quinta-feira, 15 de julho de 2010

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Saramago e a ausência da ausência
Não tenho por hábito subir ao alto da montanha e ficar a ouvir o meu eco... Gosto bastante de quem tenha opiniões e leituras diferentes, como João Lopes de Matos, Carlos Fiúza, Hélder Rodrigues e agora Fernando Gouveia, para quem «o conjunto da obra é uma pertinente interrogação dirigida à sociedade do nosso tempo: as outras leituras da História e a necessária reflexão sobre o arremedo de democracia que vamos tendo», como se nos falasse (deixem-me ser abusivo na minha interpretação) mais do que com o voto em branco do Ensaio sobre a lucidez, do voto nulo no capitalismo selvagem que mata a Caverna, onde estão os oleiros deste e outros concelhos.
Quanto à questão que me coloca, não vou fazer como Francisco Louçã, que transformou a ausência do Presidente da República, numa ausência da ausência, efectiva presença, muito para lá da sua representação oficial.
O inglês Harold Pinter, Nobel da literatura de 2005, não teve nenhum membro do Governo, nem qualquer representante da Coroa, no seu funeral em 2008.

O galego Camilo José Cela, Nobel em 1989, não teve nem o primeiro-ministro nem o rei, em igual circunstância, ao ano de 2002.
Albert Camus, Nobel em 1957, não teve o presidente francês, em 1960...
Claro que não aprecio muito a versão Sousa Lara do nosso Presidente. Mas também o nº2 do regime, o socialista Jaime Gama, faltou... E, como afirmou José Manuel Fernandes, no Público, não me interessa ser polícia das consciências alheias. Pois vejamos o filme ao contrário: se fosse o político Saramago, na sua qualidade de candidato ao Parlamento Europeu, fosse mesmo eleito, por ex., a ter de ir ao funeral de Cavaco Silva será que ia? (Mesmo se «representante de todos os portugueses»?) Ou haveria muitos a dizer que seria coerente... Com o seu «azedume político»!
Gosto muito do escritor José Saramago e interessa-me muito a sua obra. Nunca quis conhecê-lo pessoalmente, até porque às vezes quando o fazemos, des_
fazemos a aura mítica com que vemos quem admiramos. E gosto de manter uma certa idealização.

Vitorino

Post Scriptum: João Lopes da Matos referiu a diferença do homem e da obra.
Recordo Céline, no mesmo sentido. Alguém tão anti-semita, mas que produziu aquela Viagem ao fim da Noite. - Como apagar tal obra com os seus de_
feitos humanos?

Extrema-unção

Henrique Monteiro

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Douro lança campanha promocional mais ampla de sempre

