terça-feira, 11 de maio de 2010

Câmara de Carrazeda pede um milhão de euros de indemnização à EDP

A Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães exige à EDP um milhão de euros como compensação pelos prejuízos que a construção da barragem do Tua vai causar ao concelho.
É uma das reivindicações constantes numa carta enviada àquela empresa e ao secretário de Estado do Ambiente.
O autarca justifica a pretensão dizendo que “é pela compensação da localização da barragem bem como pela destruição da fauna, flora e do património natural que constitui o vale do Tua sendo que a maioria deste património é pertença do concelho de Carrazeda”.
José Luís Correia acrescenta que “a EDP deve quantificar o apoio a disponibilizar ou a forma de colaboração para a recuperação e dinamização da Caldas de São Lourenço como forma de promover a existência de turismo e saúde de bem-estar”.
A autarquia de Carrazeda também reclama que a EDP se responsabilize pelo transporte público e que estude a possibilidade de construir um novo troço de caminho-de-ferro alternativo ao que vai ser submerso pela barragem.
Caso por razões financeiras seja inviável, a Câmara contrapõe com novas vias rodoviárias.
A câmara defende uma alternativa rodoviária sem custos de manutenção que passará pela requalificar da EN314 da Brunheda ao Pombal e da via municipal do Pombal ao São Lourenço” refere.
Por outro lado, fala também na “construção de uma via panorâmica ao longo do vale do Tua nas proximidades da albufeira. De São Lourenço a barragem deve haver ligação à actual EN108”. O autarca considera que “o impacte visual destas estradas será sempre reduzido quando comparado com a construção da barragem” sendo que “esta solução permite a oferta de um serviço de transporte flexível, conformável e rápido com todas as oportunidade desenvolvimento que a barragem possa gerar”.
Segundo José Luís Correia, pretende-se ainda que os estradões que vão ser criados na margem do seu concelho para acessos à zona onde vai ser construído o paredão da barragem sejam transformados em estrada rodoviária.
Nós defendemos a sua manutenção e requalificação à EN214” ou seja, “eles têm que fazer acessos na nossa margem para construir o paredão prevendo que tudo seja renatura lizado, mas nós queremos que continue, seja requalificado e continue até ao concelho de Alijó”.
Numa reunião recentemente realizada em Murça, os cinco municípios do vale do Tua (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), enviaram um caderno reivindicativo, no qual exigem compensações justas para os concelhos, no caso da construção da barragem vir a ser uma certeza.
Reivindicam que três por cento do valor líquido anual médio da produção sirva para constituir um fundo de financiamento da futura agência de desenvolvimento do vale do Tua.
E que este fundo financie projectos nos cinco concelhos.
CIR/Brigantia

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

O Desportivo de Chaves
E os transmontanos de raça

Há cerca de um ano, o nigeriano Samson jogava no Gondomar e, no CNO da Escola Secundária, submeteu-se a uma sessão de Júri, do qual fiz parte, para obtenção do 12º Ano. A sua Apresentação foi em inglês, com um vídeo sobre a situação política e económica do seu país. Agora,

fico muito feliz por, no Desportivo de Chaves, ir representar Trás-os-Montes na final da Taça de Portugal com o FC Porto. Ele e alguns brasileiros, de que se destaca Danilo, o costa-marfinense Bamba, o francês Karim… Em suma, uma aldeia global. Já quando vejo alguns opinion makers nacionais

falarem do Desportivo de Chaves como representativo de uma região, mas num sentido castrejo, do tempo em que se corriam os rapazes da aldeia vizinha à pedrada, quando eles ousavam ganhar-lhes, rio-me muito. Nem sei bem o que significa transmontano de raça… Li algumas partes do livro do alemão Carsten L. Wilke sobre a história dos judeus portugueses e fiquei a saber (confesso, não sabia) que a sede do cripto-judaísmo nacional sempre foi Bragança, tendo os judeus sido muito usados até Castelo Branco, sobretudo, pelos reis medievais portugueses, quando conquistavam o território aos mouros, para o seu repovoamento. No entanto, um estudo genético demonstra (o que, para muitos transmontanos que se cuidam de gema, vai terrível: em complexo de castração, um autêntico «desmame» da dose una d’ Ilusão) que é a Sul da Península que os genes judeus mais se mantiveram,

o que aponta para que no Norte se deu uma mistura, terrível para a genuinidade da raça… Mas não é na hospitalidade que se dá aos imigrantes que jogam no Chaves ou trabalham nos campos de Carrazeda que os genes sobre_

vivem?

