
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Movimento Cívico acusa ministro dos Transportes de «total desrespeito»
O Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) acusou hoje o ministro dos Transportes de «total desrespeito» pelos habitantes do vale do Tua por ter faltado à audição, na Assembleia da República, sobre a ferrovia transmontana.A reunião da Comissão Parlamentar de Obras Públicas para ouvir o ministro foi agendada por iniciativa do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e estava marcada para sexta-feira, mas António Mendonça não compareceu.
O MCLT manifesta, em comunicado, “a sua indignação pela atitude de total desrespeito manifestada pelo ministro para com a Assembleia da República e, sobretudo para com os habitantes do vale do Tua, com a sua ausência inesperada”.
O movimento questiona também a tentativa de o ministro se fazer substituir pelo secretário de Estado dos Transportes e a posição da deputada socialista e ex-secretária de Estado, Ana Paula Vitorino, que acusou os partidos da oposição de quererem fazer “chicana política e de não estarem interessados em ser esclarecidos ao rejeitarem a substituição”.
“Se o secretário de Estado está tão a par da realidade das vias estreitas do Douro, o que se passou então no lamentável episódio de Abril último, em que manifestou total desconhecimento sobre a situação da linha do Corgo, enquanto recebia três autarcas trasmontanos servidos por esta via?”, questionam os defensores da ferrovia.
Para o MCLT, “este tem sido o modus operandi deste e do anterior Governo, que tudo têm feito para se esquivarem a perguntas incómodas sobre um tema para o qual não conseguem arranjar nenhuma base de sustentação - a construção criminosa da barragem do Tua - agindo assim à margem da democracia e numa linha que se confunde de forma notável com a de uma qualquer ditadura”.
A linha do Tua esta encerrada na maior parte da sua extensão há quase dois anos, desde o acidente de agosto de 2008, o último de quatro acidentes com outras tantas vítimas mortais.
Entretanto recebeu “luz verde” a barragem de Foz Tua que vai submergir 16 quilómetros da via férrea.
De acordo com informações prestadas pela EDP à Lusa, a empresa deverá concluir ainda este mês a entrega de toda documentação exigida pela Declaração de Impacto Ambiental.
Uma das obrigações impostas é o estudo de mobilidade na zona afetada, incluindo a alternativa ferroviária que a EDP descarta apontando como alternativa à perda do comboio, as viagens de barco e de autocarro.
Toda a documentação apresentada pela EDP será analisada pela Agência Portuguesa do Ambiente e competirá ao Governo decidir se a barragem avança e a linha do Tua encerra ou não definitivamente.
O MCLT classifica de ”indesculpáveis os atrasos em relação à linha” e responsabiliza o Governo pelos “avultados prejuízos que a situação está a causar à Câmara e ao Metro de Mirandela, que assegura o transporte na via ao serviço da CP.
“Têm suportado estoicamente custos motivados pela cobiça do Governo e da EDP por impedir ou dificultar ao máximo a deslocação diária de centenas de passageiros locais, e pelo decréscimo do número de turistas que se deslocam na Linha do Tua e do efeito que têm sobre o comércio da região”, refere.
O movimento exorta os “responsáveis políticos a terem vergonha e sentido de honra e compromisso para com os cidadãos”.
Lusa, 2010-06-08
terça-feira, 8 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Câmara de Mirandela desconfia que Urgências vão fechar em Julho
O presidente da câmara de Mirandela desconfia que a administração do centro hospitalar do nordeste pode encerrar a urgência médico-cirúrgica do hospital de Mirandela, já em Julho.José Silvano adverte a equipa liderada por Henrique Capelas que, caso essa decisão venha a ser tomada, avança para tribunal, denunciando que está a ser violado o protocolo assinado, há três anos, entre o Município e o Ministério da Saúde. Entretanto, Henrique Capelas garante que a urgência médico-cirúrgica vai manter-se. (...) Brigantia
Câmara de Carrazeda deixa cair construção de polidesportivo
A Câmara de Carrazeda de Ansiães vai adiar a construção de um polidesportivo ao ar livre na vila e concentrar todo o esforço financeiro na construção de um pavilhão gimnodesportivo.Na Assembleia Municipal da passada quarta-feira, o autarca explicou que a estrutura desportiva ao ar livre vai ficar adiada devido à falta de capacidade financeira, embora admita que é uma necessidade:
“As crianças e os jovens de Carrazeda não têm um sítio para jogar. Depois das aulas vão para o largo das Finanças. Era nossa intenção colmatar essa carência através da construção do pavilhão polidesportivo ao ar livre. Mas não temos muito dinheiro para fazer um
polidesportivo e um gimnodesportivo, já que o orçamento ficou acima do previsto, atinge os 150 mil euros. Então vamos concentrar as atenções no gimnodesportivo.”Mesmo assim, o pavilhão gimnodesportivo está dependente de fundos comunitários, já que a Câmara não tem hipóteses de o construir a expensas próprias e os magros recursos já têm para onde ir:
“Se viermos a ter condições financeiras do município e que abra um programa, avançamos com ele. Mas temos de ser realistas, todos os programas obrigam à comparticipação municipal. E aí temos outros programas, como o centro escolar, a regeneração urbana, de três milhões de euros e vamos entrar com a repavimentação de estradas. Temos de optar”, sublinha.
O presidente da Câmara de Carrazeda, José Luís Correia, na Assembleia Municipal de quarta-feira, onde assumiu que o concelho precisa urgentemente de um pavilhão gimnodesportivo, já que o da Escola Secundária já não oferece condições para receber provas oficiais.
CIR/Brigantia
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Crianças comemoraram 500 anos do foral de Carrazeda de Ansiães

Alunos do segundo ciclo do ensino básico de Carrazeda de Ansiães encenaram, ontem, a cerimónia de entrega do foral por D. Manuel I a Ansiães, há 500 anos.
As comemorações coincidiram com o Dia da Criança e o presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, José Luís Correia, assinalou que a participação de cerca de 400 crianças no evento, realizado no Castelo de Ansiães, teve um efeito pedagógico:
“Coincidiram os 500 anos com o dia da criança e nada melhor do que atribuir-lhes a responsabilidade da encenação.” E esta é uma forma de que “se sintam motivados para visitar o castelo mais vezes.”
