Mostrar mensagens com a etiqueta Daqui e dali.... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Daqui e dali.... Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Os factos que devem condenar Sócrates


Não são opiniões ou divergências ideológicas. Não são fixações doentias. Não são estados de espírito. Não. São factos. Factos objectivos que revelam o desastre governativo do consulado Sócrates.
- Estamos a viver a maior vaga de emigração desde os anos 60. Pelas contas de Álvaro Santos Pereira, estão a sair de Portugal cerca de 100 mil portugueses por ano (2007: 108.388; 2008: 101.595 - como é que o nosso primeiro justifica estes números que são relativos a anos anteriores à salvífica crise internacional?). Toda a gente em Portugal já foi tocada pelo drama da emigração. Toda a gente tem um primo ou amigo que foi forçado a emigrar. Quando é que começamos a falar a sério disto?
- A dívida pública portuguesa estava nos 60% em 1995. Em 2005, continuava na casa dos 60%. Com Sócrates, a dívida disparou de forma incrível (quase 100% em 2010), sobretudo a partir de 2008 e 2009. Então o nosso primeiro-ministro começou a pedir dinheiro emprestado no preciso momento em que estalou a tal crise internacional do crédito? Pois, era preciso vencer umas eleições através da falácia-mor de 2009: "ah, falar de endividamento é bota-abaixismo".
- Em 2005, a carga fiscal estava nos 34% do PIB. Com Sócrates, a pressão dos impostos aumentou para 37%. Obrigado, senhor engenheiro. Aumentar impostos é a forma mais fácil e perversa de gerir um país.
- Entre 2014 e 2026, nós, portugueses, iremos pagar todos os anos mais de 1.500 milhões de euros em PPP. 1500 milhões é o mínimo, porque a conta pode chegar aos 2500 milhões (entre 2014 e 2018). Até 2038, iremos pagar - no mínimo - 1000 milhões por ano. A conta das PPP só baixará dos 500 milhões por ano em 2040. Ou seja, os meus netos ainda vão ter de pagar a conta deixada por Sócrates. Como já afirmei, a questão não é a reestruturação da dívida (até porque isso nem depende só de nós; estamos numa moeda partilhada). A grande questão passa por reestruturar esta conta com os construtores e concessionárias.

Acho que por hoje já chega. Amanhã há mais. Mais factos. Expresso

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

O PS está a mentir aos portugueses


Concedo que, em 2009, o PS não estava a mentir. Estava só iludido, pobrezinho. Concedo que, vá, o PS foi apenas irresponsável e irracional do ponto ideológico quando desprezou o problema da dívida. A Ferreira Leite era uma velhinha, coitadinha, que não sabia o que estava a dizer, burrinha, o endividamento não era um problema, ora-essa-queremos-a-nossa-modernidade, o PS podia continuar a pedir dinheiro emprestado para fazer as suas estradas e TGVs. Ora, em 2011, o PS já não está na ilusão, está na mentira pura e dura. O PS está a mentir aos portugueses, e é bom que isso fique escrito na pedra. Isto não é uma questão de opinião. É uma questão de facto. E não, não é marketing político (o que raio é isso de marketing político, já agora? O nome antigo era mais honesto: propaganda). O nome epistemológico da coisa é mentira. Existe uma linha na areia que divide o marketing da mentira. E essa linha é ultrapassada quando alguém nem sequer respeita a sua própria assinatura, como é o caso deste PS.

Neste momento, os líderes do PS falam como se o documento da troika não existisse . O tal documento que Sócrates assinou, o tal documento que Sócrates considerou como bom. Em 2009, os socialistas falavam como se a realidade não existisse. Problema sério, sem dúvida, mas em 2011 o problema é ainda maior: o PS não está a respeitar a sua própria palavra. O PS assinou um documento que é bem claro sobre as medidas que têm de ser tomadas pelo próximo governo. E - usando a linguagem do PS - essas medidas são todas "neoliberais", são todas de "dirrrreita" (carregar nos R's, como faz Louçã). Nos comícios, o PS diz que a "dirrrrreita" portuguesa quer privatizar tudo. Só falta dizer que a "dirrrreita" quer privatizar a luz de Lisboa. Mas, no documento, podemos ler que o PS também aceitou um vasto programa de privatizações. Nos comícios, o PS diz que "ai, jesus, que querem privatizar a CGD". No documento, podemos ler que o próximo governo tem de privatizar a área de seguros da CGD (tal como Passos tem defendido). O PS fala dos despedimentos selvagens da "dirrrreita". Pois, no documento podemos ver que o PS se comprometeu a "preparar uma proposta que visa introduzir ajustamentos aos casos de despedimento individual por justa causa".


O PS está a fazer um discurso à BE, à Manuel Alegre quando acabou de assinar um documento que o compromete com uma política à Blair, à liberalismo social-democrata nórdico. O PS está a mentir aos portugueses, porque não acredito que tenha mentido à troika. Ou mentiu? Expresso

terça-feira, 24 de maio de 2011

Vídeo - "Qué frô?" "Não filho: quero que abanes esta bandeirinha do PS!"

Chamam-lhe "a máquina do partido socialista", e dizem que "está na estrada". Eu chamo-lhe a pouca vergonha estendida à campanha eleitoral, e digo que o Partido Socialista não anda na estrada, anda sim pelas ruas da amargura.

Realmente só pessoas que não entendam patavina de português, que não sejam cidadãos portugueses e por isso não possamm votar neste país mas que precisam, infelizmente e por necessidade, de algo em troca (um lanche, uma peça de fruta, um sumo, a naturalização? etc.) para andarem atrelados à campanha mais ignóbil que tenho visto. E ter de aturar as baboseiras do Sr. Engenheiro, comício após comício, com o sol quente a torrar-lhes o turbante, só mesmo para quem não está a entender nada do que se está a passar.

Com a habitual e triunfal música de fundo a fazer lembrar as grandes produções de Hollywood que tentam, filme após filme e a custo, minimizar os grandes desastres históricos do povo americano, aparece José por entre o nevoeiro qual Dom Sebastião da Arrentela para acenar ao povo. Ao povo indiano, angolano, guineense, cabo-verdiano, moçambicano, paquistanês e a uma senhora portuguesa que estava no 3º andar de um prédio a estender os cueiros, ali mesmo junto à praça do Giraldo.