Vitorino Almeida Ventura

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Polémica em Carrazeda de Ansiães com as dimensões de uma sala

Os vereadores independentes na Câmara de Carrazeda de Ansiães exigem ao executivo social-democrata que lhe disponibilize um gabinete condigno para receberem os munícipes.
Depois de várias interpelações ao presidente da Câmara, foi-lhes atribuído um espaço, num edifício da Praça do Município, com o qual a vereadora Olímpia Candeias não concorda.
As instalações, que estão na lei, são para receber os munícipes”, sublinha, dizendo que o presidente da câmara “disponibilizou um espaço exíguo com apenas duas cadeiras, uma secretária e uma estante, onde não cabem quatro pessoas.”
A vereadora acusa o presidente da Câmara de “má vontade” e socorre-se de uma lei de 1999 para invocar o direito da Oposição a instalações adequadas e devidamente equipadas.
Desde a primeira hora a nossa posição é de cooperação e diálogo, e nunca má vontade. Havendo aqui espaços adequados, que podiam ser disponibilizados para receber os munícipes, não o estão a ser por má vontade do senhor presidente.”

O presidente da Câmara de Carrazeda, José Luís Correia, recusa a acusação de má vontade e salienta que as instalações agora cedidas à oposição são as mesmas de mandatos anteriores.
As instalações que disponibilizei não são mais nem menos do que as instalações que o Executivo disponibilizou quando ela fazia parte. São as mesmas que eu mandei preparar.”
E assim, os vereadores da oposição terão de aceitar as instalações cedidas pelo executivo social-democrata para receberem os munícipes.
CIR/Brigantia

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Polémica na câmara de Carrazeda de Ansiães por causa do futebol

Está lançada a confusão em Carrazeda de Ansiães por causa do apoio da Câmara ao Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães.
Na última Assembleia Municipal, o presidente da Câmara, José Luís Correia, explicou que o clube não pode auferir de subsídios como antigamente devido à nova lei, mas antes celebrar um contrato-programa com a autarquia, com base num plano de actividades e respectivo caderno de encargos.
Só que a proposta do Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães, para dois anos e com um orçamento de 65.300 euros, foi chumbada em reunião de Câmara pelos três vereadores da oposição, que estão em maioria.
Os mesmos vereadores, que estão impedidos de falar nas sessões da Assembleia Municipal, salvo em raras excepções, insistiram com o presidente da Câmara para que este ali também explicasse os motivos do voto contra. Este acedeu e os ânimos ficaram mais calmos.
O vereador do PS, Augusto Faustino, explica as suas exigências para votar a favor do apoio ao Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães:
Pura e simplesmente porque era um contrato-programa por dois anos e que estava a ser solicitado por uma comissão administrativa”, explicou. E “para que as coisas se façam legalmente” e “com rigor”, a câmara “pede que haja eleições no clube” e que não esteja “só virado para o futsal”, até porque é, “antes de mais, um clube de futebol de 11”.
Os dois vereadores independentes Olímpia Candeias e Marco Azevedo subscrevem a exigência de Augusto Faustino, mas Olímpia Candeias acrescenta outras:
Se se trata de um protocolo com objectivos desportivos, não tem que desenvolver iniciativas de âmbito cultural ou popular, como o S. João. Não nos parece a forma mais correcta pedir um subsídio para realizar o S. João. Há imensos bairros que podiam fazer isso. Havia ainda a parte cultural. Ora, a Câmara tem um departamento de cultura e não custa assim tanto realizar uma noite de fados.”

