sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Movimento reivindica transportes alternativos à Linha do Tua

Elementos do Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua, recentemente criado em Codeçais, no concelho de Carrazeda de Ansiães, já foram a Mirandela reunir com o autarca local, José Silvano, para lhe dizer que podem contar com o seu trabalho para defender a reabertura da Linha do Tua.
Por outro lado, reuniram com o administrador da Sociedade Metro de Mirandela para lhe manifestar o descontentamento da população de Codeçais por não ter transportes alternativos ao comboio.
Ele passa a três quilómetros e meio da nossa aldeia” refere Armando Azevedo, acrescentando que “numa reunião com o administrador do Metro de Mirandela debatemos esse problema e eu propus que a paragem fosse em Codeçais porque a estação é em Codeçais e não no cruzamento da Brunheda”.
Armando Azevedo que a proposta foi acolhida pela Metro de Mirandela. “A minha proposta foi aceite” revela. “O administrador do metro mandou logo elaborar comunicados que eu já coloquei por aqui para o táxi vir aqui no caso de haver passageiros” pois “no comunicado está um contacto e no dia anterior as pessoas ligam a avisar que precisam de ser transportadas” explica.
O Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua a exigir a passagem por Codeçais do táxi alternativo ao metro, que não circula na linha, no concelho de Carrazeda de Ansiães, desde 22 de Agosto de 2008, dia em que uma automotora descarrilou perto da Brunheda, provocando a morte e uma pessoa e dezenas de feridos. CIR/Brigantia

Cidadãos criam outro movimento para defender manutenção da linha do Tua

Há mais um movimento de cidadãos a defender a linha do Tua.
Nasceu esta semana na aldeia de Codeçais, concelho de Carrazeda de Ansiães, e pretende despertar consciências para a defesa da ferrovia que ficará irremediavelmente inutilizada se avançar a construção de uma barragem na foz do rio Tua.
Graciela Nunes é uma das principais dinamizadoras deste movimento e explica que esta iniciativa “surge por este vai e vem de incertezas”. “Temos a memória colectiva. Há pessoas que choram porque a linha se vai embora” refere. “Em todo o mundo os comboios históricos são acarinhados. Porque é que nós não o devemos fazer?” questiona.
Graciela Nunes acrescenta que a causa já tem mais de uma centena de apoiantes em Codeçais e nas aldeias vizinhas, mas o objectivo é que continue a crescer.
Armando Azevedo está também na linha da frente deste novo movimento e assegura que não quer ver a linha morrer.
Passei nesta linha desde muito pequenino e até trabalhei nela. Dói-me ver o estado em que ela se encontra e assim não pode continuar” afirma. “Faço um apelo aos nosso representantes políticos para que olhem a sério para esta linha porque ela merece ser restaurada e continuar até Puebla de Sanábria” salienta.
Maria Dulce, Armanda Ferreira e Manuel Ferreira são outros aderentes ao movimento, mas enquanto elas defendem acerrimamente a reabertura da linha do Tua, ele começa a ter dúvidas que tal venha a acontecer.
Eu não sei se a barragem vai para a frente ou não mas acredito que quando uma casa fecha já não volta a abrir” considera Manuel Ferreira.
Maria Dulce diz que viajou muito na linha “para Mirandela, Bragança e para o Porto quando o meu pai estava doente por isso digo que tem de ser aberta”. Já Armanda Ferreira que tem “amigos no Luxemburgo que conhecem a linha acham que é uma pena fechar e por isso devem voltar a abri-la”.
Está formalizado o Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua, nascido em Codeçais, Carrazeda de Ansiães.
Já tem mais de uma centena de aderentes e promete preparar várias acções para cumprir os seus objectivos.
CIR/Brigantia

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Poesia e Expressão

O esteta francês Remy de Gourmont, que escreveu muita verdade sobre problemas de estilo, aconselhou um dia aos poetas: “qu’ils n’écrivent rien sans consultar l’oracle, - l’oreille,” isto é, “não escrevessem nada sem consultar o oráculo, o ouvido”.
Parece-me que este conselho do esteta é muito sensato, muito verdadeiro, e muito ignorado…
Dizem os técnicos da música que a música é a “arte de impressionar a alma por meio de sons, produzidos e combinados de maneira agradável ao ouvido”.
Ora, assim como a verdadeira música tem de agradar ao ouvido, assim também os verdadeiros versos terão de ter, fundamentalmente, expressão rítmica.
De contrário serão tudo menos poesia.
Os poetas, a meu ver, são aqueles que, sentindo a beleza, conseguem dizer-nos a sua expressão musical.
Não foi sem razão ou por mero acaso que, na forma primeira, o ritmo da poesia incluía a dança e a música.

