quarta-feira, 14 de julho de 2010

Douro lança campanha promocional mais ampla de sempre

Já está no terreno a campanha mais ampla de sempre de promoção do Douro, a envolver todos os municípios da região, com um investimento de 465 mil euros.
Maravilhe-se com ele”, campanha da candidatura do Vale do Douro a Maravilha Natural de Portugal, é lançada pela Associação dos Empresários Turísticos do Douro e Trás-os-Montes (AETUR), em conjunto com a Turismo do Douro e outras entidades, e arranca, nesta primeira fase, na imprensa generalista e Metro do Porto.
António Martinho, presidente da Turismo do Douro, destaca que esta iniciativa resulta da coordenação de mais de vinte concelhos do Douro, “de braço dado e em sintonia. E é esta coesão que pode garantir um futuro sustentável e dar a conhecer a todos a oferta extraordinária da região, sem dúvida uma das mais belas do nosso país”.
A campanha decorre até 7 de Setembro e surge no âmbito da candidatura às Sete Maravilhas. Em próximas fases estará presente também em outdoors, televisão, rádio e internet e redes sociais, bem como em acções em cidades europeias.
O mote – “Maravilhe-se com ele” – desenvolve-se em várias peças, através de um rio que fala por si e revela, através dos seus reflexos e do seu próprio discurso, toda a riqueza, história, arte, gente, saberes e sabores da região. É o Douro apresentado ao mundo na primeira pessoa: selvagem, humano, intemporal, generoso, romântico, laborioso e fervilhante.
A candidatura do Vale do Douro a Maravilha Natural de Portugal é apadrinhada por Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto. Para votar basta aceder ao site www.7maravilhas.pt, ligar para 760302718 ou enviar SMS para 68933718.
O Vale do Rio Douro é considerado uma das 77 Maravilhas Naturais do Mundo, a par de outras como o chileno Deserto de Atacama e o Monte Olimpo, da Grécia, de um grupo inicial de mais de 440 candidatos ao concurso que decorreu no ano passado a nível global. Foi, aliás, a única candidatura portuguesa a qualificar-se para a segunda fase da eleição das 7 Maravilhas Naturais do Mundo.
Entre outras, o Douro ainda reúne as insígnias de mais antiga Região Demarcada e Regulamentada do Mundo (1756) e Património da Humanidade da UNESCO (2001). Detém, desde 2008, o qualificativo de Destino Turístico de Excelência, pela Organização Mundial do Turismo e, no ano passado, foi também considerado pela National Geographic Society como o 16º melhor destino mundial para turismo sustentável e o 7º melhor da Europa, de entre 133 candidatos.
Apesar da crise internacional que também afecta o sector do Turismo, a procura no Douro registou mesmo um crescimento de taxas de ocupação em 2009 e está bem consolidada e com resultados positivos em 2010. Para 2012, segundo o presidente da Turismo do Douro, o objectivo é atingir o meio milhão de dormidas/ano na região. Espigueiro

José Silvano acusa ministro de só dizer “patacoadas”

A Linha do Tua é mais rentável para a região, em termos turísticos, do que a Auto-estrada Transmontana.
A ideia é defendida pelo autarca de Mirandela, no seguimento das palavras do Ministro das Obras Públicas que, na Assembleia da República, disse que a manutenção da linha tem um custo de 150 milhões por ano e, por isso, valia mais comprar um carro a cada utilizador da linha.
Silvano diz que o Ministro anda confuso com os números, e não acerta naquilo que diz.
Desde que entrou para ministro ainda não acertou uma. Disse que a segurança da linha custaria 150 milhões de euros, isto é, fazer uma praticamente nova, e não o funcionamento da linha como ele disse, que estava a enganar os deputados. O funcionamento da linha custa à CP 250 mil euros por ano. O que custaria 150 milhões era a consolidação e manutenção da linha para que tivesse segurança no futuro. Mas o investimento de 150 milhões seria mais rentável para a região do que os trezentos e tal da auto-estrada. É que a auto-estrada traz gente mas leva gente da região e a linha apenas traz. Por isso é que digo que é mais uma patacoada do senhor ministro.”
Seguindo o raciocínio do Ministro António Mendonça, o presidente da câmara de Mirandela ironiza e sugere que nas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, onde o prejuízo é muito maior, a classe dos veículos a oferecer seja diferente.
É de rir porque eu então pergunto pelos mil e seiscentos milhões de euros de saldo negativo da Metro do Porto? Será para comprar um camião a cada portuense? E os dois mil milhões do metro de Lisboa, que já davam para um camião TIR a cada lisboeta? Se a questão é posta assim, tem de ser vista em todos os lados em todo o lado e não só em Trás-os-Montes.”
A reacção do autarca de Mirandela às recentes declarações do Ministro das Obras Públicas em relação à Linha do Tua.
CIR/Brigantia