Já está no terreno a campanha mais ampla de sempre de promoção do Douro, a envolver todos os municípios da região, com um investimento de 465 mil euros.
Maravilhe-se com ele”, campanha da candidatura do Vale do Douro a Maravilha Natural de Portugal, é lançada pela Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes (AETUR), em conjunto com a Turismo do Douro e outras entidades, e arranca, nesta primeira fase, na imprensa generalista e Metro do Porto.
António Martinho, presidente da Turismo do Douro, destaca que esta iniciativa resulta da coordenação de mais de vinte concelhos do Douro, “de braço dado e em sintonia. E é esta coesão que pode garantir um futuro sustentável e dar a conhecer a todos a oferta extraordinária da região, sem dúvida uma das mais belas do nosso país”.
A campanha decorre até 7 de Setembro e surge no âmbito da candidatura às Sete Maravilhas. Em próximas fases estará presente também em outdoors, televisão, rádio e internet e redes sociais, bem como em acções em cidades europeias.
O mote – “Maravilhe-se com ele” – desenvolve-se em várias peças, através de um rio que fala por si e revela, através dos seus reflexos e do seu próprio discurso, toda a riqueza, história, arte, gente, saberes e sabores da região. É o Douro apresentado ao mundo na primeira pessoa: selvagem, humano, intemporal, generoso, romântico, laborioso e fervilhante.
A candidatura do Vale do Douro a Maravilha Natural de Portugal é apadrinhada por Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto. Para votar basta aceder ao site www.7maravilhas.pt, ligar para 760302718 ou enviar SMS para 68933718.
O Vale do Rio Douro é considerado uma das 77 Maravilhas Naturais do Mundo, a par de outras como o chileno Deserto de Atacama e o Monte Olimpo, da Grécia, de um grupo inicial de mais de 440 candidatos ao concurso que decorreu no ano passado a nível global. Foi, aliás, a única candidatura portuguesa a qualificar-se para a segunda fase da eleição das 7 Maravilhas Naturais do Mundo.
Entre outras, o Douro ainda reúne as insígnias de mais antiga Região Demarcada e Regulamentada do Mundo (1756) e Património da Humanidade da UNESCO (2001). Detém, desde 2008, o qualificativo de Destino Turístico de Excelência, pela Organização Mundial do Turismo e, no ano passado, foi também considerado pela National Geographic Society como o 16º melhor destino mundial para turismo sustentável e o 7º melhor da Europa, de entre 133 candidatos.
Apesar da crise internacional que também afecta o sector do Turismo, a procura no Douro registou mesmo um crescimento de taxas de ocupação em 2009 e está bem consolidada e com resultados positivos em 2010. Para 2012, segundo o presidente da Turismo do Douro, o objectivo é atingir o meio milhão de dormidas/ano na região. Espigueiro

José Silvano acusa ministro de só dizer “patacoadas”

A Linha do Tua é mais rentável para a região, em termos turísticos, do que a Auto-estrada Transmontana.
A ideia é defendida pelo autarca de Mirandela, no seguimento das palavras do Ministro das Obras Públicas que, na Assembleia da República, disse que a manutenção da linha tem um custo de 150 milhões por ano e, por isso, valia mais comprar um carro a cada utilizador da linha.
Silvano diz que o Ministro anda confuso com os números, e não acerta naquilo que diz.
Desde que entrou para ministro ainda não acertou uma. Disse que a segurança da linha custaria 150 milhões de euros, isto é, fazer uma praticamente nova, e não o funcionamento da linha como ele disse, que estava a enganar os deputados. O funcionamento da linha custa à CP 250 mil euros por ano. O que custaria 150 milhões era a consolidação e manutenção da linha para que tivesse segurança no futuro. Mas o investimento de 150 milhões seria mais rentável para a região do que os trezentos e tal da auto-estrada. É que a auto-estrada traz gente mas leva gente da região e a linha apenas traz. Por isso é que digo que é mais uma patacoada do senhor ministro.”
Seguindo o raciocínio do Ministro António Mendonça, o presidente da câmara de Mirandela ironiza e sugere que nas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, onde o prejuízo é muito maior, a classe dos veículos a oferecer seja diferente.
É de rir porque eu então pergunto pelos mil e seiscentos milhões de euros de saldo negativo da Metro do Porto? Será para comprar um camião a cada portuense? E os dois mil milhões do metro de Lisboa, que já davam para um camião TIR a cada lisboeta? Se a questão é posta assim, tem de ser vista em todos os lados em todo o lado e não só em Trás-os-Montes.”
A reacção do autarca de Mirandela às recentes declarações do Ministro das Obras Públicas em relação à Linha do Tua.
CIR/Brigantia

