida antiga medida de comprimento, itinerária e também de superfície.

Outro processo que o primitivo homem usava era recorrer ao próprio corpo e dele tirava a forma de “medir”.
Media com os pés? Disso é prova o “” das medidas de comprimento e itinerárias.
Media com as mãos? Disso é prova a “polegada”, mais ou menos o comprimento da segunda falange do polegar.
Media com os cotovelos? Demonstra-o a palavra “côvado”, do latim “cubitus”, cotovelo.
Media com os braços? Aí tínhamos as “braças”.
Media com as palmas? Lá estavam os “palmos”.
Media a passo? Por isso se dizia “passo” a medida de 5 “pés”.
A própria milha nos pode fazer regressar o espírito à primitividade de processos de medir, pois “milha” (em latim millia) era correspondente a mil passos.

Tão arbitrárias têm sido as grandezas comparativas, ou as unidades, que os homens não descansam em modificações, ajustes e reajustes.

Pois bem… alguns “aprendizes de cientistas” (leia-se Associação Sindical de Juízes) já pensam, AGORA, em fabricar novos padrões comparativos!

Se assim for, o “metro”passará a ser uma velharia, tão velha como as antigas medidas são hoje, para muitos de nós, curiosas recordações.

Esta notícia de que a “Física” de amanhã pode vir a precisar de pôr de parte as medidas de hoje não está assim tão longe da realidade…

BOYS” e “JOBS” poderão vir a ser o futuro como “MEDIDAS” da nossa sociedade?

Seria talvez um regresso à “bitola” do homem das selvas.

Carlos Fiúza

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nas Pegadas do Lobo - Ecoturismo em Território de Lobo

www.ecotura.com

Iº Passeio TT Favaíto Off Road (Carrazeda Ansiães)


Realiza-se este fim-de-semana, nos dias 6 e 7 de Novembro, o 1º Passeio TT “Favaíto OFF Road“. Este passeio tem como percursos principais o Planalto de Favaios e as encostas dos concelhos de Alijó e Carrazeda de Ansiães. Este passeio deverá juntar cerca de 90 veículos e aproximadamente 200 pessoas.
Será um “Passeio Verde”, uma vez que pelo cálculo de poluentes produzidos serão plantadas árvores em número correspondente. Tem também como objectivo para além do percurso pelas magníficas paisagens a mostra de produtos regionais e visita à Adega de Favaios. É um passeio Creditado pela Federação Portuguesa de Todo o Terreno e tem um traçado de características exclusivamente “vitivinícolas”.

Dia 6

Check in a partir 8:00h -Mercado Municipal de Carrazeda de Ansiães

Saída 9:30h - Mercado Municipal de Carrazeda de Ansiães

Trilhos de terra batida até ao Rio Douro / Tua

Almoço - Ribalonga do Tua

Trilho ribeirinho e subida das encostas do Douro

Porto de Honra em Castedo do Douro - Santuário de Santa MarinhaTrilho no planalto de FavaiosChegada à Adega de Favaios

Lanche reforçado nas instalações da Adega

Prova de Moscatel e VisitaPercurso ao Anoitecer do Planalto de Favaios ás encostas do Rio Pinhão

Chegada á Enoteca Quinta da Avessada- Favaios

Jantar Volante/Ceia e Animação

Dia 7

10:00h - Ponto de Encontro - Adega de FavaiosPequeno Almoço

11:00h - Partida da Adega de FavaiosTroço na Rota dos Mouros - Troço pela Serra, Castros Romano e Árabe

13:00h - Chegada ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade - Sanfins do DouroAlmoço de Convívio e troca de lembranças.

FINAL

Tarde Livre

Pista de Trial à disposição para os participantes

Oficina de Cozinha Sustentável

quercus.vila.real.viseu@gmail.com

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Evolução e Despersonalização

Disse Herculano:
A Pátria… é a oração ensinada a balbuciar por nossa mãe, a língua em que pela primeira vez ela nos disse: - meu filho!” (Lendas, II, 195).

Meditando nesta afirmação de Herculano, eu pergunto: Ainda seremos Portugueses se amanhã todas as mães de Portugal passarem a imitar aquelas que já hoje dizem aos filhos: “Meu bijou!”?
E será Portugal ainda português, quando as noivas da nossa Terra, imitando as apaixonadas estrangeiras, disserem, todas: “My darling!”?

Lamento profundamente ver-me obrigado por um sentimento de amor à minha Pátria, a de vez em quando sermonear amargamente contra os meus irmãos portugueses, desrespeitadores, indiferentes ou descrentes da nossa Moral, da nossa Honra, da nossa Cultura, símbolos reais da nossa independência.

Mas poder-se-á deturpar o indeclinável dever de reagir em defesa da Honra, da Vergonha, da Verdade?

Na nossa Terra (tão propícia a descobridores) descobriu-se de há tempos a esta parte um estribilho muito acaciano com que se procura desculpar a estragação da Moral.
O estribilho canta assim: “A Moral é um organismo em evolução.”
Com tais palavras, tão genialmente descobertas, se pretende matar os poucos pregadores da Moral em expressão.
A libertinagem não se desculpa com o progredir dos aspetos sociais; pede uma reação enérgica de quem preza os direitos da cultura de um Povo.
Paralelamente, a ignorância ou a anarquia que pretenda justificar a despersonalização idiomática, mediante a distinguível lembrança da “evolução”, deve ser combatida pela verdadeira noção científica do processo natural, que nada tem que ver com a estragação escuidada.

