sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Movimento Cívico pela Linha do Tua

Exmos. Senhores,

O Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT) agradece a todos os que estiveram presentes na Casa Regional dos Transmontanos e Alto-Durienses do Porto, no passado dia 25 de Julho, participando activamente no debate público sobre a Linha do Tua, bem como aos responsáveis deste lugar simbólico localizado no coração do Porto, que reúne os transmontanos residentes na área metropolitana da cidade.
“Subindo o Tua, entra-se em Trás-os-Montes”. Citando Antero de Figueiredo, o Dr. José Manuel Pavão, Presidente da Assembleia Municipal de Mirandela e moderador convidado, iniciou o debate sobre a Linha do Tua, no qual participou o seguinte painel de oradores:
Em representação do MCLT, o Dr. Daniel Conde; o Prof. Lopes Cordeiro, Presidente da APPI – Associação Portuguesa para o Património Industrial e membro da direcção do TICCIH - The Industrial Committee for the Conservation of the Industrial Heritage; o Prof. Manuel Tão, doutor em Economia dos Transportes; o Prof. Manuel Matos Fernandes, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (Geotecnia); a Arquitecta paisagista Viviana Rodrigues; a Assessora dos Verdes, Dra. Manuela Cunha e o Prof. Gaspar Martins Pereira, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e ex-director do Museu do Douro.
Com uma assistência de cerca de 130 pessoas, o debate foi consistente, participado e emotivo. Falou-se no Tua, no Douro, na problemática energética, no património industrial, nas regiões administrativas, paisagem, cultura, enfim, do futuro das gentes de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Muitas ideias foram discutidas, naquilo que foi já considerado pelos presentes como muito enriquecedoras e claras sobre o que está em risco no Tua. Em síntese, destacamos as seguintes:

- A preservação da Linha do Tua passa pela sua inclusão no Vale do Douro Internacional, como complemento turístico e cultural, através de um plano de desenvolvimento regional;

- O património não é apenas história ou sentimento. É sobretudo recursos. Nesse sentido, o que está em causa no Tua é algo que põe em risco o próprio património mundial que foi outorgado pela UNESCO. A barragem do Tua vai contra a legislação do património nacional e por isso esta é uma questão nacional. A UNESCO deverá ter uma palavra a dizer neste processo.

Na Casa Regional dos Transmontanos e Alto-Durienses do Porto esteve ainda patente uma exposição sobre a Linha do Tua, com fotografias de vários autores nacionais e estrangeiros, como testemunhas visuais da beleza da Linha do Tua. De referir também a apresentação de uma réplica de uma locomotiva feita pelo Sr. António Carvalho, ex-ferroviário da Linha do Tua.
A gravação áudio deste debate e algumas fotografias sobre o evento encontram-se disponíveis no site do MCLT em http://www.linhadotua.net/, para acesso a todos os interessados que não puderam estar presentes.
Na sequência deste debate e do repto lançado pelo Prof. António Armando da Costa, representante da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, emocionado com a participação que testemunhou, o MCLT irá diligenciar para promover tão breve quanto possível um encontro semelhante em Lisboa. Mais detalhes sobre esta iniciativa serão oportunamente divulgados.
Embora não tendo estado presente neste debate, aproveitamos a oportunidade para dar a conhecer publicamente mais um apoio significativo transmitido ao MCLT e a posição sobre a questão do Tua, do empresário socialista Henrique Neto, vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa e Fundador da Iberomoldes:
O que o Governo está a planear fazer com a destruição da linha de caminho de ferro do Tua e de toda uma região, é um crime político, cultural e, é bom que se saiba, económico. Seja porque o turismo em Portugal não pode ser apenas o Algarve e o Alentejo, seja porque a qualidade paisagística e ambiental são valores económicos, tanto quanto valores sociais. Aliás nada pode justificar que não se tenha construído uma barragem com maior valor económico, por força das gravuras ali existentes, para se construir outra com menor valor económico, destruindo no processo valores culturais e paisagísticos de muito maior dimensão. São posições absurdas, para não dizer estúpidas”.
Apresentamos também, em anexo, um comunicado do FAPAS - Fundo para a protecção dos Animais Selvagens, de 25 de Julho passado, manifestando apoio ao MCLT na defesa da Linha e Vale do Tua: “A preservação da linha é assim, por si só, um quase garante da preservação do vale”.
Por último, importa ainda referir que o MCLT contactou atempadamente a comunicação social nacional e regional, fornecendo os dados essenciais do debate sobre um tema que é candente e de interesse nacional e convidando-os a estar presentes nesta iniciativa. Registamos, no entanto, que apenas o Jornal Negócios de Valpaços enviou uma jornalista para fazer a cobertura do acontecimento. O MCLT reconhece a importância e o papel da comunicação social como forma de chegar a um maior número de pessoas, mas uma vez que actos cívicos desta natureza não são suficientemente motivadores para a sua participação, contamos com a colaboração de todos os cidadãos, para que divulguem e promovam o debate em defesa da Linha do Tua, um património histórico e cultural único, que a todos diz respeito.
Porto, 30 de Julho de 2008
Movimento Cívico pela Linha do Tua http://www.linhadotua.net/