Os alunos que participaram na encenação da entrega do Foral ficaram satisfeitos com a prestação, mas não não tanto com o incómodo das roupas quentes em dia de calor. Caso do Diogo, Artur, Jorge e Mafalda:
“É um bocadinho quente. Não pesa mas é quente e os sapatos apertados”, conta o Diogo. Já Artur, que leu a carta de foral, confessa que estava “um bocadinho nervoso”. Jorge também se queixou do calor e das “cinco camisolas”. Mafalda, que fez de rainha, tinha “cinco saias”, o que tornou a roupa “muito quente”.
Nos próximos dias 18 e 19 de Junho regressam as actividades ao Castelo de Ansiães, com a realização da iniciativa da Câmara “Ansiães na Idade Média”. Contempla um assalto ao castelo e um torneio medieval.
Haverá mais eventos na zona histórica da vila de Carrazeda.
Ora, como se disse, ontem foi o dia da criança, comemorado um pouco por todo o distrito.
Mas, no concelho de Bragança, e ao contrário do habitual, a câmara municipal não organizou o encontro, que reunia todas as crianças do concelho num dia desportivo no estádio municipal.
A contenção orçamental terá estado na origem desta medida.
As escolas da cidade tiveram apenas direito a alguns insufláveis para permitir alguma brincadeira às crianças.
CIR/Brigantia
terça-feira, 1 de junho de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Gestão de bacias hidrográficas discutida em Mirandela
É o principal objectivo do simpósio internacional sobre gestão de bacias hidrográficas e respostas à escassez de água e secas em futuros climáticos incertos que decorre, em Mirandela.
Este simpósio reúne investigadores, gestores e técnicos que vão reflectir sobre as suas experiências e apontar soluções para uma gestão integrada dos recursos hídricos para enfrentar um problema que deixou de ser "típico" dos países do Sul e ganhou escala europeia.
“Essencialmente é alertar para os problemas associados à seca e escassez de água tentando mostrar que é uma realidade que pode acontecer e quais são as forma como isso se deve gerir” explica a directora executiva da Sociedade Portuguesa de Simulação Ambiental e Avaliação de Riscos, que promove este simpósio apoiado pela UNESCO no quadro do Programa HELP.
Cláudia Sil espera que deste simpósio possa sair um documento de referência para responder de forma eficaz à escassez de água e à seca.
“Gostaríamos que saísse um documento que traduzisse a realidade regional pois estes fenómenos e o estudo sobre estas situações tem um carácter vincadamente local” afirma.
Já o presidente da câmara de Mirandela, anfitrião deste simpósio, gostaria de ver esclarecido, neste evento, se as barragens são mesmo a única alternativa para a gestão da água.
José Silvano está convencido que essa discussão poderia ser um contributo importante para que a barragem de Foz-Tua não seja construída.
“Para Mirandela tem algum sentido saber se as barragens eram a única maneira de regularizar o abastecimento de água” afirma, acrescentando que “foi aqui dito que afinal as barragens são o que menos importa para esta gestão da água”.
“Isto leva-nos a questionar se a barragem de Foz Tua em vez de ser um regulador do caudal do rio não contribuirá para alterar as condições climáticas” refere o autarca. Por isso “era importante discutir esta questão porque podia ser uma ajuda para manter este tio vivo”.
O simpósio internacional sobre a gestão da bacia hidrográfica do rio Douro e de respostas à escassez de água e alterações climáticas termina hoje com a presença da Ministra do Ambiente na sessão de encerramento.
CIR/Brigantia
quinta-feira, 27 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
Passeio de Idosos/2010
Dia 16 de Maio será, certamente, um dia memorável para todos os idosos do concelho de Carrazeda de Ansiães que participaram no Passeio de Idosos organizado pelo Município.
Desta vez estava-lhes reservado uma visita a um local de elite: o sétimo percurso de turismo sustentado da Europa. Dito por outras palavras: o vale do Douro.
Foi, sem dúvida, segundo os participantes, uma aposta bem feita pois, deste modo, tiveram a oportunidade de se deliciarem com a visão de tão belas paisagens que, normalmente apenas são usufruídas por turistas. Ou, como afirmou o Presidente da Câmara, José Luís Correia, foi uma boa maneira de verem o local com outros olhos que não o de quem apenas estava habituado a ver o vale do Douro como local de trabalho.
O percurso foi feito entre o cais de Foz-Tua e os limites do concelho – Cadima – ao longo do qual, cada socalco, cada fraguedo era observado por olhos já cansados de uma vida talvez árdua de trabalho mas que neste passeio saíram recompensados por tudo: pelo convívio, pelo colorido, pelas fragrâncias da vegetação primaveril, onde, até o tempo esteve a preceito.
domingo, 23 de maio de 2010
Sete mortes com tractores nos últimos 17 meses

sexta-feira, 21 de maio de 2010
Empresas do distrito não arranjam trabalhadores na região
Há empresas do distrito de Bragança que não conseguem arranjar trabalhadores e são obrigadas a ir recrutá-los ao litoral.A denúncia é feita pelo Governador Civil do distrito, que aponta mesmo um exemplo.
“O que constatámos, concretamente na barragem do Baixo Sabor, é que só dez por cento dos 780 trabalhadores são dos concelhos num raio de 50 quilómetros. Os restantes vêm de Paredes, Felgueiras, Marco de Canaveses”, diz.
Jorge Gomes mostra-se mesmo surpreendido com esta situação e aponta algumas falhas aos Centros de Emprego da região.
“O que nos surpreende é que, se eventualmente não temos o tipo de mão-de-obra que é solicitado para uma obra daquelas, é porque não temos grandes problemas de desemprego. Porque há muita mão-de-obra qualificada para aquele tipo de trabalhos”, diz. Por isso, diz que “deve haver alguma falta de ligação entre as entidades que têm responsabilidade na procura de emprego e eventualmente alguma responsabilidade de alguém que esteja no desemprego e que viva melhor do que se estivesse empregada”. Jorge Gomes acredita que “é estranho que alguém se desloque 150 quilómetros para vir trabalhar e os nossos trabalhadores não estejam lá.”