Vítimas inocentes bebem nos jornais os vícios da expressão, e mal sabem que se lhes instilam os defeitos com a leitura desprevenida.
Indiferentes, algo culpados, parecem dispostos a abdicar dos direitos da nossa consciência.

Desorientadores opiniáticos recorrem ao estratagema de atribuir à “evolução” e à descabida frase-feita de que o povo “é quem elabora a língua” a explicação e a manutenção dos vícios destruidores.
Mas é muito superficial a opinião falsa dos que recorrem à “evolução” para legitimar a estragação atual.
Não reparam em que os tempos agora são outros.
Há contactos mais profundos entre os povos; a interpenetração das culturas apresenta-se bem pronunciada; as comunicações, mais velozes, quase neutralizam fronteiras; os ares trazem vozes estranhas, que os nossos recetores espalham pela intimidade do lar.

Nesta hora e nas outras que hão de vir as modificações, todas as modificações, não se efetuarão com aquele moderado andar de muitos e muitos séculos, se a intercomunicação dos idiomas se desenvolver com o predomínio de duas ou três línguas universais.

Carlos Fiúza

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Daqui e dali... Henrique Raposo

A morte de Sócrates

Não, não estou a falar das sondagens. Estou a falar do "caso Vítor Baptista" e do "caso Ana Paula Vitorino/Mário Lino". São gravíssimos, mas já ninguém liga. Sócrates está morto, mas levou consigo a nossa dignidade pública.

I. No início do mês, um braço direito de Sócrates (André Figueiredo) foi acusado de tráfico de influências por um deputado do PS. Vítor Baptista, o dito deputado, disse que foi aliciado com um cargo numa empresa pública (eis a grande utilidade "social" do Estado) a troco da sua não-recandidatura ao PS de Coimbra. Se não me engano, André Figueiredo vai processar Vítor Baptista, invocando a ladainha do costume: "Ai o meu bom nome". Mas o ponto aqui é outro: o Ministério Público já abriu um inquérito a este caso? Está aqui em causa um possível crise de tráfico de influências. Um crime público, portanto. Mas, até agora, ainda não vimos nenhuma actividade do MP. Está tudo a dormir na rua Politécnica? Ou será que as guerras civis entre procuradores ocupam toda a energia dos ditos procuradores? E o pior é que tudo isto se passa perante a passividade do país, em geral, e das elites, em particular. Já ninguém liga. Os anos Sócrates mataram aquilo que restava da nossa moral pública.

II. Entretanto, rebentou um dos casos mais graves de sempre: pela primeira vez, uma ex-governante, Ana Paula Vitorino, disse claramente que foi pressionada por um ministro, Mário Lino, no sentido de beneficiar x e y . Isto é de uma gravidade absoluta. Porque Ana Paula Vitorino quebrou, e ainda bem, a Omerta socialista. Mas - lá está - já ninguém liga. E porquê? Será por causa do debate sobre o orçamento? Com certeza, o debate sobre o orçamento consumiu o oxigénio mediático. Mas, mesmo sem orçamento para discutir, este caso não teria o impacto que devia ter. Porque já ninguém liga. O regime funciona apenas de forma mecânica. Não tem vitalidade moral.

III. Estes dois casos constituem a estocada final em Sócrates. Mas o pior é que Sócrates leva consigo a nossa dignidade enquanto comunidade política, enquanto espaço público. E, neste ponto, convém frisar o seguinte: todo o espaço público está ligado à máquina, mas há um actor que se destaca pelo ar particularmente cadavérico - o PS. O que dizer do PS? O PS aguentou Sócrates mesmo quando este se envolveu nos escândalos e casos que todos conhecemos. O PS aguentou "socráticos" inenarráveis como o senhor dos gravadores. É triste, mas a verdade é esta: o PS, meus amigos, só começará a expulsar Sócrates quando as sondagens indicarem a morte política do primeiro-ministro. Ora, tendo em conta os últimos sinais , os anjos bons do PS vão começar finalmente a aparecer. Que bravura.
Henrique Raposo, Expresso

Apanha de cogumelos ainda sem regras

O código florestal que vai permitir que a GNR fiscalize a apanha de cogumelos ainda não entrou em vigor. A nova legislação prevê que a colheita para consumo próprio não exceda os 5kg, e empresas que comercializam o produto ou entidades que o usem em investigações também ficam sujeitas a regras.
Dezembro do ano passado era a data prevista para o seu início, mas o prazo foi adiado para Dezembro deste ano.
A confirmação chega de Manuel Moredo, presidente da Associação Micológica “A Pantorra”.
Provavelmente entrará em vigor ainda em Dezembro deste ano, mas ainda não é certo”, sublinha.
A Pantorra” organiza, este fim-de-semana, mais um encontro micológico.
Nesta 12ª edição, o objectivo é divulgar a actividade no aspecto científico e cultural.
Este encontro surge no sentido de divulgar a micologia. Há 12 anos que estamos a divulgá-lo, dando a conhecer o cogumelo, identificando-o. Neste momento a associação tem 450 espécies identificadas.”
As inscrições no encontro micológico da Associação “A Pantorra” estão abertas ao público em geral e, este ano, os preços estão inclusive mais baixos.
Para além da tradicional saída de campo, haverá ainda uma conferência acerca do valor gastronómico e nutricional dos cogumelos.
O encontro decorre este fim-de-semana, em Mogadouro.
CIR/Brigantia

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quando o impensável se torna inevitável

Desde o fim de Agosto que a pressão exercida sobre o PSD e o seu líder para que este aprovasse o Orçamento de Estado - que, recordemo-lo, só foi conhecido a 16 de Outubro, e incompleto - foi avassaladora. Essa pressão exprimiu-se muitas vezes através de argumentos pouco sérios e de métodos menos legítimos. Mas era impossível de ignorar. O surpreendente é que o PSD lhe tenha resistido com tanta firmeza, recusando pronunciar-se sobre um Orçamento que não conhecia.