A Arte poética é a expressão estética digna de traduzir os “sonhos” do nosso ideal.

A tal expressão convém só a modalidade formal que, por mais pura, é a mais digna da poesia: a expressão rítmica.

Penso que à verdadeira Arte poética é imprescindível um poder de atração formal, isto é, que o poeta precisa de possuir o dom de nos cativar pela palavra, para haver comunicação do sentimento do Belo.
Parece esta afirmação fácil, mas ela é necessária por haver críticos que julgam ser a poesia a arte de exprimir o sentimento do belo fazendo “caixinha” com as palavras.

Vou lembrar uma redondilha de Camões, assaz conhecida.
E é de propósito que escolho estes versos para ver se, apesar de tantas vezes escritos e ditos, ainda interessam ao nosso gosto:

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai formosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Saínho de chamalote:
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura;
Vai formosa, e não segura…

Indago: Onde está a beleza destes versos?
Só no tema escolhido?
Suponho ter de ser negativa a resposta, porque vendo bem, muitas Leonores e outras lindas raparigas foram antes e continuaram a ir depois, pela verdura, à fonte.
Descalças ou calçadas, com o pote à cabeça, ou não, de cabelos loiros ou pretos, quantas e quantas não mereciam versos que tais?

Sim, é de supor que às fontes de Portugal tenham ido graciosas raparigas e que muitos Luíses as hajam visto e imaginado que sobre elas ia caindo uma chuva de graciosidade.
Mas a verdade é que nem todos esses Luíses foram aquele outro Luís que era de Camões!
Amigo Vitorino,
Feliz pelo seu regresso, agradeço a sua intervenção, como agradeço tenha compreendido o meu “subir à montanha”.
Abraço,
Carlos Fiúza

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A boa-nova

Henrique Monteiro

Condicionantes à barragem do Tua sem cumprimento

O partido ecologista "Os Verdes" garantiu ontem, em Bragança, que as 12 condicionantes impostas pela Declaração de Impacto Ambiental (DIA) ao projecto de construção da barragem de Foz Tua não estão a ser cumpridas pela EDP. O partido considera que a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) foi "aligeirada e lesada".
Denunciaram que não está estudado o impacto do empreendimento sobre o Alto Douro Vinhateiro, classificado como Património da Humanidade pela UNESCO.
Também o plano de mobilidade alternativo ao troço da linha que vai ficar submerso “não terá a mesma funcionalidade que a actual linha de comboio”, explicou Manuela Cunha, dirigente de ‘Os Verdes’, uma vez que o apresentado pela EDP é uma “confusão” e para se fazer uma viagem entre o Tua e Mirandela é necessário fazer viagens no comboio do Douro, de autocarro, barco e depois no comboio do Tua, isto na versão para os turistas, sendo que para os residentes ainda se incluem viagens de táxi. “Os estudos exigidos em fase de RECAPE só tornam mais visível os impactos brutais e foram sempre escondidos”, acrescentou a dirigente.
O facto de as instalações da barragem não estarem incluídas no paredão como na maioria dos outros empreendimentos, estando previstas para a zona próxima da área classificada, é motivo de grande preocupação para os Verdes, que temem que a UNESCO venha a retirar a classificação.
JN

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Revivalismo(s):
Barclay James Harvest, em Gaia

Fui assistir ao concerto único, “Reviver os 70”, no espaço ao ar livre junto ao Mosteiro da Serra do Pilar, onde no ano passado tocaram sob o mesmo tema revivalista os The Animals...