Em declarações à Brigantia, o Governador Civil de Bragança diz não compreender onde estão os trabalhadores da construção civil da região, que antes da crise imobiliária em Espanha, cruzavam todas as semanas a fronteira.
“Alguns licenciados são daqui. Agora outro tipo de mão obra, que é preciso empregar, não. Todos nos lembramos de ver passar as carrinhas em Quintanilha para Espanha, que transportavam trabalhadores, muitos do nosso distrito. Que é feito desses trabalhadores?”, pergunta. “Acredito que os directores dos centro de emprego estejam preocupados e que irão tentar inquirir e ajustar a oferta à procura.”
Jorge Gomes aponta, por isso, algumas medidas que deviam ser tomadas para combater esta situação.
“A única estratégia que vamos ter de utilizar é empenharmo-nos todos os que temos responsabilidades nos serviços desconcentrados do Estado para fazer um levantamento sério e uma mobilização das pessoas e sensibilizar os construtores para mobilizar primeiro as pessoas do distrito e só depois irem contratar fora.”
A falta de mão-de-obra local por parte de algumas empresas no distrito a merecer críticas do Governador Civil de Bragança.
Brigantia
quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Câmara de Carrazeda deixa cair parque de campismo e central de camionagem
A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães decidiu abandonar o projecto de uma parceria público-privada que previa a construção e manutenção de um parque de campismo, uma central de camionagem e um hotel, bem como a remodelação do mercado municipal.A proposta tinha sido aprovada na sessão da Assembleia Municipal de Novembro de 2008, mas foi revogada na sessão do passado mês de Abril.
O autarca de Carrazeda, José Luís Correia, justifica que o Município não tem dinheiro para cumprir a sua parte da parceria:
“A câmara municipal não podia suportar os encargos dessa parceria e propus que se pronunciasse sobre ela. Na Assembleia Municipal foi deliberado que não se avançasse com a parceria.” José Luís Correia acrescenta que há outras prioridades para o concelho:
“Temos de ser realistas. Quando não há condições não podemos exigir. E não temos condições financeiras para executar essas obras porque temos outras prioritárias e financiadas, que nos vão ocupar nos próximos anos”, disse. “Uma delas é a regeneração urbana, de três milhões de euros, cujo contrato foi assinado há dias. E o centro escolar, para além de outras obras”, concluiu.
Essas obras referem-se à beneficiação de algumas estradas municipais, cuja primeira fase está para breve.
CIR/Brigantia
Daqui e dali... Carlos Fiúza
A gente hoje lê aquelas fábulas dos deuses da antiguidade e sorri das imaginosas criaturas do Olimpo, e ainda mais da infantilidade de tanta historieta.
Mas eu estive a meditar que, afinal, os deuses de outrora continuam presentes em muitos aspectos da nossa fala de hoje.
Começo por indagar:
Quem haverá aí que ainda hoje acredite nos deuses do paganismo grego e romano?
Ninguém! – é a expressão exclamante.
Mas não é verdade.
Muita gente acredita, sem dar por isso, na mitologia, naquelas histórias fabulosas de deuses a granel que a imaginação de Gregos e Romanos criou, e até se dá continuidade a crendices e cerimónias da antiguidade pagã.
Principiemos por ver que, na vida sentimental e espiritual, os antigos nos legaram muita coisa.
Quantas e quantas vezes não nos iludimos com fantasias ou utopias, a que chamamos quimeras? Que é uma quimera, senão uma ideia monstruosamente fantástica, um sonho absurdo pelas proporções do exagero? Como e onde nasceu a quimera?
Nasceu na Lícia, na imaginação dos Antigos, que a um monte vulcânico atribuíam a morada de um monstro com a cabeça de leão, corpo de cabra, cauda de dragão. Fogo, labaredas lhe vomitavam a boca.
Khimaira lhe chamavam Gregos, chimaera lhe chamavam Latinos, quimera dizemos nós, Portugueses.
E desse monstro da montanha de fogo veio o nome para o monstro das ideias absurdas que todos nós abrigamos, por vezes, no cérebro sonhador.
Há aí muita gente que acredita em agouros.
“Esta mosca traz mau agouro”;
“Lançou-lhe um mau agouro”.
Aí temos a fábula romana em acção ainda em nossos dias, porque o agouro vem de augurium, a adivinhação pela observação do voo das aves, pelo canto delas, pela forma de comer, etc.
“Aquele sujeito tem mau génio”, “O menino precisa de ser refreado no seu geniozinho”, etc., etc.
Tudo isso vem da crença dos antigos numa divindade natural, geradora de todo o ser.
Havia um fartote de génios, desde o génio tutelar ao deus da natureza inteira. Cada pessoa tinha dois génios, um bom e outro mau, aquele inspirador do bem, e este do mal.
As inclinações do espírito eram reguladas pelos génios.
Hoje temos génios do futebol, da política, da música … e até da literatura!
Há génios para tudo, para todos os gostos!
A Terra abunda de seres geniais! ...
Quantas e quantas pessoas não acreditam que, depois de mortas, vão incarnar uma animal qualquer, um burro (salvo seja o burro), uma pulga (morta seja a pulga), etc.
Ora, na crença mitológica dos antigos chamavam-se animales as divindades que provinham de almas, de animae.
Quando hoje se diz de um indivíduo tonto ou mau ou estúpido – “mas que grande animal”, na essência está-se a acreditar que houve transmigração de almas.
Quando chamamos de “burros” uns aos outros, quando nos apelidamos de “mosquinhas mortas”, de “ursos”, “macacões”, etc., etc. afinal aí está a figurada andança das almas de uns animais para os outros.
Com o correr dos tempos, algumas figuras mitológicas obliteraram a sua primitiva feição.
Por exemplo, todos nós hoje chamamos demónio ao diabo ou aos espíritos malignos que andam pelo mundo para perdição das almas.
Mas daemonion, grego daimónion, era um ente divino, mais benéfico do que maléfico.