Segundo consta foram 5 as camionetas usadas para transportar estes "socialistas" dos 7 costados de Lisboa até Évora. No dia do debate com Pedro Passos Coelho já tinham sido avistados à porta da estação televisiva de bandeirinha em punho. Desde que este escândalo se descobriu nunca mais ninguém ouviu falar neles, provavelmente voltaram às lojas do Martim Moniz ou à porta das diversas embaixadas onde foram "pescados" (ninguém investiga isto?), à espera que passe o autocarro socialista das eleições autárquicas. Já nada é espontâneo, nada é real, perderam a vergonha definitivamente. É o asco político. Um verdadeiro nojo.

Daqui e dali... Henrique Raposo

As tácticas imorais (i.e., nojentas) do PS

Usar imigrantes pobres para compor o cenário de uma campanha é muito, muito baixo, mesmo para José Sócrates. É mau demais para ser verdade . Ir aos subúrbios mais pobres de Lisboa para sacar uns apoiantes em troca de uma bifanas é um acto nojento. Não tem outro nome: é nojento, vil, baixo, porco. Estas pessoas estão ali, porque estão à espera de sacos de comida. É isto a tal sensibilidade social do PS e de Sócrates? Ir ao Martim Moniz sacar uns tipos para encher o mini-estádio que Sócrates usa ao longo do país é uma acção nojenta. Estas pessoas não sabem português, mas seguem o PS, porque, ora essa, o PS dá comidinha e passeio.

Isto é que é a famosa sensibilidade social do PS? É isto? Sensibilidade social é usar os mais pobres dos pobres para compor o marketing? Isto, meus amigos, é nojento. Isto ultrapassa vários níveis da decência. Isto não tem nada que ver com diferenças ideológicas. Isto tem que ver com um mínimo de moral, um mínimo de decência. E, ao fazer isto, o PS desceu muito, muito baixo. Isto nem sequer é amoral, nem sequer é uma daquelas amoralidades maquiavélicas típicas da acção política. Não. Isto é imoral, isto é uma imoralidade completa. Isto é nojento. Eu compreendo as dificuldades que o PS, coitadinho, está a enfrentar na hora de encontrar pessoas para compor a sua máquina-eleitoral-para-jornalista-de-TV-ver. Mas isso não legitima autocarros com centenas de imigrantes pobres retirados ali do Martim Moniz ou das manchas de desemprego de Massamá e afins. Isto passa todos os limites.

O PS errou ideologicamente na política económica. Uma coisa normal. O PS errou politicamente na gestão desse erro económico. Algo um pouco mais grave, mas, ainda assim, dentro do aceitável. Depois, o PS entrou numa espiral amoral de mentiras e omissões no sentido de ocultar os seus erros anteriores. Aliás, tem sido esse o estado do PS desde 2009: a amoralidade, algo que já está fora do aceitável. E, agora, em forma de cereja no topo do bolo, encontramos estas acções de campanha que só podem ser classificadas de imorais.

PS: espero que os indignados do costume, os donos da defesa das minorias façam alguma coisa em relação a isto.

Daqui e dali... Tiago Mesquita

José Sócrates e os sete anões contra Passos Coelho


José Sócrates convenceu-se, e não foi o único, que o debate de sexta-feira passada seria mais um passeio de início de noite no ringue. Que iria comer Coelho à caçador mas saiu-lhe uma lebre doida e o tiro pela culatra. A verdade é que ao fim do 1º round mal se segurava nas canelas. O mito foi desfeito. O imbatível José parecia um coelhinho assustado. Limitou-se a recorrer ao vasto rol de expressões que usa habitualmente quando está apertado. José é uma espécie de colectânea dos sete anões em termos faciais. Do feliz ao mestre, do soneca ao zangado...rezingão, espantado...enfim há de tudo um pouco.
José Sócrates é uma nulidade (até aqui nada de novo). Governou durante 6 anos o país e age agora como se fosse um perfeito desconhecido. Esgotado, um deserto de ideias, de propostas, agarrou-se às palavras, ideias, às medidas, chegando ao ridículo de reler algumas passagens do livro recentemente escrito pelo opositor. É uma figura a roçar o patético, doentiamente incapaz de responder directamente a uma pergunta, intolerante à crítica e visivelmente decadente na sua maneira de estar, de agir, de se expressar. É uma figura surrealista, cinzenta e demagógica.
Não tem argumentação para além de um positivismo delirante, quase esquizofrénico, como se habitasse um planeta de uma galáxia distante, onde tudo o que acontece de mal é provocado por seres vindos do exterior e por isso de responsabilidade não imputável a quem comanda os destinos do planeta. Sejam estas figuras alienígenas, os mercados, a crise internacional, o FMI, a oposição ou o Presidente da República. Eles sim são os culpados do estado de coisas. "
O governo? O governo PS é um exemplo!"
Esta aparente incapacidade de assumir o estado catastrófico em que deixou o país é a maior prova da sua cobardia política, da sua incapacidade de gestão e assunção das responsabilidades inerentes ao cargo e daí não achar difícil que alguém com dois dedos de testa, sem palas e mesmo que socialista considere este político, José Sócrates, uma total nulidade e desilusão.
PS: Foi com estranheza que vi (alguns, poucos) comentadores políticos e candidatos a comentadores darem a vitória clara a José Sócrates no debate. Ou não viram o mesmo debate que eu e a maioria das pessoas que ouvi pronunciarem-se sobre o mesmo, ou para estas pessoas um debate político é ganho por alguém que chega ao final do mesmo sem responder a uma única pergunta, sem que expresse uma única ideia coerente e sem que se conheça uma única proposta. Se assim for, José Sócrates é de facto imbatível.
Expresso

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Daqui e dali... Tiago Mesquita

Vídeo: 6 anos de miserável governação socialista em apenas 50 segundos

O que dizer de 6 anos mergulhados neste verdadeiro milagre das rosas? Começam a faltar-me palavras para descrever tamanha destruição de tudo aquilo que uma democracia deveria fazer prevalecer, dos valores de solidariedade que um Estado Social deve manter intocáveis. Das leis fundamentais que uma Constituição deveria garantir. Um governo que não soube governar e que se limitou a detonar o povo que o elegeu. Que deveria cumprir o prometido e não mentir, omitir, mentir, omitir sem vergonha, sem humildade, sem carácter, sem rumo, orientação ou competência. O bacharel José Sócrates ficará para a história deste país como o pior Primeiro-Ministro que alguma vez sentou o rabiosque no Palácio de São Bento. É uma ousadia recandidatar-se ao cargo, é gozar com quem acreditou não uma, mas duas vezes na sua triste pessoa.