terça-feira, 13 de julho de 2010

Challenge Nightly BTT - 24 de Julho Carrazeda de Ansiães

Daqui e dali... Fernando Sobral

O PS é hoje um Shrek envergonhado da sua figura e apaixonado por uma princesa socialista que nunca desposará. A ideologia do PS é o poder. As paixões ideológicas, deixa-as para momentos em que luta para se manter no poder, como acontece na cruzada anticapitalista destes dias.
O PS é liberal nos dias pares e social-democrata nos ímpares. Aos domingos pede uma terceira via para lhe salvarem a alma. O PS perdeu a bússola e já não sabe nem onde está, nem para onde se dirige. E o que se passou na PT mostrou qual era o socialismo que Sócrates defendia para Portugal: um centralismo democrático gerido por si.
Hipnotizado pelo grande Belzebu do poder, o PS deixou de ser o partido das causas morais e do Estado social. Enleado no polvo do poder, quer que ele anuncie a sua vitória total. Para o PS, tudo era bonito quando o crescimento económico e a folga orçamental permitiam apregoar o Sol que brilharia amanhã e no dia seguinte. A crise destruiu o arranjo floral socialista. O desemprego é a sua água insalubre. Os cortes sociais são o seu óleo de fígado de bacalhau.

O PS já não sabe o que é. Por isso é que João Proença acha que o aumento do IVA é a via verde para o socialismo.

E o Governo faz do aumento consecutivo de impostos a sua "Internacional". Quando olha para os princípios que já defendeu, o PS é como o Shrek: acha que é o príncipe perfeito.

Fernando Sobral, JN

Sim ou Não às barragens do Tua e Sabor? - Museu do Douro, 17JUL2010

Ministro diz que fica mais barato dar um carro a cada pessoa do que manter a Linha do Tua

Fica mais barato dar um carro a cada passageiro por ano, incluindo combustível, do que manter a Linha do Tua nas condições em que estava a ser explorada.
São declarações do Ministro das Obras Publicas, António Mendonça, na Assembleia da República, onde revelou que ainda não há soluções tomadas sobre a Linha do Tua, mas os estudos apontam que a melhor alternativa seria criar vias rodoviárias.
Custa 29 mil euros. Quase que mais vale dar um carro a cada um por ano, incluindo combustível”, disse. “Terá de ser uma solução unimodal. As pessoas não podem andar a mudar de transporte uma ou duas vezes por percurso.”
O Partido Ecologista “Os Verdes”, que solicitou a presença do ministro para esclarecer a posição do governo face a esta matéria, considerou que António Mendonça desconhece a realidade do Vale do Tua e que manifestou um claro desrespeito pela população servida pela linha.
Manuela Cunha, dirigente dos Verdes, desafia a população a escrever uma carta ao ministro a solicitar o carro oferecido.
É uma grande falta de respeito pelas populações. Apelo às populações do Vale do Tua para lhe enviarem uma carta a pedir o carro. Seria interessante ver a sua reacção. Mostrou um grande desconhecimento e foi desonesto com os números”, acusa.
O Governo garante que nos comboios do Tua passavam quase cem passageiros diariamente e que isso custava ao Estado 150 milhões de euros por ano.
Manuela Cunha contraria estes números.
Para chegar à conclusão que a Linha do Tua não tinha passageiros, usou os números de 2008, em que a linha esteve encerrada grande parte do ano devido a um acidente. Nós apresentámos números de 2006, dados pela Secretária de Estado, e que mostram que tinha muita utilização, sobretudo no Verão, e que ficava mesmo aquém das necessidades.”
O Ministro das obras públicas prometeu apresentar mais soluções para a Linha do Tua, quando esta matéria passar pela comissão parlamentar.
CIR/Brigantia

segunda-feira, 12 de julho de 2010

VII Terra Flor - I Challenger Paintball - 17 de Julho

Adão Silva pede explicações à Ministra da Saúde pela inoperacionalidade dos meios do INEM

O helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros não consegue assegurar o socorro 24 horas por dia por falta de médicos.
Uma situação que está a preocupar o deputado do PSD, eleito pelo círculo de Bragança, que já questionou o Ministério da Saúde sobre esta situação.
De recordar que o helicóptero está a funcionar há três meses e meio e foi uma contrapartida do Governo pelo encerramento nocturno dos Serviços de Atendimento Permanente.
Adão Silva mostra-se decepcionado com esta inoperacionalidade e quer que Ana Jorge explique a situação porque, segundo ele, é contrária à que anunciou no mês de Abril, na inauguração deste meio aéreo de socorro.
Não foi isto que foi anunciado pela senhora ministra em Macedo de Cavaleiros. Disse que o helicóptero teria equipa médica de apoio e se não interviesse é porque havia climatéricas adversas. Não estávamos à espera é que houvesse esta deficiência na equipa médica e, por isso, ficámos muito decepcionados.”
Adão Silva diz que os custos com o meio aéreo são muitos, e que, por isso, não admite o cenário de inoperacionalidade por falta de médicos. Pior ainda quando em simultâneo estão inoperacionais o helicóptero e a VMER de Bragança.
O helicóptero custa quatro a cinco milhões de euros por ano. Qualquer dia que esteja parado é um enorme desperdício e uma falta de compromisso para com a população, depois de o Governo ter encerrado serviços de saúde.” O deputado do PSD pede uma resolução urgente do problema.“Precisamos de ter credibilidade e confiança nos instrumentos que são postos pelo Governo à disposição dos cidadãos. E sabe-se que vai haver uma larga lista de dias em que o meio aéreo não vai estar disponível.”
A ministra da Saúde tem agora 30 dias para responder.
Mas o INEM já fez saber que em breve vai dar formação a mais médicos para integrar na equipa de Macedo de Cavaleiros
. CIR/Brigantia

sexta-feira, 9 de julho de 2010

II Festival Internacional de Canoagem de Águas Bravas da Terra Quente - 9, 10 e 11 de Julho

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

As formas de contiguidade de Hélder de Carvalho

Engraçado. Ia, dia 1 de Julho, a caminho da Biblioteca Municipal, quando deparei com a Exposição de Hélder de Carvalho, no Auditório Municipal de Gondomar, até 25 do corrente.
Alegria imensa. Re_
vi todas as suas esculturas próximas da arte abstracta, como defende Albano Martins, no folheto de apresentação. Mas, o que mais toca a este leigo/diletante, continua sendo as suas pinturas: Divagações e Figurações I, II e III. É aí que mais lhe vejo
«A Mão, a mais espantosa das invenções da Natureza».
V.A.V.

Medidas de austeridade são contributo para agravamento de situações de pobreza

A democracia na Europa pode estar em causa por causa da injustiça social que está a agravar situações de pobreza.
A opinião é do presidente da REAPN-Portugal, a Rede Europeia Anti-Pobreza.
O padre Jardim Moreira esteve ontem à noite numa conferência organizada pelo Centro Social e Paroquial do Santo Condestável, em Bragança, e manifestou-se preocupado com as políticas europeias de luta contra este problema social, pois segundo ele, em vez de a resolveram geram ainda mais pobreza.
No estado actual, a Europa produz um milhão de pobres por ano e se assim é quer dizer que o sistema é perverso” refere, acrescentando que “não é verdade que os políticos queiram lutar contra a pobreza porque eles geram pobreza mais que ninguém e para os manter calados e controlados dão-lhe umas migalhas”. “Isto não é solução porque não é justa e não tem em conta a igual dignidade das pessoas” salienta. “A democracia pode assim estar em causa porque fala-se de direitos iguais para todos, mas na prática não são” considera.
(...) Brigantia

quinta-feira, 8 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Amor à camisola

«Depois de ter sido conhecida a diária de 800 euros que os jogadores arrecadaram desde o início do estágio de preparação na Covilhã, a 14 de Maio, passaram 48 dias até 30 de Junho, o dia que marcou a viagem de regresso da Selecção Nacional a Portugal.
A participação no Mundial 2010 deve, então, custar à Federação Portuguesa de Futebol 813 600 euros.
Excluindo o futebolista Zé Castro, do Deportivo da Corunha, dos 23 que mereceram o cognome de Navegadores, chega-se a uma média de cerca de 35 mil euros por cada jogador.
Aos valores auferidos poderão, no entanto, acrescentar-se eventuais prémios monetários da FIFA e proveitos de cariz publicitário ou televisivo.» in O Jogo.