terça-feira, 13 de julho de 2010

Challenge Nightly BTT - 24 de Julho Carrazeda de Ansiães

Daqui e dali... Fernando Sobral

O PS é hoje um Shrek envergonhado da sua figura e apaixonado por uma princesa socialista que nunca desposará. A ideologia do PS é o poder. As paixões ideológicas, deixa-as para momentos em que luta para se manter no poder, como acontece na cruzada anticapitalista destes dias.
O PS é liberal nos dias pares e social-democrata nos ímpares. Aos domingos pede uma terceira via para lhe salvarem a alma. O PS perdeu a bússola e já não sabe nem onde está, nem para onde se dirige. E o que se passou na PT mostrou qual era o socialismo que Sócrates defendia para Portugal: um centralismo democrático gerido por si.
Hipnotizado pelo grande Belzebu do poder, o PS deixou de ser o partido das causas morais e do Estado social. Enleado no polvo do poder, quer que ele anuncie a sua vitória total. Para o PS, tudo era bonito quando o crescimento económico e a folga orçamental permitiam apregoar o Sol que brilharia amanhã e no dia seguinte. A crise destruiu o arranjo floral socialista. O desemprego é a sua água insalubre. Os cortes sociais são o seu óleo de fígado de bacalhau.

O PS já não sabe o que é. Por isso é que João Proença acha que o aumento do IVA é a via verde para o socialismo.

E o Governo faz do aumento consecutivo de impostos a sua "Internacional". Quando olha para os princípios que já defendeu, o PS é como o Shrek: acha que é o príncipe perfeito.

Fernando Sobral, JN

Sim ou Não às barragens do Tua e Sabor? - Museu do Douro, 17JUL2010

Ministro diz que fica mais barato dar um carro a cada pessoa do que manter a Linha do Tua

Fica mais barato dar um carro a cada passageiro por ano, incluindo combustível, do que manter a Linha do Tua nas condições em que estava a ser explorada.
São declarações do Ministro das Obras Publicas, António Mendonça, na Assembleia da República, onde revelou que ainda não há soluções tomadas sobre a Linha do Tua, mas os estudos apontam que a melhor alternativa seria criar vias rodoviárias.
Custa 29 mil euros. Quase que mais vale dar um carro a cada um por ano, incluindo combustível”, disse. “Terá de ser uma solução unimodal. As pessoas não podem andar a mudar de transporte uma ou duas vezes por percurso.”
O Partido Ecologista “Os Verdes”, que solicitou a presença do ministro para esclarecer a posição do governo face a esta matéria, considerou que António Mendonça desconhece a realidade do Vale do Tua e que manifestou um claro desrespeito pela população servida pela linha.
Manuela Cunha, dirigente dos Verdes, desafia a população a escrever uma carta ao ministro a solicitar o carro oferecido.
É uma grande falta de respeito pelas populações. Apelo às populações do Vale do Tua para lhe enviarem uma carta a pedir o carro. Seria interessante ver a sua reacção. Mostrou um grande desconhecimento e foi desonesto com os números”, acusa.
O Governo garante que nos comboios do Tua passavam quase cem passageiros diariamente e que isso custava ao Estado 150 milhões de euros por ano.
Manuela Cunha contraria estes números.
Para chegar à conclusão que a Linha do Tua não tinha passageiros, usou os números de 2008, em que a linha esteve encerrada grande parte do ano devido a um acidente. Nós apresentámos números de 2006, dados pela Secretária de Estado, e que mostram que tinha muita utilização, sobretudo no Verão, e que ficava mesmo aquém das necessidades.”
O Ministro das obras públicas prometeu apresentar mais soluções para a Linha do Tua, quando esta matéria passar pela comissão parlamentar.
CIR/Brigantia