Este governo destruiu Portugal. Destruiu a classe média. Empobreceu os que apenas sobreviviam. Condenou os que esperavam ter uma reforma digna e hipotecou o futuro de várias gerações. Mergulhou milhares no desemprego - 700 mil. Empurrou milhares para a emigração. Abriu portas à falência de milhares de empresas. E estamos novamente em recessão económica. Merece ser deposto e deveria ser julgado por má governação e pelo prejuízo incalculável que causou a este país. Um a um, todos sentados no banco dos réus. Este vídeo poderia ser a imagem perfeita da governação a que assistimos. Uma implosão constante. Mas sempre com foguetório. Vamos ao charco, mas vamos em grande. Expresso

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Silva Pereira está a mentir ou não sabe ler. Escolham


Sócrates e os seus clones estão transformados em máquinas de mentir. Não, não é marketing, não é estratégia de comunicação. Não relativizem. Não tolerem o que não é tolerável. O nome da coisa é "mentira". O verbo da coisa é "mentir". Aliás, o PS está transformado numa enorme e pastosa mentira. Esta gente começou a diabolizar o programa do PSD quarenta e oito horas depois de assinar um programa que é similar ao do PSD. Ou seja, o programa dos socialistas é um irmão quase gémeo do programa dos laranjinhas. Basta ler a carta que o governo assinou com a troika . Tal como eu já escrevi 1234 vezes, o PS comprometeu-se com um programa de governo que vira à direita, que assume propostas de cariz liberal e conservador. Não há volta a dar sobre isto.

Depois, em cima desta mentira geral, surgem as mentiras de pátio de escola. Quem é que esta gente julga que engana com as suas mentirolas? E esta tendência para a mentira tem sido penosamente evidente no assunto da Taxa Social Única (TSU). Há dias, Sócrates foi apanhado a mentir por Louçã . Ontem, Silva Pereira repetiu a mentira. Há que manter a coerência. Quando diz que "o governo não se comprometeu com a descida da TSU" , Silva Pereira está a mentir. Ponto final. Não há aqui relativismos, marketing ou estratégias que anulem este facto. Silva Pereira está a mentir. O governo assinou um documento que é claro num ponto: as contribuições para a segurança social dos empregadores têm de baixar. Está lá escrito . Silva Pereira assinou este documento perante instâncias internacionais, e agora está a mentir aos portugueses sobre esse mesmo acordo. É a táctica Yasser Arafat. Para as TVs internacionais, Arafat dizia "sim, então, claro, respeitamos a paz com Israel". Para as TVs árabes, Arafat dizia "ah, oh, Israel é o inimigo". Sócrates e Silva Pereira estão a fazer a mesma coisa. Não é por acaso que o governo não traduziu para português o documento que assinou. O povo português é estúpido e não sabe ler inglês, não é sr. engenheiro?

Só um cenário pode desautorizar a ideia de que Silva Pereira está a mentir. Que cenário é esse? Bom, Silva Pereira pode não saber ler ou, pelo menos, pode não saber ler inglês. Concedo que é um cenário possível. Se tiver um percurso académico semelhante ao do seu líder, compreendem-se as dificuldades de Silva Pereira. Mas, calma sr. ministro, porque há gente boa nesta terra. Gente que fez a gentileza de traduzir para português o documento que V. Exa. assinou. Está aqui. Leia com calma. Expresso

Daqui e dali... Tiago Mesquita

Os pulhas que vão destruir a classe média - o nojo da política


O que se está a passar neste país é uma vergonha. Uma pulhice, um roubo. A falta de senso e de responsabilidade política é tal que somos obrigados, ou pelo menos já nos habituámos de alguma forma a que assim seja, a aceitar tudo o que nos é imposto sem levantarmos grandes ondas. Sem questionarmos. Portugal Robot. "Porque tem de ser". "Porque é necessário". "Porque de outra forma ficaremos isolados da Europa, do mundo, do planeta, do universo, da Mota Engil, do BES". O MEDO. A política do medo. E as pessoas, humanas que são, deixam-se levar pelas patranhas de meia dúzia de mentirosos.
Quem nos pôs assim? Quem levou o BPP e BPN à falência? Quem tapou o buraco com dinheiro que não lhe pertencia, dinheiro dos contribuintes? Quem gastou desmesuradamente o que não tinha e contratualizou o que nunca poderia concretizar? Quem maquilhou défice atrás de défice até ao descalabro final? Porque não estão estes senhores, este asco político e financeiro, este nojo engravatado, a bater com as costas no cimento frio de uma cela? A ver as barras de ferro passarem-lhes diante dos olhos? Muitos bancos foram à falência em diferentes países e estes não colapsaram financeiramente. Quem acreditou na mentira "escabrosa" da ruina do BPN? Quem nos fez acreditar? Porquê?
Está visto que quem paga crise é a classe média. As usual. Já o está a fazer em suaves prestações e irá fazê-lo a doer. Vai desaparecer. Evaporar-se. Não são os desempregados, os idosos e reformados ou os protegidos da corja que continuam a facturar milhões que vão ser afectados. A classe média, a tal que faz girar e crescer uma economia, que a estabiliza, que a alimenta e indica se os níveis de desenvolvimento de um país estão a acompanhar o seu crescimento vai pura e simplesmente ser dizimada. Esmagada. Vai desaparecer lentamente. Portugal "latino" no seu pior. Um país de extremos, de pólos, de desigualdade e de indignidade.