Fiquei muito contente pelo facto de a contra-proposta dos capitães da selecção haver sido logo aceite pela Federação, evitando-se manifestações in_
dignas de sindicalistas. E ainda se ouvem os detractores (do meu bairro) dizerem que os futebolistas se cansaram a jogar a sueca no hotel.

Fiquei muito triste pelo facto de falharem o prémio de 50 mil euros, a título individual, previsto para o caso de Portugal ficar no primeiro lugar do Grupo G, onde estavam incluídos Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte. É que o segundo lugar não deu direito a qualquer compensação.

E ainda se ouvem os detractores (deste Governo, pois a Federação depende do Secretário de Estado do Desporto e este do Ministro da Presidência) dizerem que os jogadores não revelaram qualquer amor à camisola! Com a Crise, que trabalhador manual ou pedonal, se daria ao luxo de não correr/lutar por tal prémio federativo? Assim,

tenho muita pena por cada jogador português presente no Mundial da África do Sul não receber 340 mil euros, prémio pensado para Portugal erguer a Taça. Se as quinas ficassem no segundo lugar, cada convocado de Carlos Queiroz receberia no total 290 mil euros.

E ainda se ouvem os detractores (do meu país, todos os que não se importavam de ser espanhóis, pois os jogadores desta selecção podem dar-se ao luxo de oferecer parte do Prémio) dizerem que os jogadores não comeram a relva, quando ganhariam em dois meses o que muitos desempregados só com 100 anos de trabalho.
A passagem aos quartos-de-final do Mundial renderia a cada atleta mais 50 mil euros, o mesmo que se atribuiria pelo sucesso nas meias-finais. Pela Nação,

num lar de Bragança, os velhinhos obrigaram as velhinhas a levantar-se e a cantar o hino, antes dos jogos.

- Que bela lição de patriotismo!

V.A.V.

Post Scriptum: Adoro a estratégia das 1001 noites de Gilberto Madail. Diz que sai, que sai, mas vai saindo… Os Governos passam, e ele sobre_

vive. Não é de acaso. A teia nunca se des_

montou. A Federação Portuguesa de Futebol ainda é um órgão corporativo. Aí se festeja a 24 de Abril: pelos corpos dos árbitros, dos treinadores, dos jogadores, das associações… Lembro que Artur Jorge nem votos conseguiu dessas corporações para ser… candidato!

Também, o que mais nos interessa, não é?, são os exemplos dos seleccionadores para as crianças e jovens: adorei, adorei, adorei, como diria João César Monteiro, nas Recordações da Casa Amarela.
Seu Scolari agrediu um jogador sérvio, sublinho, em defesa legítima das minorias: do minino cigano Quaresma. Tal gesto patriótico de intervenção na Guerra dos Balcãs, como num raid da NATO, motivou a sua defesa federativa no castigo aplicado pela UEFA.

Carlos Queirós, esse professor, terá passado a luva branca na dupla face de um jornalista televisivo, no aeroporto, mas isso foi há que tempos!, ainda que agora tenha ameaçado, após a eliminação do Mundial, contra in_

certos, medida politicamente correcta, face ao sensacionalismo dos media…

Feiras - Vila Flor - Mirandela

Autarca de Vila Flor critica calendário da Reginorde

A Terra Flor, a feira dos produtos e sabores que se realiza em Vila Flor de 15 a 18 de Julho vai coincidir com a Reginorde de Mirandela, cuja realização passou, este ano, de Maio para Julho, decorrendo entre os dias 10 e 17.
O presidente da Câmara de Vila Flor, Artur Pimentel, que ontem apresentou o certame do seu concelho, diz que não há concorrência entre as duas feiras, mas não escondeu a ironia.
(...) Brigantia