O presidente, José Luís Correia, e a vice-presidente, Adalgisa Barata, votaram a favor da proposta do clube. O autarca explica que o fez porque há despesas já realizadas que têm de ser pagas e critica Augusto Faustino e Olímpia Candeias por só agora terem levantado o problema da comissão administrativa, quando em mandatos anterior deixaram atribuir o subsídio:
A comissão administrativa já é de há muitos anos e durante esse tempo sempre apoiaram o clube com subsídios, nunca isto foi problematizado. Só agora é que olharam para essa realidade.”
Desde 1999 que o Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães não tem uma direcção, tendo permanecido uma década sob gestão de uma comissão administrativa.
Nos últimos anos o futebol de 11 perdeu terreno para o Futsal, que, refira-se, tem alcançado bons resultados. A equipa principal conseguiu este ano a dobradinha, sendo campeã distrital e vencedora da Taça da Associação.
CIR/Brigantia

Daqui e dali... Sérgio Andrade

Abençoados os que têm padrinhos

Por vezes, dá-me uma crise de pessimismo desesperado e apetece-me pensar que a diferença entre a democracia e a ditadura é sobretudo esta: em ditadura acontecem coisas que não deviam acontecer e ninguém sabe; em democracia acontecem as mesmíssimas coisas, mas fica-se a saber. Porque pelo menos ainda existe liberdade de Imprensa.

De resto, tanto num como no outro dos regimes havia/há escândalos, uns mais pequenos, outros maiores. Só que, enquanto «dantes» se falava em milhares, «agora» fala-se em milhões. Mas o mecanismo é igual: há hoje, como sempre houve, gente que beneficia de «bênçãos» e que tem «padrinhos», como disse um ex-administrador da PT referindo-se ao tal senhor dos 3,1 milhões.

Há grandes questões susceptíveis de fazer estremecer os alicerces do regime, mas vai sendo cada vez maior o número de coisas, aparentemente pequenas, que vão minando perigosamente o moral da nação. É o caso das remunerações escandalosas. É o caso que acaba de saber-se de vedetas da TV e das telenovelas que fizeram, num hospital público de Lisboa, operações a excesso de banhas na barriga ou falta de banhas nos seios - sem pagar um tostão.

E isto num país onde as listas de espera para intervenções cirúrgicas são aterradoras. Dir-se-á, como se disse, que tal «magnanimidade» não afectou as listas de espera e que as vedetas até prestaram um serviço à sociedade, dado que serviram de cobaias (de luxo…) a médicos que estão a treinar.

Mas são pequenos escândalos como esses que, às vezes mais do que os grandes escândalos, vão criando «sentimentos de revolta» nas pessoas, pela ideia de que «não há justiça igual para todos». E de quem são estas graves palavras? Do presidente da República…
Sérgio Andrade
, JN

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dobradinha à moda de Carrazeda

Entrada alucinante dos endiabrados torredonaflorenses atingindo, com facilidade, a vantagem por duas bolas e deixando na precipitação do remate e nas mãos do herói do jogo, Pedro, um resultado mais dilatado ao intervalo.
A descompressão defensiva da Torre com o 2-0 e a ganância pela goleada, desprotegendo a baliza onde já não estava o keeper maravilha do campeonato, permite ao futsal de transição rápida carrazedense e excelente relação com o golo, operar a reviravolta em 3', e virar completamente o jogo atingindo-se o descanso com 5-2.
Era grande a expectativa para o período complementar e as equipas não defraudaram, jogando como uns predestinados, confirmando-se as premissas competitivas da primeira parte. Os torredonaflorenses a fazer magia, que Pedro não deixava funcionar, e os carrazedenses a jogar muito inteligentemente no erro adversário fazendo dilatar a vantagem.
Uma das coisas que ilustra muito bem o jogo, e a forma como foi resolvido, bastará dizer que enquanto a Torre conseguiu que o seu adversário atingisse a 5ª falta e não se soube aproveitar-se desse factor, o Carrazeda mal o seu adversário atingiu esse desiderato, pressionou a 6ª falta e com aproveitamento no marcador.
Vitória justa da equipa que teve mais cabeça, organizou melhor a sua tranquilidade e teve um keeper que fez a grande diferença, perante um adversário que foi um digno vencido. Expresso