Agora pergunto: quem vai ser responsabilizado? Quem governou este país como se fosse uma mercearia de bairro durante anos com tiques de "irritadiço de paróquia", de forma deplorável e irresponsável? Quem nos disse que estava tudo bem, que a "crise tinha sido ultrapassada"? Que Portugal se tinha comportado muito acima do nível dos outros países da UE ao ao suportar o embate da crise internacional. Quem nos disse que não iria haver nova recessão, sim, esta em que estamos mergulhados actualmente? Qual é o único país em recessão este ano na UE? Quem nos disse que jamais iriamos necessitar de ajuda externa? Quem vai julgar esta gente? Quem? Quando? Como? As eleições? O tempo? Não chega! Não chega! Lamento, mas pelo menos para mim não chega. Expresso

terça-feira, 17 de maio de 2011

Daqui e dali... Fernando Sobral

O país invisível


Construir argumentos a partir de premissas falsas é um velho princípio da política, especialmente quando alguém não está disposto a reconhecer que se equivocou.
'Sócrates consegue isso de forma militante, e também transformar a verdade numa ilusão. Para ele, a redução da TSU, algo que foi assinado com o
FMI, não existe. Ou então está em letras tão pequeninas que não é para cumprir. Sócrates decretou a inexistência de algo que assinou com Paul Thomson e que é parte crucial do acordo. A única dúvida que sobra é saber se Sócrates assinou o documento com o FMI sem ler o que lá vinha? Ao não dizer nada sobre o que pretende fazer com a redução da TSU, Sócrates vem elucidar-nos de que tudo não passou dum equívoco. Não há memorando assinado com o FMI, não há dívida externa, não temos de pagar juros de mais de 33 mil milhões de euros, não temos de aumentar impostos, não vai haver mais desemprego. Sócrates conseguiu o milagre do eclipse: Portugal tornou-se no país invisível.

Chegamos à mais fantástica das conclusões: foi um duplo de Sócrates que assinou o acordo com o FMI. E como é o verdadeiro Sócrates que está em campanha eleitoral, ele não tem nada a ver com a redução da TSU. Na política portuguesa conseguiu-se o milagre da multiplicação. Há dois Sócrates. O que assinou a redução substancial da TSU; e o que desconhece a sua existência. Há o que assinou um acordo com o FMI; e há um que julga que FMI é uma energia renovável. Às vezes há o Dupont, outras o Dupond. Sócrates não existe. Está finalmente provado. Ao não reconhecer o que existe à sua volta, é ele próprio que não é real. ';
Sócrates consegue isso de forma militante, e também transformar a verdade numa ilusão. Para ele, a redução da TSU, algo que foi assinado com o
FMI, não existe. Ou então está em letras tão pequeninas que não é para cumprir. Sócrates decretou a inexistência de algo que assinou com Paul Thomson e que é parte crucial do acordo.

A única dúvida que sobra é saber se Sócrates assinou o documento com o FMI sem ler o que lá vinha? Ao não dizer nada sobre o que pretende fazer com a redução da TSU, Sócrates vem elucidar-nos de que tudo não passou dum equívoco. Não há memorando assinado com o FMI, não há dívida externa, não temos de pagar juros de mais de 33 mil milhões de euros, não temos de aumentar impostos, não vai haver mais desemprego. Sócrates conseguiu o milagre do eclipse: Portugal tornou-se no país invisível.Chegamos à mais fantástica das conclusões: foi um duplo de Sócrates que assinou o acordo com o FMI. E como é o verdadeiro Sócrates que está em campanha eleitoral, ele não tem nada a ver com a redução da TSU. Na política portuguesa conseguiu-se o milagre da multiplicação. Há dois Sócrates. O que assinou a redução substancial da TSU; e o que desconhece a sua existência. Há o que assinou um acordo com o FMI; e há um que julga que FMI é uma energia renovável. Às vezes há o Dupont, outras o Dupond. Sócrates não existe. Está finalmente provado. Ao não reconhecer o que existe à sua volta, é ele próprio que não é real. Negócios online

Daqui e dali... Tiago Mesquita

Candidato José Sócrates: "Vou partir o primeiro-ministro todinho no debate"

É sem dúvida o debate esperado. Todos os outros são irrelevantes. No final de cada um deles iremos ver a face cândida e o sorriso amarelado do primeiro-ministro acompanhado de um "acho que ganhei o debate e vou ganhar as eleições". Por isso resta-nos o debate onde se enfrentam os dois verdadeiros e únicos líderes políticos com reais possibilidades de vencer as legislativas: o ainda primeiro-ministro José Sócrates, apesar de tudo, e o candidato do Partido Socialista e líder das sondagens, José Sócrates.
Vai ser entre estes dois que tudo se vai decidir. Obviamente que o candidato José Sócrates parte em vantagem. O primeiro-ministro José Sócrates, algo debilitado, deixou atrás de si um rastro de destruição social e económica, uma verdadeira governação Katrina, que qualquer candidato com dois "corninhos de Pinho" consegue facilmente apontar.
E o candidato José Sócrates já mostrou ser bastante hábil, munido de um passado aparentemente "imaculado" (?) como as sondagens parecem demonstrar, parte para o debate numa posição de supremacia. Mas apesar do desemprego, do défice pornográfico, dos escândalos políticos, das mentiras, da recessão, das manifestações, do verdadeiro estado de sítio em que o país se encontra, sem qualquer perspetiva de um futuro saudável e sustentável e ainda das sucessivas trapalhadas em que o primeiro-ministro José Sócrates se envolveu, este parece ter sete vidas e ressuscita sempre.
O candidato José Sócrates apoiou as medidas da troika rejeitadas sempre até à ultima pelo primeiro-ministro José Sócrates, que afirmou "jamais governar com o FMI". Ambos agem de uma forma totalmente oposta diluindo a tese que alguns ainda sustentam de que poderiam tratar-se da mesma pessoa. Mas ninguém seria capaz de desdizer-se da tarde para a manhã com tal facilidade e convicção. Estaríamos a falar de alguém puramente maquiavélico, frio, calculista. Aconteça o que acontecer, de uma coisa tenho absoluta certeza: José Sócrates ficará sempre bem na fotografia. Isto porque ele seria capaz de fazer um debate consigo próprio, chegar ao final e dizer com a mesma lata com que falta à verdade quase naturalmente que o havia ganho por larga margem e ainda acrescentar que ia ganhar as eleições contra ele próprio. E os portugueses, aparentemente, acreditariam e votariam nele. Triste país o nosso.
Expresso

domingo, 15 de maio de 2011

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

AS MESAS EM TORNO DA MESA,


A PARTIR DE TOLENTINO MENDONÇA



O poder ainda puro das tuas mãos
é mesmo agora o que mais me comove
descobrem devagar um destino que passa
e não passa por aqui

à mesa do café trocamos palavras
que trazem harmonias
tantas vezes negadas:
aquilo que nem ao vento sequer
segredamos

mas se hoje me puderes ouvir
recomeça, medita numa viagem longa
ou num amor
talvez o mais belo

in
Baldios, Assírio & Alvim


Vi e agarrei, no i. Para o sacerdote e biblista (ligando tudo, o poeta) José Tolentino Mendonça, a sua ponte com Deus está num poema de Cesariny: "Tu estás em mim como eu estive no berço./Como a árvore sob a sua crosta./Como o navio no fundo do mar." É tão bonito que até apetece re_


ligar-nos ao divino, se, nas palavras de Maurice Blanchot, "Já éramos amigos e não sabíamos."