Agora que o Orçamento é conhecido, começa a compreender-se quão ponderada foi essa posição. Senão vejamos: trata-se de um orçamento baseado numa previsão de crescimento totalmente irrealista ; um orçamento que se propõe reduzir o défice em quase 4% num único ano em pleno ambiente de recessão; e nem assim deixa de ser um orçamento com um inaceitável cariz despesista . Hoje, mesmo os que ainda põem velinhas pela aprovação do Orçamento já não ousam defender a tese de que ele deveria ter sido viabilizado de olhos fechados.


Eu não tenho qualquer dúvida que um Orçamento irrealizável como este que o Governo apresentou é um passaporte certo para a insolvência. Bastarão alguns meses até saírem os primeiros relatórios de execução - mal se souber que afinal a despesa não está a descer conforme se previa, e que a receita se está a portar pior do que se esperava, bum! fecha-se a torneira do crédito privado, e seremos obrigados a accionar o mecanismo de urgência europeu, FMI-style. E quando chegar este momento, repete-se a lenga-lenga: "agora que temos de pedir apoio externo não é momento de eleições", "seria irresponsável negar ao Governo o apoio às medidas exigidas pelos nossos credores europeus", "ou nós ou o caos".
Temos portanto um País encurralado pela estratégia de sobrevivência de quem nos governa. A menos que sejamos capazes de pensar para além do impensável e de vislumbrar o que já é inevitável. Começando por reconhecer este simples facto: Portugal já não pode evitar o recurso ao mecanismo de apoio europeu. Um OE2011 credível era o último recurso de que o País dispunha, mas também este foi desperdiçado por José Sócrates e Teixeira dos Santos. Ora se já não é possível evitá-lo, valerá a pena adiá-lo? A única razão para viabilizar um OE que todos, até Mário Soares, admitem ser mau, péssimo, terrível, seria que a alternativa fosse pior. Mas será? A opção parece ser entre livrarmo-nos de Sócrates agora, fazendo entrar o FMI, ou esperar uns meses e arriscarmo-nos a ver Sócrates usar o FMI como nova tábua de salvação política. Postas assim as coisas, a escolha torna-se fácil. Vasco Campilho, Expresso

PSD à frente!

Henrique Monteiro

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ex-primeiro-ministro islandês processado

O ex-primeiro-ministro da Islândia Geir Haarde vai ser processado pelo Parlamento daquele país por negligência. Geir Haarde, de 59 anos, do Partido da Independência, governava a Islândia na altura em que o sistema financeiro se afundou, em Outubro de 2008. (…)
O Parlamento islandês considerou agora Haarde culpado de não ter agido atempadamente de forma a travar o desenrolar da crise, o que acabou por obrigar o governo a tomar o controlo dos três maiores bancos do país. (…)
Uma comissão parlamentar tinha ido mais longe e recomendado que não apenas Haarde mas também três dos seus ministros fossem processados, mas o Parlamento acabou por decidir não interpor qualquer processo judicial contra os outros antigos governantes.
A recomendação da comissão parlamentar seguia as conclusões do Relatório Verdade, publicado em Abril pela Comissão de Inquérito Especial. O documento apontava para “enorme negligência por parte dos dirigentes políticos e dos banqueiros islandeses na altura em que o sistema financeiro do país se afundou”. (…)
A falência do sistema financeiro nacional levou muitos islandeses a perderem o emprego ou as suas poupanças. OA