segunda-feira, 12 de julho de 2010

VII Terra Flor - I Challenger Paintball - 17 de Julho

Adão Silva pede explicações à Ministra da Saúde pela inoperacionalidade dos meios do INEM

O helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros não consegue assegurar o socorro 24 horas por dia por falta de médicos.
Uma situação que está a preocupar o deputado do PSD, eleito pelo círculo de Bragança, que já questionou o Ministério da Saúde sobre esta situação.
De recordar que o helicóptero está a funcionar há três meses e meio e foi uma contrapartida do Governo pelo encerramento nocturno dos Serviços de Atendimento Permanente.
Adão Silva mostra-se decepcionado com esta inoperacionalidade e quer que Ana Jorge explique a situação porque, segundo ele, é contrária à que anunciou no mês de Abril, na inauguração deste meio aéreo de socorro.
Não foi isto que foi anunciado pela senhora ministra em Macedo de Cavaleiros. Disse que o helicóptero teria equipa médica de apoio e se não interviesse é porque havia climatéricas adversas. Não estávamos à espera é que houvesse esta deficiência na equipa médica e, por isso, ficámos muito decepcionados.”
Adão Silva diz que os custos com o meio aéreo são muitos, e que, por isso, não admite o cenário de inoperacionalidade por falta de médicos. Pior ainda quando em simultâneo estão inoperacionais o helicóptero e a VMER de Bragança.
O helicóptero custa quatro a cinco milhões de euros por ano. Qualquer dia que esteja parado é um enorme desperdício e uma falta de compromisso para com a população, depois de o Governo ter encerrado serviços de saúde.” O deputado do PSD pede uma resolução urgente do problema.“Precisamos de ter credibilidade e confiança nos instrumentos que são postos pelo Governo à disposição dos cidadãos. E sabe-se que vai haver uma larga lista de dias em que o meio aéreo não vai estar disponível.”
A ministra da Saúde tem agora 30 dias para responder.
Mas o INEM já fez saber que em breve vai dar formação a mais médicos para integrar na equipa de Macedo de Cavaleiros
. CIR/Brigantia

sexta-feira, 9 de julho de 2010

II Festival Internacional de Canoagem de Águas Bravas da Terra Quente - 9, 10 e 11 de Julho

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

As formas de contiguidade de Hélder de Carvalho

Engraçado. Ia, dia 1 de Julho, a caminho da Biblioteca Municipal, quando deparei com a Exposição de Hélder de Carvalho, no Auditório Municipal de Gondomar, até 25 do corrente.
Alegria imensa. Re_
vi todas as suas esculturas próximas da arte abstracta, como defende Albano Martins, no folheto de apresentação. Mas, o que mais toca a este leigo/diletante, continua sendo as suas pinturas: Divagações e Figurações I, II e III. É aí que mais lhe vejo
«A Mão, a mais espantosa das invenções da Natureza».
V.A.V.