Ouvi e agarrei, no ECCLESIA, da Antena 1. A importância da Mesa... O cristianismo, sendo a única religião, em que se pode comer de tudo com todos. E aí percebi, finalmente.


Este país precisa de mesas em torno da mesa. Alimentar-nos uns dos Outros (essa é a força da Última Ceia, da Eucaristia), para sair... da Noite.

sábado, 14 de maio de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo


Sócrates está a mentir ou é irresponsável. Escolham


I. Das duas, uma: ou José Sócrates andou a mentir ao país, ou José Sócrates não leu o documento da troika. É esta a conclusão a retirar da polémica sobre a Taxa Social Única (TSU). Temos um primeiro-ministro que mente sistematicamente ou temos um primeiro-ministro irresponsável. Qual é o cenário que prefere, caro leitor?


II. Cenário da mentira. O documento da troika, assinado e elogiado por José Sócrates, é bem claro num aspecto: Portugal tem de baixar seriamente os impostos sobre o trabalho (ponto 39, p. 12) . Por outras palavras, Portugal tem de baixar a TSU. PS, PSD e CDS assinaram este documento, ou seja, comprometeram-se a baixar significativamente a TSU. Ora, o PSD, de forma lógica, fez as suas contas e apresentou a sua redução da TSU. Na resposta, Sócrates e o PS orquestraram uma mentira (o eufemismo é "desinformação") que rezava assim: a redução da TSU é uma maldade exclusiva do programa do PSD. Eis a tal mentira que Louçã expôs ao ridículo no debate de quarta-feira. Sócrates criticou a redução da TSU poucos dias depois de se comprometer a fazer exactamente a mesma coisa. Não é linda a coerência do nosso glorioso líder?


Desta forma, Sócrates não mentiu apenas aos portugueses. Ao rasgar a sua própria palavra, o primeiro-ministro pôs em causa a palavra de honra do país. Portugal, através de José Sócrates, disse à troika que ia baixar significativamente a TSU, mas agora a propaganda interna do dito Sócrates está a negar esse compromisso de honra. Isto, meu caro leitor, é bater no fundo. É que as mentiras de Sócrates deixaram de ser um assunto da politiquice interna. Agora, após a assinatura daquele documento, as mentiras de Sócrates põem em causa o nome de Portugal perante as instituições que nos vão emprestar os 78 mil milhões.


Quando foi confrontado com a mentira (por Louçã), Sócrates fez uma típica fuga para a frente: "ah, mas eu não concordo com uma forte descida da TSU". Ora, se não concordava com isto, Sócrates só tinha uma coisa a fazer: não assinar o documento da troika. Entretanto, Teixeira dos Santos e o sr. Thomsen já desautorizaram o governo. Ambos reafirmaram que o governo se comprometeu a baixar seriamente a TSU. Aliás, o senhor FMI até diz que o governo está a pensar numa redução da TSU na casa dos 3-4% do PIB. Na resposta, o governo, pela voz de Silva Pereira, diz que isso não é verdade. Mas quem é que ainda pode acreditar em Sócrates e Silva Pereira?


III. Cenário da irresponsabilidade. José Sócrates não leu o documento que assinou. OK, não mentiu. É apenas irresponsável. Um cenário aceitável, apesar de tudo. O nosso querido líder passa muito tempo à frente no espelho e, por isso, é natural que não tenha tempo para estudar o documento mais importante das últimas décadas. Ou então o "Luís" não teve tempo para fazer os cartões com os tópicos, preocupado que estava com o teleponto.


IV. Meu caro leitor, isto não é física quântica: ou temos um primeiro-ministro que mentiu ao país (mais uma vez), ou temos um primeiro-ministro totalmente incompetente. Escolha a sua hipótese preferida. Expresso

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Daqui e dali... Carlos Fiúza

A minha “Dama”…

Nunca a desnacionalização dos idiomas esteve tão perigosa como hoje.
As comunicações são mais rápidas, os ares (ou o cabo) trazem-nos vozes estranhas que as emissoras espalham na intimidade dos lares da cidade, da vila, da aldeia, e até na habitação da serra.
Como mal ainda maior, na nossa Pátria há um gosto servil e ignaro por tudo o que é maledicência.

Além “desta ditosa Língua nossa amada” precisar da defesa de nós todos que constituímos a “ditosa Pátria nossa amada”…

… EU preciso de defesa.

Aprendi no sábio médico A. Carrel que os órgãos, se perdem a resistência aos micróbios, podem atrofiar-se e até fabricar venenos.
Pois, eu direi, também, que a ação microbiótica dos “erros” pode ocasionar desordens funcionais e estruturais ao corpo.
Este fica doente. E a doença pode ser caminho da morte.

A “maledicência” pode ser “organismo”, mas é desejável essa anomalia?

Se não enfado, passo a demonstrar:

Dois comentadores (a coberto do anonimato, como convém), perguntam:

Realmente, não sei como Carlos Fiúza e João Lopes de Matos alinham num diálogo com alguém que não respeita os direitos de autor, usurpando o pensamento alheio como se fosse dele próprio. Ainda por cima, tecendo-lhe os mais rasgados elogios”.
.....
Anda tudo a copiar… a copiarem VAV, que sem estar presente, é quem mais ordena”.
…..
Pergunto:
- Podem (pretendem) estes “comentadores” provar as suas insinuações?

Por mim, explico:

- Não tenho predileção por qualquer dos Blogues de Carrazeda de Ansiães… não os conhecia, tão pouco.
- De ambos os Blogues (na pessoa dos seus administradores e leitores) só tenho recebido atenções.
- Não conhecia (pessoalmente) ninguém em Carrazeda.