O que faz falta é animar a malta

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Vasco Graça Moura

Portugal esfarrapado

A história registará que Aníbal Cavaco Silva foi o Presidente da República que teve de lidar com o pior Governo de Portugal dos últimos 35 anos. Pior mesmo do que qualquer dos outros governos socialistas anteriores, o que já era quase impossível de conceber.
O Presidente teve de exercer o seu mandato num constante estado de alerta e viu-se, mais do que uma vez, na necessidade de chamar a atenção do País para o que se preparava. Quem não prestou atenção às suas palavras não pode agora queixar-se.
Cavaco Silva entendeu exercer o seu mandato no mais estrito respeito das normas constitucionais. No estado de esfarrapamento e depauperação em que Portugal se encontra, eu teria preferido mais voluntarismo da sua parte, isto é, que ele varresse a testada pondo essa gente no meio da rua sem demora. Mas reconheço que, constitucionalmente, não seria fácil despachar assim, sem mais nem para quê, um governo saído de eleições e com uma maioria a seu favor.
Por outro lado, nas últimas semanas, o seu magistério de influência e a sua capacidade de intervenção vêm-se mostrando decisivos para se chegar a uma solução de viabilização orçamental. Por via dela o País ganhará ainda um precário balão de oxigénio, e este Governo há-de seguir em funções até ser integralmente responsabilizado.
É claro que poderia ser desfiado aqui um ror de razões para apoiar Cavaco Silva. Mas entendo que para já basta uma só: Cavaco Silva é, neste momento, o único garante de que Portugal não vai a pique!
Se o país não pudesse contar com ele na chefia do Estado, lugar em que a sua autoridade, a sua experiência e o seu saber, quer no plano político, quer no plano profissional, lhe permitirão assumir um papel absolutamente fulcral, o resultado seria pior do que o de qualquer intervenção externa devida à bancarrota, viesse ela de Bruxelas, do BCE ou do FMI.
Em tempos escrevi que, pelo rumo que as coisas tomavam, nos arriscávamos a ficar condenados a ser a 18.ª autonomia espanhola. Esse foi um manifesto erro de perspectiva da minha parte. No estado a que chegámos, não prestamos para coisíssima nenhuma, nem mesmo para autonomia espanhola. E já nem a Espanha nos quer seja para o que for... Um país nas lonas, de analfabetos, peticionários e de calaceiros que votaram PS para se chegar a este lindo serviço, não interessa à Espanha e não lhe serve para nada.
Mas também é verdade que, com a governação insensata desta gente que está no poder, se não houver quem a meta na ordem, a perda da independência não tardará a decorrer de uma fragmentação acelerada: e veremos a Galiza anexar o Minho e o Douro Litoral, Castilla y Léon ligarem a si Trás-os-Montes, o Alto Douro e as Beiras, a Estremadura incorporar o Alentejo e a Andaluzia chamar um figo ao Algarve, com Lisboa a fingir que é uma espécie de Andorra atlântica e a brincar ao Portugal dos pequeninos. Aí, o PS há-de obstinar-se em apoiar esse esfacelamento nacional, que será mais um álibi para a sua incompetência e mais uma saída para umas quantas fornadas de boys.
Com todos os seus problemas, eu prefiro, ainda assim, que se mantenha bem inteiro o "Portugalete" de que falava Tomé Pinheiro da Veiga na Fastigímia. É o meu país, é com ele que me identifico e é nele que me reconheço. É aqui que vivo e respiro os seus valores morais, intelectuais e afectivos, é aqui que falo a minha língua, que encontro a minha família, a minha atmosfera e a minha paisagem, é daqui que olho para o mundo, enfim, é aqui que alimento alguma esperança acaso ainda possível, apesar de ela ser um bem cada vez mais escasso nesta Lusitânia defraudada.
Para que Portugal continue a ser o meu país e o de tanta mais gente que pensa, sente e quer exactamente como eu, é necessário que a chefia do Estado nos acautele contra a repetição de aventuras que foram sendo cada vez mais perigosas, de actuações que se tornaram cada vez mais irresponsáveis e de mentiras que se vieram mostrando cada vez mais escandalosas.
Portugal tem vivido uma ficção de si mesmo fabricada sem escrúpulos pelo Governo. Para sair desse estado de coisas, este país avariado precisa de um presidente da República que saiba o que faz e que faça o que tem a fazer. Em Cavaco Silva já o encontrou.
Vasco Graça Moura, DN

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Portugal tem 3º menor crescimento da década no mundo

Portugal teve o terceiro menor crescimento económico do mundo na última década (6,47%), ganhando apenas à Itália (2,43%) e ao Haiti (-2,39%), numa lista de 180 países publicada pelo El País com base em dados do FMI. (...) DN

Daqui e dali... Henrique Raposo

A cultura da politiquice

Nas últimas semanas, a cultura da politiquice atingiu o seu pique aqui na Pátria. Para a elite política e "comentadeira", uma chantagem é apenas uma jogada. Os "José Sócrates" nascem e alimentam-se neste ambiente podre.
I. Já aqui escrevi várias vezes sobre o assunto, mas volto à carga: não temos cultura política, temos cultura de politiquice. Em "Lesboa", a política é reduzida a um mero jogo táctico, onde os factos, os números e os princípios não contam. Nesta "Lesboa" da politiquice, a política passa a ser apenas um concurso: "quem monta a esparrela mais suja ao adversário?". E, para cúmulo, a elite "comentadeira" (políticos-comentadores e comentadores-políticos) acha que estes esquemas são o ADN da política.

II. Nós últimos dois meses, ficámos a saber o seguinte: o governo não conseguiu controlar a despesa, mostrando incompetência e cobardia. Há um descalabro total nas contas. Um facto. Depois, perante as exigências da oposição, José Sócrates ameaçou demitir-se, caso o seu orçamento não fosse aprovado. Pior: dizia que não negociava, pois isso representaria governar com o orçamento da oposição. Outro facto. Um facto que mostrava, ao vivo e a cores, o autoritarismo (versão "quero, posso e mando") e a irresponsabilidade (versão "vou saltar do barco") de José Sócrates. Estes eram os factos que estavam em cima da mesa. Porém, a cultura da politiquice colocou toda a pressão em Passos Coelho (o PSD, de repente, passou a ser um partido que governa o país desde 1995). Mas, bem vistas as coisas, esta inversão do ónus acaba por não ser surpreendente: basta recordar a forma como Manuela Ferreira Leite foi desprezada.

III. Mesmo aqueles que perceberam a armadilha montada por Sócrates transformaram essa óbvia "chantagem" numa mera "jogada". A chantagem do primeiro-ministro era (e é) intolerável do ponto de vista política e moral. Mas nesta cultura da politiquice não existe moral, só existe um "relativismo" táctico que reduz tudo a esquemas e esparrelas. Não interessava qualificar a armadilha e a chantagem de Sócrates, só interessava saber se Passos ia cair na armadilha. Felizmente, Passos não fez esse favor a Sócrates.

