Não tenho por hábito subir ao alto da montanha e ficar a ouvir o meu eco... Gosto bastante de quem tenha opiniões e leituras diferentes, como João Lopes de Matos, Carlos Fiúza, Hélder Rodrigues e agora Fernando Gouveia, para quem «o conjunto da obra é uma pertinente interrogação dirigida à sociedade do nosso tempo: as outras leituras da História e a necessária reflexão sobre o arremedo de democracia que vamos tendo», como se nos falasse (deixem-me ser abusivo na minha interpretação) mais do que com o voto em branco do Ensaio sobre a lucidez, do voto nulo no capitalismo selvagem que mata a Caverna, onde estão os oleiros deste e outros concelhos.
Quanto à questão que me coloca, não vou fazer como Francisco Louçã, que transformou a ausência do Presidente da República, numa ausência da ausência, efectiva presença, muito para lá da sua representação oficial.
O inglês Harold Pinter, Nobel da literatura de 2005, não teve nenhum membro do Governo, nem qualquer representante da Coroa, no seu funeral em 2008.
Quanto à questão que me coloca, não vou fazer como Francisco Louçã, que transformou a ausência do Presidente da República, numa ausência da ausência, efectiva presença, muito para lá da sua representação oficial.
O inglês Harold Pinter, Nobel da literatura de 2005, não teve nenhum membro do Governo, nem qualquer representante da Coroa, no seu funeral em 2008.
O galego Camilo José Cela, Nobel em 1989, não teve nem o primeiro-ministro nem o rei, em igual circunstância, ao ano de 2002.
Albert Camus, Nobel em 1957, não teve o presidente francês, em 1960...
Claro que não aprecio muito a versão Sousa Lara do nosso Presidente. Mas também o nº2 do regime, o socialista Jaime Gama, faltou... E, como afirmou José Manuel Fernandes, no Público, não me interessa ser polícia das consciências alheias. Pois vejamos o filme ao contrário: se fosse o político Saramago, na sua qualidade de candidato ao Parlamento Europeu, fosse mesmo eleito, por ex., a ter de ir ao funeral de Cavaco Silva será que ia? (Mesmo se «representante de todos os portugueses»?) Ou haveria muitos a dizer que seria coerente... Com o seu «azedume político»!
Gosto muito do escritor José Saramago e interessa-me muito a sua obra. Nunca quis conhecê-lo pessoalmente, até porque às vezes quando o fazemos, des_
fazemos a aura mítica com que vemos quem admiramos. E gosto de manter uma certa idealização.
Vitorino
Claro que não aprecio muito a versão Sousa Lara do nosso Presidente. Mas também o nº2 do regime, o socialista Jaime Gama, faltou... E, como afirmou José Manuel Fernandes, no Público, não me interessa ser polícia das consciências alheias. Pois vejamos o filme ao contrário: se fosse o político Saramago, na sua qualidade de candidato ao Parlamento Europeu, fosse mesmo eleito, por ex., a ter de ir ao funeral de Cavaco Silva será que ia? (Mesmo se «representante de todos os portugueses»?) Ou haveria muitos a dizer que seria coerente... Com o seu «azedume político»!
Gosto muito do escritor José Saramago e interessa-me muito a sua obra. Nunca quis conhecê-lo pessoalmente, até porque às vezes quando o fazemos, des_
fazemos a aura mítica com que vemos quem admiramos. E gosto de manter uma certa idealização.
Vitorino
Post Scriptum: João Lopes da Matos referiu a diferença do homem e da obra.
Recordo Céline, no mesmo sentido. Alguém tão anti-semita, mas que produziu aquela Viagem ao fim da Noite. - Como apagar tal obra com os seus de_
feitos humanos?
Recordo Céline, no mesmo sentido. Alguém tão anti-semita, mas que produziu aquela Viagem ao fim da Noite. - Como apagar tal obra com os seus de_
feitos humanos?











