Tenho, no entanto, o privilégio de ser amigo do Dr. João Lopes de Matos.
E porque sou seu amigo,
…não acredito que fosse sua intenção “arrastar-me” para uma “aventura” mal sucedida quando me convenceu a participar nesses Blogues.
…A sua verticalidade, o seu sentido de justiça e amizade a isso o impediriam.

Estamos habituados a trocar ideias… a “especular” filosoficamente sobre os diversos problemas que nos preocupam.
Nem sempre estamos de acordo, é verdade… o que até tem sido salutar.

Mas… “pactuamos” com a bajulação…?!
Por mim (por ambos, melhor dizendo) afirmo que isso não é verdade, até demonstração em contrário.

Quando elogio (ou não) um texto, um comentário, tenho sempre a preocupação de me ater só à “forma”.

Recordo:
- Em tempos idos, neste mesmo Blogue, alguém (mais uma vez anónimo) “sugeriu” que os meus escritos só poderiam ser dignos de em “super-homem” ou de alguém que estivesse “habituado” a consultar (leia-se: copiar) a Wikipédia…

Ironia das ironias…
- O mesmo VAV (a despropósito chamado, agora, à liça por esse mesmo anónimo) comentou:

“… O ataque às suas fontes, aquele, já me parece bem ridículo, pois deveria ser acompanhado com a respetiva prova. E que mal teria, se não fosse na Escola, mas na Web, buscar o saber? Se é autêntico... Fosse uma cópia sem espessura, aí sim, mas quando se ataca (aprendi com os clássicos, não esqueço) deve atacar-se de frente”.

Não pretendo protagonismo… já não tenho idade nem “pachorra” para “querelazinhas domésticas”…
Mas sempre digo:

- atitudes destas só “matam” a PALAVRA…
- só “atrofiam” o PENSAMENTO…

Obrigado a todos os que me leram.

“Sonho que sou um cavaleiro andante,
Por desertos, por sóis, por noite escura…”

Carlos Fiúza

terça-feira, 10 de maio de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Portugal e a troika


Até que enfim o nosso futuro está definido. E definido pormenorizadamente.
Para isso, foi necessária a intervenção externa. Nós não fomos capazes de caminhar pelos nossos próprios pés. Isso, no entanto, não é forçosamente mau. Sempre tivemos uma visão muito limitada, paroquial até, dos nossos problemas e tornava-se necessário que alguém, com uma visão mais alargada, nos fizesse ver de mais alto e atendendo a algo que não tinha apenas a ver com a nossa capelinha mas também com o todo europeu.
Daí que só os de fora fossem capazes de nos chamar a atenção para as mudanças estruturais necessárias no domínio da Justiça (tornando-a mais prática e célere), no domínio da reorganização administrativa a nível central (acabando com muitas sobreposições) e a nível local (acabando com arremedos de freguesias e de concelhos e obrigando-nos a uma visão mais ampla em termos autárquicos), no domínio da saúde (permitindo uma economia de meios que viabilize a assistência sobretudo aos mais carecidos) e noutros domínios mais polémicos como o sector do trabalho(em que , para conservar os direitos adquiridos, nada poderia ser alterado). No sector público em geral, há que criar uma nova mentalidade de serviço em prol dos utentes e não em prol dos instalados.
Julgo que agora estão reunidas as condições para um grande avanço qualitativo na vida de todos e para nos lançarmos na senda da modernização.
As nossas condições financeiras vão obrigar-nos a contermo-nos em certas despesas e a adiarmos certos empreendimentos, necessários e convenientes ao nosso desenvolvimento interno e a uma cada vez mais fácil ligação ao exterior, ao qual devemos estar cada vez mais unidos.
Algumas vias rápidas que percorram o nosso interior e façam com que desapareça a distinção litoral – interior (dada a rapidez de acesso fazer desaparecer a ideia de isolamento), outras que unam mais Portugal e Espanha, sobretudo na zona fronteiriça, e a mais emblemática de todas – o TGV – que irá de Lisboa a Madrid e , depois,
a toda a Europa, terão de sofrer um certo compasso de espera.
Mas de todas estas obras não iremos prescindir porque elas fazem parte da caracterização do Portugal do futuro.
O programa está delineado: que venha agora um governo capaz de, conjuntamente com todos nós, implantá-lo.
João Lopes de Matos

terça-feira, 3 de maio de 2011

Daqui e dali... Manuel António Pina


Prestar contas


O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, defende que "é crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes".
Carlos Costa rompe assim a tradição desresponsabilizante de Constâncio (entretanto premiado com uma sinecura no BCE), que os portugueses se habituaram a ouvir repetidamente reclamar que os sucessivos défices, alimentados pela imprudência, quando não pela gestão danosa, dos governos dos últimos 12 anos, fossem resolvidos à custa da redução de salários e pensões.
É, de facto, escandalosamente imoral que os erros dos decisores políticos sejam pagos pelos 257.745 desempregados que, segundo números da Segurança Social, perderam o subsídio de desemprego e o subsídio social de desemprego, o que significa igual número de famílias na miséria, ou pelas outras centenas de milhar que ficaram sem RSI ou abono de família (retirado a 645.600 famílias desde Novembro).
Isto enquanto os encargos com vencimentos, "despesas de representação", horas extraordinárias, ajudas de custo, suplementos, prémios, subsídios de residência e alojamento e outros mais dos "boys" e "girls" dos gabinetes ministeriais ascenderam a 19,7 milhões de euros em 2010. E ainda ficam de fora os gabinetes dos 38 secretários de Estado, às vezes mais "populosos" do que os dos próprios ministros... JN

sábado, 30 de abril de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego (conclusão)