IV. Um modo de vida está a acabar, um regime está em crise, mas a "Lesboa" do comentário não consegue passar da espuma dos dias, não consegue ver além do seu umbigo intriguista. Este ambiente politiqueiro, que une partidos e muitos media, é o tipo de ambiente que afasta o debate público dos problemas reais do país. É o tipo de ambiente que permite que um ilusionista, como José Sócrates, consiga passar vários anos sem responder, de forma directa, às perguntas que lhe são dirigidas. Só me lembro de uma verdadeira entrevista com José Sócrates. Não por acaso, os entrevistadores dessa foram apelidados de "mal educados" por muita gente. Na cultura da politiquice, encostar o primeiro-ministro às cordas é sinal de "má educação".
Henrique Raposo, Expresso

domingo, 24 de outubro de 2010

É desta!

Henrique Monteiro

Daqui e dali... António Freitas Cruz

De mentira em mentira até chegar o FMI
Quando Sá Carneiro morreu no ainda misterioso acidente de Camarate, abriu--se diante de Pinto Balsemão o labirinto habitual da política portuguesa: ele era o sucessor natural, mas a complicada teia das ambições, invejas e traições, dentro e fora do seu partido, não lhe deu sossego. Balsemão foi vencendo as conspirações, mas acabou por se demitir. Aí nasceu a célebre frase de vitória em vitória até à derrota final.

Ocorre-me a lembrança a propósito do Orçamento para 2011, que não me atrevo a analisar como especialista (que não sou), mas que seguramente vou amargar como aposentado neste Portugal financeiramente amordaçado (assim escreveria, noutros tempos, o patriarca Soares).

Também agora poderemos dizer que vamos de mentira em mentira até à bancarrota. Ainda há pouco mais de um mês, o ministro das Finanças (que desilusão!) garantia que as contas seguiam em linha com o previsto, ao mesmo tempo que o primeiro-ministro (que confirmação!) vociferava contra aqueles a quem chamava catastrofistas ou alarmistas, consoante a arrogância do momento. Era o tempo em que Portugal chegou a ser chamado por Sócrates campeão europeu do crescimento...

Foi por este caminho de falsidades que os portugueses foram conduzidos ao maior suplício dos tempos modernos. Aprovem lá o Orçamento, abram as portas ao FMI - mas não deixem sem castigo (político e não só) os responsáveis por estes crimes.

É que já basta!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Remodelação de escola avança no próximo ano

A Escola Básica 2,3 e Secundária de Carrazeda de Ansiães deverá entrar em obras no próximo ano ou, o mais tardar, até 2015.
Com três décadas de funcionamento, o estabelecimento de ensino sofre de alguns desajustamentos em relação às necessidades actuais e precisa urgentemente de melhoramentos nas instalações.
O presidente do Agrupamento de Escolas de Carrazeda de Ansiães confirma que a empreitada já está assegurada.
O parque escolar tem de estar concluído até 2015 e esta vai ser uma das escolas candidata para entrar em obra. Não sei se será em 2011 ou 2012, mas vai entrar” adianta Jerónimo Pereira.
O pavilhão gimnodesportivo chegou a estar encerrado temporariamente por falta de condições e só reabriu graças a pequenas obras feitas nas últimas semanas que permitiram que continuasse a funcionar.
Mas este é só um exemplo da degradação da escola.
Ela já tem 30 anos e precisa de obras urgentemente, uma remodelação geral” afirma. “O próprio pavilhão gimnodesportivo precisa de uma remodelação de fundo” acrescenta.
Quando as obras de fundo começarem, também será melhorada a ligação ao novo centro escolar, que acolhe o primeiro ciclo e jardim-de-infância.
Quando as obras estiverem a decorrer, vai haver uma ligação entre os vários edifícios e haverá também outras condições da cantina da escola sede para o centro escolar” explica.
Até 2015 a Escola EB 2,3 e Secundária de Carrazeda de Ansiães vai entrar em obras para melhorar as condições de ensino. CIR/Brigantia

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pouco mais de meio milhão de euros em PIDDAC para Bragança

O Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central, o chamado PIDDAC, volta a penalizar a região no Orçamento de Estado para 2011.
No distrito de Bragança, o PIDDAC baixou de pouco mais de quatro milhões e duzentos e sessenta mil euros, em 2010, para 656 mil euros em 2011.
Em Vila Real, sete dos 14 concelhos do distrito não foram contemplados com qualquer verba directa.
À semelhança do que sucedeu no ano passado, apenas quatro dos 12 concelhos do distrito de Bragança têm direito a constar deste plano de investimentos: Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro e Mogadouro. (...) Brigantia

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Juízes pagam "factura de terem incomodado boys do PS"

O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) disse hoje que a penalização que esta classe vai sofrer com os anunciados cortes orçamentais é a "factura" pelo seu trabalho em processos como o "Face Oculta" e "outros anteriores". DN