Medidas de austeridade são contributo para agravamento de situações de pobreza

A democracia na Europa pode estar em causa por causa da injustiça social que está a agravar situações de pobreza.
A opinião é do presidente da REAPN-Portugal, a Rede Europeia Anti-Pobreza.
O padre Jardim Moreira esteve ontem à noite numa conferência organizada pelo Centro Social e Paroquial do Santo Condestável, em Bragança, e manifestou-se preocupado com as políticas europeias de luta contra este problema social, pois segundo ele, em vez de a resolveram geram ainda mais pobreza.
No estado actual, a Europa produz um milhão de pobres por ano e se assim é quer dizer que o sistema é perverso” refere, acrescentando que “não é verdade que os políticos queiram lutar contra a pobreza porque eles geram pobreza mais que ninguém e para os manter calados e controlados dão-lhe umas migalhas”. “Isto não é solução porque não é justa e não tem em conta a igual dignidade das pessoas” salienta. “A democracia pode assim estar em causa porque fala-se de direitos iguais para todos, mas na prática não são” considera.
(...) Brigantia

quinta-feira, 8 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Amor à camisola

«Depois de ter sido conhecida a diária de 800 euros que os jogadores arrecadaram desde o início do estágio de preparação na Covilhã, a 14 de Maio, passaram 48 dias até 30 de Junho, o dia que marcou a viagem de regresso da Selecção Nacional a Portugal.
A participação no Mundial 2010 deve, então, custar à Federação Portuguesa de Futebol 813 600 euros.
Excluindo o futebolista Zé Castro, do Deportivo da Corunha, dos 23 que mereceram o cognome de Navegadores, chega-se a uma média de cerca de 35 mil euros por cada jogador.
Aos valores auferidos poderão, no entanto, acrescentar-se eventuais prémios monetários da FIFA e proveitos de cariz publicitário ou televisivo.» in O Jogo.

Fiquei muito contente pelo facto de a contra-proposta dos capitães da selecção haver sido logo aceite pela Federação, evitando-se manifestações in_
dignas de sindicalistas. E ainda se ouvem os detractores (do meu bairro) dizerem que os futebolistas se cansaram a jogar a sueca no hotel.

Fiquei muito triste pelo facto de falharem o prémio de 50 mil euros, a título individual, previsto para o caso de Portugal ficar no primeiro lugar do Grupo G, onde estavam incluídos Brasil, Costa do Marfim e Coreia do Norte. É que o segundo lugar não deu direito a qualquer compensação.

E ainda se ouvem os detractores (deste Governo, pois a Federação depende do Secretário de Estado do Desporto e este do Ministro da Presidência) dizerem que os jogadores não revelaram qualquer amor à camisola! Com a Crise, que trabalhador manual ou pedonal, se daria ao luxo de não correr/lutar por tal prémio federativo? Assim,

tenho muita pena por cada jogador português presente no Mundial da África do Sul não receber 340 mil euros, prémio pensado para Portugal erguer a Taça. Se as quinas ficassem no segundo lugar, cada convocado de Carlos Queiroz receberia no total 290 mil euros.

E ainda se ouvem os detractores (do meu país, todos os que não se importavam de ser espanhóis, pois os jogadores desta selecção podem dar-se ao luxo de oferecer parte do Prémio) dizerem que os jogadores não comeram a relva, quando ganhariam em dois meses o que muitos desempregados só com 100 anos de trabalho.
A passagem aos quartos-de-final do Mundial renderia a cada atleta mais 50 mil euros, o mesmo que se atribuiria pelo sucesso nas meias-finais. Pela Nação,

num lar de Bragança, os velhinhos obrigaram as velhinhas a levantar-se e a cantar o hino, antes dos jogos.

- Que bela lição de patriotismo!

V.A.V.

Post Scriptum: Adoro a estratégia das 1001 noites de Gilberto Madail. Diz que sai, que sai, mas vai saindo… Os Governos passam, e ele sobre_

vive. Não é de acaso. A teia nunca se des_

montou. A Federação Portuguesa de Futebol ainda é um órgão corporativo. Aí se festeja a 24 de Abril: pelos corpos dos árbitros, dos treinadores, dos jogadores, das associações… Lembro que Artur Jorge nem votos conseguiu dessas corporações para ser… candidato!