Hoje quando dizemos “o demónio de homem”, “demónios te levem”, etc. o demónio já está ao serviço do diabo.
Foi pena que o demónio se fizesse mau, porque daimónion ou daemonion era sábio e bom rapaz, na mitologia greco-latina.
Numerosas palavras que a civilização utiliza vieram de práticas religiosas do paganismo.
“Aquela batalha foi uma hecatombe!”
Empregando hoje esta palavra hecatombe, estamos a trazer à vida o sacrifício de cem vítimas, em especial de cem bois, como se fazia na antiguidade, em honra de deuses (de hecaton, cem + bous, boi).
Costumes e crenças, cerimónias, mitos – tudo isso revive a cada passo!
Quando hoje há desbragadas pândegas chama-se-lhes, por exemplo, orgias.
Ora, às festas de Baco se chamava órgia em grego, orgia em latim, de uma palavra grega, orgé, isto é, furor.
Hoje uma situação por muita gente desejada e até provocada é a situação de fama.
O político quer ter fama, o jogador de futebol deseja tornar-se afamado, o escritor faz os impossíveis para ser famoso … e até as novelas de cordel das TVs dão os seus “15 minutos de fama” a qualquer um! ...
A fama é o renome, é a reputação, é a glória!
Também essa palavra nos veio da antiguidade mitológica.
A Fama era mulher divina, mensageira de Júpiter.
Ruidosa, pois o seu nome vinha do grego phéme, que significa ruído, a sujeita era monstruosa, e tinha olhos, orelhas, boca e línguas em tão grande quantidade quanto de penas lhe cobriam o corpo.
Nunca estava calada a Fama. Falava pelos cotovelos e como tinha asas, subia aos montes e aí era dar à língua, espalhando novidades, que até parecia irmã de muito(a)s alcoviteiro(a)s que nós bem conhecemos.
Tal era a Fama! …
A imaginação dos antigos era assaz poética.
E essa poesia mitológica palpita em palavras poéticas de todas as línguas.
Por exemplo, na nossa bela palavra Aurora.
A bela Aurora, filha de Titã e da Terra, e que presidia ao dealbar, morava em palácio dourado. Esta senhora D. Aurora, que os raios do sol nascente doiravam, era uma roubadora de maridos incorrigível.
Apesar do seu mau porte, todos nós gostamos do nome dela, e até temos a aurora, o nome da aurora, a fazer poesia ao dia que desponta.
O dizermos hoje que se sente volúpia ou prazer, está a acreditar-se, sem querer, na antiga deusa dos prazeres, a chamada precisamente Volupia, que se desdobrava nas outras infames sujeitas que presidiam às dissoluções. Volupia tirava o nome de Volup, isto é, agradável.
Se hoje os homens de ciência falam nas forças telúricas, nos abalos telúricos, também já os antigos personificavam a Terra, à qual chamavam Tellus, a deusa mulher do Céu.
A ocasião ou occasio, à latina, era a deusa que presidia ao tempo ou momento mais favorável para se ser bem sucedido em qualquer acção ou empreendimento.
Quando hoje se diz que a “ocasião faz o ladrão”, podemos descobrir no dito a deusa romana do momento propício, do momento favorável.
Quem há aí que jamais tenha dito a palavra discórdia?
“Deu-se uma grande discórdia entre aqueles dois amigos”.
Pois a discórdia, o pomo da discórdia é outro exemplo da sobrevivência mitológica nas expressões modernas e hodiernas.
Quem era tal sujeita chamada Discórdia, no Olimpo?
Era, poderei dizê-lo figuradamente, a deusa que dividia os corações amigos, tornando-os zaragateiros.
A Discórdia era a deusa da zaragata, dos conflitos, das batalhas, das mortandades e, por consequência, a deusa causadora da fome e da miséria que as dissensões provocam.
Neste nome latino de Discordia entra o prefixo dis, que exprime separação, divisão e negação e entra também o termo cors (cordis), isto é, o coração. De maneira que Discordia significava o desacordo, a divisão dos corações.
A figura da senhora Discórdia é das coisas piorzinhas que pode haver. A cabeça cheia de serpentes enroladas, os olhos espantadiços, a boca a esbravejar de espuma odienta, e as mãos sangrentas, uma com um punhal e uma cobra, e a outra mão com uma tocha acesa.
Era a Discórdia filha de Júpiter.
E sabem porque moveu tanta desavença? Por um motivo bem fútil: não foi convidada para um casamento e ofendeu-se toda.
Peléu e Tétis tiveram as suas bodas.
A Discórdia, fula por não ser convidada, resolveu meter uma tremenda intrigalhada entre as outras deusas: colocou na mesa um pomo de ouro, e nele inscreveu isto: “À mais formosa”.
Como é subtil a esperteza feminina!
Logo Vénus e Juno e Palas, três mulheres desejosas de serem consideradas a “mais formosa” do pomo de ouro, armaram uma zaragata formidável.
Um tal de Páris, armado em juiz daquele desordeiro “concurso de beleza feminino”, deu o primeiro prémio a Vénus. Resultado: as deusas engalfinharam-se, os deuses também e houve lá para o Olimpo desgraças pela medida grande.
E assim o pomo da discórdia, por ser dedicado “à mais formosa” meteu em zaragata estas três lindas mulheres: Juno, Palas e Vénus, intrigadas pela Discórdia!
Ao saber do acontecido, Júpiter, Chefe dos Deuses, pôs a Discórdia no meio da rua …
E ela (a Discórdia) aí anda, de terra em terra, de nação em nação … de irmão em irmão!
Carlos Fiúza
segunda-feira, 17 de maio de 2010
Mais uma feira em Carrazeda
A proposta foi aprovada em reunião de Câmara e ratificada em Assembleia Municipal.
O presidente do Município justifica que os comerciantes da vila concordam que volte a haver três feiras por mês e não apenas duas, como aconteceu nos últimos anos.
“Nós tivemos essa iniciativa tendo em conta um inquérito que a Associação Comercial realizou junto dos comerciantes” refere José Luís Correia acrescentando que “em 80 inquiridos, 61 foram a favor de que voltássemos às três feiras mensais”.