Música antiga no Douro até Abril de 2011

A TurelTCR - Desenvolvimento e promoção do Turismo Cultural e Religioso, está a promover no Douro a “Temporada de Música Antiga”. Esta iniciativa insere-se no projecto “Douro Religioso: Visitar, Conhecer e Reconhecer”, que visa aprofundar o conhecimento sobre o património religioso…
…do Douro, material e imaterial, conjugando o conhecimento, com a qualificação da visita turística e notoriedade turística desse mesmo património. Com esta temporada de música, composta por 18 concertos, a Turel pretende dinamizar o património religioso do Douro, atraindo turistas e população local para a descoberta da música antiga nos espaços religiosos emblemáticos do Douro. A iniciativa, que vai percorrer toda a região do Douro, com especial incidência na época das vindimas, Natal e Páscoa, teve início a 5 de Outubro e termina a 23 de Abril de 2011. Locais como a Sé de Miranda do Douro, a Sé de Lamego e a Matriz de Mogadouro serão o palco desta temporada de música, que abrange 14 concelhos da região demarcada do Douro, a saber: Lamego, Alijó, Moimenta da Beira, Carrazeda de Ansiães, Régua, Vila Real, Resende, Freixo de Espada-à-Cinta, Penedono, Miranda do Douro, Sabrosa, Tabuaço, Mogadouro e Torre de Moncorvo.
Notícias de Vila Real

Comunicado MCLT – 16 de Outubro de 2010

Comunicado MCLT – 16 de Outubro de 2010

As notícias vindas hoje a público sobre a Linha do Tua são um retrato fiel do estado actual da República: uma democracia falida moralmente. Nenhum mecanismo ou ferramenta consagrado nos mais diversos diplomas para a defesa dos interesses dos cidadãos passou incólume pelo ressuscitado crivo da censura e dos interesses de uns quantos poderosos, dentro e fora do Governo. É triste, lamentável, e definitivamente condenável que em 3 anos de estudos profundos, pareceres de especialistas, organismos e figuras públicas, opiniões de utentes e visitantes, e de dezenas de milhares de assinaturas reunidas contra a construção da barragem do Tua, basta que o querer de uma mão cheia de figuras indignas e execráveis e a inacção das instituições que regulam o bem-estar da Democracia derrube tudo, como um fatalista vendaval anunciado. O Vale do Tua caiu numa vil ditadura, pois nada do que aqui aconteceu nestes meses de amargura, incerteza e muita luta, se pode sequer confundir com o que seria possível numa verdadeira Democracia.

Estamos saturados dos subterfúgios, mentiras e censuras usadas para passar a ideia de que a Linha do Tua não tem passageiros nem é rentável, como se aliás pululassem na rede ferroviária nacional vias-férreas rentáveis, mesmo na Grande Lisboa e Grande Porto, ou inclusivamente o futuro CAV. O “Projecto de Proposta de Desclassificação da Linha do Tua”, da responsabilidade da REFER, baseia-se na procura da Linha do Tua no 1º trimestre de 2004, época de baixa procura, e como se tal bastasse para ser representativo da procura real e potencial da Linha, afirmando ainda que “se deve colocar a questão de saber se as necessidades de transporte público nas regiões por onde passa a Linha do Tua não podem ser satisfeitas, em condições mais económicas e mais eficientes para a colectividade, através da implementação ou do reforço de outros meios de transporte”. Sobre este documento em particular tecemos os seguintes comentários:

1. Desafiamos a REFER a refazer a sua análise mas com base na procura do ano 2000, que superou os 96.000 passageiros, o que não acontecia desde 1992, ano do encerramento infame do troço Mirandela – Bragança;

2. Lançamos ainda o desafio de se reabrir a Linha do Tua na sua totalidade até Bragança, criar uma rede de transportes integrada com o transporte rodoviário de passageiros e de mercadorias, estabelecer horários e ligações compatíveis com os dinamismos municipais e regionais, dar oportunidade à criação de uma empresa de turismo ferroviário intimamente ligada com o tecido turístico regional, e depois sim, ao cabo de 5 anos de experiência, afirmarem com a mesma desfaçatez ignóbil que “não se atingem os valores mínimos social e economicamente justificativos de manutenção de serviço público ferroviário”. Quanto a esta aberração, convidamos também o Conselho de Administração da REFER a vir a Mirandela expressar esta opinião aos utentes da Linha do Tua in loco, apontando qual o limite abaixo do qual não se justifica social e economicamente um serviço público;
3. É ilustrativo do desconhecimento e falta de interesse do Conselho de Administração da REFER colocar a questão da “alternativa mais viável”, uma vez que a CP oferece, e apenas apontando o caso da Linha do Tua, 122 quilómetros e 14 anos de experiência em como as necessidades de transporte público das populações servidas pela Linha do Tua não podem ser satisfeitas com outros meios, nem de forma mais barata, nem mais confortável, nem sequer mais segura que pelo comboio. É de facto lamentável que tal não seja já do seu conhecimento.

Quanto à aprovação do RECAPE da Barragem do Tua, colocamos apenas a mais simples reflexão, tanto ao cidadão comum, como ao Presidente da República, Ministério Público e demais instituições que zelam pela integridade da República: se já o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) concluía tacitamente que a Barragem do Tua é não apenas inútil como uma assassina do Desenvolvimento e da Coesão Territorial, e uma vez que o RECAPE veio acrescentar ainda mais pormenores escabrosos aos já identificados no EIA, qual é a justificação da Agência Portuguesa do Ambiente e do Ministério do Ambiente para aprovarem a construção da barragem? De novo: isto não seria possível numa Democracia a sério.