Daqui e dali... Fernando Sobral

O peão sacrificado


Charlie Brown dizia que o segredo da vida é substituir uma preocupação por outra. O segredo do Governo de José Sócrates tem sido substituir as preocupações por ilusões. E estas por desilusões. Só que, desta vez, Sócrates não poderá fazer de Mandrake: não há magia para fingir que se corta na despesa se não se fizer efectivamente isso. O Governo vai ter de atirar para o futuro alguns investimentos e vai meter a mão no bolso dos portugueses, seja através de um aumento de impostos, seja através da distribuição de obrigações do tesouro aos funcionários públicos. Como se imagina, este vai ser um Verão mais quente nas ruas do que nas praias. É esse o destino de Sócrates: vai ter de tomar a cicuta como se fosse uma caipirinha. Este Governo do PS vai pagar o preço da austeridade em forma de derrota eleitoral. As medidas que terá de tomar serão tão duras para uma sociedade já empobrecida que o PS vai pagar no deserto da oposição os seus catastróficos erros desde há anos. A mediocridade benevolente destes anos tem os dias contados. Para Sócrates, agora, estar no Governo é o mesmo que ser condenado a remar nas galés. No fundo, Sócrates tomará as medidas a que se poupará Pedro Passos Coelho, que doou a sua solidariedade, mas que não ficará com o odioso delas. Até hoje Sócrates sobreviveu a todos os seus erros. Só que agora ele tropeçou na sua arrogância delirante que julgava que tudo se submetia à sua vontade. Erro: Sócrates é um peão no meio do grande jogo. Chegou a sua vez de ser sacrificado em nome de valores superiores.
Fernando Sobral, Jornal de Negócios

Futebol Clube de Carrazeda de Ansiães

4.ª Jornada - Campeonato Distrital de Futsal Iniciados
G.D. TORRE 1 - 9 F. C. C. A.


Final da Taça de Futsal da A. F. Bragança - Séniores
A Taça é nossa!!!
Está consumada a "DOBRADINHA".

Época fechada com chave de ouro:

F. C. C. A. 9 - 4 G.D.TORRE
Público

I Evento de Animação Turística - BTT

sexta-feira, 30 de abril de 2010

4.ª Jornada - Campeonato Distrital de Futsal - Iniciados

Pavilhão da Escola Secundária em Torre D. Chama

Domingo, 2 de Maio, pelas 15h00.

G.D.TORRE - F. C. C. A.

Final da Taça de Futsal da A. F. Bragança - Séniores

Pavilhão Municipal de Bragança

1 de Maio de 2010, pelas 20h30

F. C. C. A. x G.D.TORRE

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Daqui e dali... João Lopes de Matos