A partir de Junho volta a haver três feiras por mês em Carrazeda de Ansiães, nos dias 10, 20 e 30.
Se calhar ao sábado antecipa-se para sexta e se coincidir com o domingo passa para segunda-feira.
CIR/Brigantia
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Feira Ilimitada, promovida pela EDP e pela Junior Achievement Portugal (JAP)

Cinco jovens de Amarante criaram uma mini-empresa que produz bolsas para guardar pens de computadores e que ganhou hoje o primeiro prémio da Feira Ilimitada, promovida pela EDP e pela Junior Achievement Portugal (JAP). Cerca de 160 alunos transmontanos do 11.º e 12.º anos aceitaram o desafio “Aprender a Empreender” e desenvolveram 18 projetos que foram apresentados na feira que decorreu hoje, em Vila Real.
O segundo prémio da feira, no valor de 2400 euros, foi atribuído à Crzinnovation, a mini-empresa criada por jovens da Escola EB2,3/S de Carrazeda de Ansiães e que quer vender maçã em máquinas de venda, a par de chocolates ou bolos, e distribui-las por várias empresas da região ou áreas de serviço. “A ideia é tratar as maçãs do tipo quatro gama, ou seja, lavadas, cortadas e embaladas”, explicou o jovem empresário Paulo Almeida.
O terceiro prémio, de 1800 euros, foi atribuído ao projeto Juve Mais Activa, promovido por cinco alunas da Escola EB2,3/S de Mondim de Basto. “É uma empresa de serviços que incluiu babysitting [tomar conta de crianças], acompanhamento de idosos, limpezas e até pagamentos”, explicou Maria João Ribeiro.
Os jovens empreendedores, provenientes dos concelhos de Amarante, Ribeira de Pena, Mondim de Basto, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros e Alfândega da Fé, foram apoiados por seis empresários voluntários, a quem coube ajudar a escolher as melhores ideias e a elaborar os planos de negócio.
O projeto decorreu nas áreas onde a EDP está a desenvolver empreendimentos hidroelétricos. “O objetivo da iniciativa é aproximar as escolas do mundo empresarial. Capacitar os jovens para entraram no mercado de trabalho e promover o auto-emprego na região”, salientou André Rente, da Fundação EDP. i
Stand Candeias de regresso às vitórias
Com a graça de S. Pedro, a tarde solarenga consagrou o "Stand Candeias" no lugar mais alto do pódio, com um triunfo que se começou a "desenhar" nos treinos cronometrados com a dupla Paulo Candeias/Carlos Filipe, a registar a melhor volta e, consequentemente o primeiro lugar da grelha de partida. Na parte inicial da prova, a formação de Carrazeda de Ansiães tomou a dianteira da prova numa clara vantagem. À passagem da primeira meia hora de prova, seria o "Stand Emanuel Costa/Cibercar/Castrol" a aproveitar o atraso do líder - devido a um furo na roda da frente do Jeep TJ, para assumir o comando para além das duas horas de "resistência". A derradeira hora foi de "loucos"… com o "Stand Candeias a encetar uma excelente recuperação, vindo a resgatar o comando que o manteve até final. Um triunfo justificado pela forma destemida como encarou esta jornada da Lourinhã da primeira à última volta, vingando o resultado menos positivo da jornada inaugural. Para Emanuel Costa e Nuno Araújo, o segundo lugar permite-lhes manter a liderança no Troféu Ibérico de Trial 4x4 e, até mesmo ampliar a vantagem pontual para o "Team Indigo 4x4", que voltou a repetir a terceira posição alcançada na jornada de Santa Maria da Feira. Domingos Oliveira e Tiago Silva realizaram uma prova de trás para a frente, depois de não irem além da décima quarta posição que ocuparam na grelha de partida. O derradeiro lugar do pódio foi consumido a meio da prova, numa luta com um leque alargado de pretendentes.
A próxima jornada terá lugar a 13 de Junho na região de Montalegre, numa organização do Trepa Monte Clube TT de Montalegre.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Potencial turístico do Douro interior avaliado em Carrazeda de Ansiães
Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura
Hélder de CarvalhoNa cidade de Rocha Peixoto
Não pude deslocar-me (pelo dia da Mãe) ao descerramento da estátua do cientista poveiro Rocha Peixoto, no jardim da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, com o seu nome, que também é o da Escola Secundária. Mas logo que pude fui ver: Hélder de Carvalho retratou-o com um bloco de notas (símbolo maior para os seus trabalhos na área da arqueologia, antropologia e etnografia, ciências naturais…).
Aos cem anos da morte do omnipresente cientista, naquela cidade, Hélder de Carvalho associou-se à imortalidade…
terça-feira, 11 de maio de 2010
Câmara de Carrazeda pede um milhão de euros de indemnização à EDP
A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães exige à EDP um milhão de euros como compensação pelos prejuízos que a construção da barragem do Tua vai causar ao concelho.É uma das reivindicações constantes numa carta enviada àquela empresa e ao secretário de Estado do Ambiente.
O autarca justifica a pretensão dizendo que “é pela compensação da localização da barragem bem como pela destruição da fauna, flora e do património natural que constitui o vale do Tua sendo que a maioria deste património é pertença do concelho de Carrazeda”.
José Luís Correia acrescenta que “a EDP deve quantificar o apoio a disponibilizar ou a forma de colaboração para a recuperação e dinamização da Caldas de São Lourenço como forma de promover a existência de turismo e saúde de bem-estar”.
A autarquia de Carrazeda também reclama que a EDP se responsabilize pelo transporte público e que estude a possibilidade de construir um novo troço de caminho-de-ferro alternativo ao que vai ser submerso pela barragem.
Caso por razões financeiras seja inviável, a Câmara contrapõe com novas vias rodoviárias.
“A câmara defende uma alternativa rodoviária sem custos de manutenção que passará pela requalificar da EN314 da Brunheda ao Pombal e da via municipal do Pombal ao São Lourenço” refere.