É importante primeiro esclarecer que os Barclay James Harvest começaram há 44 anos, em 1966. E que, após o desmembramento da formação inicial, em 1998, os elementos principais da banda voltaram a juntar-se, mas divididos em duas bandas: John Lees' Barclay James Harvest e feat BJH. Les Holroyd, que a marca, digo, a matriz até dá para duas filiais. Assim, para um lado partiram John Lees (voz e guitarra) e Woolly Wolstenholme (voz, teclados, mellotron e guitarra), e, para o outro, o baixista Les Holroyd e o baterista Mel Pritchard, até à morte deste, em 2004. O baixista continua, agora, usando a solo a marca BJH... Com

ambos os grupos recuperando a “velhos” sucessos, apresentando também novos temas. Bom,

resta dizer que assisti à metade John Lees' Barclay James Harvest, mas, se a outra metade fosse, também seria a mesma fusão de rock com música clássica, embora aquela (esta) metade (a que assisti) bem haja Woolly Wolstenholme, exímio executante de mellotron, o órgão electro-mecânico celebrizado pelos BJH e que se tornaria símbolo do rock progressivo nos anos 60 e 70, ao simular o som de uma orquestra.

Resta responder à questão central - mas será que tal música se mantém actual ou apenas em culto de fiéis revivalistas?

A resposta não é fácil. Ainda por cima, eu, que nunca fui tocado pela sua música, como ao género pela dos Genesis, Van der Graaf Generator, Yes, Pink Floyd... Tentando manter a cabeça fria, direi que o melhor dos Barclay são as melodias vocais e algumas harmonias instrumentais. Que o som da guitarra me lembra a de Andy Latimer dos Camel, por quem me senti mais afim, embora a influência possa ser a inversa... Relembro também que o teclista Peter Bardens, deste grupo, faleceu em 2002. Agora,

o mais datado é mesmo a parte rítmica. Que a bateria tem sofrido ao longo das últimas décadas uma grande evolução.

VAV

A mais vergonhosa impunidade

Henrique Monteiro

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

País - Três incêndios activos, vento é um problema no combate às chamas - RTP Noticias, Áudio
A noite não trouxe descanso aos bombeiros que combatem o fogo no norte do país. Esta manhã são três os incêndios por dominar. O fogo perto de Formigueiro no concelho de Terras de Bouro, Braga, já arde há mais de 24 horas. Estão lá 88 bombeiros, 22 veículos e três meios aéreos. No distrito de Bragança o fogo de Milhais, concelho de Mirandela, já foi dominado. Mas o incêndio em Marzagão, Carrazeda de Ansiães, está a dar mais trabalho. O comandante distrital de Bragança, Carlos Alves, diz que o vento pode vir a ser um problema.

daqui e dali... Carlos Fiúza

O Homem… esse não convivente!

Um S. Francisco de Assis poderia chamar, com propriedade, convivente aos bichos da terra, mansos ou ferozes, nocivos ou não, porque a nocividade de tais bichos era vencida pela santidade desse homem.
Porém, os outros homens serão, na realidade, conviventes em relação aos bichos que povoam a terra?Pois se os homens entre si não convivem, na maioria, senão como lobos uns dos outros, consoante testemunhou Plauto, no dito que se tornou célebre - homo homini lúpus, muito menos convivem com os outros bichos terráqueos.
Schopenhauer afirmou, que quanto mais lidava com os homens, mais apreciava os cães. Aqui temos um caso, em que é lícito dizer que o homem encontra melhor convivência com os cães do que com o semelhante.
Tudo isto, se considerarmos a palavra convivente no sentido habitual registado pelos bons léxicos (por exemplo, Aulete, que dá a convivente o sentido de “que vive com outrem em relações de amizade”), nos impede o emprego generoso de convivente em relação aos seres viventes connosco na Terra.
É que já no latim convivere tomou sentido tal de familiaridade que até se aplicava na significação de comer juntamente.Se, portanto, em conviver, e em convivente está impregnada a intimidade, a familiaridade, segue-se que apenas Jesus Cristo, S. Francisco de Assis e poucos mais têm direito a ser considerados conviventes, porque só eles conviveram, de facto, pelo amor, com toda a bicheza, incluindo o bicho homem.
Os seres que vivem ao mesmo tempo e no mesmo torrão do espaço, nesta nossa Terra, neste nosso Globo, não convivem porque vivem luta aberta ou disfarçada uns contra os outros.
E já nos lembrava o Padre António Vieira que os homens e os peixes se comem uns aos outros… logo, não convivem!
Então, se Deus existe… Ele não me tirará o “sonho” de querer ser livre… deixar-me-á “sonhar” que podemos viver… convivendo!
Se assim não for…Então Deus só pode ter sido uma criação humana! …Os homens terão sempre necessidade de inventar Alguém a quem culpar pelas suas culpas…
Apupem-me, chamem-me"idealista", "visionário", até... mas não me tirem a "minha loucura"...
Carlos Fiúza