ACASO, DETERMINISMO, JUSTIÇA E INJUSTIÇA

Esta história é verdadeira e, por isso, merece ser contada.
Era uma vez um senhor robusto, vivaço, engatatão, mulherengo, sem quaisquer problemas com mulheres. Nunca se havia preocupado com o amor, quanto mais com paixões.
Vivia saudavelmente o dia a dia: alegremente, satisfazendo todas as suas necessidades fisiológicas.
Até que um dia … há sempre um dia, o amor bateu-lhe à porta e sob a forma de uma paixão intensa. Sempre tinha tido agradáveis relações sexuais. Mas, como com a mulher que encontrara por acaso e por quem sentira de imediato uma atracção violenta, nunca antes havia experimentado coisa igual. Eram, na realidade, duas almas gémeas, melhor, dois corpos que não se podiam ver um sem o outro. Comunhão mais intensa era impossível. Aquilo é que era um verdadeiro amor, uma verdadeira paixão. Como não podiam passar um sem o outro, não tiveram dúvidas: casaram. Foram muito tempo felizes. Desta felicidade nasceram duas filhas. O amor era tão intenso que ele desleixou-se com o serviço e foi admoestado por isso. Estando em jogo a subsistência de toda a família (ele era o único que trabalhava), resolveu dedicar-se mais ao trabalho e menos à intensa paixão vivida com a mulher. Por vezes, fazia serões e deixava a pobre mulher triste. Ela, que até aí não saía de casa, começou a passar algum tempo nos cafés. O marido estava satisfeito por ver a mulher distrair-se. Só que…por ser tão visível…e le soube que a sua paixão tinha umas conversas e encontros com outros homens, em especial, rapazes novos. Rapidamente descobriu que essas conversas e encontros eram mesmo muito especiais. Como era possível se eles se amavam tanto! Tentou ele, pela grandiosidade do amor que os unia, resolver o problema, perdoando-lhe alguns passos em falso. Mas era demais. Após o uso de métodos pouco ortodoxos, acabaram por se divorciar. O feitio dele não era nada meigo, era mesmo intimidativo e, por isso mesmo, não entendia como ela tivera ousado sequer tal procedimento. Um dia soube que aquilo era de família: a mãe dela tinha tido uma história igual. Estava-lhe na massa do sangue.
Apesar de tudo isto e porque uma mulher lhe dava jeito nos encontros sociais, resolveu casar-se de novo. Mas desta vez tomou as devidas cautelas, já não se deixou levar por amores: casou com uma mulher calada, medrosa e a quem ele intimidava constantemente: ela olhava sempre e só para o chão. Desta união nasceram dois gémeos verdadeiros, iguaizinhos um ao outro, e, por sua vez, iguaizinhos ao pai. Pai e mãe tinham maneiras de ser diametralmente opostas.Ele, tão doce que fora com a outra, era com esta um autêntico carrasco, batendo -lhe com muita frequência. Ela era submissa mas ele havia decidido que esta haveria de pagar tudo (o que a outra fizera). A situação tornou-se insustentável e a família dela não descansou enquanto não os viu divorciados. Os filhos cresceram iguaizinhos ao pai, o que era um tormento para a mãe. Viveram algum tempo com o pai mas não se entenderam com ele: Não houve outro remédio senão irem viver com a pobre mãe. Vivem agora ao lado dela, parecendo-se cada vez mais com o progenitor. Por vezes, a mãe, um tanto tresloucada, confunde-os com o ex-marido, fugindo deles apavorada. Em conversas amenas com os filhos chega a desabafar: - Queridos filhos, porquê isto me aconteceu a mim? Os filhos, apiedados da mãe, concordam: - Tiveste azar, mãe, perdoa- nos.
João Lopes de Matos

quarta-feira, 28 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

Daqui e dali... Carlos Fiúza

Ditosa Língua nossa amada …

Esta é a ditosa Pátria minha amada” – disse o Poeta.
Esta é a ditosa Língua nossa amada” – poderemos nós dizer em eco.

E poderemos porquê?
Poderemos, porque nesta nesga de terra que o oceano beija, desde o afago primeiro à Europa da luz do Espírito, pátria é língua, e língua é pátria.

Um povo se espraiou um dia na conquista de terras que ao pé do mar e ao longe o rodeavam: o povo do Lácio, os Latinos.

Trouxeram os Latinos sua voz consigo, porque o dom natural da fala acompanha o homem onde quer que ele vá.
E mesmo se não falar a boca, falam os olhos, os seus gestos, ou o seu coração, altar da alma, e deus do corpo.

Até aqui, à Lusitânia, onde moravam homens mais pastores do que guerreiros, os Romanos trouxeram com a força do domínio bélico a sujeição dos habitantes iberos.

À luta corpo a corpo sucedeu a luta voz a voz, palavra a palavra.

E assim o latim vulgar, que as bocas romanas traziam até à Hispânia Ulterior, onde se situava a Lusitânia, esse latim venceu os falares iberos; mas na luta com eles travada, o latim vulgar recebeu influências locais, porque diz o povo, e com razão, que “quem vai à guerra dá e leva”.
E assim, embora vencedor, o latim recebeu a marca do povo da Lusitânia, de cunho étnico inconfundível.