A luta pela Linha e pelo Vale do Tua não terminam aqui. Acções enérgicas serão ainda tomadas por todos quantos defendem este património, para além daquelas que já estão em marcha, como a classificação em curso da Linha do Tua como Património Nacional, que ao contrário do que afirmou a Ministra da Cultura é totalmente incompatível com a barragem, e como a possibilidade mais que séria da desclassificação do Douro Vinhateiro Património da Humanidade, ponderada pela UNESCO ao mais alto nível internacional. Mirandela, 16 de Outubro de 2010.
MCLT - Movimento Cívico pela Linha do Tua
http://www.linhadotua.net

domingo, 17 de outubro de 2010

Barragem aprovada dita fim da ferrovia

O presidente da câmara de Mirandela estranha o "secretismo" em torno da eventual aprovação do Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução da barragem de Foz Tua, anunciada pela Lusa, citando fontes relacionadas com o processo.

José Silvano diz ter sido apanhado de surpresa por estas notícias. "Não fui informado por ninguém sobre esta alegada aprovação, o que ainda é mais estranho porque o nosso município integra este processo desde a primeira hora", sublinha o edil.

Para além disso, os cinco autarcas dos concelhos que são atravessados pelo troço - Mirandela, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alijó e Murça - assumiram uma posição conjunta a reclamar que seja a EDP a suportar os custos da mobilidade das populações na zona, caso a construção da hidroeléctrica fosse aprovada. "Queremos saber como serão executadas as condicionantes impostas pelo próprio RECAPE", acrescenta.

O autarca social-democrata recorda ainda que uma das contrapartidas da EDP para os concelhos que vão ser abrangidos pela construção da barragem do Tua é a sua participação, através de um fundo financeiro, no nascimento de uma Agência Regional de Desenvolvimento. "Ainda nada nos foi dito, pelo que aguardamos por mais desenvolvimentos", sustenta o presidente do município de Mirandela na reacção à alegada aprovação definitiva do empreendimento e do parecer favorável "condicionado" ao RECAPE. Decisões que ainda não foram tornadas públicas.

Manuela Cunha, dirigente do Partido Ecologista Os Verdes (PEV) considera "lamentável" esta decisão, caso venha a confirmar-se, mas acredita que "ainda não significa um ponto final" no processo.
A primeira subscritora do movimento que conseguiu a abertura do processo de classificação da Linha Ferroviária do Tua como Património de Interesse Nacional, que teve parecer favorável do IGESPAR, em Junho, espera que a publicação em Diário da República possa servir para a suspensão da construção da barragem.

Manuela Cunha, avisa que, se for necessário "recorreremos para tribunal" para que "o valor patrimonial da Linha do Tua seja reconhecido de uma vez por todas e que isso sirva para repor a linha ao serviço do transporte das populações permitindo que seja um dos pilares do desenvolvimento turístico do vale do Tua", sublinha.

Recorde-se que a EDP não apresentou no RECAPE nenhuma proposta de alternativa ferroviária ao troço da Linha do Tua que ficará inundado. As alternativas vão passar pelos transportes fluviais (segmento turístico) e rodoviários (mobilidade quotidiana).
JN

Vem aí o homem do saco

Henrique Monteiro

sábado, 16 de outubro de 2010

Barragem está definitivamente aprovada e a linha do Tua será submersa

A construção da barragem de Foz Tua está definitivamente aprovada, com a conclusão do processo de avaliação ambiental que impõe algumas condições à EDP, mas aprova o empreendimento e a consequente submersão da linha do Tua.

Segundo soube a Lusa junto de várias partes do processo, há já quase dois meses que foi emitido o parecer favorável condicionado ao RECAPE (Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução), sem que ainda tenha sido tornado público.

"A apreciação ao RECAPE da barragem de Foz Tua ocorreu em agosto e o parecer favorável condicionado da APA, Agência Portuguesa do Ambiente, foi emitido no dia 26 (do mesmo mês)", adiantou à Lusa fonte daquele organismo.
Lusa

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Daqui e dali... Henrique Raposo

Uma vergonha chamada PCP

O Nobel da Paz foi entregue a um opositor democrático chinês, Liu Xiaobo. Na resposta, o PCP gritou de indignação. Eis a verdadeira face do PCP: uma força anti-democrática, que envergonha Portugal.

I. Em agosto, meio a brincar, escrevi: "o marxismo acabará em Cuba antes de desaparecer em Portugal" . Em setembro, rebenta a notícia: o comunismo cubano está a morrer, e as mudanças 'capitalistas' estão a caminho. Misteriosamente, este assunto não está a ser seguido em Portugal. Há uns aninhos, as nossas TVs estavam sempre a falar de Cuba (sobretudo do catarro de Fidel Castro). Mas agora não mostram nada. O PCP agradece o silêncio. Assim não tem de explicar por que razão o seu modelo político preferido está a morrer.

II. Na semana passada, depois de Liu Xiaobo ter recebido o prémio Nobel da Paz, o PCP disse o seguinte: este acto é um "golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre povos". Bravo. Um homem que luta contra a ditadura comunista não merece o respeito do PCP. Estamos a falar do mesmo PCP que passa a vida a invocar a PIDE para se sentir superior em relação aos outros partidos. Meus amigos, Liu Xiaobo tem uma "PIDE" à perna, está preso por uma "PIDE". Aliás, ao pé desta "PIDE" chinesa, a PIDE era brincadeirinha. A China ainda é um Estado totalitário. Já não mata aos milhões, como no tempo de Mao, mas a estrutura está lá. Mas, claro, o PCP não reconhece isto, porque o regime chinês é comunista, e os comunistas, como toda a gente sabe, não criam ditaduras.