Também, o que mais nos interessa, não é?, são os exemplos dos seleccionadores para as crianças e jovens: adorei, adorei, adorei, como diria João César Monteiro, nas Recordações da Casa Amarela.
Seu Scolari agrediu um jogador sérvio, sublinho, em defesa legítima das minorias: do minino cigano Quaresma. Tal gesto patriótico de intervenção na Guerra dos Balcãs, como num raid da NATO, motivou a sua defesa federativa no castigo aplicado pela UEFA.

Carlos Queirós, esse professor, terá passado a luva branca na dupla face de um jornalista televisivo, no aeroporto, mas isso foi há que tempos!, ainda que agora tenha ameaçado, após a eliminação do Mundial, contra in_

certos, medida politicamente correcta, face ao sensacionalismo dos media…

Feiras - Vila Flor - Mirandela

Autarca de Vila Flor critica calendário da Reginorde

A Terra Flor, a feira dos produtos e sabores que se realiza em Vila Flor de 15 a 18 de Julho vai coincidir com a Reginorde de Mirandela, cuja realização passou, este ano, de Maio para Julho, decorrendo entre os dias 10 e 17.
O presidente da Câmara de Vila Flor, Artur Pimentel, que ontem apresentou o certame do seu concelho, diz que não há concorrência entre as duas feiras, mas não escondeu a ironia.
(...) Brigantia

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Saramago e o Nobel da Literatura

Em termos gerais (muito gerais), pode dizer-se que houve dois Saramagos. Que até bem perto
do Nobel, Saramago como que encarnou a sua personagem de (…) o cerco de Lisboa (1989), Raimundo Benvindo Silva, o qual, pela incumbência em rever um livro sobre a História de Portugal (baseado na de Alexandre Herculano), resolve cometer propositadamente um erro, acrescentando um Não... Sempre havendo alguém que resiste,
alguém que diz

«os cruzados Não auxiliarão os portugueses a conquistar Lisboa».

Embora a editora avançasse depois com uma ERRATA, tal erro provocaria a necessidade de se reescrever aquele episódio da História de Portugal. E Raimundo Silva, digo, Saramago, sente-se então motivado a tomar aquela frase como motivo para reescrever a História. Que tal reescrita acontecera também em Memorial do Convento (1982), onde Saramago misturou a factos reais com personagens inventadas, Blimunda e Baltazar, operário este à medida da luta de classes, no sentido marxista. Que concluía pela «nova» versão de que não foi o rei a construir o convento de Mafra, mas o povo que nele trabalhou. (E lá está a Igreja, ao serviço da Opressão…). Mas tal reescrita já sucedera também em O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) - sobre as voltas do heterónimo epicurista triste de Fernando Pessoa por Lisboa, em A Jangada de Pedra (1986) - no que se questiona o papel de Portugal… e Espanha, pela então CEE, através da metáfora da nossa Península, soltando-se da Europa e encontrando a seu lugar, entre a velha Europa e a nova América; e aconteceria depois com O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)… De igual modo,

o nobelizado que se lhe seguiu, Gunter Grass, também operou uma outra visão da História, pelo lado dos vencidos, sobre
tudo e todos seus livros, em O tambor (1956) e A Ratazana (1986)… Questionando a dois milagres económicos: o nazi e o da Queda do Muro… Mas,

voltando a Saramago, a 2ª fase é a dos temas universais: do mundo capitalista sem rosto e razão humanos, da nossa mais do que cristã?, tão existencialista?, histórico-materialista «condenação» à Morte… Entre 1995 e 2005, em torno do Nobel de 1998, Saramago publicou mais seis romances, em que as intrigas se desenrolam já libertas de personagens de anais históricos, e de locais ou épocas bem definidos: assim o Ensaio Sobre a Cegueira (1995); Todos os Nomes (1997); A Caverna (2001); O Homem Duplicado (2002); Ensaio Sobre a Lucidez (2004); e As Intermitências da Morte (2005). Assim,

se dá depois um retorno à re_
escrita, digo, à imaginação prodigiosa de cobrir os espaços em branco da História, com a obra-prima A Viagem do Elefante (2008), a partir do facto bem histórico de o rei D. João III ter oferecido a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V, um elefante indiano, Salomão, que há dois anos se encontrava em Belém, vindo da Índia.