Falemos, por último, do sector terciário, o sector dos serviços.
Este sector ganhou independência, em relação à agricultura e à indústria, já um tanto tarde, no século XX. Ele abarca ramos da economia tão diversificados como o comércio(por grosso e a retalho), a banca, o turismo, a informática, as artes, a restauração…
Talvez possamos defini-lo por exclusão: tudo o que não pode encaixar-se na agricultura e na indústria pertence aos serviços.
Este sector tem tido um percurso inverso aos outros dois: enquanto estes têm dispensado mão de obra em consequência do avanço tecnológico, os serviços têm criado mais e mais emprego, tanto que o aumento tem mais que compensado as perdas verificadas naqueles.
Hoje, é mesmo o sector mais empregador de mão de obra. Pelo menos, tem-no sido até há pouco. E isto porque de há uns tempos a esta parte, têm ocorrido tais alterações no seu seio que não sei se não irá ter o mesmo caminho dos outros. E então pôr-se-á um problema novo na sociedade: muita gente ficará sem emprego e sem a correspondente remuneração necessária à sua subsistência.
É que , por exemplo, o comércio a retalho está a concentrar-se mais e mais, a banca reduz os efectivos de contacto directo com o público, os restaurantes recorrem cada vez mais ao self-service e mesmo é um facto que as pessoas compram já as suas refeições nos supermercados.
Também no interior esta evolução se tem vindo a verificar, o que leva a pensar que o chamado comércio tradicional vá perdendo importância, substituído pelas grandes redes de distribuição.
Julgo que a tendência será no sentido de uma concentração em razoáveis agregados populacionais, quase que desaparecendo, em compensação , os núcleos pequenos com a vida que até agora têm tido.
João Lopes de Matos

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Daqui e dali... Henrique Raposo

Igreja Universal do Reino de Sócrates

Caros amigos socialistas, estou eternamente grato à vossa igreja. Sinto-me um homem novo desde que fui ungido pela água benta que jorrava do vosso congresso. Aliás, posso dizer que sou um born again socialist. Sinto-me capaz de dobrar colheres com o meu novo olhar progressista. Sinto-me capaz de enfeitiçar serpentes com a minha flauta, qual marajá socialista. Por favor, enviem-me uma ficha de inscrição, porque eu quero ser um dos acólitos do nosso querido líder. Eu quero ser um mártir da guerra santa que temos pela frente contra a blasfémia inútil (BE e PCP) e contra a maldade em estado puro (a direita).

Meus caros irmãos na fé, como eu gostei de estar junto de vós! Gostei tanto de ver a forma como V. Exas. se curvam perante o nosso glorioso líder. Que humildade teológica! Que flexibilidade moral! Gostei tanto de ver como os meus amigos repetem ipsis verbis as declarações do grandioso líder. Que demonstração de fé! Gostei tanto de ver a forma como choram ao som das músicas mais pindéricas do mundo. Caramba, eu também quero chorar assim! Gostei tanto de ver o nosso glorioso líder a dar encontrões em jornalistas que só fazem perguntas para incomodar. Esta gente tem de aprender o significado da expressão "
liberdade respeitosa", a grande contribuição do nosso secretário-geral para a história da democracia. Gostei tanto de ver a formação do cordão higiénico anti-fotógrafos. Afinal de contas, esses tipos não passam de paparazzi. Como se atrevem a tentar apanhar os ângulos maus do nosso glorioso líder? Como se atrevem a desrespeitar o Luís? Gostei tanto de ver os seguranças do nosso glorioso líder a empurrar violentamente os repórteres de imagem. Que demonstração de lealdade! Foi como ver a falange de Leónidas ante uns persas de câmara ao ombro. E, caramba, como foi bom ver que os jornalistas já encaram tudo isto com normalidade. Já nem ligam. Estão cansados. É assim mesmo camaradas: vamos vencê-los pelo cansaço.

Caros patrícios socialistas, como foi bom estar ali na corte do nosso czar cor-de-rosa! Como eu gostei de sentir aquelas longas salvas de palmas. Como foi bom ver que ninguém queria ser o primeiro a deixar de bater palmas. Como foi bom ver que essas palmas afugentavam as calúnias nojentas que circulavam (e que circulam) fora do partido. Sim, sim: lá fora, pessoas más atrevem-se a dizer que o nosso líder levou o país à bancarrota. Meus deus, como podem existir pessoas tão mesquinhas? Será que não entendem que, sem o nosso querido líder, o país cairá num abismo? Será que esta gentinha não entende que nós somos os únicos capazes de defender Portugal? E sabem o que é pior, meus irmãos? Esta gentinha atreve-se a dizer que o PS governou Portugal nos últimos 16 anos, tentando assim responsabilizar-nos pelo estado do país. Que ultraje. Que infâmia. Ora, e mesmo que o PS tivesse governado o país nos últimos 16 anos, o que seria isso ao pé da Fonte Luminosa? O que seria isso ao pé do Mário Soares de 1976? O que seria 1995-2011 perante este passado glorioso? O que seria 2005-2011 ao pé da derrota da PIDE em 1974 e da derrota do comunismo em 1976? Meus amigos, há que manter esta elevação de espírito, e proclamar o seguinte: é irrelevante estudar os efeitos concretos do socialismo aqui no presente, porque o PS só precisa de invocar a bondade intrínseca do socialismo do passado.

Camaradas (já me permitem esta intimidade?), como foi bom aprender a suspender o raciocínio. Como foi bom aprender que "
a crise de 1929 não foi tão grave como esta que estamos a viver" (Almeida Santos). Ó camaradas, obrigado por me ensinarem a dizer estas coisas sem corar. Obrigado por me ensinarem a sentir-me virtuoso mesmo quando me limito a cuspir intolerância. Sim, porque a Direita não é outra forma possível de ver as coisas. Nada dessas frescuras! A Direita é perversa e "quer fazer maldades". Sinto-me envergonhado por não ter percebido isso mais cedo. Muito, muito obrigado por esta pedagogia política. E, agora, se não se importam, enviem-me para o jornal uma ficha de inscrição desta nossa Igreja Universal do Reino de Sócrates. Este born again socialist agradece, desde já, esse gesto simpático. Expresso

terça-feira, 26 de abril de 2011

Daqui e dali... Vitorino Almeida Ventura

Da Via Sacra...

Por via da comunhão do meu filho, participei espiritualmente (em XIII das XIV estações) da via sacra. No maior silêncio. E

fui desfolhando, mental curiosamente, o livro "Esquecer Fausto" de Pedro Eiras; lá

fui, estabelecendo laços entre o Fausto goethiano de superação da humanidade (e do próprio Mefistófeles, em seu próprio jogo)

e Cristo... Vi Fausto, como um herói cristão.