“Esta é a ditosa Pátria minha amada”
...

Porque a Lusitânia foi a pátria da nossa pátria, a terra patrum de Portugal.
Esta foi Lusitânia”, como o Poeta diz, e nela de Portugal moravam “os íncolas primeiros” …

Voz dos Lusitanos em união com a voz dos Romanos! …
Essa foi a nascença da nossa bela menina: a Língua portuguesa, a Língua da pátria da nossa pátria.

Parafraseando o Épico, direi:

Esta é a ditosa Língua nossa amada” ...

... a que proveio da modificação do latim na expressão ibero-romana da Hispânia Ulterior.

Começou, portanto, rude a vida da menina Língua portuguesa …
Deram-lhe o ser as vozes dos soldados romanos e as vozes dos pastores da Lusitânia.

Talvez por isso (desculpai a minha imaginação) a Língua ganhou no berço o doce cantar da frauta pastoril e a energia dos homens castrenses.
E como a Lusitânia era enigmática, na nossa Língua ficou para sempre um ar de mistério … o mistério da montanha.

Esta é a ditosa Língua nossa amada” …

Passa o tempo …
... vem a consciência linguística luso-galécia ...
.. ... e ao falar galécio-português, prolonga-se até ao século XIV com expressão artística no lirismo peninsular!

E é então que esta menina, a ditosa Língua nossa amada, beija sua irmã, a língua galega, despede-se dela ao afago do lirismo nostálgico, e procura noivo …

- O noivo é Portugal!

A menina que nascera na Lusitânia, esta nossa Língua bem amada, vem na boca dos homens de armas que limpam a faixa de Portugal da algaravia mourisca.

… E a Língua casou com Portugal. Mas quem foi esse Portugal?

“O Reino Lusitano …"
“Onde a terra se acaba e o mar começa …”


E o mar desafiou Portugal …
... e Portugal aceitou o desafio! ...

E o mar falou a linguagem brava das tempestades e a linguagem meiga do céu azul como espelho do que lhe fica por cima …

E o mar deixou marcado na Língua portuguesa o tom rude das procelas e o tom suave das águas tranquilas …

E o mar se ofereceu, como flor que se oferece a mulher …
... o mar, pedindo licença a Portugal, ofereceu à Língua Portuguesa a delicada flor da Saudade,
....a alma das distâncias por onde Portugal andou em andanças mil ...

........ e a oceanicidade!

Se Portugal é a nossa pátria, também a Língua é muito nossa;
... a voz de Portugal foi a todos os cantos do Mundo falar civilização aos povos que a não conheciam.

Mas a Língua portuguesa não se ficou no engenho das conquistas …
... conseguiu ainda mais! ...
... Conseguiu a arte de um Poeta grande entre os maiores do Universo:
Camões!

... E a arte é de certo modo chave que abre espíritos cultos.

A universalidade de Camões, como expressão épica da universalidade do Portugal descobridor, essa universalidade épica do Português, trouxe à menina que nascera entre pastores e soldados, trouxe à Língua portuguesa a educação de uma Língua culta universal.

E o mar fez-nos a Língua universal! ...
E a voz do Poeta deu grandiosidade àquela que já conquistara o universo.

"Esta é a ditosa Língua nossa amada" ...

- símbolo imorredoiro da presença da pátria nas terras que descobrimos, voz do Poeta cantor de tamanhas glórias.

- e a nossa Língua foi com Portugal descobrir a Terra, e por ela um Poeta cantou as glórias de Portugal no Mundo!
...
E Portugal, pequenino, tornou-se grande pelo esforço que a História regista …
...
- e deixou traços pelo Mundo que descobriu!

E desses traços, o indelével é a Língua portuguesa, com a qual ainda se reza no Oriente, com a qual em plagas e ilhas da Ásia se exprime a vida quotidiana em muitos aspectos.

“Esta é a ditosa Língua nossa amada!” ...