6 comentários:

Anónimo disse...

Boa Tarde,

Acabei de criar um novo o site, o "escritores de blogues" (para visualizar o site basta clickar no meu nome). Este site é uma rede social destinada a todos os escritores de blogues que o fazem em português. O objectivo é criar um espaço comum a todos para que seja facilitado o contacto e a visibilidade de novos projectos independentemente da ferramenta (blogspot, sapo, wordpress) que utilizam.

Neste sentido gostava de o convidar, e a todos os escritores de blogues que estiverem interessados. Para tal basta seguir o link e carregar onde diz "Join this network".

Muito obrigado pela atenção,

Melhores Cumprimentos,

Stran

Anónimo disse...

sempre defendi e continuo a defender a manutenção da linha do Tua e toda a paisagem envolvente, única em Portugal. As barragens podem construir-se em qualquer parte do país, e não faltam sítios onde possam ser feitas.A linha do Tua é irrepetível. Estas decisões não podem ser tomadas à revelia das populações locais. Não são os autarcas que as devem tomar, pois sabemos que muitas vezes estribam as suas decisões em interesses algo nebulosos, inusitados, nem sempre coincidentes com os reais desejos e anseios dos seus representados.Por isso esforcem-se para que aquele património não se dissipe ou adultere. Antes de executarem o mamarracho da barragem pensem bem e sejam firmes e determinados em agir.

Anónimo disse...

Há pessoas que defendem a linha e a paisagem do Tua, acho perfeitamente bem mas. que passem à acção e a rentabilizá-la.. Só conversa!!!

Anónimo disse...

se acha bem porque não começa já?
ou está à espera dos outros como sempre? Ao menos deixe-se de conversa e apoie..

Deixa morrer o seu pai porque está à espera que os outros façam a sua parte e a sua obrigação?

E como todos os incompetentes maldizentes vem um dia mais tarde afirmar :eu bem dizia, eu bem avisei , Tenha vergonha de si mesmo e actue

Anónimo disse...

Pois é: só falam, falam e não fazem nada!!!
Pior, e não deixam fazer que ainda é o maior problema. Por isso é que Trás-os Montes está atrasado como se vê...

Anónimo disse...

E o que faz este movimento cívico? Precisamente isso. Multiplicam os seus esforços para que a barragem não se construa.Ou o que queria que fosse feito? Agora defender-se a construção da mesma é que não me parece, no meu modesto entendimento, a melhor solução. Mas infelizmente há que a defenda, para quê? Hão-de depois dizer-me, se a mesma vier a consumar-se, quais os reais benefícios para as nossas gentes...Estamos cá para ver. Para algumas pessoas o progresso é mesmo isso, destrua-se tudo o que é antigo...pois o bendito betão é que é monumental e importante para o desenvolvimento das populações.