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Saramago e o Nobel da Literatura

Em termos gerais (muito gerais), pode dizer-se que houve dois Saramagos. Que até bem perto
do Nobel, Saramago como que encarnou a sua personagem de (…) o cerco de Lisboa (1989), Raimundo Benvindo Silva, o qual, pela incumbência em rever um livro sobre a História de Portugal (baseado na de Alexandre Herculano), resolve cometer propositadamente um erro, acrescentando um Não... Sempre havendo alguém que resiste,
alguém que diz

«os cruzados Não auxiliarão os portugueses a conquistar Lisboa».

Embora a editora avançasse depois com uma ERRATA, tal erro provocaria a necessidade de se reescrever aquele episódio da História de Portugal. E Raimundo Silva, digo, Saramago, sente-se então motivado a tomar aquela frase como motivo para reescrever a História. Que tal reescrita acontecera também em Memorial do Convento (1982), onde Saramago misturou a factos reais com personagens inventadas, Blimunda e Baltazar, operário este à medida da luta de classes, no sentido marxista. Que concluía pela «nova» versão de que não foi o rei a construir o convento de Mafra, mas o povo que nele trabalhou. (E lá está a Igreja, ao serviço da Opressão…). Mas tal reescrita já sucedera também em O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) - sobre as voltas do heterónimo epicurista triste de Fernando Pessoa por Lisboa, em A Jangada de Pedra (1986) - no que se questiona o papel de Portugal… e Espanha, pela então CEE, através da metáfora da nossa Península, soltando-se da Europa e encontrando a seu lugar, entre a velha Europa e a nova América; e aconteceria depois com O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)… De igual modo,

o nobelizado que se lhe seguiu, Gunter Grass, também operou uma outra visão da História, pelo lado dos vencidos, sobre
tudo e todos seus livros, em O tambor (1956) e A Ratazana (1986)… Questionando a dois milagres económicos: o nazi e o da Queda do Muro… Mas,

voltando a Saramago, a 2ª fase é a dos temas universais: do mundo capitalista sem rosto e razão humanos, da nossa mais do que cristã?, tão existencialista?, histórico-materialista «condenação» à Morte… Entre 1995 e 2005, em torno do Nobel de 1998, Saramago publicou mais seis romances, em que as intrigas se desenrolam já libertas de personagens de anais históricos, e de locais ou épocas bem definidos: assim o Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio Sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005). Assim,

se dá depois um retorno à re_
escrita, digo, à imaginação prodigiosa de cobrir os espaços em branco da História, com a obra-prima A Viagem do Elefante (2008), a partir do facto bem histórico de o rei D. João III ter oferecido a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano, Salomão, que há dois anos se encontrava em Belém, vindo da Índia.

- Façam a Viagem!
Vitorino

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Saramago – a Obra

E Deus PODERIA ter dito:
- Teu nome será Populus e de ti e em ti assentará a minha descendência. Lavrarás a terra em meu Nome e dela e do teu suor alimentarás teus irmãos … e terás rebanhos e canseiras, tudo em minha Honra.

- Tu te chamarás Petrus e sobre ti erguerei a minha Igreja. Terás honrarias, mas guardarás e zelarás os rebanhos de teu irmão … os alimentarás, os tosquiarás e de seu leite e de sua lã farás ostentação, tudo em minha Glória.

- E eu? E eu?

Deus olhou aquele ser enfezado, doentio, quase insignificante, e sem mais benesses para distribuir disse:

- Tu, o mais refilão, o mais irrequieto, servirás de reflexão a teus irmãos. A tua missão será a de questionar os seus e os Meus desígnios. Não tenho nome para ti, mas ficarás conhecido como o “novo Caim", por amor a Mim.