- Façam a Viagem!
Vitorino

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Saramago – a Obra

E Deus PODERIA ter dito:
- Teu nome será Populus e de ti e em ti assentará a minha descendência. Lavrarás a terra em meu Nome e dela e do teu suor alimentarás teus irmãos … e terás rebanhos e canseiras, tudo em minha Honra.

- Tu te chamarás Petrus e sobre ti erguerei a minha Igreja. Terás honrarias, mas guardarás e zelarás os rebanhos de teu irmão … os alimentarás, os tosquiarás e de seu leite e de sua lã farás ostentação, tudo em minha Glória.

- E eu? E eu?

Deus olhou aquele ser enfezado, doentio, quase insignificante, e sem mais benesses para distribuir disse:

- Tu, o mais refilão, o mais irrequieto, servirás de reflexão a teus irmãos. A tua missão será a de questionar os seus e os Meus desígnios. Não tenho nome para ti, mas ficarás conhecido como o “novo Caim", por amor a Mim.

E PODER-SE-IA ter feito o que Deus PODERIA ter dito …E assim, por milénios, a Lua se transfiguraria em quatro … por milénios o Sol voltearia no espaço … por milénios as Estrelas guardariam tão estranhas determinações.

Entretanto Populus cresceria em labor e canseiras … esgatanhando a terra!...
Petrus engordaria, prosperaria como Igreja … e da lã dos rebanhos do irmão teceria os mais finos paramentos!...O outro, amadureceria anónimo … carregando o anátema de ”Caim do Senhor”!...

Ab abrupto, a OBRA nasce …E com ela nova oceanicidade nos é oferecida … ao sabor dos ventos de um Nobel, prémio maior de toda a Literatura ...E a Língua portuguesa, a nossa “Ditosa Língua nossa Amada”, com Saramago retorna aos quatro cantos do Mundo, levando mais um pouco de nossa Arte e Engenho a todas as civilizações …

Severo mas intensamente poético, José Saramago foi, sem dúvida, no dizer de um seu crítico, "Um dos últimos titãs de um género literário que se está a desvanecer”.

A intenção da sua Obra é apresentar, à luz do “sentimento”, um contraste entre a “aristocracia” ociosa e o “povo”, pilar e feitor da História. São as tão conhecidas “lutas de classes,” a sua tão querida metáfora marxista.

A sua crítica a uma Igreja “opressiva” e ao serviço dos “opressores” perpassa em quase toda a sua Obra e foi, não por acaso, o início de uma tentadora iniciação à “destruição do religioso", como fenómeno “castrador de massas".

É, também, a defesa do seu arreigado iberismo, mormente o papel “desagregador” de uma Europa que se pretendia unida.A sua “Jangada de Pedra” é isso mesmo … metaforicamente vê a Península Ibérica (qual jangada) a “soltar-se” dessa mesma Europa e à procura da “velha” Europa, qual nova América.

Bem como a sua visão de um Cristo que já não se revê em Deus, seu Pai …

É, igualmente, a sua pergunta constante: o que é o Cristianismo, porque terá o Homem de morrer em sofrimento? Em nome de quê, ou de quem?

E se, por vezes, as suas figurações são suaves, qual reminiscência da “frauta pastoril”, outras tantas são violentas, qual eco de "caserna militar" romana.

Quantas vezes a interpretação, o protesto, a tese, ficam sumidos, esquecidos … a culpa é do “domínio” da beleza formal e da Arte com que o Autor dá conceção aos seus poemas em prosa.

Mas Saramago vai mais longe:

- A “História do Cerco de Lisboa” assenta na figura de num obscuro “revisor de textos” que, com o acrescentar de um simples NÃO mudaria todo o sentido histórico.- Ou, ainda, em “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, em que questiona o “papel” de Deus, pondo Cristo a insurgir-se contra Ele, ou seja, contra o seu próprio destino.