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

“Neurobióticos”
O mundo anda encantado com palavras novas que correm de boca em boca carregadinhas de esperança para os que sofrem de terríveis “males”.
Essas palavras fascinantes são os “neurobióticos” e principalmente - “visão curta”, “aventureirismo”, “facilitismo”.
Na verdade, podemos dizer que estamos na idade desses “neurobióticos”, e já outros se anunciam, com mais ou menos feliz confirmação.
Já se fala num "neurobiótico artificial” ainda mais poderoso, a “burriocitina” que, segundo os especialistas “pode abrir uma nova era na luta do homem contra a doença”.
Diz-se que esta droga destrói os "organismos" responsáveis pela “cretinice”, “miopia” e “estatísticas para inglês ver”(além do tifo, da tosse convulsa, da malária, e não garanto se contra a “catarata”, também).
Não me cabe acreditar ou não, porque sou leigo em assuntos médicos.
Como estudioso e investigador de termos “científicos”, apenas quero estudar o aspeto linguístico destas maravilhas da nossa época, procurando dissecar o corpo filológico de tais vocábulos.
Estas palavras - “visão curta”, “aventureirismo”, “facilitismo”, (não esquecendo a “burriocitina”), etc. - como se formam e que querem dizer?
É inútil, por enquanto, ir consultar dicionários portugueses, porque eles ainda não trazem esses termos recém-nascidos.
E as próprias obram lexicográficas estrangeiras mais recentes, ou trazem elementos escassos ou nada trazem acerca destas palavras.
É por isso tentadora a investigação dos termos sobreditos, virgens de contactos filológicos…
Há séculos, se não milénios, que o homem procura vencer estas doenças.
E nessa luta surgem palavras, morrem palavras, prestigiam-se umas, esquecem-se outras e até algumas caem nos dizeres do “escárnio” expressivo.
Em tempo: Ter em conta que o papel dos “antibióticos” é o combate aos “microrganismos”, os “micróbios”…
Carlos Fiúza

Barragem do Tua: “Está-se a perder demasiado tempo”

O presidente da Câmara de Mirandela, José Silvano, considera que o Governo está a perder tempo e dinheiro ao não tomar uma decisão definitiva, seja pela manutenção da Linha do Tua, seja pela construção da barragem.
Depois do parecer favorável do IGESPAR para a abertura de um processo de classificação da Linha do Tua a Património de Interesse Nacional e das declarações da ministra da Cultura, que já disse que a linha não vai interferir com a construção da barragem, José Silvano afirma que o Governo tem de tomar uma decisão definitiva quanto à barragem de Foz Tua.
José Silvano diz que se está a perder demasiado tempo. “Está-se a desperdiçar demasiado tempo e, quanto mais tempo passar, mais cara vai ficar a manutenção e a consolidação da Linha do Tua. Se a sua manutenção e conservação já custa hoje, segundo o ministro das Obras Públicas, 150 milhões de euros, quanto mais anos passarem mais degradada ficará e mais dinheiro custará a todos os contribuintes portugueses e, por isso, não compreendo a atitude do Governo. Bastava uma decisão”.
O Instituto de Gestão do Património Arquitectónico deu um parecer favorável a um requerimento para a Classificação da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional e, no mesmo dia em que foi apresentado, sexta-feira, a ministra da cultura, Gabriela Canavilhas, afirmou que a Linha do Tua não vai interferir com a construção da Barragem.
José Silvano considera que as declarações da ministra são graves, quando o IGESPAR ainda está a estudar a possibilidade de elevação da Linha do Tua a património de interesse nacional. “As declarações da ministra, politicamente, são muito graves – não só pela questão do Vale do Tua, mas pelo geral do que disse. Se uma paisagem é neste momento objecto de um processo de classificação, a ministra só tinha, nesta altura e preocupada com a cultura como está, dizer que, enquanto isso não estivesse resolvido não podia mais avançar a barragem, porque iria destruir esse projecto de interesse nacional”.
Apesar de sempre ter manifestado uma posição contrária à construção da barragem, José Silvano diz que vai aceitar qualquer que seja a decisão política sobre a construção da hidroeléctrica. “A Câmara de Mirandela é muito clara – prefere a linha à barragem. Agora, isso obriga a uma decisão política governamental. Quando essa decisão for tomada, a Câmara de Mirandela não vai para tribunais contestar essa decisão”. RBA
Público

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Poesia e Ciência

Deixem a minha mente poetar, sonhar, vaguear… se preciso for para além da ciência!