Por outro lado, fala também na “construção de uma via panorâmica ao longo do vale do Tua nas proximidades da albufeira. De São Lourenço a barragem deve haver ligação à actual EN108”. O autarca considera que “o impacte visual destas estradas será sempre reduzido quando comparado com a construção da barragem” sendo que “esta solução permite a oferta de um serviço de transporte flexível, conformável e rápido com todas as oportunidade desenvolvimento que a barragem possa gerar”.Segundo José Luís Correia, pretende-se ainda que os estradões que vão ser criados na margem do seu concelho para acessos à zona onde vai ser construído o paredão da barragem sejam transformados em estrada rodoviária.
“Nós defendemos a sua manutenção e requalificação à EN214” ou seja, “eles têm que fazer acessos na nossa margem para construir o paredão prevendo que tudo seja renatura lizado, mas nós queremos que continue, seja requalificado e continue até ao concelho de Alijó”.
Numa reunião recentemente realizada em Murça, os cinco municípios do vale do Tua (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), enviaram um caderno reivindicativo, no qual exigem compensações justas para os concelhos, no caso da construção da barragem vir a ser uma certeza.
Reivindicam que três por cento do valor líquido anual médio da produção sirva para constituir um fundo de financiamento da futura agência de desenvolvimento do vale do Tua.
E que este fundo financie projectos nos cinco concelhos.
CIR/Brigantia
Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura
E os transmontanos de raça
Há cerca de um ano, o nigeriano Samson jogava no Gondomar e, no CNO da Escola Secundária, submeteu-se a uma sessão de Júri, do qual fiz parte, para obtenção do 12º Ano. A sua Apresentação foi em inglês, com um vídeo sobre a situação política e económica do seu país. Agora,
fico muito feliz por, no Desportivo de Chaves, ir representar Trás-os-Montes na final da Taça de Portugal com o FC Porto. Ele e alguns brasileiros, de que se destaca Danilo, o costa-marfinense Bamba, o francês Karim… Em suma, uma aldeia global. Já quando vejo alguns opinion makers nacionais
falarem do Desportivo de Chaves como representativo de uma região, mas num sentido castrejo, do tempo em que se corriam os rapazes da aldeia vizinha à pedrada, quando eles ousavam ganhar-lhes, rio-me muito. Nem sei bem o que significa transmontano de raça… Li algumas partes do livro do alemão Carsten L. Wilke sobre a história dos judeus portugueses e fiquei a saber (confesso, não sabia) que a sede do cripto-judaísmo nacional sempre foi Bragança, tendo os judeus sido muito usados até Castelo Branco, sobretudo, pelos reis medievais portugueses, quando conquistavam o território aos mouros, para o seu repovoamento. No entanto, um estudo genético demonstra (o que, para muitos transmontanos que se cuidam de gema, vai terrível: em complexo de castração, um autêntico «desmame» da dose una d’ Ilusão) que é a Sul da Península que os genes judeus mais se mantiveram,
o que aponta para que no Norte se deu uma mistura, terrível para a genuinidade da raça… Mas não é na hospitalidade que se dá aos imigrantes que jogam no Chaves ou trabalham nos campos de Carrazeda que os genes sobre_
vivem?
Vitorino Almeida Ventura
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Polémica em Carrazeda de Ansiães com as dimensões de uma sala
Os vereadores independentes na Câmara de Carrazeda de Ansiães exigem ao executivo social-democrata que lhe disponibilize um gabinete condigno para receberem os munícipes.Depois de várias interpelações ao presidente da Câmara, foi-lhes atribuído um espaço, num edifício da Praça do Município, com o qual a vereadora Olímpia Candeias não concorda.
“As instalações, que estão na lei, são para receber os munícipes”, sublinha, dizendo que o presidente da câmara “disponibilizou um espaço exíguo com apenas duas cadeiras, uma secretária e uma estante, onde não cabem quatro pessoas.”
A vereadora acusa o presidente da Câmara de “má vontade” e socorre-se de uma lei de 1999 para invocar o direito da Oposição a instalações adequadas e devidamente equipadas.
“Desde a primeira hora a nossa posição é de cooperação e diálogo, e nunca má vontade. Havendo aqui espaços adequados, que podiam ser disponibilizados para receber os munícipes, não o estão a ser por má vontade do senhor presidente.”
O presidente da Câmara de Carrazeda, José Luís Correia, recusa a acusação de má vontade e salienta que as instalações agora cedidas à oposição são as mesmas de mandatos anteriores.
“As instalações que disponibilizei não são mais nem menos do que as instalações que o Executivo disponibilizou quando ela fazia parte. São as mesmas que eu mandei preparar.”
E assim, os vereadores da oposição terão de aceitar as instalações cedidas pelo executivo social-democrata para receberem os munícipes.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Polémica na câmara de Carrazeda de Ansiães por causa do futebol
Está lançada a confusão em Carrazeda de Ansiães por causa do apoio da Câmara ao Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães.Na última Assembleia Municipal, o presidente da Câmara, José Luís Correia, explicou que o clube não pode auferir de subsídios como antigamente devido à nova lei, mas antes celebrar um contrato-programa com a autarquia, com base num plano de actividades e respectivo caderno de encargos.
Só que a proposta do Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães, para dois anos e com um orçamento de 65.300 euros, foi chumbada em reunião de Câmara pelos três vereadores da oposição, que estão em maioria.
Os mesmos vereadores, que estão impedidos de falar nas sessões da Assembleia Municipal, salvo em raras excepções, insistiram com o presidente da Câmara para que este ali também explicasse os motivos do voto contra. Este acedeu e os ânimos ficaram mais calmos.
O vereador do PS, Augusto Faustino, explica as suas exigências para votar a favor do apoio ao Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães:
“Pura e simplesmente porque era um contrato-programa por dois anos e que estava a ser solicitado por uma comissão administrativa”, explicou. E “para que as coisas se façam legalmente” e “com rigor”, a câmara “pede que haja eleições no clube” e que não esteja “só virado para o futsal”, até porque é, “antes de mais, um clube de futebol de 11”.