..... Esta é a ditosa Pátria nossa amada ... em Voz!

Carlos Fiúza

Corrupção, hoje não!

Estudantes de Carrazeda criam empresas inovadoras

Duas turmas de 12º ano da Escola Básica e Secundária de Carrazeda de Ansiães criaram duas mini-empresas: a 100% SA (sem álcool), para sensibilizar os jovens para os perigos do consumo de álcool, e a CRZ Innovation, para diversificar a comercialização de maçã.
Ambas são fruto da adesão ao projecto da Fundação EDP “Aprender e Apreender”.
O 100% SA integra oito alunas do Curso de Humanidades e Línguas e dez alunos do Curso de Ciências e Tecnologias.
Ana Cruz, membro daquela mini-empresa explica em que consiste.
Vamos incidir nos mais jovens para prevenir o alcoolismo porque é um problema de todo o país que queremos combater através de palestras, jogos didácticos e teatros para os mais novos” explica, acrescentado quo o objectivo “não é proibir o consumo porque estamos numa região vitivinícola, mas sim controlar a forma como se bebe”.
O CRZ Innovation, é constituído por 16 jovens do Curso Profissional Técnico de Informática e Gestão. Paulo Almeida, um dos membros, explica em que consiste este projecto.
Queremos começar pela venda de maças de quarta gama, cortada, lavada e pronta a ser servida” adianta, explicando que a distribuição será feita “em empresas e máquinas de vending”. “Pensamos que é uma boa ideia” salienta.
A coordenadora dos dois grupos, a professora Alice Costa, ensinou os alunos a serem empreendedores e acredita que os dois projectos vão preparar melhor os alunos para a vida activa.
Penso que vai ter uma influência importante no seu futuro uma vez que os estamos a ensinar a ser empreendedores” refere.
Frederico Lucas acompanhou o nascimento destes dois projectos como empresário voluntário, levando a sua experiência de mercado para dentro da sala de aula, e diz que ficou surpreendido com o talento dos jovens. “A primeira mensagem que lhes trouxe é que eles deveriam criar o seu posto de trabalho e há aqui muitos alunos com talento” refere.
CIR/Brigantia

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Qu'exagero!

Henrique Monteiro

Daqui e dali... Sérgio Andrade


Corrupções e coisas parecidas...

Em 2005, o socialista João Cravinho apresentou um pacote anticorrupção com uma série de medidas visando controlar, quanto possível, um fenómeno tão velho como a Humanidade e que decerto nunca será extirpado. Todavia, pode e deve ser dificultado, diminuído, penalizado. O projecto seria rejeitado, imagine-se!, pela bancada…socialista.
Cinco anos mais tarde, o Parlamento vai aprovar um pacote idêntico, em parte, decerto, devido a cedências que o PS teve de fazer à Oposição. Parece portanto chegado o momento em que a bandeira do eng.º Cravinho pode ser desfraldada, restando saber se tão desfraldada como ele desejaria.
De facto, será que a mudança de rumo nos levará a alguma conclusão acerca de casos tão preocupantes como o Freeport, os submarinos, o Taguspark, as sucatas, os Magalhães e não sei se mais haverá, todos eles levantando dúvidas de maior ou menor gravidade e envolvendo nomes do «Who's Who» nacional?
Um estudo demonstra que quase 70% de casos de corrupção investigados envolvem câmaras e empresas municipais e 10% forças de segurança. Estamos a falar de quê? De «jeitinhos» dados na adjudicação de umas obras ou de uns subornozitos para que se ignorem pequenas transgressões? Coisas que «valem» entre 100 e 500 euros ou mesmo entre 2500 e 7000 euros?
E as outras negociatas, em que só se fala em milhões, virão, elas também, a ser atingidas pelo pacote anticorrupção que vai ser aprovado? Mesmo que a resposta seja afirmativa, atente-se nisto: mais de metade dos processos de corrupção instaurados pelo Ministério Público acabaram arquivados.
O que acontecerá quanto aos casos mais mediáticos acima indicados? Esperemos…
Sérgio Andrade, JN