Que é a poesia? Que é verso?

Para mim, poesia é a intuição da beleza… sendo o verso a sua expressão rítmica!

Ora, assim como a verdadeira música tem de agradar ao ouvido, assim também os verdadeiros versos terão de ter, fundamentalmente, expressão rítmica…

Terá o telescópico ritmo, som, harmonia? É possível… o Espaço é imenso e infindo, como infinda é a minha imaginação!

Claro que também a ciência terá o seu ritmo, a sua melodia… o seu intraduzível “mistério” e beleza.

Só que a poesia transmite-me uma beleza diferente… consegue dar-me expressão musical, como a música e a dança!

A arte poética traduz os sonhos do meu ideal, as minhas frustrações, as minhas alegrias… cativa-me pela palavra e arrasta-me para o Belo!

A ciência terá muito de belo, também… mas numa linguagem diferente, quiçá não menos bela.

Mas não tem “alma interior” expressiva por meio da qual me imprima poder rítmico… não impressiona os meus ouvidos, ainda que se reflicta também, agradavelmente no meu coração, onde está em potência o sentir da Estética, o riso,as lágrimas... o sonho!

Quero poder sonhar... poder sofrer... poder ser "livre"...
Sonho que sou um cavaleiro andante,
Por desertos, por sóis, por noite escura…”
C.F.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Deuses (II) – Imaginação e Palavras
Eu não sei se concordarão comigo, mas sempre me afoito a dizer o que estive cogitando e passo a demonstrar:
- A verdade nua e crua é muitas vezes inimiga da poesia. Refiro-me à verdade científica, inimiga da imaginação.
Os antigos eram muito mais poetas do que nós hoje somos, quando, por exemplo, olhamos para o céu através das lentes da ciência.
Que poesia há em olhar, fria e cientificamente, para as Estrelas, para a Lua ou para o nosso amigo Sol, classificando-os hirtamente de astros, sem lhes atribuirmos aqueles enredos poéticos da mitologia, que punha o sol-rei a passear de carro, conduzido por um tal Apolo e tirado por quatro cavalos; ou qualquer outra imagem, como a de se figurar a deusa Lua chorando lágrimas de luar, etc., etc.?
Bem sei. Haverá a poesia de um Deus, criador desse universo maravilhoso, é certo; mas eu estou a referir-me à poética imaginação dos antigos, que dos próprios astros fazia deuses humanizados.
Quando, menino e moço, comecei a estudar História Universal, foi com o coração encantado que vim a saber que os povos primitivos, considerando o Sol o mais poderoso dos deuses, o alçavam à categoria de um Deus.
Como era poética a religião dos antigos para com o Sol!
Com que admirativa simpatia eu não aprendi, por exemplo, que a principal divindade dos Egípcios “era um deus-sol, criador, benéfico e omnisciente”, o qual existia “desde o princípio”! Esse deus formava com a mulher (a Lua, já se vê) e o filho uma trindade que todos os Egípcios adoravam com nomes diversos.“A tradição referia que Osiris, o Sol, foi morto por Set, deus da noite; Isis, sua mulher, chorou-o e sepultou-o; Hórus, seu filho, que representava o Sol nascente, vingou-o, matando o assassino.”
Esta mui poética explicação do morrer do dia, da triste noite enluarada e da manhã radiante, vencedora das trevas, foi, confesso-o um poderoso motivo da minha simpatia pela imaginação dos povos da antiguidade.
Está claro que eu nunca me acreditei na lenda encantadora de Osiris, como nunca jamais considerei o Sol com poderes de majestade divina. Mas, como quer que fosse, eu achava encantadora a lenda egípcia do dia, da noite, e do dealbar do outro dia.
Foi grande o meu desconsolo quando, prosseguindo os estudos, aprendi um dia que a Ciência conjeturava haver a Terra sido também um Sol que arrefeceu, ou ter-se dado o caso de o nosso Planeta haver resultado de alguma desagregação solar.