Os dois vereadores independentes Olímpia Candeias e Marco Azevedo subscrevem a exigência de Augusto Faustino, mas Olímpia Candeias acrescenta outras:
“Se se trata de um protocolo com objectivos desportivos, não tem que desenvolver iniciativas de âmbito cultural ou popular, como o S. João. Não nos parece a forma mais correcta pedir um subsídio para realizar o S. João. Há imensos bairros que podiam fazer isso. Havia ainda a parte cultural. Ora, a Câmara tem um departamento de cultura e não custa assim tanto realizar uma noite de fados.”

O presidente, José Luís Correia, e a vice-presidente, Adalgisa Barata, votaram a favor da proposta do clube. O autarca explica que o fez porque há despesas já realizadas que têm de ser pagas e critica Augusto Faustino e Olímpia Candeias por só agora terem levantado o problema da comissão administrativa, quando em mandatos anterior deixaram atribuir o subsídio:
“A comissão administrativa já é de há muitos anos e durante esse tempo sempre apoiaram o clube com subsídios, nunca isto foi problematizado. Só agora é que olharam para essa realidade.”
Desde 1999 que o Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães não tem uma direcção, tendo permanecido uma década sob gestão de uma comissão administrativa.
Nos últimos anos o futebol de 11 perdeu terreno para o Futsal, que, refira-se, tem alcançado bons resultados. A equipa principal conseguiu este ano a dobradinha, sendo campeã distrital e vencedora da Taça da Associação.
CIR/Brigantia
Daqui e dali... Sérgio Andrade
Por vezes, dá-me uma crise de pessimismo desesperado e apetece-me pensar que a diferença entre a democracia e a ditadura é sobretudo esta: em ditadura acontecem coisas que não deviam acontecer e ninguém sabe; em democracia acontecem as mesmíssimas coisas, mas fica-se a saber. Porque pelo menos ainda existe liberdade de Imprensa.
De resto, tanto num como no outro dos regimes havia/há escândalos, uns mais pequenos, outros maiores. Só que, enquanto «dantes» se falava em milhares, «agora» fala-se em milhões. Mas o mecanismo é igual: há hoje, como sempre houve, gente que beneficia de «bênçãos» e que tem «padrinhos», como disse um ex-administrador da PT referindo-se ao tal senhor dos 3,1 milhões.
Há grandes questões susceptíveis de fazer estremecer os alicerces do regime, mas vai sendo cada vez maior o número de coisas, aparentemente pequenas, que vão minando perigosamente o moral da nação. É o caso das remunerações escandalosas. É o caso que acaba de saber-se de vedetas da TV e das telenovelas que fizeram, num hospital público de Lisboa, operações a excesso de banhas na barriga ou falta de banhas nos seios - sem pagar um tostão.
E isto num país onde as listas de espera para intervenções cirúrgicas são aterradoras. Dir-se-á, como se disse, que tal «magnanimidade» não afectou as listas de espera e que as vedetas até prestaram um serviço à sociedade, dado que serviram de cobaias (de luxo…) a médicos que estão a treinar.
Mas são pequenos escândalos como esses que, às vezes mais do que os grandes escândalos, vão criando «sentimentos de revolta» nas pessoas, pela ideia de que «não há justiça igual para todos». E de quem são estas graves palavras? Do presidente da República…
Sérgio Andrade, JN
terça-feira, 4 de maio de 2010
Dobradinha à moda de Carrazeda
Entrada alucinante dos endiabrados torredonaflorenses atingindo, com facilidade, a vantagem por duas bolas e deixando na precipitação do remate e nas mãos do herói do jogo, Pedro, um resultado mais dilatado ao intervalo.Era grande a expectativa para o período complementar e as equipas não defraudaram, jogando como uns predestinados, confirmando-se as premissas competitivas da primeira parte. Os torredonaflorenses a fazer
magia, que Pedro não deixava funcionar, e os carrazedenses a jogar muito inteligentemente no erro adversário fazendo dilatar a vantagem.Uma das coisas que ilustra muito bem o jogo, e a forma como foi resolvido, bastará dizer que enquanto a Torre conseguiu que o seu adversário atingisse a 5ª falta e não se soube aproveitar-se desse factor, o Carrazeda mal o seu adversário atingiu esse desiderato, pressionou a 6ª falta e com aproveitamento no marcador.
Vitória justa da equipa que teve mais cabeça, organizou melhor a sua tranquilidade e teve um keeper que fez a grande diferença, perante um adversário que foi um digno vencido. Expresso
Daqui e dali... Fernando Sobral
Fernando Sobral, Jornal de Negócios
Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães
sexta-feira, 30 de abril de 2010
4.ª Jornada - Campeonato Distrital de Futsal - Iniciados
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Daqui e dali... João Lopes de Matos
quarta-feira, 28 de abril de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Daqui e dali... Carlos Fiúza
“Esta é a ditosa Pátria minha amada” – disse o Poeta.
“Esta é a ditosa Língua nossa amada” – poderemos nós dizer em eco.
E poderemos porquê?
Poderemos, porque nesta nesga de terra que o oceano beija, desde o afago primeiro à Europa da luz do Espírito, pátria é língua, e língua é pátria.
Um povo se espraiou um dia na conquista de terras que ao pé do mar e ao longe o rodeavam: o povo do Lácio, os Latinos.
Trouxeram os Latinos sua voz consigo, porque o dom natural da fala acompanha o homem onde quer que ele vá.
E mesmo se não falar a boca, falam os olhos, os seus gestos, ou o seu coração, altar da alma, e deus do corpo.
Até aqui, à Lusitânia, onde moravam homens mais pastores do que guerreiros, os Romanos trouxeram com a força do domínio bélico a sujeição dos habitantes iberos.
À luta corpo a corpo sucedeu a luta voz a voz, palavra a palavra.
E assim o latim vulgar, que as bocas romanas traziam até à Hispânia Ulterior, onde se situava a Lusitânia, esse latim venceu os falares iberos; mas na luta com eles travada, o latim vulgar recebeu influências locais, porque diz o povo, e com razão, que “quem vai à guerra dá e leva”.