... a Herodes

Se a confissão é uma reconciliação com Deus, eu me confesso: que de Herodes desconhecia totalmente o bom. Sabia o mau apenas: até o mau suposto; que

era duvidoso, pela narrativa histórica de Flávio Josefo, que tivesse ocorrido o bíblico massacre dos inocentes; e o mau histórico: que mandara matar a mulher; e os

próprios filhos. Que fora posto no poder pelos romanos... Só não sabia (e o National Geographic iluminou) que era um grande arquitecto, senão o maior do seu tempo.

Vi algumas obras: Herodium, Masada... E percebi, finalmente, o projecto de John Zorn, com este nome. A construção de uma música nova,

para as escalas judaicas (embora aqui com a ajuda de Ornette Coleman). É que

eu sou mais deste lado: da fragmentação do sujeito.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Daqui e dali... Carlos Fiúza

AS “tremuras” da Senhora Dona Terra

A Terra, ou seja, prosaicamente, este poleiro onde Deus nos colocou nos espaços siderais, foi, na imaginação mitológica, figurada por uma mulher, em cujas disposições físicas predominavam os seios, o que, diga-se de passagem, não estava mal pensado, porque as elevações semelham essas saliências femininas.

Ora, não consta da biografia terrena que ela fosse uma senhora nervosa, dada a tremuras, como resultado do desequilíbrio do seu metabolismo.

E não disseram os antigos que Dona Terra era nervosa, porque tal informação se tornaria ociosa, visto que toda a gente sabe que a Terra de tempos a tempos sofre tremuras. De vez em quando anda em crise, tremendo nervinamente, espasmando-se, convulsionando-se.

Tanto a Terra anda nervosa, cheia de tremuras, logo os jornais, as rádios e as televisões não deixam de nos fazer “tremer” os ouvidos com o disparate do “abalo sísmico”.

Não se desesperem os leitores nem os ouvintes. Aqui lhes aconselho o lado “humorístico” do caso. Sorriam, ponham-se mesmo a rir, porque o riso “lava a alma”.

Filosofemos sobre o assunto, a ver se se arregimentam adeptos sensatos que repilam a “abaladura sísmica”.

Como se sabe, uma das consequências da ação das forças interiores da terra é aquilo a que o nosso povo chama com admirável propriedade - tremor (e às vezes trumor) de terra.


Mas a linguagem apresenta gradações. E assim o que o povo diz na sua espontaneidade não serve muita vez ao uso experimental de certos setores da falação.

O nosso povo é um ás ou, se quiserem, um alho para aperfeiçoar o latim à sua loquela.

Se adrega de ouvir terremoto, emenda logo para terramoto, pois se é a terra que se mexe, terramoto eis o que lhe parece que deve ser.

Tem a linguagem portuguesa, sempre rica de valores, cinco maneiras de nomear os tiques nervosos da Senhora Dona Terra - tremor de terra, abalo de terra, abalo telúrico, terremoto e sismo.

Mas cinco formas não bastaram e em alguns “iluminados” surgiu uma estupenda calinada, obstinadamente repetida em letras e sons, em penas e bocas, em prelos e microfones - desânimo “abalador”!

E a calinada aí continua… (como certas pilhas: e dura… e dura… e dura).

Sendo a nossa língua realidade terrena, logo que a terra anda em crise de nervos, imediatamente a expressão noticiadora e registadora sofre em reflexo a “tremura abaladora” do desânimo.

Estimo as melhoras à Terra.

Aos jornais digo para tomarem “neurobióticos”… aos políticos (todos) que não dupliquem a sua dose diária de “Burrocitina”.

…Mas deixem o povo em paz! Deixem-no governar a sua vidinha… (se é que alguma coisa sobrou do “governanço”).

Carlos Fiúza

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Daqui e dali... João Lopes de Matos

Desenvolvimento e emprego (continuação)

A indústria, como actividade económica diferente da agricultura, teve o seu início no século XVIII, com a descoberta da máquina a vapor. A actividade que anteriormente lhe correspondia era o artesanato, onde a mão do homem tinha um papel preponderante, enquanto na actividade propriamente industrial passou a ter papel de grande relevo a máquina.
A máquina veio potenciar a força do trabalho humano e dar-lhe, consequentemente, uma produtividade maior. O local onde a indústria se desenvolve toma o nome de fábrica, que, de início, não tinha grandes condições de trabalho e, porque os maquinismos eram ainda incipientes, a qualidade dos produtos deixava muito a desejar. Por isso, muita gente afirmava que não havia nada como aquilo que era feito pela mão do homem. A produção industrial era em série e, por isso, grotesca, cheia de imperfeições.
Este modo de produção levou à concentração de grande número de operários nos locais de trabalho, surgindo, assim, uma nova categoria de trabalhadores, que tomou a designação de operariado. Os operários foram, paulatinamente, substituindo os antigos artesãos. Como, de início, a mecanização e a automação eram ainda fracas, as fábricas alastraram imenso, de forma extensiva e através do recurso a muita mão de obra.
Porém, pouco a pouco, o aperfeiçoamento dos métodos de trabalho, através de linhas de montagem e de máquinas mais e mais evoluídas e mais e mais automáticas, fizeram com que fosse dispensada muita mão de obra e o sector, de grande empregador de gentes, tivesse passado a prescindir delas num crescendo que parece não ter fim.
Estamos agora nessa fase, em que o investimento na indústria já não é, como foi durante mais de um século, criador de emprego mas dispensador de trabalho humano. E isto nada traria de negativo se a distribuição de rendimentos se passasse a fazer de outro modo que não como retribuidor da actividade desenvolvida.
Quer dizer que, nalguma medida, o aperfeiçoamento tecnológico não beneficia o homem porque lhe retira o único modo de ele receber rendimentos, que é a retribuição do trabalho desenvolvido. Se o homem não trabalha não recebe.
O sector industrial é pequeno no interior, mas se ele se desenvolverem consequência das novas vias de comunicação, nem por isso será criador de grande número de empregos, que dê vida nova às diversas localidades, até porque as indústrias tendem a concentrar-se em“clusters” para se tornarem mais eficientes.
Em todo o Trás os Montes virá a haver uma dezena (se houver) de verdadeiros centros industriais, permanecendo a grande maioria das actuais freguesias sem indústria alguma.
João Lopes de Matos