A consolação única era esta, que a mim próprio sugeria - mesmo assim, se a Terra mais não é que uma velha estrela apagada, resta-nos a ideia de um Criador de todas as estrelas criadas. E, assim, no Deus das estrelas, era reencontrada a poesia!
Nós hoje não acreditamos que o Sol, à noite, é morto; que a Lua vem chorar a perda do esposo e que o filho, rompente o dia, vinga seu Pai, e continua seu mister de iluminador do mundo.
Não, hoje não acreditamos nisso.
A luz da ciência, no decorrer dos tempos, venceu a luz do Sol, quero dizer, as observações astronómicas revelaram ao homem que o Sol não era o deus que os antigos imaginavam. Desfizeram-se as lendas! Mas, olhai, a palavra dos homens traz sempre o selo das passadas ideias …
A História repete-se, e com a História se repete a insensível cópia espiritual da formação de outras lendas ou de meras suposições parecidas.
Apesar desse destronamento solar, o perfume poético do passado ainda perpassa em muitas formas da expressão dos nossos dias.
E, assim, a querida e bela e expressiva Língua portuguesa, parecendo que não, está impregnada de poesia na nomeação das alternâncias de luz e de trevas, e do regresso da luz também por um simbolismo parecido com o da ingénua explicação dos homens de outrora,
Na verdade, nós hoje ainda admitimos que o Sol nasce, e destarte, por figuração catacrética, irmanamo-nos aos antigos povos na imaginativa ideia de um surgir por nascimento.
Foram os Latinos que nos transmitiram esse processo simbólico de falar, como se vê pelo termo oriente.
Oriente veio-nos do particípio presente latino oriens, orientis, do verbo orior, cujo significado é - nascer. (A nossa palavra oriundo, isto é, originário, proveniente, veio também deste mesmo verbo orior).
Quando empregamos oriente e nascente, como sinónimos de leste, continuamos no recurso à imaginosa expressão secular, que põe o Sol a nascer.
O modo português de dizer Sol nascente difere, por exemplo, das equivalências de outras línguas europeias, como o francês, que diz, - le soleil levant, o inglês, que diz, - the rising sun. (Note-se que também dizemos como sinónimo de oriente o levante).
Mas, quando o Sol, depois de cumprido o seu trabalho de luz e calor sobre a Terra, se vai, em ilusória caminhada, para debaixo da linha do horizonte, nós dizemos que ele se põe, como se fora descansar.
Le soleil couchant, the setting sun - afirmam Franceses e Ingleses, com igual poesia.
A poética ideia antiga de que o Sol ia morrer está presente na palavra ocidente. Nesta palavra nos legaram os Latinos a ideia de queda e de morte, porquanto occidens, occidentis veio de occido, cair, tombar morto. (O ocaso derivou deste mesmo verbo, e o significado etimológico é - queda, morte).
Como se vê, o poder de imaginação dos antigos era tal que ainda hoje perdura, apesar de a Ciência ter desvendado muitos mistérios e matado muitas ilusões. Aliás, a própria imaginação, a própria poesia podem levar à estrada da Verdade ...
Os povos orientais, adorando as estrelas, fomentavam os estudos astronómicos. Dessa adoração nasceram muitos conhecimentos, porque para conhecer é preciso olhar.
Mas, ainda que assim não fosse, todos nós, os que somos mendigos da Beleza, só gratidão devíamos ter para com a imaginação mitológica pelas benesses recebidas no expressar literário e até no expressar correntio.
A voz dos poetas de Portugal mostra bem que tanto melhor se poetizam as expressões, quanto mais se recorre às ingénuas crenças dos antigos que povoavam os céus de lendas, de imaginárias ações de seres imaginários.
Exemplos? São às mãos cheias.
Abro o livro de Sonetos de Luís de Camões, e, após breve busca, logo encontro a poesia de um céu amanhecente, expresso pela formosa perfiguração assim ideada:

“Já a roxa e branca Aurora destoucava
Os seus cabelos de oiro delicados,
E as flores os campos esmaltados
Com cristalino orvalho borrifava;