Páginas admiráveis de sagacidade em que se entremeiam na narrativa profundos pensamentos do Autor, plenamente irmanados em toda a evocação intuitiva do romance.

A expressão de tais pensamentos (todos os pensamentos de todas as suas obras) é feita em fino estilo, de grande “majestade”, pleno de imagens grandiosas … dir-se-ia em estilo “bíblico”.

Ao ler Saramago, o leitor encontrará “suavidade” aqui, “impetuosidade” acolá ...Descrições encantadoramente originais, harmonia, ritmo, melodia, estilística, povoam as suas páginas.

Urbi et Orbe, a História anotará:

“Aos dezoito dias do mês de junho, do ano da Graça do Senhor de dois mil e dez, morreu, suavemente, na sua casa de Lanzarote, um ESCRITOR, um PENSADOR, um PORTUGUÊS”.

E Deus, em toda a sua magnanimidade, PODERIA ter dito:

- ECCE HOMO!

Como o não disse, e em seu lugar, digamos (com Camões):

“... Ditosa Pátria que tais filhos tem!”

Carlos Fiúza

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

José Saramago – o homem
Era uma vez um homem (já não é, já morreu) que nasceu em 1922, num lugarejo chamado Azinhaga, a quem puseram o nome próprio de José (como o pai) e o último apelido de Saramago, alcunha ou apelido de família, porque era comum nesse tempo as pessoas não terem um nome completo tão bem definido como agora. Sorte a dele, porque, de contrário, teria ficado conhecido apenas por José de Sousa.