III. Coisa ainda mais curiosa: é na China que existe o tal "capitalismo selvagem" de que tanto fala o PCP. O capitalismo sem regras, levado à força por um estado totalitário e sem qualquer base de estado de direito: eis a China em 2010. Curiosamente, o PCP defende o regime do "capitalismo selvagem".

IV. Nestas declarações sobre política internacional, o PCP torna explícito o seu desrespeito pela democracia. Mas, atenção, esse desrespeito também existe implicitamente dentro de casa. Dentro da nossa democracia, o PCP continua a pensar que a rua é mais importante do que a urna, continua a pensar que a democracia popular (a força demonstrada na rua) é mais importante do que democracia institucional (o peso real no parlamento). E isto criou um vício tremendo no nosso sistema político: Portugal dever ser o único país da UE onde é impossível a existência de um acordo de governação à esquerda. O PCP (e o BE) excluem-se do processo político, excluem-se do arco de governação, um facto que impede uma coligação de governo (PS/PCP, PS/BE) - a coisa mais normal em democracia. Por que razão isto acontece? Porque os nossos comunistas acham que o modelo de Cuba é que é bom. Um tema para outras conversas. Expresso

Obra inaugurada há uma semana já revela falhas

O novo Centro Escolar de Carrazeda de Ansiães tem falhas que não foram previstas, que prejudicam a comunidade escolar, e que agora vão obrigar a gastar mais dinheiro.
A autarquia já solicitou apoio à Direcção Regional de Educação do Norte.
O presidente da Câmara Municipal adianta que já está a tratar de corrigir os problemas que acabarão por se sentir mais quando o Inverno chegar.
Nada é perfeito. Algumas das deficiências foram detectadas pelas técnicas da DREN que fizeram a vistoria” refere José Luís Correia, acrescentando que “dentro das nossas possibilidades procederemos à correcção” dessas deficiências, nomeadamente “a cobertura do acesso ao bloco da EB2, à cantina, a área do recreio, WC’s e a eliminação de barreiras e arestas que possam causar lesões graves aos alunos”.
O governador civil de Bragança também já ouviu a reclamação do autarca e espera que seja possível corrigir o problema em breve.
Não há nenhuma casa que se acabe e que não se deva começar porque só no fim é que percebemos o que está errado” afirma Jorge Gomes, acrescentando que “há de facto aqui algumas críticas à arquitectura do edifico, mas que já estão a ser estudadas e estão coisas perfeitamente ultrapassáveis”.
Apesar de alguns problemas, o governador civil de Bragança, pensa que a reorganização do parque escolar no distrito de Bragança foi, no geral, positiva. Escrito por CIR/Brigantia

Engenharia financeira

Antero

Obras na linha do Douro isolam moradores em Foz-Tua

A Refer está executar obras de vedação da linha do Douro, junto à estação de Foz-Tua, em Carrazeda de Ansiães, que vai deixar cerca de vinte moradores sem acesso às suas casas. Dizem que passam à beira da via desde sempre e que não têm alternativa.
Para já está feito um muro baixo que "rouba" cerca de um metro à anterior delimitação, em prejuízo da passagem que há décadas é usada pelos populares para aceder às suas residências. "Se for preciso vir uma maca a casa para levar um doente nem tem por onde passar", atirou, ao JN, Maria de Fátima, logo corroborada por António Manuel: "Esta é a única saída que tenho". E por Fernanda Sequeira: "Toda a vida entrámos em casa pela linha. Se a taparem como vai ser?". "Só se for pelo ar!", ironiza António Santos. "Se houvesse aqui gente de peso como antigamente olhe que eles não abusavam assim. Iam eles e tudo na frente!", torna Fátima Sequeira.
A população já solicitou apoio ao presidente da Junta de Freguesia de Castanheiro do Norte, Sérgio de Castro, que levou o assunto à última Assembleia Municipal de Carrazeda de Ansiães. "Sinto-me revoltado com esta situação", sublinhou, já que apesar de as casas terem sido construídas depois da linha ferroviária, "já ali existem há muitos anos" e agora "vão pôr-lhe um muro à porta". Para além de que "nunca ali houve qualquer acidente". "A passagem de nível oferece mais perigo e ainda não automatizaram", acentuou.
Ironicamente desafiou os moradores ou a Câmara Municipal a "comprar um helicóptero para as pessoas poderem entrar e sair de casa". E, falando a sério, pediu à autarquia para interpor uma "providência cautelar em tribunal para que as obras não possam ser executadas". Em último caso, o protesto poderá passar por medidas mais arrojadas.
A Refer respondeu a um contacto feito pelo presidente da Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães, que "
tem todo o direito a fazer a obra e que estão a executá-la no domínio público da Refer".
Sobre a providência cautelar pedida pela junta, o autarca, José Luís Correia, explicou que a empresa ferroviária "pode executar as obras sem qualquer controlo por parte da Câmara" e que o regime especial que o permite "impossibilita o efeito útil de qualquer embargo municipal". E que no caso de a providência cautelar avançar a empresa ferroviária poderia vir a "invocar prejuízos que seriam imputados à Câmara". Como por exemplo, haver um atropelamento de alguém pelo comboio naquele local ou o empreiteiro ter de parar as obras que estão a ser executadas.
Apesar de condicionada, a Câmara vai estar "solidária e até à exaustão" com a Junta e com a população de Foz-Tua. E "se se verificar que está a ser levantado em terreno que não seja domínio público da Refer, o muro será demolido". Eduardo Pinto,
JN