Quando o formoso gado se espalhava
De Sílvio e de Laurente por os prados …"
O Sol já não é Deus, mas um deus. Ele impera, claro ou oculto, em toda a vida humana, em altos cogitares ou simples casos ou atos quotidianos.
Que é o Dia, que é a Noite, que é o Tempo, senão brincadeiras do Sol?O Sol joga o esconde-esconde com os homens. Aparece, e eles dizem que é dia. Esconde-se, e eles dizem que é noite. E tudo regulam por ele. E tudo dizem por ele, e com ele.
Eles estão contentes, e mostram que brilha o Sol da alegria. Eles estão tristes; logo se queixam, porque vivem a noite da tristeza.
A manhã, o meio-dia, a tarde, a tardinha, a noite, a madrugada, o alvorecer - quantas e quantas vezes não servem estas palavras de pontos de referência no jogo da nossa vida?!
E quanto mais natural é a vida mais o Sol entra no falar das gentes.
Ide ao campo e ouvi como fala o Povo … ouvi até as suas próprias juras:
- Juro pela luz dos meus olhos; juro por estes dois que a terra há de comer; juro pela luz que me alumia …

A nossa Língua está cheiinha de termos e dizeres, velhinhos de séculos, todos inspirados no olhar para o céu em momentos ora de luz rompente, ora de luz plena, ora de luz, que se vai para fenecer.

Se é a Terra que gira à volta do Sol e não este à volta daquela, nem por isso cai em impropriedade quem disser, por exemplo, que o Sol descreveu no céu a sua curva luminosa, ou quem versejar, como a Marquesa de Alorna versejou:

“Vai a fresca manhã alvorecendo,
Vão os bosques e as aves acordando,
Vai-se o Sol mansamente levantando
E o mundo à vista dele renascendo.”

Bela ingenuidade a do Povo e bendita a imaginação humana, quando elas põem o matiz da Poesia no Céu, na Terra, na Lua, nas Estrelas!

Carlos Fiúza

Justiça KO

Daqui e dali... João Lopes de Matos

VISÕES
Vindo das profundezas da eternidade do passado, DEUS, num determinado momento, sentou-se e viu-se só. Acho que nem anjos (melhor, nem anjos,arcanjos, querubins ou serafins) o acompanhavam ainda.
Sentou-se, pensou e decidiu.

Para não estar só, decidiu formar o mundo, com terra, céu e, pelomenos na terra, com pedras, plantas, animais e, por fim, o homem. A este deu-lhe uma coisa, que não deu a mais ser algum: uma alma, julgo que para, com o conjunto delas, conviver no céu. Mas pôs condições para admitir as almas à sua presença: era preciso que o homem tivesse determinadas qualidades, sobretudo a de ser desprendido dos bens terrenos, já que a verdadeira e eterna felicidade estaria no céu, reservada às almas que a merecessem.
Formou logo a terra e os seres que a habitam, com as características que hoje qualquer ser humano normal neles observa. Já bastante tarde, verificou-se que, afinal, Deus fez muito mais e mais complexo. E descobriu-se que Deus submeteu tudo a determinadas leis: as leis da natureza.
Durante muito tempo, pensou-se (pensamento quase unânime) que Deus punha e dispunha, falava com frequência com o homem (tu cá, tu lá) e cumpria ou não as leis da natureza, como bem entendesse.
Apareceram há pouco pessoas, que chegaram à conclusão de que Deus fez o mundo sujeito a leis inexoráveis e, depois, deixou que essas leis governassem os fenómenos naturais ou humanos. Deus fez e, depois, deixou que as leis ditassem as suas regras, cegas, rectilíneas, quantas vezes injustas ou até cruéis, sem noção do bem e do mal.
Há menos tempo ainda , apareceram pessoas, que disseram que, afinal, tudo surgiu por acaso e pelo efeito do entrechoque de umas realidades com outras realidades.

As três visões apresentam aspectos difíceis de entender: na primeira, Deus aparece-nos quase como humano, senta-se, decide, fala e governa directamente; na segunda, Deus fez tudo e deixa que as leis governem; na terceira, já nem Deus existe, só a natureza e as suas leis.

Tudo isto é tão difícil de entender (a nossa mente não consegue chegara um entendimento) que o melhor é deixar passar o tempo, para vermos, na hora própria, como as coisas serão.
Entretanto, que venha o diabo e escolha.
Não cheguei a falar nesta última personagem, mas fica para outra vez.

João Lopes de Matos

Defensores da Linha do Tua dizem que Ministra da Cultura está “a pôr o carro à frente dos bois”

Está aberta a polémica com a classificação da Linha do Tua como Património de Interesse Nacional.
Apesar do despacho do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico (Igespar) para abertura do processo de classificação, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, a quem caberá a decisão final, já veio garantir que a linha “não vai interferir com a barragem”.