E PODER-SE-IA ter feito o que Deus PODERIA ter dito …E assim, por milénios, a Lua se transfiguraria em quatro … por milénios o Sol voltearia no espaço … por milénios as Estrelas guardariam tão estranhas determinações.

Entretanto Populus cresceria em labor e canseiras … esgatanhando a terra!...
Petrus engordaria, prosperaria como Igreja … e da lã dos rebanhos do irmão teceria os mais finos paramentos!...O outro, amadureceria anónimo … carregando o anátema de ”Caim do Senhor”!...

Ab abrupto, a OBRA nasce …E com ela nova oceanicidade nos é oferecida … ao sabor dos ventos de um Nobel, prémio maior de toda a Literatura ...E a Língua portuguesa, a nossa “Ditosa Língua nossa Amada”, com Saramago retorna aos quatro cantos do Mundo, levando mais um pouco de nossa Arte e Engenho a todas as civilizações …

Severo mas intensamente poético, José Saramago foi, sem dúvida, no dizer de um seu crítico, "Um dos últimos titãs de um género literário que se está a desvanecer”.

A intenção da sua Obra é apresentar, à luz do “sentimento”, um contraste entre a “aristocracia” ociosa e o “povo”, pilar e feitor da História. São as tão conhecidas “lutas de classes,” a sua tão querida metáfora marxista.

A sua crítica a uma Igreja “opressiva” e ao serviço dos “opressores” perpassa em quase toda a sua Obra e foi, não por acaso, o início de uma tentadora iniciação à “destruição do religioso", como fenómeno “castrador de massas".

É, também, a defesa do seu arreigado iberismo, mormente o papel “desagregador” de uma Europa que se pretendia unida.A sua “Jangada de Pedra” é isso mesmo … metaforicamente vê a Península Ibérica (qual jangada) a “soltar-se” dessa mesma Europa e à procura da “velha” Europa, qual nova América.

Bem como a sua visão de um Cristo que já não se revê em Deus, seu Pai …

É, igualmente, a sua pergunta constante: o que é o Cristianismo, porque terá o Homem de morrer em sofrimento? Em nome de quê, ou de quem?

E se, por vezes, as suas figurações são suaves, qual reminiscência da “frauta pastoril”, outras tantas são violentas, qual eco de "caserna militar" romana.

Quantas vezes a interpretação, o protesto, a tese, ficam sumidos, esquecidos … a culpa é do “domínio” da beleza formal e da Arte com que o Autor dá conceção aos seus poemas em prosa.

Mas Saramago vai mais longe:

- A “História do Cerco de Lisboa” assenta na figura de num obscuro “revisor de textos” que, com o acrescentar de um simples NÃO mudaria todo o sentido histórico.- Ou, ainda, em “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, em que questiona o “papel” de Deus, pondo Cristo a insurgir-se contra Ele, ou seja, contra o seu próprio destino.

Páginas admiráveis de sagacidade em que se entremeiam na narrativa profundos pensamentos do Autor, plenamente irmanados em toda a evocação intuitiva do romance.

A expressão de tais pensamentos (todos os pensamentos de todas as suas obras) é feita em fino estilo, de grande “majestade”, pleno de imagens grandiosas … dir-se-ia em estilo “bíblico”.

Ao ler Saramago, o leitor encontrará “suavidade” aqui, “impetuosidade” acolá ...Descrições encantadoramente originais, harmonia, ritmo, melodia, estilística, povoam as suas páginas.

Urbi et Orbe, a História anotará:

“Aos dezoito dias do mês de junho, do ano da Graça do Senhor de dois mil e dez, morreu, suavemente, na sua casa de Lanzarote, um ESCRITOR, um PENSADOR, um PORTUGUÊS”.

E Deus, em toda a sua magnanimidade, PODERIA ter dito:

- ECCE HOMO!

Como o não disse, e em seu lugar, digamos (com Camões):

“... Ditosa Pátria que tais filhos tem!”

Carlos Fiúza