E assim, embora vencedor, o latim recebeu a marca do povo da Lusitânia, de cunho étnico inconfundível.
“Esta é a ditosa Pátria minha amada” ...
Porque a Lusitânia foi a pátria da nossa pátria, a terra patrum de Portugal.
“Esta foi Lusitânia”, como o Poeta diz, e nela de Portugal moravam “os íncolas primeiros” …
Voz dos Lusitanos em união com a voz dos Romanos! …
Essa foi a nascença da nossa bela menina: a Língua portuguesa, a Língua da pátria da nossa pátria.
Parafraseando o Épico, direi:
“Esta é a ditosa Língua nossa amada” ...
... a que proveio da modificação do latim na expressão ibero-romana da Hispânia Ulterior.
Começou, portanto, rude a vida da menina Língua portuguesa …
Deram-lhe o ser as vozes dos soldados romanos e as vozes dos pastores da Lusitânia.
Talvez por isso (desculpai a minha imaginação) a Língua ganhou no berço o doce cantar da frauta pastoril e a energia dos homens castrenses.
E como a Lusitânia era enigmática, na nossa Língua ficou para sempre um ar de mistério … o mistério da montanha.
“Esta é a ditosa Língua nossa amada” …
Passa o tempo …
... vem a consciência linguística luso-galécia ...
.. ... e ao falar galécio-português, prolonga-se até ao século XIV com expressão artística no lirismo peninsular!
E é então que esta menina, a ditosa Língua nossa amada, beija sua irmã, a língua galega, despede-se dela ao afago do lirismo nostálgico, e procura noivo …
- O noivo é Portugal!
A menina que nascera na Lusitânia, esta nossa Língua bem amada, vem na boca dos homens de armas que limpam a faixa de Portugal da algaravia mourisca.
… E a Língua casou com Portugal. Mas quem foi esse Portugal?
“O Reino Lusitano …"
“Onde a terra se acaba e o mar começa …”
E o mar desafiou Portugal …
... e Portugal aceitou o desafio! ...
E o mar falou a linguagem brava das tempestades e a linguagem meiga do céu azul como espelho do que lhe fica por cima …
E o mar deixou marcado na Língua portuguesa o tom rude das procelas e o tom suave das águas tranquilas …
E o mar se ofereceu, como flor que se oferece a mulher …
... o mar, pedindo licença a Portugal, ofereceu à Língua Portuguesa a delicada flor da Saudade,
....a alma das distâncias por onde Portugal andou em andanças mil ...
........ e a oceanicidade!
Se Portugal é a nossa pátria, também a Língua é muito nossa;
... a voz de Portugal foi a todos os cantos do Mundo falar civilização aos povos que a não conheciam.
Mas a Língua portuguesa não se ficou no engenho das conquistas …
... conseguiu ainda mais! ...
... Conseguiu a arte de um Poeta grande entre os maiores do Universo: Camões!
... E a arte é de certo modo chave que abre espíritos cultos.
A universalidade de Camões, como expressão épica da universalidade do Portugal descobridor, essa universalidade épica do Português, trouxe à menina que nascera entre pastores e soldados, trouxe à Língua portuguesa a educação de uma Língua culta universal.
E o mar fez-nos a Língua universal! ...
E a voz do Poeta deu grandiosidade àquela que já conquistara o universo.
"Esta é a ditosa Língua nossa amada" ...
- símbolo imorredoiro da presença da pátria nas terras que descobrimos, voz do Poeta cantor de tamanhas glórias.
…
- e a nossa Língua foi com Portugal descobrir a Terra, e por ela um Poeta cantou as glórias de Portugal no Mundo!
...
E Portugal, pequenino, tornou-se grande pelo esforço que a História regista …
...
- e deixou traços pelo Mundo que descobriu!
E desses traços, o indelével é a Língua portuguesa, com a qual ainda se reza no Oriente, com a qual em plagas e ilhas da Ásia se exprime a vida quotidiana em muitos aspectos.
“Esta é a ditosa Língua nossa amada!” ...
..... Esta é a ditosa Pátria nossa amada ... em Voz!
Carlos Fiúza
Estudantes de Carrazeda criam empresas inovadoras
Duas turmas de 12º ano da Escola Básica e Secundária de Carrazeda de Ansiães criaram duas mini-empresas: a 100% SA (sem álcool), para sensibilizar os jovens para os perigos do consumo de álcool, e a CRZ Innovation, para diversificar a comercialização de maçã.Ambas são fruto da adesão ao projecto da Fundação EDP “Aprender e Apreender”.
O 100% SA integra oito alunas do Curso de Humanidades e Línguas e dez alunos do Curso de Ciências e Tecnologias.
Ana Cruz, membro daquela mini-empresa explica em que consiste.
“Vamos incidir nos mais jovens para prevenir o alcoolismo porque é um problema de todo o país que queremos combater através de palestras, jogos didácticos e teatros para os mais novos” explica, acrescentado quo o objectivo “não é proibir o consumo porque estamos numa região vitivinícola, mas sim controlar a forma como se bebe”.
O CRZ Innovation, é constituído por 16 jovens do Curso Profissional Técnico de Informática e Gestão. Paulo Almeida, um dos membros, explica em que consiste este projecto.
“Queremos começar pela venda de maças de quarta gama, cortada, lavada e pronta a ser servida” adianta, explicando que a distribuição será feita “em empresas e máquinas de vending”. “Pensamos que é uma boa ideia” salienta.
A coordenadora dos dois grupos, a professora Alice Costa, ensinou os alunos a serem empreendedores e acredita que os dois projectos vão preparar melhor os alunos para a vida activa.
“Penso que vai ter uma influência importante no seu futuro uma vez que os estamos a ensinar a ser empreendedores” refere.
Frederico Lucas acompanhou o nascimento destes dois projectos como empresário voluntário, levando a sua experiência de mercado para dentro da sala de aula, e diz que ficou surpreendido com o talento dos jovens. “A primeira mensagem que lhes trouxe é que eles deveriam criar o seu posto de trabalho e há aqui muitos alunos com talento” refere.
CIR/Brigantia