As declarações de ministra, feitas na última sexta-feira à margem da inauguração do museu do Côa, deixaram, no entanto, os subscritores do requerimento eu abriu o processo de classificação com os cabelos em pé. Manuela Cunha, primeira subscritora do documento, diz que são declarações “preocupantes” e precipitadas.
Estas declarações são preocupantes porque a senhora ministra assume a barragem como um acto consumado quando isso não é verdade e ainda decorre um processo de consulta pública de estudos de impacto ambiental até ao dia 6 de Agosto.”
Num parecer a que a Brigantia teve acesso, a Direcção Regional de Cultura do Norte esclarece que votou contra a barragem na avaliação de impacto ambiental, por considerar que a linha do Tua tem “um valor patrimonial de excepção”.
No entanto, o mesmo documento sublinha que “a existência de um bem classificado ou em vias de classificação não constitui um impedimento taxativo para a concretização do projecto”, apontando antecedentes como o castelo da Lousa, no Alqueva, e o Sítio de Cidalhes, no Sabor.
Isto quer dizer o quê, segundo o relatório, o Governo, o Igespar, a ministra da Cultura, mesmo com o bem classificado, poderiam autorizar a construção da barragem. Têm é de explicar em que é que o Governo se baseia para essa decisão. A lei de bases do património impede que haja obras no mínimo até à decisão final e se há um bem que é de interesse nacional, terá de haver um outro interesse nacional a sobrepor-se ao primeiro”, explica. Ou seja, os requerentes da classificação da linha do Tua até admitem que a decisão da ministra da cultura pode vir a ser contrária às suas pretensões, uma vez que é uma decisão política.
Mas avisam que vão continuar a lutar.
Se os políticos com lugares de governação deste país nos desiludirem, não teremos problemas de recorrer aos tribunais para fazer valer a nossa razão, para além de continuar a travar a luta junto das populações.”
Até porque consideram que o despacho do Igespar que deu origem à abertura do processo de classificação, é uma vitória para aqueles que defendem a continuidade da linha.
É visto pelos requerentes como algo de muito positivo. Este despacho é sustentado num relatório onde é assumido que a linha do Tua tem um valor patrimonial de excepção nos domínios histórico, social, técnico e paisagístico”, sublinha.
A EDP, que já abriu o concurso para a construção da barragem do Tua, continua sem fazer comentários.
Brigantia

Chumbar ou não chumbar...


Henrique Monteiro

FARPA arrancou ameaçado pela crise

Em Pombal de Ansiães começou este fim-de-semana o FARPA. Um festival de artes que já vai na 13ª edição e que este ano tem dez dias de actividades diversas.
A Associação de Pombal de Ansiães, que organiza o FARPA, promete não o deixar morrer, apesar das dificuldades de financiamento por causa da crise:
Todos os anos debatemo-nos com esse problema mas arranjamos forças há última da hora para fazer o festival. Este ano as instituições atrasaram-se um bocadinho a darem-nos alguma parte do dinheiro. Algum até nem veio mas temos a certeza que as candidaturas foram deferidas”, explicou Fernanda Cardoso, a presidente da Associação de Pombal de Ansiães, que não quer deixar acabar o FARPA porque nesta aldeia do concelho de Carrazeda de Ansiães o teatro faz parte da vida da população há muitas décadas.
Casimiro Calvário é um dos actores de antigamente. Pensa que o festival deve continuar a fazer parte dos eventos da freguesia, embora pense que a adesão popular já foi maior:
O festival deve continuar até porque dá nome à freguesia. Mas devia ser só há noite, durante o dia as actividades são poucas. No princípio era melhor do que agora. Agora as pessoas já não aderem tanto.” Fernanda Cardoso concorda que a juventude nem sempre adere como seria desejável:
Acho que os jovens andam um bocadinho perdidos, preferem os cafés. Preferem o teatro do que música. Para trazer os músicos chamativos para os jovens pedem-nos muito dinheiro”, explica.
A 13ª edição do Festival de Artes FARPA, que vai decorrer até o próximo dia nove de Agosto, apresenta muito teatro, concertos musicais, poesia, pintura, danças, workshops, entre outras actividades.
CIR/Brigantia