Este “Saramago” é o dedo do destino a salvá-lo de ter um nome corriqueiro, como a “Sócrates”, este vocábulo o salvou de ter um nome mais banal.
Pois este Saramago, ao que tudo indica, veio ao mundo, dotado pelos pais ou por Deus (nós não somos todos dotados da mesma maneira) de uma inteligência, uma força de vontade, um génio, uma perseverança, uma capacidade de trabalho, um feitio, uma teimosia, fora do comum. Apetrechado destes atributos, meteu-se à vida.
Nasceu num lugar recôndito, mas o pai conseguiu fazer-se polícia (ou fizeram-no, talvez por não ser burro, ser bem comportado e ser talvez salazarista – conditio sine qua non). E, em virtude disso, o pai rumou a Lisboa, para onde mais tarde levou a família. O rapaz, a princípio, não se portou mal: estudou o que pôde ou o que o mandaram estudar e terá sido talvez (nos meus juízos guio-me pela probabilidade mais forte ou pela maior verosimilhança) salazarista como o pai e como eu próprio fui até aos 16 anos.
Mas ao rapaz, chegado a uma certa idade, deu-lhe (quem houvera de dizer) para começar a ler, a ler, a ler, e nunca mais parou. E, ainda mais raro, começou a interrogar-se (e a interrogar os outros) sobre tudo o que lia. Foi irreverente, teve vários ofícios, e um dia (com toda a probabilidade) começou a ler o Soeiro Pereira Gomes, o Alves Redol (como ele, do Ribatejo) e começou a acreditar num paraíso (para todos) na terra, já que não consta que tenha até aí pensado muito num paraíso (para todos) num outro mundo (celestial).
A certa altura fez-se membro do partido comunista, por acreditar que com ele atingiria a felicidade para todos (na terra). Foi já como militante do PC que entrou na revolução de 25/4.
E, logo de seguida, mal nos habituáramos à liberdade, os comunistas pensaram chegada a manhã libertadora e igualitária para todos. E quiseram chegar lá através da via (ditadura do proletariado) consagrada por Marx e, sobre tudo, por Lenine, para não falar de Estaline, que era querido às escondidas e não querido em público.
Esta maré passou-a ele (Saramago) como director do D.N.. E deixou-se levar pelo forte querer de construir rápido um mundo melhor (nisto não era original, pois desde Cristo que os cristãos o tentam conseguir, aliando-se ao poder (Roma), constituindo eles o poder (Idade Média) e recorrendo a meios que nem ao Diabo lembram (a Inquisição deliciou-se com o fogo do inferno a queimar os hereges).
Pois Saramago, em 1975, bem aconselhado pelos camaradas legítimos (os trabalhadores manuais e não só), tornou-se sectário, expulsou os indignos do mundo novo, fez trinta por uma linha, até que ele próprio foi expulso. Ainda lutou no Alentejo pelos desígnios anteriores: trabalhou numa UCP, conversou, conviveu, delirou. E isto numa altura em que os ventos já apontavam fortemente noutra direcção.
Caíu em si, isolou-se, leu, estudou, percorreu o país, e decidiu fazer-se escritor (aquilo que havia escrito até aí já lhe dava alguma esperança de sucesso). E começou por contar a história dos alentejanos, com quem convivera tanto tempo, num estilo na esteira de Soeiro Pereira Gomes, de Alves Redol e tantos, tantos outros, que tiveram as suas primícias literárias no chamado neo-realismo.
E não é que fez uma obra tão bela (literaria e tematicamente) que até a Câmara de Lisboa (de Cruz Abecassis ) lhe reconheceu o mérito e lhe deu um prémio? Escreveu logo de seguida “O Memorial do Convento” e a aceitação geral foi excelente.
Curioso: - num país ortodoxo, conseguiu impôr-se com uma escrita heterodoxa. E continuou a afirmar-se comunista, numa teimosia (ou coerência) próprias de um Salazar, um Hitler, um Cunhal, um Estaline.
Mas a sua esperança num mundo igualitário esfumava-se a cada dia que passava: - a derrocada das “democracias” de Leste, a agonia de Cuba, a viragem para o capitalismo da China, o extremismo da Coreia do Norte.
E então começou a procurar outra via: o Cristianismo e a sua majestática organização, a Igreja Católica. E que viu ele? - O Papa e os cardeais vestidos de ouro, apoiados embáculos de ouro, com cruzes de ouro ao pescoço, vestidos de modo inteiramente desadequado dos tempos actuais. Além disso, passam o tempo com rezas, ladainhas, persignações, julgando que Deus gosta dessas lenga-lengas, desses rituais, esquecendo-se que Este talvez preferisse que a Ele se chegasse pelo amor entre todos.
Pensava que a máxima comunista – de cada um segundo as suas capacidades a cada um segundo as suas necessidades - pudesse ter uma versão cristã, através do espírito de dádiva e de abnegação, que são indubitavelmente apanágio do Cristianismo.
Desiludido, deixou-se de intermediários e questionou directamente Deus e a sua doutrina.
Mas encontrou uma parte dos livros santos que lhe provocou muitos engulhos: o Velho Testamento, onde ele via um Deus que infundia medo, mais que amor, que agia a seu bel-prazer, do qual os humanos tudo aceitavam por Deus poder fazer o que lhe desse na real gana.
E então Saramago concluiu: - Deus, se Tu és isto, então desculpa, não existes. Nós somos apenas, como Tu dizes: - pó, terra, cinza e nada.
E, nesta indagação e luta, morreu. Afirmou-se sempre comunista por aquela dita razão cega da coerência, porque quis continuar a acreditar no paraíso para todos, para não dar parte de fraco e porque não queria ser considerado um arrependido.
E optou por aquilo que é terreno e passageiro, não eterno. Optou, porque, como dizem os cristãos e dizem os existencialistas, o Homem é livre e, sobretudo, livre de decidir.
Decidiu mal, Saramago? Se Deus existe, Deus já lho disse. Porque só o juízo de Deus interessa, não o de homens banais como somos todos nós (ainda que alguns sejam Papas, Cardeais, Ministros ou Secretários).
João Lopes de Matos

A voz da experiência

Henrique Monteiro